sábado, 13 de dezembro de 2014

O PESO DO "SIM," DO "NÃO," E DO "AMOR" NAS ESCOLHAS QUE DEFINIMOS



 

“‘AMOR,’ ‘SIM’ E ‘NÃO:”OS TERMOS QUE MAIS AFECTAM NA VOSSA LINGUAGEM:
“FAZER ECO: TRAIR O VOSSO PODER E DEIXAR DE CRIAR INTENCIONALMENTE A VOSSA REALIDADE”
“É JÁ TEMPO DE SIMPLIFICAR E DE AGIR”
Sessão 3253
Sábado, 25 de Outubro de 2014 (Grupo/Brattleboro, Vermont)

PARTICIPANTES: Mary (Michael), Adam (Avril)., Ann (Vivette), Berni (Flora), Brighter, Brigitt (Camile), Carole (Aileen), Daniel (Zynn), Anon, Debbie (Tamarra), Denise (Azura), Frank (X-tian), Jean (Lyla), Jean-Francois (Samta), John (Lon), John (Rrussell), Kathy, Ken (Oba), Lynda (Ruther), Marcos (Marta), Margarete, Natasha (Nichole), Patricia (Treice), Peter (Magnus), Phillip, Rodney (Zacharie), Sandra (Atafah), Val (Atticus)
Tradução: Amadeu Duarte

(Tempo de chegada: 20 segundos.)

ELIAS: Boa tarde!

GROUP: Boa tarde, Elias!

ELIAS: Ah ah ah! Será que o tema os irá deixar surpreendidos? (Riso)

ANN: Vais falar acerca do “talvez,” não é?

ELIAS: (Risada) Estou ciente de que todos têm vindo a sentir-se ansiosos na antecipação desta interacção e este tema sobre os termos da linguagem que usam que mais os influenciam, as três palavras que empregam as mais vincadas concepções de qualquer outra palavra do vosso modo de falar

Bom; acerca disso eu vou abordá-los de uma forma ligeiramente diferente nesta interacção. Vou propor o tema, que já do vosso conhecimento. Os três termos são o “amor,” o “sim,” e o “não.”

Ora bem; vou-vos abordar a todos e estender-vos uma oportunidade de apresentarem exemplos de qualquer desses termos que vos confundam, e para fazerem perguntas relativamente às concepções, à natureza das concepções e ao modo como as expressais, e para terem uma interacção activa com os demais – que inclua a vossa participação uns com os outros nesta conversa. Isso, ao invés do que designariam como uma palestra da minha parte, revelar-se-á mais eficaz e mais eficiente se cada um de vocês tomar parte neste tema. Este é um tema complicado, que se presta à confusão. Nessa medida, vou envolver cada um de vós no debate deste conceito e destes termos e da afectação que causam.

Vamos começar pelos actos mundanos e daí vamos expandir a outros temas que julgueis ser mais importantes. Vou reiterar, uma vez mais: todas as escolhas são escolhas. Nenhuma escolha ou alternativa é mais importante, mas eu compreendo que julgueis certas escolhas como mais importantes e mais significativas do que outras.

Nessa medida, se começarmos por actos mundanos simples, poderemos desenvolver isso em escolhas mais complicadas ou aquelas escolhas que julgam serem mais importantes e que causem uma maior influência na vossa vida, por assim dizer, que inclui empregos, relacionamentos, dinheiro, alternativas quanto à orientação, aquilo que fazem da vossa vida, os vossos interesses, as curiosidades que têm, até mesmo ao nível sexual. Esses são os tópicos que acham mais significativos ou importantes, mas também se torna importante que compreendam que estão a definir essas escolhas a cada instante em todos os dias da vossa vida.

Desde o momento que se levantam e até que se deitam à noite, vocês produzem escolhas a cada instante, e em cada escolha que expressam, dão expressão a um sim ou um não. Referem um sim para com uma expressão qualquer e um não para com outra, e fazem isso com uma razão. E isso é importante, pois que o objectivo, ou um dos objectivos mais importantes desta mudança de consciência, é o de criarem intencionalmente a vossa realidade.

Vós estais constantemente a criar cada aspecto da vossa realidade, só que nem sempre o fazem intencionalmente. Essa é a razão por que criam muitas situações e expressões na vossa realidade de que não gostam ou que não desejam ou que não compreendem. Quando criam a vossa realidade de uma forma intencional com conhecimento do que cada escolha das que promovem comporta e da razão porque a elegem, passam a dispor da capacidade e do poder de criar a vossa realidade de uma forma intencional.

Quando passarem efectivamente a assimilar este aspecto da informação relativa a esses três termos, quando o assimilarem de uma forma genuína e forem capazes de o aplicar, terão dado um passo na capacidade pessoal de mudar que estarão quase prontos. Essa é a importância que essas três palavras têm e a influência que causam.

Ora bem; antes de darmos início ao debate, deixem que reitere a definição que apresentei de amor. O amor não se acha limitado às pessoas; tampouco está limitado às coisas vivas. O amor pode ser expressado em associação com objectos, conceitos, filosofias, ideias e a expressões tais como arte ou música. O amor pode ser expressado por meio de múltiplas maneiras relativamente a muitíssimas manifestações, por a definição real de amor consta de saber e valorizar. Que é que isso quer dizer? Saber não quer dizer necessariamente compreender. A compreensão não é requisito para o conhecimento. O saber constitui uma expressão interior que produzem em relação a qualquer outra expressão da consciência, quer seja manifestação material ou não, e nesse sentido, entram em ressonância com ela na medida em que se fundem com ela.

Agora; Isso não é uma acção física, mas uma acção em termos de energia, e quando vos fundis com uma outra expressão, vós sabeis disso. Mesmo que não o entendam, sabem disso, têm conhecimento disso, conseguem senti-lo.

Ora bem; essa sensação difere das sensações emocionais. Os sentimentos emocionais constituem sinais. O amor não representa sinal nenhum, mas provoca um sentimento interior de totalidade, de plenitude, e de não se acharem separados daquilo que lhes é dado conhecer. Se contemplarem um quadro e conhecerem essa arte – independentemente do artista, independentemente do meio, independentemente das pinceladas, contemplam-no e fundem-se com ele – e geram uma sensação íntima que difere dos sentimentos de carácter emocional. Senti-lo, nos vossos termos, no âmago e isso move-lhes uma atracção. Podeis sentir uma energia efectiva de atracção. Encontrais-vos fundidos com essa expressão. A energia da expressão reúne-se com a vossa energia, e vós fundis-vos com ela. Quando escutam música ou quando tocam música e sentem no vosso âmago essa atracção para a música, vós sabeis disso. Fundis-vos com ela. E nesse sentido, com tal fusão, com tal saber, isso gera uma apreciação genuína, e vós sois genuinamente consumidos por esse saber, por essa atracção e por esse apreço.

Esse não é um sentimento de carácter emocional. O afecto constitui um sentimento emocional que muitos, senão mesmo a maioria das pessoas confunde com o amor quando o atribuem a esse termo, só que não é amor. É afecto; e vós podeis sentir afecto por muitas expressões e manifestações, e não amar. Podeis expressar amor sem sentir afecto. Não expressais necessariamente afecto por uma composição de música nem por um quadro nem uma escultura ou um carro – por um instante – mas podeis expressar amor por uma manifestação dessas.

O amor pode ser expressado para com manifestações sem vida. Podem amar uma expressão de arquitectura, podem amar um tecido, podem amar um desenho da moda – por não envolver qualquer expressão emocional, mas um saber e uma valorização. Nessa valorização, existe o que designariam por complete aceitação, e isso é igualmente aquilo que sentem. Sentem dentro de vós, na consciência do vosso corpo, a liberdade dessa aceitação plena.

Agora; esta é a razão por que referi repetidamente que há muita gente pelo vosso mundo que não experimentaram o amor, não de uma forma autêntica, por não se permitirem tal expressão genuína de fusão em que passem a incorporar genuinamente desse saber e valorização e plena aceitação.

Podem fazer isso com as outras pessoas e não o fazer sempre. Podem expressar um amor genuíno relativamente a outro indivíduo e não o expressar de uma forma consistente ou constante, por poderem não estar focados nessa fusão com esse indivíduo. Podem não compreender a expressão do outro, não obstante, podem expressar esse amor que sentem por ele. Por conseguinte, isto representa uma explicação: a compreensão não é requisito para a expressão do amor.

Ora bem; posto isso, o outro factor que irá prefaciar o nosso debate será relativo ao sim e ao não. O sim e o não são muito menos absolutos do que pensam que sejam. Em muitas situações o sim pode significar um não e não pode querer dizer sim. O facto de vocês expressarem sim ou não, não quer dizer que estejam a expressar em termos absolutos aquilo que a palavra traduz por elas serem permutáveis entre si. Não são em definitivo absolutas. São duas palavras do vosso léxico que, independentemente dos vossos diccionários, são permutáveis entre si. Uma pode querer dizer a outra, dependendo da situação, dependendo do assunto, dependendo daquilo que estiverem a realizar. Por isso, pode tornar-se confuso quanto àquilo a que poderão expressar sim ou não, por assentarem num intercâmbio. Bem que poderiam representar uma palavra só, a palavra sim/não, em vez de duas.

Nesse sentido, conforme referi previamente, toda a escolha que produzis envolve ambas essas palavras, toda a escolha. Jamais envolvem uma escolha sem empregarem ambas essas palavras.

Sim?

RODNEY: Nós debatemos a sensação de ligação que sinto com um cavalo ou com um urso, e queria saber se a descrição que fazes desse saber poderá ser incorporado nessa ligação.

ELIAS: Pode.

RODNEY: Afirmarias tal coisa?

ELIAS: Sim, sim.

RODNEY: Muito obrigado.

ELIAS: Não tens de quê. (Riso)

Bom; vamos dar início ao nosso debate. Como estou bastante familiarizado à relutância que têm em participar voluntariamente, vou-vos abordar no sentido de os incitar a entrar no diálogo e no debate. Sim?

ANÓNIMO: Como é que as essências dirão sim ou não, ou chegarão sequer a fazê-lo?

ELIAS: Excelente pergunta. Não, não o fazem.

ANON: Então usam o talvez o tempo todo?

ELIAS: Aquilo que te diria quanto a isso é que constitui uma expressão que criais na realidade física. Acha-se associada às crenças que tendes, que vos ditam aquilo que é bom, mau, certo e errado. Mas no âmbito da consciência não existe bom nem mau, certo ou errado. Não existe qualquer expressão emocional. Não existem sentimentos. Por conseguinte, o conceito de sim e de não é irrelevante e desnecessário.

Nessa medida, vós funcionais com base num Sistema de crenças, o que faz parte do vosso modelo da vossa realidade, e isso acha-se interligado com tudo quanto realizais. Produz uma directriz através da qual expressais uma avaliação de toda a expressão no vosso mundo. Toda a expressão no vosso universo é por vós filtrada pelo crivo dos sistemas de crenças que tendes. Nessa medida, estão constantemente a expressar avaliações, o que não representa a duplicidade inerente à vossa realidade propriamente, mas a dualidade inerente à vossa realidade. A vossa realidade incorpora uma dualidade, que também faz parte do vosso modelo. Nessa medida, em todas as vossas filosofias e em todas as vossas religiões, apresenta-se uma dualidade, a dualidade do bom e do mau.

ANÓNIMO: Então, ao envolvermos determinada coisa e dizermos sim, estamos igualmente a experimentar o não?

ELIAS: Sim, precisamente; é isso que eu estou a dizer. Toda a escolha envolve tanto um sim como um não em simultâneo. Seja a que for que opteis por afirmar um não, também estareis a expressar um sim de alguma forma. Seja o que for a que opteis por expressar um sim, estareis igualmente a expressar um não por alguma forma. Essa é a dualidade inerente à vossa realidade, e onde reside o vosso poder, em souber isso e em terem consciência do que estão a escolher e porquê, e do que estará a influenciar isso.

Nesse sentido, conforme referi previamente relativamente às diferentes expressões do apego, eu disse que podem ter consciência dos acessórios do apego e que podem na verdade escolhê-los. Podem concordar com eles ou com determinados aspectos deles. De uma forma similar, podem concordar com determinados aspectos das concepções, e por conseguinte podem mesmo optar por lhes dar expressão, não obstante. A diferença está em que tendes consciência de os estar a escolher. Não os estareis a escolher de uma forma automática nem de memória. Estão a escolhê-los de um modo intencional, e conhecem a razão por que os estão a escolher intencionalmente. Ao referir, igualmente, que as concepções não são obrigatoriamente más nem uma outra expressão que devam eliminar, torna-se importante compreender que vós aceitais muitíssimas concepções sem estarem objectivamente conscientes disso, e consequentemente, podem expressar acções e escolhas de uma forma automática e de memória. Isso não os fortalece, nem lhes proporciona orientação.

Bom; além disso, conforme recentemente referimos numa sessão individual, há séculos e séculos que enquanto humanos vocês acostumaram-se a ser conduzidos e a não produzir as vossas próprias escolhas, e a seguir os ditames e as directivas de uns quantos, e a aceitar isso. As estruturas existentes nas vossas sociedades, desenvolvidas através das estruturas das vossas famílias, encorajaram isso. Vocês fazem o que lhes é dito pelos pais, ou por aqueles que representam uma autoridade ou pelos que sejam mais velhos do que vós, por ser o que vos ensinam desde tenra idade, na realidade logo desde a nascença. As pessoas estão bastante acostumadas a deixar de definir as suas próprias escolhas em relação às próprias preferências. Isso envolve muito mesmo as vossas próprias orientações.

Por conseguinte, essa é uma matéria consideravelmente complexa, por cada um de vós incorporar as próprias orientações, as vossas próprias personalidades, o vosso próprio fluxo individual de energia, e esse sim e não acha-se envolvido em tudo isso e influencia, e vice-versa. As orientações que têm influenciam a forma como expressam esse sim e não. Por conseguinte, este é um tema significativo.

Reconheço que a maioria de vós não se acha necessariamente empolgado com a questão, mas ficarão quando passarem a sentir-se investidos de um poder muito mais significativo do que que se encontram actualmente e estiverem a criar aquilo que querem de uma forma consistente, na vossa realidade - e não apenas o que pensam querer; aquilo que querem de uma forma autêntica, e souberem disso.

Sim?

PHILLIP: Parece-me a mim que fomos doutrinados em todo o género de sistemas de que nem sequer temos ideia, desde a nascença. E esta é a altura em que necessitamos reavaliar todos esses sistemas, essas doutrinas automáticas que assumimos e de começarmos a questionar a proveniência deles e se realmente nos prestam um serviço. É onde tem lugar a questão do sim e do não, e ter consciência a cada instante e proceder a uma escolha consciente e sólida.

ELIAS: Precisamente. Quem quererá comentar essa afirmação? Concordam?

GRUPO: Concordamos.

VAL: Tem muito que ver com o governo e a forma como é estabelecido, o uso do sim e do não.

ELIAS: Isso é factor. Eu diria haver muita gente que atribui muito mais poder à ideia do governo do que ela merece ou do que efectivamente realça, por gerarem automaticamente um papel subserviente para com uma ideia. Encontrar-se-ão os políticos a residir debaixo do vosso tecto? Não. Será que conheceram os vossos políticos? Algum de vós terá conhecido os vossos políticos?

ANN: Se eu sei quem sejam?

ELIAS: Precisamente. (Riso) mas atribuem um tremendo poder às pessoas que nem conhecem, que não chegaram a conhecer de uma forma objectiva, com quem não se encontraram no concreto.

E essa é uma questão significativa - para voltarmos ao mundano e às questões não tão significativas - por a maioria de vós, senão mesmo todos, em grau variado, produzem o acto de se envolverem em expressões que não os envolve. Isso representa um investimento em expressões ou indivíduos que não os envolvem e dar esse poder a tais expressões ou pessoas que nem sequer estão a envolver.

Quantas vezes estarão a entreter uma conversa com uma outra pessoa, um amigo, que dá expressão a uma aguda irritação relativamente a uma expressão que tenha envolvido anteriormente durante o dia, e se sente tão irritado por se ter deparado com outra pessoa que se terá mostrado tão rude e desagradável, e vós escutais e começais a fazer eco: "Eu sei ao que te referes. Detesto quanto esse indivíduo se expressa dessa forma." Nisso, que é que estão a fazer? Estão a envolver-se numa situação que não os envolve. Não estão a envolver a pessoa que se terá mostrado rude. Podem nem sequer conhecer a pessoa que se tenha mostrado rude, mas estão a fazer eco, e estão a dar o vosso poder ao indivíduo com quem estão a conversar. Estão a deixar de expressar o vosso poder. Entregaram-no ao indivíduo que se encontra irritado, estão a fazer eco disso. E que significa isso? Estão a seguir, a tomar partido. Estão a deixar de produzir a vossa escolha. Preocupar-se-ão mesmo com aquele que se tenha revelado grosseiro que nem sequer conhecem e em cuja situação particular não estiveram presentes? Será isso importante para vós? O provável é que não seja.

ANN: Mas algumas pessoas diriam - e eu estou de acordo contigo - que estejamos a expressar compaixão para com a pessoa, com uma acção de fazer eco disso, e a mostrar apoio, coisa que não estamos. Consigo perceber onde isso se revela prejudicial e não benéfico...

ELIAS: Não é necessariamente prejudicial, mas nisso reside a questão: em fazerem uma pausa e avaliarem genuinamente o que representará uma expressão genuinamente compassiva e de apoio para além de fazer eco, que não representa um apoio nem compaixão sequer.

Nessa medida, podem dar ouvidos à pessoa e expressar-lhe um reconhecimento nos seguintes termos: "Encontras-te bastante irritado." Poderão reconhecer aquilo que esteja a expressar. Podem dar apoio pela escuta e pela permissão que ele expresse essa energia em vez de a guardar. Mas essa reacção automática constitui uma outra acção mundana que empregam com muita frequência, o facto de agirem de forma mecanizada. Não estão intencionalmente a criar a vossa realidade.

PHILLIP: Então isso tem que ver com a ideia da experiência primária e secundária expressada por mote próprio, quando a nossa experiência primária se prende com o meio imediato? Precisamos deveras ter uma consciência dessas. Se estivermos a expressar no âmbito de uma experiência secundária, e a reagir a coisas que nem sequer nos envolvem, aí teremos como que perdido o foco que teríamos no momento presente, e então não poderemos proceder a escolhas conscientes que nos conduzam adiante.

ELIAS: Precisamente, sim, estou bastante de acordo com isso.

ANN: Poderemos pôr isso em prática? Por que sempre surge aquilo de as pessoas dizerem que se não nos deixarmos envolver com as experiências secundárias, então os Nazis teriam assumido o controlo, ou não nos teríamos envolvido na detenção de tal ou qual atrocidade.

PHILLIP: Bom, hoje encontramo-nos num quadro diferente. Esse é um quadro diferente daquele em que nos encontrávamos a operar antes.

ELIAS: Não estou tanto de acordo!

ANN: Poderias falar sobre isso da experiência secundária, sobre o envolvimento que criamos com isso?

ELIAS: Sim.
Bom; isso conduz-nos à expressão da responsabilidade. Quando são responsáveis por vós, têm consciência de si. Automaticamente, por extensão, o produto da responsabilidade por vós próprios será o de não assumirem responsabilidade por ninguém nem por coisa alguma que vos rodeia. Isso é um produto automático. A dificuldade ou desafio está em que a maioria não compreenda o que significa ser responsável por si mesmo.

Isso representa um outro aspecto do sim e do não. É uma questão de terem consciência de vós próprios: daquele que são, das vossas linhas de orientação, das vossas verdades centrais - das vossas próprias - ad fluência de energia que lhes é natural, que quer dizer o que criam naturalmente. Isso leva-nos de novo para o terreno do mundano. Que é que fazem a cada dia? Qual será a estrutura das vossas actividades diárias que não envolvam necessariamente outras pessoas? Quais serão as preferências que têm e com isso, ter consciências das preferências que têm, expressá-las, ter consciência das directrizes que têm, da vossa verdade central, não expressarem-na e manterem os outros nessa directriz, mas em a expressarem e expressarem essa aceitação pessoal, que é excepcionalmente importante.

Porquanto, deixem que lhes diga que, sempre que uma pessoa expressa juízo de culpa seja de que modo for para com outra pessoa, isso constitui um reflexo directo da sua própria falta de aceitação nela própria. A censura seja de que forma for, constitui sempre uma expressão da carência que a pessoa tem em termos de aceitação. A acusação, seja de que forma for - não importa que concordem ou discordem com a expressão do outro - quando uma pessoa acusa ou culpabiliza, está a expressar falta de aceitação pessoal e ausência de responsabilidade para consigo próprio. Quando apontam uma falta no semelhante - não uma discordância - quando apontam a falha no semelhante, isso constitui um reflexo de um aspecto qualquer de vós próprios em relação ao qual não estão a ser responsáveis, ou que não estão a aceitar em vós próprios, o que representa um outro factor relativo a esta questão do sim e do não.

Quando expressam acusação ou culpa, quando alguém expressa acusação ou culpabilização, estão a afirmar um não à outra pessoa. Pensam ter razão em dizer não e que estejam a afirmar um sim ou a honrar-se a si mesmos. Estão a expressar um sim a vós próprios: estão a expressar concordância para com a dissimulação; estão a expressar um sim em relação à protecção: "Vou proteger-me, e não, não te vou aceitar." É isso que estão a expressar. Iso ocorre em cada acção, todos os dias, a cada instante - não a culpa, mas essa concordância e discordância em meio àquilo que escolhem e de que nem sequer estão cientes.

Agora; relativamente às situações tais como o que designas por expressão secundária - o que não deixa de ter graça, por não existir experiência secundária; encontra-se tudo interligado - o que fazem convosco propaga-se ao vosso mundo. Que é isso que expressam, o efeito borboleta? É bastante real. Nessa medida, aquilo que vós próprios expressais. Vós encontrais-vos todos ligados. Nesse sentido, a pessoa que opta por voltar a cabeça, ela está a criara própria realidade. Se optar por o negar, que é que estará a fazer? A que estará ela a dizer sim e a que estará ela a dizer não?

ANN: Está a anuir para com a dissimulação, não?

ELIAS: Está a anuir para com a dissimulação, e está a dizer não à interligação.

ANN: Como é que descobrimos... Evidentemente, se eu assistir a algo como um assassinato, digamos, posso julgar... ou a alguém que esteja a assediar, talvez uma criança que esteja a assediar outra, posso julgar o acto. Então, estou a julgar-me a mim própria?

ELIAS: Não necessariamente; não é um espelho.
Agora; nisso, tenham em mente que todos vós produzis julgamentos. Sempre o fazeis. Fazem-no a cada instante, ou não haveria sim nem não. Faz parte da vossa realidade; sempre geram formas de julgamento. São formas de julgamento que produzem em relação às vossas próprias directrizes e à forma com as expressam.

ANN: Bom, eu só queria suscitar isso. Na verdade formulei mal a pergunta, ou outra coisa que não o que queria dizer. Não julgar-me mas aceitar-me foi o que disseste. De modo que, se estiver a contemplar algo e não me estiver a aceitar, de que modo perceberei o que diga respeito a mim própria que não esteja a aceitar? De que modo o compreenderei ou trarei à luz?

ELIAS: Ora bem; estás a fazer uso do exemplo de assistir a um assédio, e estás a expressar uma condenação relativa ao acto, e a dizer que avalias isso como um acto de falta de aceitação pessoal. Pode não ser.

ANN: Bom, nesse caso interpretei mal o que afirmaste antes, por ter pensado que tenhas referido isso... Que foi que disseste?

ELIAS: Acusação e culpabilização...

ANN: A acusação e a culpabilização significam que não estamos... Ah, quando dizemos que é culpa de mais alguém...

ELIAS: Sim, sim.

ANN: ...não te estás a aceitar a ti própria.

ELIAS: Vós expressais muitas direcções e assuntos com que podem não estar de acordo. Não é necessário que concordem com cada acção que ocorra. Poderão testemunhar uma outra pessoa que cometa assédio, e podem não concordar com isso, e isso ser muito contrário às vossas directrizes.

Agora; nisso, poderão expressar a discordância que sentem. Não estarão necessariamente a expressar que a outra pessoa seja desprezível ou trivial ou destituída de valor, mas que discordam da acção que está a mover.

Ora bem; nessa medida, ao serem responsáveis por vós próprios, ao dizerem sim para com a responsabilidade por vós próprios e não para com a falta de aceitação, poderão abordar a pessoa no sentido de lhe honrar o valor. Porque, se o outro estiver a mover um acto de assédio, que é que estará a fazer? A acusar e a culpar. Por conseguinte, comete assédio para momentaneamente se edificar de uma forma convoluta. Porque se a outra pessoa estiver a cometer assédio, que é que estará a fazer? A acusar e a culpar, é isso que os que cometem assédio fazem. Eles culpam outra pessoa pelo que sentem ou pensam, e como tal, cometem assédio para com eles a fim de momentaneamente se edificarem de uma forma enrolada. Tal indivíduo procede com base na desconsideração, e já está a expressar desvalorização intimamente ou n\ao produziriam uma acção dessas.

Quando vos valorizais, quando reconhecem de uma forma genuína o merecimento ou a dignidade de que são alvo, não se revela necessidade de se elevarem relativamente a mais ninguém. Por o outro não constituir qualquer ameaça para vós, independentemente do que expressar, por vocês se sentirem confortáveis nessa expressão de satisfação, e não lhes ser necessário nem mesmo considerarem elevar-se acima de qualquer outra pessoa ou expressão, por já conhecerem a ligação que têm com ela. Por isso, nem sequer lhes ocorre expressar-se desse modo.

Ora bem; além disso, uma pessoa que esteja a expressar uma acção tal como a de assédio ou de violência, ele estará a expressar uma acção de quê? De agressão. Qual será a única expressão na vossa realidade que gera um desligar total e completo? A agressão. A agressão é a única expressão de que são capazes que desliga corta com toda a ligação, e que os isola de imediato. Essa é a razão, que expressei anteriormente, por que os soldados na guerra criam vínculos tão fortes. Trata-se de uma expressão que, nos termos que vocês empregam, vai compensar essa expressão circundante de agressão, em que tomam consciência e sentem esse corte de ligação, que é expressão completamente antinatural.

Nessa medida, esse é o sentido que muitíssimos indivíduos tomam quando expressam uma extrema desvalorização pessoal, quando expressam uma total ausência de merecimento e não perspectivam qualquer dignidade nem valor pessoal, que representa o quê? Falta de responsabilidade por si mesmo, e nisso, uma negação de si mesmo. Eles expressam: "Não, não, não, não a mim e sim, sim, sim ao desligar-se. Não, não, não, não, vou dar uma maior expressão à agressão, vou-me desligar cada vez mais, por não merecer estar ligado."

Por isso, em toda a situação desse género, poderão não se aceitar necessariamente a vós próprios ou desconsiderar-se. Poderão apresentar situações desse tipo a vós próprios por uma questão da oportunidade de avaliação. Reagirão ou responderão? Avançarão por uma questão de hábito ou procederão a uma avaliação? "Qual será a directriz que defendo? A que será que quero dizer sim e não? Qual será o máximo benefício que colherei e que é que será importante, coisa que estivemos a debater anteriormente. Nessa medida, como é que respondem?

ANÓNIMO: Neste momento, por exemplo, estamos todos a dizer sim e não a tantas coisas, pelo que se tornaria árduo enumerá-las a todas. É aí que se torna confuso para nós. De modo que a pergunta que faria seria: creio estar à procura de um trabalho de casa qualquer. Que aspectos recomendarias em que nos focássemos quando consideramos essa questão do sim e do não? Por pensar que o tema assente na impotência quanto à capacitação, mas queria seccionar isso, creio bem, ou focar-me num elemento qualquer...

ANN: Exercício, queres praticar.

ANÓNIMO: Quero.

ANN: Bom, vamos lá praticar contigo.

ELIAS: Muito bem.

ANÓNIMO: Eu estou a dizer sim à exploração. Isso é muito genérico. Sinto-me confortável, de modo que digo sim à comodidade. À atenção? Sim, à atenção. Que tal, pessoal?

ELIAS: A que estás tua dizer não? Estás a dizer não à protecção. Estás a dizer sim à participação. Estás a dizer não ao isolamento, coisa que poderias empregar com muita facilidade.

ANÓNIMO: Bom, nesse caso é óptimo e tudo o mais, mas que é que...

BRIGITT: Que benefício se colherá?

ANÓNIMO: Pois, é como se não...

LYNDA: Não é entusiasmante. (Riso)

ANÓNIMO: Não se revela suficiente. Não sei porquê. Por esta altura só sinto, tudo bem, e depois? Por haver tanta coisa a que posso dizer sim e não posso acabar com tudo isso... Talvez porventura o termo a empregar deva ser "fastidioso."

ELIAS: Eu diria que neste instante estás a expressar um sim para com a abertura e a exploração e o acolhimento de informação que te beneficie, que podes assimilar e que esperas te venha a beneficiar noutras direcções, em outras áreas. Por conseguinte, estás a escutar e a tomar parte. Também estás a expressar um não em relação à cautela, não ao facto de não te deixares envolver, e com isso, estás a expressar um não ao que possa ser esperado da tua parte pelos outros.

Tu estás a tomar parte numa situação de grupo. Em muitas situações que englobam indivíduos em grupo, coisa que ocorre frequentemente no nosso, as pessoas hesitam em participar ou em partilhar, e com isso, podem não ter uma ideia objectiva do porquê. A razão assenta num “não” para com a exposição, não para com a vulnerabilidade, por se patentear uma preocupação ou apreensão quanto ao que o outro pense, à forma como os perceberão: “E se eu me expressar de uma forma estúpida? E se eu fizer uma pergunta ridícula?” Eu diria que nenhuma pergunta é ridícula, só essas são as sensações que muitos expressam neste instante. Por conseguinte, tu estás a dizer não a isso tudo, não a todas essas concepções: “Se eu me expressar, se eu participar, a ideia do que os outros pensem e a avaliação que me fazem e o modo como me perceberão. Nesse sentido, isso pode afectar bastante, e neste presente instante tu estás a expressar um “sim” à tolerância, e um “não” às expectativas.

Sim?

SANDRA: Eu só gostava de acrescentar algo a essa questão. Assim, eu observo uma situação e percebo que quero permanecer envergonhada ou afastar-me, por querer defender ou ocultar qualquer coisa. De repente lembro-me do que estou a dizer. Calculo-o neste instante: será isso um sim ou um não? Neste instante tomo consciência de estar a escudar-me ou a ocultar. O que se apresenta a seguir é não só a escolha quanto ao que fazer com isso, mas tornar-me consciente de um monte de associações ou de um enredo que começa a desenrolar-se. Recordo de ter falado certa vez sobre aquela pirâmide que se abre, a seguir ao que passo a ver muito mais, o que chega a tornar-se massivo. Agora aflora-se-me a recordação que tenho de um professor que me insultou na frente da classe quando me tentei expressar. Pode representar mesmo uma actividade tipo escorrimento que surge como um tipo interno de impressões. Poderias abordar isso?

ELIAS: Essa é uma excelente observação, por termos falado consideravelmente sobre os sentimentos do momento e sobre os sentimentos passados e as associações, e isso pode ser confuso para muita gente. Por terem memória e evocarem essa memória, o que é benéfico por lhes permitir avaliar. Nessa medida influencia as escolhas em muitas situações, e podem ter – conforme expressaste no exemplo que deste, isso pode despoletar uma recordação, e relembrarem uma experiência qualquer desagradável que possam ter tido antes.

Agora; com isso, no momento, isso dá-lhes a oportunidade de produzir basicamente três acções. Tanto podem reagir à evocação, focar-se no sentimento que estão a evocar, e de seguida criar esse círculo do sentimento de outrora, que é no que se estão a concentrar. Assim como poderão permitir que os afecte, sem se concentrarem obrigatoriamente no sentimento, sem se deixarem cair no laço do sentimento de outrora, mas permitir que essa recordação lhes influencie a escolha e que os influencie a expressar um “não, não tomarei parte; é demasiado assustador.” Também podem ver isso como uma recordação e avaliar no momento se representará uma situação de ameaça. “Isto é agora, esta é uma situação diferente; não é a mesma situação. Estará isto a ameaçar-me neste momento? Estarei a perceber alguma energia de ameaça neste instante?” E posteriormente definir uma escolha.

Bom; podem optar por permanecer calados, por poderem necessariamente não ter qualquer contribuição a dar à conversa, e optarem por observar e isso ser fonte de comodidade para vós. Não é que quando tenham consciência de uma influência qualquer que potencialmente os bloqueie façam automaticamente o contrário. Não é questão disso. É uma questão de reconhecerem, “Muito bem, isto é real, isto é uma experiência, isto é uma lembrança, está a causar influência. Percebo-a mas não pertence ao momento. Que é que estou efectivamente a fazer agora? Haverá alguma energia de ameaça que esteja a perceber agora? Quererei participar ou não? Quererei observar, ou quererei tomar parte na situação?” Mas com isso, estão intencionalmente a escolher em vez de ficarem imobilizados ou de se escudarem automaticamente.

SANDRA: O que seria uma resposta repetitiva, habitual, automática, e que em última análise não seria benéfica.

ELIAS: Exacto.

SANDRA: Então é quase, na situação do jogo da moeda, a que atribuo um sim à cara ou um não. Quando a moeda gira, tem lugar a qualidade do indefinível, e quanto mais consigo avaliar o que passarei a apresentar a mim própria, de alguma maneira mais me torno na qualidade do indefinível. E isso para mim é fortalecedor.

ELIAS: Sim, em vez da face.

SANDRA: Exactamente.

ELIAS: Concordo.

SANDRA: É quase como um colapsar no ser genuíno, essencial.

ELIAS: É.

SANDRA: É um processo maravilhoso, e tenho a esperança de vir a tornar-se mais espontâneo e fácil, por causa da forma como o descreves, que é tão… é imensa. Tem a qualidade de um tipo de grandeza assustadora.

ELIAS: Estou de acordo.

CAROLE: Obrigado. Olá, sou a Carole do Connecticut. Eu queria seguir duas direcções diferentes.

ELIAS: Muito bem.

CAROLE: A primeira coisa que queria tomar é contar-te acerca de algo que fiz recentemente. Quando era catraia andei por lares adoptivos e por um orfanato, e passei um período prolongado de tempo em que não sabia quem era. Aí contactei um Departamento da Assistência Social e pedi por alguma informação que me pudesse ajudar a saber quem eu era quando era pequena, e obtive toda essa informação. O que é interessante, para mim – por eu pretender ver mais ou menos quem era, por ter reprimido muita coisa e não recordar – havia histórias acerca da primeira vez em que fui para o orfanato, e eles na verdade conservavam declarações feitas por mim à altura. Creio que fui a muitos psiquiatras, e as declarações que fizera achavam-se entre aspas. Uma das coisas que me fizeram diversas vezes, bom, foi elogios: ela é esperta e bonita. Isso foi logo desde o início. A outra coisa que disseram foi que ou eu não queria juntar-me aos outros catraios para brincar ou prestar atenção aos adultos, mas quando o faz, ela participa mas tem que estar no comando; se não estiver a mandar fica irritada. Refiro-me aí por volta dos seis, sete anos, de modo que se reporta bem atrás.

Uma das coisas que tu, Elias, disseste foi referente à agressão, e eu disse ao meu marido há não muito tempo que eu tinha que tentar não ser tão agressiva. Ele respondeu que sabia que eu conduzia como uma doida. Essa foi a primeira coisa que lhe ocorreu, mas é claro que vai mais fundo do que isso. É um estado de confiança de ser capaz disso; eu sei que consigo. É quase uma forma de agressão, e eu entendo isso. Também entendo que seja uma maneira de nos isolarmos e de nos protegermos. Essa é uma das coisas.

A outra coisa tem que ver com toda esta coisa do “sim” e do “não.” Há bastante tempo atrás, Elias, tu disseste que eu acabaria por despertar no estado de sonho e que viria a fazer algo que condenaria, tipo descobrir dinheiro e guardá-lo na carteira para mim própria; creio que foi o que dissemos. Foi há quase vinte anos, ou dezoito. Disseste que eu esteja a levar a minha vida quotidiana mais as crenças para o estado de sonho e a condenar; não se rouba nesta realidade. No estado de sonho eu sou essência. Encontro-me no estado de sonho, e estou a viajar para uma outra realidade qualquer; de algum modo isso surge e tem efeito em mim. E agora descubro que acordo desperto constantemente no estado de sonho. É como: “Isto fosse um sonho, acorda Carole, isto não está verdadeiramente a acontecer, é no estado do sonho, e não é material. O que quer que se apresente como um desafio ou uma ameaça para o meu corpo não pode estar a suceder, por eu ter o meu corpo deitado na cama. E na verdade eu disse isso no sonho: “O teu corpo acha-se na cama, Carole.” Todavia, na noite passada, não tinha a certeza se viria aqui devido a outras situações, mas tenho duas situações em que se me apresentou a questão do sim e do não.

A primeira, eu fui a qualquer parte nesse sonho, e da vizinhança vieram pessoas que começaram a plantar umas belíssimas árvores na minha propriedade. Eu olhei e vi que estavam a cavar buracos, para plantar aquelas árvores, e creem estar a fazer algo de bom, pelo que como poderei enfurecer-me com eles? Eles acreditam estar a fazer algo de bom, só que eu não quero aquelas árvores, de modo que vou ter que enfrentar a questão. Mesmo em frente acha-se esta grande e volumosa questão do sim e do não. Depois mais tarde, à mesa da nossa nova casa, estou a comer frango. Tudo bem, já não como carne aí há uns quatro anos, provavelmente. Mas no sonho sabia bem, mas de súbito passou a ter um sabor horrível e a apresentar uma textura… só me apetecia vomitar. Voltei a acordar no sonho e a dizer que não como carne, que é que estou a fazer ao comer carne? Aí disse, bom, isto não passa de um sonho estúpida. Mais uma vez o sim e o não. É como se no sonho eu por um Segundo tivesse querido e depois não quisesse.

Eu faço isso com os meus quadros a toda a hora. Coloco-os pela minha casa – e sei que se encontram aqui alguns artistas – onde não sei quando me virei a deparar com eles. Dá-se um segundo antes da mente começar a proceder a toda essa análise e avaliação, e nesse segundo percebo-o com clareza. Conheço aquele quadro e estabeleço a ligação, mas aí a aminha mente começa a entrar em jogo e a dizer: “Que foi que fizeste, não acredito que tenhas feito isso, isso é péssimo.” Todos os artistas fazem isso consigo próprios, e dizem que é péssimo, ou que esteja muito bom. De modo que lá fazemos isso do sim e do não uma vez mais, sim e não, sim e não.

Mas eu não quero necessariamente ficar presa nas manifestações do sim e do não. Só quero viver nessa situação. Uma das coisas que me incomoda em relação a mim é que se torna fácil eu fazer isso caso não interaja com os outros. Consigo chegar a isolar-me, por assim não precisar faze-lo. Não tenho que escutar os outros nem todas as suas crenças nem aquilo que carregam: “Este é rude, aquele fez aquilo, o meu marido faz aquilo, os meus filhos são uns pirralhos, sabes.” Por que gastaremos tempo com isso? É assim que me sinto, e não quero que sintam que os condeno.

Eu fui a um seminário, e uma mulher falava acerca de como pensava que determinada mulher era muito chegada aos filhos e a filha lhe ligava quatro vezes ao dia. Não consegui evitar dizer: “Bem, sabes, não está a respeitar as opções deles. Se as respeitasse, veria que não há bem nem mal, certo nem errado. Respeite as suas escolhas; respeite as escolhas deles.” Recebi aquele olhar vazio que me vê como a uma estranha de algum outro planeta, por causa do que tinha dito. Contudo, por vezes tenho consciência de que isso poderia causar um movimento na consciência, mas quando nos encontramos no mundo comum, e não em reuniões como esta, se dissermos algo assim, recebemos um olhar de estranheza, como se fôssemos de um outro planeta.

ELIAS: Mas por que quererias dizer isso?

CAROLE: Na altura disse-o por ter sentido como se o estivesse a expressar por palavras que não parecessem demasiado metafísicas ou aéreo.

ELIAS: Mas por que o haverias de dizer?

CAROLE: Porque o haveria de dizer? Boa pergunta. Entendo, mas é por isso que lá com os meus botões penso que estou melhor sozinha. Não tenho que encarar situações nem tenho que dizer nada. Sinto-me contente no meu estúdio de arte.

ELIAS: Eu compreendo. Essa é uma situação interessante. Porque agora, com isto, eu diria que a quase todos vós neste compartimento, enquanto estavas a falar, passaram por momentos de incómodo, e enquanto falavas quase todos os presentes sentiram que “bastava!” (Riso)

CAROLE: Cala-te, Carole! (Riso)

ELIAS: Talvez não em tom tão duro, mas essa é uma questão significativa. Isso são reacções. Que foi que eu disse quando começamos? Que os ia abordar a todos no debate que íamos ter e que os ia convidar a todos a tomar parte com os demais, e não só comigo. E que foi que fizeram neste instante? Enquanto tu falavas e apresentavas a tua história – que é significativo, por também representar aquilo que fizeste com os outros de quem estavas afalar – nessa medida, todos vós reflectiram aquilo de que ela estava a falar. Ela estava a propor uma expressão de exposição. Estava a expor-se, a ser vulnerável, a partilhar os juízos que fizera de outras pessoas e a maneira como o expressou e o desconforto que sentiu na companhia de outras pessoas. Todos vós reflectistes isso, e fizeste-o automaticamente. Nenhum de vós pensou nisso. Nenhum de vós se deteve, fez uma pausa, avaliou: “Que é que estou a fazer? Que é que estou a sentir, e porquê? Como é que estou a responder, porquê, e a que estou a dizer sim ou não neste momento?” Este é um excelente exemplo do depoimento que fizeste.

Ora bem; Que é que está a agora acontecer nesta situação, nesta sala, com aqueles que se acham presentes? Isso era o que estavam a fazer agora A que estavam a dizer sim e a que estavam a dizer não? Conseguirá algum de vós identificar a que terão dito sim e a que terão dito não?

VOZ MASCULINA: Dissemos sim à protecção.

KEN: Eu estava a dizer sim à sensação que tive no momento de ter a minha energia dispersa.

ELIAS: Muito bem, a que é que estavas a dizer não?

KEN: Estava a expressar não a sentir-me conforme queria, um pouco mais calmo, não muito mas um pouco, mas estava a dizer não à realização disso, suponho.

ELIAS: Eu diria que todos vocês estavam a dizer não ao ouvir. Em que residirá a verdadeira arte de ouvir? O ouvir consiste na arte de prestar atenção a uma fonte qualquer externa sem pensar, em se focarem no que está a ser dito sem pensarem. Se estiverem a pensar, não estão a ouvir. E nenhum de vós estava a ouvir. Estavam a escutar, mas não a ouvir; estavas inquieto. Porquê? Que haveria de tão desconcertante?

ANN: Eu senti como que uma explosão de energia. Penei que ela provavelmente… Tu és intermédia ou soft?

CAROLE: Sou soft.

ANN: Não faz mal, porque eu pensava, eu comparava porque por vezes torno-me intensa, e havia uma intensidade. Eu tenho noção das alturas em que me julgo a mim própria por causa dessa intensidade por ter tido reflexos, e como tal, acalma-te Ann, acalma-te.

ELIAS: Que é que automaticamente fazes?

ANN: Senti estar a proteger-me.

ELIAS: Pois, tu afastas automaticamente. Essa é uma acção automática. Mas depois que é que fazes? Dizes sim à protecção; não, afasta. Que é que foi fonte de tanto desconforto para o resto de vós?

NATASHA: Foi a exposição, o que assusta.

ELIAS: Ah! Amedrontada pela exposição.

BRIGHTER: Creio que no meu caso terá sido um tanto contextual. Tu dizes que tens muito a partilhar connosco, e que partilhas muito connosco, mas as expectativas eram de ter a minha atenção mais focada no que nos apresentavas hoje. Creio que pensava nisso, e no quão irónico era eu estar a apresentar-te a mesma energia de que falavas, de não querer… (Inaudível).

ELIAS: Ah, excelente! Isso é um exemplo de uma expectativa. Mas eu expliquei acerca das directrizes no início da conversa, só que a expectativa prevaleceu quanto a eu dirigir em termos de vós colocardes perguntas e de eu as responder. Mas essa não foi a directriz que eu tracei, só que constitui a expectativa automática.

Esse é igualmente um factor interessante e importante em relação àquilo que ouvem. Esse é um factor muito importante, por cada um ouvir aquilo que espera, e continuar nessa direcção. Definem o pensamento no sentido da expectativa que têm, e então ele tinge aquilo que ouvem, e podem ouvir algo completamente diferente do que realmente terá sido dito – que produzistes e cujo exemplo demonstrastes neste fórum. Mas eu não disse isso; mas vocês esperavam.

Esta é uma informação da mais alta importância para assimilardes e aplicardes, para que, quando outro indivíduo se expressa e tiverem concordado tomar parte junto com ele – e vós fizeste-lo, todos vós concordastes em participar com os demais e não só comigo, ou teriam tido uma conversa privada comigo, mas não é; por conseguinte, vocês concordaram em participar uns com os outros, e como tal, por consequência, aceitam partilhar uns com os outros – mas aí não o fazem, ouvem aquilo que querem ouvir e aquilo que esperam ouvir. E quando uma pessoa expressa a vulnerabilidade, todos se sentem desconfortáveis, e como é que expressam o desconforto senão afastando, e a consciência do vosso corpo começa a reagir ao desconforto que estão a expressar. Os vossos olhos começam a perambular, começais a mover os corpos, a vossa cabeça descai e pode inclinar-se para trás, mas não se concentram na partilha que ocorre e com a qual concordastes.

Obrigado por teres partilhado a tua história. Nesse sentido, sim, posso dizer que por vezes pode ser um desafio, quando têm uma percepção particular e estão a par disso – mas uma vez mais, com que podem não estar envolvidos - de fontes externas que expressem de uma forma diferente.

Mas uma vez mais, isso é uma questão de serem responsáveis por vós, por quando aceitarem no vosso íntimo e se sentirem confortáveis convosco, podem discordar da pessoa que se acha aflita ou os sentimentos que tem serem de mágoa por a filha não interagir com ela mas sim com outro. Podem estar ao corrente dessa conversa, mas é uma questão de reconhecerem: “Não me encontro envolvido nessa conversa ou situação. Ser-me-á realmente importante neste momento o que estes indivíduos estão a fazer ou o que estão a debater ou a opinião que têm? Isso realmente afectar-me-á? E será realmente importante para mim?” Isso é uma questão de responsabilidade pessoal. Significa puxar a vossa atenção de volta a vós e para o que estão a fazer e para o que é importante para vós e para a forma como se expressam.

Não vos cabe a tarefa de instruir os outros quanto ao que estejam a fazer de certo ou de errado ou de indiferente. Não tem importância. Nessa medida, seja o que for que ele estiver a fazer, isso não os envolverá directamente nem, os afectará, e podem alimentar uma opinião quanto ao que esteja a ser dito por acções ou palavras, mas isso não quer necessariamente dizer que essa opinião deva ser objecto de partilha. Porquanto, que é que estão a conseguir? Que é que pretendem ganhar com a expressão de vós próprios? Alturas há em que expressar uma opinião os beneficia e representa uma acção válida a ter. Noutras alturas a situação pode ser tal que expressar a vossa opinião não os beneficia de forma nenhuma, e não passa de uma expressão destinada a afastar os outros. Já sentem desconforto, e esse é um outro aspecto da responsabilidade por vós próprios, conhecerem-se, conhecerem a vossa energia, serem conscientes.

Isso é fundamental: consciência, autoconhecimento, consciência daquilo que estais a expressar, do que estais s sentir. Mesmo que não estejam a produzir um sentimento emocional, que é que estão a produzir no momento? Estão confortáveis? Estão descontraídos? Estão os vossos músculos relaxados? Estão tensos? Estão incomodados? Não querem permanecer onde estão? Isso influencia sobremodo relativamente àquelas escolhas com base no sim e no não que defines: “Já me sinto incomodado, Estou tenso, Não sinto que me enquadre muito com esta situação; o ruído que aqui se produz incomoda-me – e esse ruído pode ser as vozes de outras pessoas. Talvez a voz de outras pessoas que reclamam, cujo tom da conversa se torna incómodo para mim. Esse é outro aspecto que me está a produzir desconforto neste instante.

Mas a falta de percepção de todas essas acções que já estão a empreender incita-os a dizer sim à protecção e não a vós: por conseguinte, “Eu vou dar a minha opinião e dizer-te, e isso influenciar-te-á a afastar-te, que constituis um incómodo para mim. Esse barulho torna-se-me incomodativo, e se eu me expressar de um modo que não compreendas ou que te confunda ou que te leve a perceber-me como doido, afastar-te-ás de mim, e eu conseguirei aquilo que quero. Conseguirei ficar mais cómodo.”

Esses são os sins e os nãos em que não pensais, de que não tendes consciência e que conseguem aquilo que querem. Mas, estarão a criar a vossa realidade de uma forma deliberada e intencional? Sentir-se-ão confortáveis com isso? Não.

CAROLE: Eu senti-me melhor quando ela se calou. (Riso)

ELIAS: Creio bem que tenham sentido isso, e não o duvido, mas a questão está no que sentem e no que estão a fazer. E agradeço-te por teres partilhado essa vulnerabilidade.

CAROLE: Obrigado, Elias.

ELIAS: Mas vamos fazer um intervalo, e talvez quando regressarmos, todos vós se sentirão mais vívidos e tagarelas e envolvidos. (Riso) Retornaremos dentro de instantes.

(Elias parte após 1 hora, 31 minutos.)

INTERVALO

ELIAS: Prossigamos! (Riso) Estamos todos a participar, agora? (Riso) Estamos todos mais confortáveis agora?

GROUP: Estamos.

ELIAS: Excelente! Bom, continuemos. Sim?

JOHN: Eu queria perguntar uma coisa que estava a pensar. A pergunta deve ser endereçada ao grupo, certo? Mas, tu fazes parte do grupo, de modo que posso dirigi-la a toda a gente. A situação assemelha-se a uma situação qualquer. Há coisas que quero fazer, não é, e aí consigo avaliar o que me esteja a bloquear, o que me esteja a impedir de o fazer, se será um factor externo qualquer – e provavelmente seremos suficientemente espertos para não pensarmos nisso em termos de exterioridade, mas o que estou a fazer, o que estou… Quando começas a falar no sim e no não, isso é o que sempre tenho feito, e creio que seja o que a maioria de nós faz, não? Assim, quando começas a falar no sim e no não ou na análise do sim e do não, para mim isso afigura-se-me funcionalmente diferente do que tenho vindo a fazer. É quase um ângulo diferente da mesma coisa. Essa é uma das perguntas. Não percebo que seja funcionalmente diferente, mas já que o evocas, deve ser importante em termos pedagógicos.

ELIAS: É.

JOHN: É o que tenho vindo a tentar descobrir.

ELIAS: Vós pensais estar cientes disso, e por vezes estarão, só que na maior parte das vezes não estão. Por vezes, sim, têm noção daquilo a que expressam sim ou não, em certo grau. Fazem escolhas. Por vezes avaliam o que venha ao encontro do vosso máximo benefício, dependendo da situação.

Geralmente, caso se sintam insatisfeitos com alguma expressão ou situação ou expressão, o mais provável é que se sintam levados a interrogar-se com perguntas como as que fizeste. Que estarei eu a bloquear? Estarei a restringir-me? Isso não é necessariamente o mesmo que interrogarem-se acerca do sim e do não. Por nessa situação estarem, por assim dizer, a saltar passos. Estão a olhar para uma situação e a tentar avaliar antes mesmo de responderem ao que o sim e o não representem. Por conseguinte, nessa saltar passos, também estão a saltar razões ou motivações. Porque aí, sim, vocês percebem uma situação, pensam naquilo que querem ou no que querem fazer, e avaliam a situação. Se for uma situação em que experimentam dificuldade ou em que pareçam avaliar a forma como realizar aquilo que querem realizar, o vosso pensar imediatamente se volta para a avaliação e análise da situação. Estão a ser uma resolução de problemas. Não estão a responder a uma questão de sim ou de não. Não estão a responder à pergunta “A que é que estou a dizer sim e a que é que estou a dizer não? A que é que estou a dizer não que esteja a criar-me esta situação em que me sinto restringido ou incomodado, e em que porventura me a bloquear? Que motivação terei? A que estarei eu a dizer não, e porquê? Porque estarei a fazer isso?”

Nessa medida, tens razão, a questão do sim e do não é fundamentalmente mais importante. Por esse constituir um desafio significativo e problema para a maioria das pessoas em muitíssimas situações, em que colocam a vós próprios uma situação ou uma direcção a vós próprios, e calculam o que a situação seja ou o que a direcção seja. Calculam o que pensam querer – e eu enfatizo isso, pore m muitas situações aquilo que pensam querer pode não ser exactamente aquilo que querem. Pensam querer isso, por ser racional, ou corresponder ao que deviam querer ou está ligado ao que sentem – mas o que sentem nem sempre é indicador daquilo que querem genuinamente, tampouco. Por isso, os sentimentos podem turvar a situação e a direcção, em especial sentimentos de desconsideração ou negligência, frustração, irritação, ansiedade. Esses tipos de sentimentos são factor de uma enorme distracção.

Mas se colocarem essas perguntas sim e não, então começarão a avaliar o que estão a sentir e porquê. Que será que motiva isso? Isso conduzi-los-á com uma maior precisão na direcção da avaliação para que saltaste antes do tempo. O que, em muitas situações – muitas, e não talvez a maioria no caso de alguns indivíduos, mas em definitivo muitas situações – quando pulam em frente para a avaliação, estão a deixar de colher informação, e isso cria confusão, e cria frustração, e com isso, deixam de dar a vocês próprios respostas pormenorizadas e deixam de saber a que dar ouvidos.

JOHN: É como uma verificação total do processo.

ELIAS: Sim, de certo modo.

JOHN: Torna-se objectivo em vez de olhar para o que quer que seja, uma parede, e tentar… Não é?

ELIAS: É, e com isso, permite-vos determinar o que sentem, andar em torno dos sentimentos que têm e avaliar a situação ou a direcção com uma maior clareza e não chegar a ficar sequer presos no sentimento, o que em muitas situações se torna rapidamente sentimentos passados, conforme vos referi a todos. Um sentimento passado não é só um sentimento que tenham experimentado há dez anos atrás. U sentimento passado pode ser de há cinco minutos atrás em que estejam a permanecer e a repetir e a que estejam a dar continuidade.

Os sentimentos constituem sinais, e não aguentam a menos que constituam sentimentos passados. Eles alteram o instante em que a vossa atenção se move. Não importa a intensidade que tenham. Podem estar a soluçar e a sentir-se terrivelmente perturbados, tristes, mas no momento em que a vossa atenção se desvia numa direcção diferente, deixam de se sentir. Podem sentir-se furiosos e lívidos de tão irritados. Não refiro “irados,” por estarmos cientes de que a raiva constitui outra coisa. Mas nesse sentido, podem estar lívidos e expressar a intensidade desse sentimento, e no momento em que a atenção se desviar, isso deter-se.

Ora bem; podem prolongar isso através do pensar, e o pensar despoleta de novo o sentir, e isso cria um circuito assente nos sentimentos do passado, e torna-se demasiado fácil de conseguir.

Nessa medida, esta é outra razão por que esta questão do: “A que é que estou a expressar sim e a que é que estou a expressar não” pode ser instrumental relativamente aos sentimentos que tenham e à sua identificação, à identificação do que realmente sejam. Uma pessoa poderá referir que está ansiosa, e na realidade pode sentir-se embaraçada. Uma pessoa pode referir estar triste, e na verdade, pode sentir-se inquieta. Uma pessoa pode referir estar contente, e na verdade pode estar momentaneamente excitada.

Há muitíssimas situações e Alturas em que não identificam pormenorizadamente o que vós próprios estais a sentir. E o sim e o não pode ajudá-los a identificar em que consista realmente o que sentem, e pode ajudá-los a discernir se é um sentimento do momento ou um sentimento passado. Para além disso, ajuda-os a identificar o porquê. “Que é que me está a motivar tal expressão?” Isso garante-vos uma escolham livre daquilo que objectivamente querem expressar – o que realmente querem expressar.

Para utilizar o exemplo que referiste, podem sentir-se desconfortáveis numa dada situação e outra pessoa estar a irritar-vos. Pode não ser o facto de o indivíduo em si mesmo constituir uma fonte de irritação para vós. O ruído ou a energia que ele esteja a expressar pode estar a exacerbar um sentimento ou sensação que já estejam a produzir.

Ora, com isso, identificam com os vossos botões: “Que é que eu estou a expressar? Que é que eu estou a fazer? A que é que estou a expressar sim e a que é que estou a expressar não? Estou a expressar sim à continuação do incómodo e não a mim próprio. Estou a negar a mim próprio a liberdade de ser eu próprio e de me sentir à-vontade e estou a manter-me numa posição e a dizer sim a essa posição de desconforto. Porque estou a fazer isso? Que me levará a isso? Que será que me motiva tal coisa? O facto de se esperar que o faça? O facto de ser educado, de ser comportamento aceitável, de ser o que os outros querem que eu faça quando na verdade não o quero fazer? Que motivação sentirei para na posição em que me encontro agora?” Quando forem capazes de responder a essas perguntas do sim e do não, isso conduzi-los-á à identificação da motivação. Porque é que fazem aquilo que estão a fazer? Não o escolhestes objectivamente. Escolheste-o, só que não de uma forma intencional. Não tinham consciência daquilo que estavam a escolher, e nisso reside a questão. É para isso que estão a avançar, e eu vou-vos dizer a todos, estais preparados para avançar para isso.

Isso não exige que procedam a uma tremenda avaliação de cada acção que empreendem e que tenham que apontar, com cada chávena de café que tenham tomado, por que razão o tenham feito. “Esta manhã fui ao banheiro; porque o terei feito?!” (Riso) Não é uma questão de procederem à análise de tudo quanto façam. Mas, conforme referi, no geral questionam o que fazem caso se sintam incomodados, mas saltam de imediato para a avaliação, o que os encaminha na direcção da ausência de uma resposta.

Nesse sentido, também há muitas situações e Alturas em que podem estar a empreender uma acção com que pensem sentir-se à-vontade. Fazem-no de forma automática. Faz parte da vossa rotina, e empreendem automaticamente qualquer que seja a acção ou opção, e isso não os incomoda obrigatoriamente. Não os deixa incomodados. Por conseguinte, estimam gostar disso. Mas gostar difere bastante de não se sentirem incomodados. Nessa medida, essa escolha pode representar uma escolha automática com que não se sintam necessariamente incomodados, mas não representa necessariamente o vosso máximo benefício.

Frequentemente as pessoas produzem actos automáticos e dizem: “Eu sou mesmo assim.” (Riso) “É assim que faço, e sou mesmo assim.” Mas será? Não necessariamente. Pode não passar do que é automático e do que tenham aprendido, e como tal, tê-lo-ão aceite, e por conseguinte, fazem assim. Mas não são necessariamente assim nem o que são. É um acto que terão aceite e aprendido, e que os não incomoda.

Sim?

PHILLIP: Há a ideia do que nos traga o máximo benefício, mas depois, como, onde se estabelece a distinção quando descobrimos que nos contentamos com algo em vez do que nos garanta o mais elevado serviço? Mas se não soubermos que há mais, por vezes ficamos presos no círculo do fazer aquilo com que nos conformamos, sem entendermos que se apontarmos para tudo, sempre irá dar nisso ou melhor, isso ou superior, por estarmos a ser guiados pelo que estamos a criar no não material e a produzir.

ELIAS: Em definitivo, e isso representa o aspecto do merecimento. Quando tendes uma ideia genuína de serem valiosos, e que em última análise merecem, estais sempre em direcção ao melhor, o mais elevado, o grandioso, o maior.

PHILLIP: A autenticidade também garantirá automaticamente a integridade? Quando estamos a agir em conformidade com o mais elevado serviço que podemos prestar a nós próprios, também não estaremos mais ou menos a gerar integridade? Bem sei que muita gente dirá, ah bom, vou-me expressar, e receio o que as outras pessoas dirão acerca de mim: Que sou egoísta, que sou isto, sou aquilo. Mas na verdade estamos a honrar-nos em relação ao que sabemos ser o mais elevado serviço.

ELIAS: Sim, e com isso, uma vez mais, isso retrocede de volta à questão da responsabilidade por vós próprios. Quando são responsáveis por vós, quando se expressam de uma forma autêntica, sim, estão a expressar essa integridade e essa veracidade de uma forma automática. E com isso, não importa o que o outro pense ou o que perceba.

Ora bem; coloco-vos a questão a todos. Que percepção têm de vós próprios? Pensem por instantes: De que forma percebem ser? Perceberão ser boa gente, e atenciosos? Perceberão ser inteligentes? Perceberão ser desprendidos? Perceberão ser ambiciosos? Perceberão ser competitivos? De que modo percebem que são? Com que tipo de pessoa se classificariam, e de que modo se veem a si mesmos?


Bom; se eu te disser - a ti - que não me agrada nada o cabelo que tens, isso alterará a percepção que tens de ti?

PHILLIP: Bom, não.

ELIAS: Não. Se te disser a ti que continuas a meter-te no meu caminho; para parares de fazer isso. A percepção que tens de ti alterar-se-á?

PHILLIP: Não.

ELIAS: Não. Podes questionar uma acção; a percepção que tens de ti próprio não será diferente. A percepção que tens de ti próprio não sofrerá alterações por causa de uma expressão ou de um acto ou de uma opinião de outro indivíduo. Vós expressais esse receio sem alicerces ou ansiedade em relação a vós próprios como se de algum modo, caso os outros os percebam de uma forma diferente daquele por que se percebem, isso venha alterar a forma como se percebem. Não altera. Outra pessoa poderá expressar-se da forma que quiser. Poderão questionar aquilo que expressa, mas isso não alterará a percepção que têm de vocês.

Agora; outra experiência. TU (apontando para a Ann), diz-me a percepção que tens dela (apontando para a Natasha). Que percepção tens?

ANN: De uma pessoa carinhosa, afetuosa; Não estou certa. Vejo simplesmente uma pessoa divertida que explora e que abraça a vida, e isso agrada-me!

ELIAS: Muito bem. Excelente, excelente. E a percepção que tens de ti (apontando para a Natasha) é o quê?

NATASHA: Isso não! (Riso)

ELIAS: Ora bem; isto representa um exemplo do facto de que as outras pessoas os percebem sempre de uma forma diferente daquela que vocês se percebem. Independentemente da forma como se perceberem, as outras pessoas sempre os perceberão de modo diferente, por os perceberem por meio das lentes que usam e do que tem importância para elas. Por conseguinte, aquilo que fazem, o que todos vocês fazem, quando se deparam com uma outra pessoa - e muito rapidamente; é surpreendente a forma rapidíssima como toda esta informação é processada, mais rápido do que qualquer computador que possam imaginar - quando se deparam com outra pessoa, primeiro avaliam aquilo que lhes agrada. Primeiro avaliam de imediato aquilo que os atrai nele, por conseguinte o que é importante para vós, aquilo que valorizam e o que percebem ser importante. Procurarão de imediato essas qualidades e essas expressões no outro, independentemente de quem seja ou de o conhecerem ou não. Pode ser um completo estranho. Essa é a primeira avaliação.

A partir daí, se não forem criteriosos quanto àquilo que lhes agradar acerca da outra pessoa ou do que os atrair nela, por ser importante para vocês na vossa experiência e autenticidade, começarão a avaliar aquilo que não lhes agrada nela. Em geral, apresentarão a vocês próprios uma ou dois aspectos, e isso basta. Com um ou dois aspectos de objecção ou de aversão por alguma coisa, não importa - "Não me agrada a roupa que enverga; não gosto dos sapatos; não gosto do cabelo," não importa aquilo que seja - para além do segundo aspecto de algo que corresponda ao vosso desagrado em relação à pessoa, deixarão de lhe prestar atenção. Ela tornar-se-á destituída de importância, e ou vocês a evitarão ou intencionalmente se afastarão ou produzirão uma acção qualquer que a afaste. Mas ela ter-se-á tornado destituída de importância para vós, e vós não dais àquilo que não tem importância para vós. Não importa que seja bom ou mau, só importa se é importante.

Nessa medida, não se trata necessariamente de uma questão de primeiras impressões, por poderem conhecer a mesma pessoa e num encontro avaliarem que não gostam de uma ou de dois aspectos relativos a ela e ignorá-la-ão; e poderão voltar a encontrar-se de novo com ela e experimentar algo completamente diferente. Poderão descobrir uma ou duas coisas de que gostem. Aí ela tornar-se-á importante, e então já estarão dispostos a continuar.

Ora bem; este é um outro aspecto da questão do sim e do não relativo às interacções que têm com os outros e aos relacionamentos. É excepcionalmente comum as pessoas formarem a ideia de que, caso enveredem numa relação com outra pessoa de qualquer tipo a devam manter, por corresponder a uma responsabilidade que têm caso sejam boa gente, gente que exiba bondade. O que nos conduz de volta à questão da percepção que têm de vós próprios. Se forem compassivos, se forem equânimes - (com sentido de humor) essa é a melhor, a pessoa equânime! - e caso sejam assim, definitivamente deverão manter os relacionamentos. Os relacionamentos jamais serão temporários, mas prevalecem para todo o sempre. Não, não prevalecem. A maioria daqueles que conhecem na vida enquadrar-se-ão num regime temporário, a maioria. Ocasionalmente, lá conhecerão outra pessoa com quem produzirão uma relação que deva ter continuidade. Mas a maioria não.

Nessa medida, é uma vez mais uma questão de terem consciência – “Que é que estou a atrair a mim próprio neste instante, e com que objectivo” – e também das questões do sim e do não relativamente às concepções, que nem sequer discutimos ainda; um relacionamento ou não, e caso tenham uma relação de que modo será expressa e todas as concepções inerentes a isso; e se optarem por não ter uma relação, todas as concepções inerentes a isso: “Porque não e que haverá de errado convosco, e toda a gente deveria expressar um relacionamento com outra pessoa, pelo menos uma.

Nessa medida, a maneira por que é expressada, a forma como o é, aquilo que fazem, como se expressam, o que deveriam fazer e deixar de fazer, aquilo a que deverão prestar atenção e deixar de prestar atenção, aquilo que sentem, etc., etc., etc., concepção após concepção.

Geralmente nada disso, nos vossos termos, nada tem que ver com o amor e tem muito a ver com o máximo benefício que poderão colher. São todas as noções de dever e do que não devem fazer e todos os supostos objectivos e afazeres etc., etc., etc., que complicam sobremodo o assunto. Não importa qual questão escolham, em relação ao sim e ao não há concepção atrás de concepção envolvida. Se eu disser sim a isto, que quererá isso dizer? Porquê, e porquê, e porquê?

Era isso que eu referia em relação ao sim e ao não; não é necessário que analisem todos os sins e nãos que dão em resposta. Quando analisam, estão a analisar as concepções. Não estão a analisar o sim e o não. O sim e o não é simples. É ou em prole do vosso máximo benefício ou não. Vocês estão a mover-se numa direcção genuína ou não estão. Nessa medida, trata-se de uma simples avaliação. Quando saltam para a análise, estão a analisar as concepções, e não o sim nem o não.

JOHN: Será de mim ou mais alguém se sentirá ligeiramente tonto ou enjoado quando começas a falar acerca do sim e do não? (Riso)

ELIAS: Mas a razão disso deve-se ao facto de não estarem por completo familiarizados. Trata-se de um conceito tão estranho para todos vós orientarem-se por completo a vós próprios e de modo definitivo em meio à escolha.

Sim?

LYNDA: Eu opto por fazer um comentário.

ELIAS: Muito bem.

LYNDA: Quando inicialmente, e só recentemente o fiz, comecei a perceber o quão pouco familiar isso é e quão, durante toda a minha vida – claro que falo por mim somente – mas durante toda a minha vida neste planeta sempre o fiz de outra maneira muito diferente. Inicialmente começou a representar um factor de libertação para mim, por eu perceber que haveria uma razão para que não o estivesse a entender, para o citar, e não fazia mal que não estivesse e entender. Eu comecei a dizer não aos sentimentos de medo que me surgiam de forma automática na minha vida. Eles são debilitantes e vergonhosos, e após anos desta porcaria eu devia encontrar-me bem mais aberta! (Riso) Comecei a – estou a começar – a arranhar a superfície ao dizer não, e é como se falasse para mim própria, tipo não, não, não. Surgia isto e surgia aquilo, e o que quer que surgisse eu dizia não, não, não. Mas nada acontecia, e eu acabei um pouco mais deprimida, e estou a referir-me àquilo a que estou mais acostumada, não é? Depois recentemente disse não e parti instantaneamente para o presente. É qualquer coisa, para mim, enquadrar-me no presente. Posso não ser capaz de estar presente no momento, mas hoje consigo mesmo permanecer no presente, e todos os fantasmas desapareceram. Não estou a dizer que amanhã não venha a cair de cu, mas um segredo está em dizer genuinamente não em meio a turbilhão e a seguir permanecer no presente. Creio que o desejo que tenho é forte nesse sentido, e honrei isso e mostrei-o. Amén!

ELIAS: Fizeste, sim.

LYNDA: Uma das coisas boas que tenho reside em ser Valente, e a Valentia em meio ao medo, para citar o Elias, constitui uma peça chave. Não é medo de um tsunami; é o medo da merda que me corre por dentro e permanecer e gostar de mim e confiar em mim.

ELIAS: Mas quantos de vós poderão associar a isso e à dificuldade de confiarem em vós próprios, a dificuldade não está em continuarem a questionar-se e a expressar medo de uma forma espontânea sem que por vezes tenham consciência do que o medo englobe mas sentir-lhe a intensidade?

Deixa que te diga também, por estares a falar em te honrares e à autenticidade e ao facto da forma genuína com que te expressaste, que quando expressas sim à faculdade de seres genuína e à tua vida – à TUA vida, que é tua e te pertence – quando dizes sim à tua vida, tu te fortaleces, e esse passo somente começará a inspirar-te.

Podes pensar repetidas vezes, mas quando deixas de dar o passo, o pensar repetido conduzir-te-á a parte nenhuma. Dás um passo e tem início a inspiração, por abrires essa porta. Um passo no sentido de dizer sim à tua vida: “A minha vida é importante e válida, e eu mereço-a,” – e mereces mesmo.

Estou ciente de que nenhum de vós a esta altura compreende de uma forma genuína e experimental ou reconhece o merecimento autêntico que lhes cabe, mas estão próximo disso, e nessa medida, encorajo-os a todos a dar esse passo. Vocês merecem-no. Nesse sentido, começareis a reconhecer o próprio merecimento. Não tem importância que possam levar uma vida de experiências horrendas, repleta de receios horríveis, uma vida de violência e de agressão e de medo e de depreciação, que podem dar a volta a isso, independentemente do volume de experiências dessas que envolva, podem dar a volta num só passo – um passo, uma expressão tipo “mais não,” “não”. Até enfermidades físicas poderão mudar.

Ao expressarem esse “Não, não aceitarei o que não seja genuíno – digo sim a mim próprio/a e não ao que quer que não for para o meu máximo benefício a cada instante, em qualquer situação, em todo o sentido.” Com isso poderão surpreender-se de uma forma genuína com o quão atraentes se tornam para todos ao vosso redor, por começarem a resplandecer fulgor. Começam genuína, literalmente a resplandecer fulgor, e as outras pessoas percebem esse fulgor e deixam-se atrair para a sua emulação. É assim que mudam e alteram um mundo.

NATASHA: De que modo saberei o que será para meu próprio benefício no momento? Por vezes não sou capaz de decidir. Será isto benéfico ou serão estes benéficos? Como haverei de decidir?

ELIAS: Propõe um exemplo hipotético.

NATASHA: Muito bem. Sou convidada para uma viagem, que sei vai ser divertida. Posso ser convidada para uma viagem que geralmente considere divertida e interessante, e com o andamento se verificarem algumas quebras. Para evitar esses momentos de quebra e pagar a viagem mais tarde, o provável é que não me arrependa, e torna-se fácil deixar de participar nela e evitá-la por completo. Assim, de que forma decido o que seja em prole do meu maior benefício?

ELIAS: Ora bem; que é que notas nesse cenário? Que é que está a ser expressado?

ANN: Ela quer participar na viagem.

ELIAS: Sim.

SANDRA: Uma certa dúvida.

ELIAS: Em que assenta o foco da atenção?

SANDRA: Na negatividade?

ELIAS: Não.

ANN: Na invalidação pessoal?

VOZ MASCULINA: Em não confiar nela?

ELIAS: Não necessariamente.

DANIEL: Numa projecção no futuro?

ELIAS: Em parte, mas qual será a expressão principal patente nesse cenário?

ANN: Hesitação?

ELIAS: Tu estás a considerar tudo exterior a ti: o local, as pessoas, as acções, todos os componentes circundantes. É o mesmo que envolver todas as concepções. Nesse sentido, percebes o cenário, percebes a escolha relativa a um evento ou relativo àquilo em que te poderás ter que inserir. O que não é componente nisso é o que queres fazer. Se fosses nessa viagem, se, digamos conforme no exemplo que dás, que a escolha assente seja relativa ao facto de ires nessa viagem ou não, que é que farás nessa viagem e se estarás disposta a ir. Irás gostar do que vais fazer nessa viagem e isso satisfazer-te-á?

Nessa medida, não é questão das situações externas nem dos outros indivíduos ou das circunstâncias nem mesmo do ambiente. É uma questão do que estás a envolver, e nesse plano de viagem, se irás nessa viagem ou não, e do que é que irás fazer nela. Irás gostar de o fazer? Quererás ir ou não? Mesmo que envolva uma acção que te agrade, ou de que ocasionalmente gostes, ou que por vezes gostes de empreender, neste omento presente quererás fazê-la? “Neste instante presente quererei fazê-la?”

Utilizando-te como exemplo, tu tocas guitarra, gostas de tocar guitarra, gostas de partilhar a tua música e de a tocar, mas não a todo o instante. Há alturas em que gostas de outras actividades. Não gostas de tocar a tua guitarra enquanto deitas papagaio. Queres deitar papagaio.

NATASHA: É.

ELIAS: Por isso, se estiveres inclinada a te deixar interessar por deitar papagaio, e fores convidada para uma guitarra em que vás tocar guitarra e não se encontrarem focada na guitarra nesse instante nem isso te interessar nesse momento, não quererás fazê-lo. É uma questão de avaliares. Presta atenção a ti própria. Que é que queres fazer? Que motivação sentirás?

Agora; se estiveres a considerar essa viagem, e um factor significativo é o de que estejas a considerar o que os outros irão fazer e as dificuldades ou o conflito ou os desafios que nela se colocarão - por teres tido esse tipo de experiências prévias e agora estares a antecipar essa acção - já terás decidido que não a quererás fazer. Já te encontras incomodada ou desconfortável. Já terás dado a ti própria a tua resposta em termos de sim e de não. Sem todas as ideias, sem todas as fontes externas e todas as considerações, já não te encontras confortada. Isso influencia-te a focar-te nos aspectos da viagem de que não gostas ou que pretendes evitar. Sim, podes dizer a ti própria: "Mas, se a fizer, o provável é que venha a divertir-me assim que participar nela." Isso equivale a uma forma de pressão. Estás a pressionar-te a essa situação. Mas podes estar parcialmente certa: poderás forçar-te a divertir-te, e a ignorar aquilo que te incomode.

Mas com isso, o que efectivamente estarás a fazer e que tipo de energia estarás a projectar? Primeiro, já decidiste que não queres participar na viagem. Já te estavas a direccionar no sentido da anulação, e nisso, convences-te a tomar parte de qualquer modo. E quando o fazes, pões em prática a anulação. Começas a expressar a anulação por actos. Qualquer pessoa que percebas que potencialmente pudesse trazer conflito ou chatice, tu evita-lo, e isolas-te mais, porventura não de todo, mas fá-lo-ás num certo grau. Começarás a ter acções sem a participação dos demais. Ou, caso tenhas que abordar os outros, abordá-los-ás com um sorriso e não te farás presente.

Consequentemente, como é que beneficiarás ou aos demais? Não o farás. Beneficiarás os outros com a tua mera presença física se estiveres ausente? Beneficiá-los-ás se não contribuíres para com eles por via alguma? Não. Estarás a colocar em marcha um potencial para te irritares ou te desapontares ou ficares ansiosa. Estarás a criar um potencial daquilo que não queres ao te forçares numa direcção de te comodares.


Isso equivale ao sim e ao não. "Se eu estiver a dizer sim a isto mas sentir este desconforto, porque estarei a expressar sim?"

SANDRA: Por exemplo, se for daqui a seis meses, estamos a ter a experiência agora - não - e estaremos a fazer todas essas coisas. Ao abordarmos uma coisa qualquer, estaremos num estado completamente diferente, que equivalerá a um sim. Assim, de qualquer modo perdemos o barco por exigir preparo. Temos que obter o bilhete antes do tempo, como no caso de um voo, por exemplo. Entendes o que estou a dizer?

ELIAS: Eu estou a entender. Vós jamais tendes falta de oportunidade.

SANDRA: Muito bem, então podemos criar uma abertura no sentido de estarmos presentes uma semana antes de algo? Se o desejo e a escolha de dizer sim à experiência for tão poderoso, permitimo-nos apenas fluir por completo para isso?

ELIAS: Podem, sim. Mas aquilo que te diria é que o provável é que não ocorra. A vossa intuição está constantemente em funcionamento.

Sempre que expressarem uma pergunta - quer estejam a pensar na pergunta ou não, por não requerer pensar na pergunta para terem uma pergunta a fazer - a vossa intuição opera num sentido apenas, o de dar resposta a perguntas. Nessa medida, quando se deparam com uma situação tal como esta, uma viagem ou um compromisso, que poderá ser um compromisso que não passe necessariamente por uma viagem, talvez seja uma festa ou um casamento ou um outro evento qualquer, e expressam de imediato no vosso íntimo uma forma de hesitação, existe uma razão para isso. Não importa que o evento se dê amanhã ou daqui a um ano, se estiverem a expressar uma hesitação ou desconforto desses, tereis uma razão. A vossa intuição já terá buscado a resposta, e já vo-la estará a dar. Poderão não interpretar de uma forma objectiva a resposta nem sequer conhecer a pergunta, mas sentir-se-ão incomodados. Poderão forçar-se a ignorar isso, mas essa energia expressar-se-á, e empreenderão o evento, qualquer que seja a actividade que indicie, sem estarem...

SANDRA: ...presentes. Mas além disso, sabes, é isso que nos ensinam a fazer.

ELIAS: Precisamente.

SANDRA: Desde que tenho observado a minha filha a cuidar do bebé – não pretendo aqui tratar disso – mas trata-se de um bebé de um ano, e eu assisto à insistência a que esta criança se sujeita na sua condição natural. Ela chora, berra, atira com a comida, mas sobretudo a manipulação que faz desses sentimentos, e eu assisto a tudo isso que ocorre. Nem sei bem como colocar a questão. Não digo uma palavra. É interessante.

ELIAS: Bom; isso representa um outro exemplo que se conjuga com o que foi expressado previamente no exemplo da pessoa que gera uma expressão com que discordais. Ora bem...

SANDRA: Eu nem tinha conhecimento disso. Eu estava só a observar.

ELIAS: Precisamente, mas o factor de o teres expressado no modo em que a criança está a ser confinada, isso representa a discordância que sentes em relação ao que está a ter lugar. Mas nisto, há um outro factor que difere do outro exemplo, em que te sentiste incomodada e quiseste afastar e o fizeste. Neste, sentes-te incomodada e queres mudá-lo a fim de o admitires. Mas a criança também cria a sua própria realidade, e essa criança de um ano nasceu na expressão objectiva desta mudança. Isso não se prolongará por muito tempo; essa criança não irá aceitar essas restrições durante muito tempo.

SANDRA: Mas também há uma parte de mim que fez uso do processo que acabaste de descrever; eu não pronunciei palavra. No passado teria sido: “Stephanie, deixa lá o catraio em paz.” Mas agora é tipo, a face que encarei, e a outra face que é a de que o garoto tem o direito de criar a sua realidade, tal como o fez a minha filha nesse instante...

ELIAS: Precisamente.

SANDRA: ...de maneira que deixei isso de lado. Não havia nada a...

ELIAS: Mas reconhece-o em ti mesma. Isso constitui um aspecto que olvidaste. Reconhece que isso é o que sentes e a tua directriz e o que tem importância para ti. Isso merece ser reconhecido, e não afastado ou ignorado, mas é algo que é igualmente importante.

SANDRA: Mas o dizê-lo, dar-lhe expressão não é exigido...

ELIAS: Precisamente.

SANDRA: ...o que costumava ser o método, o papel que a minha mãe fazia, agir positivamente e dizer aos garotos o que fazer. Isso constitui uma resposta automática...

ELIAS: Sim.

SANDRA: ...intrometer-se, invadir. Muito bem, obrigado.

ANN: Posso colocar uma pergunta rápida? Posso ter ouvido mal, mas desde que a Natasha começou a falar que pensei que estavas a dizer que o considerar ir àquela festa que ela, mas talvez tenha interpretado erradamente o que escutei que ela disse, ela tinha uma associação com outra festa de que não gostava, e que quando decidira ir a essa festa... Não foi isso que disseste. Digamos que decidimos ir a uma festa e que recordamos aquela festa a que fomos e de que não gostamos. Essa é a razão por que não queremos ir a esta festa, devido a tal associação. Assim, que diferença existirá entre associação e a intuição, a intuição de não irmos realmente apreciar esta festa, ou como no caso do garoto que teme mergulhar de cabeça? Ele teme faze-lo, mas assim que salta, caramba, como se revela divertido. Que diferença haverá entre o temor...

ELIAS: Excelente pergunta.

ANN: ...e a intuição?

ELIAS: Essa é uma excelente questão.

Ora bem; a diferença está em que eu referia que podeis expressar que podeis ter experiências que vos influenciem a avaliação, e com isso, na ideia que tendes estais a expressar a recordação de uma experiência anterior, e estais a projectá-la numa experiência futura possível, e justificam-no dizendo que conhecem esses indivíduos e que têm conhecimento da situação, que sabem o que ocorrerá. Nesse sentido, a avaliação não representa a vossa intuição. Isso é recordação e avaliação. Mas a vossa intuição está a produzir; já estais a pensar. Por isso, a intuição opta por se expressar através de um pensamento ou de uma sensação ou de um sentimento. Nessa medida, o vosso pensar já se encontra ocupado. Por isso, a vossa intuição não usará o vosso pensar, por já se encontrarem ocupados a pensar. Ela usará o vosso sentir.

Ora bem; nisso, gerais este sentimento de desconforto, que também vai validar a experiência anterior, por provavelmente também não terem querido passar por ela, mas passastes, só que a vossa experiência não foi agradável, ou foi menos do que pretendíeis que fosse. a vossa intuição valida isso e recorda-vos e diz-vos: “Tu já não tinhas vontade de fazer isso. Irás faze-la uma vez mais? Irás repeti-la?” E sentis desconforto, e quanto mais vos aproximardes do acontecimento, mais intenso o sentimento se torna. E mais resistência moveis. O sentimento não se dissipa necessariamente, por essa comunicação continuar a expressar-se-cada vez mais alto. Por isso sentis-vos progressivamente mais incomodados e mais ansiosos à medida que o evento se aproxima. Nessa medida, sim, podem negá-lo, podem desligar-vos do sentimento. Não o podeis alterar a menos que crieis um novo sentimento. Não podeis alterar o presente sentimento, mas podeis desligar-vos dele, e podeis ignorá-lo, e forçar caminho através dele e produzir a acção por uma via qualquer. Mas ao fazê-lo, não é provável, mas produzireis experiências com que não vos sentireis confortáveis nem satisfeitos, por já o terdes posto em marcha com a energia que estais a expressar.

Nessas situações, o aspecto da intuição não se traduz pelo pensar. Quando a intuição se expressa através do pensar, parecer-vos-á uma ideia aleatória que poderá mover-se em conjugação com ideias ou pensamentos prévios mas não com o que estejais a pensar no momento, tal como os jogos à bola e quem vença. Nessa medida, quando usais a vossa intuição sem que estejais a pensar, ou não estejais a pensar no assunto que estejais a questionar – o vosso pensar pode achar-se envolvido, mas não em relação ao tema que estejais a questionar – nesse sentido parecerá ser ideia aleatória que tenhais empregue de forma espontânea; parecerá ter simplesmente surgido.

O sentimento relacionado com a intuição normalmente expressa-se quando fazeis uso do pensar relativamente à questão ou relativamente ao assunto em questão, porque nisso, a vossa intuição não pode expressar-se de uma forma exacta através do pensar. Não vos proporcionará uma mensagem ou resposta exacta. Por conseguinte, criam um sentimento. E se ignorarem o sentimento, ele aumentará de volume; tornar-se-á mais evidente.

DANIEL: Ainda assim tenho uma pergunta a fazer. Quero chegar a entender a questão.

ELIAS: Sim.

DANIEL: Eu tenho uma pergunta muito similar àquela em que a Ann e a Sandra se centravam. Por vezes a Natasha convida-me para sair e fazer exercício, patinar ou outra coisa qualquer. Sinto uma hesitação inicial como se isso se assemelhasse porventura ao receio do trampolim do mergulho ou algo assim. Mas, conforme me disseste certa vez, assim que conseguir pôr isso de lado e lançar-me, eu chego a desfrutar disso. Assim, como hei-de diferenciar essa forma de hesitação e a genuína hesitação?

ELIAS: Qual será o máximo benefício que podes obter?

DANIEL: Qual será o meu máximo benefício? Certo, então, neste exemplo de quando ela me convida a sair para fazer exercício, ou sinto ou penso que movimentar-me constitua o meu máximo benefício. Só que a hesitação faz-se presente. Parte de mim sente preguiça; parte de mim não tem vontade de ir, certo?

ELIAS: Estou a entender. Mas qual será o teu máximo benefício?

DANIEL: Tenho mais ou menos a ideia de que ir represente esse benefício.

ELIAS: Precisamente, sim. Essa seria uma situação diferente daquela da viagem. Esta é uma situação diferente, um tipo de acção e de avaliação diferente.

Quando expressas o sim e o não em relação a essa acção, caso expresses o sim relativamente a ir com ela e a fazer exercício, já tens consciência relativamente às crenças que tens e estimativas que fazes que isso represente um maior benefício para ti. Por isso, também sabes que se disseres não, aquilo a que realmente estarás a dizer não será a ti, e não a ela, e sabes disso.

Nesta situação, ela não está a ver a ela própria. Foi isso que eu disse: Que é que queres empreender nessa viagem, empregarás uma acção que tenhas vontade de empregar, que gostes de fazer? Caso seja, então é uma questão de reconheceres aquilo a que estarás a dizer sim e a que estarás a dizer não, e porquê. Estarás a dizer não devido às fontes externas e estarás a aquiescer? Nisso reside a questão: A que estarás a dizer sim e não? Isso responderá pela razão: Que motivação terás, que será que ganhas?

Na situação que indicaste isso revela-se simples. Sabes que obterás ganho, independentemente de seres preguiçoso ou hesitares relativamente a envolver tal acção. Também tens consciência disso constituir um benefício, e com isso, não questionas isso. Noutras situações que envolva outras pessoas, isso poderá tornar-se mais confuso, por estares, uma vez mais, a saltar em frente e avaliares a situação em vez de usares da simplicidade do sim e do não que tem unicamente a ver contigo próprio e não com os outros nem com outras situações, apenas contigo. A que estarei a dizer sim e não em relação a mim? De que modo poderá representar o meu máximo benefício?

DANIEL: Está bem, então vamos lá complicar isso um pouco mais. Agora queremos ir de férias. Estamos a considerar ir de férias para onde ela possa lançar papagaio pelo menos durante metade do dia, e em que eu ainda não tenho ideia quanto ao que fazer. Para mim torna-se difícil dizer sim ou não, por pensar se deverei saltar e ver o que sucede. Isso também constituirá uma atitude aceitável, em que não sei o que venha a suceder e me disponho a descobrir o que venha a criar?

ELIAS: É.

NATASHA: Ele não sabe se irá ser benéfico para ele ou não. Nem tampouco eu sei. (Riso)

ELIAS: Mas para além do mais dispões da possibilidade de fé.

DANIEL: Pois.

ELIAS: Que representa o quê? Confiança no que é desconhecido ou invisível, o que representa confiar em ti. Nessa medida, não é preciso que tenhas um plano nem conheças todos os componentes. É a mesma questão. Sabeis se não irá ser um benefício para vós. Quer possais expressar para vós próprios a certeza de vos trazer benefício, sabeis uma ou a a outra coisa. Podeis não saber ambos, o sim e o não, mas tereis noção de um ou do outro, e o outro tornar-se-vos-á evidente.

Nem sempre é necessário saber se estais a dizer sim a determinada coisa, razão porque estais a dizer não a outra, e ter ideia do que ambas referem. Isso, uma vez mais, é complicar e conduz-vos à avaliação e à análise sistemática da situação. “Lavei os dentes – terá representado uma questão de sim ou de não?” (Riso)

Nessa medida, em, qualquer situação, em qualquer situação, terão a capacidade de respondera a pelo menos uma, ao sim ou ao não. Se conseguirem fazer isso, poderão partir daí. Nesse sentido, poderá ser “Será esta uma acção que não queira genuinamente fazer? Não? Muito bem, ainda não sei bem de que forma me trará benefício mas estou direccionado no sentido de que o venha a fazer, de que já o faça.” Já vos está a beneficiar. Sempre que confiarem em vocês, já estarão a colher benefício.

SANDRA: Todo o propósito disto hoje é o de intencionalmente criarmos o que desejamos, por isso…

ELIAS: Não.

SANDRA: Não? (Riso) De termos noção daquilo que estamos a criar, não?

ELIAS: De criarem a vossa realidade de forma intencional. Eu não referi “Aquilo que desejam.”

SANDRA: Então, é o de criarmos intencionalmente a nossa realidade…

ELIAS: É.

SANDRA: …o que equivalerá a dizer, digamos, que o Daniel queira ir com a Natasha, e que crie intencionalmente uma experiência de expansão…

ELIAS: Sim.

SANDRA: …só pelo facto de o querer?

ELIAS: Sim.

SANDRA: Óptimo. Obrigado. Terminado! (Riso)

ANN: Duas perguntas na esperança de simplificar: Uma - se tudo quanto queremos fazer reverterá em nosso benefício…

ELIAS: Não, não necessariamente. Muitas são as alturas em que as pessoas querer tomar uma direcção, uma acção, uma expressão que não lhes angarie o máximo benefício, não.

PHILLIP: Como poderá isso ocorrer se ele confiou nele?

VOZ FEMININA: Eu ia indicar que um excelente exemplo seria a intimidação de que estivemos a falar. Ele tem vontade de intimidar, mas não na melhor das intenções que tem.

ELIAS: Sim, estou de acordo.

ANN: Tenho uma pergunta rápida a fazer. Caso tivermos os sentimentos e o pensar ocupados, para onde se voltará de seguida a intuição? Caso chegue a fazê-lo, em todo o caso…

ELIAS: Podeis expressá-lo por meio de uma sensação, ou usará as vossas ideias ou sentimento de uma forma diferente. Aquilo que referi foi que, se já tiverem o pensar consideravelmente ocupado pela própria interrogação ou a situação que envolve a questão, geralmente não produzirão a resposta intuitiva por intermédio dos pensamentos, por já se encontrarem consideravelmente envolvidos.

Os sentimentos constituem um meio bastante eficaz a empregar para a vossa intuição, por poderem mudar rapidamente. Por isso, podem expressar um sentimento ou terem um sentimento, um sinal emotivo, e podem igualmente produzir uma sensação intuitiva, o que será completamente diferente. Já te sentes confundida por completo?

ANN: Já! (Riso) Bom, só andamos às voltas para dizer que quero ir de viagem ou que não quero ir de viagem… Sinto-me demasiado confusa para conseguir falar!

NATASHA: Muito bem, falemos de festas. Imagina uma festa e pensa nela. Queres ir à festa ou não?

ANN: Digamos que sinto uma hesitação que me diz que não quero ir à festa. Sinto-me hesitante quanto a ir. Por isso, é óbvio que tudo quanto queira fazer não for em meu benefício, isso quererá contrariamente, ou em contraste, dizer que certas coisas que não quero fazer seriam em meu próprio benefício.

ELIAS: Correcto.

ANN: Assim, vacilo, não quero ir a essa festa. Nesse caso, como hei-de saber que não seja em meu próprio benefício ir a essa festa? É aí que reside a minha confusão.

ELIAS: Precisamente o que acabei de referir a estes indivíduos. Interrogas-te…

ANN: Interrogo-me se será em prole do meu máximo benefício.

ELIAS: Primeiro, interrogas-te “A que estou eu a expressar sim ou não, e por que razão?” A seguir conseguirás avaliar o teu máximo benefício. Que motivação terás? Porque hesitarás? A que estarás a dizer não? Que é que não queres fazer? Essa é a questão do não saltarem em frente para a análise mas permitirem-se simplificar.

Estais a criar a ideia de que este assunto do sim e do não seja bastante complicado e difícil e que requeira uma enorme energia e concentração para descortinar. Na realidade aquilo que vos estou a dizer é que vos simplifica. Já estais aa complicar ao saltar para a análise. Passais de imediato para as concepções em vez de se interrogarem simplesmente quanto àquilo a que estão a dizer sim e não. Conforme disse, nem sequer importa que conheçais ambas as respostas, mas que apenas vos interrogueis quanto a isso no momento: “A que estarei a dizer sim ou não, e porquê? Que será que me motiva isso?”

CAROLE: Também não englobará “Que expectativas terei?”

ELIAS: Neste momento, não necessariamente. Já debatemos as expectativas; sabeis aquilo que são, e sabem como se expressam. Já referimos e discutimos as concepções, e vós sabeis o que representam, e já debatemos as vossas crenças. Já discutimos todos esses conceitos, e já dispõem de toda essa informação.

Nesta altura do movimento que empreendem no sentido da mudança, dispõem de toda essa informação, e agora é tempo de simplificarem e de actuarem. Já analisaram e avaliaram e assimilaram e já viram cada ângulo de todo conceito a fim de compreenderem e de o praticarem e de expressarem por toda a maneira possível. Nesse sentido, com toda essa informação, é agora tempo de o simplificarem e porem em prática. De o fazer, em vez de pensarem nisso e de o analisarem e de falarem sobre isso. É agora altura de darem o passo e de se interrogarem quanto às questões simples. Permitam-se capacitar-se de uma forma simples e concisa que vos permita dar um passo de imediato sem hesitarem, sem analisarem, sem todas as complicações, mas expressando tão só. Já se expandiram de uma forma espantosa com toda a informação que assimilaram. É tempo de agirem.

DANIEL: Para voltar ao exemplo que dei da viagem, se perceber o lado do sim e do não quererá dizer que ponho as demais opções sobre a mesa? Não creio que isso se tenha alterado nesse aspecto; que é que acontecerá se ficar m casa, nada disso acontecerá, não é? É só algo que eclodiu nas nossas vidas, a possibilidade de uma viagem, e tanto posso sentir que sim como posso sentir que não. Se disser sim, porquê; isso simplifica mais ou menos a questão.

ELIAS: Sim.

NATASHA: Portanto, este caso dispensa a lógica e a análise.

ELIAS: Sim. (Riso) precisamente, precisamente! Com isso, meus amigos, diria que isso é quanto baste para assimilarem, e talvez já o tenham entendido.

JOHN: Eventualmente a tontura passa! (Riso)

ELIAS: Eu diria que já o entendestes. (Gargalhada)

Fico na antecipação do nosso próximo encontro e de uma abertura da parte de todos vós, de sorriso na cara e de uma energia interactiva! Ah ah ah! (Riso seguido de aplausos) Para todos com um carinho genuíno, expresso um incrível au revoir.

GRUPO: Au revoir, Elias.
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