terça-feira, 2 de setembro de 2014

“PAZ EM MEIO À TURBULÊNCIA”




"VIVER DE MODO ESPONTÂNEO"
Sessão não publicada de Sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Participantes: Marcos/Marta e Mary/Michel

Tradução: Amadeu Duarte




(os primeiros cinco minutos mais ou menos não foram transcritos; o gravador estava desligado. Após os cumprimentos do costume e a pergunta da praxis “Que é que tens vindo a realizar?” eu expliquei como tinha vindo a sintonizar o meu mundo exterior, e em grande medida, tinha tido êxito a sentir-me centrado e uma paz juntamente com uma enorme compaixão a despeito do caos aparente reinante.)



M: Talvez não completamente aceite, contudo notei um certo sentido talvez pela primeira vez que faz parte de mim, e em relação ao qual posso fazer algo dentro de mim…



E: Mas, quando reconheces isso, e sentes essa paz, e te encontras presente em ti próprio, mas também tens consciência do mundo que te rodeia, não dirias igualmente que incorporas um saber que faculta tal paz, que o tumulto e a angústia e a agressão que têm expressão no teu mundo façam parte da paz que sentes, por incorporares o saber de que o que importa é a confirmação disso, que consta do reconhecimento e da aceitação disso. Não dirias que isso seja uma parte do sentimento que tens de paz interior ou será isso distinto?



M: Não, não, faz completamente parte disso, e eu tive recentemente uma outra experiência quando estava de visita aos meus pais, há umas semanas atrás, quando me encontrava sozinho na casa deles enquanto decorria uma forte tempestade no exterior, massiva, o tempo estava completamente ventoso e surgiam relâmpagos e os céus a despejar água a jorro, tempestade essa que durou porventura umas duas horas, e eu encontrava-me dentro de casa, a escrever, e fazia-o numa situação de completa aceitação, e apesar de tudo quanto me rodeava se apresentar de certo modo caótico, eu estava em paz, e aceitei isso. Cheguei a apreciar a tempestade e consegui mesmo entrar em sintonia com ela, o que me facultou uma força interior enquanto escrevia, e soube-me, senti-me completo.



E: Excelente. Bom; a pergunta seguinte que te colocaria, bom, por tudo isso ser muito importante, e um verdadeiro indicador de uma mudança genuína num passo subsequente, como quem diz, de um modo muito mais profundo… Assim, a pergunta que se impõe seria se percebes e se compreendes, por esta altura que o mundo, em meio ao que possa estar a expressar, se perceberás como o mundo seja igualmente um reflexo de ti, e que possa estar a apresentar-te a oportunidade de uma escolha quanto à forma de responder?



M: Quando disseste isso cairam-me umas moedas, por eu estar a olhar para isso porventura de outro modo que não por esse; por exemplo, tenho sido capaz de me levantar cedo e de ligar o meu computador, e como tenho uma orientação política, gosto de folhear as notícias, assim como muitas publicações que fazem na página do Elias no Facebook, e no passado isso costumava causar-me pressão ou eu permitia-me passar por diversas emoções mas agora consigo ficar numa situação emocional neutra, embora não de indiferença por sentir a compaixão… e mesmo a tristeza, mas rapidamente integro esses sentimentos e já não me tiram desse centro ou não interferem com o meu equilíbrio, de modo que…



E (Interrompe em latos brados) É ISSO! (Passa ao tom de voz normal) è isso, meu amigo, e essa é precisamente a resposta à minha pergunta, porquanto é enormemente significativo que efectives um passo desses quando exerces movimentos no sentido da mudança em que efectivamente comeces, não a intelectualizar, mas a unir-te com tudo no teu mundo, com consciência de ser uma parte de ti, sem sequer na verdade pensares nisso, mas SERES desse modo, e experimentares e perceberes as expressões do mundo do mesmo modo que os percebes no teu íntimo, relativamente à expressão que dás aos sentimentos, esses sinais oriundos desses comunicados, quer sejam de natureza emocional ou física. Isso é um passo enormemente significativo pelo que te diria, por também estar bastante associado à presente onda, para conduzires esse tipo de informação á superfície de modo a que faculte a todos vós experiência dela e abordá-la e tornar-se nela. E um dos obstáculos mais significativos, para a maioria das pessoas, e uma das mais difíceis expressões que a maioria tem em reconhecer e abordar, muito simples mas consideravelmente difícil de implementar, é o reconhecimento de que os sentimentos constituem sinais momentâneos, por serem para isso que foram concebidos, mas se produzirem o acto simples e natural, a acção que referiste precisamente, reconhecer esses sentimentos independentemente de terem avaliado todas as razões subjacentes ou não, por isso poder ser expressado subsequentemente, mas a primeira acção relativamente aos sentimentos consta do reconhecimento deles, o que equivale ao acto do quê? Admitir.



Tal confirmação tem dois componentes; reconhecer e aceitar. Isso é admitir. Agora. Isso representa um factor tremendamente importante na vida das pessoas, nas experiências diárias, e um dos passos mais difíceis que a maioria das pessoas tem em implementar e realizar em si mesmas, para não falar em todo o mundo. Mas nesse sentido, todos vós o fazeis fácil e naturalmente no que percebeis como sensações e experiências boas ou de conforto ou de alegria, ou de entusiasmo, e essa é a razão por que as experimentais e os sentimentos desaparecem prontamente, por se permitirem envolver a experiência no âmbito de uma fluência natural, querendo com isto dizer quando envolvem uma experiência que encaram como positiva, independentemente da intensidade.


Um excelente exemplo seria um indivíduo que percebesses como próximo a ti, um indivíduo que ames, que te oferecesse um postal que representasse uma expressão sentimental do apreço que sentisse por ti, e tu aceitasses o postal e o lesses, e ele te levasse mesmo às lágrimas por estares a experimentar um sentimento extremado de apreço e de afecto e te sentisses bem, mas podias na verdade chorar, por poderes ler o postal e experimentar o sentimento, podias criar a experiência de aceitação dessa energia e talvez mesmo chorar por dentro, digamos, por um minuto, após teres recebido esse postal, essa pessoa ou talvez uma outra pessoa podia dizer-te qualquer coisa, ou um cão podia ladrar, ou gerar-se um ruído qualquer, não importa, mas alguma será a acção que se dá rapidamente, para o referir em termos gerais, por isso ser a vida, e a acção, e estar em constante movimento e a produzir acções são vosso redor. Nessa medida, essa expressão tem lugar e a tua atenção é de imediato deslocada par ao que estiver a ter lugar ao teu redor, e no momento em que a tua atenção se deslocar, o sentimento dessa valorização avassaladora, ou alegria, ou afecto, detém-se.



O sentimento efectivo detém-se. O reconhecimento do apreço que tens, da compaixão que te caracteriza, prossegue, mas o sentimento deteve-se, por a tua atenção se ter deslocado, e isso é natural. Agora, o que vós também fazeis automaticamente, ao contrário, por este constituir o aspecto que se torna tão difícil para a maioria das pessoas, se gerares uma experiência ao contrário em que estejas a dar expressão a um sentimento qualquer de tristeza, ou de ansiedade, de frustração, de irritação, de depressão, se estiveres a dar expressão a qualquer desses sentimentos, e em especial se os estiveres a experimentar num tipo qualquer de intensidade, aquilo que automaticamente fazes é, experimentas o sentimento, e a seguir imediatamente o inscreves num quadro de sentimentos decorrentes, (NT: Opostos aos sentimentos do momento, por tenderem a arrastar-se na experiência que deles fazemos) mas o sentimentos decorrentes não só são sentimentos que terão sido expressados em períodos significativamente anteriores, como anos antes; os sentimentos DECORRENTES podem ter ocorrido há um minuto atrás, que o que fazeis é continuar a prestar atenção ao sentimento. Continuam a pensar nele, e quanto mais pensam nele mais geram a repetição do sentimento, e nessa medida, aquilo que fazeis de uma forma automática, a razão para o terem tornado num sentimento decorrente e a razão por que o detêm constitui precisamente o oposto daquilo que quereis fazer, que é, fazê-lo parar. Quereis alterá-lo; mas não podeis alterar o sentimento.


Por isso, aquilo que fazeis é, continuam a pensar nele sem parar num esforço por o alterar e o que realmente tem lugar é que continuam a perpectuá-lo, e conforme estamos cientes, os sentimentos decorrentes intensificam-se e crescem, contrariamente aos sentimentos do momento, que não o fazem. Nessa medida, isso é chave, por não reconhecerem, nessa acção natural de admissão do sentimento, reconhecê-lo e aceitá-lo, e não tentar alterá-lo, não tentar ignorá-lo, não tentar afastá-lo, mas aceitá-lo, e quando fazeis isso, senti-lo e podeis senti-lo com intensidade no momento, mas muito prontamente ele se dissipa e desaparece, e não chega a perdurar, o que lhes faculta a riqueza da experiência sem a afectação prejudicial e entediante que muitas pessoas experimentam relativamente aos sentimentos ou experiência negativas.

Portanto, precisamente aquilo que descreveste relativamente a entrares em contacto com as notícias, ou poderes entrar em contacto com afirmações que as pessoas façam nas vossas redes sociais e apresentes a ti próprio informação relativamente ao que estiver a decorrer ao teu redor e ao que estiver a acontecer no vosso mundo e por instantes poderes sentir-te agitado ou entristecido ou frustrado ou mesmo irritado com aquilo que apresentas a ti próprio mas, ao reconheceres esse sentimento, ele se deter.



M: Sim, sim. Sabei precisamente aquilo de que falas. Não o consegui durante muito tempo, mas entendo agora que o sentimento conforme é expressado, reconhecido e aceite, caso optemos por isso, produz mais sentimentos dessa natureza. Por outras palavras, estar feliz ou jubiloso é coisa fugaz, mas apenas expressamos isso e vivemo-lo, mas eu costumava pensar querer conservar esse sentimento durante as 24, 36 ou 48 horas seguintes e não podemos conseguir isso. Ele esvai-se, mas se confiar em mi o suficiente, isso trará novos instantes…



E (Interrompendo de novo) Precisamente! Por ser isso que vós fazeis; vós criais sempre mais. A cada instante, durante todo o dia, estais constantemente a criar mais, e consequentemente, (intensamente) isso corresponde à vossa própria natureza, criar mais, e vós fazeis isso em relação àquilo a que prestam atenção. Nessa medida, não, não se agarram a um sentimento particular que desfruteis ou de que gosteis; ele não prevalece, mas não tem importância, por poderem criá-lo uma e outra e outra vez, momento a momento, criando mais do que gera esses sentimentos de natureza afortunada e prazenteira e que vós definis como bons.



M: Certo, certo, mas o oposto disso também já experimentei, por ter Alturas, conforme tu referes, que a vida é isso, em que algo de desagradável porventura surge e nesse instante poder dizer que não gosto disso, e que quero mudar isso, que agora consigo-o, e aceito-o por aquilo que é. Por outras palavras, mudo o sentimento que tenho em relação ao facto, ou altero a percepção que tenho dele sem tentar alterar a condição desagradável que o caracteriza…



E: Pois. Nisso, aquilo que te diria é chave, o reconhecimento efectivo de que não podeis alterar os sentimentos; eles são aquilo que são, têm expressão no momento, e podeis ter uma experiência diferente que pode produzir um sentimento diferente num outro instante mas não podeis alterar o que quer que esteja a ter expressão no instante. Está a ser expressado por uma razão; e nesse sentido, o sentimento em si mesmo não constitui o sentimento. É um sinal. Nessa medida, é uma questão de reconhecerem que não podem mudar o sentimento em si mesmo, mas também de admitirem uma livre fluência natural, por não ser necessário alterá-lo, por poderem senti-lo e ele dissipar-se e desaparecer rapidamente, automática e naturalmente caso tenteis ignorá-lo ou alterá-lo.



M: Pois é. Exactamente. O que me leva a uma questão, um problema que gostaria de debater contigo, algo que eu creio ser bastante natural relativamente a isto, algo que tenho vindo a fazer naturalmente por diversos modos mas em que ainda subsistem algumas dúvidas, talvez mesmo um certo receio, por ter que ver com uma forma espontânea de viver e abundância instantânea; É desse modo que defino a forma como quero que a minha vida seja, e como fiz aquelas viagens ao estrangeiro e experimentei isso, foram das experiências mais incríveis, e tu sabes como eu adoro viajar e como costumava viajar; só que isto é muito diferente, o sentimento e toda a experiência é tão diferente, por se ter situado muito no instante e eu querer que tivesse continuidade. Decidi não querer trabalhar das nove às cinco, mas ainda tenho algumas dúvidas que se me afloram vez por outra, e sei bem que te vais referir à nossa conversa anterior, mas essa forma de vida espontânea e de criação de abundância no momento, creio que seja chave para uma experiência plena.



E: No teu caso, estou de acordo.



M: Sim, no meu caso. No meu caso; sim.



E: (Tenta dizer alguma coisa…)



M: Posso interromper-te? Eu tive um sonho há umas noites atrás que está ligado a isto; num sonho que tive há várias noites atrás em que caminhavas comigo, e alguém mais se encontrava do meu outro lado, e tu sussurraste-me a palavra “confiar” ao ouvido, e isso ficou-me gravado, mas eu pedi-te várias outras coisas mas não obtive qualquer resposta, e a questão residiu toda nisso. Resume-se tudo a uma confiança completa, total, radical em nós mesmos, não?



E: Resume-se sim. E nisso, diz-me cá, que acção será que vês num dia, na tua vida do dia-a-dia, na rotina diária que levas, em que tu confies por completo? Todos os dias. Que jamais questiones?



M: Bem, acordar, respirar, abrir os olhos e ver, saber que ponho uma música qualquer a tocar e que fico a escutá-la; coisas do género.



E: E que acções concretas e efectivas empregas durante o teu dia, que dirias jamais questionar nem duvidar e em que confias em absoluto?



M: Respirar. Mover-se.



E: Para além de acções de carácter físico; de actos físicos que empregues?



M: Algo tipo comer, é a isso que te referes, falar, comunicar?



E: Sim. Ou produzir uma acção do tipo conduzir, ou preparar algo, tal como alimento, ou uma acção física qualquer que empregues quase automaticamente.



M: Exercício, sim.



E: Por conheceres a acção, por confiares na capacidade que tens, e simplesmente o executares sem avaliares, sem o analisares, sem duvidares na capacidade que tens em relação a ele, mas o pores simplesmente em prática. Ora bem, nisso, há algo muito importante a considerar que é chave. Sempre que empregares um acto qualquer em que tenhas absoluta fé na capacidade que tens relativamente a ele, e não o questionares, não te é necessário compreender toda a mecânica do que estiver a decorrer; tudo quanto importa é que confias na capacidade que tens de o fazer. E por isso fazes isso; e geras o acto repetidamente, a cada dia, e não tens dificuldade com isso, e a tua experiência torna-se previsível e consistente por confiares naquilo que estás a fazer. Não o questionas em absoluto. Nessa medida, há igualmente um sentimento. Agora; à semelhança de todo e qualquer sentimento, não se trata de um sentimento permanente; é um sentimento que ocorre inicialmente ao empreenderes o acto, mas é muito breve, e o factor de confiares no que estás a fazer e de confiares na capacidade que tens, geralmente significa que não venhas obrigatoriamente a prestar atenção a esse sentimento por ser similar a todos os sentimentos, um sinal, que transmite uma afirmação que transmites a ti próprio e essa afirmação, nesses instantes, constitui uma validação; E nesse sentido, já te encontras ciente da validação e por isso não te é verdadeiramente necessário que lhe prestes atenção. Já o conheces. Nessa medida, isso aplica-se a tudo quanto empreendes, mas o que é significativo é que prestes atenção a tais acções que empreendes a cada dia de cunho automático, que em definitivo não questionas, e em que confias, e que reconheças o que a tua energia está a fazer nessas alturas. Que será que sentiste nessas alturas? Geralmente encontras-te calmo e confiante e consequentemente não questionas e dás expressão a esse conhecimento interior. Bom, geralmente não penas em tais expressões ou acções, simplesmente as empreendes.



M: Certo; certo. Consigo perceber isso com clareza, e aquilo que geralmente faço é conseguir uma sensação de realização ou de satisfação que por sua vez me transmitem uma maior confiança em mi próprio para o que vier a seguir, ou para o fazer de forma um pouco diferente da próxima vez ou no sentido de fazer mais disso, e é isso que preciso conseguir para o aplicar a este problema particular da espontaneidade e da abundância. Certo.



E: Sim, mas isso tem um componente que também é chave. Quando pensas num sentido qualquer ou numa acção que queiras fazer, tal coo: “Eu quero ser mais espontâneo e criar abundância de uma forma espontânea, no momento.” Ora bem, estás a pensar naquilo que queres e nessa acção, e isso muitas vezes conduz-te no sentido da complicação, o que cria uma diferença significativa entre tais acções que empreendes durante o dia e que não questionas, e do facto de satisfazeres com tal confiança e a nova acção que queres empreender, por haver dois aspectos da acção que queres empreender; pensar nisso e pensar em empreendê-lo, e a acrescentar a isso tentas avaliar métodos que te permitam satisfazer isso.


M: Eu entendo; sim.



E: Por conseguinte, tu estás a complicar o processo da tua ideia. Quando estás a produzir uma dessas acções em que confias durante o teu dia, digamos que proporcionas a ti próprio uma chávena de café, e podes fazer isso por diversos modos ao longo do teu dia. Quando te encontras em casa, tu próprio podes preparar o café e não questionas como fazê-lo, nem o que estás a fazer, ou se serás capaz de o fazer. Faze-lo muito simplesmente, e desfrutas do bebericar da tua chávena de café, e ao longo do dia, assim que a ideia te incita no sentido de desfrutares de outra chávena de café, independentemente de onde te encontrares ou do que estiveres a fazer, tens fé na capacidade que tens de confiar nessa chávena de café de uma forma qualquer espontânea; entrarás num estabelecimento e comprarás uma chávena de café; não questionas o facto de teres suficientes fundo de meneio para comprar essa chávena de café, ou se irás encontrar um bar onde possas comprar essa chávena de café, ou se ele irá ser preparado a teu gosto. E por vezes poderá não estar, mas a questão está em que nenhum desses factores é planeado ou questionado. Fazes simplesmente isso. Confias na capacidade que tens de fazer isso, no momento, de forma espontânea, em meio ao que quer que estejas a fazer e ao local onde te encontres, criá-lo-ás. Mesmo que te encontres milhares de pés acima do solo, num avião, haverás de criar essa chávena de café caso o queiras.



M: Pois.



E: Portanto, é uma questão de te permitires genuinamente olhar para o que fazes naturalmente num dia, e como fluis, e como produzes essas acções em que confias, e de usares isso para o empregares noutras áreas em que queiras emprega-lo, tal como viajar e a abundância. A razão por que por vezes parecerá diferente para a maioria das pessoas, deve-se ao facto de exagerarem no pensamento e ao facto de complicarem em vez de se situarem no momento; não tentar permanecer no momento mas permanecer no momento e ser espontâneo do mesmo modo que és se quiseres uma chávena de café.



M: Pois. Isto é excelente, e eu recordo-me daquela viagem que fiz a França, recentemente, por ter sido assim que aconteceu. Foi tão fácil a decidir quanto a implementá-la, literalmente tão fácil quanto preparar uma chávena de café. Tudo fluía com tal facilidade e claro está que temos consciência disso por termos estado presentes o tempo todo, em particular no Monte de Saint Michel. Foi uma viajem fantástica e eu sei e compreendo aquilo que estás a dizer. Isto é excelente; muito básico mas muito bom. Obrigado.



E (A rir) Não tens de quê. E com isso, meu caro amigo, quanto mais praticares, ou melhor, quanto mais te permitires fazer isso, mais fácil se tornará, pois conforme como com toda a acção, quanto mais a utilizares mais confiarás nela, e mais confiarás na capacidade que tens nela e menos a questionarás.



M: Sim. Eu já tenho mais duas viagens dessas planeadas desse modo. Não planeadas, mas…



E: Eu compreendo.



M: Os impulsos, os desejos interiores de fazer isso, como sabes… Portanto…



E: Mas deixa que te diga, relativamente a certas acções, mesmo a uma chávena de café, não é necessário que produzas a inspiração e que manifestes a acção nesse preciso momento. Isso nem sempre ocorre, mesmo em relação a uma chávena de café. Essa não é a questão. A questão está em que te sentes incitado a tomar uma chávena de café ao entardecer e não tens nenhuma estação de serviço perto de ti, pelo que não é que materializes a chávena de café na tua mão, mas que geres o impulso ou a inspiração para tomar uma chávena de café e de seguida te movas no sentido de o tomares. Por conseguinte, de certo modo, podias dizer que tivesses sentido um impulso ou uma inspiração para obteres uma chávena de café e de seguida tivesses um plano para implementar a materialização desse café. Podes referir o mesmo em relação ao viajar. Não é uma questão de poderes empreender a viagem nesse exacto instante, mas de sentires essa incitação, tu não te questionas e avanças no sentido de o implementares.



M: Pois; sim, sim. Compreendo isso totalmente, e creio que isso confere à afirmação anterior que fiz, de viver de forma espontânea e de criar abundância, um sabor ligeiramente diferente a meu ver. Não tem que ver com a manifestação de magia nesse preciso momento, mas de acompanhar o fluir e daquela confiança dentro de nós em que sabemos que havemos de criar isso.



E: Sim, mas isso é mágico.



M: Sim; adoro isso. Isso é verdadeiramente fantástico. (Elias ri) É de verdade. Bom, eu quería perguntar-te uma coisa; duas coisas antes que o nosso tempo termine. Duas coisas ligeiramente diferentes. No meu aniversario, que se deu no mês passado, eu tive uma experiencia de manhã ao me levantar e preparei uma chávena de café, súbitamente fui inundado por uma onda de náusea, uma tontura extrema. Quero dizer, mal consegui caminhar direito, e isso durou umas horas durante naquela manhã. Intuitivamente tinha consciencia de não estar doente, mas mesmo assim foi muito forte e pareceu como se o meu corpo estivesse a atravesar uma mudança por si só e em si mesmo. Concordas com isso ou quererás comentar?


E: Eu concordo com isso e dir-te-ia que isso não é invulgar, porquanto quando dais passos significativos objectivamente e em termos físicos, de mudança, ou não completamente de mudança física, quando a percepção que têm muda significativamente e se voltam para novas direcções e novas acções e criam uma nova abertura na percepção que têm, torna-se igualmente necessário que a consciência do vosso corpo mude igualmente, por dever achar-se em harmonia com a percepção que têm, porquanto aquilo que as pessoas não reconhecem, conforme tenho referido  muitas, muitas vezes, é que o vosso corpo não constitui um receptáculo…



M: Sim.



E: …mas é uma parte de vós; faz parte da expressão de vós próprios numa manifestação física. Por conseguinte, torna-se importante que a consciência do vosso corpo esteja constantemente em harmonia com a percepção corrente que tiverem, e nessa medida, podeis não reconhecer nem compreender a mecânica, uma vez mais, mas isso não é necessário. O corpo funciona de modo diferenciado relativamente a diferentes expressões da percepção. O vosso corpo na verdade funciona de uma forma diferente fisicamente, o que também representa a razão por que, em muitas situações, haverão de o notar, embora possam não associar isso por completo a todo o quadro de mudança da vossa percepção e da consciência que tenham, e por conseguinte a consciência do vosso corpo mudar e ajustar-se a essa consciência diferenciada, situação em que os padrões alimentares que tiverem também sofrem uma alteração. Talvez não tão dramática, mas hão-de mudar, por o corpo exigir diferentes elementos: mais, não alimento na mesma quantidade, ou tipos de alimento diferentes, e nessa medida, os vossos hábitos alimentares alterar-se-ão em muitas situações; os vossos padrões de sono alterar-se-ão, e haverão de detectar diferenças físicas. Agora; não é que essas diferenças físicas eventualmente voltem Para aquilo que eram anteriormente, embora em muitas situações essa seja a estimativa que a pessoa faça, mas na realidade o vosso corpo gera um novo ritmo e uma nova rotina.



M: Sim, eu notei isso, tudo quanto referiste. O sono, a alimentação, e até mesmo coisas do dia-a-dia, sim, eu notei isso, e isso parece estar bem, de modo que simplesmente acompanhei o processo. Portanto, esse dia, esse instante, eu sei que aquilo que estava a experimentar era algo que me deixaria de volta num tipo de equilíbrio, muito embora nessa altura tenha sentido um enorme desconforto.



E: Precisamente, precisamente. Pode tornar-se fonte de desconforto assim como pode tornar-se estranho. O que experimentais fisicamente pode não ser necessariamente desconfortável na verdade, embora o possam perceber desse modo, e pode não ser desconforto mas poder ser inusual, razão porque poderá parecer estranho. Mas eu digo-te que tonturas e sensação de desorientação é coisa que a consciência do corpo tem comummente. Essa é uma expressão comum que a consciência do corpo cria quando se acha confusa, quando experimenta as dores iniciais, como quem diz, da mudança, e nessa medida ela torna-se um tanto desorientada ou confusa quanto à forma de se expressar, e por conseguinte isso gera essa sensação física de tonturas ou de desorientação; mas também pode produzir outras expressões de carácter físico, e nessa medida, temporariamente. Mas não é prejudicial, embora dependa da situação ou daquilo que estiverem a fazer, mas na sua grande maioria esses tipos de experiências ocorrerão numa altura em que se encontram relativamente a salvo e em que não se prejudicarão nem magoarão a si mesmos, embora ocasionalmente isso possa ocorrer; Mas em tais situações, geralmente há outros aspectos em jogo ao mesmo tempo, tais como, talvez um batalhar com as mudanças que elas próprias estejam a implementar.



M: Sim, sim, eu compreendo e senti que estaria a dar-se no instante perfeito e tudo resultou bem. Eu acabei de ouvir o alarme e só queria perguntar uma coisa rápida, se for possível, da parte da Castille (Letty). Eu creio que ela apresentou a resposta na própria pergunta, mas poderia colocar-ta?



E: Absolutamente.


M: Ela pergunta, e passo a citá-la:

 “Porque estarei com problemas em arranjar oportunidades de emprego na área que desejo? Será a minha energia? Ou dever-se-á ao facto de não ter a certeza?



E: O que eu diria não é necessariamente que ela não tenha a certeza embora pudesse expressar uma maior clareza ao definir melhor, mas não é tanto isso quanto consta da formulação da questão. Mas deixa que te diga que esta também é uma questão de importância em especial neste presente período desta onda. A forma como formulais as vossas expressões está a tornar-se mais significativo por estar a denunciar o que estais efectivamente a fazer e à forma como estais efectivamente a perceber, independentemente do que pensarem estar a fazer ou a perceber. Ora bem, nessa medida, qual foi a formulação usada na pergunta, porque é que ela está a ter dificuldade em descobrir o tipo de trabalho que deseja, fazer aquilo que pretende fazer. Não é uma questão de “encontrar o trabalho”; é uma questão que se coloca nos seguintes termos: poderá ela empreender a acção e a expressão que deseja em qualquer trabalho, em qualquer emprego; não importa que emprego seja. Em qualquer dos sentidos ela poderá implementar aquilo que quer relativamente a esse trabalho que nisso não se trata da questão de encontrar o trabalho, mas uma questão de clareza, de visar as direcções para que se sente atraída ou que sejam mais interessantes ou curiosas para ela, o meio que ela mais queira estar, e de avançar nessas direcções da expressão e de ENVOLVIMENTO (palavra chave) de se envolver com esse negócio e de ele lhe conferir expressão.



M: Muito bem. Creio que isso é excelente. Passar-lhe-ei essa informação, que creio lhe será muito útil.



E: Excelente. Também poderás estender os meus cumprimentos à Castille.



M: Ficarei mais do que feliz com isso, meu amigo.



E: (A rir) Excelente meu caro amigo. Fico a antecipar o nosso próximo encontro, e talvez mais cedo do que tarde, não?



M: Sim, estou de acordo e também te convidaria para vires comigo nestas duas viagens que planeei à Austrália e talvez a Istambul, que também poderemos divertir-nos com isso.



E: Ficarei encantado. (A rir) Com um tremendo afecto por ti, meu amigo, e um enorme carinho, e encorajamento como sempre, e com os meus parabéns em reconhecimento das tuas realizações, até ao nosso próximo encontro, meu querido amigo, au revoir.



M: Au revoir.


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