domingo, 24 de agosto de 2014

A INTERLIGAÇÃO E A INFLUÊNCIA DOS OUTROS




O SIGNIFICADO DO EXPRESSAR AS ORIENTAÇÕES NUMA ATITUDE GENUÍNA DE AMOR



Sessão não publicada, de 07/08/21014
Participantes: Ann (Vivette) e Mary(Mychael)
Tradução de Amadeu Duarte
(Excerto) 




ANN: ...Assim, estou um pouco intrigada e gostava de esclarecer um pouco mais esse aspecto da interligação e da parte que me toca nessa interligação. Ora bem, intelectualmente estou ciente como agir nessa situação. Comecemos por aí. Intelectualmente, tudo bem, eu sei, confio em mim, deixo-me levar pela corrente, dou atenção aos impulsos que me acometem. Quero dizer, apresentei a mi própria uma comprovação de ser o caminho a seguir, mas aí, recentemente certas coisas surgiram que me provam que poderei não estar tão avançada quanto pensaria estar.



Assim, por exemplo, como no caso da baixa energia, ou do facto de me sentir numa embrulhada… muito bem, dois exemplos… têm surgido mais, mas dois dos exemplos em que posso sentir tão esclarecida quanto a… o meu filho foi mordido por um insecto qualquer antes de partir para a Europa por duas semanas, e nós medicámo-lo, mas tão pronto ele partiu para o aeroporto, ele… a medicação… diz que a infecção regressou, ou que o inchaço terá regressado. E eu disse-lhe para ir a um médico na Europa. Ele disse que não, que ia fazer uma força para suportar. No dia anterior ele regressa, ele diz que se encontra com demasiadas dores e que tem vontade de gritar. Essa dor espalha-se pelo corpo todo. Nessa noite permaneci sentada sem conseguir dormir devido à preocupação que sentia por ele, enquanto ao mesmo tempo pensava… senti que uma parte de mi poderia ter-se encaminhado no sentido de dizer: “É a vida. É o que ele está a criar. Ele está a criar aquilo.” Podia mesmo ter-me voltado para: “Ele vai ficar bem,” e não me preocupar muito com aquilo. Quero dizer, podia ter feito isso. Creio bem. Talvez. Mas a determinada altura teria sido capaz de adoptar essa atitude, mas o que parece que me terá impedido de o fazer foi eu pensar: “Muito bem, enquanto mãe dele, que acção devo tomar?  Eu fiquei ansiosa, sabes, por não ter a certeza do que devia fazer. Por um lado, que é que devia fazer enquanto mãe que ama o filho, ou que faria, como por exemplo… passaram-me imagens pela mente, se ele estivesse a berrar de dor, ele estaria naquele voo, e caso a infecção se espalhasse, o facto de arranjar quem fosse ao aeroporto para o levar a um médico faria diferença, faria diferença o facto de o ver gravemente ferido ou não? Isso representou mesmo um enigma quanto às acções que deveria tomar.



E quando estava na cama, eu repetia para mim mesma para confiar em mi própria, e que era isso que precisava fazer. Mas fiquei tão incomodada que não conseguia dormir ou fazer o que fosse. Quero dizer, não foi um incómodo por aí além, mas captou-me a atenção por completo. E essa é a primeira coisa que queria saber, agir em meio a essa interligação, ou continuar no que percebo ser egoísmo, e dizer: “É lá com ele; ele há-de isso.”



Mas depois a outra coisa, que não me é assim tão próxima, é o que está a suceder entre os Palestinos e os Isrealitas. Para mi é fácil não prestar atenção, por estar à distância, longe. Mas vejo isso e tenho andado a ver. Observei algumas imagens, e tem sido curioso... e estou ciente daquilo, e não me agrada. Não consigo compreender como os seres humanos se conseguem tratar dessa forma, mas uma vez mais, não sei que medidas possa tomar. E algo que me faça sentir pior não creio que possa ser benéfico para quem quer que seja. De modo que me sinto um pouco confusa, sem saber, por isso fazer parte de mim. Situa-se no meu mundo. E estamos todos interligados. Mas sinto-me baralhada quanto às medidas que por vezes devia tomar.



ELIAS: Muito bem. Mas eu expresso-te o meu reconhecimento por o avaliares, e por o estares a notar, e por o estares a fazer com base na interligação que os une, ao não te encontrares só. O que te diria quanto à primeira situação de pensares isso dos outros estarem a criar a realidade deles e de o fazerem conforme o fizerem, e de não fazeres parte disso, e de não conseguires influenciar coisa nenhuma está errado. Conforme eu referi previamente a todos, sim, tens razão quanto ao facto de não poderem escolher pelos outros; de que não criais a sua realidade, mas influenciais. Vós influenciais. Por conseguinte, produzem uma influência no sentido da mudança em relação àquilo que fazem que expresse uma diferença relativamente a essa interligação. Vós não existis nesta realidade sós, e por isso, ao se encontrarem tão interligados, aquilo que fazem vai influenciar os outros e o vosso mundo.



ANN: Portanto, é aí que por vezes fico um tanto… não estou certa de confusão ser o termo, mas a indagar-me… eu concordo com tudo o que disseste, mas onde me… então tudo quanto faço afecta todo o mundo, de modo que, e se eu apenas conduzir a minha vida, e fizer tudo quanto me deixar feliz? Uma parte de mim pensa que, mesmo que não tenha qualquer contacto com o meu filho, ou com os Palestinianos, ou caso eu fizer alguma coisa que me deixe o espírito elevado eles acabariam bem por todas as acções os afectarem?



ELIAS: O modo por que responderia a isso é dizendo que estás parcialmente certa. Mas a razão para eu dizer que estejas parcialmente certa, é, sim, é muito importante, mas vós também não tendes uma existência utópica.



ANN: Pois.



ELIAS: Por conseguinte, há outras acções que estão a decorrer no vosso mundo, e existem outras pessoas na vossa realidade que os influencia tanto quanto vocês os influenciam.



Ora bem, um outro aspecto da questão tem que ver com a consideração das crenças que tens e com as crenças da duplicidade, o que dá azo à avaliação do certo e do errado, bom e mau. Mas também ter consciência de ti e saberes que englobas as tuas próprias directrizes pessoais que constituem essencialmente o que revela o bem e o mal, certo e errado, e o erro relativamente a ti.



Agora, uma vez isso reconhecido, é uma questão de o identificares e da interacção que isso tenha com a ligação e o facto de não estares só, e com o facto de que os actos e comportamentos dos outros e as escolhas que lhes competem também te influenciam, por teres as tuas próprias directrizes pessoais que te expressam o certo e o errado, e o bom e o mau.



Permanecer genuinamente ciente de que tais directrizes se aplicam unicamente a Ti e ao que TU fazes. Mas nessa medida, também produzem avaliações em ti com respeito ao que os OUTROS fazem – ao que quaisquer outras nações fazem, ao que as outras pessoas fazem, ao que os governos fazem – tudo.



Ora bem; aí, as outras pessoas expressam comportamentos e escolhas e acções que poderão não estar em harmonia com as orientações que tens, em razão do que as estimas como boas ou más, certas ou erradas. Nisso, é uma questão de utilizares essa informação a fim de produzires acções, comportamentos, e expressões tuas que estejam em harmonia com as orientações que tens, e isso inclui a forma como participas com os demais.



Agora, aqui não é necessariamente uma questão de expressares sim ou não nesses termos inequívocos ou categóricos inerentes à lógica da separação para com as outras pessoas ou situações externas, mas antes uma questão de expressares consciência em ti própria: “Qual será a opção que tenho relativamente à directriz que tenho, com base numa motivação procedente do amor?”



Ora bem; não com base na ideia ou na expressão a que estais tão acostumados e que lhes é tão familiar nas filosofias, nas religiões, e relativamente ao que os outros referem em termos esotéricos de “O amor é tudo,” e de que devais estar permanentemente a expressar amor. De certo modo, isso é mais correcto do que as vossas filosofias e do que as pessoas efectivamente percebem, mas elas não definem nem expressam aquilo que significa, pelo que se torna num mero palavreado oco e lugares-comuns, ao contrário de uma informação prática ou orientação que lhes possam dar.



Bom, se efectivamente avaliares qual é a escolha que te cabe, qual a acção que te resta relativamente às orientações que tens, e honrar essas orientações, com consciência de estares interligada com tudo o que existe no teu mundo, e te permitires dar conta dessas directrizes de forma motivada pelo amor - o que representa o quê? Conhecimento e valorização (NT: E respeito e sentimento). Caso ambos esses componentes não se acharem presentes, não traduzirá uma questão de amor. O amor jamais impõe condições. Não existem dois tipos de amor, mas tão só um. E é sempre incondicional, por não corresponder a um sentimento, mas a uma expressão.



Agora; que quererá dizer expressar conhecimento e apreço? Significa que com conhecimento tu VÊS o que é a genuína manifestação e expressão – não pela rama, nem pelas formas de conduta, nem pelas acções, mas pela coisa genuína com que estiveres em contacto. Não limito isso apenas às pessoas, por poderes amar mais do que as pessoas somente. Podes amar qualquer manifestação. Podes amar expressões que nem sequer se manifestam. Por isso, qualquer que seja o objecto ou questão que ames, o primeiro aspecto assenta no conhecer, o que quer dizer que o percebes de uma forma autêntica; reconheces-lhe o valor que tem, a dignidade, e o merecimento no verdadeiro sentido do termo. E sentes apreço por isso, o que dá expressão à aceitação natural da coisa. Mas, conforme expressei previamente, com muita frequência, na maioria das expressões de amor mas não em todas, é bastante natural expressar afecto como um produto natural e uma extensão desse amor. Por isso, geralmente expressam um sentimento que acompanha o amor – não que seja uma expressão do amor, mas mais como um complemento – com afecto, o que CONSTITUI um sentimento.



Assim, dito isso, sempre que apresentas uma situação a ti própria em que te depares com uma opção, nos vossos termos, que é que fazes? Em certas situações, a escolha poderá ser a de não fazerem nade de concreto. Já noutras situações, a escolha poderá ser a de empreenderes alguma acção concreta. Mas a forma como hás-de avaliar isso é antes de mais olhando para ti própria e para as orientações que tens, tal como a situação que descreveste com o teu filho. Que directrizes terás? Que será que é importante para ti? Podes concordar ou discordar das escolhas que ele elege, mas relativamente às escolhas que ele faz, que é que as tuas orientações pessoais te dizem, que concordes ou que discordes relativamente ao eu ele está a fazer?



Se discordares, reconhece que discordas e a razão porquê, e assim, digamos que, no contexto do exemplo que traçaste, ele diga que não, que não quer consultar um médico no estrangeiro, isso poder-te-á assinalar-se de imediato relativamente às orientações que defendes, ao facto de não concordares com tal escolha.



Ora bem, nisso, em vez de te voltares na direcção de dizeres: “Muito bem, esta é a realidade, é a escolha dele, ele irá fazer o que fizer, e não me cabe expressar-me seja de que modo for.” Não! Vós estais interligados, estás envolvida, ou não apresentarias isso a ti própria. E lembra-te que tu investes. Lembra-te igualmente que o facto de investirem nem sempre requer que vos envolvais naquilo que não os envolva directamente, o que reconheço constitui uma afirmação de difícil compreensão. Mas em vez de to moveres para uma avaliação automática e uma ideia ou raciocínio, é uma questão de: “Ele diz que não quer, que não quer consultar nenhum médico no estrangeiro.” Tu expressas-te pelo imediato reconhecimento de um ligeiro desconforto patente nessa resposta. Bom, é uma questão de avaliares isso. Tu geraste uma comunicação a ti própria: não te sentes confortável. Porquê? Quais são as orientações que tens? Que terá sido despoletado no quadro das directrizes que tens com que isso não se ache em harmonia? Muito bem, isso não corresponde àquilo que eu faria. Se eu experimentasse esse tipo de desconforto, eu consultaria um médico, independentemente do local em que me encontrasse. Muito bem, isso representa a identificação das tuas directrizes.



Agora, igualmente em relação às orientações que tens, ao reconheceres ser isso o que farias no lugar dele, implica que essa orientação diga respeito a ti, mas não obrigatoriamente a ele. Agora, a questão está no que é que farás. Nesse âmbito, que é que representaria uma expressão no quadro das orientações que tens, que te satisfizesse sem forçares nem pressionares o outro, com consciência de que não consegues alterar as escolhas dele, mas que podes expressar uma influência? Por isso é uma questão do que te seja confortável em relação ao investimento que fazes no teu filho, com que tipo de envolvimento te sentes mais confortável, e como poderás expressar as directrizes que defendes a partir de uma atitude baseada no amor, no conhecimento e no apreço, e não da instrução, nem do controlo, nem do forçar, do pressionar, do exigir. Nenhuma dessas são expressões de conhecimento e de apreço. Por isso, a partir do ângulo do apreço e do conhecer, que escolhas poderás empreender?



Talvez optes por criar uma interacção com o teu filho e de te expressares com autenticidade dando conta de que sentes desconforto com essa ideia, de que entendes e honras as escolhas dele, mas que também seja importante que te manifestes, e que queres expressar o quanto amas essa pessoa, e que te causa desconforto e agonia, ou que ele se sinta infeliz, ou que esteja a experimentar dor. E talvez com respeito às directrizes que defendes, motivadas com base nesse conhecer e valorizar, lhe possas dar conta da tua disponibilidade para te envolveres caso ele o solicite, a tua disponibilidade para prestar ajuda ou auxílio caso ele o solicite. Com isso, estarás a reconhecer-te e às directrizes que defendes – que as escolhas que elege não são as que definirias – mas que ele é diferente. Reconheces aquilo que farias relativamente às orientações por que te reges. Também reconheces que te achas investida. Também reconheces não estar necessariamente de acordo, mas o acordo não se faz necessário para ser solidário.



ANN: Tudo bem. Eu só… Creio que há duas partes com que me estava às voltas. De modo que pensei que lhe dissesse para ir a um médico e ele não fosse, eu ficasse preocupada, razão porque terei dito: “Não, é lá com ele, solta a preocupação.” De modo que o entendi. Simplesmente expressar-me a partir dessa posição, e depois poderei abrir mão da preocupação e saber que me terei expressado. Portanto, não há verdadeiramente necessidade de me sentir preocupada caso me expresse…



ELIAS: Mas ao te expressares, também é uma questão de não negares a preocupação que te invade, pois que terá sido que te terá motivado a preocupação? O que te motivou a preocupação foi o facto de expressares um investimento, um carinho, amor por esse indivíduo, e por quereres continuar a tomar parte com ele. Embora possas não pensar nisso objectivamente, a razão por que expressas tal interesse e preocupação na verdade é relativamente a ti, por subsistir uma apreensão e um receio de poderes ver-te desligada desse indivíduo por qualquer forma, e que ele deixe de estar disponível para interagir contigo. Por mais ridículo que isso possa parecer, ficarias surpreendida com a frequência com que isso é subjacente à aflição e à preocupação, por inicialmente, ou o primeiro aspecto da associação que implica, conforme expressei previamente, estar no facto de que quando se preocupam ou se sentem aflitos, estais a faze-lo por não acreditarem que o outro não tenha a capacidade ou não seja capaz de criar a sua realidade de uma forma eficaz ou suficientemente eficiente. E razão porque empregas essa associação deve-se ao facto de ele não a estar a criar de acordo com as tuas próprias orientações. Mas não pensas e nada disso, e consequentemente, se o outro indivíduo não for capaz de produzir escolhas que o mantenham e à sua saúde e ao seu bem-estar numa situação adequada, seja possível que deixe de tomar parte da tua realidade, e não possas interagir mais com ele. Isso é o que jaz subjacente à aflição e à preocupação.



ANN: Bom, Elias, eu não quero sentir-me preocupada.



ELIAS: Eu compreendo, mas isso faz parte do reconhecimento, reconhece o alor que esse indivíduo tem para ti, e que pretendes continuar a interagir e a investi nele.



Agora, nessa medida, além das outras expressões que debatemos, tu não estás unicamente a reconhecer o semelhante e a expressar-te mas estás também a expressar o querer autêntico que tens e a cumprimentar o semelhante ao reconheceres o valor que tem.



O processo é o mesmo relativamente às situações mundiais. Nesse sentido, é igualmente uma questão de avaliares quais são as directrizes que preservas, e que te sentes aflita ao assistires a esses actos que se dão pelo teu mundo fora. Não concordas com eles, e a razão por que não concordas com eles deve-se a que não estejam em conformidade com as orientações que defendes. Muito bem, que é que as tuas orientações expressam, e como te poderás expressar de uma maneira que te honre, valorize todos os participantes naquilo com que não te sentes de acordo, e que move aquela propagação ou aquela influência de uma forma que proceda do amor, do conhecer e do valorizar? Não é preciso que tenhas um conhecimento objectivo de cada indivíduo envolvido, mas que expresses um conhecimento e um apreço da situação. Lembra-te que eu referi que o amor não é uma expressão que se ache limitada aos outros. Podeis expressar amor relativamente a qualquer manifestação e situação.



ANN: Então, até mesmo a uma situação como a da Palestina e de Israel.



ELIAS: Sim; bom, nesse sentido, reconheces o que se passa, e nessa medida, o que se te apresenta como contrário às directrizes que defendes. Nisso, é uma questão de seres genuína. Será o conflito contrário às tuas orientações? Nem sempre.



ANN: Não. A matança é.



ELIAS: Pois. Mas nisso, reconheces as TUAS directrizes e a seguir, a partir desse ponto de conhecimento e de valorização, como é que expressas isso? Expressa-lo com relação à ausência de partidarismo.



ANN: Pois. Não tomo partido. Sou capaz disso. Claro, nenhum partidarismo.



ELIAS: Por se dar um conhecimento e uma valorização pela situação. Lembra-te de que o amor jamais impõe condições. JAMAIS! Por isso não tens como tomar partido. Por conseguinte, é uma questão de expressares esse conhecimento e valorização por toda…



ANN: Pelo todo. Claro.



ELIAS: …a situação, e de reconheceres as mágoas que estão a ter expressão, directrizes que estão a ser desencadeadas, e que tens uma compreensão da situação, e de estares a expressar esse conhecimento e apreço pela TOTALIDADE, o que inclui aqueles factores que enumerei anteriormente, da valorização, dignidade, merecimento. Todos eles são merecedores, e não apenas alguns; todos.



ANN: Pois.



ELIAS: Aceitação, importância — todos eles são importantes. Todos eles são valiosos.



ANN: Eu entendo. Isso eu entendo. O que me causa confusão –- e talvez seja apenas um aspecto que me causa isso ao longo de toda a questão, o conflito não mo provoca, mas creio que o que me provoca isso é uma pessoa exercer um comportamento violento em relação a outra pessoa. Mas até mesmo ambos os lados me provocam isso, como se comportasse todo o cenário do opressor e da vítima – ambos os lados. O agressor desencadeia-me isso por estar a tentar exercer a força, enquanto a vítima desencadeia-me isso por capitular, embora saiba que há situações em que nos metemos numa…



ELIAS: Eu estou a compreender, mas nisso, que terão eles em comum?



ANN: Uma perda do controlo, ou medo de controlarem o próprio mundo deles, ou de recearem definir as suas próprias escolhas, ou de serem… medo, apenas medo, ou não serem capazes de fazer aquilo que querem fazer, creio bem.



ELIAS: Sim, e por tomarem uma atitude defensiva.



ANN: Pois, ambos tomam essa atitude defensiva.


ELIAS: Sim, tens razão. Estão ambos a expressar-se a partir de uma atitude de controlo, o que cria uma expressão de defesa. Mas o controlo é o mesmo, quer seja percebido como o acto de controlar ou de perda de controlo. Estar descontrolado ou estar no controlo é tudo a mesma coisa.



ANN: Pois.



ELIAS: E nessa medida, o controlo está a ser expressado relativamente à defesa. A defesa é o ponto que apresentam em comum. A defesa é expressada quando as pessoas e as colectividades percebem exercer um poder menor. Quando não se estão a fortalecer, dão expressão à defesa. E quando dão expressão à defesa, uma expressão automática da defesa ou reacção à defesa é o controlo.



ANN: Então esta questão da expressão pessoal é de uma importância crucial, não?



ELIAS: Eu estou bastante de acordo.



ANN: Então, expressar… aí é que eu… tem que ver com a expressão de nós próprios e o abrir mão do resultado ou deixar de tentar forçar o outro de acordo com as directrizes que temos, mas dizer unicamente que expressar-me é quanto basta.


ELIAS: Sim, mas também é, conforme referi atrás, uma questão de reconhecerem que não existem nesta realidade sozinhos, e que estão todos interligados, e que se influenciam uns aos outros, e que cada um de vós incorpora as suas próprias directrizes, mas que elas só se aplicam a cada um, e não têm que ser impostas nos outros. E essa é a questão que se perde, essa questão da imposição das vossas directrizes nos outros sem reconhecerem que só se aplicam a vós próprios. Por isso, é isso que gera as guerras.



ANN: Certo.



ELIAS: Por um dos grupos de indivíduos expressar as orientações que defende e o que percebe como direitos, posses, aquilo que lhes pertence, aquilo a que têm direito, e o outro expressar o mesmo. Geralmente as guerras são travadas com relação às posses, e a disputa assenta no facto de ambas as facções expressarem que as posses lhes pertencem, quer se trate de terra, ou uma filosofia, ou uma expressão de liberdade, uma expressão de independência, de igualdade – não importa. Aquilo que está a ser alvo de disputa ou a razão por que a guerra é travada deve-se a que ambos os lados reivindiquem a mesma posse, e na verdade ambos têm razão, mas aquilo em que não têm razão é no facto de verem na posse uma fonte externa que não pode ser partilhada. Até mesmo a filosofia que defendem pode ser encarada com uma posse que representa uma fonte exterior que não pode ser partilhada; tem que ser de um modo ou do outro.



ANN: Claro.



ELIAS: Nessa medida, quanto mais consciência tiverem de vós próprios e das orientações que defendem, e de que se encontram interligados, e quanto mais implementarem isso nos actos que praticarem, nos vossos comportamentos, nas vossas expressões, e em especial na vossa energia, mais influenciarão os outros a tornar-se mais conscientes. Mas deixa que te diga que, por mais que as pessoas se consumam, na atenção que prestam, com as fontes externas, e com o que os outros indivíduos fazem, e com os conflitos que se travam no vosso mundo, e com as guerras, e com todas essas expressões, numa base diária - não semanal, nem mensal, nem anual – numa base diária a esta altura, estão a mudar com tanta rapidez que de dia para dia, cada vez mais são as pessoas que estão cheias e entediadas com a ideia dos conflitos colectivos. (NT: Absolutamente verdadeiro!)



ANN: Pois é.



ELIAS: Por isso, aqueles que ainda se endereçam no sentido do controlo estão a dar-lhe uma expressão cada vez mais sonora, muito à semelhança da criança que se põe aos berros numa tentativa de captar a atenção dos pais, após um deles ter expressado um “não”. E nessa medida, a fim de obter essa atenção e controlo, a criança calca-lhes os pés e põe-se aos gritos sem parar. Eventualmente isso terá um término, por o berreiro deixar de render uma recompensa. Mas as colectividades de adultos produzem acções muito similares nos conflitos, e quanto mais influenciados forem pela energia do descontentamento e do tédio em relação ao conflito, mais alto bradam numa tentativa de tentar controlar e de captar as atenções. Mas também isso é temporário.



ANN: Bom, é encorajador.



ELIAS: (Ri)




©2014 Mary Ennis. Todos os direitos reservados.


Sem comentários:

Enviar um comentário

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.

O MATERIAL ELIAS