sábado, 24 de agosto de 2013

“TRAUMA MOTIVADO PELA MUDANÇA”

Voltando-nos no Sentido do Desconhecido
Sessão 2689
Sábado, 13 de Dezembro de 2008 (Privada/Telefone)
Participantes: Mary (Michael) e Ben (Sumarian)
Tradução: Amadeu Duarte (Revista)

ELIAS: Boa tarde!

BEN: Boa tarde, Elias.

ELIAS: (Ri para dentro) E sobre que vamos falar?

BEN: Bom, como provavelmente deves estar inteirado, no último mês e meio passei por um período difícil e traumático, e repleto de drama. Eu queria debater alguns dos detalhes daquilo que se está a passar porque não faço a menor ideia do que envolve. Toda esta provação teve início há um mês e meio quando passei por este acontecimento que me deixou atordoado e desorientado, para além de imensamente assustado. Mudei-me para a casa dos meus pais, fui a um psiquiatra que me diagnosticou uma depressão e me medicou. E durante as última seis semanas tudo o que tenho feito é permanecer na cama, completamente vazio e com pensamentos de desistência da vida e a depreciar-me. Deixei de ir para o emprego mas não aguento continuar no meu apartamento. É quase como se tivesse encerrado todas as vias e não consigo descobrir nenhum modo de lhes dar andamento. Eu interrogava-me se não poderias clarificar a situação, em relação ao que estarei a criar no momento.

ELIAS: Muito bem. Eu tenho consciência de que nesta altura as experiências tendem a tornar-se objecto de muita confusão, desanimadoras e enervantes para a maior parte das pessoas – não para todas mas para a maioria. Esta é uma altura interessante, não só em relação à presente onda que a consciência assume, ou atravessa, como vos está igualmente a afectar o vosso mundo e a todos, e é uma altura interessante por constituir um incremento súbito e genuíno de mudança e uma transformação objectiva, coisa que se evidencia igualmente por todo o vosso mundo.

Nesse sentido, vós estais genuinamente a começar a pisar fora do aspecto do que é familiar e a passar por mudanças significativas. Aquilo que experimentas, na verdade não é depressão, mas é compreensível que a vossa ciência da psicologia o classifique nesses termos. Eu diria que presentemente os vossos psicólogos devem estar a gerar um significativo entusiasmo com a QUANTIDADE de indivíduos que classificam como “deprimidos”. Na realidade essa não é a situação. Aquilo que a situação denota é que estais a começar a transformar-vos e a mudar em direcções significativas que vos são tão pouco familiares que ainda não comportais qualquer associação que lhes possais aplicar.

Agora; tal como já tive ocasião de expressar previamente, uma associação consiste numa avaliação e num quase comentário que vós gerais em relação a uma experiência que envolve ou trás agregada uma apreciação crítica, seja ela boa ou má. Seja o que for que experimenteis, subsequentemente gerais uma associação, uma avaliação dessa experiência, e julgais a experiência em termos de boa ou má.

Bom, essas associações alojam-se ou são mantidas na memória, e o corpo físico é aquilo que aloja essa memória.

Agora; quando gerais novas experiências, o corpo físico gera automaticamente uma busca por uma experiência anterior e por uma associação que se mostre similar, e isso permite-vos assimilar rapidamente a vossa experiência e traduzi-la em termos do pensamento, o que vos possibilita uma compreensão da vossa experiência. Isso perfaz aquilo que designaríeis como a norma. Quando gerais uma experiência completamente nova a consciência do corpo procede a uma busca automática e quando não é capaz de encontrar uma recordação nem uma avaliação que se adeqúe à nova experiência, gera confusão.


Agora; quando a consciência do corpo fica confusa, ela começa a reagir de formas inesperadas, devido a não ser capaz de gerar um ponto de referência em relação àquilo que estais a experimentar. Isso confunde-vos igualmente o mecanismo do pensamento, por ele ter vindo a ser fornecido com informação precisa, ou então não ter vindo a ser provido de informação nenhuma, e para o mecanismo do pensamento isso se traduzir sob a forma de confusão. Por isso, o vosso pensamento pode tornar-se confuso ou obscurecido e pode-se-vos tornar difícil manter as ideias. Em resultado, podeis julgar a situação em termos de vos tornardes facilmente esquecidos. Ou o mecanismo do pensamento voltar-se numa determinada direcção do pensar e começar, por assim dizer, a funcionar mal e a criar pensamento repetitivo, por meio do que continuará a mover-se cada vez mais numa direcção particular, tal como passar a alimentar a ideia de pôr termo à vida. A razão por que se acha susceptível para se voltar nessa direcção deve-se a que a consciência do corpo continue a tentar descobrir uma associação e uma lembrança e não seja capaz. Por isso, a consciência do corpo comunica uma inexistência de escolhas – escolha nenhuma.

E como comunica isso, não se torna muito estranho que o mecanismo do pensar se volte na direcção de uma tradução disso que está a ser transmitido e o faça em termos da única escolha, que é - desistir, parar, desligar-se, deixar de existir. Isso é a tradução que o mecanismo do pensar produz a partir do que a consciência do corpo comunica, comunicação essa que consta de uma considerável confusão e de uma total falta de investimento e de opções. Isso afecta igualmente, ou é susceptível de afectar a motivação. E nesse sentido a razão por que a motivação é afectada deve-se a que aquilo que esteja a ocorrer seja o facto de estardes efectivamente a mudar, mas não incorporardes nenhum plano quanto àquilo que essa transformação represente, e ainda não sejais capazes de a definir, e ainda estejais a assimilar essa transformação.

Agora; nisso, a sensação de falta de motivação parece bastante penetrante e avassaladora. Nesse sentido, em termos gerais, tu, à semelhança da maioria das pessoas, voltas-te para a generalização e para um sentido de expressão de te sentires desmotivado em todas as direcções, o que não é completamente correcto. As pessoas ESTÃO continuamente a sentir-se motivadas só que em direcções bastante diferentes daquelas a que estão acostumadas. De momento, as direcções em que se sentiam previamente motivadas encerram muito pouco interesse para elas. E na verdade isso está a ocorrer a um nível global. Por essa razão a energia acha-se ainda mais robustecida e está a provocar uma maior afectação. Por isso, cada um de vós está a experimentar uma mudança efectiva no sentido de vos dirigirdes a vós próprios (autónomos).

Agora; faz uma quantidade de tempo, nos vossos termos, que vimos a falar de vos dirigirdes a vós próprios, o que essencialmente constituiu um preparo para o que estais agora a experimentar. As pessoas pensavam estar a ser autónomas no sentido de se dirigirem a si mesmas e pensavam estar a compreender o conceito de da autonomia que envolve, mas na realidade existem e têm –se patenteado muitos factores que vos influenciam e que realmente vos impedem de vos dirigirdes a vós próprios. Dirigir-se a si mesmo significa avançar na direcção que desejais e que vos interessa, em relação ao que sentis uma curiosidade e uma afinidade sem a menor influência por parte das fontes externas.

Agora; isso, para a maioria das pessoas do vosso planeta é muito pouco familiar, pois quer o reconheçais quer não, vós incorporais muitíssimas influências externas que vos governam o comportamento e aquilo que fazeis e não fazeis, aquilo que deveis fazer, o que não deveis fazer, o que é adequado e o que não é adequado. Essas influências procedem do modo como fostes instruídos por parte dos outros, na escola, nas vossas sociedades, no que é esperado que façais e do que esperais de vós próprios pelo que percebeis ser os actos normais, tais como dever ir à escola, definir uma carreira, obter um emprego, ou as próprias capacidades. Nesse sentido, durante um certo tempo, muitos criaram até a percepção - bastante real por sinal - de gostarem do sentido a que votaram as suas vidas e de gostarem dos empregos que tinham, assim como das capacidades e talentos que tinham.

Mas nesta altura aquilo que está a ocorrer é uma mudança significativa, mudança essa que se está a deslocar daquilo que vos foi INCUTIDO como dever de sentir apreço ou de gostar, ou deixar de gostar, ou de sentir interesse ou de deixar de sentir interesse rumo a uma expressão genuína de descoberta pessoal, daquilo em que VÒS estais genuinamente interessados e genuinamente gostais ou deixais de gostar e para aquelas habilidades ou criatividade que VÓS expressais de facto com naturalidade. Em grande medida, a maioria não sabe aquilo que objectivamente deseja nem aquilo de que gosta ou deixa de gostar, aquilo em que assenta ou deixa de assentar o seu verdadeiro interesse, aquilo que verdadeiramente apreciam.

Mesmo quando conseguis alcançar um ponto de identificação em relação a alguns dos elementos e expressões do que quereis e do que aprecias e daquilo por que vos interessais, achais-vos todos de tal modo inundados de informação sobre como obter resultados em qualquer sentido particular que automaticamente passais a pensar de um modo particular. Tal como, podeis realmente identificar uma ideia ou uma acção em que vos sintais genuinamente interessados e gostais de fazer, mas haveis automaticamente de dizer para convosco, “Mas é impossível que isso produza um rendimento efectivo.” Uma pessoa pode dizer, “Sou capaz de identificar no meu íntimo uma paixão genuína pela leitura. Sinto-me genuinamente interessado e gosto de verdade de ler, e se conseguisse tornar-me independente e gerar aquilo de que gosto a cada instante, escolheria ler.”

Agora; a partir daí, o indivíduo não faz a menor ideia de como poderá possivelmente passar a adoptar tal acção de modo a ser capaz de se sustentar a si mesmo, tanto física como financeiramente. E a questão reside aí. Tens conhecimento de que eu já ofereci informação nessa direcção durante um certo período de tempo, mas agora aquilo que está a acontecer é que as pessoas estão a começar a reconhecer que estão a atrapalhar-se ou a sentir-se perdidas, por não saberem de facto como se tornarem independentes. Mas vós forçastes-vos todos no sentido de quase vos pressionardes a agir nessa direcção. E isso faz parte da mudança.

És capaz de reconhecer o quanto estão a ocorrer mudanças significativas presentemente no teu mundo, mudanças essas que exigem que lhes deis atenção – o vosso próprio planeta, as vossas economias – e tudo isso não se acha limitado a certas nações em particular. Essas são situações que estão a ter lugar a um nível global. Tal como referi desde o começo deste fórum, esta Mudança envolve o vosso mundo todo, e vós estais agora a começar a evidenciar isso de forma genuína a vós próprios. Existem determinados fundamentos no vosso mundo que superastes e que se revelam ineficazes e ineficientes e que exigem uma mudança. A intensidade com que percebeis a ocorrência e as actividades globais e a necessidade de mudanças em determinadas estruturas colectivas estabelecidas está a ser expressada ao nível individual. Não podeis ter uma colectividade sem indivíduos; por isso, o movimento tem início nos indivíduos. Vós percebeis estar deprimidos ou restringidos ou...

BEN: Sentimo-nos vazios.

ELIAS: Pois. Mas vê a forma como isso está a reflectir-se globalmente por todo o vosso mundo. Que vos traduz a situação das vossas economias? Depressão e vazio. Que é que vos reflecte o planeta? Depressão e vazio. Qual será a expressão assumida individualmente? De turbulência – do mesmo modo que a economia e o planeta, que reflectem turbulência. A razão está no que ESTAIS efectivamente a experimentar mas cujo teor ainda não definistes. Vós estais a experimentar a MUDANÇA. Aquilo que tinha cabimento em termos de importância deixa de ser importante; o que costumava ser valorizado deixa de o continuar a ser; aquilo que constava como norma não mais serve de norma.

Já referi imensas vezes durante o tempo que despendi junto de vós, que esta Mudança constitui um Evento-raiz (proveniente da fonte) e que a energia desta Mudança não pode ser completamente expressada na vossa realidade física. E com o volume dessa energia e dessa mudança, não podeis contar criar o significado destas mudanças sem algum elemento traumático, e eu já referi desde o começo que esta mudança não será fácil. Actualmente estais a começar a reconhecer isso. Porque aquilo que estais a experimentar não é a vossa extinção, e, apesar de ser consideravelmente desconfortável, é, de certa forma, um nascer de novo completamente diferente, devido a que estejais a reconfigurar as percepções que tendes, e ao faze-lo, estejais a reconfigurar a vossa realidade. Vós estais genuinamente a reconfigurar-vos, bem como aos termos que empregais e ao vosso mundo.

O trabalho é um desses termos que estais a redefinir, e nesse processo de redefinição a atracção ou o interesse que sentis por ele está a tornar-se quase nulo, devido a que a estrutura em que foi concebido não encoraje a auto-orientação, e isso é aquilo rumo ao que estais fundamentalmente a avançar.

Agora; reconheço as preocupações que todos comportais nesta mudança, porque por esta altura ainda se torna incompreensível para cada um de vós o modo como haveis de existir de um modo realista e prático sem o fundamento do dinheiro. Nesta presente altura do vosso tempo ainda não estais completamente preparados para abolir por completo a estrutura do dinheiro; porém, já começastes a desmantelá-la.

Por isso, tal como referi na interacção de grupo mais recente que tivemos, a escolha mais significativa para cada um presentemente consiste em avançardes COM a onda ou de avançardes contra ela. Se avançardes juntamente com ela, sereis capazes de a dominar com muito pouco esforço, com o reconhecimento de não poderdes ter nenhuma certeza quanto ao destino que ela tomar, mas permitindo que ele se vá revelando. Ou então, tal como no caso de uma onda específica, podeis combatê-la e nadar contra ela procurando tentar atingir a posição onde permanecíeis antes – mas haveis de ser vencidos por ela e de não alcançar essa posição anterior com uma maior certeza do que se vos deixardes levar por ela. Combatê-la prolongará somente a confusão e angústia que sentis. Coisa que também compreendo inteiramente, por nesta altura esse poder ser igualmente o vosso maior desafio, o de escolherdes e implementardes o acto de avançardes junto com a onda e o de vos permitirdes existir, ao invés de vos forçardes em sentidos que a consciência do vosso corpo actual rejeita e contra os quais luta.

Por isso, trata-se de uma questão de batalhar convosco próprios e a opor-vos a vós próprios ou de tolerarem. Reconheço que a tolerância seja difícil, por essa tolerância englobar tantas associações, associações essas que a consciência do vosso corpo é capaz de identificar, e por acabar por descobrir de modo a depreciar-vos e a avançar contra o que é do domínio do desconhecido. Deixa que te diga, meu amigo, um elemento que permanece desconhecido de todos, uma experiência que é para todos vós desconhecida, é a da morte.

Agora; para a maioria, a morte dá-se numa altura um tanto espontânea. Mesmo aqueles que criam uma doença que eventualmente os fará encaminhar-se nesse sentido, a altura da morte é de algum modo espontânea e o indivíduo não a planeia de modo objectivo. Existem algumas pessoas que planeiam de forma objectiva o seu desenlace e se voltam no sentido de a implementarem objectivamente, por meio daquilo que designais como suicídio.

Agora; aqueles que se voltam na direcção de planearem de forma intencional e de implementarem a execução do seu próprio desenlace, passam por uma dificuldade espantosa e levam um período de tempo significativo. Uma pessoa que refira querer genuinamente morrer pode chegar eventualmente a cometer esse acto, mas nesse processo, isso levará uma quantidade de tempo significativa. Isso não ocorre de forma espontânea. Em termos gerais, o indivíduo há-de manifestar várias tentativas antes de executar efectivamente esse acto, mas nesse processo e todo o tempo despendido, esse indivíduo há-de dar lugar a um conflito considerável no seu íntimo, além de passar por uma considerável falta de à-vontade e aflição.

Agora; a razão por que isso ocorre prende-se com o facto de a consciência do vosso corpo não constituir uma entidade separada de mas fazer parte de vós, e uma parte que se presta a uma função altamente específica, para além das funções físicas que desempenha. As suas funções específicas consistem em armazenar recordações e a de preservar a existência na realidade física. Como esses constituem os dois cargos que se acham ao cuidado da consciência do corpo, ou as duas responsabilidades principais que assume, ela desempenha-as de modo bastante aprimorado e com vigor. Por esses serem os seus dois principais objectivos a manter.

Quando apresentais uma experiência desconhecida à consciência do vosso corpo, ela esforça-se por preservar aquilo que é conhecido como tendo existência. A morte cria uma ameaça, por ser uma experiência do domínio do desconhecido. Não importa quanta informação possais oferecer a vós próprios em relação à questão da morte, porque a experiência da morte em si mesma permanece desconhecida. Por isso, a consciência do corpo deverá tornar-se numa influência ao firmar-se na existência e ao se agarrar ao que é conhecido. De forma similar, tu estás a mover-te rumo a uma experiência do domínio do desconhecido. Não incorporas nenhuma experiência prévia de te orientares a ti mesmo por completo. Mesmo enquanto criança, tu não eras completamente autónomo, devido a dependeres de influências externas para determinadas interacções e para uma certa manutenção da existência.

Com isso, estás a criar uma experiência nova, e essa experiência nova não incorpora nenhum quadro de referências, e a consciência do corpo procura automaticamente voltar atrás para aquilo que é familiar. Por isso, continua à procura de associações que te instiguem a voltar ao que te é familiar. Mas como não existis em separado da consciência do vosso corpo e ela é um elemento que faz parte de vós, moveis-vos em oposição a ela. Não podeis forçar-vos mais a empreender aquilo que é familiar, e nisso, experimentais permanecer como que num limbo, por não poderdes regressar ao familiar, mas não tendes conhecimento daquilo para que vos estais a mover no âmbito do desconhecido.

BEN: Por vezes até parece que nem sequer me movo. E isso é o que ainda causa maior dificuldade. Estou sentado à espera.

ELIAS: Pois, mas não estás. Na verdade não é uma questão de sentar e de esperar. Tu já te encontras a avançar, só que ainda não o definiste. Tu JÁ estás a empreender a mudança, mas ainda não a assimilaste. Ainda não formaste uma associação em relação a ela. Tu já estás a empreender movimento, acção e mudança, e estás a provar isso a ti próprio com bastante vigor. Referes para ti próprio não SERES CAPAZ de empreender o teu trabalho. Tentas mas acabas por desistir. E isso é evidência da mudança. Não consegues voltar para a tua residência; não consegues permanecer nesse ambiente familiar. Isso é outra evidência da mudança. A dificuldade ou o conflito reside no facto de não saberes aquilo em que estás a tornar-te.

BEN: Exacto.

ELIAS: Mas tu ESTÁS a mudar, e a questão reside nisso. Não existe nenhum mapa nem plano. É uma questão de te aplicares de forma genuína e de pores em prática tudo aquilo que vos tenho dito. É uma questão de confiares de forma genuína e de permitires de forma genuína que esse processo se desdobre, sem forçar, sem pressionar – mas de reconheceres com autenticidade estar a participar num processo que é novo e desconhecido, mas que PODES confiar em ti em que ele se desdobrará e de que HÁS-DE começar a definir aquilo que estás a fazer, e de que te hás-de inspirar, e hás-de gerar compreensão. Mas é necessário permitir que o novo, o desconhecido, se desdobre.

Não podes estruturar aquilo que não conheces. Não podes planear um rumo que te permanece desconhecido e que não és capaz de perceber. Por isso é uma questão de confiares genuinamente e de permitires que o teu processo individual se revele, que ele há-de revelar-se. É apenas uma questão de tempo, genuinamente. Quanto mais deixares de te opor a ti próprio e deixares de te debater contigo próprio, menos tempo haverás de despender na descoberta do teu próprio desabrochar.

BEN: Penso que passei o último mês a lutar demasiado, de modo quase automático, por não saber o que mais fazer.

ELIAS: Pois, mas eu diria que isso não é inabitual mas se está mesmo a tornar bastante comum. Por ser aí que reside a questão: tu não sabes o que fazer e continuas a expressar um IMENSO número de associações em relação ao que estás a fazer. Por isso, torna-se demasiado fácil mover-te na direcção de te opores a ti próprio e de te depreciares e de batalhares contigo próprio, por não incorporares uma imagem nítida daquilo que estás a fazer. Por isso, tu PENSAS não estar a fazer nada, mas na verdade, estás a gerar acções, e ESTÁS a gerar movimento e ESTÁS a mudar.

BEN: Nesse caso, a que se assemelhará esse acto de permissão? O meu dia é passado de forma bastante vazia. Essa permissão significará deixar de lutar com esse vazio, e no caso de não me sentir motivado para fazer o que quer que seja - não o fazer? Chega a tornar-se bastante bizarro. O tempo parou literalmente. Os dias prosseguem com bastante lentidão enquanto me sinto como que sentado à espera de um milagre. A que se assemelhará a permissão? Apenas em continuar a andar por aí com confiança em que eventualmente as coisas se revelarão?

ELIAS: Sim, e em permitires-te fazer qualquer acto que sintas vontade de fazer, seja em que altura for. Uma vez mais, eu compreendo a existência de uma forte associação criada ao redor desse acto, e de que jamais devereis fazer isso por ser altamente irresponsável, além de constituir o epítome da indolência, mas na realidade, isso é um elemento dessa permissão (NT: O termo permissão, usado pelo Elias, constitui a essência da paciência). Se, em qualquer altura desejares tomar uma chávena de chá, toma uma chávena de chá. Se quiseres cozer uma panela de sopa, coze uma panela de sopa. Se tiveres vontade de ler uma revista, lê uma revista. Se quiseres ver televisão, vê televisão. Se tiveres vontade de dormir uma sesta, faz isso.

Estou ciente de que parece que não estejas a fazer coisa nenhuma com qualquer dessas acções, mas na realidade estás a empreender uma acção significativa. Estás a implementar permissão e estás a praticar essa permissão. Na realidade estás efectivamente a praticar a atenção por ti e a deixares de te sobrecarregar. ESSE é o factor com que não vos achais de todo familiarizados, devido a que estejais acostumados quer a instruir-vos a vós próprios em relação ao que deveis fazer – o que está baseado nas influências externas – quer por estardes acostumados a ser instruídos directamente pelas influências externas quanto ao que deveis fazer. Isso constitui o acto efectivo da implementação de te permitires fazer aquilo que te impeles a fazer sem a acção de mais nenhuma influência.

BEN: Elias, eu noto que tudo isto que durante a última semana tenho vindo a fazer, tal como a consultar psicólogos, psiquiatras, membros da minha família e amigos, toda a informação que recebo deles, parece ser a de que lhes estou a resistir. Mas parece-me que essa não é a direcção - a de começar a pesquisar o meu passado a fim de alterar as coisas do presente. Dou por mim a opor resistência a todos esses movimentos, mas em seguida reprovo-me por dever fazer alguma coisa para sair desta condição.

ELIAS: Mas isso é um outro factor, meu amigo, o de genuinamente ESCUTARES a tua intuição, o de praticares uma atenção autêntica em relação ao teu conhecimento, o de te escutares a ti próprio sem te voltares no sentido de te questionares e de expressares, “Na realidade eu sinto isto e na realidade incorporo esta intuição em relação a mim próprio, mas todos eles se expressam de modo diferente. Por isso talvez eu esteja errado, e talvez seja necessário questionar-me, porque os outros indivíduos parecem bastante consistentes na posição que assumem, além de se revelarem suficientemente convincentes no que referem. Por conseguinte, talvez eu esteja errado.” Não. Esse é um elemento que faz parte desta mudança. Esse é um elemento desta mudança por constituir um acto de orientação de si mesmo. Não quer dizer...

BEN: Elias, será que por vezes eu escuto a minha voz (da intuição, subentenda-se)? Porque muitas vezes eu não chego a escutar essa voz. Terão essas mudanças que implementei, como por exemplo, voltar para casa dos meus pais e abandonar o meu trabalho, abandonar o meu estirador, poderá isso representar um exemplo de dar ouvidos a mim próprio?

ELIAS: Isso é um exemplo de estares a ser instigado e de te permitires seguir esse incitamento que te é dirigido. Por isso, sim, de certa forma, isso É dar ouvidos a ti próprio. Não é necessariamente a tua intuição aquilo que estás a dar ouvidos, mas sim responder a impulsos. É responder aos teus próprios incitamentos e aos impulsos que sentes, sem passar por cima deles nem os combateres. Subsequentemente passas a batalhar contigo próprio, por teres seguido os teus impulsos – mas na realidade estás a lutar com as associações que estabeleces. Mas aquilo que deves reconhecer é o facto de teres seguido esse incitamento; seguiste os impulsos que sentiste. A despeito de no momento eles te poderem parecer ilógicos, eles são...

BEN: É-me um tanto difícil residir na casa dos meus pais. Parece que me sinto suficientemente confuso tal como me encontro para ainda ter que aceitar um monte de sugestões. Eu tenho vindo a pensar que efectivamente não consigo encontrar um local onde me sinta em paz comigo próprio. Mas neste momento, continuo a residir lá.

ELIAS: Talvez possas permitir-te incorporar a casa deles como tua residência enquanto te permites deslocar por largos períodos de tempo, ao longo do dia, talvez permitindo-te visitar locais que te sejam agradáveis e tranquilizantes, tal como a praia ou outro local que te seja agradável e te traga calma e onde não te seja necessário abordar outras pessoas, se o preferires – o que poderás se o escolheres – mas depende do que escolheres, por não se fazer necessário que abordes ninguém. Na realidade podes mudar por entre uma imensidão de diferentes ambientes sem teres que abordar as pessoas, permitindo-te o conforto de um local aprazível em que consigas expressar tranquilidade sem experimentares pressões externas.

BEN: Oh, em parte isso soa a um verdadeiro desafio. Eu tenho andado a mudar-me duma instalação para a outra, da residência do meu irmão para a dos meus pais e para a minha, pelo que isso estabelece um género de círculo vicioso.

Será que a medicação que tenho tomado está de algum modo a prejudicar-me ou a agravar a consciência do meu corpo físico?

ELIAS: Não. Não, não está.

BEN: Aquilo que estou a entender é que eu me estou a mover e que preciso aprender a relaxar e apenas deixar que a coisa se revele por si só, mesmo apesar de parecer bastante estranho, por sentir um tal vazio e por vezes parecer demasiado assustador.

ELIAS: Estou a compreender. Isso é bastante compreensível, por te estares a deslocar no sentido do desconhecido. Por isso parecer-te-á bastante vazio, devido a que aquilo que seja do domínio do conhecido seja bastante familiar e pleno, mas o desconhecido também deverá tornar-se pleno. Apenas ainda não foi definido. Por isso, poderá parecer-te como muito vazio mas isso deverá ser temporário.

BEN: Temporário é algo que se possa prolongar por um período de meses ou mais?

ELIAS: Isso depende de ti. Pode começar a dissipar-se com rapidez se não te debateres, porque tu já incorporaste um período em que isso ocorreu, e continuas a mover-te rumo a isso, a despeito de o definires ou não. Por isso, estás a alcançar, a despeito do facto de pensares não estar...

BEN: Isso é reconfortante.

ELIAS: E com isso, agora que já incorporas uma maior informação, pode tornar-se de certo modo mais fácil para ti deixares de lutar contigo próprio, e isso deverá apressar esse movimento.

Eu dir-te-ia que a maioria já adoptou a experiência desse movimento aproximadamente durante um a três dos vossos meses, e que com isso, em grande parte, a maioria de vós já terá criado uma porção significativa de um movimento desses. Por isso, poderás em breve começar a perceber o surgimento do novo rumo. Encoraja-te meu amigo, e não te deixes desanimar.

BEN: É uma passagem assustadora. Eu passei um período de um mês e meio apavorante.

ELIAS: Eu compreendo. Mas do mesmo modo que um animal de toca é capaz de cavar fundo até formar um túnel tremendamente escuro, eventualmente ele acabará por emergir por um outro local para empreender novas aventuras.

BEN: Eu tinha uma pergunta muito curta para um amigo. Ele queria confirmar a orientação da namorada que teve há muito tempo atrás, e pergunta se ela será comum.

ELIAS: É.

BEN: Ela é comum… Bom, o nosso tempo terminou.

ELIAS: Muito bem. Fico a antecipar o nosso próximo encontro, e ofereço-te a minha presença e o meu encorajamento contínuo, meu amigo.

BEN: Agradeço-to, porque eu quase que não conseguia dar contigo, e estava a ficar preocupado.

ELIAS: Eu estou sempre presente. Disso podes tu estar seguro.

BEN: Obrigado, Elias.

ELIAS: Não tens de quê, meu amigo. Para ti, com um afecto profundo e um enorme carinho, au revoir.



Notas do tradutor:

Devido à enorme actualidade e interesse que a matéria aqui consagrada revela, resolvi fazer como que duas traduções numa só, e incluir excertos duma outra sessão recentemente publicada subordinada ao mesmo tema:

(Excertos de sessão não publicada sob a forma de transcrição)

http://www.eliasweb.org/transcripts/audio.php?session_nr=2657

...

ELIAS: Vós, ao longo do vosso foco criais experiências; criais experiências a cada momento, e com muitas das experiências que criais vós crias associações. E as associações permanecem por muito tempo após as experiências terem sido expressadas. Agora; um factor significativo no que está a decorrer é um outro elemento da comunicação; esta onda está a dirigir-se a todas as formas de comunicação. Estou ciente de o ter referido muitas vezes recentemente, mas estou igualmente ciente de que a maioria de vós ainda não compreendeu bem o escopo e o significado disso.

Tudo aquilo que fazeis incorpora uma comunicação. Tudo o que acontece ao vosso redor inclui comunicações – existem comunicações íntimas, comunicações externas, a vossa Terra comunica convosco, o vosso tempo comunica, vós comunicais entre vós, comunicais convosco próprios (NT: comungais entre vós), todas as manifestações de vida existentes na vossa realidade criam algum tipo de comunicação e todas são diferentes.

O vosso mecanismo do pensar, tal como estais cientes disso, constitui um mecanismo de tradução. Agora; ele só consegue traduzir informação que lhe seja oferecida e que consiga entender. A consciência do vosso corpo executa uma função bastante exacta e complexa – a da memória. Vós pensais que a vossa memória seja gerada na mente, mas não é. A memória é alojada e armazenada na consciência do vosso corpo (NT: ou subconsciente). A consciência do vosso corpo retém todas as recordações e todas as experiências que alguma vez haveis criado, inerentes a cada momento da vossa existência nesta realidade...

Quando criais experiências novas mas de forma um tanto familiar a consciência do vosso corpo pesquisa memórias a fim de criar uma referência que em seguida passa a ser processada por intermédio do mecanismo do pensar e traduzida numa linguagem que possais compreender e que vos possibilite compreender aquilo que estiverdes a fazer. Quando começais a gerar experiências que não vos são familiares ou que vos sejam desconhecidas, a consciência do vosso corpo move de novo essa pesquisa e quando não consegue encontrar uma recordação, o mecanismo do vosso pensar fica confuso por também andar à procura de uma explicação lógica e razoável, ou racional. Quando essa informação não é proporcionada, ela não consegue traduzir adequadamente. Em resultado disso, podeis sentir-vos confusos e accionar o vosso mecanismo do pensamento de um modo familiar, accionando um pensamento repetido, a tentar apreender algum tipo de lógica ou de raciocínio ou algum tipo de explicação razoável mas numa situação dessas o processo do pensar não funciona de modo adequado. Por isso não consegue encontrar uma equivalência para a vossa experiência por estar a tentar traduzir informação que ainda não se acha disponível...

Em primeiro lugar permiti que vos dê parte daquilo que estais a fazer, e isso traduz o elemento que indica o modo como estais a “conduzir o vosso veículo”. Estais a “conduzi-lo” mas a razão por que não estais a conseguir alcançar o destino ou por que estais a perder tempo deve-se a que estejais a forçar o acelerador sem terdes qualquer mudança engrenada. Aquilo que estais a fazer é a forçar uma energia de oposição contra vós próprios. Estais a observar o modo como empreendeis as acções mas as associações – que estais a criar – são: “Eu não devia estar a fazer isto; devia estar a fazer aquilo; tenho que fazer aquilo; preciso fazer isto. Mas não o estou a fazer.” E subsequentemente, resta-vos: “Que estarei eu a fazer? E em resultado ficais confusos e passais a exercer uma força ainda maior.

Aquilo que ocorre é que estais a experimentar uma mudança e isso é-vos pouco familiar e desconhecido; e por isso gerais informação que ainda não terá sido processada, e quanto mais forçardes e quanto mais vos opuserdes, mais isso aumentará a confusão ou a aceleração que fazeis, com a caixa de velocidades em posição neutra. E mais intenso isso se torna! E mais o vosso motor acelera sem que vos movais do sítio.

Pergunta: Nesse caso, que havemos de fazer?

ELIAS: Relaxar, e tolerar aquilo que estiver a ocorrer. A título de um exemplo hipotético, digamos que percebeis aquilo que seja suposto estardes a fazer com determinado acto – um exemplo fácil será o do emprego; é esperado que vão para o emprego e nesse sentido se levantem todas as manhãs e iniciem o vosso ritual de preparo para começarem a trabalhar, mas a certa altura vós parais – e deixais de ir ao trabalho e em vez disso fazeis outra coisa qualquer, e aí interrogais-vos da razão porque não estais a fazer o que seria suposto estar a fazer. E procurais justificar e oferecer a vós próprios uma razão mas não encontrais propriamente razão nenhuma e por isso começais a estabelecer um juízo crítico e começais a sentir-vos pouco à-vontade – achais-vos pouco familiarizados com isso e não encontrais nenhuma razão, e como tal, devíeis estar a fazer aquilo que seria suposto estar a fazer.

Faz tempo que tenho vindo a referir a importância de estarem presentes no momento. Agora, isso torna-se excepcionalmente importante…

Agora é chegada a altura; esta onda é muito intensa e está-vos a deslocar para uma experiência efectiva desta mudança. Eu dir-vos-ia que na existência física dessa vossa realidade, não existe outro factor mais importante ou mais insaciável do que o da comunicação. Ele é um dos elementos básicos da vossa realidade, um dos padrões principais da vossa realidade. É por essa razão que esta onda (da emoção) – de entre todas elas – incorpora o maior potencial para o trauma – o que estais a testemunhar por todo o vosso mundo. Ocorrerão alterações significativas, e já estão a começar a ocorrer na vossa realidade, a fim de concretizar essa mudança. Já referi, faz muito tempo, por palavras vossas, que uma das alterações mais significativas da vossa realidade virá a ser a do término da existência do dinheiro por não vir a ser necessário e deixar de ter lugar na vossa realidade. Existem muitos elementos que estão a começar a deixar de ter lugar na vossa realidade…

ELIAS: Isso está a começar a ter lugar. Sim, não ocorrerá de imediato. É por essa razão que já referi imensas vezes que esta mudança não constitui um evento único; está a ter continuidade e a traduzir-se por múltiplos eventos que ocorrem em conjugação uns com os outros a fim de criar esta expansão e esta diferença, e isso não se apresentará sem dores.

Pergunta: Muito bem, só sinto curiosidade. Se estamos a debater o dinheiro, estou bastante certo de que… em lugar deste sistema ou modelo de câmbio ou de concepção, deve passar a prevalecer outra coisa qualquer que o substitua, não necessariamente a troca de certas coisas por outras mas deve existir alguma outra coisa que possibilite a troca – não necessariamente dinheiro mas alguma outra coisa, alguma outra instituição ou… seja lá o que for…

ELIAS: Não. Vós não continuareis a fundar as vossas sociedades com base no dinheiro. Ele tornar-se-á obsoleto. Isso resultará - e já começou a resultar – por que cada vez mais as pessoas se tornarão autónomas e estão a criar acções com que actualmente estão a gerar rendimento, mas estão a gerar actos que constituem contribuições que eles desejam fazer. Não que eles estejam a gerar a função ou a tarefa devido a que ela lhes proporcione dinheiro – coisa que têm que fazer – mas porque o desejem e o dinheiro sirva como bónus, e com isso vós estais a mudar numa direcção na qual haveis de empreender as funções ou as tarefas que executais, por quererdes faze-las e não porque isso vos tenha sido imposto - por o terdes escolhido. E dir-vos-ia uma vez mais – qualquer das tarefas que percebais ter que ser empreendida no vosso mundo, a fim de vos promover o funcionamento de qualquer coisa, sempre haverá alguém que a execute, a despeito do que seja. Seja o que for que imagineis como a tarefa mais repulsiva de se executar, alguém mais a executará de boa vontade, por gostar de o fazer. E por isso o dinheiro se tornará obsoleto e deixará de vos ser necessário porque todos vós haveis de fazer aquilo que quiserdes fazer e haveis de funcionar...

As pessoas continuarão a produzir aquilo que produzem...

Continuarão a cozer pão, continuarão a cozinhar, continuarão a trabalhar a terra e continuarão a produzir – todos continuarão a funcionar e a produzir e a explorar. Não se trata de nenhuma utopia, mas o dinheiro revelar-se-á desnecessário. Na realidade - com toda a verdade (dito de forma bastante pausada) – o conceito de dinheiro de que dispondes actualmente é obsoleto. Vós já começastes a mover-vos nessa direcção porque deixastes de sustentar o recurso físico que o dinheiro representa e apenas trocais papel entre vós, papel esse, que não tem mais significado algum...

Haveis de vos ocupar com as acções que gostardes de fazer...

Se realmente gostarem daquilo que fizerem isso não representará tarefa nenhuma e desejarão continuar a faze-lo. Agora; isso não quer dizer que o façam o tempo todo porque no vosso sistema actual de empregos vós não o fazeis o tempo todo…

Vós não passais o vosso tempo todo no emprego, apesar de despenderdes imenso tempo com ele, e assim – utilizando uma vez mais o exemplo do padeiro – se forem padeiros possivelmente não poderão consumir tudo aquilo que cozerem...

A vossa intenção será a de cozer pão – não para dar, nem para consumir, nem propriamente cozer por cozer, se o caso for o de fazerdes aquilo de que gostais verdadeiramente...

Vós partilhais – mas o propósito não se centra na partilha; o propósito centra-se na autonomia que tereis de fazer aquilo de que gostais de fazer pelo prazer e pela gratificação da própria realização que obtendes em meio ao que estiverdes a fazer. Além disso, a partilha constitui um subproduto disso mas não a motivação...

E todas as tarefas que percebeis como necessárias à vossa sustentação serão executadas...

E isso está agora a ter início. Bom; os vossos propósitos não estão a mudar. Vós estais a mudar, vós estais a transformar-vos, e estais a começar a experimentar os efeitos da mudança. E um dos factores da mudança reside na orientação de si mesmo – que é precisamente aquilo que temos vindo a debater. E ao vos tornardes mais autónomos não é pouco habitual que comeceis a experimentar nos seguintes moldes: “Não estou muito certo de me estar a sentir atraído pelo emprego que tenho como o fazia anteriormente; Não estou muito certo de me sentir tão interessado no que faço do mesmo modo que estava anteriormente”, devido a que, o que antes faziam fosse aquilo que vos fosse dito para fazer. Vós sois instruídos a frequentar a escola e a rumar em determinadas direcções em relação à escola, como um preparo para aquilo com que vos ocupareis como uma carreira; sois até mesmo instruídos em relação ao modo como vos haveis de divertir e de ser criativos, e com isso, como esse tem sido o sistema e a base dos vossos hábitos e vos é familiar, é isso que fazeis – vós tendes feito aquilo que vos foi inculcado e nesse processo julgais estar a gostar do que fazeis; pensais gostar disso. E talvez gosteis de algum elemento daquilo que fazeis ou ele se torne estimulante, mas talvez não tudo, e como estais a mudar e a alargar horizontes e a expandir-vos e a tornar-vos mais independentes também prestais mais atenção a vós próprios e às preferências que tendes: “Do que é que gosto? Que quererei eu fazer?” Não: “Que estarei a fazer que me tenha sido inculcado como tarefa ou obrigação?” Mas antes, “ Que será que quero fazer? Que me dará mais gozo fazer?” E esse é um território um tanto menos familiar...

Neste presente momento ainda vos é necessário adoptar o dinheiro, mas podeis gerar dinheiro por meio de qualquer acto...

Quando apresentais um assunto a vós próprios e deixais de lhe reagir e ele não se vos apresenta mais como uma fonte de aborrecimento, vós tê-lo-eis neutralizado. Agora; quando neutralizais uma crença, isso assemelha-se à aceitação – não quer dizer que crieis aceitação e que ela prossiga sempre do mesmo modo. Trata-se de um acto que fazeis ou que não fazeis a cada momento ou em cada situação. Quando neutralizais uma crença, acontece o mesmo; numa certa altura podeis estar a neutralizá-la e no momento seguinte podeis estar a deixar de a neutralizar. Quando confiais suficientemente em vós e quando expressais suficiente confiança e satisfação em vós, torna-se fácil neutralizar crenças por restar muito pouco (inaudível)...

Neste caso é uma questão de terem consciência de que as crenças não representam o vosso inimigo, podendo, desse modo, adoptá-las frequentemente em benefício próprio. É uma questão de conhecerem aquilo que as crenças que têm expressam e de não as julgarem. Ou de as admitirem. Elas podem tornar-se-vos num benefício e deixar de pesar contra vós...

Em relação ao dinheiro, sim, vós gerais vigorosas associações com o dinheiro e vigorosas crenças em relação ao dinheiro quando melhor poderiam debater ou permitir-se efectivamente implementar um acto na criatividade que vos caracteriza, sem receio nem se aborrecerem com a ideia de se voltarem numa direcção diferente em que façam aquilo que lhes apraz e permitir-se expressar desse modo em cooperação uns com os outros com a confiança de serem capazes. Nesse momento teriam neutralizado essa crença relativa ao dinheiro...

Mas essa é a velha associação que vos é inculcada (a de que precisais ir à escola)… Sim, e que outros vos dirigirão e vos dirão o que fazer. O que vos anula toda e qualquer expressão pessoal. Pois, de que credenciais precisareis para ser criativos?
...

Pergunta: Como poderemos manter o actual nível de conforto e fazer aquilo de que gostamos?

ELIAS: Uma vez mais, estais a encarar a questão em termos de contrários; disto ou daquilo (conjunção disjuntiva). Eu continuarei a manter o meu emprego ou passarei a criar um negócio novo em cooperação com os meus amigos mas tenho que manter o conforto actual de que gozo. Não é uma questão de posições antagónicas, é uma questão de transitar...


Vós estais a explorar, vós estais a mudar. Não vos achais familiarizados e em certa medida não tendes consciência ainda de todas as vossas preferências; nem dos interesses que tendes; da curiosidade e do fascínio que sentis. Ainda não estais inteiramente conscientes desses factores. Por isso experimentais, explorais, deixais-vos interessar por um assunto ou por uma acção e podeis comportar um enorme entusiasmo temporário e podeis rapidamente perder todo o interesse. Porque isso pode tornar-se num desafio para vós e para a vossa personalidade e nesse sentido vós empreendeis um período de descoberta. O que representa um outro aspecto de uma maior familiarização convosco próprios e desse modo, da orientação pessoal. Que havereis de tornar autónomo em vós se não vos conhecerdes a vós próprios?


...

Reconhecei que se trata de um processo, que isso faz parte do vosso processo de descoberta; daquilo que verdadeiramente gostais; daquilo de que não gostais; daquilo que traduz o vosso interesse; daquilo porque sentis uma curiosidade genuína. E não necessariamente daquilo em que pensais vir a estar interessados ou que pensais vir a ser benéfico, mas daquilo que genuinamente vos interessa. Aquilo que verdadeiramente vos desafia. E nesse sentido, ao empreenderdes esse processo de descoberta tornais-vos mais conscientes daquilo que estais a dirigir... E a tornar-vos presentes...

Em termos gerais, a maior parte da falta de à-vontade que sentis expressa-se na projecção. Vós projectais quer na recordação do passado ou em antecipação ou suposição quanto ao futuro. E isso é o que vos gera a maior parte do desconforto que sentis. Isto representa o significado da prática da presença no MOMENTO...

Pergunta: Como havemos de o saber? Que sinais nos servirão de indicador para essa presença?

ELIAS: Há-de ser o Experimentar Aquilo Que Sois Agora. Que serás tu neste momento?

Pergunta: Bom, eu estou aqui sentado a tentar descortinar o significado de tudo isso. O modo como poderei descobrir essa presença, esse sentimento agradável de que tudo está bem.

ELIAS: Essa é a razão por que referi que na maior parte das vezes as pessoas se acham mais presentes quando se sentem desconfortáveis. Por estarem demasiado conscientes do desconforto que sentem. Elas têm noção da sua presença física e não estão necessariamente a projectar-se no passado nem no futuro mas concentram-se no desconforto. E na maioria das vezes, falando em termos gerais, isso é o mais perto que elas chegam de se tornarem presentes e não gostam disso.

A questão que isto salienta reside em adoptar esse tipo de presença quando vos sentirdes à-vontade. Ter consciência da vossa existência quando não sentis desconforto. Eu existo. Eu estou a falar. Estou a escutar. Encontro-me aqui. Estou consciente da consciência do meu corpo. Estou consciente de tudo aquilo que sou. Tenho igualmente consciência de todo o ambiente em que me encontro...

Entendo bem que seja melhor dizê-lo que fazê-lo...

Presta uma maior atenção à consciência do teu corpo, observa quando se encontra ou não relaxado...

Permite tornar-te mais flexível sem te baseares tanto nos contrastes. Neste momento, muda da posição em que te encontras...

Coloca os pés no chão e permite-te recostar. Muitas vezes as pessoas sentem tensão e nem sequer tomam consciência disso. Posicionais-vos de modos que indicam uma tensão que nem sequer notais, e isso preserva essa tensão na consciência do vosso corpo, e haveis de assinalar tal facto a vós próprios...

Quanto mais angústia, tensão e desconforto gerardes em relação a qualquer tipo de comida, mais ela (a cadela em questão) rejeitará toda a comida, porque esse é um outro aspecto desta onda – a comunicação; prestar atenção. Os animais comunicam de forma bastante diferente e a forma principal de comunicação que adoptam é através da energia, por não adoptarem crenças e em razão disso, quando recebem energia proveniente de vós, não a recebem deste modo: “Isto é bom ou mau.” Recebem-na nos seguintes termos: “Isto é o que tu queres. Tu queres que eu não coma.” Eles não acolhem a vossa preocupação porque eles não adoptam essas crenças; Eles recebem a energia que vós projectais, e vós projectais: “Isto não é bom para ti.” Aquilo que eles acolhem por intermédio dessa energia não se assemelha a nada disso. Aquilo que entendem é: “Tu não queres que eu coma.” Porque esse é um elemento básico da existência física. Vós estais a expressar uma mensagem de conflito.

Ela (a cadela) tem consciência de ser necessário que coma a fim de sustentar a consciência do corpo dela, mas tu, na qualidade de companheira dela, estás a expressar-lhe a mensagem, em termos de energia: “Não, eu não quero que tu comas.” Por isso torna-se conflituoso. Ela tem consciência de ter que comer para poder sobreviver...

O animal não incorpora tais distinções. Nos vossos termos, aquilo que é melhor é não baralhardes as coisas. Não expresseis uma baralhação de energias. Podeis partilhar de muitíssimas formas em relação à comida. Não baralheis...

Além disso, estás a perguntar-me se o cão também deseja ou exige variedade na alimentação? Não, não exige. Ele não incorpora preferência por uma nem por outra...

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