domingo, 18 de agosto de 2013

“A ACÇÃO QUE AS SUBSTÂNCIAS EXERCEM NO ORGANISMO (3ª Parte)”


Excerto da segunda parte da sessão de 29 de Maio de 2013
Participantes: Galen/Naoko e Mary/Michael
Transcrição e tradução: Amadeu Duarte


Galen: Com respeito às substâncias, ainda me encontro um tanto na dúvida nessa área. Por exemplo, quando alguém acolhe o veneno de uma cobra do deserto e ele penetra na sua corrente sanguínea, geralmente a pessoa fica paralisada ou morre se não dispuser de um antídoto. Geram-se interacções observáveis químicas e moleculares que os cientistas conseguem medir, tais como os danos causados nas células vermelhas do sangue e efeitos quase tóxicos que também interferem com o cérebro, assim como danos moleculares e celulares em torno da mordedura, de modo que parece que essas interacções moleculares e químicas são absolutas e são provocadas pela própria substância.

O que eu queria saber é como é que essas substâncias não têm nenhum efeito inerente nos humanos, quando é tão óbvio em termos científicos que certas substâncias provocam determinadas reacções e efeitos no corpo humano?

Elias: Eu dir-te-ia, meu amigo, que na verdade, e de uma forma autêntica, é muito simples. É tudo uma questão de percepção. É uma questão de crenças das massas e de sugestão, e nisso, existem exemplos por todo o vosso mundo da inexistência de efeito.

(NT: Ocorre-me pensar num dos mais sugestivos exemplos, que porventura será também amplamente difundido para poder servir de exemplo, que é o caso do russo contemporâneo do último czar e amigo íntimo da czarina, Grigori Rasputin, em quem, alegadamente, o veneno ministrado na comida e na bebida – que ingeriu de maneira avantajada - não exerceu o efeito esperado pelo assassino, que teve que disparar directamente nele para o conseguir matar)

Porém, em grande medida, tens razão, provoca um efeito. Mas, como é que os cientistas o medem e comprovam? Avaliam-no e comprovam-no com base nos indivíduos em quem provoca uma reacção. Por isso, o indivíduo gera essa reacção, e nessa medida, sim, torna-se mensurável. Por conseguinte, conforme referi, imprimem um sentido absoluto, ao procederem à avaliação em termos absolutos, e referem que essa substância particular provoca indubitavelmente esse efeito particular, por o terem observado e mensurado e é isso que acontece. E eles medem e observam isso em muitos indivíduos, o que não é invulgar, por esse representar o poder das expressões de massas e da sugestão.

Tal como estivemos anteriormente a debater – tudo quanto é requerido é que um único indivíduo se expresse num certo sentido de uma forma incondicional, para essa sugestão passar a ser aceite. E assim que for aceite – mesmo que vós, enquanto indivíduos, jamais vos tenhais defrontado com uma cobra, ou outro indivíduo humano que te tenha expressado de uma forma objectiva que a mordedura e o veneno de uma cobra pode ter efeito e revelar-se mortal, mesmo que jamais tenhas apresentado tal informação a ti próprio, ainda conseguirás sentir o efeito desse modo, por consistir numa sugestão de massas. Consequentemente, a energia dessa sugestão de massas existe, quer tenhas conhecimento dela ou não, objectivamente…

(NT: O que aqui não é explicado a fundo é o paradoxo manifesto na questão da aparente falta de enquadramento da crença de massas, e da sugestão daí decorrente, com o factor ignorância da parte do indivíduo, que, em relação aos efeitos em geral,  só é desmontado pela consciência equidistante da mecânica de tal acção, e não por um convencimento directo e proporcional que só irá reforçar a sugestão. É, pois, por uma desconstrução consciente, e não pela vontade, porquanto aqui sortiria efeito justamente coaxial. Tal desconstrução equidistante implica uma certa capacidade de percepção de si mesmo, independente da esfera colectiva que a identidade adquire. Em relação especificamente ao efeito das substâncias isso exige um grau de percepção mais acentuado, ou de cooperação com o subconsciente. Mas, como vamos ver, mais à frente a questão vai ser suscitada de novo de modo perspicaz)

Galen: Está certo. Mas, se a pessoa que usa uma certa substância que seja venenosa, por exemplo, se na realidade ele não acreditar genuinamente que chegue a afectá-lo, estás a dizer que não apresentará efectivamente qualquer interacção molecular ou química no seu organismo?

Elias: Estou. Precisamente! E, para te dizer mais, existem indivíduos que de determinadas formas têm suficiente consciência – podem, de um modo geral, não ter uma consciência formidável deles próprios, mas há indivíduos que têm suficiente consciência da sua própria consciência do corpo, para poderem envolver-se em tais acções, das quais saem completamente imunes. E os vossos cientistas ficam perplexos!

Galen: Bom, a parte mais complicada disto é que, devido a que certos químicos apresentem uma certa composição como estrutura, parece que a estrutura interaja de forma inerente com a nossa própria consciência do corpo…

Elias: Parece, e chega a interagir! Por acreditardes que interage – e consequentemente interagir! Nisso reside a chave da questão. Eu referi repetidas vezes, que o que é chave em tudo isso, em toda a vossa realidade, em qualquer sentido que diga respeito seja a que questão for, assenta na percepção! A percepção que tendes responde pela criação da vossa realidade física. Por isso, aquilo que percebeis é real e afecta. Nessa medida, sim, percebes que certas substâncias apresentem certas propriedades ou componentes químicos que irão interagir com a composição química do vosso organismo, e consequentemente irão mesmo.

E torna-se fácil prová-lo, por acreditardes nisso. Isso não envolve uma questão de crenças, mas uma questão de acreditardes, que significa o quê – conforme expressamos tanta vez – confiança. Vós confiais nisso e por conseguinte, isso acontece.

Galen: Então, a estrutura química real seja de que substância for, não chega a interagir ou a afectar fisicamente o corpo físico, caso o indivíduo não acreditar que o faça?

Elias: Correcto. Podem interagir com ele, mas sem necessariamente apresentar um efeito. A consciência do vosso corpo físico, nos vossos termos, constitui uma criação espantosa. É excepcionalmente adaptável, é excepcionalmente passível de mutação, o que é evidenciado continuamente em relação à frequência e à quantidade de alterações que criais, em relação à doença, em relação às alergias, em relação às manifestações físicas – vós estais continuamente a provocar alterações na consciência do vosso corpo…

Galen: Só para voltarmos a esse aspecto anterior só por um instante; nesse caso, se um indivíduo como eu, efectivamente consumir uma substância dita prejudicial ou uma substância dita venenosa, mas genuinamente não acreditar que provoque qualquer efeito físico, aí não perceberia qualquer efeito e não se daria qualquer interacção ou resposta física?

Elias: Correcto.

Galen: Está bem. É tudo quanto precisava saber. Disseste-me anteriormente que o organismo sabe o que uma substância é, por ter acesso à sugestão que existe em termos de energia e responde a essa sugestão mesmo que não tivesse consciência dela, (O Elias responde: Correcto) Também me disseste que as substâncias não têm literalmente efeito nenhum aparte daquilo em que o indivíduo crê, mas como é que ambos esses aspectos se enquadram?

Elias: Enquadra-se justamente com precisão, porque se tu ingerires uma substância que já comporte uma sugestão relativa a um determinado efeito, e sobre certas propriedades, o mais provável é que tu – a menos que tenhas uma consciência considerável de ti próprio e do que estás a fazer – admitirás de forma automática essas sugestões e provocarás esse efeito. Não é que a substância em si mesma apresente essa capacidade de produzir o efeito por si só, em si mesma, porque não apresenta. Mas o factor de apresentares susceptibilidade em relação à substância, provoca o efeito.

Galen: Mas, isso é realmente substituído pelas crenças.

Elias: É substituído por aquilo em que acreditas, caso acredites de modo diferente.

Galen: Está certo. Por que razão serão as pessoas afectadas pelas substâncias que não têm consciência de ingerir ou de consumir? Tal como no caso de uma pessoa na comida de quem alguém coloca veneno, e que geralmente cai doente ou morre, mas em que não chega a ter consciência do facto de ter consumido a substância?

Elias: Aí, eu discordaria. Eu diria que isso sugere a existência de aspectos da vossa realidade que estejam ocultados de vós e eu referi desde o começo que isso está errado. Podeis não prestar atenção, mas não está ocultado de vós. Por isso, a energia sempre é conhecida. Se uma pessoa se expressar no sentido de querer envenenar outra pessoa, essa energia estará a ser projectada; podereis objectivamente não prestar atenção a ela, mas ela acha-se presente e está disponível. Eu diria, conforme já o fiz antes, que a atenção constitui o aspecto singular que mais afecta a vossa percepção. E nisso, há muito a que não prestais atenção. Portanto, objectivamente poderias dizer que para ti seja desconhecido, só que é desconhecido para ti apenas em relação ao que tu estás a prestar ou a deixar de prestar atenção.

Sim, as pessoas podem realizar uma acção dessas, mas uma vez mais, o outro aspecto disso é que, se um indivíduo for envenenado, ele próprio estará a criar esse efeito. Por isso, ele próprio terá uma razão para criar isso – quer seja para lhe dirigir a atenção num sentido qualquer, ou por o ter escolhido como método de realizar num certo sentido; por exemplo, relativamente a ter atenção ou mesmo na morte – ninguém vos conseguirá matar a menos que escolhais desprender-vos (do físico).

Galen: Mas, como é exactamente que criam esse efeito dessa substância venenosa se não tiverem noção de estarem a entrar em contacto com ela?

Elias: Elas recorrem à… (Imperceptível) Deixa que te diga, meu amigo, existem muitíssimas expressões dentro da vossa vida de acções que ocorreram na vossa experiência relativamente a outros indivíduos que diríeis não ter visto a chegar, ou em relação ao que vos podereis surpreender, ou que tenha mudado um aspecto qualquer da vossa realidade, mas vós conduzistes isso a vós; já estavam a expressar-se numa direcção, e o que fizeram foi utilizar a acção e a energia de um outro indivíduo para favorecer aquilo em que já estavam a entrar. Por isso, em relação aos venenos, digamos que não seja uma acção intencional, digamos que ingeris uma comida envenenada, e que a tomais no restaurante e que voltais a casa, e que mais tarde desenvolveis uma expressão ou manifestação de intoxicação alimentar.

Vós escolhestes ir a esse restaurante específico, escolhestes a comida específica que pedistes, e nessa medida, usastes as fontes físicas externas para promoverem aquilo por que optaste criar.

Galen: Contudo, como é que o que nós acreditamos se enquadra na criação desse veneno, de que aparentemente não temos consciência? Se uma pessoa ingerir uma substância que se creia ser venenosa mas não tenha consciência dela; como é exactamente que cria (o efeito do) veneno se não tem consciência de o estar a ingerir?

Elias: Isso depende da acção em que o indivíduo estiver a entrar, conforme expressei, sempre existe uma razão. Se uma pessoa se envenenar, já terá começado a encaminhar-se no sentido em que se endereça, pelas razões que o próprio terá.

Galen: Então, será a percepção que temos que cria isso, ou a crença ou a sugestão, ou o que será?

Elias: Tudo isso! A sugestão é expressada por a energia se achar continuamente presente. A crença que tendes relativamente à sugestão determina o facto de a aceitardes ou não, e isso influencia a percepção que tendes, que vai instaurar a realidade efectiva do facto.

(NT: Recomenda-se o estudo da acção da sugestão hipnótica submetida em estados de consciência alterados, e os efeitos contraditórios que podem apresentar, que só reforçam o postulado determinista geralmente defendido como princípio)

Galen: Isso faz sentido. Agradeço o facto de me teres respondido a isso.


Elias: Não tens de quê.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.

O MATERIAL ELIAS