quinta-feira, 13 de junho de 2013

"MANIFESTAÇÕES DA TENSÃO"



Sessão 3161
“MANIFESTAÇÕES DA TENSÃO”
"O HÁBITO E O CONSUMO DE SUBSTÂNCIAS"
Participantes: Hernan (Hernan) E Mary (Michael)
Segunda-feira, 6 de Maio de 2013 (Privada / Em Pessoa)
Transcrição e tradução: Amadeu Duarte


Elias: Bom dia.

Hernan: Bom dia, Elias.

Elias: Ah ah ah ah ah. Bom; como é que te tens vindo a sair?

Hernan: Bom, essa é uma boa pergunta por eu alcançar muitos resultados, eu sei. Eu sei...

Elias: Excelente!

Hernan: A ideia de trabalhar fornecendo apoio em consultadoria é muito aprazível para mim. Muito mesmo. Estou-me a sair bem. Estou a criar aquilo que quero, claro. Por vezes fico um pouco nervoso em relação ao futuro mas aí eu afasto essa ideia por saber o que quero fazer, e aquilo de que gosto e me agrada, de modo que é isso. Estás a ver? A Mary deu-me tudo isto para me preparar para a sessão (O Elias ri) Oh, meu deus... (O Hernan ri juntamente com o Elias)

Elias: Ah, meu caro amigo...

Hernan: Mas a consciência do meu corpo está a dizer-me uma outra coisa, e está-me a dizer que nem tudo está tão bem porque, sabes, durante o fim-de-semana tive problemas com o meu estômago... não sei, e problemas com as articulações, ao dormir. Acordo devido às dores que sinto nas minhas articulações. É isso. O problema que tenho com a indisposição... Eu não sei o que... Não sei quanta ansiedade sinto constantemente. Ou é por o táxi não chegar a tempo, ansiedade por precisar pegar... (inaudível) ansiedade por precisar tratar de uma burocracia qualquer sem saber que resultado tenha. É um perfeito absurdo!

Elias: Precisamente, um absurdo. E o que eu te diria é que se deve a expectativas, expectativas, expectativas em relação a ti próprio (Hernan responde: É isso!) n sentido de executares uma acção particular, para te colocares numa posição particular, para te expressares de uma forma particular, e tudo isso centrado ao redor do que é certo. No que está certo; porque se não chegares a horas isso não está certo; se não interagires adequadamente isso não está certo; se não participares isso não estará certo - isso traduz uma carrada de expectativas, o que representa uma tensão considerável, o que cria pressão na consciência do teu corpo.

Permite que te diga o seguinte, meu amigo, quando geras expectativas e pressão em ti próprio, a primeira área que isso vai afectar é o teu campo de energia (aura) que te circunda a consciência do teu corpo. Bom, quando geras pressão e tensão no teu campo de energia, o que ele faz é contrair-se e aproxima-se mais do teu corpo física, e ele contrai-se. Por isso, de certa forma, o teu campo de energia começa a espremer-te. E o que isso provoca é uma reacção na consciência do teu corpo, pelo que a consciência do teu corpo começa a contrair-se e a ficar tensa e comprimida. E a partir disso, toma como alvo áreas específicas que vão criar manifestações físicas.
Na tua situação, o alvo para que aponta é a séde das tuas expressões emocionais, a zona central do teu corpo, o teu plexo solar (rede de tecidos nervosos do sistema nervoso simpático que circundam a região estomacal que ramificam tecidos nervosos às áreas intestinais) o teu estômago, o teu dorso e vai afectá-los por ser a séde das tuas expressões emocionais, pelo que essa é a primeira área para que aponta.
A acrescentar a isso, toma como alvo o quê? Os teus pés, os teus tornozelos. Porquê? Por ser isso que associas a movimento – movimento, quer se trate de um carro, quer se trate de outros indivíduos ou de ti próprio – tudo isso se traduz por movimento, e por conseguinte os teus pés representam movimento; os teus ombros representam o alvo da produção. O alvo para a produção, o símbolo que utilizas em representação da tua produção são as tuas mãos e os teus braços. Esse é o símbolo que utilizas por o associares à produção.


Os teus braços e os teus pés. Os teus braços e os teus pés tornam-se menos eficientes e movem-se de uma forma mais fragmentada caso tenhas os ombros tensos e dolorosos. Isso afecta a capacidade que tens de ser produtivo.

Por isso, as três áreas que tu geralmente tomas por alvo na consciência do teu corpo são os seguintes: o ombro, o dorso, os pés. Nessa medida, é uma questão de prestares atenção; agora, lembras-te de um aspecto que foi suscitado na conversa de grupo que tivemos relativo às consequências? Antes de mais, ter em mente que as consequências são invenção vossa, independentemente do quão previsíveis pareçam ser, são sempre uma invenção vossa, só que influenciam bastante quando não prestais atenção à expressão delas, tal como o facto de o táxi vir atrasado. Tu imediatamente ficas agitado. A razão por que ficas agitado deve-se ao facto da acção do táxi estar atrasado despoleta a associação de uma consequência, por afectar alguma outra acção. Se o táxi chegar atrasado isso envolve uma consequência e isso é o que desencadeia em ti o facto de ficares agitado. Por isso, não estás a prestar atenção à consequência ou ao facto de teres inventado tal consequência. Aquilo a que estás a prestar atenção é ao facto de se ter desencadeado uma associação e de tu estares a produzir um sentimento. Consequentemente, prestas atenção ao sentimento: “Sinto-me agitado, sinto-me ansioso,” e continuas a prestar atenção ao sentimento, e isso incita-te a empregar uma acção em relação ao sentimento.

Agora; presta atenção, por isto ser importante, e se dar no caso da maioria das pessoas, que e o aspecto da reacção. Quando incorporais um sentimento, ocorrem duas acções: reages ao sentimento por estares a dedicar a tua atenção ao sentimento, e não a prestar atenção ao que ele significa, mas unicamente a prestar atenção ao sentimento: “Sinto-me ansioso, sinto-me agitado.” Agora; as verdadeiras acções que se desenrolam a título de reacção desse sentimento é, por um lado, o facto de quereres que o sentimento se detenha, sentes vontade de te afastar do sentimento; a outra acção que se dá é a consciência do corpo automaticamente querer libertar essa energia, querer expelir essa energia. Não a quer manter, pelo que, aquilo que fazes é tornar a reacção numa acção relativa ao sentimento: “Eu estou agitado, estou em ansiedade, e por isso, ponho-me aos berros. Ou torno-me mal-humorado por tornar esse sentimento numa expressão.”

Essa é a reacção ao sentimento. Ao invés de notares: “Sinto-me ansioso. Que quer isso dizer? Que significado terá esta ansiedade para mim? Por que razão estarei ei ansioso?” A primeira resposta é: “Eu sinto-me em ansiedade por o táxi estar atrasado.” Muito bem. Quais serão as consequências disso? Que terei eu inventado a título de consequência para o facto de o táxi estar atrasado - por ser a isso que estou a reagir – a essa consequência, essa antecipação percebida de uma consequência para essa acção?” Quando percebes isso, dizes para ti próprio: “Eu estou em ansiedade por o táxi chegar atrasado, e se o táxi chegar atrasado eu vou chegar automaticamente atrasado ao meu destino.”

Ao te deteres e ao identificares isso nesse instante, e ao te questionares de novo: “Qual será a consequência que isso terá? Que será que vai ocorrer, caso o táxi chegue atrasado e tu chegares atrasado ao teu destino? Que irá acontecer?

Hernan: Na maioria dos casos...

Elias: Provavelmente nada! Por isso: “Por que razão me estou a tornar agitado? Se efectivamente não existe uma consequência real caso eu chegue atrasado ao destino...” Mas vamos utilizar isso por uma situação diferente. Digamos que tu estás à espera do táxi e que esse táxi te transporta a um aeroporto. Por isso passa a estar em jogo um outro factor tempo. E como o táxi chega atrasado vais chegar atrasado ao aeroporto, e em função disso inventas a ideia de possivelmente perderes o avião. A essa altura permites-te reavaliar: “Muito bem, a que horas vai o meu avião partir efectivamente? Quanto tempo leva para me fazer conduzir ao aeroporto? De quanto tempo disporei, assim que chegar a esse aeroporto, antes que o meu avião descole?” geralmente envolve um período de tempo considerável. Tempo suficiente para fazeres o que tens que fazer. Portanto, mesmo que o táxi chegue atrasado e estejas atrasado em relação ao teu destino, o provável é que não percas o avião.

Hernan: Claro, claro.

Elias: Por isso, toda essa agitação terá sido produzida sem qualquer pensar, com uma reacção considerável, reacção essa que se reporta ao sentimento, em vez de ser àquilo que o sentimento significa, ao teor da mensagem. O sentimento representa unicamente um sinal: “Presta atenção!” Isso é o que o sentimento te está a expressar. “Presta atenção, neste exacto momento – agora! Estás a produzir uma antecipação. Estás à espera de uma consequência. Detém-te, avalia. Existirá efectivamente alguma consequência? Ou não existirá efectivamente nenhuma consequência? Muito bem, posso relaxar.” Com isso, em vez de libertares essa energia pondo-te a berrar, ou de dares pontapés na parede, ou de te tornares mal-humorado, podes libertar essa energia através da respiração, que é muito mais eficaz e consegue esse resultado com uma maior rapidez, e de uma maneira muito mais fácil. Porque, quando produzes a reacção, reforças o acto de dares atenção ao sentimento, por a reacção alinhar directamente na direcção do sentimento. Por isso ao prestares atenção ao sentimento e não à mensagem tu reforça-lo continuamente. mas se continuares a prestar atenção ao sentimento, continuarás a incitar-te a comportar-te de formas particulares reaccionárias.

Ao passo que, se deres por ti, no momento em que o sentimento tem início, e começares a questionar-te dessa forma, primeiro: “Que é que tal sentimento significa? Que percebo seja a consequência? O que importa para mim neste momento?” Agora, isso é significativo, por poderes responder a essa indagação dizendo: “O que para mim tem importância neste instante é que o táxi chegue a horas.” E com isso, dar seguimento à indagação com a questão: “Que coisa me beneficiará mais neste momento? Por não poderes responder a essa pergunta do seguinte modo: “O benefício é eu chegar a tempo ao aeroporto.” Não! Isso não se reporta ao instante, a este exacto momento! Isso envolve uma acção futura. Isso é o que tu pensas vir a beneficiar e não aquilo de que estás a beneficiar, pelo que representa uma resposta inválida.

“De que forma me beneficiará AGORA? Neste momento, por que o táxi não chegue atrasado? Não importa. Neste momento, tudo quanto possa fazer de uma forma diferente, caso o táxi não chegue atrasado, representará mais um benefício para mim do que o que estou a fazer neste instante.” Nada! As acções efectivas que estás a praticar não são essencialmente significativas. Estás de pé, à espera do táxi, ou estás arrumar a tua bagagem Em última análise isso será importante para ti? Não. Essa é a razão por que estas indagações são importantes, por te ajudarem a prevenir as reacções. E as reacções são fonte de desconforto, e distraem-te em relação ao que estás a fazer. Aquilo com que te sentes confortável, enquanto estás à espera do táxi, mesmo que o táxi esteja atrasado, não estás a fazer as malas, pelo que não estás a sobrecarregar os ombros, razão por que isso representa um benefício. Não estás a desempenhar actividade nenhuma apressada nem forçada; estás à espera. E que poderás fazer enquanto esperas? Podes ler, podes prestar atenção ao ambiente que te rodeia, podes apreciar a paisagem (O Hernan ri) podes apreciar a conversa que tenhas com a tua companheira; há tanta coisa que podes fazer, muitas outras coisas que podes fazer durante esse período de tempo para além de reagires, ou de te consumires com uma acção que em definitivo não representa benefício nenhum.



Será a reacção importante para ti? Terá importância para ti que fiques irritável? Representará algum benefício para ti sentires-te irritado? (O Hernan responde que não) Consequentemente isso nem sequer se inscreve na categoria das coisas importantes, muito menos na dos benefícios. E nessa medida, se não constitui qualquer benefício para ti, não tem importância e como tal não merece que lhe dês atenção. Não tem qualquer valor para a tua atenção. Existem tantas outras expressões que têm muito mais valor para ti, para as quais podes direccionar a tua atenção. Eu dir-te-ia, meu amigo, que a maioria dos desafios que enfrentas consta da manutenção da consciência, da atenção para com o que estás a realizar e com o que já tens, que atribuir importância a isso e não reagir... Eu dir-te-ia que passaste uma vida de concentração nos sentimentos, e há muitos indivíduos que fazem isso, indivíduos que incorporam uma considerável sensibilidade e que são muito emotivos, indivíduos que desenvolvem hábitos de prestar atenção aos sentimentos que têm, e nessa medida, numa certa extensão, esses indivíduos incitam-se a eles mesmos a prestar atenção a esses sentimentos. Só que a dificuldade está em que prestas uma excessiva aos teus sentimentos, e esqueces que não é no sentimento que reside a questão – o sentimento constitui o sinal, é o teu sistema de alerta, o teu sistema de alarme.



Eu diria que se usasses um alarme pela manhã para te acordar, o provável é que não ficasses na tua cama a dar continua atenção a esse alarme (O Hernan ri) e a dizer com os teus botões: “Eu adoro este alarme. Quero ficar o dia todo a escutar este alarme.” Mas isso é o que fazes em relação aos sentimentos, e é o que eles representam: alarmes! São alarmes atraentes, mas são alarmes, e nisso, não foram concebidos para lhes prestardes atenção continuamente. São concebidos para ser notados, e vos voltardes imediatamente para a indagação acerca do significado que tenham. “Que estarei eu a expressar a mim próprio? Que estou eu a fazer?” E não é assim tão difícil ver o que estás a fazer, em especial em relação aos sentimentos, por o sinal em si mesmo constituir um indicador de parte do que estás a fazer. Se estiveres em ansiedade ou agitado já serás capaz de identificar que estás a produzir uma acção qualquer que não é natural e que e estás a desligar de uma forma qualquer, e que estás a reagir, provavelmente, a uma fonte qualquer externa.


Por isso, não é uma questão de isso exigir uma concentração considerável nem de um profundo pensar nem de uma enorme investigação do tipo: “Que é que eu estou a expressar a mim próprio em relação a este sentimento?” (O Hernan está a rir durante toda esta passagem) Em geral é bastante evidente, e envolve a simples questão de te questionares a ti próprio: “Que é que eu estou a fazer neste instante?” E no geral, assim que perceberes aquilo que estás a fazer, tu apresentas a ti próprio a mensagem. Na realidade é muito mais simples do que fazes com que seja; muito mais fácil e é passível de ser conseguido com bastante rapidez.



Nessa medida, meu caro amigo, qual será a vantagem de tanta pressão? Qual será o objectivo de tantas expectativas, para além de o ter? Mas eu estendo-te o meu reconhecimento. As pessoas desenvolvem hábitos e depois alterar esses hábitos pode tornar-se num desafio, por se tornarem de tal forma automáticos, por serem um hábito, uma acçao automática que não exige pensamento nem planos; simplesmente vocês implementam-nos. E alterar isso pode representar um verdadeiro desafio. Mas é simplesmente um esforço inicial.



Deixa que te diga, meu amigo, que as pessoas atribuem o desenvolvimento de hábitos, por muitos modos, ao uso de substâncias; ora bem; em relação às substâncias, há o factor adicional da maioria das pessoas acreditar que as substâncias em si mesmas incorporam propriedades intrínsecas que os afectem, e que podem ser prejudiciais. Além disso acreditam que também incorporam propriedades que as obrigam a continuar a consumi-las, conforme já sabes que isso é incorrecto, todavia, isso não diminui o factor da maioria das pessoas acreditarem nisso, razão por que passa a tornar-se numa realidade – e ocorre. Contudo, mesmo nessas situações, no caso das substâncias mais difíceis, ou mais obstinadas, a que atribuís fortes qualidades, como o álcool, o tabaco, certos narcóticos, mesmo nesses casos, a ligação efectiva de natureza física com uma substância, em grande parte, a maioria das pessoas concorda e aceita que só os afecta fisicamente, caso detenhais o hábito, por uma duração aproximada de três dias. E isso diz respeito à compulsão física.



Agora, em relação ao hábito, o resto da compulsão ´constitui a acção repetida, a habitualidade do uso, a natureza automática dela; não existe uma compulsão efectiva, nem sequer nos aspectos fisiológicos, mas vós acreditais que há. Com isto, o que te estou a dizer é o reconhecimento de que qualquer hábito que desenvolveis torna-se de tal modo automático que inicialmente se torna num desafio que exige que presteis atenção, e requer esforço intencionalmente produzir uma acção diferente. Podes relacionar isso ao álcool ou ao tabaco por ser muito semelhante. Desenvolveis o hábito e isso requer que presteis atenção para não incorporardes essas mesmas acções automáticas que vos constrangem a consumir o álcool ou o tabaco. Notais sempre que esse sinal eclodir que vos incita a querer consumir essa substância. Passa-se o mesmo com qualquer outro hábito, tal como o hábito de prestardes atenção aos sentimentos ao invés da mensagem; é o mesmo. Inicialmente requer um certo esforço e exige definitivamente que presteis atenção, e produzir uma escolha intencional diferente, tal como no caso do táxi. Notai a indução, que se traduz pela agitação, e em vez de criardes o hábito de prestardes unicamente atenção ao sentimento, e desse modo reagir ao sentimento, notai o sentimento e detende-vos de uma forma intencional.


Eu compreendo que isso representa um desafio, tal como representa um desafio uma pessoa que consuma álcool ou tabaco deixar de o consumir ou inalar. É uma escolha objectiva, quer sentir o incitamento, prestar atenção a esse tabaco ou a esse álcool, todavia: “Eu estou objectivamente a escolher não o consumir, independentemente de ter consciência de o querer consumir. Eu gosto de o consumir, mas não o vou consumir, por estar a optar por o não fazer, por ser atractivo para mim; eu gosto, contudo opto por deixar de o consumir.” Em relação aos sentimentos, acontece o mesmo: “Eu gosto se o sentir, estou habituado a senti-lo, sinto-me atraído pela expressão de gostar de explodir. Quero pôr-me aos berros, quero gritar, quero bater o pé,” por isso constituir um hábito e ser atractivo, e gostardes disso; independentemente de subsequentemente expressares – mais tarde – que não gostas. Porque no momento gostas. Tal como mais tarde o indivíduo pode expressar: “Eu não aprecio o álcool. Eu não gosto do que faço. Não gosto dos efeitos.” Isso pode ser muito autêntico, mas no momento, gostam disso, e têm vontade de o pôr em prática.



No momento, isso é o que conheceis – libertar energia, empurrá-la para fora, e desse modo torna-se atractivo, mas efectivamente requer que presteis atenção e um esforço inicial para expressar um Não. "Devo ter em mente que mais tarde não irei apreciar isso. Sempre que me deixo seduzir nesse sentido, independentemente de me sentir atraído para fazer isso neste instante, acabarei por sentir arrependimento, e o arrependimento agrada-me ainda menos. E independentemente disso poder constituir um escape momentâneo, não chega a representar um verdadeiro escape para a energia, por eu continuar a manter essa energia e a expressá-la pela via do arrependimento, e vou sentir desconforto,” pelo que o desconforto prossegue, e não se detém meramente por te permitires ficar amuado, mas continua.


Nesse sentido, é genuinamente uma questão de expressares essa escolha e de dizeres para ti próprio: “Talvez chegue a experimentar. Deixa-me tentar isto a ver quais serão as diferenças.” E: “Vou reparar, e em vez de reagir a este sentimento vou voltar a minha atenção para aquilo que estou a fazer, e para o que estou a empreender (intimamente) no instante presente constitui o máximo benefício para mim. E deixar de reagir a esse sentimento. Eu senti-o, compreendo o que representa, e opto intencionalmente por deixar de lhe reagir.” Isso não significa ignorá-lo. Não é uma questão de o ignorar, pois isso meramente o perpetua; trata-se de o reconhecer, e de dizer: “Muito bem, eu sinto-me agitado; tudo bem, estou em estado de agitação. Compreendo o que a agitação subentende e opto por não lhe reagir. E opto por desviar a minha atenção para longe desse sentimento.”



E conforme tive ocasião de referir na interacção que tivemos de grupo, isso também não é difícil. Não precisas inventar coisa nenhuma a que prestar atenção. Já existem muitas coisas a que prestar atenção ao teu redor. Podes prestar atenção ao céu, podes prestar atenção ao solo, podes prestar atenção aos teus sentidos, podes escolher uma cor... Não importa a que prestas atenção, por que, por tudo quanto é exigido no sentido físico para efectivamente interromperes literalmente essa concentração são vinte segundos. Se tu conseguires desviar a tua atenção por vinte segundos, isso romperá essa concentração. E aquilo a que prestavas atenção antes, deixará de ser importante, e geralmente não sentirás compulsão alguma no sentido de voltares a isso. Vinte segundos, é tudo quanto te é exigido. Nem sequer chega a meio minuto! Ah ah ah ah. (Ambos riem)



É uma ocorrência muito súbita! Vinte segundos a voltar a atenção para a tua audição. "Que estará a minha audição a inserir-me? Que é que estou a ouvir? Quantas expressões diferentes que eu escuto consigo identificar? Quantos odores distintos consigo apurar, neste momento? Apenas durante vinte segundos!



Na realidade leva mais tempo a formulares a questão do que a fazê-lo! (O Hernan ri) Eu diria que a explicação disso leva muito mais do que vinte segundos, pelo que a efectivação da acção é muito rápida. E nisso, sempre se exige que a tua concentração se afaste, seja interrompida, que o sentimento dissipa-se. E não tem importância a intensidade que o sentimento tenha. Podias estar a ser assoberbado pela dor, que em vinte segundos esse sentimento podia ser alterado. E esse sinal interrompe-o. É simplesmente uma questão de desviares a tua atenção.



Eu dir-te-ia que uma pessoa pode sentir-se num estado de desespero e a soluçar de dor, que num instante, se provocares um ruído significativo, um enorme estrondo, um disparo de uma arma, isso de imediato desviará os sentidos da pessoa para a identificação da origem do ruído, e esses vinte segundos terão passado num ápice. E durante esses vinte segundos a pessoa não soluçará de dor nem sentirá essa tristeza. Por não estar a sentir, mas a prestar atenção numa direcção completamente diferente. Essa é a natureza dos sentimentos. Sendo, consequentemente furtados. Tu podes conseguir isso.



Hernan: Eu creio que sim.



Elias: É apenas uma questão de o fazer e de não pensar nisso.



Hernan: Sim. A ideia é deter a relação com o tabaco ou com o álcool, deter o hábito...



Elias: Não pensar nisso... Pensar e pensar e pensar, e não o pôr em prática. E o hábito prossegue. É uma questão de o fazeres, e quando o fizeres, começarás a ver...(Inaudível) que mesmo nos teus termos, uma dependência, mesmo que optes por a expressar de uma forma intensa do que um hábito, mesmo relativamente a uma dependência, a compulsão efectiva é rompida em três dias, o que representa um período de tempo relativamente curto... (O Hernan pronuncia algo incomprensível) Correcto. Nessa medida, três dias de concentração e de esforço não é muito. E assim, isso representa um período extenso, por estar relacionado com as vossas próprias crenças inerentes ao tempo que levará a deter uma compulsão, quando na realidade o podereis fazer num instante. Mesmo que concedais a vós próprios três dias, isso representa um período de tempo muito curto. Três dias para prestar atenção pode ser conseguido de modo significativamente fácil.



Agora; a partir desse ponto, durante um certo tempo, torna-se numa questão de se recordarem, tal como em relação a qualquer outro hábito, é uma questão de periodicamente vos lembrardes e de dar por vós na acção automática. Mas haveis de reparar de imediato e não será difícil pôr termo a essa acção. E eventualmente, num período de tempo relativamente curto tornar-se-á automático deixar de dar expressão a esse hábito. O hábito alterar-se-á e desenvolverás um hábito diferente.

E quando sentires uma comunicação emocional, o hábito diferente será tu automaticamente voltares a tua atenção para o que estás a fazer, em vez de reagires. Será automático e tornar-se-á num hábito expressares de imediato “O que é que estou a fazer?” e nem sequer necessitarás pensar nessas palavras. Olharás automaticamente. Repararás automaticamente. Por isso, nem sequer exigirá esses vinte segundo para o hábito ser seguido de uma maneira benéfica.



Todos vós criais muitíssimos hábitos, nem todos maus ou prejudiciais; muitos deles são benéficos em consonância com o que é confortável para vós, ou com o que tem importância para vós, com o que valorizais. Tudo quanto é fácil. Por isso, os hábitos em si mesmos não são necessariamente maus; é apenas uma questão de reconhecerdes os hábitos que desenvolvestes que não vos beneficiem. Muitos indivíduos contraem hábitos quanto à maneira de se vestirem. É automático. Desenvolvem uma certa ordem na forma como dispõem as roupas sobre o corpo e vestem a camisa em primeiro lugar e as calças em segundo lugar, ou as calças primeiro e a camisa depois, e raramente se desviam desses rituais (O Hernan ri) Ou mudam de meias primeiro e todo o resto em segundo lugar.



Hernan: Eu creio que vou optar por isso.



Elias: Eu digo-te que o consegues em absoluto.



Hernan: Eu sei, porque enquanto estavas a falar eu estava a pensar na altura em que me sentia ansioso, que o sistema iria concluir isso... (Inaudível) e eu decidi: “Ena, que é que estou a fazer? Muito bem. Que consequências terá isso? O que importa é relaxar e aproveitar esta conversa, isso é o que importa ser feito.



Elias: Excelente! Parabéns meu amigo; isso é excelente, dou-te os meus parabéns por o teres conseguido neste momento de realização. Isso é excelente e representa um exemplo maravilhoso da aplicação disso no momento. Formidável!



Hernan: Obrigado.



Elias: Ah ah ah ah. Bravo!


Hernan: Ah ah ah ah ah ah! Eu apreciei bastante. Não tenho a menor ideia do que falar.



Elias: Tu expressaste a realização disso. Conseguiste-o. E agora tens a prova disso. E para além da prova, ah ah ah ah ah ah, estavas a expressar preocupação e ansiedade em relação ao tempo e à consequência, e o que a consequência podia representar por não dispores de mais tempo e a interacção que estávamos a ter terminaria, e agora que dispões de tempo não sabes o que fazer com ele. AH AH AH AH AH AH.



Hernan: Não faz mal! Ah ah ah ah.



Elias: Precisamente! Ah ah ah ah ah ah. E isso torna-se no aspecto do ridículo que as antecipações e as suas consequências envolvem, por na realidade quando deixas de inventar essas consequências passares realmente a criar mais do que queres. Imagina lá isso! Ah ah ah ah. Magia na forja! Ah ah ah ah ah. Excelente.



Hernan: Elias, quando percebo o quanto consegui esta emoção desperta. Quando percebo o que consegui nos termos da consultoria que faço, nos termos do ambiente que crio para mim próprio. Mas porquê? Por que é que este reconhecimento se afigura tão avassalador? Será por não acreditar nisso? Por eu não...



Elias: Não! Por estares tão acostumado, no processo que empreendes, a essas expectativas em relação a ti próprio e a reter essa energia de modo tão firme que essa é também a razão por que reages aos sentimentos. Estás tão acostumado... esse é mais um hábito de estar tão tenso na tua energia, tu és de tal modo determinado e focas-te tanto no que pretendes realizar que se te permitires fluir... “Deus  me livre!” Realizarias à mesma, só que sem a... Mas nisso, isso constitui um outro forte hábito a que dás expressão e em razão do que geras essa tensão considerável enquanto estás envolvido no processo. Tu focas-te bastante mas empregas essa associação de que para te focares precisas estar muito concentrado e produzir toda essa tensão, e isso dá lugar à criação da situação de te fixares com toda a firmeza à tua energia e à concentração que geras num processo, e quando o consegues, permites-te respirar. Tu esqueces-te de respirar nos processos que empreendes, e com isso permites-te respirar e relaxas e isso liberta toda essa energia em que te firmaste.



A mensagem consta de uma validação, só que a pressão traduz essa onda de libertação de toda essa energia que tu mantiveste sob pressão.



Hernan: Está bem. Muito obrigado, Elias.



Elias: Por isso, talvez devesses praticar também a respiração. Talvez umas quinze vezes ao dia, parar por momentos e recordar-te para respirares. (Ambos riem) excelente. E entendo-te os meus parabéns, meu amigo, por estares a sair-te bem. Lembra-te disso e aceita-o. Muito bem, fico a antecipar extremamente o nosso próximo encontro. Com, um enorme carinho pela faculdade excepcional que tens, como sempre, meu querido amigo, au revoir.





©2013 Mary Ennis. Todos os Direitos Reservados.

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