sábado, 4 de maio de 2013

“SESSÃO DE TREINO PARA UM EXECUTIVO”


“ganhar a loteria”

Sessão 1166
Terça-feira, 22 de Outubro de 2002 (Privada/telefone)

Tradução: Amadeu Duarte




Participantes: Mary (Michael) e Steven (Steffano)
Elias chega às 11:38 da manhã. (Tempo de chegada: 18 segundos.)

ELIAS: Bom dia!

STEVEN: Bom dia! (Elias sorri) Sinto-me muito entusiasmado por estar a falar contigo!

ELIAS: (Ri) E de que forma vamos avançar?

STEVEN: Bom, eu pensei que em benefício de quantos leiam as transcrições, devia proceder a uma pequena introdução ao revelar um pouco sobre a forma como criei esta sessão e umas quantas subsequentes.

ELIAS: Muito bem.

STEVEN: Agrada-te a ideia de te tratar por treinador de um executivo?

ELIAS: É aceitável. (A sorrir)

STEVEN: (Ri) Bom, óptimo, por não te ter pedido permissão antes de o fazer! (Ambos riem)


Aquilo que fiz com esta sessão e planeava fazer com as sessões futuras foi pagá-las com o fundo reservado à minha educação que tenho no emprego, e considero-as como sessões de treino de executivo. O meu trabalho, pelo menos até agora, não me deu o menos problema em relação a isso, coisa com que me sinto satisfeito. Sinto ser o que tenho vindo a fazer o tempo todo. Provavelmente sou eu a justificar-me um pouco, mas caramba, eu ainda alinho por crenças (o Elias ri) de forma que sinto necessidade de me justificar!


Eu passo um tempo considerável no trabalho a ler as transcrições, a interagir com a minha lista de email, e sinto ser um tanto benéfico em relação ao que faço no trabalho, em particular enquanto líder que sou, que é a parte do meu trabalho que considero mais interessante e que realmente me incita a paixão, a parte da liderança. Sinto que o envolvimento que tenho com esta informação me permitiu desenvolver no tipo de líder que pretendo ser, mas sinto que ainda tenho muito que percorrer.


De forma que é desse modo que sou capaz de justificar o facto de estar a receber um fundo destinado à minha educação, porque para mim conversar contigo sobre coisas assemelha-se bastante ao que um treino de executivo faz com os seus clientes.

ELIAS: Estou a perceber, e estou-te a reconhecer pela permissão que estás a mover em relação à tua criatividade.

STEVEN: Obrigado. Eu próprio sinto-me muito bem em relação a isso. É uma das razões por que me senti tão entusiasmado em relação a esta sessão, assim como à criação enquadrada  numa ida à sessão de grupo de Castaic, em Janeiro. Eu defrontei-me com o enorme obstáculo de conversar coma minha mulher sobre isso esta manhã, mas a coisa correu muito melhor do que eu esperava que corresse. Sinto-me muito bem em relação ao facto.

ELIAS: Olha para ele, meu amigo!

STEVEN: (Ri) De modo que estou a reconhecer-me a mim próprio, e a agradecer o reconhecimento que me estendes também!

ELIAS: Ah ah ah! Mas tu o tens!

STEVEN: Também tenho cumprimentos da parte da Elveta, dirigidos a ti.

ELIAS: Mas podes igualmente  estender-lhe os meus.

STEVEN: Eu perguntei ao meu amigo Sandy se ele queria estender os cumprimentos que te queria dirigir mas ele não me respondeu ao email antes de começar a conversar contigo, de forma que o farei mesmo sem a permissão dele.

ELIAS: (Ri) Mas podes igualmente retribuir-lhe. Ah ah!

STEVEN: Bom, creio que isto perfaz a introdução. A forma como creio que gostaria de agora avançar é abordar certas coisas, perguntas que anotei. Planeio divertir-me com isso e ver como as coisas se vão desenvolver, por parte das preocupações por que ontem passei quando estava a anotar as minhas perguntas não parecem mesmo representar tanto um problema, hoje. (O Elias ri) Mas ainda queria falar contigo e não sentia vontade de cancelar esta sessão, de modo que acho que as perguntas me fornecem como que uma muleta que poderei utilizar a fim de dar continuidade à conversa.

ELIAS: (Ri) Muito bem!

STEVEN: Gostava de obter um comentário da tua parte em relação ao estado em que me senti ontem e em que pareço sentir-me com regularidade, como se estivesse a ser atingido por ondas.  Sinto um enorme desconforto generalizado e um monte de emoções de uma natureza específica, conforme mencionei na última sessão que tive contigo, que são fonte de desconforto, e coisas negativas como medo, frustração, tristeza e raiva. Geralmente sinto-me oprimido quando me encontro a sentir essas emoções. Procuro entender o que está a suceder, o que estou a criar quando experimento estas ondas de emoção, e parece que o meu tema recente foi o do conflito, tanto no relacionamento que tenho com a minha companheira como com alguns dos meus companheiros de trabalho.



É isso que estou agora a experimentar, e gostava de saber se terás alguma coisa a sugerir. Será unicamente uma questão de me focar em mim próprio, que é aquilo que tento fazer? Imagino que provavelmente será isso, mas se tiveres alguma sugestão a partilhar comigo, gostaria de saber qual será.

ELIAS: Deixa que te diga, meu amigo, que focar-te em ti  não é coisa que deva ser minimizada, por em última análise ser importante, assim como manter a tua atenção no agora. Estou ciente de ter referido isso repetidamente ao longo de anos de interacção junto de muitos indivíduos, mas posso igualmente dizer-te que isso pode representar uma desafio maior do que a maioria de que terás consciência, por representar uma acção com que não estais genuinamente familiarizados e se mover no sentido contrário do que conheceis na vossa existência objectiva, por assim dizer.


Agora; focar a tua atenção em ti envolve mais do que uma direcção, por consistir numa acção de voltar a tua atenção para os sinais, para o que comunicas a ti próprio, para as crenças que tens, as influências que recebes, as motivações que tens e muitas das expressões que empregas a cada passo, e em qualquer momento particular podes dar expressão a várias direcções e influências em simultâneo. Por conseguinte, podes igualmente expressar muitas ou várias comunicações a ti próprio em simultâneo. Por vezes pode representar um enorme desafio decifrar o que tais comunicações envolvam, mas numa maneira figurativa de falar, requer que lubrifiques a tua atenção de forma a permitires que se mova com liberdade de uma direcção para outra e para explorares de uma forma genuína e avaliares tudo quanto estás a expressar a ti próprio através das tuas comunicações.


Agora; o passo inicial, por assim dizer, no sentido de te permitires adoptar uma tradução das comunicações que te são estendidas consiste antes de mais em identificar de que sinais se tratará. Muitas vezes as pessoas, assim como tu próprio, podem identificar um sinal que definam como o mais agudo e mais forte, e não reconhecer necessariamente outros sinais que também estejam a ter lugar. Consequentemente generalizais até mesmo os sinais que recebeis, o qye turva a capacidade que tendes de traduzir aquilo em que consistam essas comunicações. Porque, se apresentardes a vós próprios identificações específicas do que estiverdes a criar, também criareis dificuldade quanto ao reconhecimento das especificidades relativas às comunicações ou às influências ou às motivações ou às associações e factores de desencadeamento relacionados com certas experiências.


Ora bem; tu estás a dizer que observas o facto de estares a gerar determinados sinais: medo, ansiedade, por vezes frustração, raiva, pesar. Mas há outros sinais que estão a ter lugar Esses são os mais familiares e por conseguinte os sinais mais fáceis de identificar.


Bom; como estamos a examinar este processo juntos, estende-me um exemplo do tipo de onda que referiste.

STEVEN: Vou empregar  o caso daquele que estou a usar contigo, por parecer captar-me a atenção de uma forma mais intensa. Vou utilizar o exemplo da contínua participação que tenho vindo a ter neste fórum, em particular em relação à presença que tenho nas sessões de grupo, e do conflito que crio com a minha mulher em relação a isso e o conflito que sinto em mim próprio e que estou a ter ao escolher entre manter um relacionamento continuado com ela e estar presente nessas sessões.

ELIAS: Muito bem.

STEVEN: Só para ver se consigo identificar um sinal, quando decido que vou estar presente nessa sessão de Castaic em Janeiro sinto-me triste e que isso possa  resultar no fim do relacionamento que tenho com a minha companheira. Sinto tristeza pela oportunidade perdida.

ELIAS: Muito bem. Vamos incorporar isso a título de exemplo.


Ora bem; vamos examinar o que está efectivamente a ocorrer, o que estás de facto a expressar a ti próprio, que influências estás a experimentar, o que estás a escolher e o que estás a criar, assim como aquilo que te está a influenciar as criações potenciais. Porque, lembra-te, aquilo que é criado no futuro, por assim dizer, é realmente criado agora, por moldares o teu futuro agora. Por conseguinte, torna-se bastante significativo que te permitas ter uma compreensão objectiva e um reconhecimento objectivo do que estás com efeito a fazer agora.


Bom; nesta situação, estão a decorrer várias expressões em simultâneo. Tu dizes-me que reconheces um sinal de tristeza. O que influencia esse sinal ou o que produz esse sinal é a negação que fazes das escolhas que tens quanto a te expressares sem limites e de uma forma livre e por conseguinte de produzires o que queres em mais do que uma direcção. Nessa medida, também projectas expectativas quanto a ti próprio e à tua companheira. Também há formas de juízo crítico que estão a obter expressão relativamente a ti próprio e à tua companheira.


Agora; vejamos igualmente esta situação. Antes de mais, colocar-te-ia uma pergunta: tu crias a tua realidade toda?

STEVEN: Crio.

ELIAS: Muito bem. Escolhes a tua realidade toda?

STEVEN: Escolho.

ELIAS: Muito bem. Por conseguinte, crias e eleges o resultado que obterá expressão junto da tua companheira. Ao negares a tua liberdade para criares o que queres sem limites, tu enquanto essência experimentas pesar, por não haver pesar maior que possa ser expressado na essência do que a negação da escolha. Por isso ser uma expressão natural, e constituir o assento da tua liberdade e do teu poder. E ao negares isso a ti próprio, não só te desconsideras como reprimes os teus movimentos e reflectes isso nos outros.


Consequentemente, torna-se perfeitamente inteligível que produzas conflito entre ti e a tua companheira em relação à participação que tens neste fórum, por não te estares a permitir expressar com liberdade as tuas preferências. Estás, de certo modo, a basear as tuas escolhas nos ditames do outro indivíduo.


Agora; em termos físicos, estás a permitir-te mover-te e produzir as escolhas independentemente do medo que sentes, o que é de reconhecer. Mas interiormente estás a continuar a desconsiderar-te e a limitar-te, porque conforme declaraste, vês-te numa posição em que não consegues produzir o que queres por completo; consegues produzir apenas o que queres em parte, e como tal torna-se importante que optes pelo que seja mais importante para ti. Mas isso representa um desafio assim como uma dificuldade, por não estares muito certo do que seja mais importante – se a parceria que tens ou a permissão para tomares parte neste fórum. Tu eleges o fórum sob pena de sacrificares a parceria que tens.


Isso é significativo, por na verdade conseguires produzir ambos com toda a eficiência. Não tem importância que a tua companheira opte por não tomar parte neste fórum; nem tem importância que ela escolha uma outra filosofia que não a tua. O que tem importância é que te permitas não incorporar a expressão de te sentires ameaçado pela diferença, e que te permitas a liberdade para te expressares a ti próprio sem limites, sem te preocupares com as escolhas dos outros – o que não quer dizer que não te interesses – mas sem te preocupares e assim tentares distorcer as tuas opções a fim de as acomodares às escolhas das outras pessoas.


Não é pejorativo nem errado as pessoas expressarem diferenças, ou que tenham uma percepção diferente. Posso dizer-te, meu amigo, que este constitui o maior desafio desta mudança – a aceitação de vós próprios e a aceitação da diferença – e isso apresenta-se como um desafio muito mais significativo do que a aceitação das crenças.

STEVEN: Obrigado.

ELIAS: Não tens de quê.


Agora; permite que te diga que, conforme estarás ciente, tu crias aquilo em que te concentrares. E muitas vezes aquilo em que te concentras está associado às expectativas que tens. Nem sempre, mas muitas vezes produzes aquilo que esperas, em especial em associação com as experiências que julgas causarem desconforto, conflito ou negatividade, por concentrares a tua energia em associação com essas expectativas e desse modo criares precisamente aquilo que não queres – mas crias aquilo que esperas.


Em associação à tua companheira, se te permitires expressar de uma forma autêntica, sem te preocupares com a diferença que ela expressa e sem projectares uma energia de hesitação ou de juízo crítico associada à diferença mas projectares uma aceitação das escolhas que ela promove apesar de o fazer de forma diferente de ti, poderás criar harmonia. Não é impossível, e tu dispões da capacidade de criar isso.

STEVEN: Imagino que isso se aplique da mesma forma à situação que tenho no emprego, da mesma maneira que se aplica à associação que tenho com a minha companheira.


ELIAS: Aplica, sim. Há muitas opções que poderás eleger em cada um desses cenários, meu amigo. Mas tu e a maioria das pessoas encontram-se unicamente familiarizadas com a perspectiva de cada situação por uma expressão de branco ou preto, por meio de uma expressão do tipo assim ou assado.


Se estiveres a interagir com um outro indivíduo no teu local de trabalho, por assim dizer, e talvez enuncies uma directriz a um outro indivíduo e ele te aborde ao ter cumprido com uma tarefa de uma forma que talvez não seja obrigatoriamente aceitável para ti, a resposta automática que lhe darás será num quadro assim ou assado, expressar insatisfação em relação a ele e enunciares uma outra directriz e o desapontamento que sentes em relação ao desempenho dele. Por ser encarado, irreflectidamente, como a única resposta.


Mas no desejo que manifestas no sentido de incorporares esta informação a fim de facilitares mais o que queres produzir, não apenas em relação ao relacionamento que tens com a tua companheira mas igualmente em relação ao emprego  e à carreira que tens, por assim dizer, presta atenção à forma como optas por te apresentar. E recorda, em que consiste o teu objectivo? o teu objectivo não é o de ensinares nem o de guiares os outros mas o de partilhares com os outros a tua experiência, o que por sua vez conduzirá à projecção de uma energia de exemplo, a qual não desconsidera seja quem for e que reforça a aceitação e a confiança em ti próprio.


Lembra-te da analogia do pequeno rebento. Ele não aconselha, não procura corrigir, não deprecia nem desconsidera. Apenas se apresenta pelo que é. Nas escolhas que promove dá expressão ao exemplo perfeito, e na existência que leva partilha as experiências que faz por meio do seu ser com toda e qualquer outra expressão de consciência que entre em contacto com ele. Essa é a tarefa que te cabe, por assim dizer, a de expressares responsabilidade por ti próprio e por mais ninguém, na medida do reconhecimento que conseguires de que partilhas experiências e de que te moves rumo a uma expressão de aceitação da diferença.

Por conseguinte, no caso hipotético de um outro indivíduo que desempenhe uma função que possa apresentar-se diferentemente da expectativa que tiveres, poderás reconhecer a escolha desse outro indivíduo mas poderás igualmente expressar a tua opinião, a preferência que tens e a perspectiva que colhes da tarefa e da sua execução. Ao partilhares a informação não te desconsideras nem a mais ninguém, e apresentas a oportunidade de compreender a outra forma de percepção. Apresentas uma projecção de energia que permite uma compreensão no outro quanto à percepção que tens. Estás a entender? 


STEVEN: Estou sim. Na verdade queria comentar o facto de pensar que é muito bom nesta coisa do treino de executivos. (Ambos riem) Estou ciente de já teres referido que não faz parte da intenção que tens escrever um livro, mas creio que podias escrever um! (Ambos riem)

ELIAS: Eu deixo isso a cargo do Michael! (Ambos riem)

STEVEN: Pois, isso efectivamente enquadra-se nas perguntas que queria colocar-te relativamente à minha situação, por ter experimentado exactamente aquilo de que falas. Tive preocupações que me foram transmitidas, ou observei coisas em que as pessoas desempenham uma tarefa de modo diferente, e decerto que eu usei um tipo de reacção dessas (assim ou assado). Esse “assim ou assado” traduziu-se quer pelo facto de chegar junto deles com uma certa tendência crítica quanto ao facto disso não ser uma forma aceitável de desempenhar essa tarefa na minha opinião, ou de a ignorar...

ELIAS: Exacto!

STEVEN: ...mas nenhuma dessas opções me levou a sentir bem. Optei por deixar de ignorar as coisas, o que significa uma abordagem cheia de crítica o que decerto ajudou a estabelecer um certo conflito no meu trabalho em relação a esse tipo de problemas.

ELIAS: Exacto. Existem muitas mais maneiras por que as pessoas podem desempenhar uma acção qualquer do que apenas uma. Estou ciente de que várias instituições da vossa sociedade encaram o facto de as pessoas precisarem desempenhar as acções de uma determinada forma, a qual não concede permissão à expressão criativa da maioria das pessoas. Além disso desconsidera o indivíduo ao não lhe permitir dirigir-se a ele próprio em vez de aceitarem os ditames das instituições, o que representa um movimento e expressões familiares nas vossas sociedades.


Mas vós estais todos a mudar, e não apenas tu. Por conseguinte, cada um está em mudança no seu modo único, mas todos estão a mudar. Independentemente da opção quanto à direcção a tomar, a despeito da filosofia que abracem, independentemente da informação por que alinhem, estão todos a mudar.
Por conseguinte, para produzires um à-vontade na interacção que tens com os outros, torna-se importante que denotes a mudança que tu sofres assim como a que eles sofrem e o significado que isso tem, por querer dizer a mesma coisa para os outros que quer dizer para ti. O que isso quer dizer é que voltas a tua atenção para ti próprio permites-te produzir as tuas próprias escolhas, apresentas a ti próprio maiores oportunidades para expressares a tua criatividade, passar a dirigir-te a ti próprio e não admites os ditames dos outros associados à forma como crias a tua realidade.


Agora; volta isso para o reverso da moeda, meu amigo. O que isto significa é que também não poderás ditar ordens aos outros quanto ao modo como devam criar a sua realidade. O que não quer dizer que não possas incorporar as tuas preferências e as opiniões que tenhas, nem que não possas expressar essas preferências e essas opiniões e partilhar a informação com os outros. Mas existe uma enorme diferença entre expressar as tuas preferências e opiniões e partilhar a informação com os demais e desconsiderar os outros ou expressar que estejam errados.

STEVEN: Sempre que percebo que alguém me tenta ditar as opções, tal como no exemplo que dei há bocado em relação à minha companheira, a percepção que tenho é a de que ela me diz que gostaria que eu deixasse de participar neste fórum. De facto, ela empregou estas palavras ainda esta manhã: “Sinto que obtiveste quanto podias disto.
Por que razão queres continuar a comparecer nessas sessões?”


A percepção que tenho é a de que ela está a tentar dizer-me para parar, no entanto estou a criar isso. Ela está a projectar energia, e depois, por intermédio do mecanismo da minha percepção eu crio a pessoa concreta que ela representa, as palavras que ela emprega, assim como o entendimento que obtenho dessas palavras. De modo que na verdade estou a dizer a mim próprio para parar a participação que tenho, não estou?

ELIAS: Não necessariamente.


Agora; isso uma vez mais, traduz o significado do acto genuíno de examinar o que está a ocorrer e o que estás a produzir, sem te limitares ao branco e preto. É muito facilmente expressado pelas pessoas, o que acabaste de referir.  Se o indivíduo me estiver a dizer: “Já obtiveste tudo quanto podias receber da participação nesse fórum ou nessas sessões. Por que continuar?” isso não representa necessariamente tanto um absoluto quanto percebes que seja. Reconhece que, ao darmos início a esta conversa, que tu produzes muitas expressões em ti próprio e que te colocas desafios, por estares a negar as tuas escolhas e estares à procura da aprovação do outro a fim de justificares as tuas escolhas.

Agora; tens razão na avaliação que fazes de isso representar uma expressão que uma pessoa pode utilizar no sentido de te ditar as escolhas que te competem, mas também tens razão quanto ao facto de estares a criar isso. O que está a influenciar esse reflexo que estás a apresentar a ti próprio é a dúvida que sentes em relação a ti próprio quanto ao facto de poderes ter a capacidade de criar que queres no teu relacionamento e também de te permitires a liberdade de te mover na direcção que pretendes individualmente.

STEVEN: Pois, eu consigo perceber isso. Eu certamente, conforme já falamos, tenho as minhas próprias dúvidas em relação a isso. Tenho vindo a tentar obter a aprovação dos outros de forma a sentir-me bem, em especial a aprovação da parte da minha esposa, por me sentir muito mais confortável quanto à exploração desta informação e a participar neste fórum e continuar a ter o relacionamento caso ela me desse essa aprovação quanto à aceitação da sua parte em relação a eu continuar a fazer isso. No entanto não creio que ela esteja disposta a dar-me essa aprovação.

ELIAS: Mas não tem importância. O que é significativo é o facto de a procurares obter.

STEVEN: Pois! (Ri)

ELIAS: Não importa...

STEVEN: Então posso optar por não procurar obter essa aprovação a partir do exterior.

ELIAS: Exacto. Ao produzires uma aceitação e uma confiança quanto às escolhas que eleges e ao permitires expressar com liberdade as tuas preferências, não importa que isso acolha uma expressão de aprovação ou não, e eu posso dizer-te, isso torna-se numa questão controversa. Porque, ao deixares de tentar obter a aprovação da parte dos outros, a projecção da energia deles em relação a ti também é alterada. (O Steven suspira)


Ao projectares uma energia de busca de aprovação, estás a projectar uma expectativa a que o outro de imediato reage. Independentemente do facto da atenção dele se mover para o raciocínio que formular relativamente á energia que acolha ou não, há respostas automáticas que as pessoas expressam relativamente à energia que é projectada. Independentemente da comunicação verbal que possais usar, a energia é projectada e as pessoas acolhem e traduzem a energia de imediato.

STEVEN: Isso ajuda-me muito mais a compreender o que está a acontecer.

ELIAS: Isso representa o significado de teres consciência de ti próprio, de prestares atenção a tudo quanto estás a fazer e a expressar num dado momento em associação com os outros, assim como, nos teus termos, nos momentos em que te encontras objectivamente a sós. Por não te enganares a ti próprio, meu amigo, com a ideia de que, se não estiveres na proximidade física nem numa interacção objectivamente com um outro indivíduo, não estejas a projectar energia em associação com ele e que ele não a acolha, por isso ocorrer com bastante frequência, em especial em associação com o medo.




STEVEN: Eu queria perguntar sobre um sonho que tive há uma semana atrás em que ganhei a loteria. Já gastei muito tempo a falar-te sobre a loteria, mas já li algumas das coisas que disseste a outras pessoas nas sessões. Tenho a sensação de que como não criei a situação de ganhar na loteria, isso possa não fazer parte do propósito que tenha, pelo menos até esta altura. Estarei certo?

ELIAS: Não é uma questão de ser uma expressão do propósito que tens ou não, meu amigo. É uma questão de genuinamente reconheceres que crias resultados no momento, de reconheceres a capacidade que tens de criar esses resultados sem qualquer expectativa, e de reconheceres um exame da motivação que tens.

Em grande parte, considera os indivíduos que efectivamente produzem o acto de ganhar a loteria. Que é que eles produzem – uma concentração formidável no acto de a ganhar? Não. Em grande medida, aqueles que produzem um resultado desses não concentra a atenção na manifestação. Eles jogam, divertem-se, e geram uma permissão, o que vulgarmente designais por “abandono” ou desapego, mas não criam expectativa nenhuma. Essa é a razão por que em grande medida eles incorporam uma surpreza genuína com o que criam.

STEVEN: Então essa é a forma por que geralmente as pessoas criam o acto de ganharem a loteria. Mas estou ciente de não ser o único neste fórum, e decerto que sei não ser o único à face deste planeta que tenha abordado isso de uma forma diferente...

ELIAS: Tens razão.

STEVEN:...ao tentar criar o acto de ganhar essa loteria enquanto abrigam um monte de expectativas e fantasias associadas a isso. Parece que quando estamos a criar a nossa própria realidade e dizemos que acreditamos nisso, dizemos: “Tudo bem, posso criar qualquer coisa que queira, tudo o que quiser. Eu opto por – eu quero – ganhar essa loteria.” Compramos o nosso bilhete, os números vencedores são anunciados, e não ganhamos. E acabamos por dizer: “Como foi que consegui isso?” ou: “Por que razão criei a situação de não a ganhar?” Soa muito diferente daquilo que descreveste em relação à maioria daqueles que realmente a ganham.

ELIAS: Eu estou a entender aquilo que estás a dizer, e tu dispões da capacidade de gerar essa acção de uma forma intencional, a qual uma vez mais consiste num aspecto do movimento desta mudança que a consciência está a sofrer, deslocar a vossa atenção de uma forma em que vos familiarizais com o modo como criais a vossa realidade a ponto de poderdes intencionalmente manipular a energia a fim de criardes aquilo que quereis no momento de uma forma objectiva. Por conseguinte, torna-se igualmente bastante possível o facto de poderes criar esse tipo de expressão.

Mas examina as influências que te levam a isso e o que continua a obter expressão por meio das crenças que tens, que isso te apresentará informação relativa à escolha relativa ao resultado de não venceres essa loteria. Porque com a examinação da influência oriunda das crenças que tens, poderás continuar a expressar uma dúvida na capacidade que tens de efectivamente produzires esse tipo de resultado, ou poderás expressar uma dúvida de alguma vez chegares a criar um resultado no momento. Podes incorporar uma crença quanto ao resultado não estar a ser produzido por ti mas por um outro indivíduo que selecciona os números, e que o movimento que te diga respeito seja o de igualar esses números. Não, o movimento que geras é no sentido de criares esses números, por tu criares o resultado.


STEVEN: Terás alguma intuição quanto à razão por que terei criado esse sonho na semana passada?

ELIAS: Tenho. Uma vez mais, não comporta uma simbologia em termos de preto e branco. Trata-se de uma imagética simbólica. Tu apresentas a ti próprio uma imagética associada ao acto de ganhares a loteria e associação com a validação para ti próprio de criares resultados no momento. Mesmo aqueles resultados em que acreditas de uma forma parcial com impossíveis de produzir, tu consegues efectivamente produzir e apresentar a ti próprio o que julgas constituir um sucesso. Mas isso está associado a todo o movimento que empreendes, e não unicamente à loteria.

STEVEN: Bom, creio que estamos perto do fim. Vou falar com a Mary por uns instantes após a sessão, de modo que acho que não vou colocar mais nenhuma pergunta. Mas vou-te agradecer uma vez mais pelas intuições, pela informação, pela energia.

ELIAS: Não tens de quê, meu amigo. Já dispões de muito que assimilar nesta conversa. Ah ah ah!

STEVEN: Tenho, sim!

ELIAS: Fico a antecipar bastante o nosso próximo encontro e as nossas conversas contínuas. Reconheço fortemente a criatividade que manifestas no que já realizaste até aqui.

STEVEN: Obrigado. Também fico a antecipar a nossa próxima conversa.

ELIAS: Encoraja-te, meu amigo. Estás a produzir um movimento significativo na direcção do que queres.

Estendo-te, e continuarei a fazê-lo, um formidável afecto e a minha energia de apoio.

STEVEN: Fico muito agradecido.

ELIAS: Neste dia estendo-te com um enorme carinho um au revoir.

STEVEN: Au revoir, Elias.

Elias parte às 12:32 da tarde.


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