domingo, 12 de maio de 2013

“A ATENÇÃO - OS SENTIMENTOS CONSTITUEM SINAIS”




“A ATENÇÃO – OS SENTIMENTOS CONSTITUEM SINAIS”

“O QUE TEM IMPORTÂNCIA PARA VÓS E POR QUE MOTIVO O NÃO ESTAIS A CRIAR?”

“ENXAQUECAS”

“ESQUIZOFRENIA”

Sessão 3156

(Grupo) Hinsdale, New Hampshire
Sábado, 4 de Maio de 2013

Participantes: Mary (Michael), Aaron (Todd), Adam S., Axel (Ricarro), Ben (Albert), Brigitt (Camile), Carole (Aileen), Celeste (Raf-Yel), Christopher (Ailysta), Denise (Azura), Hernan (Hernan), Inna (Beatrix), Melissa (Leah), Patricia (Liva), Jenna (Nayreen), John (Lonn), John (Rrussell), Ken (Oba), Lynda (Ruther), Magdalena (Michella), Mark (Liam), Naomi G., Paul (Paneus), Paula (Jenn), Rodney (Zacharie), Sandra (Atafah), Suzanne (Zansa), Ann (Vivette), Wendy (Myiisha)


Transcrição parcial e tradução: Amadeu Duarte




Elias: Boa tarde.



Grupo: Boa tarde.



Elias: Estivemos recentemente a entabular conversa sobre esta nova onda, e durante essa conversa expressei que esta nova onda, em grande parte, diz respeito à atenção. Por conseguinte esta interacção e conversa será dedicada à questão da atenção; ao que prestais atenção e ao que não prestais atenção, e nessa medida vou convidá-los a todos a tomar parte através da apresentação dos vossos exemplos do daquilo a que estais a prestar atenção ou não, relativamente ao que seja importante e ao que constitua um benefício, porque, conforme expressei na nossa recente sessão aberta, quando considerais a questão do que constitua um benefício, a seguir ao questionamento do que envolva importância, isso pode alterar o primeiro questionamento do que seja importante.



Todavia, existe igualmente um outro factor nisso que é o de que ao abordar muitos de vós neste período, se tornou óbvio que muitos de vós sentem dificuldade em responder a essas duas questões, por as respostas automáticas que dais a essas duas questões no geral compreenderem o que tenha importância para vós com relação a uma determinada situação, a um indivíduo, mas a questão não envolver a importância relativa a uma coisa específica – a questão envolve o que “tenha importância para mim”. E a seguir a isso, quanto ao modo como representa um benefício, a resposta automática vai no sentido de avaliar e de pensar em termos do que constitua “um benefício para mim no futuro”. De que forma constituirá isto “um benefício para mim”? Mas tampouco isso representa a questão. A questão envolve: “Constituirá um benefício para mim agora?”



E se não for, altera a questão do que é importante, porque se não constituir um benefício, não deverá ser importante, a despeito da forma como justificardes para vós próprios o facto de ser importante; se não constituir um benefício não terá importância! Isto é significativo e nesse sentido vamos partilhar e debater os exemplos que apresentardes daquilo que pensais ser importante para vós, e da razão dessa importância. Se será um benefício ou não. E nessa medida vamos igualmente debater a forma de reavaliardes quando descobrirdes que o que estais a fazer ou aquilo a que estais a atribuir importância não é importante. Agora, para passardes a adoptar novos rumos que vos permitam genuinamente dar expressão ao que seja importante e ao que constitua um benefício para vós. Concordam?



Grupo: De acordo.



Elias: Muito bem. Nesse caso vamos começar. E ireis começar com o vosso exemplo do que possa ser dotado de importância para vós, mas talvez não seja necessariamente criativo ou apresente dificuldade.

Sim?



Ken: Quem daqui fala é o Ken (Oba). Eu estava atribuir – conforme é do conhecimento geral que o faço, ainda que de uma forma não radical – estava a atribuir uma extrema importância, não ao facto de não me situar no momento, mas ao que referi em termos de acomodações de vida, para mim, para o futuro; eu reformei-me recentemente e encontro-me a viver com a minha família que me assegurou que posso viver com eles pelo resto da minha vida sem precisar andar à procura de um lugar só para mim, mas recentemente - não no momento - comprei um pequeno apartamento de condomínio a que me andava a agarrar num estado de desespero como se num período qualquer futuro precisasse dele.



Eu estava a aluga-lo com a ideia de me mudar para lá mais tarde, e atribuí importância a isso a ponto de chegar a criar imenso conflito em relação ao facto, mas eventualmente cheguei à conclusão de que isso não me estava a beneficiar de todo, o que também está ligado à resistência que crio contra o receber, por o acto de receber representar um acto de generosidade da parte dos meus familiares que me disseram que podia ficar com eles, sem precisar preocupar-me com a obsessão de precisar fazer por isso eu próprio, ter o meu próprio sítio.



E eles dizem que eu agora estou reformado, “fica à-vontade a viver connosco sem te preocupares com o facto de teres que ficar cativo desse dinheiro... como se diz na gíria... e eu tive a percepção de que realmente não é tão importante quanto isso, para mim, ir viver para esse lugar e devolvi-o ao banco.



Elias: Excelente. Esse é um exemplo excelente de coisas acessórias (apegos) e do quão influenciam e do quão lhes respondeis de uma forma automática – o apego à independência…



Ken: Exacto.



Elias: ...por seres a tua maior garantia. E de que deves garantir e produzir

para ti próprio apoio, e nessa medida, ao dares expressão a um outro aspecto da coisa que se situa em oposição a esse apego pela independência, e que se traduz pelo factor do acolhimento (receber). E nessa medida, o acto de receber constitui um benefício.



Ken: De acordo.



Eu diria que o acto de receber constitui quase sempre um benefício. Por conseguinte, quando avaliais o que a vossa situação comporta, e o que estais a fazer, mesmo que ainda não estejais certos relativamente ao que tenha importância para vós, embora essa seja uma questão significativa! – mesmo que ainda não estejais certos em relação ao factor da importância.



O factor do benefício relativamente ao que já vos encontrais a fazer e formidável! Eu expressei-vos anteriormente pontos muito básicos sobre isso: Vós sois consciência. A natureza da consciência constitui uma expansão. Essa é a verdadeira natureza da consciência; nos vossos termos, assemelha-se ao facto de serdes homem ou mulher – vós sois essa manifestação que constitui uma expressão que apela a um elemento essencial do vosso ser. Nessa medida, a natureza da consciência constitui expansão. Que quererá isso dizer? A acção da consciência está em contínuo movimento sem jamais parar – a todo o instante e a cada segundo da existência, física ou não; é sempre composta por mais e mais.



Por conseguinte, é uma questão de com toda a simplicidade indagardes sobre o que é que querereis criar mais, por virdes a criar mais independentemente de terdes consciência disso, de pensardes nisso, de terdes sentimentos sobre isso – não importa. Vós estais permanente e automaticamente a criar mais a cada instante da vossa existência. Sabendo esse aspecto básico de estardes permanentemente a criar mais, é uma questão de reconhecerdes em vós próprios e de prestardes atenção àquilo que quereis criar mais, por eu estar constantemente a criar mais. “A que estou eu a prestar atenção? Devido a que, aquilo a que prestardes atenção constitui o único factor significativo que influencia a vossa percepção. E a vossa percepção cria toda a vossa realidade; cada instante e cada manifestação são criados pela vossa percepção. Por conseguinte, se a vossa atenção constitui o único factor mais significativo de influência em relação à percepção, a atenção é muito importante.



Aquilo a que prestais atenção é o que vos influencia a percepção; desde logo, a vossa realidade, cada detalhe dela. Nessa medida, a vossa atenção é muito flexível e move-se continuamente. Existe um aspecto da vossa atenção que podereis identificar em termos de aspecto primário da vossa atenção, que representa a parte da vossa atenção de que tendes consciência de uma forma objectiva naquilo em que vos focais. Mas a vossa atenção reúne informação e move-se em muitíssimas outras direcções em simultâneo com o que quer que vos foqueis. Há muitas outras direcções a que a vossa atenção se liga, mas nesse sentido, de algum modo, todas essas direcções estão ligadas àquilo de que tendes consciência e a que prestais atenção, em que vos focais.



Recordai que a realidade objectiva e a simbologia são de natureza abstracta, pelo que existem milhares de expressões ou maneiras que podeis apresentar por imagens a vós próprios relativamente a uma matéria ou questão. Existem milhares de modos por que essa matéria ou questão se pode manifestar e pode ser expressada; e a vossa atenção vai em busca de todas elas, de tudo que possa abranger em relação ao que quer que subentender aquilo em que estiverdes a focar-vos. Esse é o significado que a atenção possui, e do quanto pode influenciar.



Nessa medida, conforme o exemplo que deste, podes não estar objectivamente a empregar o raciocínio e a expressar para ti próprio: “Ah ah! Estou a dar expressão a uma forma de apego! Percebo esse apego da independência.” Não obrigatoriamente. Podes sentir-te desconfortável por a associação que estabeleces não corresponder ao que estiveres a experimentar. Isso não quer dizer que não estejas a expressar um aspecto qualquer desse apego inerente à independência nem quer dizer que a independência seja má, mas quer dizer que aquilo a que estás a prestar atenção ou aquilo em que te estás a focar representa o factor que refere que o que estás a experimentar não corresponde à ideia que tens da independência. E consequentemente, enviaste a ti próprio um sinal...



Ken: Em resultado do que tocou e tocou e tocou... (Esta sessão foi feita junto a um rio, pelo que o ruído de fundo elimina quase todas as possibilidades de entendimento do que os interlocutores dizem)



Elias: ...e o que geralmente acontece é começares a prestar atenção ao sinal em vez de prestares atenção ao significado. Não estás necessariamente a prestar atenção à mensagem inerente ao sentimento, por, conforme eu ter dito, os sentimentos são muito atraentes; vós gostais deles – mesmo que não sejam bons sentimentos, eles são atraentes. E vós sois atraídos para eles de imediato, e sois atraídos para ele de uma maneira muito semelhante à de um insecto para uma chama. Não importa que a chama apresente o potencial de destruir o insecto, pois ele continuará a sentir-se atraído para o seu tremeluzir e para esse calor. Vós, sois atraídos de uma maneira muito semelhante para os vossos sentimentos – para o tremeluzir e para o calor que apresentam, e deixais-vos fascinar com eles. Por conseguinte, prestais-lhes atenção, e não necessariamente ao manifesto que trazem.



Os sentimentos são sem dúvida concebidos para atrair de forma a lhes prestardes atenção, mas são concebidos – essa é a sua concepção – como sinais. Quando usais os vossos veículos a motor ao longo das vossas estradas e vos deparais com os sinais de trânsito, vós descontraís-vos sentados no vosso veículo a contemplar a mudança de cor dos sinais? Sentar-vos-eis nos vossos veículos nem que seja por uns cinco ou dez minutos – minutos! – enquanto continuais a observar a mudança que se produz entre o vermelho e o amarelo e o verde? Não. Respondeis de imediato a esses sinais. Compreendei-los, sabeis aquilo que significam, e reagis-lhes, avançando, ou parando. Em relação aos sentimentos, eles são concebidos para representar a mesma coisa – sinais. Não são concebidos para vos demorardes neles. Não são concebidos para continuardes a observá-los e a prestar-lhes atenção e para vos deixardes consumir por eles; são concebidos para vos assinalar uma mensagem.



Vós empregais computadores nesta altura, e esses computadores incorporam novas caixas de correio, não é? E elas assinalam-vos por algarismos ou sons ou um outro tipo qualquer de sinal qualquer, que dispondes de informação ou comunicações, não é? Vós demorais-vos a observar o algarismo ou o sinal? Não. Passais de imediato às mensagens e investigais essas comunicações. Essa é a função dos sentimentos – assinalar-vos; contudo, relativamente a esse factor como é o da independência, e de não correspondes a ideia que fazes da independência com a tua experiência física, isso produz um sinal: “Alerta! Há aqui uma diferença; isto não corresponde à informação que me é dada a conhecer e entender!”



Nessa medida, se observardes o sentimento do desconforto – “O que será que se sente desconfortável? O que é que terá mudado? O que será que está diferente? Que é que eu estou a expressar, que me leva a sentir desconfortável?” Dessa forma isso permitir-vos-á avançar numa direcção da reavaliação e com toda a probabilidade identificareis: “Ah, eu estou a incorporar este apego pela independência mas este traçado da minha experiência actual não parece apresentar qualquer correspondência com essa ideia ou com o traçado que tinha antes. Nessas diferenças não mais estarei eu efectivamente a ser independente? Ou serei independente?” Tu não estás a avaliar, estás é a reagir ao sentimento? Coisa que bloqueia a informação: por o sentimento não comportar informação nenhuma! É um sentimento, um sinal! Não vos comunica nada. Consequentemente, continuais a sentir e a sentir-vos confusos, e a dizer: “Eu não compreendo. Que será que estou a fazer? Por que razão estará este sentimento a continuar? Que será que estou a deixar de fazer? Que será que me está a escapar à compreensão? Que será que estou a criar?” Isso é vulgarmente expressado pela maioria de vós: “Que será que estou agora a criar?”



Nesse sentido, como podereis apresentar a vós próprios respostas para essas indagações e compreender o que estais a expressar e o que estais a fazer se estais somente a prestar atenção ao que estais a sentir? Os sentimentos são importantes; torna-se significativo prestar-lhes atenção, mas não prestar-lhes atenção para além do sinal que são. Um outro exemplo.



Sim?



Mark: Aqui quem fala é o Mark. Pareço despender muito tempo ao redor da questão da importância de me sentir confortável. Estou a tentar relacionar isso com o que estás a referir. É como se me focasse na elevada importância de me sentir confortável com a compreensão que tenho de que as experiências de desconforto possam trazer benefício. Mas ainda quero sentir-me confortável e presto atenção a isso.



Elias: E tu não te sentes confortável?



Voz masculina: Neste momento? (Elias responde afirmativamente) Não. (Elias ri)



Elias: Essa é a questão. Este é mais um excelente exemplo daquilo em que vos concentrais, e daquilo em que pensais, daquilo que projectais, em vez de reconhecerdes: “Que estou eu a fazer agora? Bom; relativamente à declaração que fizeste: “Sentir-se confortável é importante para mim. Eu quero sentir-me confortável.” Se te interrogares acerca do benefício?” eu diria que provável seja que também consigas responder a essa pergunta sobre o benefício que colhas em te sentires confortável. Nessa medida, é igualmente uma questão de prestares atenção ao que estiveres a fazer agora: “Eu quero sentir-me confortável,” não quer dizer “eu sinto-me confortável.” O “Quero sentir-me confortável,” constitui uma projecção no futuro. Por conseguinte, o benefício provavelmente também representará uma resposta no futuro. Só que a questão coloca-se nos seguintes termos: De que forma representa isso um benefício AGORA?



Por isso, quando expressas: “Quero sentir-me confortável; sentir-se confortável é importante para mim,” quando segues isso em termos: “De que forma constituirá isso um benefício para mim, AGORA?” Isso vai alterar aquilo a que estás a prestar atenção. Porquanto na pergunta: “Que será importante para mim?” se achar um aspecto de ti que projecta o que queres no futuro, e não no que estás a produzir agora.



Porém, quando segues isso: “De que modo será isso um benefício para mim agora?” isso muda-te a atenção para o momento e influencia-te no sentido de prestares atenção ao momento. Isso altera essa primeira interrogação, por poderes expressar a ti próprio: “Estarei eu confortável agora? Não!” Muito bem, que preocupação estará a ter lugar? Se já o estiveres a produzir, por que razão estarás preocupado? Estás preocupado ou não expressarias querer produzi-lo. Porquanto na expressão que formulas, sob a forma de ainda não dispores de conforto, mas já dispões de conforto, por responderes a isso com o: “De que forma será isso um benefício para mim agora? Já constitui um benefício para mim agora, por já o estar a expressar. Então, por que razão me preocuparei por não o expressar?”



O futuro é moldado pelo momento; por conseguinte, o que estais a fazer agora é o que já está a determinar o que ireis produzir futuramente. Por isso, se te sentires preocupado em relação a uma expressão agora, continuarás a sentir-te preocupado no futuro, e poderás mesmo criar isso em termos futuros, pois em que princípio se baseia isso? VÓS SEMPRE CRIAIS MAIS! VÓS ESTAIS SEMPRE A CRIAR MAIS! Por isso, se ainda não dispuseres de suficiente conforto no momento, passarás a criar mais  “insuficiência” em termos de conforto. Por não teres nada em suficiência. Agora, passarás a criar mais insuficiência. Esse é o significado de voltardes a vossa atenção genuinamente para o que estás a fazer, para aquilo que estás a realizar, para o que te satisfaz, sem que importe o quão insignificante julgues isso. Isso geralmente não importa, por ser a energia que se revela determinante.



Não é por a energia ser maior ou menor, mais expressiva ou menos expressiva, dependendo do facto de julgardes a sua expressão maior ou menor, mais ou menos expressiva, que a acção ou experiência de ires a uma entrevista para um emprego será mais expressiva do que o tipo de chá que escolhas beber. A energia não procede a esse tipo de distinção. Por ser a mesma coisa. Por ser escolhas e o modo como dirigis essas escolhas.



Se perspectivares essa potencial entrevista de emprego como mas te incapacitares a ti próprio e expressares que o outro indivíduo ou o entrevistador dispõe do poder, e que não dependa da vossa escolha ser eleito mas da dele, e poderes sentir-te na incerteza, essa energia será a mesma que a energia do tipo de chá por que optarás. São a mesma energia. Tu julga-la diferente, por atribuirdes a diferença à importância relativa às diferentes expressões e experiências que crias, mas a energia por detrás disso é toda a mesma. Por conseguinte essa chávena de chá é igualmente tão importante quanto essa entrevista. Por ser a energia que é gerada por isso que determina aquilo que passarás a criar, e estar toda interligada – todas as vossas acções estarem interligadas.



Nessa medida, quando estais a criar a ideia do que seja importante para vós e incorporais um aspecto futuro ou um aspecto passado, que não o presente, podereis avaliar qualquer outro assunto que estejais a empregar, com toda a probabilidade todos, se não a maioria deles, seguirão o mesmo caminho, e também serão percebidos por um aspecto futuro ou passado e não por um presente, sem reconhecerdes o que tem lugar agora – “Aquilo que agora tenho, o que estou a fazer agora, aquilo que estou a realizar agora.” Isso é o que tem importância, por ser aquilo a que todos os aspectos da vossa realidade estarão subordinados – passados e futuros – todos se subordinam ao que estiverdes a fazer agora; a forma como vos estiverdes presentemente a dirigir a vós e à vossa energia.



O exemplo seguinte.

Sim?



Paul: Olá Elias. Quem está a falar é o Paul, Paneus. Muitas vezes, com respeito a atingir a tensão com a minha filha, tento concentrar-me no acto de evitar esses estados de tensão. Por vezes posso porventura antecipar um problema, e tento intervir de modo preventivo a fim de evitar  que ocorra tensão, de modo que me concentro de uma forma extremada na prevenção da tensão com relação a ela.



Elias: Mas esse é um outro exemplo excelente, por poder dizer que muitos de vós, senão a maioria, em diferentes situações se expressam por termos preventivos. Antecipais, projectais no futuro na antecipação de uma acção e tentais encaminhar-vos por sentidos que evitem a ocorrência dessa acção. Mas o que conseguis, ao procederdes desse modo, é ou criar um aspecto qualquer do que tentais evitar, ou criareis uma outra situação qualquer em termos de experiência com que não vos sentireis confortáveis. Pode não se expressar sempre directamente na questão que estiverdes a pensar. Recordai que tudo quanto fazeis se acha interligado, de modo que essa energia se move em muitas direcções e atraia vós o que se equiparar a isso. Portanto, quando estais a evitar, sentis-vos desconfortáveis, e passais a criar mais situações de desconforto.



A simbologia das imagens é abstracta, e pode não se revelar fonte de desconforto nessa situação específica, mas haveis de criar mais factores de desconforto, por ser a isso que estais a prestar atenção. Quando estais a evitar, estais a prestar atenção (Nota do tradutor: Contornar o “buraco” para cair nele) ao facto de vos sentirdes desconfortáveis. Mas isso dá lugar a um maior desconforto. Por isso, evitas o confronto com a tua filha e o pneu do teu veículo rebenta. É o mesmo que sentires-te desconfortável com o pneu; nessa medida, a energia não distingue, mas reconhece apenas aquilo que a estais a instruir no sentido de fazer. Estais a instruí-la no sentido de criar mais daquilo a que estiverdes a prestar atenção. E é isso que ela executa. A vossa energia assemelha-se ao vosso robot individual e todo-poderoso personalizado, que fará o que quer que lhe ordeneis para fazer. E passará a criar mais e mais disso; assemelha-se a uma máquina incessante de “mais”. E nisso, tona-se significativo ter consciência daquilo a que estais a prestar atenção.



Para além disso, neste exemplo também, a razão por que evitais deve-se ao facto de já terdes inventado uma consequência; as consequências são sempre da vossa própria invenção. A razão por que pensais não ser invenção vossa deve-se ao facto de as suportardes. Vos criai-las, e fazei-lo de modo bastante eficiente e preciso, e fazeis isso repetidamente o que reforça a ideia que tendes das consequências. Agora, não só inventas a ideia das consequências como as antecipas e podes esperar que ocorram; e ocorrem.



Paul: Então, deveremos então focar-nos em ignorar isso, e voltarmos a nossa atenção para alguma outra coisa?



Elias: O que fazes é, em primeiro lugar, reconheces o sentimento. Percebes o sentimento que te está a assinalar que tu automaticamente estás a reagir no âmbito do querer ignorar. Percebes o sentimento, reconhece-lo e define-lo - é importante definir de uma forma específica aquilo que estiveres a sentir. Nos vossos termos, torna-se bastante assombroso as vezes em que não tendes noção do que estais efectivamente a sentir. Sabeis que estais a sentir, mas na verdade não chegais a definir aquilo que estais a sentir mas generalizais: "Sinto-me desconfortável; estou infeliz." Mas isso não chega a ser um sentimento efectivo, mas uma generalização. E é importante que definais aquilo que estais a sentir. E quando definis aquilo que estais a sentir, reconheceis: "É isto que eu estou a sentir." E com base nisso avaliais: "Que quererá isto dizer para mim?  Que ameaça comportará? Que estarei eu a evitar? Que será que estou a apresentar a mim próprio? Que terei eu inventado como consequência possível? Que pensarei eu que ocorra se eu fizer isto?"



Isso representa uma projecção; não é estar presente mas antecipar e criar e inventar uma consequência. Que serão as consequências? As consequências são as punições que inventais por produzirdes uma acção errada. (Murmúrio generalizado)



Ken: Eu tenho uma palavra para isso: “Meditação guiada para masoquistas.” (Riso geral)



Elias: Vós inventais as vossas punições relativamente à estima que concebeis das escolhas ou acções erradas. Não existem escolhas correctas ou erradas, existem apenas escolhas. Compreendo que empregueis a duplicidade e que isso dê lugar ao certo e ao errado, ao bom e ao mau, e não estou a minimizar isso, mas o que vos estou a dizer em termos bem realistas é que não existem escolhas certas ou erradas mas tão só escolhas. E em meio a essas escolhas, se não gostardes de uma escolha que façais, alterai-a; é simples. Não estais presos a nenhuma escolha que produzais, independentemente do quão significativa penseis ser.



Lembrai-vos que a entrevista não é diferente da chávena de chá; a entrevista não representa uma escolha mais significativa do que a chávena de chá, e ambas as escolhas produzem a mesma energia. Por conseguinte, nisso, é uma questão de avaliardes: "A que estarei eu a prestar atenção, em relação a estas escolhas? Como estarei eu a inventar a minha própria consequência, ciente que estou de a vir a criar, e de vir a criar mais?" E criais!



Porque, quando estais a evitar: "Não vou fazer isto; vou evitar esta acção porque se eu cometer esta acção, a minha filha irá responder ou agir deste modo." E vireis a provar a vós próprios: "Eu sabia que ela isso fazer isso de novo, e de novo, e de novo, e sabia que ia produzir a mesma consequência e o mesmo resultado, por isso representar a invenção que criastes e vos pertencer. Pertence-vos. Nos vossos termos, representa uma propriedade vossa, que carregastes convosco. É claro que a produzireis. Vós possuí-la. Pertence a vós.



A seguir.

Sim?



John: Bom, na verdade, por causa da transcrição, quem fala é o John/Rrussell. Vou parecer um pouco desarticulado. Que dizer do caso de termos em curso uma situação que… e eu dou-te conta disso, eu vou conversar contigo um pouco sobre isso… de modo que se tivermos um papel, se tivermos um trabalho… que seja uma coisa permanente, todos os dias. Não é? Prestamos atenção a isso por desgraçadamente acordarmos todas as manhãs e encarnarmos esse papel, não é? E ao mesmo tempo, pode haver aspectos desse trabalho que sejam alterados, mas ainda temos as nossas expectativas sobre o papel que nos cabe, de precisarmos condescender.



Agora; tu sugeriste-me, de uma forma esplêndida: trabalho em rede noutros locais da organização… onde avaliar - não é? – que tipo de chá utilizar, segunda a analogia que utilizaste…



Elias: Sim.



John: …aquele outro tipo de chá que queremos…



Elias: Sim.



John: …mas isso afigura-se-nos como muito a fazer, e a certa altura, podemos não querer atribuís tanta importância a nada disso, não é, ma sé como se supostamente devêssemos…



Elias: Não.



John: ... e… (Inaudível)



Elias: Estando presente. Estando presente. Nos vossos termos, num dia isso pode ser importante; num outro dia, pode não ser importante. É uma questão de reconhecerdes e de estardes presentes. "Que estás tu a fazer agora - no dia de hoje e neste momento? O que é que será importante para ti agora, no dia de hoje, neste momento? Isso muda. Vós estais permanentemente num estado de mudança.



John: Quanto mais tentar evitar prestar atenção, conforme estás a dizer, é o que criamos, de modo que se eu prestar menos atenção a determinada coisa, menos criarei isso. É proporcional…



Elias: É sim. Só que, num dia particular e numa altura particular pode não importar o facto de criardes menos uma certa expressão, por poder não ter mais importância para vós nesse dia. Por isso, não importa. O que é significativo é o que é importante para ti neste dia de hoje. Por aquilo que seja importante para vós estar sempre a mudar.



Esse é um outro factor significativo, o qual constitui uma excelente questão que apresentas. A de que a maioria de vós produza a ideia de que o que seja importante para vós ou o que queirais ou o rumo que tomais sejam constantes e sejam sempre as mesmas ou que estejam sempre a aumentar nessa mesma direcção. Mas vós não apresentais constância alguma e estais sempre a mudar; por conseguinte esta é a razão porque se torna tão significativo prestar atenção no presente. Por isso mudar. Numa determinada altura, determinada direcção pode apresentar-se-vos como muito importante, e numa outra altura pode não ter importância nenhuma para vós. Por isso, se não estiverdes a criar mais disso, não vos preocupareis, por a questão não ter importância para vós.



O que é significativo é que a cada dia estejais a prestar atenção ao que seja importante para vós. Lembrai-vos de que as imagens são abstractas; por isso, é a energia que se move. E nessa medida, independentemente de num belo dia expressardes: "Esta acção ou rumo é importante para mim," e de no dia seguinte não prestardes nenhuma atenção a isso mas prestardes atenção a um outro aspecto qualquer que assuma importância aos vossos olhos, as imagens não têm importância - a energia continuará a avançar na direcção do vosso maior benefício, seja em que aspecto for, independentemente disso. Não é necessariamente uma questão das imagens a que estais a prestar atenção em si mesmas serem importantes, mas do que seja genuinamente importante para vós nessa altura. Por essas imagens poderem incorporar muitas formas.



John: Então, desculpa, é só uma coisa em continuidade... Tenho a sensação de que a importância natural e aquilo que acontece é que nós impomos a nossa ordem artificial da importância sobre a importância natural, e aí isso estende-se. Mas, de onde procederá essa importância natural? Eu não… Não estou…



Elias: Define lá isso.



John: Definir o quê?



Voz Feminina: Importância natural.



John: Pelo que estás a dizer, não é, se bem entendi, há uma importância, um fluir, susceptível de mudar a cada dia, ou em diferentes alturas, e o que acontece é que eu tenho a importância, a minha própria... (Inaudível) um tipo de importância diferente que imponho numa fluência mais natural de importância.



Elias: Não. Tu estás a impor a imagem. Não estás necessariamente a alterar a importância; estás a alterar as imagens, ou a alterar a ideia que fazes delas, mas não necessariamente o que seja realmente importante para ti. A declaração anterior que se fez dizia respeito ao estar confortável. Isso consiste numa generalização ou num conceito generalizado de um estado de consciência: estar confortável. Isso é passível de obter expressão através de uma miríade de formas. Podes expressar isso no teu local de trabalho; consideras ser importante que estejas... (Inaudível) ou que sejais reconhecidos, ou considerados. Isso é passível de obter expressão por muitíssimas formas diferentes, e num belo dia podeis escolher uma maneira que identificais como importante; mas não estais a mudar a importância mas sim a forma, estais a alterar as imagens e a pensar que cada forma constitua um assunto diferente ou uma importância diferente, quando não é necessariamente.



Por isso, independentemente do facto de num dia pensardes que o que tenha importância seja determinada expressão, e num outro dia penseis que o que tenha importância seja um assunto diferente, pode não ser. Pode ser o mesmo, e a imagem diferir; ou a forma, o modo como expresseis isso diferir. Mas aquilo que realmente estais a instruir a vossa energia no sentido de procurar equiparar isso, com relação à importância, é a mesma coisa. Estás a compreender?



John: Estou. Mas aí a minha pergunta é a seguinte, o facto de crer que o que é importante é estares a falar sobre a importância de uma maneira muito… o caminho fundamental… o que importa é a fundação do que tem importância, e a imagem, pode diferir, mas essa importância reflecte-se num tipo diferente de imagem. Depois há o outro tipo de importância; existe por níveis, não é? A importância é o facto de quando bebo qualquer coisa, digo: “Que é que estou a escolher beber,” assim como a importância poder estar no facto de precisar nutrir-me – querer algo que beber, não é? – de modo que isso dá a aparência da existência de vários níveis. Não penso que sempre esteja claro; nem sempre se torna claro a que nível de importância um tipo particular de imagem pertença… (Inaudível)



Elias: O que era a questão que estava a mencionar antes, de estares a complicar, por não existirem níveis. Eles são todos a mesma coisa. Não importa a ideia que tens de maior ou de menor, ou de mais pequeno ou de menos pequeno, de mais significativo ou de menos significativo, por serem simples concepções daquilo em que te concentras e não que cheguem efectivamente a apresentar uma diferença na energia, porque não apresentam. Tu julgas que façam diferença na ideia que fazes, tu organizas isso na tua maneira de pensar por meio de diferenças de significado. Por conseguinte, de certa forma tu estabeleces prioridades e categorias, na tua maneira de pensar, o que tenha mais significado do que tenha menos, mas na realidade são a mesma coisa, porque aquilo que as cria e as impele é a energia e a energia é toda a mesma, independentemente do significado que atribuis naquilo em que te estás a concentrar, nesse momento...



John: A especificidade.



Elias: Correcto; essa é a faceta abstracta. Mas tens toda a razão; aquilo que estou a dizer representa a base, mas essa base é o que de facto é o que está a influenciar e a criar a tua realidade e está a influenciar aquilo que estás a fazer, por intermédio da tua atenção. Agora estás a entender?



John: Creio que sim.



Elias: Muito bem.



John: Vou precisar pensar nisso.



Elias: Vamos fazer um intervalo e retornaremos em breve.



Elias: Continuemos. Próximo indivíduo.

Sim?



Naomi: Elias, daqui fala a Naomi. Eu tenho uma pergunta relacionada com a forma como a nossa atenção está relacionada – ou não - com o desequilíbrio ou o equilíbrio. Por outras palavras, eu ultimamente foco-me muito no tempo, em ter muito tempo para mim própria, e queria saber se isso apresentará algum desequilíbrio. Para mim sempre teve valor, e sei que sempre preciso passar muito tempo sozinha. (Mas gostava de saber se haverá outras coisas de valor que gostaria de fazer a que não estou a dedicar a minha atenção.



Elias: Antes de mais, voltando ao presente, e ao momento, é uma questão de avaliares em primeiro lugar aquilo que tem importância para ti agora, e de que forma constitui um benefício para ti agora. Este é também, uma vez mais, um excelente exemplo, por ser um exemplo da forma como vos deixais prender, por assim dizer, nas malhas do pensar, por aquilo que vos ensinaram e que aprendestes vos influenciar a perspectiva que tendes de vós e influenciar a forma como construís o que seja bom, o que seja mau, o que seja apropriado ou desadequado, certo e errado, o que seja melhor e pior, o que deveríeis fazer ou deixar de fazer. Mas muitos desses factores não envolvem aquilo que quereis ou o que seja realmente importante para vós presentemente. Produzis ideias do que deveríeis fazer ou do que seja saudável fazer.



E muitas, muitas vezes, quando vos encontrais sozinhos, e diria também, como muitos de vós têm a orientação soft (N.T. Branda, ou a que adopta a postura do caminho médio em relação a si mesmo e ao exterior, ao contrário dos comum ou dos intermédios, que se focam mais em si mesmos ou no exterior). Estarão cientes, por os indivíduos soft experimentarem isso de uma forma considerável relativamente às noções de dever (o que devem ou não fazer) e de comportamento e da interacção, e se passardes demasiado tempo sozinhos estareis a isolar-vos, e se vos estiverdes a isolar isso não é bom, por deverdes socializar mais ou por deverdes interagir mais.



Mas mesmo que não sejais uma pessoa soft, as pessoas criam alturas em que poderão explorar-se a elas mesmas, e nessa altura, e independentemente da orientação que tenhais, podeis optar e pode tornar-se-vos importante deixar de ter distracções em relação aos outros, por estardes muito acostumados a voltar a vossa atenção para fora de vós quando vos achais distraídos pelos outros. Quando abordais uma outra pessoa qualquer, isso torna-se demasiado automático e constitui um comportamento adquirido, mas que é aprendido tão bem que acaba por ser muito automático – coisa que qualquer um de vós poderá experimentar a título de exemplo para vós próprios, sobre o quão fácil e automática tal acção é, se tentar simplesmente prestar atenção a si mesmo caso esteja a conversar com um outro indivíduo.



No momento em que vos envolverdes numa conversa com um outro indivíduo, começais de imediato a focar a vossa atenção nesse indivíduo, e naquilo de que vos dá conta, na forma como se mexe, no modo como se projecta. Podeis não pensar nesses aspectos mas estais a prestar atenção, e estais a prestar muita atenção àquilo que dizem. Nessa medida, torna-se numa acção de tal modo automática, que para muitos, caso estejam a gerar uma altura em que estejam genuinamente a explorar-se, eles poderão optar por interagir muito menos, e isso representa uma indução da parte da consciência do vosso corpo.



A consciência do vosso corpo sabe a forma como estais a dirigir a vossa atenção, por se achar envolvido nessa atenção; por ser a consciência do vosso corpo quem gera essa ligação entre a mente objectiva e a objectiva, o que quer dizer que é a consciência do corpo quem incita ou induz os sentimentos e quem cria esses sinais ou avisos, quer sejam físicos ou emocionais. Eles são todos induzidos pela consciência do vosso corpo, em razão do que a consciência do vosso corpo também está perfeitamente ciente daquilo a que prestais atenção e daquilo que vos distrai.



Se estiverdes a definir a intenção de vos explorar e de vos expandir e voltardes a vossa atenção para vós, a consciência do vosso corpo automaticamente acolhe essa mensagem e responde-lhe incitando-vos num sentido em que diminua a importância dos estímulos externos ou das distracções externas, o que inclui interacção com os outros. Essa é uma acção natural que expressa conformidade com aquilo que quereis e com o que é importante para vós. E em resultado disso sentis um menor desejo ou uma motivação menor para interagirdes. E esse período varia com cada indivíduo; alguns indivíduos podem passar um período considerável sem interagir com os outros, o que não é grave nem errado nem constitui nenhuma indicação de que alguma coisa esteja errada convosco ou com o que estais a fazer.



A acrescentar a isso, poderão haver outras acções que tenham importância para vós, mas, uma vez mais, para votarmos ao reconhecimento do presente e do facto de estardes presentes, a consciência do vosso corpo acha-se igualmente envolvida nesse processo, por assim dizer; vós estais a instruí-lo relativamente ao que tenha importância para vós. Por isso, figurativamente falando, de certo modo, a consciência do vosso corpo elabora um tipo de lista de prioridades: “O que agora tem mais importância, o que se lhe segue em termos de importância, o que ligeiramente menos importante, o que tem menos importância,” e nesse sentido, prioriza e incita-vos – ou, nos vossos termos, ajuda-vos – a expressar no momento a acção mais importante que queirais envolver.



Nesse sentido, o elemento da complicação inerente a esse processo, relacionado com a atenção, é que por vezes, a consciência do vosso corpo vos incita a empreender acções que na verdade estão em conformidade com o tipo de energia ou o tipo de direcção que expressais e tem importância para vós, pelo que a consciência do corpo reconhece o tipo de energia a projectar para poder atrair o que se ajuste ao que tiver importância para vós. Isso pode nem sempre ser expressado de uma forma confortável, mas move a energia em relação ao que tenha importância para vós. A razão por que esse constitui o aspecto difícil está no facto da imagética que apresentais a vós próprios pode ser confusa. Podeis expressar a vós próprios: “Eu quero desenvolver novos padrões na minha vida que não se encontrem associados aos meus factores de accionamento ou desencadeamento, ou às minhas associações mais familiares.”



Ora bem; nesse caso, a consciência do corpo acolhe essa instrução e começa a projectar energia em relação a tal intenção. E reconhece a importância dessa intenção e a avaliação que fazeis do benefício que essa intenção tenha. Bom; nisso, o vosso pensar automaticamente volta-se para situações que vós obviamente encarais como benéficos e do vosso agrado e que se revelam confortáveis. Entretanto, recordai, a vossa energia não gera tais distinções, mas apenas busca no exterior o que se revelar mais eficaz, o que se revelar mais efectivo e se enquadrar melhor a isso. Consequentemente, podereis apresentar a vós próprios padrões familiares como uma oportunidade para produzirdes escolhas inteligentes. Essa é a área em que se começa a tornar confuso, por quase notardes a compulsão automática que tendes para envolver os padrões familiares e acções familiares, e isso vos conduzir automaticamente de vos desconsiderardes, por uma expressão: “Eu estou a fazer isto erradamente.” Não necessariamente. Por estardes a proporcionar a vós próprios uma oportunidade de usardes esses padrões familiares e de escolherdes diferentes resultados em relação a esse aspecto da priorização.



Sim, pode haver várias direcções diferentes ou várias acções diferentes que possais querer explorar e que queirais utilizar, e experiências com que querereis envolver-vos, e fazer o que estais presentemente a fazer pode mover-vos nessas direcções, por formas que vós objectivamente ainda não percebeis. O que é importante num tipo de situação dessas é, uma vez mais, retornar a essas indagações: “Que será que é importante para mim, agora? Será essa importância expressão de um benefício para mim, agora?” Se for, o vosso diálogo interior terá terminado. Caso não esteja, aí podereis reavaliar. Mas se vos estiver a beneficiar, agora, não precisareis questionar-vos mais, por todas as outras acções que quiserdes pôr em prática ou por que sentis interesse, ou que também possam ser importantes, encaixarão, por assim dizer, no seu devido tempo quando estiverdes preparados para que isso ocorra, haveis de vos incitar a vós próprios a avançar nessas direcções quando elas se tornarem mais primariamente importantes, por no momento poderem não representar a importância primária.

O que é importante que tenhais em mente é igualmente: “Será isto o que eu quero criar com maior frequência? Sentir-me-ei confortável com isto? Será um benefício para mim? Será isto que eu quero criar mais?” E nessa medida, se a resposta que derdes a vós próprios for afirmativa, podereis em grande medida, assegurar-vos de que todos esses pensamentos que estais a ter provavelmente estejam relacionados com factores acessórios, que vos estão a expressar: “Tu estás naturalmente... isto é o que deves fazer. Devias estar a fazer, mas não estás.”



Mas os factores acessórios podem constituir um benefício de alguma forma, assim como também podem ser limitativos, ou impeditivos por outras formas. Os factores acessórios não são expressões que queirais necessariamente eliminar ou de que vos queirais livrar por apresentarem benefícios, em grande parte, ou não representariam factores acessórios. Mas, por vezes, também incorporam influências que constituem limitações, e é apenas uma questão de reconhecerdes quando estão a eliminar-vos a liberdade de escolherdes da forma que seja mais importante para vós presentemente.



Naomi: Obrigado.



Elias: Não tens de quê. O seguinte. Sim?



Patricia: Daqui fala a Patricia/ Liva. A minha pergunta tem que ver com prestar atenção aos sentimentos, por experimentar os sentimentos que me acometem com intensidade e creio que queria saber o que... se me poderias dar a conhecer maneiras mais benéficas de compreender e processar as emoções, com respeito à falta de atenção para com a luz que está a piscar, por assim dizer... que será natural?



Elias: Certos sentimentos podem ser muito intensos, e certas pessoas experimentam sentimentos com muita intensidade de uma forma natural, o que varia de um indivíduo para outro. Nessa medida, eu diria que o processo é o mesmo, quer estejais a produzir sentimentos intensos de uma forma consistente ou de os experimentardes ocasionalmente de uma forma intensa. Recordando que constituem um sinal e que não devem demorar-se neles nem continuar a prestar atenção a esse sinal, mas descobrir qual será o manifesto que esteja associado ao sinal.

Eu compreendo que por vezes, se os sentimentos forem produzidos de uma forma intensa, pode-se-vos tornar difícil desviar a atenção do sentimento para sequer considerardes que manifesto seja esse, ou que mensagem encerre. Nessa medida, a consciência de serem concebidos como um sinal constitui o primeiro aspecto. O passo seguinte consta de voltardes a vossa atenção, de praticardes voltar a vossa atenção, sem deixardes que se fixe no sentimento.



Agora, a maneira mais efectiva, eficaz e fácil por que conseguis isso, é voltando a vossa atenção para os vossos sentidos. Para além dos sentimentos, os vossos sentidos constituem a expressão seguinte mais forte que produzis. Além disso, os vossos sentidos são físicos, e nessa medida, os vossos sentidos introduzem informação a cada instante. Até mesmo quando dormis os vossos sentidos estão a introduzir informação. Os vossos sentidos raramente se separam, raramente se desligam. Mas vós sois todos peritos em não lhes prestar atenção, por vezes, ou em serdes selectivos naquilo a que prestais atenção, relativamente aos vossos sentidos. Mas eles são muito poderosos e encontram-se constantemente em funcionamento e constantemente a introduzir informação. Por isso, são muito eficazes em vos desviar a atenção.



Tudo quanto é necessário é um momento de interrupção. Deixai que vo-lo refira por uma forma que acharíeis mais exequível, ou viável, relativamente a mover a atenção. Se voltardes a vossa atenção para um dos vossos sentidos – não para os vossos sentidos todos no geral, escolhei um, e eu sugeriria que escolhêsseis outro para além do da vista, por vos achardes demasiado familiarizados com a vista – mas se voltardes a vossa atenção para um dos vossos outros sentidos e concentrardes a vossa atenção de uma forma autêntica no que esse sentido estiver a introduzir, durante vinte segundos, a vossa atenção ter-se-á rompido. A vossa concentração nesse sentimento foi interrompida de uma forma bem-sucedida. Vinte segundos é tudo quanto é exigido. Na verdade podeis conseguir com uma maior rapidez do que isso, mas vinte segundos irá definitivamente romper com a concentração que exerceis no sentimento, independentemente da intensidade que possa apresentar.



Patricia: Bom, porque anteriormente o que eu devia fazer era… não me sentia confortável com a intensidade dos sentimentos, de modo que tentava silenciar e esconder isso, de modo que agora acabo confusa quanto ao que será apropriado fazer, ou o volume da intenção que devia dedicar a esse sentimento, agora que… de modo a não começar a amontoar isso no meu corpo.



Elias: O que te diria - esta é uma excelente pergunta – que o período de tempo necessário para prestar atenção a um sentimento é o período de tempo que te levar a definir o que seja.



Patricia: Mas isso acalma-se.



Elias: Assim que definires esse sentimento, não mais se fará necessário que lhe prestes atenção. Isso é tudo quanto é requerido, ou seja, que o definas: “Que sentimento é este? Que é que eu estou a sentir?” Assim que o tiveres definido, esse será a altura para desviares a tua atenção dele, por já não se te servir a nenhum propósito. Assim que tiveres definido aquilo que é.



Patricia: Está bem. Obrigado.



Elias: Sim?



Adam: Obrigado. Adam Sims. Eu tenho uma pergunta muito semelhante à dela, de modo que estava a pensar no meu caso, em como passo por terríveis enxaquecas e estava a pensar em identificar o que a enxaqueca representa, e o que seja, mas os Scans e os exames e tudo o mais, sabes, não fui bem capaz de pôr o meu dedo na coisa, e creio que, para além do contexto das razões concretas, mas também gostava de saber se me poderias revelar uma maneira, para mim pessoalmente, mas também tenho uma pergunta sobre o reconhecimento disso, ou do afastamento da minha atenção, de forma a me afastar da dor resultante da enxaqueca. Para mim é verdadeiramente difícil quando me sinto mais ou menos enjoado e isso se apossa de mim... e quando enfiamos a cabeça debaixo da almofada, no escuro, torna-se difícil dar atenção a qualquer outra coisa, mas sabes como é, esta estaca enfiada na cabeça… De modo que queria ver se me poderias ajudar com isso.



Elias: Muito bem. Torna-se-vos muito difícil desviar a atenção dos sentimentos intensos, quer sejam emocionais ou físicos. Dos sentimentos de natureza física (sensações) é especialmente difícil desviar a atenção por parecerem ser abrangentes ou englobar tudo. O factor dos sentimentos de natureza física, que é um tanto diferente dos de natureza emocional, é que no caso dos sentimentos físicos, assim que o sentimento físico tem início, vós automaticamente generalizai-lo. Essa é uma acção automática, que todos empregais. Generalizai-los ao dizerdes para vós próprios que é constante. Nenhuma forma de dor é constante! Não existe manifestação física que seja constante. Elas mostram-se intermitentes, só que vós generalizai-las e dizeis que sejam constantes; consequentemente, deixa de se apresentar qualquer intermitência mas unicamente uma constância. E consequentemente isso é o que percebeis e o que sentis. Não é exactamente o que tem lugar, mas corresponde àquilo que sentis.



Agora; aquilo que te vou dizer tem dois aspectos. Um que diz respeito à prevenção e o outro em relação à acção ou ocorrência efectiva dessa manifestação. Em relação ao caso em que essa acção já esteja a ter lugar, sim, concordo em que seja muito difícil afastar a atenção disso. Uma vez mais, vou dizer que desviar a vossa atenção para um sentido pode revelar-se completamente eficaz. Bom; numa acção tal como uma dor de cabeça ou uma enxaqueca, eu sugeriria que desviasses a tua atenção para o teu sentido do toque, por o teu sentido da audição e o teu sentido da vista, e mesmo o teu sentido do olfato já se encontrarem agudamente agravados, e por já estarem a tentar desligar-se por ser irritante a agravação em que se encontram.



Mas, o teu sentido do toque é o único sentido a que estás a prestar menos atenção. A razão por que digo que é àquele a que prestas menos atenção deve-se ao facto do teu sentido do paladar estar estreitamente associado ao teu sentido do olfato, e se estar igualmente a fechar. Mas em relação ao teu sentido do toque, o toque não é só o que experimentas fisicamente através do contacto com um objecto. O toque é igualmente o que a tua pele está a sentir. Portanto, o que a tua pele está a perceber. E nessa medida, em vez de concentrares a tua atenção no interior da tua cabeça, volt6a-a para o exterior da tua cabeça. Que está ela a experimentar? Que estará o exterior da tua cabeça a experimentar? Por o (que se situar no) exterior da tua cabeça não se encontrar sob o efeito da dor. Que é que ele sente? Que temperatura sentes? Que sensação sentes? Que estará ela (pele) fisicamente a tocar caso esteja em contacto com um outro objecto qualquer? E se não estiver, qual será que o ar expressa em relação ao toque?



Dessa forma estarás a desviar a tua atenção para um sentido, mas estás igualmente a identificar ou a reconhecer o desconforto (que sentes) num local particular, na tua cabeça, e estás a desviar a tua atenção para um aspecto da tua cabeça que não está a experimentar dor, a fim de reforçares na consciência do teu corpo que não se trata dessa generalização completa. Não é a tua cabeça completa que está a gerar dor; há aspectos da tua cabeça que não sofrem dor. Por conseguinte, isso vai interromper essa concentração na dor e vai interromper a generalização de toda a tua cabeça estar a ser afectada, por não estar.



Agora; relativamente à prevenção, as enxaquecas são uma expressão de “Fuga” (riso solto). Não importa quem sois, essa é a expressão de uma enxaqueca. As enxaquecas são tipos bastante específicos de dor de cabeça, e quando a consciência do corpo produz essa acção, constitui uma expressão intensa, constitui uma reacção da parte da consciência do corpo em que a vossa consciência do corpo está a expressar: “Afasta-se,” ou “livra-te!” Ora bem; o que é importante é terminar esse manifesto com “o quê”. Em relação ao que é que estais desesperados por vos afastar? Por essa ser uma manifestação de desespero. Quando as pessoas geram enxaquecas, dores de cabeça, estão a gerar uma energia de desespero nelas que está a instruir e a conduzir a consciência do corpo a essa manifestação particular, por essa manifestação particular fazer o quê? Não só vos interrompe os sentidos. Que é que faz mais? Detém-vos o pensar!        



Desvia-vos daquele aspecto de vós próprios em que vos focais tanto e de que dependeis tanto, que é o mecanismo do vosso pensar. Interrompe o mecanismo do pensamento e tudo quanto sois capazes de fazer com o pensar é dor, sofrimento, dor, sofrimento, e fugir dele. Não estais a tentar fugir à dor. Estais numa expressão desesperada de fuga em relação a uma fonte qualquer; pode ser uma fonte interior, tal como recordações, ou podeis estar a desvalorizar-vos e estardes a sentir-vos desconfortáveis com essa desvalorização. Pode ser uma depreciação como “eu não posso, eu não devo, eu não tenho”, sem remédio, que pode conduzir a essa fuga desesperada. Assim como também pode estar associado a uma fonte externa, alguma acção que esteja a ter lugar ao vosso redor que desencadeie alguma expressão desconfortável em vós, que seja de tal modo desconfortável que não vos permitis pensar nisso e relativamente ao que não vos permitis sentir sequer, em razão do que criais o sinal extremo. O sentimento emocional não se revela suficiente. A expressão é demasiado desesperada, de modo que denuncia um “fugir imediato, um fugir imediato”, e isso acumula-se.



Adam: Mas funciona.



Elias: E é muito eficaz.



Adam: Obrigado por isso, no que me compete eu vou pensar nisso e tratar disso, mas já dá para perceber. Eu costumava ser muito activo e correr vários quilómetros ao dia e coisas assim, mas o aspecto físico disso começou a ser-me tirado... o aspecto físico disso começou a ser-me tirado por meio de certos tipos de complicações cardiovasculares que desencadeavam as enxaquecas. Para dizer que nesse pequeno exemplo, isso é algo que me agrada...



Elias: Procura nas associações. Lembra-te de que as associações influenciam bastante e que podem ser desencadeadas por uma miríade de modos: por um odor, por uma cor, por um movimento; não é necessário, nem exige acções manifestas nem consideravelmente óbvias para o desencadear, razão por que afectam tanto, por poderem ser desencadeadas muito facilmente e de maneiras muito óbvias. Eu sugeria que buscasses nas associações que moldas, porque mesmo nas actividades ou acções ou escolhas que vos são aprazíveis, ou que vos são benéficas, se empregardes associações que sejam de natureza depreciativa ou de desvalorização pessoal, elas podem tornar a influência de uma expressão de que vós gosteis numa expressão de infelicidade.



Por isso, avalia a acção que está a ser prevenida, e permite-te proceder a uma avaliação nisso: “Que outras ramificações foram ligadas? Quando terá sido que passei por esta acção, mesmo que tenha gostado de passar por ela?” Um exemplo hipotético: Uma pessoa pode ser corredora e gostar muito dessa actividade e concentrar-se bastante a validar-se e a colher benefícios dela, e pode produzir essa acção de uma forma bastante consistente, e a certa altura, enquanto está na sua rotina habitual da corrida, pode igualmente estar a envolver-se com uma outra pessoa que tenha uma importância considerável para ela, e essa pessoa estar em dificuldades ou mesmo morrer, e nessa medida, não associardes a corrida à escolha da outra pessoa, por a rotina habitual dessa essa acção accionar a memória da consciência do corpo. E com isso, a corrida durante um certo período de tempo torna-se numa actividade que a pessoa utiliza a fim de se distrair, para fugir dos sentimentos.



Concentra a sua atenção numa actividade de que gosta e em que é exímia, mas a consciência do corpo regista essa associação. E por isso pode tornar-se num factor de desencadeamento dessa fuga.



Adam: Agradeço imenso. Obrigado.



Elias: Não tens de quê. Quem se segue?

Sim?



Carole: Olá, daqui fala a Carole, do Connecticut, cujo nome da essência é Aileen. Estou a escutar o que o Adam diz, e é interessante, por ter andado a pensar como está relacionado com este imenso problema que tenha na vida, em que tenho um filho a quem foi diagnosticada esquizofrenia, de que já falamos diversas vezes. (O Elias responde que sim) E ao escutar as sugestões que deste ao Adam, gostava de saber o que possa ser benéfico no sentido de lhe garantir algum repouso em relação aos problemas dele que aceleram a ponto de agora ver e ouvir coisas. Muitas vezes também diz ser constante, embora eu saiba que não é constante, por constatar alturas em que não acontece, por entender… como todos compreendemos. Contudo, ocorreu-me que tenha começado de um modo visual e agora também tenha assumido o aspecto auditivo... a acrescentar às obsessões em relação a essas coisas que lhe ocupam constantemente a mente  e a vida, e ele diz estar em constante dor... E ao ouvir o Adam, gostava de saber se a informação que nos transmitiste poderá ser benéfica… (Elias responde que sim) para o meu filho igualmente. Parece ser algo que pode não ter tentado. Eu conversei com ele sobre tentar conduzir a consciência dele até ao corpo, só para experimentar a consciência do corpo dele, mas não parece ser capaz de tal coisa. Pode ser que, se fosse um pouco mais explícito ou específico, isso pudesse ajudar mais.



Elias: Como estarás inteirada, reconhecendo a dificuldade inerente ao acto de afastar a atenção dessas expressões, mas reconhecendo igualmente que quanto mais atenção lhes prestar mais tenderão a persistir. Quanto mais prestar atenção ao sentido auditivo ou da visão, mais criará isso. Nessa medida, nesses tipos de situações, por vezes pode tornar-se mais benéfico para o indivíduo, criar o contrário, por assim dizer, e exteriorizá-lo. De forma semelhante ao desvio da atenção para a vossa cabeça, em vez de o fazerdes para o cérebro, conforme foi citado há pouco; para o exterior da vossa cabeça ao invés do interior. Por vezes pode ser mais benéfico...



Carole: Já tentamos isso, na verdade já berrei às alucinações, e ele gosta que eu faça isso, mas só funciona por um certo tempo.



Elias: Não. Essa não era a questão. Não é exteriorizar de maneira de criar uma coisa; isso apenas lhe concede mais poder. Quando prestas atenção a essas manifestações a ponto de criares uma manifestação dessas, uma coisa, isso concede uma expressão de poder à manifestação, e isso desinveste o indivíduo do poder, por então essas manifestações incorporarem uma quase forma, e consequentemente se tornarem independentes do indivíduo. Quando eu refiro “exteriorizar” aquilo que estou a dizer é não encarar isso em separado dele próprio, mas como um aspecto real dele próprio que ele pode, por assim dizer, exteriorizar, ao reconhecer que as vozes e as visões estão a ser expressadas como uma manifestação do medo.



Ele já não se sente seguro. Ele já não acreditar que pode confiar. Por isso, comunicar-lhe que se encontra em segurança ou que pode confiar não faz sentido, por ele já acreditar que não é verdade. Nessa medida, trata-se mais de um factor de atribuição de uma identificação à manifestação. É um aspecto dele, aspecto esse que é o medo. Ele sente-se em perigo. Lembra-te de que a segurança não constitui um estado de espírito, mas um sentimento. Por isso, é uma questão da exteriorização inerente à descoberta de um aspecto qualquer no seu ambiente que seja seguro. Que será que para ele representará algo que lhe dê segurança?



Carole: Isso é uma pergunta ou é figura de retórica?



Elias: É figura de retórica. Nisso, é uma questão de o encorajares a essa descoberta da definição da segurança, independentemente do que seja que não importa o que seja. Essa é a situação de “enfrentar o leão”. “Enfrentas o leão” e ao enfrentares o leão tanto podes ficar aterrado de medo, e concentrar-te no medo - e o que é que acontecerá? O leão comer-te-á! – assim como podes fugir para a segurança, e o leão não te comerá. Podes concentrar-te nos dentes do leão, aterrada de medo, e ser comida. Também podes deixar de te concentrar nos dentes e correr para a segurança. É uma questão de descobrires o que o leve a sentir segurança, independentemente do que seja. E nessa medida, reforçar continuamente esse sentimento de segurança de forma a permitir que comece a confiar nesse sentimento de segurança. Essa segurança é diminuta, por ele ter edificado a insegurança pelo aspecto de um monstro enorme.



Nisso, quanto mais ele prestar atenção à segurança, mais ela crescerá, e se tornará maior. O que não quer dizer que o monstro da insegurança diminua progressivamente; isso é um equívoco. A insegurança não se torna necessariamente mais reduzida, e pode permanecer um monstro enorme, só que a segurança cresce e torna-se progressivamente maior, até que eventualmente se torna do mesmo tamanho da insegurança. E quando a segurança se torna do mesmo tamanho que a insegurança, e esta pode esconder-se atrás dela, e a insegurança começa a afastar-se, por não mais lhe captar a atenção mais. Por se esconder atrás da segurança, e ele não a consegue ver, nem ela o consegue ver a ele.



De certa forma, essa é metáfora do jogo das escondidas, só que um jogo de escondidas mais eficaz. E representa um processo, porque, nutrir a segurança para a levar a aumentar até atingir o tamanho do monstro enorme envolve uma questão de tempo e de paciência, de permissão. Não implica forçar. E poderá haver alturas em que a segurança seja temporariamente alcançada, por o monstro ser maior, mas a segurança não se esvai, e pode continuar a crescer. Por isso, é esse encorajamento e apoio, é isso que quero dizer com exteriorizar, por não estarem a criar uma entidade separada, uma outra coisa que possa ser mais capacitada. Mesmo que te viras aos berros a ele, estás a dar atenção a isso. Isso ainda está vigente, por lhe estares a berrar, pelo que ainda está a produzir o poder. Mas se ele der atenção ao que representar a segurança, que pode ser um canto, uma almofada, um pequeno objecto, pode ser uma acção em que ele consiga objectivar a segurança, talvez essa segurança se apresente intermitente: “Se eu estiver a pestanejar não conseguirei ver o monstro. Não importa que segurança seja, ou o quão insignificante pareça. É uma questão de a edificar, reconhecendo que é segura: “Tu podes acreditar nisso, e isso não te poderá ser tirado, por te pertencer, e tu o possuíres.” E dessa maneira ele poderá começar a edificar essa forma de capacitação.



Mas também te diria que ele escolheu essa manifestação pelo que sugeriria, a título de compaixão, para não te voltares no sentido de te enganares com a expressão de eventualmente ele um belo dia ele vir a alterar isso por completo, por ser muito provável que não o venha a fazer. Ele escolheu essa manifestação, e pode optar por alterar aspectos dela, e podia optar por a alterar na totalidade, mas essa não é a direcção que ele escolheu neste foco – e este é apenas um foco! Reconheço as dificuldades que isso impõe no relacionamento, mas importa recordar o que tem importância para ti e o que constitui um benefício para ti; não: “O que é importante para mim em relação a ele, nem o que represente um benefício para mim, em relação a ele.” Mas o que represente um benefício para ti e o que seja importante para ti, por ele já estar a produzir o que é importante para ele.



Carole: Obrigado.



Elias: Não tens de quê. Seguinte. Vou dar lugar a mais uma pergunta.

Sim?



Mark: Elias, aqui fala o Mark de novo. Gostava de voltar de novo à questão das dores de cabeça, enxaqueca, e a questão assenta no seguinte: compreendo que tentar aliviar a dor de cabeça focando a minha atenção num outro sentido como o do toque… a pergunta que tenho a fazer é: quando presto atenção aos músculos… (Inaudível) um exemplo seria, eu encontro-me num ambiente, e presto atenção à mensagem que me é comunicada, potencialmente reconfigurando a energia... não necessariamente abandonando o ambiente… Não sei como formulara questão… enfrentar a mensagem e fisicamente afastar-me, mas isso leva-me a evitar.



Elias: Não necessariamente. Mas sim, eu estou a entender a confusão que estás a criar. Se conseguires compreender discernir o teor da mensagem e fugir disso, e responderes ao “O quê?” pode necessariamente não ser uma situação em que te acauteles em relação à mensagem, por assim dizer. É mais uma questão de avaliares o que está a motivar isso, qual será a associação que se revela fonte de tal desconforto para ti em relação a isso que estejas a expressar dessa forma extrema que é o voltar costas ou fugir. Eu diria que é uma questão de avaliares o que representará uma ameaça. Isso será atender com uma maior precisão à mensagem: avaliar em que consiste a ameaça, por ser óbvio que existe uma ameaça de que precisas fugir. E nessa medida, se tu conseguires avaliar e discernir e definir essa ameaça, também serás capaz de avaliar se representará uma ameaça válida ou se será uma consequência que tenhas inventado, ou se será uma expectativa que tenhas criado, uma antecipação de uma expressão qualquer que tenhas presumido ou imaginado, ou se será uma experiência passada que te seja tão desconfortável que te afecte continuamente.



Nesse sentido, é uma questão de te recordares que essa é a maneira que te diriges a isso – que isso não está a ter lugar. Tu sobreviveste, mais do que isso: Tu cresceste, e estás continuamente a crescer, expandiste-te e continuas a expandir-te, estás presente, e isso não tem lugar no agora. O que não pretende desconsiderar a severidade da questão que tenha dado lugar à criação da associação de teres que fugir dela, mas é mais reconhecer para ti próprio que sim, isso ocorreu, essa foi a resposta que dei à coisa, essa foi a avaliação que fiz da coisa, e pode não ser boa, e a opinião que tiveres disso pode não ser a melhor, mas não é agora, (o cão da Mary ladra) não está a ter lugar agora, e tu estás diferente. Isso é significativo. “Eu não estou desamparado, e não me encontro nessa posição, agora.” Isso faz parte da ameaça, essa associação automática que despoleta essa sensação de te encontrares na mesma posição. Mas não estás. Estás diferente. Estás diferente a cada instante. Não és o mesmo que eras há cinco minutos.



Nessa medida, seja qual for a associação que tenha gerado tal intensidade de resposta que tenha dado lugar à intensidade que o sinal físico apresentou, podes assegurar-te de não te encontrares nessa posição neste momento.



Mark: Então se reconhecer que não existe ameaça – não estou mais nessa posição – na verdade preciso afastar-me do…



Elias: Aquilo de que estás a tentar fugir é da repetição dessa sensação desconfortável. Não queres voltar a experimentar essa sensação de desconforto, mas nem sequer a estás a experimentar de novo; substituíste-la pela enxaqueca de forma a te fechares antes de poderes experimentar isso. Por isso, não a estás a experimentar de novo; mas quando te permitires avaliar. “Agora, não me encontro nessa posição, nem sequer estou a voltar a experimentar isso de novo; estou simplesmente a antecipar. A ameaça constitui uma consequência que eu formulei...



Mark: Por estar verdadeiramente a fugir de mim próprio.



Elias: Correcto. (Riso na plateia) Muito bem. Expresso-vos um enorme encorajamento a todos e a cada um, e um lembrete, para prestardes atenção por já estardes, de uma forma significativa, a criar o que é importante para vós e o que vós quereis; vós já o conseguistes! (Alguém comenta: “Amén!”, seguido de riso) É unicamente uma questão de o perceberdes, prestando atenção.



Grupo: Woo woo. Batem palmas.



Elias: Para todos os meus queridos amigos, com um enorme afecto, e como sempre com um enorme encorajamento, até ao nosso próximo encontro, au revoir.



Grupo: Au revoir. (Batem palmas de novo)



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