domingo, 6 de janeiro de 2013

“EXPRESSÕES DE TRAUMA E DE AUTORIDADE E DE MUDANÇA”


Sessão de 03/01/2013
Participantes: Ann e Mary (Telefone)
Tradução: Amadeu Duarte (Excerto)
...

Elias:  Eu diria que esta é uma altura em que é importante para aqueles de vós que estão cientes de estar a expandir-se e de estarem a mudar, de prestarem atenção e olharem além da rama para o que está a acontecer e desse modo produzir uma energia de encorajamento dos outros no sentido de não se deixarem sucumbir aos estratagemas do medo por meio da distracção do problema e tentar passá-lo para uma questão completamente diferente. Esta situação não é uma situação que diga respeito às armas. Esse é um assunto completamente diferente. E se esse assunto estivesse a ser suscitado, vós haveríeis de apresentar um cenário completamente diferente a vós próprios, coisa que não fizestes por não estardes preparados.

Ann: Claro.

Elias:  Mas estais preparados para começar a abordar por meio desse reconhecimento da existência de milhões e milhões de indivíduos em tenra idade que nasceram no âmbito da acção objectiva desta mudança (de consciência) e que nessa medida se estão a orientar por eles próprios e que se estão a expressar de uma forma mais genuína em relação a eles próprios, forma essa que não constitui expressão de disfunção nenhuma e que não deve ser classificada como disfunção mental, emocional ou física. ELES SÃO DIFERENTES! A vossa realidade está a mudar, e ficar cativos das directrizes do que definis por norma é ridículo. Por estar a mudar. A cada nova década que passa na vossa realidade o número daqueles que não funcionam e se expressam pelo que designais por forma “normal, duplica. Por o “normal” não mais constituir a norma. Mas vós deixais-vos reger por isso e desse modo deixais de entender a questão. (1)

Quando um indivíduo, tal como este jovem, (aludindo ao autor da matança verificada numa escola do Connecticut, a 29 de Setembro de 2012) elege a opção de empregar uma acção que na intenção que tem é concebida como medida de prevenção – não de ofensa, por ele não ter tido a intenção de ofender os pequenos ou quem quer que fosse; o que pretendia era deter a perpetuação de um sistema inadequado que promove a oposição e a desvalorização do indivíduo e da expressão individual. Sistema que desvaloriza e promove a uniformidade e desencoraja a diferença e continua a tentar educar da mesma forma que educavam há cinquenta, sessenta, setenta anos atrás, sem qualquer atenção pelo facto de quanto vós, enquanto espécie, e o vosso mundo, evoluístes e mudastes, mas que continua a educar-vos da mesma forma. Isso é que representa uma disfunção, não o indivíduo.

Podem discordar do método empregue, mas ele captou-vos a atenção. Mas nessa medida, independentemente de tentardes continuar a não prestar atenção à mensagem actual, essa mensagem é endossada como uma questão de armas, e não uma questão da instituição que permeia a vossa sociedade que se encontra bastante em oposição ao vosso próprio movimento.

Ann:  Se tivesse sido o caso de um jovem que frequentasse a escola, sabes, isso poderia suscitar mais a ideia de se tratar de uma questão ligada à instituição, mas o facto de não frequentar a escola e de se ter dirigido à escola, corrobora menos essa teoria. (Nota do tradutor: Na verdade é, ao contrário, um indicador sintomático!)

Elias:  Eu gostaria de dizer que se trata de um indivíduo que frequentou o vosso sistema educativo obrigatório e que passou pela experiência disso. Não foi por acaso que aqueles que ele tentou libertar estavam a começar a frequentar esse sistema...

Ann: Claro.

Elias: ...aqueles que se encontravam no que designais por primeira classe...

Ann: Claro.

Elias: ...e que ele tentou deter primeiro e “libertar” desse sistema disfuncional. Impedir que tivessem que suportar doze anos de, por assim dizer, doutrinamento da disfunção e de desvalorização do indivíduo e de classificação de todo aquele que não se enquadra nos perímetros do que foi estabelecido (referido) como norma conforme foi definido há setenta anos atrás. Não agora! Eu reconheço que para a maioria a eleição do método que ele promoveu pode ser repreensível e que a maioria de vós discordará dele, mas também diria que vos captou a atenção.

Ann: Claro. Muitas vezes me interrogo, sabes... eu sei que uma pessoa pode fazer uma enorme diferença e tu deste-me um exemplo disso ao apontares o caso do tipo que deu início ao derramamento de crude, ao não prestar atenção ou seja o que tiver sido, e sempre parece exigir uma acção qualquer... poderá ser o caso de uma diferença energética que nós... digamos que eu não iria cometer acto nenhum, o que é óbvio, por estar encarnada – mas se cometesse – ou se alguém se imiscuísse em termos energéticos numa situação propensa – isso iria afectar o mundo.

Elias:  Afecta sim. Cada um de vós projecta continuamente energia que se propaga por ondulação para o exterior e vai influenciar e...

Ann:  É tão potente quanto um movimento físico empreendido no mundo físico? Creio que depende apenas do tipo de movimento, não?

Elias: Depende do movimento e nessa medida eu diria que se trata de uma pergunta falaciosa. Porque, num sentido, dir-te-ia que sim, que é muito potente. Mas num outro sentido, dir-te-ia que não é tão eficaz quanto uma expressão física. Mas o que te diria é que na verdade a expressão energética é muito mais eficaz mas é importante relativamente a vós, enquanto espécie física, que também incorporeis um ponto de referência concreto, e assim, acções concretas. Aquilo que impulsiona a mudança é a expressão energética colectiva, mas o que impulsiona a expressão colectiva é o ponto de referência físico.

No foco físico, a massa colectiva das pessoas requer uma acção concreta, uma figura de proa física que lhes lembre de uma forma objectiva que se encontram interligadas. Por mote próprio, individualmente, tendeis a esquecer o quão interligados vos encontrais e o poder que a vossa energia possui, por terdes concebido uma realidade, um mundo físico em que vos expressais como entidades separadas. Pelo que acreditais ser importante e de certa forma necessário que crieis uma acção física ou um representante, por assim dizer, uma "ponta de lança" que vos possibilite a todos, em massa, expressar a interligação e validá-la pelo reconhecimento objectivo de incorporardes causas comuns e sentidos comuns de orientação, e vos permita, em massa, focar-vos numa direcção particular em vez de vos dispersardes individualmente. Por isso dir-te-ia que é importante empregar uma acção concreta (física). Também se torna importante incorporar uma "ponta de lança", por assim dizer, por intermédio do que a energia de uma paixão formidável possa ser focada em direcções específicas. Também capacita o indivíduo. Quando o indivíduo sente ou percebe constituir parte de uma colectividade, sente-se mais capacitado, mais habilitado.

Reconhece o poder da colectividade e o facto de fazer parte dele, o que lhe permite reconhecer o poder individual que tem com uma maior capacidade do que automaticamente seria capaz, ao nível individual. Por isso, é importante sem dúvida. Sim, é significativo, e vós produzis efeitos e influenciais em termos energéticos não obstante o facto, e estais sempre a influenciar em termos energéticos, por estardes todos a projectar energia. Mas é uma questão do modo como querereis projectar energia e em que direcção a querereis projectar. Se vos concentrardes unicamente em vós próprios e na vossa orientação pessoal e no que quiserdes fazer e no modo como quiserdes criar a vossa realidade individual, estareis continuamente a projectar energia em relação ao vosso mundo, mas não será tão necessária ou obrigatória para associardes energia ou combinardes energia com a colectividade.

Ann:  Bom, deixa que te pergunte o seguinte: tomemos por um instante, digamos, eu enquanto indivíduo pretendi afectar a consciência de massas e levá-la a tomar consciência do facto das instituições não nos fornecerem ajuda nenhuma e... ou, na verdade são destrutivas. Caso eu pretendesse dizer que queria fazer isso, parece que não quereria... não é que me veja muito na disposição que traduza isso pelo que queira fazer, ou que corresponda ao passo seguinte que queira dar... Na realidade não saberia necessariamente o que fazer, ou como proceder para chegar a isso. E se eu tivesse feito qualquer coisa, não parece que pudesse resultar de uma energia na base ou de bastidores, em vez de ser eu a provocar um movimento com base no que me estivesse a entusiasmar de uma forma apaixonada... Creio que nos movimentos que empreendo ao longo da vida, parece que os passos mais influentes que tenha dado que me tenham mudado mais a vida ou que me tenham conduzido para onde queria, tenham sido dados de uma forma quase acidental; é isso que creio que estou a tentar expressar. Caso eu predeterminasse aquilo que ia fazer e me propusesse a fazê-lo, isso jamais funcionaria tão bem quanto...

Elias:  Eu estou a entender. E com base nessa premissa diria que é muito semelhante em relação às expressões que obtém por parte das massas. Porque, se examinarmos os indivíduos ao longo da história, mesmo aqueles que se inclinavam de um certo modo a autopromover-se a algum lugar cimeiro de liderança, os indivíduos que se tornaram líderes significativos – e estou a referi-lo no geral, e independentemente do facto de os julgardes como bons líderes ou maus líderes, o que não importa por ocuparem essa posição de liderança – e no geral aqueles que se movem para uma posição dessas, não têm necessariamente a intenção de estar nessa posição. O que tem lugar é que uma aglutinação da energia das massas se avoluma num sentido e o indivíduo se apresenta na altura oportuna em relação a essa aglutinação da energia para se tornar num ponto de referência, por assim dizer, e a energia das massas figurativamente quase empurra o indivíduo para essa posição.

As pessoas de certa forma na sua energia propõem posicionar-se nesse ponto de referência ou posição de liderança, ao darem expressão a uma certa disposição para ocuparem uma posição de vanguarda, mas a partir daí, esse mesmo indivíduo é quase que empurrado para a globalidade da posição que eventualmente acaba por ocupar. Por as massas o empurrarem para essa posição como um ponto de referência, ou "ponta de lança" que permite às massas usar essa posição que o indivíduo ocupa e as acções que pratica para afectar as mudanças que as massas pretendam instaurar numa altura particular. Agora, em relação a isso também te diria que todo o indivíduo que for empurrado para essa posição, já saberá no seu íntimo que apresenta o potencial para ocupar essa posição. Não se trata necessariamente de uma acção que planeie empreender, mas de uma acção em relação à qual tem conhecimento. E há muitos indivíduos que têm conhecimento disso que na verdade não avançam para essa posição devido a um factor de tempo e ao facto de a oportunidade constituir o factor que envolve o volume de energia de massas acumulada que estiver a obter expressão. Por isso, há muitos indivíduos que têm conhecimento disso no seu íntimo, de possuírem esse potencial...

Ann:   Muito bem, então...

Elias: ...de poderem ocupar potencialmente essa posição e nunca chegarem a perceber que num enfoque particular a energia de massas pode ainda não se ter acumulado por completo a ponto de apoiar colectivamente esse indivíduo.

Ann:  Está bem, então digamos que enquanto indivíduo não faça parte daqueles que têm o potencial para arrebatar a consciência das massas ou para ser "ponta de lança" mas que tenha o desejo. E que, tal como eu, este meu foco, tenha o desejo de viver num mundo mais... num mundo em que prevaleça a autoridade do indivíduo (Nota do tradutor: subentenda-se por isto, a capacidade de se afirmar sem suportes ou dependência exteriores) que não careça de tantas instituições, e destituído de dinheiro. Que acção deverei empreender para produzir tal coisa?

Elias:  Praticando os actos que te sentires inspirada a praticar. Sois todos vós, indivíduos como tu, que criam essa colectividade quem eventualmente descobrirá e passará a erigir essa "ponta de lança". Por serem os indivíduos semelhantes a ti que instauram esse movimento e implantam nele a orientação e o poder e a paixão. Nessa medida, diria tratar-se da questão de seguirdes aquilo que vos apaixona com conhecimento de que essa energia está a contribuir para a energia colectiva que afectará a mudança. Mas é importante ter consciência daquilo a que estais a prestar atenção e o que estais a fazer. Não sucumbir às expressões do medo, nem do encorajamento do medo. Não se voltar para as influências  relativas ao teor da mensagem por várias expressões contrárias às acções e permitir-vos genuinamente avaliar o que esse teor comporta. Não seguir simplesmente às cegas aquilo que vos é expressado ou o que vos é sugerido: “Esta é a razão para isto; esta é a razão para aquilo.” Não necessariamente! Mas seguir aquilo que pensaise não aquilo que vos é dito; vós possuís consciência própria, vós estais a mudar. E quanto mais vos direccionardes nesse sentido, mais energia e paixão projectareis para o vosso mundo, no sentido de encorajardes os outros na mesma direcção. E isso é o que vai criar a acumulação ou a aglutinação que eventualmente irá produzir a "ponta de lança" que afectará a mudança por uma expressão mais massiva.

Ann: Ah, Elias, a campainha disparou e não acredito que a primeira meia hora desta sessão não ficou gravada, mas vou fazer isso da próxima vez que conversarmos, por querer falar mais sobre o tema. Isto é...

Elias: Muito bem.

Ann: ...Eu quero que esta "festa" tenha início e tenho que te dizer que...

Elias: Ah ah ah ah!

Ann:  Ah ah ah! Quero mesmo. Já é tempo... sabes com é... já não assisto mais às notícias mas penso com respeito às questões dos bancos e dos governos e agora em relação às escolas.  Só quero pôr cobro a isso, Elias.  Quero pôr um fim a isso e partir para a criação de uma forma de viver completamente diferente.

Elias:  E eu encorajar-te-ia nesse sentido, minha amiga. 

Ann:  De modo que é disso que iremos falar na próxima vez, e vou-me assegura de deixar tudo gravado por ter vontade de partilhar isto. Mas agradeço-te Elias e Deus meu... tenho certas coisas... tenho que me pôr a andar. Tenho que ir embora.

Elias: Ah ah ah! Mas eu encorajar-te-ia  excepcionalmente, minha cara amiga, e fico a antecipar o nosso próximo encontro e conversa.  Ah ah ah!

Ann:  Eu também. Obrigado Elias.  Como sempre, como sempre, ciomo sempre, uma enorme afeição...

Elias: Como sempre para ti, com um enorme afecto, os meus parabéns e encorajamento na tua nova aventura.  Para ti, minha querida amiga, au revoir


NOTAS DO TRADUTOR:

(1) Um comentário peregrino sobre o pode estar aqui a ser objecto de consideração: o sistema de educação a que o Elias aqui alude como “disfuncional”. O modelo do sistema educativo vigente é de facto o mesmo que passa pela seleção dos aptos e a eliminação dos ineptos, ou para o referir em termos eufemísticos, o filtro daqueles que deem provas de qualificações que os permitam ajustar-se aos moldes exigidos por uma sociedade competitiva que visa a unilateralidade de estereótipos em que se sustenta e se ergue empiricamente com base na norma do bom e do melhor, em detrimento do são e do natural. 


O modelo que abandona os ineptos à sua sorte, para a exclusão e consequente segregação por parte dessa sociedade voraz, uma sociedade que tem já ao seu dispor todo o conhecimento de que necessita para estabelecer a diferença e deixar de classificar os indivíduos consoante as aptidões ou falta de aptidões superficiais que apresentam - repito, aptidões superficiais, irrisórias - da destreza mental ou intelectual e da ambição competitiva, e da especialização num mundo de ordem sistémica e não assente na exclusividade, e que não encoraja o empenho, a capacitação, vontade e a integração e o valor do indivíduo, mas que falha (muitas vezes) em lhe prover isso nessa fase elementar.



Irrisórias, por não serem verdadeiro garante da segurança que se almeja, nem da satisfação das aspirações nem tampouco da distinção – não me refiro ao verniz da respeitabilidade, por esse não se reportar necessariamente ao respeito próprio e assentar na imitação e na conformidade mais ou menos estrita pelos moldes convencionados. 


Uma sociedade que não educa para o poder do indivíduo mas contrapõe constantemente medidas, tantas vezes ineptas por se basearem e procederem dos anais do conformismo, de uma profilaxia assente na prevenção do mal e na dissuasão, em vez de no verdadeiro interesse pelo indivíduo e no desenvolvimento do seu potencial!



E os estágios iniciais desse sistema educativo são significativos, por os catraios, à semelhança de esponjas, absorverem inconscientemente todas as noções e impressões de diferença e de classificação e qualificação e não disporem de capacidade de compreensão nem de argumentação para as processar ou debater, noções essas que radicam muitas vezes na distinção de bem e mal, de certo e errado, e superficiais porque dirigidas para o questionamento do próprio ao invés de o direccionar para a compreensão da questão em si mesma, e que assim começam a pavimentar o terreno tortuoso e exigente que pode, quando instiladas de forma gratuita e indiscriminada, representar um estigma que permanece erroneamente como bitola de avaliação do indivíduo, pelo próprio, para toda a vida.





Essa problemática não é de fácil apreensão para o cidadão atarefado e desatento comum, e pode resultar numa leitura tão mais desconcertante e fora do contexto quanto se propuser de forma gratuita, mas como representa a súmula da intenção do Elias – que muitos, mesmo no círculo do seu fórum falham em compreender – quero aproveitar para expor o mais sucintamente que me for possível sem deixar de o contextualizar, numa quase explicação da Teoria da Caverna” enunciada por Platão, que se adapta fortemente à situação.



Devo, antes de mais, salientar que ao traduzir e ao fazer referência ao Elias como ponto de referência excelente, não estou a encorajar a fidelidade ao “mestre” ou “guia” espiritual, porquanto ele nenhuma dessas coisas é, mas uma voz que clama no deserto, para o descrever em termos um tanto poéticos, e que apela à compreensão criadora. Por isso, não estou a impingir nenhum novo expoente espiritual a seguir nem a encorajar nenhuma nova corrente religiosa, coisa que seria completamente ridículo. Ele é um espelho, um excelente espelho, diria, da nossa compreensão e das nossas aspirações e do nosso potencial. Caberá a cada um, com efeito, rever-se – ou não! – nesse espelho e fazer-se valer pela diferença.



Mas, conforme dizia, a problemática aqui traçada – devo dizer que jamais tive ocasião de ver o Elias expô-la com a precisão que se desejaria, o que em larga medida é compreensível, por depender da direcção em que a conversa normalmente é encaminhada e do teor e questionamento que estiver a ser desenvolvido, e sem querer apresentar-me como representante do seu pensamento, note-se! – essa problemática é tão simples e tão intrincada quanto a situação em que assenta, da dicotomia comprometedora que normalmente é apresentada em termos embelezados como a “consagração da fé” e o móbil dos revolucionários, etc., que essencialmente não quer dizer nada além de cegueira.

Dicotomia traçada entre o que é e o que devemos ser (ou aspirar a ser); entre o que somos de imperfeito e a “perfeição” ideal (que na verdade não corresponde à verdadeira acepção da palavra!) e o de que impuro e imperfeito nos caracteriza, que representa o terreno fértil da corrosão e nos conduz á imitação e ao conformismo, o conflito de bem e mal, de certo e errado, eu e o outro, ser e não ser.



Esse é o fosso, o hiato, a lacuna em que medra a problemática psicológica e espiritual para cuja resolução é encorajado pelas várias denominações da fé: uns no sentido de nos incutir o dever moral de seguirmos o caminho da comunhão mística e do “sacrifício da fé” que devemos suportar como prova de santidade, e outros, da total anuência da razão, como verdadeira obra do diabo, e outros ainda, ao instaurarem normas alternativas comuns em representação da revolucionária visão de um mundo livre e iluminado. Uns e outros se comprazem duplamente com o apontar do dedo ao “mal” ao se arvorarem defensores da verdade e instrutores das massas, e uns e outros falham em libertar pela raiz, que é libertar pela educação e pela compreensão não unilateral e em moldes estanques e equitativos, por o teor do que circunscreve toda compreensão brotar da compreensão do indivíduo – cada indivíduo – e passar por considerações de múltipla ordem, que não podem ser reduzidas ao “libelo da emancipação” proposto por esses agentes.



Esse fosso é onde medra a mais abjecta das dependências, que passa pela dependência do intermediário para se erguer e se afirmar de forma íntegra e sã, e onde tem início a corrupção que nos mina a confiança e o desenvolvimento. Que seja enlevado em nome de Deus ou da verdade, não diminui o dano provocado pelo pre-juízo e pelo pre-conceito ao obstarem à clareza e à percepção alargada da unidade básica e instaurarem, em lugar disso uma ambivalência generalizada. Isso não é ensinar a pensar nem a viver mas dizer “como” faze-lo; instruir! E é isso que é mais pernicioso e, à semelhança do retracto há longo tempo traçado, representa o cego a conduzir outro cego.


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