sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

A CRIANÇA E O PROBLEMA DA GAGUEZ


Sessão 3121
Sábado, 18 de Julho de 2012
Partcipantes: Mary( Michael)  Danil (Zyn)e Natasha (Nichole) (Em pessoa)
Transcrição e tradução: Amadeu Duarte (Excerto)


Agradecimentos: Estou grato à Charmaine Cotton de Nova Iorque pelo esclarecimento prestado nesta transcrição particular.

Elias: Bom dia.

Danil e Natasha: Bom dia, Elias.

Elias: (A rir) Sobre que é que vamos conversar?

Danil: Posso avançar em primeiro lugar?

Natasha: Mas, é claro! (Elias dá umas boas gargalhadas)... Só estava a verificar. (Elias responde: Muito bem!) Uma amiga nossa, tem uma criança chamada Victoria e ela gagueja. De modo que, penso que a pergunta que tenho é se será coisa grave, e qual possa ser a causa e o que possa ser feito em benefício dela.

Elias: Se isso será sério? Depende! Se poderá tornar-se grave? Pode! Quanto ao facto de poder ser grave actualmente, isso é uma questão de percepção. Em um certo aspecto, podia responder que sim, enquanto que num outro podia dizer que não. Será uma acção que mereça atenção? Certamente que sim.

As crianças não gaguejam naturalmente. Quando as crianças começam a verbalizar a aprendizagem de uma linguagem, a gaguez não faz parte dessas acções naturais mas representa um sintoma, um desenvolvimento que ocorre mais geralmente devido à criança ter experimentado ou continuar a experimentar uma ameaça qualquer.

Ora bem, isso não quer dizer que um adulto possa ter noção dessa ameaça, pelo que exteriormente, o ambiente em torno da criança poderá parecer completamente acolhedor e parecer muito estimulante, mas não importa; é uma questão da percepção que a criança tenha e daquilo que veja e da forma como processe aquilo que vê e do facto de sentir alguma ameaça. E caso a criança sinta uma ameaça, no caso das crianças que desenvolvem gaguez, esses preciosismos nem sempre valem grande coisa, por a criança já se sentir ameaçada e portanto não confiar nas acções de carinho ou de encorajamento.

Existe um outro factor que pode ter lugar e influenciar no caso de alguns indivíduos, mas é muito menos comum. Esse factor é que algumas crianças processam a informação com muita rapidez e nessa medida, desenvolvem as ideias e uma assimilação tão rápida que a capacidade de se expressarem através da linguagem se revela ineficaz, por não serem capazes de falar com a mesma rapidez com que processam a informação...

Natasha: Sou capaz de estabelecer um nexo de relação com isso. Por vezes sinto a mesma coisa. Não consigo falar... (O Elias responde que sim)

Elias: ...Agora, isso por si só não gera necessariamente a gaguez nem o tartamudear. Pode representar um factor adicional a juntar ao medo, que pode exacerbar a situação, por isso acrescentar um pouco de frustração à criança, por não se poder expressar adequadamente nem de se pronunciar devido ao facto de o processo ser muito mais rápido do que a linguagem lhe permite expressar. Mas mesmo que conseguissem empregar uma expressão verbal muito rápida, as palavras levariam mais tempo a ser formadas do que as ideias. Mas, a questão base, independentemente do facto do problema do processamento constituir um problema ou não - a questão base relativa à gaguez assenta no medo.

A criança sente-se ameaçada, sente incómodo, sente-se na dúvida quanto ao seu ambiente. Eu diria que no caso das crianças que gaguejam, se as observardes co atenção, também haveis de notar outros sintomas. As crianças que gaguejam sofrem de interrupção do sono, permanecem alerta, por assim dizer, estão sempre conscientes, e estão constantemente atentas, por sentirem uma significativa falta de confiança.

Agora, como abordar esse tipo de situação? - que se poder revelar num verdadeiro desafio! - por a criança geralmente poder ter uma consciência parcial do medo ou da ameaça que sente, e constituir uma consciência objectiva parcial. Mas geralmente, a maioria das crianças que apresentam tal sintoma vêem-se um tanto incapazes de comunicar o medo que sentem, por elas próprias terem dificuldade em o identificar; elas apenas têm consciência de se sentirem incomodadas.
Quanto mais produzirem esse sintoma, mais ele tenderá a perpetuar-se por o próprio sintoma dar lugar a outras acções; criam a percepção de terem um problema qualquer, de estarem a procederem mal, de serem insuficientes, pelo que os próprios sintomas tendem a perpetuar o medo.

A abordagem desse tipo de sintoma num catraio ou catraia constitui um desafio por exigir uma atenção considerável. Não é sintoma que desapareça caso o ignorardes. Relativamente à atenção, há certas acções que as crianças têm que poderão ser resolvidas não dando atenção; esta não é uma dessas, todavia. Requer uma acção genuína de audição e o emprego de uma paciência autêntica, para além de uma atenção considerável. Esta criança já está a experimentar um sentido de ameaça, pelo que já se sente mal em relação a ela própria e destituída de importância.

Por isso, uma acção que se revela significativa é prestar uma atenção considerável e uma atenção contínua para com essa criança, e expressar uma contínua importância - não necessariamente dizer-lho (por palavras) - mas dar-lhe conta da importância que tem, e revelar-lhe essa importância, por meio da produção de acções que a incluam de modo a mostrar-lhe o quanto é importante. Por esse ser um sintoma interessante. Parte daquilo em que as crianças que desenvolvem esse sintoma não confiam é nas palavras; parte daquilo em que não confiam é na comunicação verbal.

De algum modo, uma certa comunicação foi expressada a essa criança que se revelou ameaçadora, em resultado do que a criança desenvolveu esta desconfiança em relação à comunicação verbal. E quando não confia no que ouve, torna-se-lhe difícil confiar no que diz, em resultado do que desenvolve esse sintoma da gaguez. A linguagem torna-se-lhe um problema; as palavras tornam-se-lhe num problema.

Dizer-lhe: "Tu és maravilhosa, tu és linda; eu amo-te, tu és especial, tu és inteligente" Isso não significa nada para a criança! Apenas reforça aquilo em que não confia. Por isso, o desafio reside em prestar uma atenção contínua e agir com base nessa importância. Expressar essa importância por uma tradução das ideias ou expressões de apreço, de amor e de encorajamento, de apoio, por intermédio da acção em vez da linguagem, e dar lugar à criação dos actos que expressem esses conceitos.

Nessa medida, é igualmente muito importante incluir a criança nas acções; não simplesmente produzir uma acção que lhe mostre o quanto a amam e o quanto é importante, mas inclui-las na acção e encorajá-la a cada passo. Neste caso, nos primeiros estágios torna-se temporariamente importante reforçar continuamente o desempenho, e não dar qualquer atenção à falta de cumprimento ou de consecução.

Um exemplo simples disso passa por incluir uma criança numa acção que a encoraje e a estimule e que também lhe comunique por meio da acção que ela é importante e válida, por estar envolvida no processo. Designar uma acção como bater um bolo, e incluir a criança em todos os passos do processo, e reconhecer continuamente e com naturalidade - não de modo forçado - cada passo que a criança dá.



Agora, antes de passarmos ao passo seguinte, e a título de aparte e de exemplo, não equivale a dizer: "Tu és muito boa a avaliar as dimensões dessa flor!" Isso não passa de meras palavras. E as palavras já não são mais objecto de confiança, pelo que soam a falso! A criança já se sente séptica, e não sente muito reconhecimento por ela própria, por não estar a conseguir coisa (acção) nenhuma, pelo que isso apenas reforça a desconfiança. Em vez disso, dizer: "Tu cortaste essa flor desse tamanho? Muito bem visto! Eu estava inclinada a cortar essa flor de um tamanho errado. Mas tu corrigiste-me. Obrigado." (Alusão aos jogos em que, por exemplo, as crianças podem estar fazendo um quadro de papel colorido recortado em formas de casas, flores, árvores, etc., e colá-las num poster. Agora, os itens precisam ter um tamanho certo em função do que elogiamos a criança pelo reconhecimento de precisar dimensionar as flores num tamanho certo)

Isso transfere o poder para a criança. Na verdade não estais a desconsiderar-vos. Estais a reconhecer o desempenho dela. No passo seguinte no contexto do exemplo referido do bater do bolo, a criança parte o ovo e, parte da casca cai na massa e acaba por deixar cair o ovo ao chão. Isso não deve ser alvo da vossa atenção! Isso é percebido quer como uma falta quer como um acidente; e ambas essas coisas constituem erros. Pelo que não deve merecer a vossa atenção. O outro indivíduo pode simplesmente dar atenção ao sucedido e recolher o ovo, e não dar qualquer atenção, não revelar qualquer validade em relação a essa acção, e deixar-se levar, à semelhança de um cantor ou de uma dançarina, para quem isso não passa de um passo da dança ou de um refrão da cantiga. Dais continuidade à fluência e não parais para dar atenção. Continuais no movimento que empreendíeis; mesmo que deis atenção à confusão, continuais no que estáveis a fazer, como se a confusão não tivesse tido lugar, continuando a reconhecer o feito sem prestardes atenção a qualquer acção que não represente uma conquista - o que é difícil! Por os indivíduos, enquanto adultos, estarem muito acostumados a corrigir, em especial os catraios – que estão muito acostumados a corrigir! E isto, na verdade, requer que presteis atenção e deixar propositadamente de corrigir a criança.

Eventualmente, quando a criança começar novamente a confiar e a ameaça começar a dissipar-se e deixar de exercer acção, poderá começar a ter lugar o emprego de outras expressões, e os indivíduos que rodearem a criança poderão começar a funcionar por formas a que estejam mais acostumados. Mas inicialmente, para poderdes tratar esse sintoma, torna-se importante que a criança se sinta segura e importante, e que sinta que é ouvida, sinta que é vista, se sinta válida, e não corrigida nem criticada.

Danil: Muito obrigado!

Elias: Não tens de quê.

Danil: Na minha adolescência, eu também tive dificuldades com a gaguez. Qual terá sido o receio que terei sentido, qual terá sido a causa do medo que me terá motivado...?

Elias: Muito semelhante! O medo de não seres suficientemente importante para te fazeres ouvir: "O que tu queres não tem interesse. O que tu sentes não é importante. Aquilo de que gostas ou de que não gostas não tem a menor importância!" Para o vosso ser autêntico isso constitui uma ameaça à própria existência: "Eu existo mas não tenho importância; eu existo mas não sou válido. O que eu quero não tem qualquer importância. Eu sinto-me anulado. Estes tipos são mais fortes e sobrepõem-se a mim!"

Danil: Por eu ter constatado na família e me parecer que... (Inaudível) prestem atenção.

Elias: Mas, de que maneira é que prestam atenção? Deixa que te diga que as pessoas, em muitas situações, pensam que dão apoio. Enquanto adultos, quando interagis com os amigos ou a família, podeis pensar estar a dar apoio e na verdade estar a perpetuar precisamente aquilo que não quereis. Um exemplo muito comum disso é o facto de as pessoas interagirem com aqueles que dão expressão à depressão. Um indivíduo expressa depressão ao contrário de outro. E aquele que não a expressa, pensa estar a dar apoio ao outro ao lhe expressar: "Eu amo-te e tu és válido e importante!" Mas o que não percebe é que quanto mais expressar isso mais perpetuará e reforçará a depressão no outro. Por ele já não acreditar nisso! E no seu íntimo se encontrar a argumentar convosco. Por não acreditar nisso, e estar a sentir-se inútil e abandonado e derrotado. Devido a que, o que quer que expressardes por essas vias não ser encorajador e não garantir qualquer apoio, pelo que de nada vale.

Mas, vós pensais que valha, por amardes o indivíduo, e isso constituir uma expressão genuína da vossa parte; por o apreciardes de uma forma genuína e por o amardes ou valorizardes de uma forma autêntica, e desse modo expressardes: "Como poderá ser que isso não sirva de apoio?" Mas não serve mesmo!
Do mesmo modo, no caso dos pais e dos catraios, e de uma forma semelhante, o que é importante é que dediqueis uma atenção genuína, não apenas prestar atenção ao que esta criança está a fazer, mas dar ouvidos, fazer perguntas, e escutar o que dizem. E incorporar aquele factor genuíno da paciência – mas o que é a paciência? Não significa esperar (resultados), mas conceder permissão!

Os catraios podem constituir um desafio em relação à atenção, por não se conseguirem pronunciar como um adulto... eles expressam-se de uma forma repetida e expressam a mesma coisa várias vezes, por estarem a observar: observam a vossa energia, observam os vossos olhos, observam a vossa expressão corporal, e a razão por que expressam repetidamente a mesma coisa deve-se ao facto de não confiarem no facto de compreenderdes aquilo que está a expressar. Em razão do que voltam a expressá-lo. E nesse caso isso pode representar um desafio, devido a que, enquanto adultos, estejais acostumados a conversar e a comunicar uns com os outros, e a falar de uma forma sucinta e articulada, e saberdes aquilo que quereis expressar. Mas as crianças nem sempre sabem de uma forma objectiva aquilo que querem expressar.

Natasha: ... (Inaudível)

Elias: Em muitas situações tens razão, mas as crianças têm mais limitações com a linguagem; o vocabulário e a compreensão que têm das palavras não são tão extensos. Agora, como haveis de dar atenção? Dais atenção de três maneiras diferentes: Observais por palavras; fazeis perguntas e ouvis a resposta. Dais atenção observando o corpo. O que ele faz, a maneira como se coloca, como balança e se senta, a posição que adopta, o modo como segura a cabeça, como a criança a abana, o que faz com os dedos. O corpo delas expressa-se de forma muito semelhante à dos animais. Os animais usam acções corporais a fim de comunicar; a mesma coisa fazem as crianças.

A terceira maneira, é fazendo perguntas e propondo alternativas à comunicação, sem confiardes tanto nas palavras. Propor à criança métodos alternativos para se expressar e dar-lhes atenção. Como haveis de fazer isso? Proponde-lhes acções. Se lhe fizerdes a pergunta: “Que é que sentes?” o mais provável é que recebais um “Não sei” em resposta. Isso não é uma pergunta. Isso é uma pergunta ridícula que se pode fazer a uma criança: “Que é que sentes?” por ela não compreender o que estais a expressar.

É importante que coloqueis perguntas mais específicas, e não perguntas de carácter geral. E se não compreenderdes a resposta, ou se não conseguirdes responder à pergunta, em vez de deixardes a pergunta por responder, dai atenção de uma forma diferente, e proponde-lhe um método alternativo para se expressar. O desenho. Fazer um desenho constitui uma forma excelente para levar uma criança a expressar-se; mesmo que não consigais decifrar o sentido dos desenhos, isso proporciona-vos uma excelente forma para colocardes mais perguntas: “Que é isso que desenhaste? Que está isso a fazer? Porque tem essa cor? Por que tem esse tamanho? Podereis obter um tremendo volume de informação em relação às imagens que a criança expressa. Se não quiserdes utilizar desenho podeis usar jogos de imagem e faze-lo apresentando uma imagem. Talvez estejais em busca de informação relativa à maneira como a criança se sente ou ao receio que sinta, mas em vez de perguntardes directamente: “De que é que tens medo?” - por provável ser que não recebais qualquer resposta - (a rir) criai um enredo. Não importa que seja uma cena de que a criança na verdade sinta medo. Usais de uma brincadeira:
“Eu estou a imaginar uma casa, uma casa assustadora, com fantasmas à janela, fantasmas que me conseguem ver. Sinto medo dos fantasmas. Tu não sentes medo dos fantasmas?” Desenvolveis uma cena e permitis que a criança a realce. Permitis que acrescente à imagem...

Natasha: ... (inaudível)

Elias: ...Sim! Uma cena que passe a envolvê-la. Isso requer tempo e uma energia e uma atenção consideráveis. Em relação ao que, muitos pais, em especial na vossa época, adoptam muitíssimas desculpas com base na multiplicidade de fontes de ocupação externas. Não conseguem devotar-se aos catraios. Ou então só são capazes de lhes devotar um determinado período de tempo mas logo se vêem na contingência de atender às outras acções. É uma questão do que conta, do que é importante para a família. Assim como da importância que uma criança tem!

Eu diria que também poderás lembrar aos pais do quanto essa catraia constitui uma dádiva. E de lhes dizer que é a oportunidade que têm, enquanto pais que são, de brilharem, e desse caso, do quanto conseguirão brilhar, ou do quanto ofuscarão a própria luz, por essa criança constituir uma dádiva, e ela buscar o vosso resplendor. Portanto, é a oportunidade que tendes de brilhar tanto quanto uma estrela ou (conforme a parábola da lâmpada debaixo do alqueire) de ocultardes a luz que vos alumia. (1)

Natasha: (37:10) Por falar em crianças, uma tinha uma pergunta... (inaudível)

Elias: Eu discordo. Ora bem, para falar em termos gerais, por te dizer especificamente que cada situação é única, pelo que em determinadas situações será exclusivamente uma questão da escolha da mulher. Mas isso será nas situações em que a mulher não faça ou não tenha a intenção de envolver um companheiro. Em situações dessas será unicamente uma questão da escolha dela.

Danil. ... (Inaudível)... na nossa.

Elias: Na vossa situação (de homens), não. Diria que se trata de uma expressão equitativa, e que - sim, bastante equitativa! - e que depende da participação de vós ambos tiverdes, em igual medida, nessa decisão. É sempre escolha da parte do indivíduo que estiver focado no físico, o facto de uma outra essência vir ou não a emergir. Há sempre essências disponíveis e à espera, necessariamente, mas disponíveis para emergir no foco físico, mas conforme já referi muitas vezes, a responsabilidade que vos cabe em relação às crianças, é que vós definis a opção relativa à facilitação dessa entrada.

Natasha: Eu compreendo, mas não poderias explicar as diferentes razões... (Inaudível) Provavelmente cada um terá as suas próprias razões...

Elias: Sim.

Natasha: ...(Inaudível) E nenhuma delas... (Inaudível)

Elias: Eu expressaria de novo uma certa discordância, por competir a vós, a ambos pessoalmente, não depender tanto do medo quanto isso. Eu diria que já sentistes ligeiros – não significativos, mas ligeiros – factores de apreensão. Não necessariamente medo. Uma apreensão em relação ao que a introdução de uma criança produza com respeito à interrupção do estilo de vida que levais, e às orientações que tomastes. Diria ser tanto mais assim, que tem sido uma opção de não interromperdes (tal rumo). Mais do que um caso de apreensão.

Eu diria ser tanto mais por vos encontrardes envolvidos convosco próprios e um com o outro que não despenderdes tanto tempo com a ideia de ter filhos. Eu diria que tenho a noção de terdes entretido por breves instantes, em certas alturas, mas que não traduz uma preocupação ou interesse tão considerável assim. E que em grande parte vos encontrais mais ocupados a ser quem sois e envolvidos convosco próprios e um com o outro do que a contemplar a ideia da inserção de um outro indivíduo na vossa família.

(O Danil e a Natasha falam ao mesmo tempo)... (Inaudível)

Elias: (Ri) Isso também! Eu diria que, em relação às crianças – para falar de uma forma muito realista! – as ideias que tendes, ou a atracção que sentis nessa direcção, se assemelha muito à atracção que sentis pelos animais de estimação. (O Danil ri) Por não considerardes nenhuma dessas possibilidades. Por vos alterar o rumo que levais, e exigir atenção e acções em que não estais necessariamente interessados. Não que para vós represente um fardo, mas simplesmente devido ao facto de não sentirdes mais interesse quanto isso, nessa direcção, do que sentis por ter um animal de estimação.

...

NOTAS:

(1) - «Vós sois a luz do mundo... Ninguém acende uma candeia e a coloca debaixo do alqueire, mas no suporte, e assim alumia a todos os que se encontram na casa. De tal modo brilhe a vossa luz diante dos homens, que eles vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.» (Mateus 5:14-16)

«Ninguém, depois de acender uma candeia, a cobre com um vaso ou a põe debaixo duma cama; pelo contrário coloca-a sobre um suporte, a fim de que os que entram, vejam a luz. Pois não há coisa oculta, que não venha a ser manifesta; nem coisa secreta, que se não se haja de saber e vir à luz.» (Lucas 8:16-17)



Excertos adicionais 

ALEX: Aquilo que gostava de perguntar é, por que razão gaguejo. Como poderei deixar de o fazer?

ELIAS: Ah. Muito bem. Deixa que te diga, podes praticar um exercício que te será útil ao te permitir abrandar a tua energia e ao te permitir produzir uma energia mais relaxada, que isso revelar-se-te-á útil em associação com a fala. Nesse caso, se te permitires focar no teu centro de energia vermelho e abrandar os pensamentos, abrandar a tua anergia, e produzir um momento de relaxamento e de pausa antes de falares, isso deverá permitir-te uma maior clareza e influenciar o modo como envolves o discurso. O que produzes é uma dissipação, e nesse caso, também geras uma energia de excitação.

Agora; essa excitação pode traduzir-se por ansiedade, assim como por vezes poderá traduzir-se por frustração, e nesse caso, começas a empregar um acto de aceleração do teu processo do pensar. Ao produzires uma forma de pensar cada vez mais rápida, na verdade produzes uma dispersão na qual efectivamente não prestas atenção ao que pretendes expressar por intermédio do discurso, por o teu mecanismo do pensar ser interrompido e se tornar confuso em associação com as ideias ou as respostas que pretendes expressar.

Portanto, se te permitires parar por momentos e notar como a tua energia atinge a excitação e por instantes te focares no teu centro de energia vermelho e abrandares o movimento que empreendes, se abrandares o pensamento e abrandares a tua energia e te permitires deixar de gerar respostas automáticas ao tentares expressar-te de imediato por meio do discurso e te permitires um momento em que acalmes a tua energia, permite-te centrar-te e focar-te, e nessa medida, criar intencionalmente uma pausa antes de usares o discurso, isso permitir-te-á uma maior clareza, e deverá interromper esse padrão automático de excitação, o qual, conforme declarei, se pode traduzir por uma agitação ou mesmo frustração. Mas se te permitires um instante de pausa, poderás transferir essa energia para uma de calma equilibrada em vez de excitação.

ALEX: Obrigado. Só mais uma pergunta que está relacionada. Por que razão gaguejarei somente quando falo com os outros? Por que razão não gaguejo quando falo comigo próprio, ou mesmo agora, ao falar contigo?

ELIAS: Devido a que na interacção que tens com os outros, isso desencadeie essa energia de excitação. Dá-se uma certa apreensão na tua energia, associada à interacção com os outros, e quanto ao facto da tua expressão ser suficientemente adequada ou aceitável. Por isso, geras essa energia de defesa, que constitui uma resposta automática e se afeiçoa bastante familiar. No âmbito dessa familiaridade, criaste esse padrão por meio do qual interages com outro indivíduo e automaticamente te começas a proteger num acto de defesa, o que desencadeia essa energia de excitação, essa energia agitada.

ALEX: Como serei capaz de abrir mão dessa protecção?

ELIAS: Pela prática desse exercício que te enunciei.

Ora bem; compreende que esse exercício requer apenas uma pausa momentânea. Não é uma acção que devas incorporar durante minutos sucessivos. Exige apenas um breve instante em que te permitas deixar de focar a atenção no outro mas a foques por instantes em ti, incorporando a utilidade do centro de energia vermelho, por esse centro de energia te permitir facilmente abrandar a tua energia e produzir uma maior calma. Nesse caso, conforme expressei, dá expressão intencionalmente a um instante de pausa antes de te envolveres com o outro indivíduo ou antes de lhe responderes, por...

ALEX: Muito obrigado.

ELIAS: Nao tens o que agradecer.
Sessão #1849


MARGOT: E com respeito a isso, poderias brevemente referir-te às duas condições que me terão afectado a saúde durante este foco? Sempre fui uma criança enferma, e sempre senti que isso se devesse ao estresse de que padeci no meu lar de infância, em especial junto da minha mãe. Por altura dos meus quatro anos eu gaguejava, e raramente conseguia pronunciar uma frase completa até à adolescência, quando comecei a afastar-me de casa. O meu irmão mais novo e a minha irmã também gaguejaram quando começaram a falar. Não parece ter existido na família qualquer factor genético para tal coisa. Poderás dizer-me por que razão a minha essência deverá ter optado pela incapacidade no discurso ou por que terei criado isso? Assumi a minha gaguez mais de uma forma emocional, e muito mais ao nível pessoal do que qualquer um dos meus irmãos, e decidi-me muitas vezes pela ausência de vontade de viver devido ao estresse essa condição me provocava. Por que se terá tornado num problema tão grande para mim?

ELIAS: Isso deverá apresentar-te um exemplo de poderdes manifestar uma mesma acção objectiva externa, em relação à qual diferentes indivíduos poderão escolher diferentes razões. Um irmão que manifesta a mesma acção, manifesta-a por meio de imagens objectivas por intermédio do que não acompanha o ritmo do raciocínio, por assim dizer; o raciocínio move-se mais rápido do que a verbalização. Por isso, a criação objectiva disso não se revela estressante, embora por vezes possa ser frustrante. Ela (Margot) cria essa acção devido a essa experiência emocional. Nem tudo aquilo que sois se encontra sujeito a outro indivíduo nem ao que ele cria. Por isso, não desenvolveis circunstância nenhuma em resultado das opções que outro indivíduo defina nem das acções que empreende. Escolheis manifestar o que percebeis em termos de uma circunstância em resposta às opções que definis nas experiências para que vos deixais atrair.

Este indivíduo opta muitas vezes por proceder a uma experiência extrema na área da emoção. Esse indivíduo prossegue presentemente nessa opção por meio de várias acções, que por vezes também conduzem a uma emoção extrema. Experimentar a intensidade desse elemento da manifestação neste foco físico particular representa uma opção. Noutras manifestações, os focos não são exercidos com tanta intensidade nesse tipo de experiência particular; mas essa opção foi definida no âmbito da curiosidade para com a experiência deste foco. Por isso, no contexto da realidade oficial convencionada e do seu enquadramento, explicações são apresentadas e aceites quanto à razão para este indivíduo manifestar essa condição – por se sentir infeliz no seio da família, o que é admissível, e por a criação disso se enquadrar bastante nas crenças das massas e também ser aceitável; e por isso também se revelar seguro.

VICKI: Então estarei a compreender correctamente que esta manifestação do gaguejar tenha basicamente sido criada de modo a dar início à experiência emocional?

ELIAS: Não no sentido de iniciar, mas como uma expressão objectiva no âmbito do conceito que tem enquadramento nas crenças das massas, em resposta à experiência emocional; de forma diferente da experiência dos irmãos que não incorporam essa mesma acção, pelo que manifesta uma imagem de retórica objectiva só que por razões diversificadas.
Sessão #191



RODNEY: Eu recentemente fiz um exercício em que retratei vivamente o percurso de uma vida da maneira como me expresso. Isso teve início enquanto criança, e durante o crescimento não falei nada durante muito tempo. Creio que os meus pais por essa altura se terão sentido bastante preocupados comigo, por não aprender a falar muito para além do que é normal para a média das crianças, e assim que falei, comecei a gaguejar, e não tenho ideia durante quanto tempo gaguejei, mas ainda gaguejei por um tempo razoável, e depois cresci com isso. A seguir aconteceram coisas na minha infância que pareceram, pelo menos ao reflectir nisso, ter-me criado conflito – conflito interno na maneira em que eu me expressava, ou quanto ao que seja adequado à expressão e ou aos problemas que circunscrevem a impressão de “os outros não me quererem ouvir”, e coisas dessa natureza.

Deu-se um enorme avanço em relação e em torno desse problema da minha expressão. Existiram períodos na minha vida em que era de tal modo tímido que sentia um pavor intenso ao comunicar com uma pessoa que jamais tivesse conhecido antes. Mas isso já não é uma realidade. Deu-se uma mudança considerável no modo como me relaciono comigo, e em relação à disposição que tenho, desejo, e abono quanto à forma como me expresso. Isso será parte deste propósito individual (que tenho)?

ELIAS: As experiências fazem, sim. 

RODNEY: As experiências fazem? 

ELIAS: A criação dessas experiências, sim. 

RODNEY: Fazem parte do meu propósito? 

ELIAS: Fazem. Também te direi que a forma como te associaste em relação a algumas dessas experiências está directamente relacionada com a influência das crenças que tinhas.

Sessão #676

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