quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

- DESVIAR A ATENÇÃO PARA A PERIFERIA -


 (Excertos)


Transcrito e traduzido por Amadeu Duarte



(Nota do tradutor: Por periferia refere-se o Elias às comunicações recebidos por via do estado do sonho, das impressões, dos impulsos, dos sentimentos e das comunicações mais generalizadas. A atenção por essa periferia pode ser um auxiliar na nossa orientação, assim saibamos nós dar a devida atenção às outras vertentes)


IMPULSOS


ELIAS: ...Um impulso é um tipo de incitamento que pode ser provocado por várias razões; nem sempre razões benéficas. Uma impressão é diferente. Uma impressão é uma comunicação que é muito semelhante à intuição, embora haja uma ligeira diferença. As impressões geralmente não são necessariamente acompanhadas ou traduzidas por um sentimento. As impressões são mais expressadas, de um modo geral, por não envolver regra nenhuma, por meio de um pensamento ou de uma percepção.


Bom; em relação a obedecer às impressões, é importante que se preste atenção às impressões, por se tratar de uma comunicação interna, e por assim dizer, constituir o modo por que vos guiais a vós próprios em relação ao que quereis, em relação ao que seja importante para vós, e em relação ao que for eficaz, experiente. E nessa medida, o modo mais óbvio de testar as impressões, por assim dizer, é por meio do que fazeis automaticamente, ao não lhes dardes atenção, e subsequentemente elas são validadas. Tendes uma impressão e não lhe ligais; notai-la, mas não lhe dais ouvidos e produzis uma escolha diferente e, o que quer que a impressão tenha sido, materializar-se-á, e vós direis: “Eu sabia disso!” (Ri) “Por que fui fazer isto, quando sabia daquilo e não lhe prestei atenção.”


A razão por que fazeis isso é por, de certa forma, ensinardes a vós próprios a confiar em vós, porque quando não dais atenção a uma impressão, validai-la, pelo que mostrais a vós próprios a validade e a importância da impressão, e mostrais a vós próprios que não só é digna da vossa atenção como fiável.


Geralmente, quando lhe obedeceis, evitais uma acção ou uma manifestação que não quereis; por isso não é validada de uma forma tão evidente, por não exibirdes o que essa impressão representava ao deixar de lhe obedecer. Quando a seguis avançais sem problemas e com facilidade e conseguis, pelo que não chegais a perceber obviamente uma validação nela.


O que é diferente de avançardes com facilidade e sem problemas e de conseguirdes aquilo que quereis, mas não atribuís isso necessariamente às impressões que tendes; mas é dessa situação que se trata.


As impressões parecem ser obra do acaso; não são nada, mas a qualquer momento podeis ser interrompidos por uma percepção ou por um pensamento que nesse instante pareça ilógico ou irracional ou que pareça um absurdo. Essa é a razão por que em muitas situações não lhes prestais atenção, por não conseguirdes apresentar a vós próprios o que encarais como uma razão válida para essa ideia. Um exemplo muito simples disso é o de entrardes numa loja e perambulais por lá e prestais atenção a um objecto qualquer por que vos sentis atraídos e de que gostais e que podeis querer comprar. E tendes uma impressão - uma ideia que parece ser fortuita: “Eu devo comprar isto agora! Se o não comprar agora ele desaparecerá!” Mas racionalizais de imediato, e talvez ainda olheis ao redor e talvez haja vários dos objectos iguais ao que quereis nessa loja. Por isso, mais justificados vos sentireis para decidir: “Não... opto por não gastar este dinheiro, e vou comprá-lo mais tarde. E voltais à mesma loja, talvez nesse mesmo dia, e todas as réplicas desse objecto se esgotaram. E agora é tarde para o poderdes comprar.


Essa impressão não vos está a alertar para um evento futuro; o que está a fazer é que vós estais naturalmente a aceder ao vosso próprio conhecimento, e estais a oferecer a vós próprios informação relativa ao que quereis. Quer se trate de uma expressão ou de uma manifestação – não importa.


Podeis estar em conversa com um outro indivíduo e ter a impressão: “Eu devia parar de falar.” Mas não o fazeis e subsequentemente dais origem a um conflito. Nessa medida, o futuro parece confirmar ou validar as vossas impressões pelo que parece expressar uma relação com uma acção qualquer futura, quando na verdade não é, sois vós a comunicar convosco próprios, no momento, qual é o vosso maior benefício, e a acção mais eficiente e experiente a empreenderdes nesse instante em relação ao que quereis e ao que quereis conseguir.


Geralmente, se prestardes atenção e incorporardes suficientes experiências através das quais valideis as vossas impressões ao deixar de lhes “obedecer”, começais a questionar isso e começais a experimentar seguir as orientações que indicam, e ao fazerdes isso, começais a perceber que quanto mais atenção prestardes a essas ideias aparentemente aleatórias que parecem ilógicas e irracionais e carecer de qualquer base factual, que na verdade são benéficas, e que o avanço que conseguis será muito mais fácil, muito mais eficiente e que criais aquilo que quereis de uma forma bem-sucedida, quando prestais atenção.


É muito semelhante à atenção que dais à vossa intuição. Geralmente, a vossa intuição está mais ligada aos sentimentos, mas isso também pode ser produzido pela percepção e dependendo do tipo de foco que tiverdes; se tiverdes um foco centrado no pensamento, podeis não traduzir tanto a impressão ou a expressão intuitiva por meio do sentimento quanto um indivíduo que tenha um foco emocional. Mas geralmente, existe um maior sentimento associado à intuição do que uma impressão. A intuição também se move, geralmente, em mais direcções pela aferição, em vez de uma comunicação ou de uma avaliação (cálculo) da sua acção. Situa-se mais no sentido de vos comunicar uma informação que se destina à aferição de uma situação ou energia. A intuição é muito útil em relação à interacção com os outros por vos ajudar a avaliar a energia que estiver a ser expressada. E como está a ser expressada.


Também vos auxilia bastante em relação à confiança. A vossa intuição mover-se-á sempre na direcção daquilo em que podereis confiar, e por esse motivo pode ser usada como um excelente calibre se estiverdes a questionar uma situação de confiança. A vossa intuição expressar-vos-á a direcção daquilo em que podereis confiar, ou daquilo em que não podereis confiar. Por isso, sempre vos expressará o que corresponder ao vosso maior benefício.


Mas, na sua maior parte é tão simples quanto prestar atenção e praticar, experimentar sempre que tiverdes uma impressão. Ou sentir a intuição que tiverdes. Experimentai. Permiti-vos voltar-vos numa direcção que vos incite, em vez de questionares. E observai o que acontece. Geralmente não acabareis desapontados.


Conforme disse, impressões são informação que apresentais a vós próprios em relação à experiência e ao que constitua o vosso maior benefício. No caso dos impulsos já é diferente; por poderem ser expressados no sentido do vosso benefício, ma s os impulsos podem ser fortemente influenciados pelo equilíbrio e o facto de estardes equilibrados ou não, em qualquer momento particular.


O equilíbrio não é uma expressão ou acção que empreendais de uma forma compartimentada, nem uma acção que empreendais de uma vez para sempre. O equilíbrio é uma acção que empreendeis continuamente a cada momento. E o equilíbrio, na sua expressão genuína é abrangente, e não uma questão de: “Estou a atingir o equilíbrio nesta área e nesta área.” Permiti-vos entreter a ideia de um malabarista. O malabarista equilibra muitas bolas ao mesmo tempo; se o malabarista se concentrar numa bola deixará de estar em equilíbrio e todas as bolas cairão por terra. Trata de equilibrar as bolas todas em simultâneo. Passa-se o mesmo com a vossa vida.


Ora bem; se não estiverdes em equilíbrio, num sentido qualquer, não estareis equilibrados. Nessa medida, quando não estais em equilíbrio, os impulsos por vezes poderão não ser precisos ou fidedignos, por poderdes incorporar um impulso para produzir uma determinada acção e isso estar ligado a um problema. Isso não vos é necessariamente um benefício. Os impulsos são um incitamento. São realmente solicitações físicas. São diferentes. São um influxo procedente da consciência do vosso corpo no sentido de produzirdes uma acção – não no sentido de não produzirdes acção nenhuma. Os impulsos apresentam-se sempre no sentido de produzirdes um tipo qualquer de acção. Mas, conforme declarei, em certas alturas, eles podem necessariamente não vos ser benéficos.


Um, exemplo muito simples: Talvez um indivíduo não esteja a expressar equilíbrio num dado momento, e para usar o outro exemplo da loja, o indivíduo pode entrar na loja e ter um impulso para comprar um artigo. Nessa medida, ao não estar equilibrado, esse impulso pode representar um incitamento relativo à tentativa que o indivíduo está a fazer para apaziguar um problema por meio da produção de uma acção que o suavize temporariamente. “Eu vou comprar este artigo, por isso produzir uma satisfação instantânea em mim,” o que cria uma falsa sensação de conforto temporário. Isso representa uma acalmar temporário falso associado a um problema, que está a ser incitado pelo impulso.


Num estado de equilíbrio, os impulsos podem ser fidedignos, porque ao prestardes atenção aos vossos impulsos moveis-vos em direcções que pretendeis. Há uma maneira simples por intermédio da qual podeis diferenciar. Quando sentis um impulso – que representa um cintamento físico para uma acção – podeis interrogar-vos: “Por que quererei fazer isto? Que coisa conseguirei se fizer isto?” podeis ficar surpreendidos com as respostas que obtiverdes porque, se não for para vosso benefício próprio, provavelmente expressareis a vós próprios simplesmente: “Eu quero.” Se for para o vosso benefício, haveis de apresentar a vós próprios a razão desse benefício, e não apenas, “Eu quero.” Haveis de saber por que razão estareis a ser incitado nessa direcção.


Nessa medida, quanto apresentais a vós próprios uma mera resposta desse tipo, no caso de um impulso: “Eu posso,” ou, “Eu quero,” isso é uma resposta suspeita. Por não estardes a responder a vós próprios nem estardes a apresentar a vós próprios uma razão, e isso ´representa um indicador da existência de um problema qualquer que está momentaneamente falsamente a tentar aliviar com esse impulso.


Sessão de 21/10/2012




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A CONSCIÊNCIA SUBJECTIVA E AS EMOÇÕES


Elias: ...O modo como haveis de começar a prestar uma maior atenção à consciência subjectiva é prestando uma maior atenção aos sentimentos.


A diferença existente entre os sentimentos e as emoções: os sentimentos constituem o sinal; os sentimentos constituem um sinal – quer um sinal emocional quer um sinal físico (sensações). A emoção representa a afirmação que define esse sentimento ou sensação. Aquilo que a emoção representa é uma afirmação muito breve e directa em relação ao que estais a experimentar ou a fazer no momento. O sentimento constitui o sinal que alerta a consciência objectiva quanto à ocorrência de uma comunicação procedente da consciência subjectiva.


A consciência objectiva é muito abstracta. Um assunto pode incorporar centenas se não milhares de expressões de imagens ou de interpretações. Por isso, por vezes, a realidade objectiva pode ser confusa, e as manobras que fizerdes na realidade objectiva podem ser confusas. Por isso, também incorporais a consciência subjectiva, a qual não é abstracta; é muito precisa, é muito directa, e nessa medida apresenta uma afirmação muito simples – não uma explicação, nem uma filosofia, mas uma afirmação muito simples e directa, relativamente à identificação do que estais a fazer num dado momento, e isso incentiva um sentimento.


Essa é também a razão por que os animais não incorporam emoções, por não ser necessário, por terem continuamente perfeita percepção da sua consciência subjectiva. Por isso, não é preciso que incorporem emoções, por já terem consciência do que a sua consciência subjectiva está a fazer.


Pergunta: Será que as emoções nos auxiliam a ter uma maior consciência dos nossos sentimentos?


Elias: Ajudam! Mas...  a parte traiçoeira, nos vossos termos, reside em prestar atenção! Mas para além de prestardes atenção, permitir-vos identificar e definir aquilo que os sentimentos traduzem. Devo dizer-te que mesmo os indivíduos de quem dizeis serem muito emotivos, que estão bem cientes dos sentimentos que têm, ou que se permitem sentir os sentimentos que têm, continuamente, mesmo esses indivíduos, na sua maioria, não têm consciência do que esses sentimentos sejam.


Quando perguntais a um indivíduo: “Que é que estás a sentir?” geralmente explicar-te-á aquilo que está a pensar. Não o que está a sentir. E pode apresentar uma explicação para a razão para estar a senti-la; não para o quê! Nessa medida, devo dizer-te, que essa é uma expressão e uma acção muito importante, e que está a tornar-se mais importante agora, porque, como estais a avançar e a expandir-vos, torna-se importante que tenhais consciência do que comunicais (transmitis) subjectivamente a vós próprios.


Se quiserdes ter consciência da energia, se quiserdes ter consciência das comunicações subjectivas, começais por tomar consciência do que estais a sentir, e começais também por identificar e por definir esses sentimentos, quer sejam físicos ou emocionais. Por serem todos sinais.


Sessão de 19/10/2012


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