sábado, 24 de novembro de 2012

“O SIGNIFICADO DA RESPONSABILIDADE PESSOAL”




“PRESTAI ATENÇÃO ÀS MENSAGENS QUE OS SENTIMENTOS TRANSMITEM”
“A MELHOR MANEIRA DE AJUDARDES OS DEMAIS É SER RESPONSÁVEIS POR VÓS”
“RESPONSABILIDADE E ESCOLHA”
“A IMPORTÃNCIA DO TESTEMUNHAR”
"EXPRESSAR ENERGIA E LIBERTAR ENERGIA"
“DESTACAI A INSEGURANÇA QUE SENTIS, E IDENTIFICAI O SENTIMENTO QUE A GERA”
SESSÃO 3132
Sábado, 20 de Outubro de 2012 (Grupo/Hinsdale, New Hampshire)
Tradução: Amadeu Duarte

Participantes: Mary (Michael), Aaron (Todd), Abby S., Ann (Vivette), Axel (Ricarro), Ben (Sumarian), Bill (Zit), Bonnie (Lyla), Brian S., Brigitt S., Carole J., Diane M., Ester (Ashule), Gail (William), George (Bethette), Jean François G., Jen C., Jen (Liva), Jenna C., John (Rrussell), John (Lonn), Kathleen (Florencia), Ken (Oba), Lorraine (Kayia), Mark (Ogean), Melissa (Leah), Pat (Fryolla), Pat (Treice), Peter S., Roberto (Francine), Rodney (Zacharie), Sandra (Atafah), Terri (Uliva), Wynn (Zai)

Elias chega às 12:30 da tarde. (Tempo de chegada é de 21 segundos.)

ELIAS: Boa tarde!

GRUPO: Boa tarde!

ELIAS: As minhas boas vindas a todos. No dia de hoje vamos debater em parte os sentidos, por esta onda estar a chegar ao fim, mas vamos também debater as emoções e os sinais que são gerados pelas emoções e pelas expressões físicas. Vós gerais sensações de duas maneiras: física e emocional, e isso é tudo sinais.

Agora; antes de nos envolvermos em conversa com respeito a tais sinais, deixai que vos explique que esses sinais são gerados pela vossa consciência subjectiva. A maioria dos indivíduos geralmente não presta atenção á consciência subjectiva. Nessa medida, conforme esse e o caso, desenvolvestes um método bastante eficiente de vos alertardes quando transmitis a vós próprios uma mensagem, e isso fazei-lo através desses sinais que constituem sentimentos, físicos e emocionais.

Ora bem; o que é importante que compreendais em relação à mensagem é que não representa explicação nenhuma. Não é uma declaração morosa, mas breve e precisa que a vossa consciência subjectiva expressa à vossa consciência objectiva. Quando gerais um sentimento, a vossa consciência subjectiva está a produzir uma declaração a vós: “Isso é o que estás a fazer neste instante.” Não vos apresenta nenhuma filosofia nem nenhuma explicação prolongada sobre o que estais a fazer. Expressa unicamente uma declaração.

A vossa consciência objectiva, conforme já declarei muitas vezes, é bastante abstracta. Por isso, relativamente a uma questão, podeis gerar  milhares de imagens diferentes ou expressões todas relacionadas com essa questão. A vossa consciência subjectiva é diferente. Não é abstracta, mas bastante precisa. É muito directa, e não se preocupa com a interpretação. Não existe interpretação no que diz respeito à consciência subjectiva. Ela simplesmente expressa uma declaração concisa em relação ao que estiverdes a fazer, no momento, que esteja a incitar o sentimento.

Agora; nessa medida, os vossos sentidos estão igualmente muito ligados a esses sinais. Estão bastante entrelaçados com esses métodos de comunicação que estendeis a vós próprios. Os vossos sentidos introduzem informação. Mesmo quando pensais não estar a prestar atenção de uma forma qualquer em particular, os vossos sentidos estão continuamente a introduzir informação. E dessa informação que os vossos sentidos introduzem, a vossa consciência corporal procura logo lembranças que se equiparem ao que é introduzido e esteja a ser expressado pelos vossos sentidos.

Mas a consciência do vosso organismo não distingue entre o que esteja a decorrer no momento e o que tenha ocorrido no passado. Busca uma lembrança que consiga agregar ao sinal – o sentimento que estiverdes a ter – a fim de reforçar esse sentimento e de vos apresentar um ponto de referência para tal sentimento: “Tu já sentiste isto antes. Geraste experiências no passado que expressaram esse sinal. Sabes a que se refere este sinal, por o teres experimentado previamente.” Essa é a função que a consciência do corpo envolve, buscar as lembranças que se equiparem ao sentimento que estiverdes a gerar no momento.

Ora bem; conforme debatemos anteriormente, por vezes isso pode ser confundido, por poderdes voltar a vossa atenção para a lembrança e deixar de prestar atenção ao que estiver a ter lugar no presente, e isso tornar-se confuso, por confundirdes sentimentos actuais com sentimentos anteriores. Isso move-se em conjunção com os apegos e as associações, assim como com os problemas. Se produzirdes um problema em relação a determinado assunto, tereis desenvolvido esse problema com respeito a muitas experiências relacionadas com o mesmo assunto. É desse modo que desenvolveis um problema. Os problemas acham-se igualmente armazenados na memória, tal como as associações se acham armazenadas na memória, e a consciência do vosso corpo não distingue o agora do então.

Nós falamos sobre esse aspecto actual do sentimento e do aspecto prévio do sentimento antes, e sobre o modo mais simples por que podeis distinguir a diferença entre o sentimento actual e o sentimento que não dizem respeito ao momento. Os sentimentos actuais sempre mudam. Os sentimentos que se reportam ao actual mudam tão prontamente quanto o assunto mudar. Assim que a vossa atenção se mover da forma mais ligeira em relação a uma questão, o sentimento muda caso se trate de um sentimento actual, e não importa quão intenso esse sentimento se revela. Podeis sentir-vos inquietos, podeis sentir-vos oprimidos pelo temor, podeis sentir-vos muito irritados, podeis sentir-vos extremamente excitados ou o que designais por felizes. Assim que a vossa atenção se deslocar e o assunto mudar, o sentimento também mudará. Ele parará de imediato. Esse será um sentimento actual.



Os sentimentos que não se reportam ao momento são diferentes. Eles tendem a permanecer e também sofrem um incremento. Haveis de notar, no exemplo de vos sentirdes felizes ou excitados, que se vos sentirdes felizes ou excitados, que haveis de expressar a intensidade dessa felicidade ou excitação desde o começo do sentimento. Ela não sofrerá aumento nenhum. Se vos sentirdes muito excitados, sentir-vos-eis muito excitados de imediato. Começará por esse exacto grau de intensidade e não terá início por um tanto de excitação para ir aumentando até chegar a ser uma excitação acentuada. Haveis de ser esse sentimento desde o seu começo e ele não se alterará nem aumentará.


Um sentimento que não esteja associado ao momento aumentará e fá-lo-á de uma forma efectiva. Ele sofre incrementos e prolonga-se e permanece, continua. Os sentimentos da hora não se prolongam. Os sentimentos deslocados do momento fazem-no, o que se traduz pela razão por que geram estados como o da depressão. Esses não são sentimentos do momento, mas sentimentos passados. Estão ligados a associações, a problemas - apêndices de apego que influenciam o indivíduo. A consciência do corpo busca lembranças e realça esses sentimentos. E eles crescem, e prolongam-se. Esta é uma identificação muito simples da diferença existente entre os sentimentos do momento e os sentimentos que não são do momento.


Já falamos consideravelmente sobre os sentimentos que não são do momento. Agora vamos abordar os sentimentos pertinentes ao momento. Nessa medida, eu diria que, independentemente da forma como vós enquanto indivíduos - qualquer um de vós - vos permitis sentir ou não sentir, o que todos partilhais em comum é a dificuldade e o desafio na interpretação não só da mensagem como do próprio sentimento, do seu significado. Todos vós incorporais dificuldade e desafios em relação às mensagens.


Provavelmente recebo esta pergunta em quase toda a conversa que tenho com cada indivíduo: "Estou a ter este sentimento. Que significado terá?" (O grupo ri) "Eu tenho esta manifestação física. Que será que quer dizer? Qual será a mensagem? Que será que estou a tentar dizer a mim próprio? Estou a sentir isto. Qual será a mensagem que estou a tentar comunicar a mim própria?" E todos vós vos achais bem familiarizados com as próprias expressões que tendes desse tipo, ou relativas a essa questão - por ser um desafio, por terdes sentimentos - ou ESPERARMOS que tenhais sentimentos - mas torna-se num desafio definir com exactidão o que esses sentimentos representem. E além disso, qual será a identificação do sentimento, o que será que significa para mim? Qual será o significado deste sentimento que estou a gerar?


Isso é importante. Essa é uma informação válida, e eu diria que mais de metade da vossa informação objectiva vos é expressada por intermédio dos sentimentos que tendes. Por isso, se não prestardes atenção, e não definirdes aquilo que sentis, nem compreenderdes o significado que esse sentimento tem para vós, estareis a perder metade ou mais da informação que podereis apresentar a vós próprios. Todos vós estais interessados em mudar e expandir a consciência que tendes e em crescer. Se quiserdes expandir-vos e tornar-vos mais conscientes, prestai atenção àquilo que sentis. É muito importante. Esses sinais comportam um enorme volume de informação.


Ora bem; nessa medida, importa não ser genérico: "Sinto-me aborrecido." Qual será o sentimento inerente ao aborrecimento? Não existe sentimento nenhum que se traduza pelo aborrecimento. Trata-se de uma generalização ou da combinação de sentimentos. Que coisa será o aborrecimento? É uma questão de definirdes de uma forma específica para vós próprios o que estais efectivamente a fazer. "Sinto-me agitado. Sinto-me irrequieto." Que será que isso quer dizer? Que estareis a fazer caso vos encontrardes irrequietos? Há uma razão por que sentis. A emoção é um dos dois componentes principais do modelo desta vossa realidade. Se a emoção é uma das principais expressões da vossa realidade, é muito importante, e é a forma como vos expressais. Se não vos expressardes desse modo, expressareis apenas uma porção de vós próprios.


Bom; isto não quer dizer que eu esteja a expressar a qualquer de vós que deveis continuamente emocionar-vos. Não. Cada um de vós sente em diversos graus e cada um de vós, conforme tereis consciência, expressa diferentes tipos de foco. Alguns de vós focais-vos no pensamento, outros no político, alguns de vós no emocional e alguns de vós no religioso. Isso influencia a forma como sentis ou a intensidade do que sentis ou a quantidade do que sentis. Nessa medida, não é, necessariamente, a frequência com que sentis, mas prestar atenção quando estiverdes a sentir de uma forma qualquer. Alguns indivíduos nem sequer chegam a ter consciência das alturas em que sentem, conforme estou ciente que o Michael partilhou. (Riso) Não lhe estou a querer retirar o impacto. (O grupo ri junto com o Elias) Mas esse é igualmente um aspecto importante: Começar a ter noção disso.


Se fordes um indivíduo que não esteja acostumado a prestar atenção ao que sentis, em geral, há um método simples que podeis utilizar para a prática de vos tornardes mais conscientes: Prestai atenção ao vosso corpo. Quando estais a sentir o vosso corpo reage. Quando vos sentis excitados, os vossos músculos contraem-se. Quando vos sentis felizes, a vossa respiração altera-se. Quando estais tristes, restringis a respiração. Quando vos sentis em estado de ansiedade, respirais mais rápido. Os vossos músculos também começam a ficar tensos. Quando estais irados ou irritados, a vossa respiração torna-se mais pesada e os vossos músculos mais tensos. O vosso corpo constitui um indicador potencial de estardes a sentir, mesmo que penseis não estar a sentir.


Se prestardes atenção ao que o vosso corpo estiver a expressar, podereis começar a familiarizar-vos com os sinais. Por o vosso corpo vos apresentar sinais físicos em acréscimo aos sinais emocionais e, com isso, poderdes começar a questionar-vos: "Tenho o plexo solar tenso. Que sentimento estará associado a um plexo solar tenso? Que estarei eu a sentir neste exacto momento?" Mas pode não ser nesse momento. Pode ter sido durante o dia. Pode ser que tenhais experimentado uma acção algumas centenas de horas antes e agora estejais a sentir em relação ao que estivestes a experimentar.


Nem toda a gente experimenta o sentimento de imediato. Alguns indivíduos experimentam o sentimento após determinada experiência. Depende da forma como processam a informação. Por vezes, por assim dizer, o sentimento será recuperado após a experiência, por o indivíduo estar a processar a experiência e só depois sentir. Alguns indivíduos sentem de imediato em qualquer experiência. É importante que presteis atenção a VÓS e à forma como VOS sentis, como VÓS processais esses sentimentos. Também se torna importante reconhecê-los. Não sou capaz de enfatizar isso o suficiente.


Nem sempre é uma questão de exercer uma acção qualquer sobre um sentimento, mas sempre é uma questão de reconhecerdes o que estais a sentir. Porque quando não admitis o que estiverdes a sentir, esses sentimentos adoptam a forma de energia retida. E nos vossos termos, essa energia retida gera úlceras. Não é diferente de uma qualquer infecção que possais gerar em termos físicos. Ela também provoca um tipo de infecção, e nessa infecção continua a amontoar-se. Afecta a consciência do vosso corpo, por não estar a ser objecto do vosso conhecimento e não estar a ser reconhecida, e isso IRÁ expressar-se por uma via qualquer. Podeis esbarrar o vosso carro. Podeis dar uma martelada no vosso pé. Podeis dispersar-vos imenso. Podeis tornar-vos temperamentais. Podeis desligar-vos e afastar-vos. Por a infecção causada por esses sentimentos estar a causar uma barreira na vossa energia, entre vós e os outros, e não vos permitir o contacto. Existem variadíssimas expressões diferentes que podem ocorrer quando não admitis o que estiverdes a sentir, ou sequer a existência dos vossos próprios sentimentos.


Nessa medida, admiti-la constitui uma libertação. Permite-vos libertar energia de imediato. Não é necessário que actueis sobre todo o sentimento que produzirdes, pois recordai que os sentimentos constituem sinais. Por isso, é uma questão de acolherdes essa mensagem que está por detrás desse sinal. E a mensagem pode não requerer que actueis. Poderá exigir simplesmente uma admissão do facto de a terdes recebido. Vós compreendeis. Aceitais a mensagem que apresentais a vós próprios. Isso pode ser tudo quanto seja requerido.


Por vezes, quando acolheis a mensagem podeis sentir-vos impelidos a agir, dependendo do que a mensagem circunscreva. Se for uma mensagem ligada à vossa própria capacitação, poderá impelir-vos quer a deixardes de agir quando de outro modo agiríeis, assim como poderá impelir-vos a agir quando de outro modo não agiríeis. Por essa poder ser a vossa resposta automática: Quer reagir, ou recuar e não enfrentar a coisa. Nessa medida, quando acolheis ou recebeis a mensagem, sois capazes de avaliar: “Que estarei eu a expressar a mim próprio, e qual será a forma mais eficaz para mim de me capacitar neste instante? Nesta situação, qual será o meu maior benefício?”



Agora, deixai igualmente que vos diga, este é igualmente um ponto muito importante. É essencialmente importante que VÓS representeis a vossa máxima prioridade. Compreendei que não ocupais esta realidade sozinhos, mas partilhais esta realidade com muitos, muitos, muitos outros indivíduos. Mas não representareis qualquer benefício para nenhum outro indivíduo nem representareis qualquer ajuda para nenhum outro indivíduo, não encorajareis nem apoiareis nenhum outro indivíduo se não expressardes isso em relação a vós próprios, primeiro.


Todos vós, numa altura qualquer da vossa vida, já tereis passado por experiências e situações junto com outros, em que um indivíduo que vos seja chegado, ou que estimeis, se encontre em agonia ou se sinta magoado ou infeliz. E que é que sentis quando esse indivíduo se sente infeliz? Também vos sentis infelizes. Ou podeis sentir-vos um tanto neutros caso não vos permitirdes prestar atenção aos sentimentos que tiverdes, mas não vos sentireis felizes. Caso esse indivíduo se encontre infeliz não vos sentireis excitados. O mesmo se dá ao contrário. Quando vos sentis desconfortáveis, quando não vos sentis felizes, os indivíduos ao vosso redor também não se sentirão felizes.



Por isso, quando não prestais atenção a vós próprios, e não vos estais a considerar como a mais elevada das vossas prioridades, estais a prestar um mau serviço a todos os indivíduos que se encontrarem ao vosso redor. Mas, para além disso, quer o entendais ou não, quer o reconheçais ou não, a cada momento do dia em que projectais energia, essa energia se propaga por ondulações a partir de vós muito além daqueles com quem vos deparais em termos físicos. Ela propaga-se pelo vosso mundo todo. Este não é um conceito intelectual mas uma realidade.


Por isso, não somente não estais a beneficiar aqueles que se encontrarem ao vosso redor, se não representardes a vossa mais elevada prioridade, como também não estareis a beneficiar o vosso mundo. O que poderá não representar uma preocupação para alguns, por certos indivíduos poderem não se preocupar com a forma como afectam o mundo em que vivem ou o que ocorre no seu mundo. Mas isso é igualmente aceitável. Não vos é exigido que presteis atenção ao mundo, ou que assumais responsabilidade pelo mundo. Mas sabei que o influenciais apenas com a vossa existência, e com tudo o que fazeis e com tudo o que sentis.


Já me deparei e envolvi em conversas com incontável número de indivíduos que me dizem de uma forma autêntica: “Sinto-me muito preocupado com o estado do nosso mundo e com todos os conflitos e guerras que grassam, e discordo veementemente da agressão e da guerra e da violência.” Mas esses mesmos indivíduos envolvem-se em contínuos conflitos e brigas no seu lar junto com indivíduos a quem amam e por quem expressam afecto. Não estou a dizer que as vidas que levais sejam sempre maravilhosas e bem-aventuradas, ou que as interacções que tendes sejam sempre amigáveis e agradáveis ou confortáveis. Aquilo que estou a dizer é: o estado do vosso mundo constitui um reflexo directo do que vós próprios estais a fazer.


Nessa medida, também já me deparei um número incontável de vezes com indivíduos que pretendem de uma forma genuína estender o seu apoio e ajuda aos outros, e a maneira por que podeis praticar isso é sendo responsáveis por vós próprios. Que significará isso, “ser responsáveis por vós próprios?” Ser responsáveis por vós próprios significa em última instância expressar a vossa liberdade. Por ser responsável por vós representar permitir-vos a vós próprios escolher, por não serdes vítimas das expressões nem das escolhas nem dos comportamentos dos outros. Vós escolheis. Elas são escolhas vossas. Por aquilo que fazeis ser por opção própria. Isso é ser responsáveis por vós.


E quando sois responsáveis por vós próprios, sois, automaticamente, como um produto natural, responsáveis por todo o indivíduo ao vosso redor. Dais apoio. Estendeis a vossa ajuda. Encorajais todo o indivíduo ao vosso redor, naturalmente, sem mesmo pensardes. Por ser essa a energia que projectais para os outros, de uma forma natural. Emiti-la com naturalidade. Por assumirdes responsabilidade por vós e pelas escolhas que definis, e nessa medida, caso estiverdes a gerar escolhas benéficas para vós, também beneficiareis todos ao vosso redor, de toda a maneira. Não vos intrometeis. Não ofendeis. Não sois maus. Não sois desagradáveis. Expressais o vosso ser genuíno. Não condenais os outros. Expressais-vos meramente a vós próprios, o que não constitui condenação alguma relativa seja a quem for, por não vos estardes a dirigir a mais ninguém. Estais unicamente a dirigir-vos a vós. (1)


Nessa medida, através do exemplo, apoiais todo o indivíduo que encontrardes, e permitis-vos a liberdade de empreender a orientação que escolherdes. E nessa medida, quando sois responsáveis por vós próprios, também vos abris à inspiração, por não estardes tão atarefados e preocupados com o que todo o indivíduo estiver a fazer. Estais a prestar atenção ao que estiverdes a fazer, e abris-vos a essa magnífica qualidade que tendes, que é a inspiração e criatividade que vos permite criar o que quer que escolhais, da forma que preferirdes, mesmo que seja voar. (Riso)


Não existe coisa impossível que não consigais alcançar. É uma panorâmica que se vos abre, e simplesmente passa a situar-se ao vosso alcance. E tudo quanto vos é requerido é que presteis atenção a vós e agarreis isso, que agarreis a vossa realidade e digais: “É minha, e eu sou capaz de a expressar da forma que preferir. É minha.” E serdes detentores de vós próprios.


E a forma como dais início a isso é abrindo-vos para com a metade da informação a que não estais a prestar atenção, e isso é expressado dando atenção ao que estais a sentir.


Ora bem; antes de irmos para intervalo, colocar-vos-ia a pergunta: Qual o sentimento que cada um de vós considera como o mais confuso ou que representa o maior desafio? Que sentimentos representam um desafio maior para vós, na abordagem, e quais os sentimentos que para vós se revelam mais confusos?


Bom; ao contemplardes esta questão, permiti-vos pensar ou entreter a ideia de experiências que tenhais produzido que para vós sejam confortáveis, em que não vos sentis à-vontade, e que se vos revelam difíceis de abordar. E permiti que apresente um ponto aqui. Nem, todas as situações caracterizadas como um desafio são o que designais por más. Algumas situações podem constituir um desafio, e podem ser expressadas de uma forma bastante amigável e pelo que designais por agradável, mas podem ser fonte de desconforto para vós, de uma forma qualquer.



Por vezes é fácil enfrentar uma situação se gerardes um confronto. Nem sempre é fácil confrontar uma situação caso a situação se apresente de uma forma muito agradável.


Expressões a considerar. E quando regressarmos do nosso intervalo, vamos conversar com respeito às diferenças no que sentis e ao desafio que tendes no sentir. De acordo?

GRUPO: De acordo.

ELIAS: Muito bem. Vamos fazer um intervalo e dentro de pouco tempo continuaremos.

INTERVALO



ELIAS: Continuemos.

Bom; é a vossa vez. Quem quererá começar pelos sentimentos? Muito bem.

JOHN: Eu avanço. Muito bem. Suponho que os sentimentos que tenho... Queres que descreva o sentimento, ou queres que descreva a acção ou o acontecimento que envolve o sentimento?

ELIAS: A questão está em identificar o sentimento.

JOHN: Frustração e desespero.

RODNEY: Repete a pergunta que fizeste, se fazes favor.

JOHN: A pergunta que fiz foi pedir ao Elias para me esclarecer quanto à pergunta que ele tinha feito, que era identificar o sentimento. Perguntei-lhe se quereria que identificássemos igualmente os acontecimentos que envolvem o sentimento, mas aparentemente isso não é necessário. Assim, o sentimento em si mesmo constitui esforço e luta. Isso identificaria a coisa, com respeito ao meu caso.

ELIAS: O esforço não constitui um sentimento. Já o desespero constitui.

JOHN: Certo.

ELIAS: Quererás substituir a luta por um outro sentimento?

JOHN: A frustração não representará um sentimento?

ELIAS: A frustração constitui um sentimento.

Bom; agora a identificação daquilo que provoca o sentimento. De que situação se tratará?

JOHN: Daquilo que provoca o...

ELIAS: De que situação se tratará?

JOHN: A situação é a de que se tiver alguma coisa que queira fazer depois do trabalho, digamos, e de vez em quando, quando regresso a casa do trabalho e tenho uma ideia sobre o que quero fazer, ou estou a antecipar uma actividade que revela a possibilidade de resultar divertida, mas na altura, eu me deixar conduzir para um tipo de actividade mais usual em que me sinto um pouco só... se me sentir sozinho em casa, eu desejarei sair, ou sentirei vontade de sociabilizar mais, o que é óptimo.

Ao mesmo tempo, quando me volto para o aspecto social, o que pode representar uma ida ao bar que frequento ou ao restaurante do costume, encontrar-me com amigos. Isso é agradável; mas então, ao mesmo tempo, estou aí, estou a divertir-me, mas também terei deixado de fazer o que tinha querido fazer em casa. Desse modo jamais vou acabar de fazer o que queria, se é que isso faz sentido.

ELIAS: Logo, gera-se um conflito entre o que queres fazer, mas parece que também pretendes divertir-te.

JOHN: Exacto.

ELIAS: Portanto, o conflito não é necessariamente entre o que queres fazer e o que devas fazer, mas antes o que é mais importante em meio ao que queres fazer e definir o que seja mais importante. E quando escolheres uma, sentes-te frustrado, por não estares a fazer a outra coisa. Que aspecto estará a provocar o desespero?

JOHN: Algo que terá que ver com o não honrar por completo o próprio sentido de direcção que tomo.

ELIAS: Por isso, nessa situação estarás a apresentar a ti próprio duas acções que na verdade pretendes fazer, mas trata-se da opção entre qual acção será mais importante para ti nesse momento. Nessa medida, o conflito emerge, por uma coisa no momento se revelar mais importante, e a outra se tornar no conceito do que deverias fazer. Mesmo que se revele divertido, se de facto pretenderes ficar em casa e envolver determinadas actividades em casa, mas também sentires o ímpeto de sair e de sociabilizares, por gostares dessa actividade, embora possa não constituir a prioridade do momento, pode não se revelar como a coisa mais importante do momento.

Mas tu intelectualizas, em vez de prestares atenção ao sentimento que te está a transmitir essa mensagem, e identificas o que seja mais importante, antes de gerares o sentimento de frustração e de desespero, antes desses sentimentos terem lugar. Por esses sentimentos se darem quando geras a opção, mas não é essa própria escolha que constitui a escolha mais importante.

Crias esse sentimento de desespero ou de frustração, por optares por empregar a acção que julgas ser mais importante. "Devia ir sociabilizar um pouco em vez de ficar sozinho. Ficar sozinho representará possivelmente isolamento, e eu devia estender-me (aos outros), e assim, voltar-me numa direcção que queira, a qual poderá passar por me relacionar. Mas não poderei relacionar-me se ficar em casa sozinho. Mas, nesse instante, na altura em que geras a opção, a decisão, NESSA ALTURA, surge um outro sentimento, que é o sentimento que tinhas ignorado. É o sentimento a que não tinhas prestado atenção, e que te estava a dizer qual a acção que para ti se revelava mais importante nesse instante.

Nessa medida, não é que tenhas perdido a oportunidade, porque, mesmo que escolhas a acção que seja menos importante e que gere o resultado de ficares frustrado ou de te sentires em desespero, esses sentimentos estão a comunicar-te uma informação, e o que te estão a fazer é a apresentar uma mensagem de validação, que o que realmente querias era aceitável. Essa era o sentido em que te honrarias e prestarias atenção a ti próprio e, por intermédio do qual apresentarias a ti próprio informação, mesmo em meio ao desespero e à frustração que sentias. Por então seres capaz de identificar esses sentimentos e de te interrogares: "Que será que me está a motivar o desespero e a frustração que sinto? Por isso não representar a prioridade circunscrita às acções que eu pretendia fazer. Muito bem, que será que me terá motivado a empreender esta acção em vez da acção que pretendia empregar?" E isso facultar-te-á informação relativa ao que queres fazer.

Também te faculta permissão para empreenderes aquilo que for importante para ti. Permite-te definir o que seja importante num dado momento. Não é que devesses empregar esta ou aquela acção, mas é uma questão de definires: "Esta acção neste momento, para mim, é importante. Esta acção neste instante não é tão importante para mim. Por isso, permite-te discernir e obter um esclarecimento mais avantajado em relação ao que estiveres a escolher. E isso confere-te poder.

Sim?

TERRI: Olá, Elias. O sentimento (que tenho) consiste numa sensação opressiva de cansaço, a ponto de precisar deitar-me e adormecer. De modo que, quando quero, como quando me sinto entusiasmada em relação ao acampamento e sinto vontade de me sentar e vontade de fazer um trabalho ou pesquisa qualquer sobre isso, sinto-me de tal modo oprimida com a sensação de cansaço que tenho que me deitar e dormir, o que gera uma sensação de frustração por não saber por que razão não poderei permanecer acordada para o fazer, por constituir algo que me entusiasma tanto.

ELIAS: Muito bem. Esse é também um excelente exemplo. Por com esse exemplo, uma vez mais, estares a apresentar a ti própria uma acção que pretendes levar a cabo e com que te sentes entusiasmada. Nessa medida, quando sentes essa opressão esmagadora de cansaço, isso constitui um indicador de que a consciência do teu corpo te está a refrear, e um indicador da tua concentração ser muito intensa e a consciência do teu corpo está-te a instigar no sentido de fazeres uma pausa, por assim dizer.

Ora bem; a forma como poderás prestar atenção a esse indicador e também prestares atenção ao que queres é reavaliar: "Isto é o que eu quero fazer. Quero empreender esta acção. Quero planear. Vou-me dirigir a isso por um momento. Mas sinto-me extremamente cansada." Nessa medida, a mensagem que a consciência do teu corpo te está a transmitir é: "Demasiado! Demasiado, demasiado! Demasiada consumição e demasiada absorção." Permite-te assimilar.

Além disso, é uma questão de prestares atenção à acção do que pretendes fazer. Estará essa acção em harmonia ou revelar-se-á contrária à acção que desejas, em meio ao que estás a fazer, na expansão que estás a conseguir? Nisso, a palavra-chave é: Planear. Nessa medida, tu, por te conheceres e por o movimento que empreendes e a direcção que tomas, tens-te vindo a abordar no sentido de te permitires e de te desdobrares. E planear apresenta-se em oposição a isso.

TERRI: Talvez eu estivesse a confundir isso com o agir, como caso eu estivesse a pesquisar formas diferentes de atrair um investidor em tempo real (online), e isso fosse agir.

ELIAS: Sim, eu estou a entender, e isso pode representar um elemento de acção na direcção que queres. Concordo, Mas nisso, a consciência do corpo ao te estar a expressar também essa fadiga, está-te a dizer: "Demasiado! Demasiado! Pára!" E nisso, é uma questão de fazeres um marca-passo.

Deixa que te diga que em grande parte isso se pode aplicar correctamente ao caso de cada um de vós, seja em que situação for. Se vos sentirdes excitados, se vos sentirdes inspirados, tornar-se-á demasiado difícil esquecer a paciência. Quando vos sentis entusiasmados, pensais que o modo pelo qual podereis continuar a manter esse entusiasmo seja continuar com o que vos estiver a entusiasmar. Podeis sustentar o sentimento e a experiência da excitação ou entusiasmo sem precisardes envolver continuamente o que para vós representar fonte de entusiasmo. Nessa medida, recordai também que os sentimentos do momento não se prolongam. Assim, os sentimentos inerentes ao agora movem-se na direcção da mudança. E a vossa consciência do corpo não foi concebida para se mover na direcção de manter esse sentimento de uma forma constante. Por isso se revelar exaustivo.

TERRI: Bom, a sesta sempre acaba por levar a melhor. Então, só necessito certificar-me e apreciar isso como o modo que uso de me manter na linha e de perceber o que quero da forma mais directa. Eu sempre tiro a sesta.

ELIAS: (Ri) Muito bem. Eu diria que esse é um excelente exemplo, mas é um exemplo de ser paciente, e de ter em mente a paciência, recordando e admitindo o equilíbrio, e nessa medida, a consciência do teu corpo está a expressar-te: "Basta! Faz um intervalo." Podes sempre voltar ao entusiasmo que sentiste, mas permite-te esse equilíbrio. Quando te manténs em equilíbrio, é improvável que manifestes essa fadiga esmagadora.

TERRI: Obrigado.

ELIAS: Não tens de quê.

Sim?

AARON: Daqui fala o Aaron. Muito bem, para mim foi muito fácil identificar o sentimento que me acometeu porque assim que colocaste o exercício, e eu pressenti que teria que me expor, obtive o sentido das implicações disso exactamente no meu plexo solar. Assim, soube logo o que isso representava, que foi, creio eu, o sentimento da exposição.

ELIAS: Não.

AARON: Certo.

ELIAS: Agora; identifica o sentimento. A exposição não serve de explicação para o sentimento. É uma razão para o sentimento, mas que não traduz o sentimento.

AARON: Está bem, então será vulnerabilidade.

ELIAS: Não. Isso é uma outra explicação para o sentimento. Qual será o sentimento? Ansiedade? Defesa? Medo? Agitação?

AARON: Medo e ansiedade, creio.

ELIAS: Esses são...

AARON: Foi medo, em definitivo. Eu diria que o medo se assomou desmesurado.

ELIAS: Muito bem. Isso são sentimentos.

AARON: De facto, todavia não o estou a sentir neste momento. (O grupo ri)

ELIAS: (Ri) Ora bem; tu expressaste que tiveste esse sentimento imediatamente quando eu referi qual seria o assunto.

AARON: Certo.

ELIAS: Agora, que coisa te motivará esse sentimento? Tu identificaste exposição. Que quererá isso dizer? Qual será a ameaça? Que temor será?

AARON: Creio que tenha sido... Tendo a ficar com a língua presa sempre que me encontro em grupo. Claro, estou a ficar com a língua perra, estás a ver? (O grupo ri)

ELIAS: Receio de não te expressares de uma forma articulada...

AARON: Certo. Muito bem, é isso. Certo.

ELIAS: ...ou de um modo adequado e, por isso, que representará ele? Isso representa desconsideração por ti próprio, desvalorização de ti próprio, por não seres adequado o suficiente para competires com os outros na sala.

AARON: É um bom modo de colocar a coisa, sim.

ELIAS: Bom; nessa medida, poderás avaliar esse sentimento e a informação que ele comporta, a mensagem: “Eu sou inferior, ou menos capaz do que os outros aqui presentes na sala, o que me coloca numa posição de incapacidade para competir com eles.” Quando consegues avaliar isso, és capaz de produzir uma escolha: “Muito bem, a identificação é esta. Como será que escolho dar continuidade a essa informação a fim de me capacitar? Qual será o maior benefício que poderia colher disso?”

A partir disso, poderás avaliar. Talvez o teu maior benefício seja o de te permitires fazer uma pausa, de dares atenção e de fazeres uma pausa e de formulares a forma como quererás participar, em vez de simplesmente o expressares. Essa é a acção automática, que eu diria ser bastante comum. A maioria das pessoas faz isso quando aborda outros individual ou colectivamente, numa conversa, em que participem de um modo qualquer. Automaticamente fazeis com que ressalte uma resposta. Precisais ter uma resposta. Nem sempre tendes uma resposta de imediato.

É uma questão de te permitires esse conforto que vos é natural, e de avaliares e de dares atenção, ao processo. Isso ocorre com muita rapidez. Uma pausa não quer dizer cinco minutos. Um pausa pode implicar (apenas) dez segundos. Por terdes a capacidade de processar com muita rapidez. E nessa medida, é uma questão de te permitires reconhecer: “Eu sinto-me confortável. Sinto-me receosa ou agitada.” Muito bem, faz uma pausa, respira e relaxa. “Qual será o meu maior benefício?” Primeiro, é o de relaxares, em vez de exacerbares a situação; relaxa e faz uma pausa: “Que é que está a ser apresentado? Como desejarei responder? Ou desejarei sequer responder?” Por não te ser exigido que respondas.

Por isso, é uma questão de avaliares: “Este é o sentimento. É isso que quer dizer. Isto é o que eu estou a expressar a mim próprio. Quais serão as escolhas que neste momento tenho que representem o meu maior benefício?”

AARON: Parece-me a mim que eu preciso forçar-me um pouco, por a tendência que tenho ser a de abandonar ou simplesmente...

ELIAS: Eu estou em desacordo. Não é uma questão de te forçares. Talvez seja simplesmente uma questão de reavaliares e de inicialmente escolheres um método ligeiramente diferente que confortavelmente te facilite numa situação tal como: “Em vez de fugir, mas sem me comprometer propriamente, escolho simplesmente prosseguir. Escolho simplesmente estar presente e escutar. Mas não me é exigido que me force e comprometa. Posso escutar. Posso permanecer presente. Posso ficar, e não estou a voltar costas, mas também não estarei a forçar-me ao que me traga desconforto.”

AARON: Creio que entendo isso.

ELIAS: Muito bem.

Sim?

ANN: Daqui fala a Ann. Na verdade, acho que vou querer explorar o que tu sentiste, por o sentimento que tive ter sido igual ao teu.

AARON: Estás a falar a sério?

ANN: Provavelmente não nos exactos termos idênticos, mas semelhantes o suficiente para te ter captado o processo. Assim que disseste: “É uma opção,” eu pensei nisso, por sentir ansiedade em relação a ter que apresentar alguma coisa, e é como se tivesse o peito a arfar mais rápido, pelo que devia estar um pouco nervosa em relação a falar, mas...

ELIAS: Pára! (O grupo ri)

ANN: Está bem.

ELIAS: Que é que estás neste momento a sentir?

ANN: Uma pausa. Estou a sentir um pouco de alívio, como se tivesse entrado numa competição, e relaxasse, pelo que me sinto um pouco mais relaxada neste momento.

ELIAS: Mas estavas a sentir-te nervosa.

ANN: Estava. Estava a sentir-me nervosa.

ELIAS: E que era que estava a motivar-te isso?

ANN: O facto de não ser capaz de expressar correctamente aquilo que queria expressar. Eu queria expressar algo e não sabia se seria capaz de transmitir a mensagem que queria transmitir da forma que pretendia.

ELIAS: Isso é bastante comum. Presta atenção a isto, por essa ser uma expressão bastante comum a muitos indivíduos, essa apreensão ou receio de não serem compreendidos ou de não se expressarem adequadamente e, por isso, outros poderem não acolher o que expressam o que também leva as pessoas a terem que afirmar-se repetidamente. Afirmam alguma coisa, e depois mudam-no. Mudam o teor. Alteram a acentuação. Por não acreditarem que os estejais a ouvir.

Essa é uma expressão que não só é bastante comum, como é expressada com relação a um receio de não ser testemunhado. A acção de testemunhar consiste na acção de prestar atenção, reconhecer a existência de um indivíduo e a sua importância. E esse é um receio bastante comum, o de que, quando vos expressais, não sejais testemunhados. Traduzis isso nos seguintes termos: “Não serei compreendido adequadamente.” Mas a realidade é que não sereis vistos, não sereis escutados e não sereis valorizados como importantes, e o que é importante para vós não será importante para os outros.

Não importa que os outros partilhem o que é importante para vós. Se vos testemunharem, sereis importantes. Por isso, o que quer que expressardes será reconhecido, quer seja importante para o outro ou não. E essa é uma expressão bastante comum, o que também gera esse sentimento de nervosismo quando vos deixais levar a pensar que vos seja exigido expressar-vos.

Eu dir-vos-ei a todos, que isso tem início muito cedo nas vossas experiências. A maior parte de vós experimentará isso enquanto sois bem pequenos, quando questionais a importância que tendes. Por quando sois catraios, observardes os outros ao vosso redor, e observardes os adultos ao vosso redor que parecem não vos ligar importância nenhuma. Sois menos importantes, por serdes pequenos. E nessa medida, começais bem cedo a questionar a importância que tereis, e isso gera dificuldade, ansiedade, nervosismo, em relação à expressão pessoal. Não leva a sentir segurança.

A segurança representa um sentimento. Quer vos sintais seguros ou inseguros, a segurança não consiste num estado de espírito, mas num sentimento. E muitos de vós, se não a maioria, aprende a deixar de sentir segurança se vos expressardes.

Vou-vos dizer a todos que neste exacto momento junto de mim e de todos quantos se acham presentes neste grupo, estais seguros. Podeis sentir-vos seguros para partilhar, por toda a gente nesta companhia compreender aquilo que sentis, por também o terem sentido. E todo o indivíduo neste grupo vos está a testemunhar a cada um. Por isso, podeis sentir-vos seguros. Mas mesmo que nenhum de vós testemunhasse o outro, vós estais, e eu estou-vos a testemunhar e a presenciar-vos a todos. E isso é suficiente.

ANN: Obrigado, Elias.

BILL: Elias, primeiro quero agradecer-te por isso da segurança.

ELIAS: Não tens de quê.



BILL: Isso para mim foi impressionante, por ter estado o tempo todo a pensar que as emoções que geralmente sinta sejam mais o temor, em relação a pronunciar-me. Mas quando mencionaste “segurança”, os meus olhos arregalaram-se e eu disse para comigo: “Meus Deus, é exactamente o que se está a passar.” E intimamente junto a isso está o aspecto de ser testemunhado, quer a pessoa com quem falo concorde ou não. Eu expresso-me sem a intenção de que concordem comigo; por estar unicamente a partilhar informação. Mas o receio – isso tem lugar primordialmente, num relacionamento muito chegado que tenho com a minha companheira em termos de dizer o que me vai na ideia – unicamente por dizer o que me vai na ideia, coisa que tendo a não fazer com a frequência de que gostaria, mas que é uma questão segura. Porra! É quase, obrigado, cara!

ELIAS: Não tens o que agradecer.

BILL: Isso foi fantástico. Eu só precisava dizer isso. Foi excelente.

ELIAS: Mas em relação a isso, quando te sentes inseguro e, por isso, deixas de partilhar, embora gostasses de o fazer, deténs-te, e restringes-te em relação à partilha por sentires insegurança; que é que isso te está a expressar? Qual será a ameaça?

BILL: A ameaça, creio eu, é que não serei aceite por quem sou, e pela forma como penso, e pela forma como sinto.

ELIAS: Por não seres suficientemente importante.

BILL: Claro, claro.

ELIAS: Bom; em relação a isso, como poderias expressar a tua própria importância, sem dependeres do facto do outro reconhecer essa importância?

BILL: Como é que eu faço para evidenciar isso sem me preocupar com o reconhecimento? É isso que estás a dizer?

ELIAS: Como poderás expressar essa importância em ti próprio e saber disso, e não exigir esse reconhecimento da importância por parte de uma fonte externa?

BILL: Não sei.

ELIAS: Obrigado. (O grupo ri) Isso envolve uma acção que é, de uma forma, muito natural para todos vós. Existis numa realidade física que expressa separação como um aspecto do modelo que envolve. Ocupais corpos separados. E nessa medida, como incorporais esses aspectos de separação, naturalmente voltais-vos para fontes externas em busca de união, e a forma como buscais essa união é por intermédio da validação e do reconhecimento. Por isso, essa torna-se numa expressão vasta e muito importante para todos vós.

Essa é a razão por que, mesmo que digais que não importa que os outros concordem convosco, vós quereis que concordem convosco. (O grupo ri) Porque, quando concordam convosco, estão a considerar-vos. As pessoas podem considerar-vos quando não concordam convosco, mas isso tem que ver com a forma com que discordam de vós. Se reconhecerem a vossa importância, mas estiverem em desacordo convosco, isso representará uma validação. Por vos estarem a testemunhar. Sentis-vos ligados e reconheceis isso.

A razão por que preferis que concordem convosco reside no facto disso constituir um elo de união evidente e de tornar óbvio que o outro vos esteja a mostrar consideração e validação. Por isso sois importantes. E é expressado de uma forma óbvia. Nessa medida, quando abordais um outro indivíduo que não vos testemunha -  e nem todos vos testemunharão – vós não testemunhais todos os indivíduos com quem vos cruzais, nem todos vos testemunham a vós.

ANN: Qual será a distinção? Nesse caso que será que isso significa?

ELIAS: Testemunhar é considerar, reconhecer a importância e a importância que tendes.

ANN: Certo. Entendi.

ELIAS: Nem toda a gente fará isso. Podeis deparar-vos com muita gente para quem não sereis importantes, e que pode nem mesmo reconhecer a vossa existência. Para muitos, não passais de mais uma pessoa. Isso reconhecerá a vossa existência? Não. Sois como uma gota no oceano. Acha-se tudo misturado e eles não reconhecem a vossa existência.
Já outros reconhecem-na.



Mas em muitas situações, em especial ligadas a parcerias que existam há um tempo considerável – há anos e anos – as pessoas esquecem-se de mostrar consideração umas pelas outras nessas parcerias, e deixam de o fazer. E nessa medida, um deles pode continuar a passar esse testemunho e o outro não o fazer, ou ambos não o fazerem.

Nesse tipo de situações, trata-se da questão do como validar a importância que tereis sem dependerdes da fonte externa para o fazer. Nessa medida, a forma de o fazerdes, é torná-la na forma como VÓS quereis que seja validada, e expressardes isso no exterior. Se vos impedirdes de vos expressardes, por terdes receio de que isso não seja seguro, não sereis testemunhados, não sereis importantes, e a forma de dar a volta a isso passa por escolherdes uma expressão qualquer por que obviamente testemunheis o semelhante, o que com toda a probabilidade o irá deixar surpreendido.

Quando testemunhais o semelhante, quando lhe manifestais reconhecimento – quer seja importante para vós ou não – quando reconheceis a importância e a existência dele, sem o expressardes por palavras estareis a dizer-lhe e a recordar-lhe: “Isto é o que fazemos. Testemunhámo-nos uns aos outros. Valorizámo-nos uns aos outros por ser assim que estabelecemos união uns com os outros; e quando deixamos de o fazer, sentimo-nos sós, e isso também não é seguro.”

Portanto, destacais a vossa insegurança para expor a insegurança deles. E ao expordes a insegurança deles, estais a testemunhá-los; estareis a valorizá-los, o que representa valorizar-vos a vós. E nessa medida, isso transforma a situação, e leva-a a tornar-se no vosso máximo benefício. Isso é sempre chave: “Qual será o meu maior benefício? Como darei expressão ao que represente as escolhas que tenho relativamente à minha própria expressão? Que me estará a impedir de me expressar? Que sinal me estará a indicar que estou a ser impedido? E como poderei avançar nessa direcção e valorizar-me, ser testemunhado, e tornar-me nesse exemplo a que se presta atenção?” Tornais a insegurança numa coisa visível, no centro das atenções.

É muito semelhante a um cenário por demais evidente. Se estiverdes numa clareira, em plena selva, e um leão se acercar de vós, e vos vir (o cão da Mary, Polly, começa a ladrar e o grupo ri), e contemplar a possibilidade de vos comer, se voltardes o foco da atenção da insegurança para esse leão, provável será que esse leão fuja, e que não vos coma. Por isso, em termos metafóricos é o mesmo. Utilizai a insegurança que sentirdes para a tornar num centro das atenções, num farol. Isso instaurará a segurança.


BILL: Isso foi incrível. (Elias ri) Valeu bem a viagem que aqui fiz. Obrigado.

ELIAS: Não tens de quê.

Sim?

MARK: Olá, Elias! Quem está a falar é o Mark. Recentemente tive uma experiência em que neguei as expressões de um outro indivíduo, expressões da esfera dos sentimentos que tenho para com ele. Notei que quando... (Inaudível)

ELIAS: Pára!

Ora bem; que é que estás a sentir? Por estares a retrair-te. Estás a baixar o tom vocal e a suavizá-lo progressivamente, e não estás a deixar que todos os outros tomem parte contigo. Estás a retrair-te em ti mesmo. Que estás a sentir?

MARK: (Inaudível)...Sinto o meu coração acelerado...(O grupo ri)

ELIAS: Muito bem! É isso que estamos a debater.

MARK: Sinto um volume massivo de energia sobre os ombros.

ELIAS: Era isso que estávamos a debater. Se não conseguirdes identificar uma sensação emotiva de imediato, olhai para a consciência do vosso corpo. Ela dará expressão a sentimentos que podereis traduzir. Tens o coração acelerado. Estás a prestar atenção a isso. A razão por que estás a prestar atenção a isso deve-se ao facto de sentires desconforto.

MARK: Não tinha identificado isso até este momento.

ELIAS: Eu entendo, mas estás a identificar agora.

MARK: Ah, claro! (O grupo ri)

ELIAS: A sensação que tens sobre os ombros representa um peso em termos de energia, uma sensação de opressão, assim como é energia que está a dar lugar ao retraimento. O teu tom vocal começou por se evidenciar bastante, mas mudou de imediato, e tornou-se muito moderado, e demasiado ameno. Deixaste de evidenciar e aqueles que não se encontram nas tuas imediações serão excluídos em relação ao que estás a expressar.

Bom; não quererás voltar a tentar? Mas evidencia-te!

MARK: Com certeza. A minha pergunta era: ao deixar de me expressar, isso não representará o que anteriormente terás referido em termos de uma potencial infecção? Querendo com isso dizer que não seja... Tenho a sensação de que, para mim, isso represente uma não permissão para me expressar, e interpreto isso como um desconforto que gero na consciência do meu corpo.

ELIAS: Exacto.

MARK: E assim que defini a decisão passei a sentir-me seguro, ao passo que quando não me expressei notei nessa expressão que retive toda aquela energia, e que a seguir ela manifestou-se na expressão das lágrimas que me acometeram. Não consigo identificar o sentimento associado às lágrimas, para além de representar energia represada, mas se continuasse a retê-la e a deixar de a expressar, não resultaria num benefício para mim.

ELIAS: Exacto. Estou de acordo.

Agora; o sentimento que denota é de ansiedade. Essa é a identificação do sentimento, da sensação emotiva. Ela é expressada na consciência do corpo precisamente da forma que descreveste. E nessa medida, também constitui um excelente exemplo, por ocorrer com muito mais frequência do que muitos de vós percebeis – de estardes efectivamente a sentir. Há um sentimento em decurso, e não sabeis objectivamente qual seja. Não o conseguis definir necessariamente. Mas podeis prestar atenção à consciência do vosso corpo, e a partir daí podereis começar a determinar qual seja a sensação emotiva que esteja a acompanhar a sensação da consciência do corpo, a sensação física.

A ansiedade gera várias formas físicas distintas, mas é um sentimento bastante comum que é expressado em muitas situações diferente pelas pessoas. Trata-se de uma hesitação da vossa parte. Não é que envolva tanto um receio mas mais um questionar. É uma hesitação, uma forma de cepticismo quanto ao facto de ser admissível expressar-vos ou não, e isso cria uma retenção da energia que provoca ansiedade.

Mas sim, eu diria que tens razão. Isso é justamente o que eu estava a debater anteriormente em relação à infecção. O facto de que, quando não reconheceis, quando não expressais os sentimentos que tendes, quando os retendes e passais por cima deles ou os ignorais, sem os considerardes, ser isso que criais. Criais, nos termos de uma metáfora, uma infecção emocional na consciência do vosso corpo. E com isso, poderá ou não desenvolver-se por uma forma efectiva de afectação física. Mas mesmo que não dê lugar a uma manifestação física, coisa que pode muito bem dar, deixa-vos desequilibrados. Impede-vos em definitivo e sem sombra de dúvida de permanecerdes centrados.

Não podeis permanecer centrados e passar por cima ou ignorar os sentimentos. Não podeis fazer ambas as coisas. Por isso, impede-vos em definitivo de vos centrardes. E eu dir-vos-ia que podeis meditar o tempo todo que não permanecereis centrados se não reconhecerdes esses sentimentos, se não lhes prestardes atenção, por eles se expressarem. A energia sempre se expressa, de uma forma ou de outra. Ela não pode ser retida. Podeis prendê-la, mas ela expressar-se-á de uma forma qualquer.

Nessa medida, quando gerais essa acção, ela provoca essa infecção emotiva, e isso vai criar um outro sentimento de desconforto. Sentis-vos desconfortáveis, e não apreciais isso. Eu dira que a maioria das pessoas se sente agitada e sente desconforto por serem quem são: “Não me sinto confortável na minha pele, por não me conseguir expressar deste modo e libertar esta energia.”

Agora; existe uma diferença entre a expressão da energia e a libertação dessa mesma energia. Ela expressar-se-á. O que não quer dizer que permitais que seja libertada. E libertar energia constitui uma função natural. Não fostes concebidos com essa consciência do corpo para reterdes a energia. É por essa razão que ela provoca danos, por não serdes concebidos para fazer isso. Fostes concebidos para libertar energia. É por essa razão que rides. É por essa razão que chorais. É por essa razão que gerais movimentos físicos. É por essa razão que vos tornais inquietos, por vezes, e sentis vontade de mexer com o corpo físico. Essa é também a razão por que vomitais, por representar uma libertação de energia. O vosso corpo está equipado para libertar energia por muitas formas diferentes. Quando o não fazeis por livre vontade e de bom grado, o vosso corpo fá-lo-á por vós por formas muito desconfortáveis.

Nessa medida, o chorar constitui expressão bem comum de libertação de energia. As pessoas fazem isso quando se sentem nervosas. Fazem isso quando se sentem felizes. Fazem-no quando se sentem tristes. Fazem isso quando sentem ansiedade. Fazem isso quando sentem medo. Chorais num sinal qualquer de tipo emocional, por envolver uma permissão para libertardes energia. Rir constitui em absoluto uma segunda categoria do choro. As pessoas riem quando se sentem nervosas, quando se sentem chateadas, quando se sentem ameaçadas, quando sentem desconforto, quando se sentem felizes, excitadas, mas o rir nem sempre constitui uma acção que as pessoas empreguem em relação ao humor. Trata-se de uma forma de libertardes energia.

MARK: Obrigado.

ELIAS: Não tens de quê.



JEN: Eu quero aproveitar a boleia que essa questão me proporciona. Gostei que ele tivesse colocado isso por poder em absoluto estabelecer uma relação, e eu fazer a mesma coisa. Mas creio que até certo ponto tenho receio das emoções, possivelmente por ter sido criado por alguém que foi ensinado a não expressar as emoções que tinha.

ELIAS: E por isso estimas que não sejam seguras. Que não sejam aceites ou, talvez, que sejam aceites com moderação, mas não aceites da forma que realmente possas senti-las. Essa é uma outra expressão muito corrente, a de que os sentimentos possam obter uma expressão em demasia. Não podem, não senhor. Mas tu tens a ideia de poderes ter demasiados sentimentos, demasiada expressão, e que essa demasia não seja normal. E portanto, isso deve estar errado, ou deve ser mau. E, nessa medida, o indivíduo que sente, talvez pelo que a norma refere como demasiado, sentirá de forma diferente.

E quando sentes de modo diferente sentes ser inaceitável. Porque o aceitável é sentir do mesmo modo (e na mesma medida). Intelectualmente, todos quereis ser individualistas e diferentes, em certa medida, mas com respeito aos sentimentos já quereis que sejam todos os mesmos. E a razão por que quereis que sejam todos os mesmos deve-se ao facto de isso vos trazer segurança e validação. Faz-vos sentir seguros. Não existe desafio algum na semelhança, e nenhum de vós realmente é igual. E nessa medida, não existe expressão de sentimento em demasia. Todos os sentimentos são aceitáveis e naturais. A intensidade do sentir é aferida por cada indivíduo e pela sua sensibilidade, e por aquilo a que estiver a prestar atenção, e pelo quanto estiver a prestar atenção aos sentimentos que tiver.

Agora; vou dizer-vos que em determinadas situações, certos indivíduos podem expressar um sentimento exagerado. Esses já não são sentimentos autênticos. Alguns exageram a expressão que dão aos sentimentos, não por estarem efectivamente a senti-los, mas exageram a expressão do sentimento, quer para obter tipos específicos de atenção, ou quando se sentem ameaçados isso poder funcionar como uma expressão de defesa para afastar outros indivíduos, por a maioria não se sentir confortável com alguém que expresse os sentimentos com demasiada intensidade.


PARTICIPANTE FEMININA: E acerca do controlo? O facto de o indivíduo estar a expressar em demasia, poderia ser...

ELIAS: Sim, pode muito bem ser uma expressão de controlo. Sim, sem dúvida. Mas nisso, há um ponto relativo à intensidade dos sentimentos, dos sentimentos genuínos, que em relação a todos vós, colectivamente, desde tenras idades sois, de uma forma qualquer, vos é incutido que os sentimentos são para ser expressados com moderação e por meio de variados graus, e que num certo grau de moderação abre caminho a mais; e num outro grau de moderação dá lugar a não sentirdes quase nada. Mas nessa medida, é-vos incutido a todos que os sentimentos são inaceitáveis caso sejam expressados sem moderação. Por isso, a maioria de vós sente desconforto caso apresente a si mesma um indivíduo que expresse os sentimentos de uma forma menos moderada.


Esse é um ponto igualmente importante, com relação às diferenças. Certos indivíduos não chegam bem a aprender essa expressão que lhes é incutida - dos sentimentos deverem ser expressados com moderação, e outros permitem-se expressá-los de qualquer maneira. E podem chegar a expressá-los com intensidade, e os sentimentos podem ser genuínos. E quando vos sentis desconfortáveis na presença de um indivíduo que dê expressão a sentimentos genuínos com intensidade, essa é uma situação interessante a questionar no vosso íntimo. Por que vos sentireis desconfortáveis por o indivíduo estar a expressar os sentimentos que tem com intensidade? Por que será que isso gera desconforto? Que é que vos ameaça? O facto de não vos permitirdes expressar desse modo? Ou o facto de não poderdes expressar-vos desse modo? Ou que vos é de tal modo estranho que acabais por sentir desconforto com essa falta de familiaridade? E automaticamente vos afastais?


Esta é uma altura em que estamos a constatar uma expansão. E essa expansão inclui uma maior expressão de sentimentos, uma maior faculdade do sentir, e a criação da sensação de segurança no trato com os sentimentos. Nessa medida, é uma questão de vos reconhecerdes naquilo que estais a sentir nas comunicações que usais para convosco próprios, e de considerardes isso e de reconhecerdes que, quanto mais vos considerardes e admitirdes, maior permissão facultareis, não só a vós próprios, como a toda a gente; e que é aceitável que sintam, e que a intensidade com que sentem é irrelevante e não tem importância. Pode passar pelo que for que seja de genuíno, tanto por uma expressão mínima como por uma extrema que não terá importância. É seguro. Não vos ofenderá. Não vos beneficiará de forma nenhuma. Até mesmo os sentimentos de desconforto vos beneficiam, por conterem informação que vos permite expandir.

Sim?

ROBERTO: O sentimento é aborrecimento (contrariedade).

ELIAS: Aborrecimento! Isso é um sentimento.

ROBERTO: A situação confusa que vou propor é a de estar na presença da minha companheira e ela começar a espirrar. Por uma razão que não consigo explicar, por vezes eu fico aborrecido. Por isso, trata-se de uma situação muito confusa.


ELIAS: O aborrecimento constitui um sentimento interessante. Quando vos sentis aborrecidos, aquilo que estais a expressar é, primeiro: um julgamento. O aborrecimento constitui o sentimento indicador, o vosso sinal: estais a criar uma forma de juízo. E, geralmente, esse julgamento envolve a forma de expressão de pretenderdes que qualquer que seja a fonte externa do que estiver a ocorrer, seja como vós sois. É isso o que gera o aborrecimento – o facto de estardes a julgar a situação, a acção, o indivíduo ou a expressão; não tem importância. Estais a julgar isso por não quererdes que continue da forma que se revela. Quereis que seja como vós, ou COMO o expressaríeis. Isso é o que causa o aborrecimento.


Agora; isso é interessante, porque, quando avaliais a questão, quando chegais a compreender: “Ah, eu quero que se comporte como eu me comporto. Quero que isso seja expressado da forma que eu o expressaria.” Não importa que acção seja. Pode tratar-se de uma expressão. Pode ser espirrar. Pode ser tossir. Pode ser suspirar. Pode ser pestanejar. Não importa o que seja. Outro indivíduo pode estar a respirar, e sentir-vos aborrecidos. (O grupo ri)


E nessa medida, isso representa uma informação que vos é valiosa. Por que querereis que o outro indivíduo... por que querereis que essa expressão seja igual à vossa? A razão assenta no controlo. Porque se for como a forma como o expressaríeis, controlareis a coisa. Se não for, já não a conseguireis controlar. Não podeis expressar o modo como deveria ser. Se outra pessoa espirrar, não podeis controlar aquilo que ela estiver a fazer, e isso torna-se aborrecido ou numa contrariedade, por quererdes que faça aquilo que VÓS quereis que faça. E em muitas situações, o que quereis que ela faça é parar.


E nessa medida, não tem que ver com o facto do indivíduo parar com aquilo que estiver a fazer, mas com o facto de não poderdes controlar o que ele estiver a fazer, numa altura qualquer em particular, e isso torna-se numa contrariedade. (Ri)

Sim?



ROBERTO: Aqui é o Roberto que fala. Numa situação dessas, poderás fazer alguma sugestão? Por dar por mim na situação, todas as manhãs, de ter que conduzir para o trabalho, e gosto de conduzir razoavelmente rápido, mas as pessoas metem-se à minha frente, e conduzem com lentidão. E eu sinto ficar cada vez mais aborrecido. Terás alguma sugestão a fazer quanto a isso?

ELIAS: Tenho.

Ora bem; posso estender-te uma sugestão, mas antes de o fazer, deixa-me pegar nessa questão particular primeiro, por muitos indivíduos passarem por uma experiência semelhante em relação à condução e aos veículos que conduzem. De facto existe um ponto comum e uma razão.

Quando usais o vosso veículo, encontrais-vos no controlo do vosso ambiente. Trata-se do VOSSO ambiente e ele acha-se delimitado. Trata-se do vosso espaço, e vós controlai esse espaço e podeis expressar-vos da forma que quiserdes. Essa é uma associação que as pessoas muito comummente produzem. A de que se trata do seu ambiente pessoal em que sentem permissão para se expressarem do modo que quiserem.

A razão por que estou a dar esta explicação deve-se ao facto de, em muitas situações, essa ser a forma natural de libertação de energia. Não é grave. O facto de ficardes contrariados e expressardes a irritação resultante ou essa agitação em relação a todos os outros condutores nas vossas estradas é na verdade seguro. É uma expressão de vós próprios segura, no vosso ambiente delimitado, em que percebeis não prejudicar - nem podeis prejudicar ninguém - mas em que podeis expressar-vos com a veemência que quiserdes. (O grupo ri) E na realidade não vai afectar mais ninguém na estrada. E (além disso) permite-vos libertar energia. Há indivíduos que experimentam isso diariamente, por não se permitirem necessariamente libertar energia de outras maneiras. E assim, utilizam essas alturas e esse ambiente para libertar essas energias, e isso constitui uma acção natural.

Bom; posto isso, também vos posso dizer que quando produzis esse sentimento de aborrecimento, se trata de uma questão de controlo. Por isso, é uma questão de compreenderdes a expressão de controlo que empregais. O que é que pretendeis controlar, ou o que é que não estais a controlar, ou o que será que percebeis que esteja para além do vosso controlo? Por isso traduzir a questão, e não o que estiver a ser expressado. Isso não passa de um mero escape.

Nessa medida, é igualmente uma questão de prestardes atenção ao tipo de contrariedade, tal como no caso da condução: “Sinto-me contrariado quando conduzo. Sinto-me aborrecido com todos os outros condutores na estrada.” Que estareis a fazer numa situação dessas? Quando entendeis que isso de facto traduz uma libertação de energia, podeis começar a avaliar: “Quando será que não me permito libertar energia naturalmente? Em razão do que, ela acumula-se, e eu tenho que a expressar de uma forma concentrada no mesmo ambiente repetidamente. Utilizo isso como um escape.”

ROBERTO: Então o aborrecimento é algo bom que é emitido. Aqui está.

ELIAS: É. Nessa medida, é uma questão de prestardes atenção às alturas em que vos permitis libertar naturalmente a energia e às alturas em que não o fazeis. Eu diria haver muitas situações a cada dia em que as pessoas não se permitem expressar-se ou libertar energia. Outro indivíduo expressa-se de um modo qualquer e isso aborrece-vos, e ignorais o sucedido. Não estou a dizer que seja necessário que o confronteis. Mas é necessário reconhecer isso e prestar atenção ao que estiverdes a sentir e avaliar: “De que modo poderei libertar esta energia de um modo diferente, de um modo que resulte no meu máximo benefício?”

Ou estais a produzir uma acção qualquer com um objecto inanimado. Pode nem sequer tratar-se de um outro indivíduo. Pode ser o vosso próprio veículo, e terdes vontade de dar um pontapé na porta. E em relação ao qual direis: “Não estás a funcionar do modo que eu quero.” E sentir-vos aborrecidos. Ou a vossa máquina do café, ou o vosso computador. (O grupo ri) Eles podem não estar a funcionar do modo que desejais numa determinada altura, e ficais aborrecidos.

E nesse sentido, que estareis a expressar? Que estareis a permitir-vos libertar? Quando não libertais energia, afectais o vosso computador. Afectais os vossos objectos inanimados. E eles passam a funcionar mal. Por a vossa energia se estar a expressar por meio da força. Por estar a ser forçada. E isso afecta tudo ao vosso redor, não somente a consciência do vosso corpo, mas afecta os objectos que vos rodeiam. Afecta as ondas hertzianas que vos rodeiam.

E nessa medida, é muito semelhante, só que menos óbvio, à situação que engloba uma mãe e uma criança. A mãe encontra-se num estado de angústia e muito agitada e fala em tons de voz muito gravosos, e a criança chora sem parar. E a mãe fica cada vez mais agitada, e a criança continua a chorar sem parar. E ambas alimentam o estado da outra. A criança chora por estar a responder à energia angustiante. A criança não compreende necessariamente de uma forma objectiva ou não tem consciência da fonte de angústia. Apenas a identifica como uma energia opressiva e angustiante: “Não gosto disto!” E chora. E a mãe fica mais agitada, por o barulho do choro a deixar cada vez mais irritada.

A criança pode ser comparada ao vosso ambiente. Não importa o que se situe no vosso ambiente. Se ele incorporar aparelhos mecânicos, eles poderão passar a funcionar mal, e podeis fazer com que funcionem mal, apenas pelo efeito provocado pela vossa energia. E quando não vos permitis libertar com naturalidade a energia, e equilibrar-vos, e permanecer centrados, retende-la, e o que acontece é: visualizai, cada um de vós, o vosso próprio campo de energia. Cada um de vós possui um campo de energia, o qual se move e flui, e que é transparente. Assemelha-se bastante ao ar. E quando não libertais energia, o vosso campo de energia passa a assemelhar-se bastante a uma rocha. Continua a mover-se ao vosso redor, mas torna-se cada vez mais pesado e sólido, e vai mexer com outras manifestações do vosso mundo. Vai de encontro ao vosso veículo ou ao vosso computador ou à vossa máquina do café ou ao que quer que se situe no vosso ambiente. E quando esbarra com eles, afecta-os, e pode chegar mesmo a estragá-los.

Para uma maior compreensão do tema, consultar:  http://textosdemetafisica.blogspot.pt/2012/12/a-accao-que-exerceis-sobre-o-mundo.html


RODNEY: Eu tenho uma pergunta.

ELIAS: Sim?

RODNEY: Aqui fala o Rodney. Isto é um pouco diferente. Eu cresci num ambiente em que, se a criança fizesse frente aos pais, o temor a Deus, a morte, a aniquilação, fosse o que fosse, cairia sobre nós. Por isso nós, na minha família, crescemos sem jamais fazermos frente às pessoas. Bom, eu tive que suplantar esse obstáculo, e consegui progredir de certa forma nisso.

Mas o que ocorreu na semana passada, e isso vem ao de cima sempre que me sinto enganado... Eu adquiri três ou quatro objectos na Internet; e jamais os recebi. A única forma de resolver o problema por vezes é unicamente declarar fraude, o que representa uma enorme dor de cabeça. Obtemos um novo cartão de crédito. Mas se comprarmos qualquer coisa por 20 dólares não vale a maçada que causa.

Comprei um programa por 180 dólares, um programa de astrologia, de modo a poder criar relatórios. Bom, obtive-o e de facto sou capaz de criar um relatório. Eles apresentam um volume de trinta a trinta e duas páginas, no ecrã, mas posso sempre imprimi-los. Todavia, não posso anexá-los e enviá-los a um amigo por correio electrónico. Gosto bem do programa, mas voltei atrás e li as instruções e estavam adequadamente anunciadas à excepção daquilo de produzir os relatórios. Eles não disseram que era tão limitado. Fiquei muito chateado, e andei a cismar nisso durante um fim-de-semana inteiro.

E eles telefonaram-me numa altura pouco oportuna. Eu estava a sair da estação de combustível e tive que parar para atender a chamada. E tive o cuidado de não me mostrar reacionário. E estava realmente a tentar descobrir que curso de acção iria escolher. Iria exigir que me devolvessem o dinheiro? Iria eu à companhia do cartão de crédito dar parte de ter sido enganado por essa gente?

Mas o que de facto acabei por fazer foi expressar o que sentia em relação ao sucedido. E disse: “Eu gosto do programa, sabem. Mas quando afirmaram que podia fazer um relatório não disseram se seria somente no monitor ou somente através da impressão de uma cópia. E não sei se estou na disposição de vos devolver o programa ou de dar parte à minha companhia de crédito. Não sei o que fazer. Mas sinto-me enganado.”

E o indivíduo do outro lado, uma jovem, creio bem, disse: “Bom, as pessoas fazem relatórios em quantidade e podem vendê-los. E aquilo que dizemos é que lhes damos uma licença comercial.” É claro que o custo era de 180 dólares, imenso dinheiro para imprimir fosse o que fosse. E eu respondi: “Olhe eu encontro-me na casa dos oitenta! E pretendo somente passá-los a umas quantas pessoas, pelo que creio que isso realmente não se enquadra nos planos que tenho.” E ela realmente respondeu: “Eu podia dar-lho por metade do preço.” Por não os estar realmente a atacar, conforme analiso agora ao olhar em retrospectiva e ao analisar o caso; e por estar mais interessado em declarar como me sentia em relação à situação.

ELIAS: Sim.

RODNEY: E eu respondi: “A sério? Por quanto? Está a falar a sério?”, por ela estar a falar ao mesmo tempo que eu. E ela disse: “Bom, aquilo que vou fazer é dar-lho.” Tive que me assegurar de que o carro estava travado, e de que não o tinha deslizar ir para a estrada. Ela literalmente deu-me o programa por que normalmente cobra 180 dólares.
E é um programa muito profissional.

E eu não queria deixar de mencionar isso, por não ter bem a certeza. Tenho voltado atrás e passado o cenário em revista a ver o que realmente se terá passado, por ser pouco vulgar para mim, bastante invulgar de facto. Poderias?

ELIAS: Mas estavas a ser autêntico. Em vez de acusares, e em vez de culpares, o que poderia ter representado uma acção automática...

RODNEY: Certo. Pois.

ELIAS: ...Em vez de enveredares nessa direcção, estavas a ser genuíno e  a dar conta do desapontamento que sentias.

RODNEY: E isso é tudo? E isso produziu aquele resultado?

ELIAS: Na realidade é muito simples. Muito simples! Nessa medida, tudo quanto vos transmiti no dia de hoje é assim simples. Ser autêntico produz aquilo que quereis e volta-vos na direcção do vosso máximo benefício, seja no que for que fizerdes e no que quer que escolherdes.

RODNEY: Estou completamente surpreendido com esse acontecimento.

ELIAS: Parabéns!

RODNEY: Porquê?
Obrigado. (Elias ri)


TERRI: Mas, Elias, pensei que tivesses dito que se estivermos a expressar desapontamento, estamos a expressar desconsideração e estamos a opor-nos ao outro, por estarmos a dizer que nos está a causar isso.

ELIAS: Não necessariamente, por ele não estar a atribuir culpa. Em muitas situações esse poderá ser o caso, mas o desapontamento também pode ser expressado em situações que tenhais incorporado um rumo ou uma ideia, e isso não se desenrolou necessariamente da forma que tínheis antecipado, ou de reflectirdes o que queríeis. E nessa medida, podeis sentir desapontamento. Quando isso se torna num desafio é quando o desapontamento envolve culpa.

TERRI: Então, nesse caso não podemos dizer que nos sentimos decepcionados com alguém.

ELIAS: Não.

TERRI: Só podemos sentir-nos decepcionados com a forma como o acontecimento, o que quer que tiver envolvido, se tenha desenrolado.

ELIAS: Sim. O que traduziu a situação. Tu (para o Rodney) não estavas a expressar desapontamento em relação ao indivíduo, mas em relação à situação, ao produto, e à forma como o produto se revelara, mas não à expressão do indivíduo.

RODNEY: Eu expressei ter sentido que a comercialização tinha deixado algo a desejar. Não os acusei de me terem ludibriado propositadamente.

ELIAS: Exacto. A questão reside nisso. Não incorpora expressão alguma de culpa, o que é diferente. Quando expressais culpa, isso altera a energia por completo, por não estardes a ser responsáveis por vós próprios. Isso é atribuir a responsabilidade a uma fonte externa, e envolve uma energia inteiramente diferente, que não é benéfica. Por ser uma questão de prestares atenção ao que pretendias fazer, ao que querias expressar. Detiveste-te e avaliaste, mas também te expressaste.

E nessa medida, conforme tinha dito, isso envolve um tipo de energia muito diferente, por não forçar a tua responsabilidade, a própria responsabilidade que tens por ti, numa fonte externa que sustentas como responsável pela tua realidade. Essa será a diferença.

Sim?

PAT: Eu tenho uma pergunta rápida. Aqui fala a Pat. Quando experimentamos problemas com o equipamento e as chaleiras e coisas do género, isso é sempre causado pela nossa energia? Ou poderá ser o caso das energias dos que nos rodeiam?

ELIAS: Pode ser. Mas vós tê-la-eis conduzido a vós, pelo que sois participantes. Não se trata do caso de, pelo facto de estar a ocorrer na vossa realidade se deva unicamente à energia dos outros. Não. Por estardes a participar.

TERRI: A menos que seja o Patel. (O grupo ri juntamente com o Elias)

RODNEY: Repete comigo: “Aqui fala a Terri.”

TERRI: Quem aqui está a falar é a Terri.

BILL: Aprovado.

ELIAS: (Ri) Sim? Sim?

LORRAINE: Isso é mais ou menos... Bom, o problema que tenho está mais ou menos relacionado com a questão da irritação. Tem que ver com a raiva. Compreendo que estejam relacionadas, mas tal como disseste, tem que ver com o controlo. Tem que ver com o facto de querermos que concordem connosco.

ELIAS: Ah, mas a ira é diferente.

LORRAINE: Bom, o meu marido está constantemente a levar-me ao extremo, e na verdade trata-se de um caso gritante e bastante incómodo e irritante e tudo o mais. E na verdade resume-se ao direito e às formas de julgamento, e a quem tem razão e a quem não tem e ao controle que é imposto ao que o outro, pelo menos eu, está a dizer, e de não querer que seja assim. Quero que seja ao meu modo. E assim a pergunta que tenho a fazer, na realidade, é se na base disso não estará: “Que é que faço? Que é exactamente que tenho que fazer? Para mudar toda essa situação, por já estar a ocorrer há demasiado tempo, e eu ter que terminar isso em breve. Eu tenho que parar com isso. Como hei-de conseguir isso?

ELIAS: Por que será tão importante teres razão?

LORRAINE: Eu não sei. (O grupo ri)

ELIAS: Que é que ganhas com o facto de ficares com a razão?

LORRAINE: O que é que ganho com o facto de ficar com a razão?

SANDRA: Preferes estar feliz ou ter razão?

LORRAINE: Bom, quero ambas as coisas. Não sei. Não sei mesmo. Que é que ganho com o facto de ter razão? Sei que fico com um monte de mágoa por querer ter razão. Isso compreendo. Fico sim. Mas o que acontece...

ELIAS: Mas continuas a mover-te nessa direcção e a forçar.

LORRAINE: É com certeza automático. Sim, é automático e o que tem vindo a acontecer, a única coisa boa que tem vindo a acontecer é que o faço, mas a seguir, num breve período de tempo, num período mais breve do que costumava ser, compreendo a coisa e volto atrás e desculpo-me. Mas isso não é realmente bom por eu ainda estar a descontar na outra pessoa.

ELIAS: Que prejuízo haveria se não tivesses razão? Ou se ele não tivesse razão?

LORRAINE: Qual seria o prejuízo? Sentir-me-ia inválida. Não sei. Havia de me sentir... o quê? Errada. Havia de me sentir completamente errada. Não sei.

ELIAS: Porque não podereis ambos ter razão?

LORRAINE: Bom, isso já uma outra coisa. Eu sempre digo isso. Estou sempre a repetir isso, que toda a gente tem direito à opinião que tem e que isso não tem importância. A verdade dele é a verdade dele. Já sei disso tudo. A minha verdade é a minha verdade. (O grupo ri) A minha verdade e a verdade dele podem ser duas coisas completamente distintas.

ELIAS: Isso é tudo intelectual. (O grupo ri) Mas não apresenta a menor abordagem dos sentimentos. É tudo produto da lógica, e com isso, torna-se demasiado fácil dizer: “A tua verdade é a tua verdade. A minha verdade é a minha verdade,” e pensar que seja o mesmo que dizer: “Tu podes estar certo e eu estar certa.” Mas não é o mesmo. Por poderes dizer que concedes esse benefício aos outros por a verdade que defendem ser a verdade que defendem. Isso não quer dizer que ele esteja com a razão. Tu continuas a ter a TUA razão (certeza, validade).

Ora bem; o que eu diria com respeito a isso, em relação ao modo de alterares isso, é que passa por começares a examinar esses sentimentos. Que ameaça apresentará isso? Por que será importante teres razão? Por que razão terá importância o facto de convenceres e que precises de te esforçar por convenceres? E, nessa medida, por que será importante que cries inquietação? Não será suficiente que sejas tu mesma? Sem provares nada?

Deixa que te diga, minha amiga, que “suficiente” é um termo que tem um sentido muito amplo, em especial na qualidade de serdes capazes de expressar genuinamente para vós próprios: “Eu basto-me a mim própria,” sem mais nenhuma expressão de justificação, ou de razão, de explicação, de convencimento, ou de prova. Simplesmente, “Eu basto-me a mim própria.”

Uma experiência; experimenta não discutir de uma forma intencional. Não ignorar, nem passar por cima, mas simplesmente empregar a acção de não discutir propositadamente e de prestares atenção ao que sentes quando não envolves discussão. Permite-te começar a avaliar que sentimentos envolverá isso e o significado que terão para ti. Essa pode ser uma forma excelente que poderás começar a praticar: “Que sentirei quando não começo a discutir? Não vou discutir.” Por tu estares a gerar as escolhas. Por isso, mais ninguém te poderá forçar a discutir, pode?

LORRAINE: Não.

ELIAS: Não.

LORRAINE: Mas eu disse a mim própria que não ia discutir.

ELIAS: Mas tu discutes.

LORRAINE: Por ser em grande medida automático.

ELIAS: Mas nessa medida, é um exercício de consciencialização, não só das respostas automáticas, mas para escolheres de forma diversa e avaliares. Proporciona-te uma ocupação, durante a qual não respondes. Não se trata de mera acção de não responderes, mas de estares a prestar atenção a uma outra expressão quando não estás a responder. Deixas de lhe prestar atenção. Estás a prestar atenção ao que estás a sentir e a avaliar isso.

BILL: Contudo, quando o nosso parceiro busca a sua própria validação, não? Quem está a falar é o Bill. A minha companheira dirá: “Está bem?” Ao passo que eu digo: “Bom, nem por isso,” mas respondo: “Claro,” só por não pretender entrar na discussão. Por isso apenas digo: “Está bem.”

ELIAS: Que é que te impede de te expressares, quando ela diz: “Está bem?” Que te impedirá de dizeres que não tem importância?

BILL: (Inaudível) (O grupo ri) Para mi seria muito mais fácil dizer...(Inaudível)

ELIAS: Ou “Não quero saber.”

BILL: Mas parece-me que ao fazer isso perco a minha posição.

ELIAS: Não. Estás a ser autêntico e com isso não te é exigido que continues a envolver-te. É opção tua permanecer e continuares a envolver-te. Tu podes afastar-te. Ninguém te prega os pés ao chão.

BILL: Hmm! Mas parece que sim.

ELIAS: Ah! Por TU estares a pregar os teus próprios pés ao chão. Por estares a dar expressão a esse sentido esmagador de obrigação: “Devo afirmar-me. Devo aguentar.” Não, não deves. Mas podes ser autêntico, e caso continues a ser autêntico, será muito pouco provável que ela continue a dizer: “Está bem?” Ela não buscará validação se tu não lha deres.

BILL: Bom, também há a parte de mim que pensa que ela não tem razão...

ELIAS: Ou...

BILL:...que isso também seja verdade.

ELIAS: Estou a entender mas, nessa medida, não te queres envolver. E portanto, optas por evitar. Mas não podes envolver-te e ser autêntico, ambas as coisas.

Mais uma pergunta. Sim?

KATHLEEN: Olá, aqui quem fala é a Kathleen. É maravilhoso estar aqui, Elias, agradeço-te muitíssimo por estares connosco. Tive uma coisa interessante que aconteceu comigo. Dois dias após termos tido um terramoto efectivo, eu passei por um emocional. Foi uma experiência verdadeiramente incrível. Mas sou uma daquelas pessoas afortunadas que se expressa por meio de uma emotividade excessiva, por ter um foco emocional e ser intermédia – o que representa uma maldição, juro que sim – mas é bastante divertido também, e excitante. Mas o terramoto por que passei, o meu terramoto pessoal envolveu a libertação de quase sete anos de retenção de energia e de imposição de energia que estava a ter lugar em simultâneo e hoje, isso habilitou-me a entender com um pouco de mais clareza como é que...

ELIAS: Excelente.

KATHLEEN: ...consigo fazer ambas essas coisas ao mesmo tempo. E consigo permitir-me não me opor, e libertar quantidades maciças de energia armazenada...

ELIAS: Pois.

KATHLEEN: ...que retive, ao internalizei de forma tão dolorosa por tanto tempo que cheguei a pensar que ia morrer em resultado disso. Pensei que acabaria por cometer suicídio por não conseguir suportar o volume de energia que retinha dentro de mim. E esse terramoto assemelhou-se a uma coisa do tipo: “Fixe! É um terramoto real, de 4.7 grua da escala de Richter.” Mas decidi, sem intelectualizar a coisa, que já era tempo de passar por um abalo assim, e foi muito mais vasto do que aquele terramoto físico que tivemos. (O Elias ri) Mas que alívio formidável! Sabes, foi... Ouço falar tanto sobre o sofrimento e dificuldade em comunicar e validação e coisas desse tipo, mas para mim foi de tal modo válido ser eu própria a fazer isso sem ter que o ouvir da parte de mais ninguém ou ser instruída por alguém sobre como me elevar acima dessa...

ELIAS: Pois.

KATHLEEN: ...em que me tinha metido por tanto tempo. Mas aconteceu de uma forma tão sincronística que algumas noites antes me encontrava numa sessão online com um cavalheiro que se dá pelo nome de Alexander que começou a discutir um monte de temas semelhantes relacionados com a consciência. E ele fez um comentário qualquer relacionado com terramoto, que: “Por vezes precisamos de um terramoto,” foi o que ele disse. Mas jamais cheguei a relacionar isso de verdade. Há dois ou três dias, bom, foi ontem que isso aconteceu exactamente, por ter conseguido o veículo, fui visitar uma pessoa que já não via há uns anos, e foi por ter sido capaz de aqui vir que tudo se encaixou na perfeição de tal forma que a viagem aqui pareceu quase com se estivesse a levitar do solo. Foi incrível. Foi quase como Zzzzz, sabes, com a alegria de ter libertado aquilo por completo.

ELIAS: Parabéns.

KATHLEEN: Foi quase tão bom quanto um orgasmo, senão melhor. (O grupo ri) É mais permanente; enquanto o orgasmo é temporário.

ELIAS: Dirijo-te os meus parabéns. (Ri)

KATHLEEN: Muitíssimo obrigado.

ELIAS: A todos vós, uma enorme expressão de encorajamento em relação aos sentimentos e à sua definição e ao facto de os conseguirdes sentir e compreender.

TERRI: Não nos vais dizer qual virá a ser a próxima onda?

ELIAS: Ainda não entrastes nela.

TERRI: Dá-nos uma pista!

ELIAS: Eu disse-vos que estais a terminar esta onda, mas não que estáveis a entrar na seguinte. (Ri)

ANN: Já terá sido decidida? Já teremos decidido qual virá a ser?

ELIAS: Quase.

KEN: Irá ser a onda da decadência? (O grupo ri)

ELIAS: (Ri) Talvez.

KEN: Eu alinho nessa.

ELIAS: (Sorri) Com um enorme afecto, um enorme encorajamento, um enorme apoio a cada um de vocês e a todos, à medida que passais por este vosso ano tremendamente carregado, na criação dos vossos sonhos, expressando-vos com um enorme carinho a todos, e até ao nosso próximo encontro, au revoir.

GROUP: Au revoir. Obrigado.

(Elias parte após uma hora e cinquenta e um minutos.)
©2012 Mary Ennis. Todos os Direitos Reservados.

NOTAS DO TRADUTOR
(1) Para uma melhor fundamentação do conceito aqui apresentado, queira o leitor confrontar esta passagem com as de outras sessões que evocam igualmente a problemática através de pontos de vista análogos:

Permiti que momentaneamente talvez proponha uma definição de egoísmo. Egoísmo não é aquilo que pensais que seja. Vós incorporais uma definição de egoísmo bastante distorcida – se estiverdes sempre a querer para vós próprios, estareis a ser egoístas. Na realidade, o egoísmo é uma acção que as pessoas expressam com base no medo, por o indivíduo ter tanto medo duma expressão externa qualquer ou de se envolver com um outro indivíduo qualquer que gera um muro ao seu redor de tal modo forte e agarra-se de tal modo à sua própria energia que se consome com a negação. Isso é uma acção egoísta.

Agora, quando refiro negação, e que uma pessoa que se expressa de forma egoísta se consome com a negação dela própria, ela também nega o semelhante. Por isso, o indivíduo expressa-se de uma maneira que parecerá ser completamente insensível e indiferente para com um indivíduo qualquer, em relação ao que quer que outro indivíduo expresse, não importa, por ser destituído de importância. E isso pode ser mesmo expressado em relação a esta informação que eu faculto, pelo que as pessoas podem usar esta informação para camuflarem tal negação, para não se envolverem. Isso é uma criação que vos diz respeito. Isso é opção que depende de vós.

Nessa medida, ele camufla essa expressão de negação dos outros, mas nesse ínterim, tampouco presta atenção a si próprio sequer. As pessoas que parecem egoístas ou egocêntricas, assumem tais expressões com base no medo, e uma expressão genuinamente egoísta é de tal modo intensamente assente no medo que o indivíduo não consegue nem mesmo conceder a si próprio. Não é capaz de atribuir a si próprio mais do que se consegue permitir atribuir ao exterior.

Isso difere bastante da preocupação pessoal com as expressões externas ou da concessão da vez aos outros. Essa é uma expressão bastante diferente de ser egoísta. Quando colocais os outros em primeiro lugar, desconsiderai-los e desconsiderais a vós próprios. E voltais-vos em direcções que são incapacitantes e não propiciam cultivo. Lembrai-vos de que a definição de cultivo é a de “encorajamento do crescimento”. Quando colocais os outros em primeiro lugar, não estais a cultivar, não os estais a encorajar a crescer. Podeis PENSAR estar, mas não estais, porque quando os colocais em primeiro lugar, essencialmente aquilo que buscais é aprovação, o que - uma vez mais, relativamente á fórmula - implica que já estais projectar uma energia de desconsideração pessoal, e de desvalorização pessoal, e de procura de aprovação fora de vós ao colocardes os outros em primeiro lugar.

Além disso, ao vos negardes, isso vai reforçar uma energia e dar continuidade a um tipo de energia que encoraja as próprias expressões exteriores que vos motivam a preocupação. Portanto, conforme foi expressado nesta questão, não reconheceis o vosso próprio merecimento, por verdes tanta falta ou carência fora de vós, na situação dos outros. Mas lembrai-vos que tudo aquilo que fazeis se acha interligado, e o que fizerdes propaga-se por ondulações e vai provocar afectação. Por isso, se vos estiverdes a capacitar e a fortalecer, se estiverdes a prestar atenção àquilo que quereis, se vos permitirdes fazer isso, projectareis uma energia que encorajará todos os outros a fazer o mesmo. Quando vos negais, e percebeis que não mereceis ou que não sois dignos, projectais uma energia que irá encorajar essa mesma expressão.

Permiti que vos apresente uma ideia generalizada. As pessoas olham para fora de si em relação ao seu mundo e expressam que gostariam de pôr termo à fome que grassa no mundo. Mas nas expressões que adoptam, nas suas vidas individuais e nos comportamentos que adoptam nas actividades diárias, negam alimento a si próprias. Cumprem um regime alimentar.

Ora bem, sejamos claros. Não estou a dizer que o indivíduo que emprega tal acção de praticar um regime alimentar esteja a contribuir para a expressão da fome mundial. O que estou a referir é um exemplo generalizado daquilo que o indivíduo expressa e de como isso se propaga através da consciência e vai reforçar aquilo que não gostais ou encorajar aquilo que não desejais, ou a forma como isso se propaga ao exterior como um exemplo de capacitação.

A atitude de regime em negação de si próprio, sem estabelecer um equilíbrio, e encarando a própria comida quase como um inimigo, um inimigo em relação à consciência do corpo, representa uma expressão de contribuição que se propaga à carência de alimentos, o que encoraja a expressão de massa da fome. As pessoas que geram expressões excessivas baseadas nos seus próprios problemas, através das quais morrem de fome em relação a questões que se prendem com a aparência, contribuem para as expressões de massas da privação de nutrição. A energia está essencialmente a ser expressada pela declaração: “Eu concordo com a privação de alimento”. Quando o indivíduo reconhece o seu mérito próprio e se permite, à luz deste exemplo hipotético, apreciar a comida e com tal apreciação e prazer instaura um equilíbrio, e projecta uma energia de capacitação, essa energia move-se num sentido diferente, que não encoraja a privação.

Estes são exemplos bastante generalizados, mas muitos indivíduos, quando se depreciam e usam as fontes externas com justificativa para se desconsiderarem ou para se negarem a eles próprios, também são bastante generalizados:

 “Eu não devia desejar um lar, por haver tantos sem-abrigo.”

 “Não devia desejar um veículo para me deslocar, por haver tanta gente no meu mundo que não consegue prover tal coisa e se vê na contingência de ter que andar a pé.”

 “Não devia desejar roupa que me agrade, por haver gente que não dispões de qualquer vestuário.”

 “Não devia ser indulgente comigo próprio/a até me ter exaurido por ter produzido toda a minha energia e projectado essa energia fora e colocado todo o indivíduo primeiro, e quando tiver realizado isso, então poderei conceder a mim próprio/a.”

Eu dir-vos-ia que podeis despender 500 vidas a tentar satisfazer esse objectivo sem jamais o conseguirdes, por não criardes a realidade dos outros, nem conhecerdes a razão que lhes assista na criação da sua realidade conforme o fazem. Aquilo que vos é dado conhecer é a vossa realidade, e aquilo que podeis controlar é a vossa realidade, e aquilo com base em que escolheis é a vossa realidade. Por isso, como havereis de proceder a escolhas em relação à vossa realidade? Escolhereis empregar e projectar uma energia que promova o fortalecimento e a capacitação e o valor e o mérito através da vossa expressão disso, ou optareis por uma realidade que promova a negação, a desconsideração e a privação?

Nessa medida, é genuinamente uma questão do indivíduo e do que fizer e do que projectar e do que é importante para si. Nesse sentido diria igualmente que os factores aqui apontados por este indivíduo são bastante comuns. Muitíssimos são os indivíduos que geram percepções semelhantes. Também são influenciados fortemente por associações, mas lembrai-vos que, no período compreendido entre o nascimento e a adolescência – não antes da adolescência, mas AO LONGO da adolescência – o período em que ainda não desenvolvestes apegos. Durante esse período essas associações revelam-se bem fortes e causam uma enorme influência. E podem apresentar-se por modos que podem parecer bons, mas que na realidade apresentam uma ameaça, e essa é a razão porque gerais essas associações, tais como a do garoto que é encorajado a ser caridoso. Isso poderá parecer excelente. O pequeno poderá, em parte, julgar tal coisa como boa – pensar nos outros em primeiro lugar. Dar aos outros. Ser abnegado. Colocar-se em segundo lugar. Mas isso também envolve uma ameaça contida, porque esse indivíduo nessa fase destituída de apegos reconhece de algum modo o valor do seu eu genuíno, e caso seja instruído ou encorajado a considerar a si próprio em segundo plano ou em último lugar, isso será percebido pelo eu genuíno como uma ameaça. Precisa haver algum elemento errado com o eu genuíno se ele for colocado em último plano.

Por isso, não será bom expressar os vossos próprios desejos. Não será bom expressar o vosso eu genuíno. Isso deverá ser negado. E em resultado disso tal associação ganha vigor. É egoísta considerar-vos a vós em primeiro lugar. É egoísmo dardes expressão ao que quereis ou ao que é importante para vós. Será melhor considerar o que os outros querem. Mas quanto mais vos negardes, mais negareis tudo o que se situa fora de vós também, independentemente do quanto derdes em termos físicos. Podeis estar continuamente a dar em termos físicos, mas se vos negardes a vós próprios em meio a tal dádiva, a dádiva não constituirá uma dádiva, mas um simples reforço da negação, e uma busca de aprovação.

Por isso, a sugestão que daria ao indivíduo em questão bem como a qualquer outro que expresse o mesmo é, antes de mais, considerar de forma genuína e avaliar quais as experiências que tenha empregado na sua própria vida que tenham criado associações que o influenciem actualmente em relação a colocar-se em segundo plano e a negar-se – por não ser tão digno quanto os outros; por possuir abrigo, alimentação e vestuário, não é tão meritório quanto os que não dispõem disso.

Considerai as associações. Permiti-vos avaliar de uma forma genuína: “De que forma me terá influenciado esta associação ao longo da minha vida das mais variadas formas, mesmo aquelas que parecerão, na aparência, boas? Porque, por um certo tempo elas poderão parecer influências benéficas. A acrescentar a isso, lembrai-vos de praticar e de reforçar quanto do merecimento inato vos cabe, apenas pelo facto de existirdes. Nascestes, pelo que mereceis. E fundamentalmente, vós, enquanto indivíduos, sois – e deveis ser – a coisa mais importante a considerar em primeiro lugar.

(Sessão 309)

FRANK: A coisa que a seguir gostaria de te perguntar é: que outras crenças ou percepções estarão a afectar a minha capacidade de comunicar? Creio que uma das coisas que estivemos a debater na última vez era mais ou menos a falta de confiança na habilidade que tenho de transmitir informação. Existirá mais alguma coisa de que não esteja consciente? (Pausa)

ELIAS: Conforme te disse, está igualmente associado à preocupação que tens com as percepções dos outros, o que está igualmente associado com a falta de confiança que tens em ti. Mas é mais um movimento da tua atenção exterior a ti, projectada no sentido do próximo, do que a habilidade efectiva que tens de comunicar eficazmente que te nubla a expressão de comunicação. Por que caso não prestes atenção a ti próprio, a comunicação que estabeleces torna-se menos clara.

FRANK: Em que se centrará essa preocupação? Estará baseada em alguma crença? Creio que onde estou a querer chegar com isto é ao facto de como lidar com isso.

ELIAS: Redireccionando a tua atenção. Muitíssimos são aqueles que empregam uma expressão semelhante de preocupação com as percepções dos outros. Isso constitui uma projecção exteriorizada da atenção.

Ora bem; devo igualmente referir que isso é reforçado pelas crenças das massas que expressam que seja melhor preocupar-vos com os outros do que convosco próprios – porque caso presteis atenção a vós próprios, estareis a expressar egoísmo, e se fordes bons haveis de colocar os outros em primeiro lugar, o que está completamente errado. Mas isso são crenças de massas e essas crenças de massas não consideram o indivíduo.

Agora; essas crenças de massas são igualmente bastante familiares, e assim produzis respostas automáticas associadas a elas. O acto de projectardes no exterior constitui um movimento natural para muitos, por a maioria das pessoas incorporar uma orientação comum e isso constituir uma expressão natural dessa orientação.

Mas tu podes prestar atenção às expressões externas e simultaneamente continuar a prestar atenção a ti próprio e ao que influencia aquilo que estiveres a fazer, e dar por ti, digamos, nesses actos de te preocupares com as percepções dos outros, com a forma como te vêem. Encarar-te-ão do modo que desejarás que te vejam? Entender-te-ão do modo em que desejas que te compreendam? Que tipo de avaliações produzirão em associação contigo? Aprovar-te-ão? Mas tu também os avalias e por vezes comparas-te com os outros. Muitas dessas acções são influenciadas pela falta de confiança em ti e pelo facto de não te valorizares.

Agora; geralmente, tu individualmente expressas um valor pessoal considerável, e em muitas direcções também expressas confiança em ti próprio. Em alguns sentidos, expressas uma menor confiança em ti, o que não é incomum. Mas estás a optar por examinar aquelas áreas em que não confias tanto em ti, por assim dizer, e a permitir uma maior expressão de confiança e de aceitação, e portanto, estás igualmente a permitir-te perceber mais a liberdade pessoal de que gozas. Uma dessas expressões está associada à comunicação.

Bom; lembra-te que, o que produzes no exterior constitui um reflexo do que estás a produzir no interior. Por isso, estás a confiar mais no que comunicas a ti próprio do que o fazias anteriormente, mas continuas a dar expressão à dúvida em relação a ti próprio interiormente, quer estejas correctamente a interpretar, a traduzir, ou não as comunicações que diriges a ti próprio. Por isso, também produzes isso no exterior e reflectes isso em ti por intermédio dos outros. Estás a compreender?

(Sessão 124)

Quanto a uma resolução com relação à abordagem do conflito, já vos facultei uma resposta a isso previamente. O vosso conflito insere crenças. Quando eliminais essas crenças só restais vós. E para lidardes convosco na relação que tendes com os demais, se vos ligásseis à essência e acreditásseis em vós, e tivésseis confiança em vós, só precisaríeis pensar em vós. Agora; vós tendes termos que referem crenças tais como a do “egoísmo”. Mas eu pergunto-vos: em que consiste o egoísmo? (Pausa)

PERGUNTA: Pensar em nós antes do outro.

ELIAS: E isso é mau? Ou a questão reside aí?

PERGUNTA: Eu não sei. Parece ser danoso.

ELIAS: Aí é que está a questão! (Riso) A questão reside no egoísmo. Isso não passa dum termo pejorativo devido a que o vosso enfoque religioso tenha procedido a uma interpretação de cunho negativo. Se todos vós vos considerásseis a vós próprios e pensásseis antes de mais em vós não teríeis porque experimentar conflito. Se vos observardes a vós próprios e notardes os vossos impulsos - vamos enfatizar a palavra impulsos - não vos preocupareis com os demais nem eles se preocuparão convosco, e, de forma ideal, não alimentareis conflitos com relação a eles, se todos vos preocuparem apenas com a vossa Essência. Mas infelizmente não pensais na vossa própria Essência, nem tampouco ninguém no vosso planeta. E isso é um resultado da vossa separação. Não quer isto dizer que não possais alcançar isso, mas apenas que tendes que trabalhar de forma um pouco mais árdua para tal fim.
(Sessão 24)



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