sexta-feira, 26 de outubro de 2012

"PRESTA ATENÇÃO À ACÇÃO, NÃO À IDEIA DA ACÇÃO"




Sessão 908
Terça-feira, 25 de Setembro de 2001 (Privada/Telefone)
Participantes: Mary (Michael) e o Frank (Ulra)
Tradução: Amadeu Duarte 

O Elias chega às 10:44 da manhã. (Tempo de chegada: 25 segundos.)

ELIAS: Bom dia!

FRANK: Bom dia! É óptimo voltar a conversar contigo.

ELIAS: E contigo também. Como é que vamos avançar com a aventura?

FRANK: Bom, eu gostaria de começar questionando-te sobre alguns sonhos que tive desde a última vez que conversamos.

ELIAS: Muito bem.

FRANK: Isto aconteceu, oh, no primeiro dia do mês. Eu tive um sonho... bom, deixa que volte atrás e te dê algumas informações de fundo. Penso que terei mencionado isto da última vez que conversamos, mas antes, em Agosto, fechei um grande negócio que devia tornar-se bastante proveitoso para mim. Tive este sonho no início de Setembro, em que sonhei que ainda estava a trabalhar na empresa em que trabalhei antes, e percebi, nesse sonho pelo menos, que ia ter que devolver o dinheiro que esperava ganhar com este novo negócio ao meu anterior patrão. Isso deixou-me desapontado, e isso é tudo quanto consigo recordar desse sonho. Assim, a pergunta que tenho é: que é que isso significa?

ELIAS: Primeiro apresenta-me a impressão que obténs.

FRANK: A única coisa que consigo suscitar na presente realidade objectiva, pelo menos durante um certo período, é que vou ter que retribuir parte do rendimento que consegui com esse negócio ao outro pessoal para pagar adiantamentos que me fizeram. Desejaria não ter que o fazer, mas sinto dever faze-lo e decerto que o vou fazer, pelo que creio que isso possa ter alguma ligação com o caso.

ELIAS: Em parte, mas tu também apresentaste esse sonho a ti próprio numa validação do que conseguiste. Por isso te facultar a identificação do que estiveste a criar anteriormente ao te permitires ser dirigido pelos outros, e o reconhecimento da realização actual, em que estás a permitir-te dirigir-te a ti próprio, e consequentemente, de certo modo colhes os benefícios das escolhas que promoves em vez de ofereceres a criação disso a outros.

FRANK: Sim, consigo perceber isso. Porque não pensei nisso? Por ser interessante o facto de - tivesse eu permanecido onde estava em termos do emprego que tinha – como poderás recordar que debatemos isso faz muito tempo – provavelmente seria essa a forma como eu me sentiria.

ELIAS: Justamente.

FRANK: Muito bem, é interessante. Creio que a resposta a isto provavelmente será não, mas vou colocar a pergunta à mesma. Terá isso possivelmente representado a perspectiva de uma probabilidade diferente?

ELIAS: Representou.

FRANK: Caramba, agora consigo perceber. É interessante; bom, soa óptimo.

Nesse caso deixa que te coloque a seguinte. Esta é um tanto mais complicada. No sonho seguinte que tive, que foi um dia ou dois depois, fui visitar um sócio e de facto esse sócio estava ligado ao meu patrão anterior e ao negócio que consegui reunir antes neste verão. Fui vê-lo no escritório dele, mas neste sonho o escritório dele era um velho edifício que aparentava ser um armazém. No sonho ele dizia-me que estava com falta de pessoal nesse dia, por o assistente dele não ter vindo. Ele estava a trabalhar num velho camião, e sentia-se muito orgulhoso do facto do edifício ter um poço onde ele podia colocar-se para trabalhar debaixo do camião. Bom, o que aconteceu a seguir foi que ele me mandou ir tomar o pequeno-almoço e trazer outro para ele. Eu saí e fui almoçar, mas em vez de lho trazer fui ao meu hotel o tomei o meu lá, e a minha mulher e filhos encontravam-se lá no hotel. Assim, sentei-me lá e levei imenso tempo a tomar o pequeno-almoço e senti-me mais ou menos mal ou culpado por ter deixado o meu sócio por tanto tempo e não ter voltado para ele.

ELIAS: Apresenta a impressão que tens.

FRANK: Não sei; este deixou-me perplexo. Devo dizer que não despendi muito tempo a tentar descobrir, tampouco. (O Elias ri) Pois, eu sei.

ELIAS: No imaginário deste sonho, aquilo que apresentas a ti próprio é a identificação das tuas prioridades e preferências individuais e a direcção em que te estás a mover.

As imagens desse sonho têm significado, por serem uma expressão inequívoca da presente direcção e do movimento que empreendes nela. Por anteriormente teres dirigido a tua atenção para o teu emprego, ou para aquilo que defines como emprego, digamos, e nesse movimento a associação que estabeleceste foi no sentido de proveres a uma expressão de segurança para com a tua família, mas às custas, por assim dizer, da interacção com a tua família. Estás a acompanhar até aqui?

FRANK: Estou a entender aquilo que estás a dizer.

ELIAS: Muito bem. Bom; no imaginário deste sonho apresentas a ti próprio com toda a clareza a mudança de direcção. Incorporas uma interacção com um indivíduo associado ao trabalho ou aos negócios, mas também optas por incorporar uma maior expressão de interacção com a família.

Agora; tu também empregas, conforme notaste, uma expressão temporária de culpa, por corresponder à associação que estabeleces em relação à responsabilidade, e por se mover na direcção estranha de passares a interagir mais e a focar mais a tua atenção junto destes indivíduos que compõem a família, o que resulta numa ligeira e contínua associação com o “dever” respeitante à responsabilidade da família, associado com o trabalho.

Mas as imagens deste sonho também constituem um reconhecimento. É uma comunicação dirigida a ti próprio a identificar com clareza o facto de teres mudado de direcção, e não de teres meramente mudado de direcção.

FRANK: Eu quero voltar a isto mais tarde. Tenho um palpite que isso vai envolver alguma discussão, por isso deixa que te pergunte outras coisas antes, que se encaminham numa direcção diferente

ELIAS: Muito bem.

FRANK: Após ter tido esse sonho – ou acordei ou voltei a mergulhar no sono ou estava simplesmente a sair dele – mas de qualquer forma, eu estava deitado na cama e ou escutei ou pressenti um garoto pequeno de uns cinco ou seis anos de cabelo castanho, que estava a descrever uma má experiência que teve, à mãe. Penso que ele estaria a dizer a alguém que lhe tinha dito para o não magoar, ou algo do género. Foi como se tivesse escutado esse garoto, ou pressentido, e a certa altura na minha mente, foi como se o tivesse visto. Não creio que isso tenha sido um sonho, mas não tenho a certeza. Portanto, por já ter sido há algum tempo e por mesmo na altura não ter tido a certeza, poderás dizer-me o que foi?

ELIAS: Tens razão; isso não foi um imaginário onírico. Isso foi uma projecção da consciência.

Lembra-te de que eu emprego uma distinção entre o que designais por projecção fora do corpo e projecção da consciência. Aquilo que definis como uma experiência fora do corpo é o que eu defino em termos de uma projecção da consciência. Porque na realidade, a distinção entre o que poderá ser designado por experiência fora do corpo constitui na realidade um movimento da consciência subjectiva e objectiva fora da consciência do corpo, coisa que fazeis frequentemente. Na realidade, essa acção é expressada com muito pouca frequência ou raramente no foco físico, mas vós criais projecções da consciência com habitualidade. Apenas não apresentais necessariamente a vós próprios uma recordação objectiva desse tipo de movimento.

O que tu criaste nessa experiência é uma projecção espontânea frequente da consciência, e permitiste-te uma recordação objectiva.

FRANK: Para onde estava eu a projectar-me? Ou quando? Seria alguém que eu conheço? E porquê aquilo?

ELIAS: Tu permitiste-te projectar a tua atenção pelo que parece ter sido uma escolha aleatória em que viste um outro indivíduo desta presente esfera de tempo, mas na verdade não foi ao acaso. Por aquilo que te permitiste experimentar ter sido uma projecção para um outro local situado no teu presente quadro temporal e um vislumbre de um outro indivíduo numa experiência que está presentemente a criar. A razão por que apresentaste isso a ti próprio, por assim dizer, é para te aliviar em abono da perspectiva de outros focos teus que possam estar a passar por desconforto em associação com as crenças que tens e as experiências deste foco. Estás a compreender?

FRANK: Estou, sim.

ELIAS: Ao te permitires ver muito brevemente a experiência de outro indivíduo, não empregas necessariamente as mesmas comunicações emocionais que podes empregar em ligação às próprias experiências por que passas noutros focos.

FRANK: Bom, isso é formidável; soa óptimo. (Ambos riem) Nesse caso, deverei esperar conseguir obter mais progressos num futuro próximo, em relação à possibilidade de ver outros focos?

ELIAS: Devo dizer-te que isso compete à escolha que elegeres; mas também te posso dizer que na mais provável das probabilidades, sim.



FRANK: A seguir, quero perguntar-te sobre um sonho que tive – deus, não faço a menor ideia de quando o terei tido – há muitos, muitos anos atrás, e na altura foi extremamente vívido. Eu recordei-o mais ou menos até agora, embora recorde muito pouco dele. Mas de qualquer forma, tive esse sonho em que acreditei ser um Índio Americano, um Nativo Americano. Não sei qual seria a época, mas vi-me numa espécie de... bom, o que quer que fosse era um tipo de estrutura em que estariam, e havia uma Índia Americana comigo que era extremamente bela. Eu só recordo que ela tinha os olhos mais bonitos que eu terei alguma vez visto. E por uma razão qualquer, retive este sonho ficou na minha memória. Eu queria saber por que terá sido tão significativo e se terá sido alguém com quem interajo actualmente, e o que mais for digno de nota, que possa estar ligado a isso.

ELIAS: Devo dizer-te que isso foi uma apresentação a ti próprio da percepção de um outro foco teu em que interages com um outro foco da tua companheira.

FRANK: Terei eu sido a mulher ou terá sido a minha mulher?

ELIAS: Nesse foco a tua companheira é a mulher.

FRANK: Poderás dizer-me quando terá isso ocorrido?

ELIAS: Ah! Tu estás a conseguir tão bons resultados, meu amigo. Não quererás investigar?

FRANK: Está bem! (Ambos riem) Bom, foi tudo quanto a sonhos. (Elias sorri) Mas sinto-me encantado!

Vejamos onde queremos chegar. Eu tenho muitíssimas outras coisas que gostaria de te perguntar.

ELIAS: Muito bem.

FRANK:Eis aqui uma boa para ti. Desde a última vez que falamos, por qualquer razão senti um ímpeto para ler um certo número de livros de ficção relacionados com conflitos militares. Dois eram sobre uma guerra ficcional na Coreia. Um versava sobre uma guerra ficcional na Europa entre os Estados Unidos e a união Soviética por volta dos anos oitenta, e outro versava sobre um revisionismo histórico da Guerra Civil em que o Sul vencia a Guerra Civil. O que perfaz quatro livros desde que falamos da última vez, o que para mim é muita leitura para um mês. Estou só curioso por saber o que me terá incitado nessa direcção, de me deixar atrair por essa literatura. A propósito, três desses livros eu tinha lido previamente.

ELIAS: Dir-te-ei que estás a estender a ti próprio uma outra via de comunicação, e com isso estás a permitir-te responder à comunicação apresentada por intermédio dos impulsos, o que te apresenta informação concernente a alguns dos focos que incorporas na situação de militares e de realidades prováveis que terão sido incorporadas por ti em associação com esses focos. Por isso, a direcção da exploração e da apresentação da informação a ti próprio não diz necessariamente respeito aos outros focos que incorporas mas proporciona-te a oportunidade de moveres a tua atenção no sentido da exploração de algumas outras realidades prováveis que, nos teus termos, tenham brotado das opções das experiências desses outros focos, de modo a também poderes permitir-te a ti próprio explorar algumas realidades prováveis que terás criado em relação a este foco e as escolhas de experiências que terás definido neste foco.

Tu também equiparas essa direcção ao imaginário onírico, conforme estarás ciente, ao te permitires reconhecer teres criado uma realidade provável em associação com a escolha de rumo que empregaste ao teres escolhido criar a tua própria expressão nos negócios.

FRANK: Poderias repetir a última parte do que disseste, uma vez mais?

ELIAS: Conforme estarás ao corrente, apresentaste a ti próprio o reconhecimento, por intermédio de imagens oníricas, de teres criado uma realidade provável associada à escolha que fizeste de interromperes o anterior emprego que tinhas e a opção de criares o teu próprio negócio actual. Nessa escolha, criaste uma realidade provável em que uma versão provável de ti continua no anterior negócio.

FRANK: Ena pá. Então eu podia ser mais ou menos capaz de ver o que sucedeu a esse tipo?

ELIAS: Sim, se o escolhesses.

FRANK: Isso seria divertido de saber. Que é que faço?

ELIAS: (Ri) Permite-te ver!

FRANK: (A rir) Está bem! Bom, é muito interessante. Vamos voltar-nos para uma outra coisa.

ELIAS: Na realidade, meu amigo, permite-te neste instante recordar o imaginário do primeiro sonho que me apresentaste neste dia e o reconhecimento que fizeste.

FRANK: Bom, aí está! Aí estou eu!

ELIAS: Sim. (A sorrir)

FRANK: Ena, é interessante. Mas é claro, na altura também tive conhecimento disso.

ELIAS: Justamente!

FRANK: O que creio me conduz de volta a tudo quanto tens vindo a dizer-nos acerca das escolhas e do reconhecimento das escolhas.

ELIAS: E sobre prestar atenção.

FRANK: Claro, e sobre prestar atenção. Caramba, cá está a coisa. Porque, na realidade, não é tão surpreendente quanto isso. Quero dizer, de facto é bastante previsível.

ELIAS: Precisamente!

FRANK: Uma aventura e tanto.

ELIAS: Isso apresenta-te um exemplo inequívoco daquilo que te transmiti, de que se prestares atenção a esse aspecto de ti que faz e escolhe, começarás a reconhecer que o rumo e o que estás a criar na realidade NÂO te está ocultado. Na realidade é muito claro e óbvio. É simplesmente uma questão de dirigires a tua atenção...

FRANK: Certo, o que para nós é tão difícil de conseguir.

ELIAS: Precisamente, por não estardes muito familiarizados. Vós criastes uma definição muito veemente da atenção que está errada, ao associardes a atenção ao pensamento, e nessa medida, não estais familiarizados com aquilo que efectivamente a atenção representa e a forma como direcioná-la e movê-la em diferentes direcções.

FRANK: Não gostarias de falar um pouco sobre isso?

ELIAS: Conforme afirmei anteriormente, pode ser referido da forma mais fácil de identificardes se vos permitirdes observar-vos para notardes e reconhecerdes no momento o que estais efectivamente a ESCOLHER em vez daquilo em que estais a pensar, por essas serem duas acções objectivas e óbvias que todos empregais. Isso facultar-vos-á a oportunidade de distinguir que a vossa atenção não são os pensamentos.

FRANK: Deixa que te interrompa. Quando dizes pela observação e pelo reconhecimento do que estiver a escolher, isso representará uma outra forma de dizer reconhecer e notar o que estiver efectivamente a acontecer?

ELIAS: Sim! O que estás efectivamente a FAZER.

FRANK: O que estiver a experimentar.

ELIAS: Exacto, em vez daquilo que PENSAS estar a experimentar. Por existir uma diferença, meu amigo. Muitas vezes estais a fazer e a escolher, e os pensamentos que tendes estarão em alinhamento e traduzirão de uma forma precisa. Mas muitas vezes pensas estar a fazer ou a escolher uma acção particular e na realidade aquilo que estás a fazer e a escolher pode ser diferente.

Por isso, se te permitires notar precisamente o que estiveres efectivamente a fazer num dado momento particular, também deverás nesse momento reconhecer a diferença existente entre o pensamento e a atenção, por deveres experimentar um movimento real da tua atenção no sentido da escolha, e nesse movimento os pensamentos parecer-te-ão recessivos, por assim dizer. Eles passarão para o fundo, por assim dizer, do cenário, e a escolha tornar-se-á no assunto da imagem que tiveres, de certo modo. Isso deverá tornar-se-te óbvio nas alturas em que te permitires deslocar a tua atenção.

Isso deverá proporcionar-te uma clara compreensão da distinção existente entre a atenção e o pensamento. O que não quer dizer que os pensamentos devam terminar, mas de certo modo poderão tornar-se semelhantes ao ritmo dos sons de fundo de uma peça musical. Prosseguem, mas não como as notas proeminentes.


FRANK: Certo, temos noção disso mas existem outros aspectos que se enquadram mais no nosso...

ELIAS: Tu estás a prestar atenção à acção, não à ideia da acção.

FRANK: Obrigado, Isso dá que pensar. (Elias sorri)

Eis outra coisa que eu criei. Desde a última vez que conversamos eu redecorei o meu escritório, e acabei por o pintar num estilo muito extravagante, para pôr a coisa nesses termos. Só estou curioso quanto à razão por que terei feito isso. Deixa-me dizer-te também que, quando comecei, não tinha particularmente a intenção de o tornar naquilo em que se tornou; simplesmente acabou dessa maneira.

ELIAS: E que avaliação fazes agora disso?

FRANK: Até te fazer esta pergunta eu realmente não... Bom, tenho umas quantas ideias. Uma das coisas que foi suscitada ao colocar essa pergunta é o facto de talvez isso representar um reflexo do modo como tu dizes que me expresso neste foco, ao criar imagéticas extravagantes, imagens materiais. Creio que faça parte disso. Também penso que represente uma abertura da minha consciência, de uma forma qualquer. Não sei como poderei explicar a ligação que tem, mas é mesmo a sensação que tenho.

ELIAS: Estás parcialmente correcto, e nesse sentido também facultaste a ti próprio isso a título de uma expressão da tua liberdade individual.

FRANK: Sim, está certo. Isso é parte do que pretendia dizer.

ELIAS: Exacto, e com isso estás a apresentar a ti próprio uma experiência de prazer e de diversão?

FRANK: Ah, sem dúvida! Absolutamente!

ELIAS: A questão está nisso – admitires a tua própria experiência de prazer e de liberdade, por meio da qual incorpores prazer e diversão.

FRANK: É interessante a forma como as pessoas reagem à coisa, sabes, e a forma como eu reajo a elas. Primeiro, eu não quero saber muito como os outros reagem a ele. Em segundo lugar, sei que o meu irmão e a minha mulher pensam: “Ena, isto está mesmo esquisito,” ao passo que os meus filhos acham que ficou impecável. (O Elias sorri)

Parece apenas, ao olhar para as diferentes personalidades envolvidas, que aqueles que não gostam dele, sejam os que se sentem restringidos nas suas próprias vidas, ao passo que as pessoas que gostam dele parecem possuir uma maior fluência e são livres. Não sei se isso será particularmente profundo, mas é mesmo só a impressão que tenho.

ELIAS: Exacto, E isso representa uma expressão interessante que estendes à tua atenção.

FRANK: É engraçado, por na altura em que o estava a fazer, não ter pensado nisso. Após ter terminado, comecei a pensar que envolveria alguma coisa interessante. Creio que deva saber, que existe sempre algo significativo por detrás do que quer que aconteça em termos físicos!

ELIAS: Ah ah! Em tudo o que fazes, meu amigo.

FRANK: Eu tento sempre lembrar-me disso, mas sem me desconsiderar.

ELIAS: Exacto.

FRANK: Bom, deixa que te faça umas perguntas relativas a outras coisas. Creio que já te terei dito antes que me encontro envolvido em dois negócios. Um deles, já nós abordamos quando falamos sobre o sonho.

O outro parece estar a avançar com firmeza, e parece estar a crescer, e a ganhar estrutura, e com franqueza sinto-me relativamente agradado, um tanto agradado com a forma como está a avançar. Parece que estamos a gerar um maior rendimento e mais dinheiro. O dinheiro que obtenho chega-me por via do meu sócio, por ser ele quem o recolhe e mo envia. Ultimamente tem-me vindo a enviar os pagamentos – e envia-mos a tempo e horas e eu lá os recebo – mas antes de o receber, ele telefona-me e diz-me: “Olha, não sei se consigo fazer a folha de pagamento este mês,” e uns dias depois diz-me: “Está tudo bem,” e lá mo envia. Há uns dias atrás, ou talvez tenha sido mesmo ontem, ele disse-me a mesma coisa, mas estou bastante confiante de que o dinheiro virá.

De modo que estou a tentar analisar a coisa, sabes, e a tentar apurar que metáfora representará. Ocorre-me pensar que temos percepções diferentes em relação aos negócios e ao mundo, e que enquanto eu me posiciono numa situação em que consigo sentir-me bem em relação às coisas e bastante confiante e confortável com a ideia de que o dinheiro e o rendimento virá, ele provavelmente terá a percepção de que as coisas não estejam a correr suficientemente bem, e de falta de abundância, por falta de um termo melhor. Assim, estará isso correcto, e quererá dizer mais do que isso?

ELIAS: Sim, tens razão, e isso também representa um exemplo para ti de teres a capacidade de gerar aquilo que queres independentemente das expressões que os outros assumam. Isso serve de validação para ti da ausência de importância com relação à percepção do outro e do que ele produza ou crie. Podes continuar a gerar e a criar aquilo que quiseres ao confiares em ti próprio e na capacidade que tens, e desse modo permitires-te essa confiança de criares essa expressão com facilidade e que não precisas abraçar a dúvida. Por isso descontrais-te, e permites-te criar independentemente das expressões dos outros.

Tu e eu já falamos muitas vezes desse assunto particular, e agora estendes a ti próprio uma prova inequívoca da realização que consegues nesse sentido. Apresentas a ti próprio uma imagética da percepção e expressão de um outro indivíduo, mas independentemente da expressão desse outro indivíduo geras um à-vontade e aquilo que queres, em todo o caso.

FRANK: Tenho duas coisas que te queria perguntar em ligação com isso, para levar a coisa um pouco mais adiante. Primeira, quando aconteceu pela primeira vez, a primeira coisa que me colocou há um mês atrás ou por aí, senti que estava a começar a sentir receio de novo, sabes: “Uh-oh, que é que vai acontecer ao dinheiro? A torneira vai fechar-se.” A seguir comecei a pensar nas coisas, e disse: “Bom, há aqui qualquer coisa de errado.” As coisas estão a correr muito bem e a impressão que tenho é que as coisas estão bem, pelo que creio que em termos financeiros tudo dará certo, e de uma maneira qualquer ultrapassaremos isso, ou qualquer coisa assim. Quando ele me expressou isso há um dia ou dois, eu senti mais ou menos esse receio inicial mas rapidamente passei para a recusa disso, as coisas vão ficar bem por ser a impressão que tenho e eu criar o que estou a criar para mim próprio.

Então, número dois, a pergunta que tenho é, quanto tempo poderemos continuar com esta dicotomia, em que dou por mim na situação de pensar que as coisas estejam a avançar e me sinto bastante positivo, ao passo que ele voltou ao velho modo do receio, etc.?

ELIAS: Essa é a expressão da tua prática. (O Frank ri)

Bom; nessa medida, já estás a notar que em cada experiência dás inicialmente expressão à resposta familiar automática, mas de cada vez também despendes menos tempo a dar continuidade a essa resposta automática e apresentas a ti próprio uma expressão clara e robusta de confiança em ti e de um reconhecimento claro do movimento e escolha que empreendes.

Agora; quanto à pergunta sobre quanto tempo poderás continuar nesse tipo de acção, posso dizer-te que esse é o teu processo e fica ao critério da tua escolha. Mas nessa medida, devo dizer-te que se continuares nessa direcção estarás a incorporar a oportunidade de te permitires praticar até interromperes a dúvida.

FRANK: Está bem, estou a entender.

ELIAS: E também te devo dizer, meu amigo, que pela altura em que conseguires interromper a dúvida, a expressão que o outro indivíduo poderá assumir poderá não se alterar, mas a tua atenção não mais deverá ser dirigida para a expressão dele. Por isso, não terá importância.

Isso é igualmente escolha tua. Porque, se a expressão do outro continuar nos mesmos moldes, tu terás criado isso, e se estiveres a criar isso a ponto de não mais duvidares, poderás incorporar essa expressão simplesmente como um lembrete para ti próprio relativo à tua realização e no sentido de, por assim dizer, não deslizares para a resposta automática, por não ser preciso. Assim como poderás optar por interromper a expressão do outro por completo, por não ser necessária. Mas em qualquer hipótese, isso é escolha que te compete, como haverás de criar a expressão do outro, por estares a criá-la.

FRANK: Nesse caso, a dúvida que percebo proceder dele constitui um reflexo do que reside dentro de mim, em determinada medida.

ELIAS: É. Mas sente-te reconhecido por isso, por estares com isso a apresentar a ti próprio uma via de prática que está a avançar com eficácia.

FRANK: É muito melhor do que espetar com o meu carro num poste!

ELIAS: (Ri) Muito menos dramático!

FRANK: Talvez possa ser o caso de eu ter aprendido que é mais fácil pintar o meu quarto numa cor estranha do que ter um desastre de automóvel, não?

ELIAS: (Ri) E bastante eficaz no sentido de te permitir liberdade, em vez de tentares eliminar certas expressões na tua realidade – relaxar e prestar atenção, em vez de eliminares o teu poste. (Ambos riem)

FRANK: Vamos aqui evocar uma outra coisa. No passado senti, bom, creio que a melhor palavra para isso é, um ligeiro volume de culpa por não ter despendido muito tempo a trabalhar e a desenvolver-me nessas direcções, enquanto agora estou mais ou menos a sentir-me confortável ao deixar que as coisas se desenrolem e descontrair, e ao ter fé no facto de que as coisas se desenvolverão pela melhor forma e tudo o mais. Pelo que creio que para mim representa um passo em frente também, ah?

ELIAS: Sim! (Sorri) Não tem importância que estimes o facto de não teres proporcionado a ti próprio previamente um tipo particular de movimento, por teres avançado na expressão do objectivo que tens, independentemente daquilo para que escolheres dirigir a tua atenção. Agora optas por explorar uma outra direcção, mas as explorações não constituíram uma expressão menos significativa do teu objectivo.

FRANK: Está bem, mas deixa que te pergunte sobre algo que vem mesmo ao caso. Da última vez que falamos, eu dei-te conta do objectivo de desenvolver mais uma comunicação objectiva com a minha essência, e tu sugeriste que eu praticasse a projecção, ou projecções, que isso representaria uma forma de facilitar a capacidade que tenho de comunicar melhor com a minha essência. Tentei isso um pouco após termos falado inicialmente, mas depois não sei bem se me distraí ou se dei continuidade à minha vida ou se sou preguiçoso ou se me senti desencorajado, por não sentir que tivesse obtido sucesso, mas (de qualquer modo) não tentei lá muito. Devo dizer que ao voltar a esta conversa novamente senti um pequeno volume de culpa – muito ligeiro na verdade – por não ter feito o trabalho de casa, por assim dizer. Assim, talvez pudesses comentar isso... mas depois fico a pensar sobre o facto de ter tido essa projecção com o garoto pequeno.

ELIAS: Tens razão.

FRANK: Então estaremos a avançar numa direcção em que a tentativa que faço seja a de desenvolver a capacidade que tenho, e que embora objectivamente não esteja a perceber que esteja a empreender qualquer movimento nessa direcção, na realidade estou?

ELIAS: Sim, de certo modo. Também te posso dizer que nessa expressão particular que identificaste e no reconhecimento que fizeste dessa comunicação emocional da culpa, aquilo que estás a proporcionar a ti próprio é uma oportunidade de examinares as associações que fazes no momento, que criam esse comunicado emocional particular. Posso-te dizer que a razão por que empregaste essa ligeira expressão de culpa está associada às crenças respeitantes à expectativa que tens em relação a ti e à associação que tens com a percepção ou a expectativa que tens em relação a mim, e em ambos os casos a identificação de uma antecipação do desapontamento – a antecipação do desapontamento que eu manifestaria diante da tua expressão de falta de realização de uma directiva específica percebida.

FRANK: Ah, tu jamais te sentirias desapontado comigo, sentirias?

ELIAS: Não. Não tenho a menor expressão de desapontamento em relação a qualquer um de vós.

FRANK: Consigo agora perceber isso. É muito interessante.

ELIAS: Eu reconheço tratar-se da tua escolha, incorporar sugestões ou não. Não te estou a emitir directrizes. Estou a responder às perguntas que fazes e a estender-te sugestões e alternativas que poderás empregar a fim de realizares aquilo que colocaste. Quer optes por incorporar essas sugestões ou não, não tem importância. Isso fica a cargo da tua escolha.

FRANK: Eu reconheço isso, mas então deixa que te interrogue aqui sobre uma outra coisa. Por que será que parece tantas vezes que, quando falo contigo sobre essas coisas e as debatemos, sinto avançar, progredir, mas não objectivamente... é a um nível subjectivo; é feito subjectivamente. Por outras palavras... bom, entendes o que quero dizer com isso?

ELIAS: Isso não está inteiramente correcto, meu amigo. Tu avanças objectivamente, e isso conduz-nos de volta à nossa conversa referente à atenção.

FRANK: Bom, não vou abrir mão disso com tanta facilidade! (O Elias ri) Ponhamos a coisa nos seguintes termos. Tu sugeriste-me que praticasse a projecção, e assim, após a nossa última sessão eu pratiquei a projecção algumas vezes. Por uma razão qualquer não pareceu que tenha chegado a parte nenhuma pelo que parei. Agora, porque razão terei parado? Não sei – fiquei preguiçoso, distraído, seja o que for. Não mais tentei isso.

ELIAS: Mas fizeste-o - espontaneamente.

FRANK: Creio que essa seja a raiz da questão. Frequentemente acaba por ser de forma espontânea, conforme o descreveste, ao contrário de...

ELIAS: Intencionalmente.

FRANK: Intencionalmente, certo, exactamente. É essa a palavra.

ELIAS: Mas não tem importância, por com isso também te permitires neste instante a oportunidade de examinares as definições que estabeleces, a associação que tens com a prática, a associação que estabeleces com as sugestões e a tua expressão automática de estares agora a tratar do “trabalho de casa”. Que associação estabeleces em relação a este termo?

FRANK: Caramba!

ELIAS: É que PRECISAS incorporar essa acção, pelo que não estarás a permitir-te a expressão da escolha. Estás automaticamente a criar uma associação com uma directiva, por te ter sido ditado um “dever” e portanto as escolhas que tivesses terão sido eliminadas.

FRANK: Então, tenho que alterar a percepção que tenho.

ELIAS: Justamente. Mas eu posso expressar-te, meu amigo, um ponto! A questão está nisso! É isso que tenho vindo a dizer-te desde o início: não necessariamente mudar a percepção que tens, mas fazê-la avançar. Isso é o que temos vindo continuamente a dizer em relação à mudança da consciência pela redefinição dos termos que empregais, da terminologia que empregais, e logo, através da redefinição dos termos também redefinis a vossa realidade. Porque com o mero acto de redefinirdes os termos, o movimento sofre uma alteração. A interacção que tendes com esses termos altera-se e portanto a vossa percepção também se move e passais a perceber de forma diferente.

FRANK: Certo, de modo que, para usar o exemplo aqui referido, se eu redefinir essa actividade sem ser como “trabalho de casa” mas como uma brincadeira...

ELIAS: Exacto.

FRANK: ...então tudo o mais irá sofrer uma alteração.

ELIAS: Exacto, por a percepção que tens avançar de uma forma completamente diferente.

FRANK: Bom, conforme sabes, toda esta coisa da percepção se revela difícil para mim, e creio que para muita gente, também.

ELIAS: Sim, estou ao corrente disso. A percepção e a atenção são duas expressões que vos parecem muito vagas, ilusivas e indefinidas, e vós estais muito familiarizados com a definição de expressões em termos absolutos, na vossa realidade. Vós estais a esbater a vossa realidade com este movimento da mudança de consciência para não empregardes mais a incondicionalidade inerente a toda a vossa realidade, o que vos abre tremendas portas de liberdade.

FRANK: O nosso tempo está a acabar pelo que gostaria de te perguntar duas coisas. Talvez me possas dar uma resposta rápida ou apresentar uma orientação qualquer.

Primeira, no processo de redecorar o meu escritório, a minha secretária basicamente desabou. Ainda se revela um tanto funcional, mas basicamente está a meio caminho da destruição.

E em segundo lugar, tivemos uma cheia na cave da nossa casa e perdemos muitas carpetes, e só estou curioso por tentar ver que imagética isso representará.

ELIAS: Mas, que impressão tens em relação à secretária?

FRANK: A impressão que tenho em relação à secretária é a de que envolve uma metáfora do facto de grande parte das velhas crenças que tinha se encontrarem... das percepções estarem a cair aos pedaços e a ser substituídas pelas novas.

ELIAS: Bom, agrega isso à imagética da cave, e diz-me a impressão que tens da forma como isso se enquadra na imagética da secretária.

FRANK: Essa é uma pergunta difícil. Bom, deixa-me falar da imagética de algo... não vou ser directamente responsivo, mas talvez isto se volte na direcção correcta. Um produto interessante da imagética da cave é que na verdade terminou numa benesse inesperada, num lucro inesperado. Eu recebi dinheiro do seguro que na minha opinião excedeu bastante a perda, e de uma maneira qualquer sinto que possa estar associado às crenças e percepções que tenho com respeito ao dinheiro e à abundância e coisas desse tipo. Estarei no caminho correcto quanto a isso?

ELIAS: Em parte. Essas duas expressões da imagética acham-se bastante ligadas. Nessa medida, apresentaste a ti próprio a imagética da secretária para te permitir o reconhecimento do que te é familiar e o movimento rumo a novas expressões, e a imagética ligada à cave revela-se bastante criativa ao te apresentar uma expressão de enchente que serve de pronúncio de novas liberdades.

FRANK: Oh, é tal e qual o sonho que tive quando me encontrava no carro que caiu à água!

ELIAS: É.

FRANK: Ele trouxe-me uma nova liberdade. Embora me tenha causado certos problemas, como eu ter tido, digamos, esta benesse financeira que nos vai reparar os estragos e deixar com algum dinheiro extra.

ELIAS: Exacto. Isso representa a inundação do novo e a abundância do pronúncio do inesperado, daquilo a que não estás habituado, mas nesse elemento estranho e inesperado, como representação de uma nova liberdade.

FRANK: Jamais me ocorreria pensar nisso!

Uma última coisa: ultimamente tenho vindo a tentar recordar os sonhos que tenho, em larga medida devido ao facto de me apresentarem tanto a ser discutir entre nós, mas por uma razão qualquer não tenho recordado. Só gostaria de saber se me poderias dizer por que razão não estou a ter percepção dos meus sonhos após acordar, e se tens alguma sugestão a dar-me sobre como alterar essa situação.

ELIAS: Tu estás temporariamente a criar esta situação em resposta a ti próprio no sentido de te direccionares de novo no sentido da expressão objectiva, e em relação à tua presente direcção ao tentares prestar atenção objectivamente à tua atenção e ao teu escolher. Por isso, interrompeste temporariamente o foco da tua atenção sobre a imagética do sonho para concentrares a tua atenção nas expressões objectivas da escolha, que é o que temos estado a discutir nesta manhã.

FRANK: Por certo, isso faz imenso sentido. (Pausa)

Bom, creio que é tudo. Já passamos um pouco o tempo disponível, a esta altura. Como sempre, eu agradeço-te. Tem sido tremendamente esclarecedor.

ELIAS: Não tens de quê, meu amigo. Fico a antecipar a nossa próxima aventura.

FRANK: Pois. (Elias ri) Obrigado.

ELIAS: Não tens o que agradecer. Para ti, como sempre, meu amigo, com afecto e encorajamento, au revoir.

FRANK: Adeus.

Elias parte às 11:54 da manhã.

©2003 Mary Ennis, Todos os Direitos Reservados

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