domingo, 28 de outubro de 2012

“A ORIENTAÇÃO INTERMÉDIA”




3 de Maio de 2012
Participantes: Ann (Vivette) e Mary (Michael)
Tradução: Amadeu Duarte 

ELIAS: Boa tarde!

ANN: Boa tarde Elias!

E: E que é que vamos discutir?

A: Adivinha o que vamos fazer hoje.

E: O quê?

A: Vamos ter uma sessão subordinada à orientação intermédia.

E: Ah, muitos parabéns.

A: Mas foi preciso uma pessoa da orientação soft para reunir (a rir) as perguntas subordinadas à sessão da orientação intermédia.

E: (Ri)

A: De qualquer maneira, vou simplesmente percorrer a lista e colocar as perguntas e se sobrar algum tempo talvez faça outras coisas mas se não sobrar, então vamos explorar a lista tanto quanto pudermos.

E: Muito bem.

A: Muito bem, então a primeira pergunta: “Tu disseste que os da orientação intermédia são bastante flexíveis. Qual será o factor que os tornará flexíveis e que os leva a justar-se tão facilmente aos outros? Poderás falar mais sobre o aspecto da flexibilidade e de como é expressado?

E: (Sorri) Sim. A razão por que os indivíduos da orientação intermédia conseguem interagir com diferentes tipos de indivíduos e por que de certo modo são bastante flexíveis é que geralmente, os da orientação intermédia não se preocupam com os outros. Por isso, seja o que for que os outros possam expressar, geralmente um indivíduo da orientação intermédia não investe necessariamente no que os outros estiverem a fazer ou no que estiverem a expressar nem na forma como o expressam, pelo que de certo modo, por não investirem nisso, também não sentem motivação para empregar o factor de provar o que quer que seja aos outros nem os convencer por meio do debate, nas interacções em geral, por o debate não ser a expressão que em geral os da orientação intermédia empreguem. Essa é uma acção que envolve o ponto de vista e a opinião do outro, e na acção do debate, a intenção é a de vencer, digamos, e de avançar no sentido da dominação ou subjugação do outro e desse modo dar lugar á criação da situação de vitória da expressão correcta ou da opinião correcta, ou do sentido correcto. Essa é a acção que está subjacente ao debate. Em relação aos indivíduos da orientação intermédia, eles não se preocupam tanto com a possibilidade dos outros pensarem ou perceberem que eles estejam correctos ou não, e não se preocupam tanto com a correcção do outro. Estás a compreender o que estou a dizer?

A: Sim, creio que estou.

E: Por isso, posto em termos simples, não se preocupam em convencer o outro de estarem certos, por isso requerer um investimento, e eles não se preocuparem com o facto do outro poder ter razão. Porquanto, quer o outro esteja ou não certo, em muitas situações que se dão no caso do indivíduo dotado de uma orientação intermédia, isso não tem importância, por ele já produzir a própria avaliação do facto de estarem ou não correctos, e se estiverem, nesse caso a opinião do outro é discutível (duvidosa), e não terá importância. Por isso, como não são argumentadores natos, (a maioria dos intermédios) não sente motivação ou impulso para convencer os outros.

A: Ou para mudar os outros.

E: Sim. O mais provável é que um indivíduo que tenha a orientação intermédia pare a conversa ou desista em vez de tentar convencer o outro. O mais provável é que observe o modo como a conversa prossegue e a opinião do outro, e caso esse indivíduo tenha uma opinião robusta o mais provável é que o indivíduo intermédio se retire e não o aborde.

A: E não será por isso que seremos flexíveis, por não tentarmos... por deixarmos que sejam como são enquanto permanecemos fiéis a nós próprios, ou algo assim?

E: É. Por não resultar tanto numa ameaça. Gera-se uma energia de confronto muito menor. É mais provável que um indivíduo com a orientação intermédia não seja dado ao confronto. Eles não são tão propensos a forçar a sua opinião ou a percepção que têm nos demais. Agora, isso não quer dizer que automaticamente aceitem a posição de outro indivíduo, mas não são propensos a gerar conflito em relação a isso.

A: Embora possamos admitir excepções.

E: Portanto, isso é interpretado pelos outros com uma permissão, e de certo modo é.

A: Claro. Muito bem, isso faz todo o sentido. Tudo bem, deixa que pergunte outra coisa. “Se existisse um planeta hipotético que fosse maioritariamente composto por intermédios, a que se assemelhariam algumas das expressões objectivas que esse planeta apresentaria? A que ponto se diferenciaria da expressão desta dimensão?

E: Se existisse um planeta de intermédios, diria que seria consideravelmente diferente. Conforme estarás ciente, no vosso planeta, a maioria das pessoas possuem uma orientação comum, e a diferença significativa existente entre a orientação comum e a intermédia consta do factor produção. Os intermédios produzem, só que de uma forma bastante diferente. E assim, um planeta que fosse dominado por indivíduos intermédios supostamente incorporaria muito menos invenções de coisas, por o modo por meio do qual os indivíduos intermédios são produtivos ser em relação à expressão, pela eficiência. O quer que façais (a Ann pertence á orientação intermédia) torna-se mais importante para vós faze-lo de uma forma efectiva ou de um modo mais eficaz do que em vez de produzirdes simplesmente uma coisa.

A acção é mais importante para um intermédio pelo que... digamos que tal como um indivíduo que tenha uma orientação comum é capaz de inventar um produto, uma manifestação, uma coisa que expresse com maior eficiência, coisa que se patenteia de forma evidente em todas as invenções que empregais no vosso mundo: destinadas ao transporte, à comunicação, etc., um indivíduo da orientação comum produzirá uma coisa que facilite a acção. Um indivíduo da orientação intermédia produzirá uma acção que facilite o acto.

Eles encontram-se mais focados na criação mais eficiente de acções do que em coisas mais eficientes. Nessa medida, um planeta que fosse dominado por indivíduos intermédios provavelmente incorporaria menos coisas e desenvolveria métodos mais efectivos fosse para qual fosse o assunto que quisessem realizar. A título de exemplo, um indivíduo da orientação comum inventa um comboio, uma locomotiva, ou um avião, um telefone, um automóvel. Algumas dessas invenções são criadas para facilitar as viagens. Um indivíduo intermédio não se interessaria necessariamente pelas viagens.

Ele interessar-se-ia mais ela forma como agir de uma forma mais eficiente no entorno físico que ocupa. O aspecto da importância do viajar seria muito menor, e se existissem aspectos em que o viajar se tornasse mais importante, os quais deveriam provavelmente ser processos prolongados de evolução no caso dos intermédios, dada a sua predisposição natural, não seria obrigatoriamente importante para eles viajar. Mas diria que se essa fosse uma questão importante, o mais provável é que se voltassem na direcção de desenvolver métodos que não incluíssem necessariamente invenções físicas. Os indivíduos da orientação intermédia não se focam nem se interessam pelos objectos, o que poderá parecer, nesta actual época, um pouco um paradoxo, mas o que a pergunta que colocaste envolve, e o que estamos a debater é a vossa natureza efectiva.

A: Bom, deixa que te pergunte uma coisa só para esclarecer, por pensar não estar a compreender onde estás a querer chegar com isso do viajar. Imediatamente após teres dito que os intermédios não sentem vontade de viajar, e que preferem interessar-se pelo entorno imediato, consigo pensar de imediato em três intermédios de memória que gostam de viajar. Pelo que penso que não envolva o nível do viajar. Quando dizes que preferem fazer a coisa da forma mais fácil...

E: Que se aplica ao momento. Deixa que te diga que isso subentende o agora, no ambiente que ocupais, mas a viagem está ao vosso dispor. As invenções que facilitam isso já foram criadas. Por isso já se encontram ao vosso dispor. Não é que um intermédio não se interesse pela aventura ou por novas descobertas. Não se interessa tanto pela invenção de manifestações físicas que propiciem isso. Por isso, dada a natureza de que goza, se o planeta fosse ocupado predominantemente por indivíduos da orientação intermédia, o provável seria que incorporásseis menos invenções físicas e que criásseis outras maneiras que facilitassem acções parecidas. Por isso, dir-te-ia - e isto é tudo hipotético - que se os intermédios dominassem o vosso planeta, seria muito mais provável que a esta altura da evolução que atingistes, (já) estivésseis a teleportar.

A: Ora bem, que formidável. Não me surpreende minimamente!

E: Por um intermédio estar mais focado e mais preocupado com a criação de métodos mais eficientes, e não de coisas.

A: Bom, isso certamente leva-me a criar ressonância com isso, e eu li algo que o Bill Gates disse no outro dia. Ele disse: “Se tiverdes um problema difícil, dai-o a alguém que seja preguiçoso por ele descobrir o modo mais rápido e fácil de o fazer.” E eu penso que neste caso podíamos substituir o termo “preguiçoso” por (intermédio).

E: Podias. Mas não é uma questão de preguiça, tens razão. É uma questão da diferença dessa “lente” da percepção e do que é importante e do quão divergem os processos individuais. Nessa medida, um indivíduo intermédio acha-se mais focado e percebe uma maior importância nas acções eficazes do que nas coisas eficientes.



A: Claro, isso faz sentido para mim. Está bem.

E: Por isso, com relação às comunicações, talvez representasse a esta altura da vossa evolução um mundo dominado por indivíduos com a orientação intermédia, que também fizessem um maior uso de acções telepáticas em vez da invenção de um computador ou de um telefone.

A: Claro.

E: Por os indivíduos da orientação intermédia se interessarem mais pelo que podem fazer e isso ser mais importante. E com o resultado daquilo que fazem. Não com o que isso pode fazer por eles.

A: Está bem. Uma outra pergunta. “Qual será a expressão natural ou tendência que os indivíduos da orientação intermédia terão em relação aos relacionamentos? Terão uma tendência ou uma expressão generalizada em relação à sua expressão sexual? Lembro-me de ouvir o Elias dizer que os intermédios podem não sentir interesse em ter sexo com tanta frequência ou tanto quanto os indivíduos da orientação comum, por exemplo. Porquê?”

E: Que é que estás a indagar especificamente com essa pergunta? Estarás a interrogar-me em relação aos relacionamentos em geral ou ao que seja mais natural ou importante para os indivíduos da orientação intermédia, ou estarás a indagar em relação ao que represente mais uma expressão sexual?

A: Provavelmente ambas as coisas. Comecemos pela primeira.

E: Muito bem. Com respeito aos relacionamentos, os indivíduos da orientação intermédia expressam com maior naturalidade uma relação continuada e mais confortável ao envolverem parceiros que os complementem não só a eles como também à orientação que têm. Ora bem, isso não se limita unicamente aos indivíduos da orientação intermédia mas pode ser expressado por outras orientações dependendo da personalidade do indivíduo, mas o que representa um componente significativo é o facto do indivíduo intermédio se permitir expressar do modo que faz naturalmente e sem competir. Bom, o que se pretende dar a entender com isso é, em geral, o facto dos indivíduos intermédios gravitarem no sentido da posição central relativa à atenção. Bom, deixa que clarifique a questão. Isso não quer dizer que os intermédios queiram naturalmente ocupar o centro das atenções.

O que isso quer dizer é que, geralmente, os indivíduos intermédios sentem-se confortáveis com o facto de constituírem o centro, o que significa que o que quer que acontecer ao seu redor esteja a acontecer em relação a eles, e que se os indivíduos optarem por interagir com eles próprios e, digamos, queiram estar sós. Eles querem ficar sós mas querem ter a certeza de que todos os outros ao seu redor estejam ao dispor quando os quiserem. Não que os abordem necessariamente, mas sentem-se mais confortáveis quando sabem que essas atenções estão ao dispor deles em qualquer momento, e que não os têm que procurar.

O que também constitui um outro factor dessa expressão eficaz. Os indivíduos intermédios não são muito motivados para procurar ou complicar, não que não consigais complicar, porque muitos de vós complicais, e muitas vezes. Mas na vossa expressão natural, tendereis naturalmente a voltar-vos no sentido do modo menos complicado, em razão do que, o que quer que exigirdes, ou pensardes que exigis, deverá estar prontamente ao vosso dispor, e não deve constituir uma expressão em relação à qual devais despender um grande esforço para obter. Se vos exigir um enorme esforço para obterdes essa expressão, o interesse dissipa-se com rapidez.

A: Caramba, como sou capaz de estabelecer ressonância com isso, Elias!

E: Por isso, se o indivíduo estiver a abordar outros, ele sentir-se-á muito mais confortável se essa acção se revelar fácil. Caso se torne difícil ou exigir uma energia e um esforço consideráveis, provável será que o indivíduo intermédio perca o interesse rapidamente.

A: Não consigo nem imaginar que alguém se envolva com algo que se revele difícil ou complicado, mas sei...

E: Ah, mas há muitos que conseguem.

A: Eu sei.

E: E nessa medida, sim essa é uma expressão de tal modo natural para um indivíduo intermédio que é difícil sondar a razão por que outros tenderão a complicar, ou expressem uma tal energia e esforço, seja em que direcção for. Mesmo em relação às acções que sejam divertidas ou às formas de lazer. Um indivíduo intermédio muito provavelmente não escolherá um passatempo que exija uma enorme concentração ou que seja extremamente detalhado e complexo. Um indivíduo intermédio sentir-se-á aborrecido e frustrado com esse tipo de passatempo muito rapidamente. Um indivíduo intermédio sentir-se-á aborrecido e frustrado com esse tipo de distracção muito rapidamente. Se for uma acção que consiga produzir com mais rapidez e facilidade, eficiência, e de um modo efectivo, ele escolhê-lo-á. Agora, isso não quer dizer que os indivíduos intermédios não se coloquem em situações que apresentem um desafio, mas fazem-no em situações que os desafie a descobrir um método mais eficiente – um método ou uma acção mais fácil e rápida, mais efectiva e eficaz de conseguir fazer o que estiverem a fazer, e empregarão esse método automaticamente. Essa é uma acção que por vezes são capazes de criar uma certa dissensão ou dificuldades junto dos outros, por o indivíduo intermédio rapidamente reconhecer toda a vez que um outro indivíduo estiver a empregar uma acção que não se revele completamente eficaz. E um indivíduo intermédio sentir-se-á automaticamente impelido a dar uma resposta imediata no sentido de propor um método melhor; ou de apresentar uma sugestão: “Podias fazer isso deste modo, que resultaria de uma maneira muito mais eficaz.” (A Ann e o Elias riem juntos) Todavia, nem sempre é bem acolhido. (Mais riso)

A: É bom ouvir estas coisas e ter consciência de que nem toda a gente pensa da mesma maneira que pensamos ou do que eu penso ou quem quer que seja mais.

E: Exacto. O aspecto interessante que se prende com isso é que, se o outro indivíduo que estiver a apresentar essa expressão intermédia a ele próprio realmente se permitir parar por momentos e ver ou observar genuinamente o que o indivíduo com a orientação intermédia está a propor, geralmente, o indivíduo intermédio não terá nenhum interesse por detrás da sugestão que dá. O que acontece, uma vez mais, é que geralmente não se sente investido pelo que de facto não importa que o outro indivíduo aceite a sugestão que faz ou não, por representar uma expressão automática própria de um indivíduo com a orientação intermédia. Por isso, na realidade não constitui necessariamente julgamento nem ameaça genuína nenhuma. A intenção brota muito simplesmente da observação e da expressão automática do modo natural que o indivíduo intermédio tem de descobrir um método mais eficaz, que tende a expressar de uma forma automática, mas em relação à qual pouco se preocupa que o outro a acolha ou não, por isso representar um outro factor próprio dos indivíduos intermédios, por se interessarem mais pelo que estiverem a fazer do que o que os outros estiverem a fazer, razão por que também reconhece muito rapidamente se o um outro indivíduo está a produzir uma acção eficaz, e rapidamente reconhece: “Mas eu não estou a fazer isso, por isso não importa.”

Agora; nos relacionamentos, o que tende a representar um complemento natural para o indivíduo intermédio é reconhecer essas qualidades e essas peculiaridades, digamos, de um indivíduo intermédio ter sugestões a as apresentar com naturalidade, mas sem se preocupar que as aceiteis ou não. Que não está necessariamente a proceder a julgamento nenhum, mas constitui o modo por que processa no seu próprio mundo. Está sempre à procura do que se mostre mais eficaz ou mais efectivo ou simples, seja em que acção for. Por isso também permitir que o indivíduo intermédio seja o rei ou a rainha, o que constitui uma outra expressão efectiva com respeito aos relacionamentos. Um indivíduo intermédio não se mostra necessariamente inclinado a ditar sentenças aos outros, mas com respeito a pretender tornar-se no centro (das atenções), ele quase exigem isso como uma coisa importante. Portanto, se numa relação conseguir ocupar a posição de rei ou da rainha, sentir-se-á muito mais cómodo.

A: Então, que é que acontece quando tivermos dois intermédios juntos?

E: Quando dois indivíduos intermédios geram um relacionamento, se tiverem consciência da orientação que têm, o mais provável é que naturalmente se mostrem respeitadores em relação ao outro, e caso se permitam partilhar com naturalidade a posição de destaque (rei ou rainha), e caso se permitirem partilhar essa posição – com consciência da orientação que têm, compreenderão que essa seja a expressão natural e naturalmente a admitirão no outro. Agora, isso eventualmente ocorrerá entre dois indivíduos intermédios mesmo que não reconheçam objectivamente a orientação que têm. Começarão a reconhecer qualidades nos outros que são muito semelhantes às suas, e começarão a reconhecer comportamentos que são muito idênticos aos seus, pelo que começarão a dar lugar a uma compreensão e a um abono do outro. Essa é a razão por que os intermédios, à semelhança dos indivíduos que têm uma orientação comum quanto a isso, se expressam bem em conjunto nos relacionamentos, por se espelharem bem uns aos outros. Caso não prestem atenção a eles próprios isso tenderá a criar dificuldades, mas não do mesmo modo que dois indivíduos que tenham uma orientação soft. Os indivíduos intermédios também incorporam a qualidade de uma compaixão natural pelo que quer que se assemelhar a eles próprios. Expressam automaticamente uma ternura, carinho e permissão em relação ao que quer que reconhecerem num outro indivíduo que se assemelhe a eles. Uma vez mais, eles são o centro.

A: Agora; para aqueles indivíduos soft que eu sei que se vão sentir interessados, tu disseste “ao contrário dos soft.” Quão oposto será isso em relação aos soft?

E: Os indivíduos soft, conforme declarei previamente, empregam desafios significativos quando se associam entre si, a menos que tenham uma boa consciência de si e da orientação que têm, e expressem essa autoconsciência. Se não tiverem essa autoconsciência, o provável é que os indivíduos soft produzam uma dificuldade e irritação significativas no relacionamento mútuo que tiverem, por ser menos provável que os indivíduos soft se ponham com joguinhos para a frente e para trás. Este é o equívoco ou mal-entendido mais comum que se gera em relação à diferença entre a orientação soft e intermédia. As pessoas associam essa expressão e qualidade aos intermédios, o que está errado. Os intermédios são bastante eficientes nas interacções que têm de um lado para o outro e expressam esse carinho e permissão em relação a qualquer expressão, comportamento ou sentido que se assemelhe ao que tiverem. Um indivíduo soft não o expressará necessariamente desse modo. Quer se mostre semelhante ao seu ou não, um indivíduo soft não expressará automaticamente esse carinho e essa compaixão e essa permissão por outros independentemente das semelhanças. Os indivíduos soft geralmente concentram-se mais na própria direcção que assumem, antes de mais.

A: E eles sempre pensam ser os intermédios.

E: Em certos casos, e de certas formas, e em certas qualidades, os soft e os comuns encontram-se quase numa posição invertida ou quase oposta. Um intermédio expressa essa qualidade de se focar muito em sim mesmo, o que em certos casos é semelhante a um indivíduo soft, o que também representa uma das razões por que muito frequentemente os indivíduos soft e os indivíduos intermédios conseguem produzir relacionamentos muito bem-sucedidos e interacções muito bem-sucedidas, em diferentes capacidades, mas o que o indivíduo intermédio expressar, que se assemelhará mais a um indivíduo comum, de certa forma, é o facto de um indivíduo intermédio também prestar atenção aos outros indivíduos, e também incorporar interesse pelos outros, mas no que diferem em relação ao indivíduo comum é que expressam de forma muito automática e imediata esse carinho, essa permissão e essa sensibilidade, por assim dizer, pelos outros sempre que reconhecer semelhanças consigo próprio, quer seja na expressão ou nas qualidades, percepções ou mesmo sentidos ou comportamentos. Sempre que reconhecem uma semelhança com os outros, passa a apresentar-se um aspecto automático de associação com um indivíduo intermédio.

Portanto, quando te deparas com essas diferentes expressões e qualidades, o que se enquadra bem e com facilidade em relação a um indivíduo intermédio com respeito ao relacionamento, seria um outro indivíduo que queira envolver-se com ele sempre que estiver disposto a relacionar-se, uma permissão para se mover na sua própria direcção e não o interromper, e a aceitação da sua expressão natural para sugerir e não ser ameaçado ou incomodado por isso. Aceitar a expressão da sugestão, não que deva aceitar a sugestão em si mesma, mas no sentido de aceitar a expressão ou o comportamento de apresentar sugestões, e eu diria também uma disposição para abonar o outro - o indivíduo intermédio - para ocupar essa posição central, de ser a rainha ou o rei. Não como um ditador, mas na qualidade de ser o centro das atenções.

A: Claro. Está bem, quero colocar mais duas perguntas. Penso que estamos a ficar sem tempo, mas... Bom, creio haver por exemplo esta: “Lembro-me do Elias dizer que os intermédios podem não sentir propriamente interesse no sexo com a mesma frequência que os comuns. A que se deverá isso?”

E: Isso é verdade. Bom isso é um pouco complexo. Os indivíduos intermédios geralmente expressam intimidade por formas distintas. É mais provável que os indivíduos intermédios apreciem o contacto físico limitado em relação à intimidade e se satisfaçam com isso, como um exemplo. Um indivíduo intermédio tende a satisfazer-se mais e a sentir-se mais à-vontade com as alturas em que se encontrar mais chegado a um outro indivíduo, talvez a tocar um outro indivíduo de uma forma limitada, tal como o que designais por afagar. É mais provável que um indivíduo intermédio se sinta mais à-vontade com essa acção mas geralmente os indivíduos intermédios não se sentem à-vontade com o contacto físico. Abraçar, afagar, até mesmo beijar, sim. Mas impõem um limite em relação àquilo com que se sentem mais confortáveis. Quando vos voltais no sentido da interacção sexual, isso torna-se de facto numa coisa física demasiado íntima e chegada. E a maioria dos indivíduos intermédios não se sente à-vontade com a interacção física. Sentem vontade de conhecer e de experimentar o facto de serem importantes e a existência de uma expressão de afecto partilhada com um companheiro, mas para um indivíduo intermédio, a consciência do seu corpo é quase sagrada. Pertence-lhe e constitui uma expressão que não sente vontade de partilhar.

A: Muito bem, posso interpor aqui uma coisa?

E: Podes.

A: Quando afirmas isso, parte disso entra em ressonância comigo, mas é mais o caso de eu há muito tempo ter desistido de ir aos médicos. Eu quase sinto ressentimento por o médico de ginecologia me incitar e pressionar, e eu não tenho vontade disso. Prefiro adoecer e deixar que a doença leve a melhor do que acatar todas essas medidas preventivas, bla, bla, bla; de modo que, quando referes que o corpo seja quase sagrado, dessa perspectiva isso faz sentido para mim, por ser intermédia, mas do ponto de vista sexual... por saber que a minha mãe e que o meu irmão são intermédios e por conhecer diversa gente intermédia, e a minha avó que disse que não gostava assim tanto de sexo e isso fazer sentido, mas quanto ao corpo ser quase sagrado... para mim, o sexo – isso serve de elo.

E: Não estou a afirmar que os indivíduos da orientação intermédia não apreciem a actividade sexual. Eu dir-te-ia que os indivíduos intermédios podem ser muito apaixonados e podem apreciar muito a actividade sexual. O que estou a referir é a expressão sexual em relação à intimidade.

A: Mas, é isso que não entendo. Penso que seja a forma de ter intimidade com alguém, por intermédio do sexo. Ou um dos muitos meios, devia acrescentar. Não o único modo, mas isso parece-me íntimo a mim. Não sei.

E: E eu diria, tal como referi anteriormente em relação a essa orientação e a todas as orientações, que estas são afirmações de carácter generalizado que não constituem regra. Por isso, não quer dizer que não possa haver indivíduos que expressem de uma forma um tanto diferente. Isso não é errado nem grave em relação à orientação que tendes, mas falando em termos gerais, a maioria dos indivíduos intermédios sente-se menos à-vontade com a actividade sexual por criarem essa mesma ideia da actividade sexual como representação de uma expressão íntima, e não sentirem à-vontade na partilha física dessa intimidade.

A: Pensarás que seja uma coisa soft, por os soft não gostarem de se expor? Mas talvez seja algo diferente.

E: Não. Mas diria existirem semelhanças nisso, só que as razões são diferentes. Não é que o indivíduo soft empregue uma expressão de não querer partilhar a consciência do seu corpo físico nessa intimidade, por gerar essa intimidade em relação a ele próprio. Tem mais que ver como facto da actividade sexual para um indivíduo soft consistir numa questão de paixão, e ele expressar a paixão em muitas outras direcções, pelo que a actividade sexual não representa a expressão primordial da paixão de um indivíduo soft. No caso de um indivíduo intermédio, sim, ele encara-a como uma expressão de paixão e de intimidade, mas geralmente, em grande parte, no caso dos indivíduos intermédios, eles sentem-se menos inclinados a partilhar esse aspecto do aspecto físico da intimidade, de forma muito similar á expressão de detestares ir aos médicos, por não gostares de ser incitada ou pressionada. Não gostas de ser tocada de determinados modos. Dir-te-ia ser altamente improvável que te sentisses de todo confortável se te encontrasses numa situação em que te visses rodeada por vários indivíduos que te estivessem continuamente a tocar.

A: Claro.

E: Haverias de te sentir incomodada com isso.

A: Claro.

E: Se outros indivíduos ao teu redor se posicionassem muito próximo enquanto estivessem a interagir contigo e te estivessem continuamente a tocar, havias de te sentir irritada, e de te afastar automaticamente.

A: Elias, a campainha tocou pelo que queria colocar mais uma perguntinha muito rápida a seguir ao que teremos que ir embora, mas: “Se a expressão de poder de um soft assenta na manipulação da energia e no reconhecimento, e a expressão de poder de um indivíduo comum assenta nas conquistas externas, em que assentará a expressão de poder do indivíduo intermédio?” É na acção, não é?

E: Na acção.

A: Ah!

E: Na acção e na eficiência.

A: Ah, já tínhamos respondido a essa. Não precisava nem mesmo ter perguntado. Eficiência! (Ambos riem) Bom, se não tivesse, se antes tivesse qualquer sombra de dúvida quanto ao facto de ser intermédia, agora restaria muito pouca dúvida. Entrei em ressonância com muito do que foi dito. E, uma vez mais, foi aprazível falar contigo, como sempre.

E: E contigo também, minha querida amiga. Vou ficar a antecipar enormemente o nosso próximo encontro.

A: Eu também!

E: (Ri) E uma vez mais retornaremos a ti.

A: Hei, agora estás a falar o meu idioma, Elias! (Ambos riem)

E: Como sempre, com um enorme afecto e um grande carinho para ti, rainha. (Ri)

A: Ah, adora a forma como isso soa! (Ambos riem)

E: Endereço-te um au revoir, e até ao nosso próximo encontro!

A: Au revoir! E... (Faz o som de um beijo).


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