domingo, 19 de fevereiro de 2012

REDEFINIÇÃO DE TERMOS E DA REALIDADE



SESSÃO #1410
“Definições: Jovialidade, Seriedade, Motivação, Esperança”
“Redefinição de Termos/Redefinição da Realidade”
Quinta-feira, 8 de Agosto de 2003 (Privada/Telefone)
Participantes: Mary (Michael) e Don (Allard)
(Excertos)
Tradução: Amadeu Duarte


...

DON: Recentemente criei uma situação no emprego em relação à qual me vi em completo estado de ansiedade. Senti a tua energia a apoiar-me de uma forma diferente daquela a que estou habituado, e creio que sob a forma de um apoio mais directo principalmente por o ter solicitado, conforme me pareceu. O resultado que acabei por escolher na situação foi o menos traumático que podia imaginar. Senti que me tenhas dito algo após o sucedido, senti a tua energia... Se tivesse que traduzir isso por palavras – não é bem o caso – mas foi algo como tu a perguntares-me: “E agora que irás fazer com a tua liberdade?” (Elias ri) Esta será uma... exacta?

ELIAS: Tradução, é! Ah ah ah!

DON: Bom, antes de mais, obrigado! Obrigado, obrigado, obrigado!

ELIAS: Não tens o que agradecer. Mas eu sou mais real do que certas vezes poderás perceber! Ah ah ah!

DON: (Ri) Ainda assim isso levanta a questão que ainda não fui capaz de responder por mim próprio. Ora bem, que é que vou fazer com a liberdade de que gozo? (Elias ri) Ainda estou a pensar nisso.

Recentemente, tive uma forte sensação de expansão da identidade que durou umas quantas horas. Isso foi há umas poucas semanas atrás. A determinada altura tive de algum modo uma sensação, como se todos os meus focos – bom, como se quase metade dos meus focos tivessem realmente tomado parte nisso, conforme me pareceu, apesar de todos tenderem a apresentar um pendor nesse sentido – pareceu-me como se todos estivessem a entrar em alinhamento por um modo qualquer, como os planetas podem alinhar-se numa linha recta com o sol. Senti a aproximação desse alinhamento, e a certa altura - isso durou somente talvez uns poucos segundos - senti que na realidade metade tivesse entrado em alinhamento.

Primeiro, não estou bem certo do modo como poderei interpretar isso ou o que realmente estaria a ocorrer, mas também vou dizer que nessa altura aconteceu que tanto a Gloria quanto a Melody tiveram noção de certas percepções inusuais ou da ocorrência de algo inusual que me faz recordar mais ou menos isso. Sinto que as experiências delas estavam ligadas às minhas. Gostava não só de saber em que terá consistido a experiência quando estiveram ligadas, mas se terá efectivamente sido algo global que tenhamos todos simplesmente notado, ou algo inerente a um grupo menor. Que terás a dizer acerca disso?

ELIAS: Não necessariamente global, mas muitos indivíduos estão a produzir experiências semelhantes em associação com o facto de se tornarem objectivamente mais conscientes da sua própria realidade enquanto essência, não apenas como um conceito e como uma entidade distinta de vós, mas experimentando directamente essa vastidão que a engloba na totalidade. Por isso traduzes isso no imaginário desse alinhamento e participação do que associas como simetria perfeita.

DON: Ah, a mim pareceu-me que esses meus focos que me pareceram estar efectivamente em alinhamento, cada um terá inserido algures no seu devido tempo pelo menos um breve clarão de uma percepção objectiva semelhante à minha.

ELIAS: Sim.

DON: Mas talvez então isso tenha trespassado a cada um deles, não? Eles terão inserido isso conforme terão querido, mas...

ELIAS: Sim. Tendo sido em parte interpretado como um dejá vu, em parte em termos de uma experiência espiritual momentânea, e em parte pela incorporação de alguma confusão, por notarem a experiência mas não disporem da menor explicação objectiva.

DON: Bom, ainda sobre um outro assunto, sabes que tenho vindo a pensar nos avisos que me tens endereçado acerca de ser jovial. (Ambos riem) Mas não creio que sequer chegue a perceber bem o que ser jovial signifique. Queria saber, como é que defines a jovialidade?

ELIAS: Devo dizer que a jovialidade é produzida pela ausência de seriedade. Ah ah ah!

DON: A pergunta seguinte que se imporia é: “E de que modo defines a seriedade?” (Elias ri) Porque, quanto à ausência de seriedade, tudo bem.

ELIAS: Ah ah ah! A seriedade consiste em ver e em produzir uma percepção de muito pouco alcance analítico e que não esclarece – não uma análise que se traduza por uma descoberta genuína, mas uma análise que nos vossos termos não conduz a uma resposta efectiva.

DON: Estou a perceber. Então, a análise que leva a uma resposta efectiva, ainda que na forma possa parecer bastante semelhante, poderias dizer que é bastante jovial.

ELIAS: É. Essa análise é capaz de ser expressada de uma forma bastante jovial se a percepção se mover efectivamente numa direcção de descoberta genuína e do surpreendente. Caso se dê um reconhecimento da surpresa e da descoberta e da aceitação, torna-se num jogo, e isso gera jovialidade.

...

DON: Sinto-me um tolo por ter que perguntar em que consiste a jovialidade!

ELIAS: Antes pelo contrário, meu amigo, as pessoas incorporam muitas palavras para as quais nem sequer chegam a dispor de uma definição objectiva nem de uma compreensão efectiva, pelo que não passam de meras palavras ocas. Conforme declarei, estais a inserir esta Mudança objectivamente, o que vos leva a redefinir muitos dos termos que aplicais ou a estender a vós próprios uma definição de termos que não usáveis realmente antes, por os não questionardes.

Esse é um outro aspecto do significado desta onda que a consciência atravessa e que aborda as verdades – aqueles elementos da vossa realidade que simplesmente se apresentam como tal mas que não são questionados, em relação aos quais podeis nem sequer saber necessariamente o que traduzem.

DON: Em relação a um outro assunto, relativo a uma sessão que foi recentemente publicada. Não pretendo ser intrometido, mas este tipo cria de um modo semelhante ao meu e eu gostava de perguntar um pouco mais sobre isso. Tu debateste a situação de um indivíduo que tentou entrar para uma equipe de basketball e não foi aceite. Nessa situação, disseste tu, segundo creio, que para ele, juntar-se àquela equipe não estava no alinhamento da direcção que ele estabelecia para si próprio na altura. Portanto, a parte dele que escolhe fundamentalmente escolheu não se juntar independentemente do que ele pensava querer, mas talvez se ele tivesse dado atenção às impressões que tinha ele tivesse recebido informação quanto à razão porque juntar-se à equipe não estaria em alinhamento com a direcção que definia e poderia ter-lhe reduzido o trauma que experimentou quando não foi aceite. Antes de mais quero ter a certeza, estarei a citar-te correctamente?

ELIAS: Estás.

DON: O que me causa confusão em relação a esse cenário é que a parte dele que escolhe tenha escolhido não fazer parte da equipe, mas também tenha escolhido tentar experimentar, mesmo apesar das impressões dele lhe poderem ter dito que ele não o desejava. Agora; terá ele tentado devido a que no momento da opção, o Eu dele que procede às escolhas lhe tenha fornecido uma informação suficiente?

ELIAS: Não. O mecanismo do pensar dele não inclui suficiente informação, e nisso reside a questão. Isso é expressado com frequência pelas pessoas na vossa realidade física, por deslocardes a vossa atenção em exclusivo para um aspecto – em geral, para o vosso mecanismo do pensar – e não para o que estais efectivamente a escolher, ou a fazer (subentenda-se), nem para aquilo por que se traduzem as vossas comunicações efectivas.

Se excluirdes (o aspecto do) escolher e o da comunicação da vossa atenção, os vossos pensamentos não disporão de uma informação exacta, e consequentemente os vossos pensamentos poderão expressar de forma diferente do que estiverdes de facto a fazer. Assim como os vossos pensamentos podem expressar de um modo um tanto pormenorizado em associação com o que estiverdes a fazer, mas poderão não incorporar necessariamente suficiente informação respeitante ao teor das vossas comunicações (ligações).

Essa é a razão porque se torna importante que permitas que a tua atenção se torne flexível e adquire um equilíbrio em todos os teus três elementos, desse modo provando a ti mesmo de um modo objectivo com uma interpretação exacta pelo pensamento e fornecendo a ti próprio uma compreensão objectiva do que estás efectivamente a fazer e a comunicar a ti próprio, e permitindo-te desse modo manipular intencionalmente em meio ao que pretendes e em associação com as preferências e a direcção que tomas num momento particular.

DON: Ao facultar a mim próprio o sinal da ambivalência, se é que se pode chamar a isso um sinal... Em primeiro lugar chamarias mesmo à ambivalência uma emoção?

ELIAS: É um sinal.

DON: Sinal, pois. Podia representar um sinal de que não estou a facultar aos meus pensamentos uma informação suficiente, creio eu.

ELIAS: Qual será a tua comunicação? Olha para o que estás a fazer e para o que estás a sentir, e permite-te avaliar aquilo que estás a comunicar. Esta é a prática a ser empregue; permitires-te ter noção de uma forma objectiva do que estás efectivamente a gerar.

DON: Está bem. Tenho algumas perguntas da parte da Jene.

ELIAS: Muito bem.

DON: Em relação ao último assunto, hoje sinto-me muito confuso. (Elias ri) Que percepção tens da minha energia, hoje?

ELIAS: Exactamente a mesma! Ah ah ah! Estás a deslocar o teu barco por entre o teu nevoeiro, não estás? (Ambos riem)

DON: Estou! Antes de mais, a June tem uma impressão acerca de um foco. Será a Zelda Fitzgerald um foco dela? (Pausa)

ELIAS: Essência em observação.

DON: E a seguir esta pergunta que vou passar a citar à letra: “Uma situação hipotética: Eu tenho vontade de ir assistir a determinada película que está a passar em determinada sala de espectáculo. Isso tem um preço, coisa que não me posso habilitar a despender, por não ter dinheiro.  A reacção automática consiste em negar a mim própria essa opção por não ter dinheiro. Por outras palavras, nego a mim própria aquilo que quero, e permito que o dinheiro me dite as opções. Faz favor de sugerir cinco outros tipos de opção que esteja a deixar de permitir a mim própria perceber."

ELIAS: (Dá uma risada) Também vou recomendar o mesmo exercício em resposta a este indivíduo. Emprega esta mesma pergunta a título do exercício a utilizar.

DON: Pois é, isso faz todo o sentido.

ELIAS: Pode fornecer informação respeitante às crenças que alcançam expressão e pode igualmente oferecer pistas que poderão conduzir à identificação das verdades.

DON: Nós ainda dispomos de um tempinho. Ela tem uma outra pergunta: “Noto o modo como as minhas motivações são capazes de se transformar em expectativas. Tenho o pressentimento de que uma expectativa consiste numa motivação com uma certa energia específica à mistura – de impaciência e de falta de confiança, talvez. Peço o favor de comentares os termos motivação e expectativa.”

ELIAS: Motivação é o que podeis encarar em termos de um tipo de compulsão inspirada pelo desejo; também pode ser inspirada pelo querer. Assim como pode ser inspirada por ambos!

DON: Nesse caso, o querer difere do desejo? (1)

ELIAS: Difere. A expectativa é uma projecção pela antecipação de uma expressão qualquer que ainda não foi gerada.

Agora; as expectativas podem por vezes estar associadas às preferências, mas ao não reconhecerdes que estão associadas às vossas crenças, elas geralmente voltam-se para a expressão de uma orientação qualquer que inclua um forte potencial para o desapontamento ou a desconsideração.

DON: A propósito disso, antes que me esqueça, penso que o Allesander gostaria de saber se o Soloron se terá fragmentado da essência do Allesander a partir de um foco.

ELIAS: Não.

DON: Nesse caso, vamos voltar à última pergunta da Jene. Dadas essas definições, ela pergunta-te: “Gostarias de fazer algum comentário respeitante à realização que faço do Curso de Estudo do Elias, com base no facto de teres conhecimento das motivações e das expectativas que tenho?”

ELIAS: O comentário que faço vai no sentido de incorporares um sentido de partilha em vez de instrução (ensino).

DON: Notei que nas sessões que tive contigo, raramente falamos de orientação, e gostava de saber se isso se deverá ao facto de ser algo em que de certo modo facilmente eu facilmente poderia agarrar-me como a justificação de uma diferença, por ter uma orientação intermédia. Terás algo a dizer em relação a isso? E por causa do facto, não temos falado muito sobre isso.

ELIAS: Devo dizer-te que nós não conversamos muito em relação à orientação porque geralmente tu não apresentas uma direcção que incorpore esse tipo de debate. Mas sou capaz de reconhecer e de validar a impressão que tens quanto ao facto de uma das razões por que escolhes não empregar muita discussão respeitante à orientação está correcta. Tu apresentas uma probabilidade, digamos assim, de te endereçares num sentido de justificares uma maior separação pela diferença ao te voltares para esse tipo de debate, por gerares automaticamente a percepção mais ou menos vincada em associação à diferença.

Por isso, posso-te atestar que optas por não reforçar isso ao facultares a ti próprio informação que suscite nesta altura uma resposta automática da tua parte que iria no sentido de uma maior separação e de uma maior diferença.

DON: A Allie identificou alguns focos, ou apresenta algumas impressões referentes a alguns focos que partilhamos, através do nome. Ela obtém o nome Lopan e Zola para ela e para mim, respectivamente. Quando tentei obter uma impressão sobre o facto, senti o que me pareceu ser focos que temos na qualidade de Vikings ou habitante do note da Europa, em que eu seria uma mulher com um cabelo espesso e comprido avermelhado. A Allie era um homem com quem eu tinha uma parceria, e que se afastava por períodos prolongados de tempo. Eu senti receio em torno desse personagem, tanto receio por ele poder não regressar como dele fisicamente. (Elias ri) Penso que sejam focos que temos; ou seja, essas impressões que tenho, não creio que sejam os focos associados a ambos esses nomes.

ELIAS: Tens razão.

DON: No entanto esses nomes dizem respeito a focos que temos?

ELIAS: Dizem.

DON: Que partilhamos?

ELIAS: Sim.

DON: Também captei focos que partilhamos na condição de companheiros, creio eu, numa tribo da Amazónia, novamente comigo na qualidade de mulher e a Allie na qualidade de homem. Talvez isso seja distinto, e esteja igualmente associado de algum modo a uma tribo bastante primitiva, que talvez possamos actualmente apelidar de pré-humana. Confirmarias isso?

ELIAS: Não o que designarias por pré-humana, mas sim, posso igualmente validar a impressão que tens quanto a esse foco.

DON: Esses nomes que ela apresenta serão de outros focos dimensionais que temos?

ELIAS: São.

DON: Haverá alguma essência com quem eu, por esta altura, terei dois ou mais focos que conheça pessoalmente? Tenho andado à procura e não tenho sido capaz de descobrir um sequer, mas sinto que possa haver.

ELIAS: Uma outra essência que seja do teu conhecimento em mais do que um foco?

DON: Sim. Quero dizer, o meu foco do Don.

ELIAS: De certo modo, e que poderás passar a conhecer de uma forma mais objectivamente no futuro, dependendo das escolhas que formulares. Posso-te dizer que a Myranda é um.

DON: Sim, sim. Eu conheci o da Myranda, contudo não estava a pensar em ambos os focos dela como conhecidos. Não estabeleci propriamente um contacto objectivo com nenhum deles.

ELIAS: Eu estou a compreender, mas conforme declarei...

DON: Ah, pois, em termos futuros.

ELIAS: Exacto.

DON: Bom, creio que tenha sido todo o tempo de que dispúnhamos, Elias.

ELIAS: Muito bem, meu amigo. Fico a antecipar o nosso próximo encontro, como sempre. Ah ah ah! Continuarei a recordar-te para empregares jovialidade, agora que já dispões de uma definição do termo! Ah ah ah! Talvez agora sejas capaz de a empregar de uma forma mais fácil por compreenderes o que estás a empregar. (Ri)

Muito bem, meu amigo. Como sempre, continuarei sempre a estender-te a minha energia de apoio.

DON: E obrigado de novo pela tua ajuda.

ELIAS: Não tens o que agradecer, meu amigo. Podes perguntar em qualquer altura que eu responderei. Para ti como sempre, com um enorme carinho, au revoir.

DON: Au revoir.

Elias parte às 10:42 da manhã.

Muito resumidamente uma nota acerca da diferença existente entre desejos e quereres: “O vosso desejo é o movimento que acompanha o propósito que tendes, e muitas vezes o desejo que tendes constitui um elemento subjectivo.” #357

“O querer constitui um sistema de crenças (prerrogativas, premissas, convicções, credos)! Vós só quereis aquilo que não possuís, por serdes influenciados por crenças encadeadas que vos dão conta que o que tendes não é apropriado ou que a vossa experiência não é adequada. Isso resulta como influência directa do conjunto de crenças.” #151

©2006 Mary Ennis, Direitos Reservados


“DISFUNÇÃO/VIOLÊNCIA” “NECESSIDADE DE SERMOS PRESENCIADOS”


“disfunção/violência”
“NECESsIDADE DE sermos TESTEMUNHADOS”
Sessão de 2/4/12 (Excerto)
Tradução: Amadeu Duarte

...

TYLER: A Ginger é curiosa – mas eu também sou – mais ou menos... “Que tem andado a passar-se ultimamente?” é a pergunta geral que coloca, mas... sabes, para dar mais detalhes acerca disso... ela tem trabalhado num hospital faz sete, vai para oito anos, e disse - foi no ano passado ou há dois anos - que tem aparecido muito mais o que ela considera ser “pacientes malucos”... muito mais gente a morrer... e o primeiro instinto que tive foi no sentido de dizer que isso se fica a dever a esta mudança, mas que será que está exactamente a ocorrer neste momento, no âmbito desta mudança?

ELIAS: Está associado à mudança.

TYLER: (Risadas) Pois está.

ELIAS: Eu diria que na realidade já falei disso anteriormente...

TYLER: Ah, está bem.

ELIAS: Apesar de já ter sido há bastante tempo, conforme os termos que empregais. Nessa medida, mais lá pelos começos destas reuniões, eu referi que à medida que esta mudança progredia e tinha continuidade, haveria de parecer a muita gente, sob a designação daquilo que designais por “loucura” ou “alienação mental” e que isso se tornaria mais a norma (ri), e o que realmente definis como norma sofreria uma alteração.

TYLER: Certamente.

ELIAS: Nessa medida, há diversos factores envolvidos. Sim, está a surgir um aumento efectivo de casos de indivíduos que estão a optar por experimentar esta realidade de uma forma diferente; não da forma a que vós vos acostumastes. Mas isso está a aumentar. Eu diria que há cem dos vossos anos nem uma fracção existia de pessoas que expressavam essas diferenças, com há agora.

TYLER: Caramba.

ELIAS: Agora; em parte, isso está relacionado com a mudança, pela forma em que as pessoas escolhem experimentar esta realidade a partir de um ângulo ligeiramente diferente. Mas, conforme declarei, isso envolve várias facetas. Também há indivíduos que se estão a expressar de um modo diferente; uma das quais vós identificaríeis mais, ou expressaríeis como “anormais”, ou “fora do vulgar”, e mesmo como uma expressão de uma disfunção, segundo os termos que aplicais. Eles não são completamente disfuncionais do modo que pensais. As vossas ciências médicas da psicologia são céleres a rotulá-las...

TYLER: Certamente.

ELIAS: ...como disfuncionais, só que de uma forma diferente daquilo que elas são na realidade.

Isso... para além dos indivíduos que optam por experimentar esta realidade a partir de um ângulo ligeiramente diferente – e por isso esses indivíduos estarão na realidade a expressar diferentes interacções químicas; expressões fisiológicas diferentes daquelas que são expressadas pelos indivíduos que percebeis como normais. Mas existem, igualmente muitas outras expressões que estão a ocorrer que estão relacionadas com esta mudança ligada ao trauma e ao desenvolvimento de disfunção e de dificuldades com as pessoas, por estarem a tomar parte nesta mudança, mas podem não necessariamente compreender aquilo em que estão a tomar parte, e assim isso dá origem a dificuldades, e é capaz de causar trauma às pessoas, por estarem a expressar o que VÓS encarais como uma disfunção.

Também se trata de uma questão das pessoas não compreenderem o processo da passagem para aquilo com que não se acham familiarizados, e passarem a adoptar expressões de um carácter pessoal genuíno. E por isso, as expressões do Ser Genuíno podem ser facilmente distorcidas. Mesmo aqueles que interagem comigo, ou estão ligados à informação que eu dispenso, fazem isso. Eles distorcem-na. E nessa medida, deixam de entender aquilo que estão a experimentar, e como tal procuram enquadrar aquilo que experimentam em algum tipo de explicação com que estejam familiarizados.

Há um aumento da acção violenta. Nessa medida, isso brota do facto das pessoas não compreenderem aquilo que estão a experimentar. De certa forma, por meio da permissão para expressarem, de um modo distorcido, alguns aspectos do que se aproximará de uma expressão genuína, mas que pode não ser necessariamente aceitável em termos sociais.

TYLER: Certamente.

ELIAS: Isso provoca conflito no indivíduo, e tensão, para além de frustração. E essa tensão, em troca, em muitas situações e casos de indivíduos é passível de provocar ansiedade. E a ansiedade abre caminho, digamos assim, a comportamentos de natureza destrutiva, ou que são, aquilo que designais por inaceitáveis ou inadequados. Por as pessoas não compreenderem aquilo que estão a experimentar, e assim também não compreenderem a forma como lidar consigo e de se orientarem.

TYLER: Nesse caso dirias que muitas dessas acções ou expressões desses indivíduos, constituem mais reacções a uma energia neles próprios que eles não entendem?

ELIAS: Ah, sem sombra de dúvida!

TYLER: Está bem. Então…

ELIAS: Eu diria que isso é bastante comum.

TYLER: Certamente.

ELIAS: Por não compreenderem aquilo que estão a fazer. Mas de certas formas, eles geram a forma distorcida de uma expressão genuína, o que se torna confuso para eles, por ter que ver com a expressão de impulsos. Eles criam impulsos no sentido de se expressarem, mas aquilo que os impulsos os influenciam a expressar não é necessariamente tolerado nem aceite pelas sociedades. Por isso, a coisa provoca conflito.

TYLER: Certamente.

ELIAS: E isso provoca confusão, por o indivíduo entrar no obscurecimento relativo à duplicidade.

Lembra-te que eu disse, há um certo tempo, que uma das acções desta mudança – a qual virá a causar, está a causar, já provocou trauma – se deve ao facto de estardes a redefinir termos e a redefinir a vossa realidade.

Portanto, nas situações em que um indivíduo dá expressão a um impulso, o que é habitual, em certas dessas situações, é definir esse impulso como inadequado.

TYLER: Hmm.

ELIAS: Só que, o impulso pode ser vigoroso, porque independentemente das pessoas disporem desta informação ou não, elas estão a mudar. E consequentemente, tudo o que VÓS fazeis, ao vos tornardes mais conscientes, e tudo o que podeis notar em vós – as mudanças que se operam sobre as preferências, as mudanças que se operam sobre os impulsos, as mudanças que operam no que fazeis, e no que escolheis – elas estão igualmente a sofrer essas mudanças. Elas apenas podem necessariamente não compreender o que estão a fazer.

TYLER: Certamente.

ELIAS: E como tal, isso manifesta-se nos comportamentos que são julgados como “anormais”. E à medida que isso aumenta, os vossos médicos prestam atenção, e notam o agravamento, e começam a desenvolver mais rótulos para descrever os comportamentos inadequados e começam a procurar descobrir modificações para esses casos.

TYLER: (Riso)

ELIAS: Aquilo que não entendem, mais do que aqueles que o expressam, é que não se trata de uma questão de modificação comportamental mas de uma questão de se tornarem mais auto-conscientes, e consequentemente, de ter consciência das escolhas. Esses indivíduos não têm noção de disporem de escolha. Eles ESTÃO a reagir. E nessa medida, não sabem a que estão a reagir, e como tal também tampouco reconhecem que dispõem de alternativas.

TYLER: E eu creio... quero dizer, o grande problema prende-se... na lida com os indivíduos como este, o facto de também poderem ser levados na conta de serem perigosos, possivelmente pelos outros, mas mais provavelmente por eles próprios...

ELIAS: Exacto.

TYLER: …pelo menos em termos físicos.

ELIAS: Sim.

TYLER: E assim, creio que é aí que “metemos o pé na argola”; não sabemos como lidar com isso.

ELIAS: Estou de acordo, por a resposta automática que dais – ou reacção – à reacção deles ser no sentido de os deter, e de restabelecer o seu estado. E nessa medida, o conceito de restabelecimento é de tal modo distorcido, por implicar que estejam avariados em um aspecto qualquer, ou uma faceta débil qualquer desses indivíduos; coisa que não corresponde aos factos! E nessa medida, a modificação, ou tentativa para modificar os indivíduos também vale de pouco, por não levar em consideração aquilo que estão a expressar, e não lhe proporcionar informação nem explicação.

TYLER: Então…

ELIAS: Consequentemente, isso deixa-os simplesmente numa situação de confusão e de carência de informação, em que não têm mais consciência de si do que tinham antes.

TYLER: Então dirias que a reacção que a Ginger teve... bom, nem sequer foi uma reacção... a expressão que teve para com... ela contou-me a história de uma mulher que estava constantemente aos berros no quarto em que se encontrava, lá no hospital... ah, algumas das coisas que ela dizia... sabes... clamava em altos brados por alguém; mencionava o nome de alguém. E no princípio a Ginger não se mexia. Ela simplesmente ignorava aquilo, mas aquilo acabou por se tornar um pouco constrangedor para ela. Assim, a Ginger decidiu responder-lhe... quando ela chamava por um nome a Ginger dizia: “Essa pessoa não se encontra aqui” e isso de facto calava a pessoa durante uns tempos (ri)... até acabar por ter, digamos, um outro impulso... Dirias que... ?

ELIAS: Sim.

TYLER: …essa resposta tenha sido mais útil do que tentar calá-la?

ELIAS: Sim, estou de acordo.

TYLER: Está bem.

ELIAS: Também devo dizer que o que se pode revelar consideravelmente útil numa situação dessas é efectivamente parar e PRESENCIAR o indivíduo, por esse ser um dos factores por que esses indivíduos anseiam. Eles não têm quem os presencie. Estão a ser marginalizados. E por isso, não são reconhecidos.

TYLER: Hmm.

ELIAS: E nessa medida, essa expressão – esse desejo – na vossa realidade física, obter esse tipo de presenciamento, é MUITO premente. E a razão porque é tão premente e intencional, por ser o modo através do qual vós expressais objectivamente em termos físicos a interligação que tendes (união) uns com os outros. E quando não obtendes esse tipo de presenciamento, sentis-vos desligados.

TYLER: Eu acabei de…

ELIAS: Isso…

TYLER: Posso interromper por um segundo?

ELIAS: Podes.

TYLER: Acabou de me passar um pensamento engraçado pela mente. Um pensamento ligado a um anúncio comercial de uma companhia de telefones, hmm, em que um tipo está a falar ao telefone e o outro do outro lado lhe diz: “E agora, consegues-me escutar?” Ele anda às voltas pelo mundo fora a dizer “Consegues-me escutar agora?”

Tive essa ideia de que, digamos, antes do começo, quando estávamos a experimentar esta realidade física, se assemelharia mais ao: “E agora, consegues VER-ME?” e que isso seria óptimo...

ELIAS: Era.

TYLER: (Ri)

ELIAS: Sim!

TYLER: Então, é por isso que queremos ter quem nos presencie, por querermos ser capazes de nos ver uns aos outros.

ELIAS: É!

TYLER: Pois.

ELIAS: Por isso representar a expressão física objectiva do reconhecimento que fazeis da interligação que vos caracteriza; coisa que todos estais (interligados)! Mas como ocupais uma realidade física em que parte do modelo consiste numa expressão de separação, torna-se importante produzir uma via – ou um método, digamos – para dar expressão a essa interligação... para sentir essa interligação, e reconhece-la. E o modo através do qual podeis fazer isso, é por meio do reconhecimento. E a forma como o reconheceis é pelo presenciamento que fazeis uns dos outros.

"Eu vejo-te de uma forma genuína."

TYLER: Isso eu sou capaz de compreender.

ELIAS: “Não somente com o meu sentido da visão. Eu VEJO-TE. Reconheço a tua presença, e a ligação que tens comigo; e a que tenho contigo.”

Mas isso foi... bastante posto de parte.

TYLER: Eu ia precisamente dizer isso; ignorado.

ELIAS: Nos enormes avanços que fizestes no sentido do progresso, digamos, deixastes-vos distrair de tal modo que afastastes essa expressão básica e necessidade de ligação. Consequentemente, uma das expressões mais poderosas que podereis gerar junto de um indivíduo numa situação desse tipo – que podeis julgar expressar-se de forma inadequada, ou aborrecida, ou frustrante, ou irritante – o modo pelo meio do qual podereis ser bem sucedidos com ele, é simplesmente RECONHECENDO-O. Reconhece-o e valida-o.

Assemelha-se bastante ao que expressei noutras situações, em relação àqueles que passam pela expressão da depressão, ou que expressam ansiedade a ponto de se tornarem suicidas, ou um indivíduo que é vítima ou que perpetra alguma situação de violência. Em qualquer dessas situações, tentar entrar em desacordo com o indivíduo apenas lhe reforçará a situação.

TYLER: Certamente.

ELIAS: Por já se sentir confuso, e estar a deixar de se considerar, e estar a sentir-se à posto margem. Por isso, quando entrais em desacordo com ele isso apenas irá reforçar todas essas expressões que já está a criar. Quando uma pessoa expressa, “Não valho nada!” e vós respondeis, “Não, não é assim”, vós estais em desacordo com ela, e estais a invalidá-la.

TYLER: Hmm. Um enigma e tanto. (Ri)

ELIAS: Nessa medida, a direcção mais eficaz a ter não é necessariamente entrar em acordo, mas reconhecer muito simplesmente. Não é necessário que estejais em acordo com ela...

TYLER: Certamente.

ELIAS: ...podeis efectivamente estar em desacordo de uma forma genuína, mas não dar expressão a esse desacordo; no reconhecimento e na validação que fazeis do que ela expressa. Se a mulher clama em altos brados arrebatada por outro indivíduo, o que pode revelar-se mais eficaz do que dizer que esse indivíduo não se encontra presente, será talvez perguntar à mulher: “Onde foi a última vez que encontrou essa pessoa?”

TYLER: Certo.

ELIAS: Por isso atestar o facto de o indivíduo estar a expressar-se de uma maneira válida. Ela está a sentir falta de um outro indivíduo. Está à procura desse indivíduo. Sente-se posta à margem e confusa. E nessa medida, está a sentir-se só e procura estabelecer contacto com alguma expressão familiar que a conforte. Consequentemente, o seu reconhecimento – mas não pela via da expressão de que o outro indivíduo não se encontra presente...

TYLER: Certamente.

ELIAS: ...mas do reconhecimento do que ela está a fazer. Ela está a chamar. Muito bem: “onde foi a última vez em que se deparou com tal fulano?”... “Que pensa que essa pessoa está a fazer?”... “que forma crê que possamos utilizar para entrarmos em contacto com ela?” Não “POR si... consigo”. Nessa medida, independentemente do facto de pretenderdes entrar ou não em contacto com esse outro indivíduo – não é aí que reside a questão – a questão reside em abordar o indivíduo no momento, em meio ao que está a fazer, e testemunhar, presenciar isso, reconhecê-la, validá-la. Coisa que lhe irá modificar a energia, por ser o que ela pretende. No caso desta mulher, aquele com quem ela quer entrar em contacto pode de facto mudar e deixar de ser importante, se lhe for permitido ser testemunhado e contactada por parte de quem a abordar. Por que é aí que reside o desejo.

TYLER: E geralmente é no que reside o desejo, quando alguém se encontra nessa situação ou se sente deprimido, conforme dizes... é realmente o desejo mais profundo.

ELIAS: É!

TYLER: Certamente.

ELIAS: Nessa medida, o que ela está a expressar é uma tremenda desconsideração dela própria, por várias formas, por ter a percepção de estar a falhar na acção de estabelecer contacto, e não saber como o fazer. E consequentemente, sente-se isolada; sente-se destituída de alternativas; impotente.

Mas se forem presenciados – se estiverem a obter reconhecimento – estarão a ser reforçados quanto ao facto de estarem a ser testemunhados; não estarão sós; e talvez decorra encorajamento disso. E ele é-lhes expressado, por meio da energia, “Não , tu não estás a falhar por completo, por estares a estabelecer contacto comigo.”

TYLER: (Ligeiramente comovido) Deixa-me emocionado pensar em como mais gente deixa de fazer isso. Isso é mais ou menos ignorado ou rejeitado.

ELIAS: Eu estaria de acordo.

TYLER: (Dá uma risada)

ELIAS: É lamentável, mas conforme já tive ocasião de dizer, constitui um efeito colateral desta mudança, segundo os termos que empregais.

TYLER: Certamente.

ELIAS: E eu referi desde o começo…que iria resultar trauma.

TYLER: Certamente.

ELIAS: E nessa medida, eventualmente todos haveis de emergir (morrer). E haveis de tomar consciência.

Mas diria que para aqueles de vós que estão activamente em busca de informação e a empregá-la, e a tornar-se mais conscientes, e a expandir-se a si mesmos em meio a isso, é igualmente uma questão de reconhecerdes todos que estais interligados juntamente com esses indivíduos também. Por isso, o que fazeis propaga-se ao exterior e vai contribuir tanto para o trauma e a perpetuação dessa epidemia do trauma, digamos, como para a sua redução.

TYLER: Faz sentido. (Dá uma risada)

ELIAS: (Ri)

TYLER: Todos colhemos a parte que nos cabe. (Ri)

ELIAS: Colheis, sim.

...


O MATERIAL ELIAS