segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

ÉTICA - ASSOCIAÇÕES





SESSÃO #1088
"PRODUZINDO ASSOCIAÇÕES COM ABSOLUTOS"
"O CONCEITO DE OBJECTIVO"
"MORALIDADE E ÉTICA"
Quinta-feira, 23 de Maio de 2002 (Privada/Telefone)
Participantes: Mary (Michael) e Frank (Ulra)
Elias chega às 10:28 da manhã. (Tempo de chegada é de 23 segundos.)

ELIAS: Bom dia!

FRANK: Bom dia! É óptimo falar contigo de novo. (Elias ri, ao que se segue uma pausa) Está lá?

ELIAS: Sim!

FRANK: Penso que gostaria de começar por alguns sonhos que tive a noite passada.

ELIAS: Muito bem.

FRANK: Na realidade tive vários sonhos, mas ouve um ou dois em particular... posso ter sido um só sonho, não estou absolutamente certo. Nesse sonho, eu encontrava-me em casa dos meus pais com excepção do facto de não se tratar da sua casa actual; era uma casa muito mais agradável. Assemelhava-se a uma enorme mansão, e era bastante cara e era um local interessante para se estar. Estava a decorrer um tipo de festa qualquer. Houve coisas que sucederam mas não recordo o quê. Então, por altura do final desse sonho, ou talvez por altura do segundo, surgiu o meu cão, um cão que tive há uns dez anos atrás. Comecei a levar esse cão a passear, e cheguei junto de um restaurante. Quis entrar no restaurante, pelo que deixei o cão à porta, disse-lhe para permanecer onde estava, e entrei. O empregado comportou-se de um modo um tanto sarcástico para mim pelo que sai sem comer nada, e assim que sai descobri que o cão de algum modo tinha metido uma pata em algo. Consegui extrair-lhe a pata mas ela estava a sangrar. Não faço lá muita ideia do que este sonho queira dizer.

ELIAS: Não tens nenhuma impressão?

FRANK: Ora bem, não sei. A parte relativa à casa dos meus pais soa um tanto a riqueza inesperada, talvez. Para além disso, não. Mas é claro que não tive tanto tempo assim para reflectir no assunto.

ELIAS: Muito bem. Devo dizer-te que o imaginário que apresentaste a ti próprio relativamente à casa consiste numa simbologia que criaste em associação com a expansão, não necessariamente riqueza mas expansão, e essa expressão de expansão não simboliza necessariamente  expansão física – apesar de isso poder representar uma outra interpretação, num outro nível – mas antes a expansão de ti próprio respeitante à percepção e a facultares a ti próprio uma maior expressão de clareza.

Ora bem; a seguir passas para a imagem da criatura, a qual representa a simbologia que usas referente às expressões com que te achas familiarizado, e nessa medida, permites-te caminhar com a criatura para um local específico em que deixas a criatura de fora, com conhecimento de não poder entrar nesse estabelecimento. Essa simbologia diz respeito ao que poderás designar por velhos aspectos de intimidade que não mais têm cabimento na tua realidade.

Bom; ao saíres do estabelecimento e te deparares de novo com a criatura, notas que tem a pata presa e removes-lhe a pata verificando que está ferida. Isso é uma imagem que transmites a ti próprio respeitante a velhos aspectos de familiaridade e à cilada que apresentam nas expressões das novas percepções. Pois é bastante comum as pessoas e tu próprio continuares automaticamente a adoptar reacções automáticas associadas ao novo movimento, mas essas velhas expressões de familiaridade tornam-se ciladas por meio das quais apresentais a vós próprios conflito ou mesmo o que podereis interpretar como dor, por estardes a tentar produzir acções ou mesmo associações que são familiares mas que não encaixam mais por completo na realidade que estais actualmente a criar. Estás a compreender?

FRANK: Estou, e é muito interessante. Tudo isso faz sentido.

Gostava de te colocar a pergunta seguinte, a qual estive mais ou menos a debater contigo mentalmente nos últimos dias, que é o facto de ter andado bastante adoentado ultimamente por causa dumas alergias. Como sem dúvida recordarás, da primeira vez que alguma vez tivemos uma sessão deste tipo, falamos nisso, e por essa altura indicaste-me que a razão porque terei criado essa condição física era a de que em certos casos me tinha permitido afastar-me de situações em que eu não queria tomar parte e que noutras alturas eu empregara isso para obter carinho, conforme creio que sejam os termos em que deva colocar a coisa. Gostava de saber se conterá mais do que isso, e se poderias comentar isso mais em profundidade, por certamente se tratar de um aspecto da minha actual realidade que gostava de mudar.

ELIAS: Deixa que te diga, antes de mais, que as pessoas e tu próprio podem também produzir repetidos tipos de manifestações, só que a razão para fazerdes isso pode variar. Isso também engloba a expressão da não existência de absolutos, o facto de poderdes gerar uma manifestação particular numa altura e ela poder estar associada a uma expressão ou movimento particular, e numa outra altura poderdes gerar a mesma expressão física mas incorporardes diferentes razões.

Bom; vou-te dizer que em parte produzes essa manifestação física pelas razões que anteriormente foram enumeradas. Mas posso igualmente dizer-te que na energia que estás presentemente a produzir, estás igualmente a apresentar essa manifestação a ti próprio numa tentativa de abordares essa questão dos absolutos e do que possa ser possível e do que possa não ser possível. Nessa medida, lembra-te de que o pensar não é o que produz a vossa realidade nem é o que antecede as manifestações. Por isso, podeis incorporar pensar e prestar atenção ao pensar que produzis que isso não irá afectar o que tiverdes criado nesta manifestação.

Isso representa uma oportunidade para dares atenção às associações que estabeleces em relação a certas expressões como absolutos. Nas crenças que sustentais, a expressão da alergia constitui um absoluto, por perceberdes que é uma reacção que o vosso corpo está a produzir em relação a uma fonte externa. Manifestações existem exteriores a vós que acreditais que vos afectam. Conceptual e intelectualmente podeis dizer a vós próprios que reconheceis estar a criar isso, ou que estais a produzir essa manifestação, mas a crença continua a afectar por a crença referir que não estais a criar isso, e que estais a reagir a um elemento externo, pelo que é o elemento exterior que está a produzir a afectação e não vós.

FRANK: Nesse caso, o que estás a dizer é que no presente, a razão por que terei criado esta condição foi para me habilitar a uma oportunidade de verdadeiramente compreender ou acreditar que não existem absolutos e que de facto exerço controlo sobre todas as coisas.

ELIAS: Exacto, assim como para reconheceres as crenças que incorporas que te influenciam a percepção e que também produzem uma manifestação particular.

Agora; recorda que não estás a procurar eliminar as crenças mas apenas a reconhecer que as sustentas, e desse modo, pelo reconhecimento delas estendes a ti próprio a oportunidade e permites-te a liberdade para expressares a ti próprio: “Reconheço que incorporo esta crença particular na existência de elementos externos que me estão a criar a realidade por mim, e de que estou a ser vítima, e de não estar a criar este aspecto da minha realidade; e em reconhecimento de incorporar dessa crença, posso optar por estender a mim próprio a liberdade de não dar uma resposta a tal crença e por proporcionar a mim próprio a liberdade de fazer uso da responsabilidade para com as próprias escolhas e pela minha realidade”, o que dessa forma te permitirá que manipules a tua realidade.

FRANK: Mas isso consta de uma elaboração mental, um processo de pensamento, não é?

ELIAS: Tu procedes a uma elaboração mental associada a esse movimento, sem dúvida. Vós sempre incorporais o mecanismo do pensamento. Mas se voltares a tua atenção unicamente no sentido do pensamento e continuares apenas a pensar em relação à continuidade da manifestação sem te permitirdes interpretar a influência exercida pelas crenças que estiverem a ser expressadas, aquilo que crias é apenas permanência na manifestação e continuação da produção dos pensamentos respeitantes ao desconforto que sentes com tal manifestação e o desejo por que a manifestação pare.

FRANK: É quase como se eu estivesse a ceder energia à coisa, não?

ELIAS: NESSE sentido é, sim.

FRANK: Bom, isso faz sentido. Ora bem, avançando com a coisa...

Da última vez que conversamos, conversamos sobre coisas que estavam a acontecer no meu negócio e de como havia certas oportunidades para potencialmente provocar algumas alterações substanciais, e mencionamos o facto de  me encontrar como que numa pausa ou de ter provocado uma pausa nas coisas de forma a poder dar um passo atrás e descobrir aquilo que realmente queria. Creio que isso continua, pelo que penso que gostaria de obter algumas das ideias que queiras expressar ou impressões que tenhas ou talvez solicitar a tua ajuda em termos de tentar determinar aquilo que de facto quero, por sentir uma certa ambiguidade em relação a isso.

Por um lado, sinto-me feliz e creio que também devia acrescentar que me sinto confortável com a forma com a minha vida se desenrola actualmente, só que tenho este desejo, conforme estivemos a debater, de criar algo bem em grande ou possivelmente maior do que o que tenho actualmente. Por outro lado, percebo que se fizer isso, ou pelo menos acredito que se o fizer, a minha vida se torne completamente diferente em termos do local onde trabalho e da forma como trabalho e da produção que tenho e das interacções que venha a ter e tudo o mais. Em certa medida eu quase anseio por isso, mas por outro lado penso que talvez não me sinta tão feliz a fazer isso. Por isso, penso que talvez me pudesses dar alguma assistência a tentar resolver tudo isto.

ELIAS: Uma vez mais, meu amigo, vou-te dizer que podes notar a forma como também estás a criar associações em termos absolutos nesta situação, preto no branco ou em termos de uma ou outra coisa (paradoxais), pelo que geras uma certa hesitação e alguma confusão ao tentares identificar aquilo que queres. Tu sabes aquilo que queres, mas estás a associar que aquilo que queres deva ser expressado em termos de uma coisa ou de outra, e isso está errado.

O que te direi é para te permitires escolher aquilo que queres AGORA, e para não te preocupares com o que PODES querer futuramente; para simplesmente te permitires prestar atenção às comunicações que transmites agora e aos desejos que tens no momento e para te permitires criar isso.

Com um movimento desse tipo, meu amigo, tu provocas muito menos conflito, muito menos desafios, e facultas a ti próprio um à-vontade natural na criação do que pretendes e na permissão para fazeres uso da flexibilidade da mudança. Hás-de criar mudança seja de que modo for, por isso corresponder à natureza da realidade, que se acha em continua mudança; só que deverás produzir muito menos confusão e conflito ou tensão em associação com as mudanças se te permitires manter a tua atenção no momento e apenas te preocupares com o que estiveres a criar agora e com o que pretendes agora.

FRANK: Então, se bem te entendi, para poder conduzir isso um pouco mais adiante, o que realmente estás a querer dizer é que aquilo que concebo em relação à criação desta coisa que pretendo criar, que implica na mudança da minha vida por formas que não desejo é falho, e que não precisa ser dessa maneira. Pode acontecer do modo que eu quiser.

ELIAS: Exacto.

FRANK: Mas é isso que me deixa assustado.

ELIAS: Certo, mas além disso isso é gerado por intermédio da projecção no futuro e com base no interesse com o que esse futuro POSSA reservar, que (todavia) ainda não criaste, e isso consiste numa ilusão, não obstante.

FRANK: Certo, e eu presumo que isso vem ao encontro do que referiste no caso das alergias, no sentido da inexistência de absolutos. Eu concebo que por um lado, digo: “Bem sei que crio toda a minha realidade”,  mas por outro permaneço aqui  sentado a comentar: “Bom, se eu fizer assim,  aquilo e mais aquilo irá acontecer, mas eu não quero isso”, só que a coisa não é assim tão exacta.

ELIAS: Exacto. Isso é uma expressão da crença que manténs em relação à causa e ao efeito.

FRANK: Caramba, isto representa uma excelente lição sobre o modo como nos sentamos a dizer: “Bem, eu crio a minha própria realidade”, mas lá no fundo não acreditamos nisso a sério, ou pelo menos não de uma forma total.

ELIAS: Exacto, coisa que referi muitas vezes no âmbito deste fórum, que intelectualmente, ou de uma forma conceptual todos dizeis a vós próprios e uns aos outros que criais a vossa realidade, mas que isso consta de uma declaração ridícula ou de um conceito exagerado e que compreendeis e que aceitais isso de criardes a vossa realidade – só que não aceitais. Fazeis isso em parte, só que não inteiramente.

FRANK: Então, afortunadamente, pelo menos no meu caso, estou a progredir da posição em que me encontrava a ponto de acreditar por inteiro que a crio na totalidade.

ELIAS: Estás.

FRANK: Isso representa uma espécie de objectivo ou meta, acho eu; pelo menos trata-se de um desafio que estabeleceria para mim mesmo.

ELIAS: Pois, eu estou a compreender.

FRANK: Tu disseste-me isso antes, sabes, segundo creio, só que não o compreendi inteiramente o que querias dizer em relação a tudo isso, em relação ao que quero, e creio que agora o consigo compreender.

Permite que avance para um tópico relacionado com isso que nós também estivemos mais ou menos a debater anteriormente mas que eu pensei que talvez pudéssemos aprofundar um pouco mais. Em termos do parceiro que tenho nos negócios, em relação a quem estou completamente seguro daquilo que quer, mas em relação ao qual em certa medida me sinto receoso – não estou certo de “receoso” ser o termo adequado; “hesitante” talvez seja uma termos mais afortunado – em relação a colocar-lhe a perspectiva que tenho da meta para que esta coisa precisa apontar, por pensar que a visão que ele tenha possa diferir bastante e ser muito mais limitada. Posto isto, poderás fazer algum comentário? Poderás dizer-me se estou a ser preciso em relação à visão que ele tem? Creio que dirás que a visão que ele tenha não tem importância por eu o criar.

ELIAS: Estás completamente certo. Devo dizer-te que tens razão, nós debatemos esta questão anteriormente e vou reiterar-te o facto de realmente não importar, meu amigo, aquilo que o outro indivíduo estiver a escolher.

O que conta é o reconhecimento daquilo que TU estás a escolher, por isso, uma vez mais, posso-te garantir, que diz respeito à expressão genuína da criação da tua realidade por ti próprio. Nessa medida, conforme já tive muitas ocasiões em que vos disse, a vossa percepção,  A VOSSA PERCEPÃO INDIVIDUAL, produz cada aspecto da vossa realidade, e fá-lo de uma forma bastante literal, meu amigo; podeis envolver-vos numa parceria com um outro indivíduo qualquer, seja de que modo for, seja em que assunto for, que não importa de todo que estejais de acordo com as pretensões um do outro, por incorporardes a capacidade de criar as manifestações que quereis, e caso o outro estabeleça uma vontade diferente, ele manifestará isso na sua realidade em simultâneo com a criação do que vós quereis, ou caso não se permita reconhecer que consegue criar aquilo que quer independentemente do que escolheres, ele poderá apresentar conformidade com as tuas escolhas, assim com poderá optar por diferentes vias em associação com os desejos que tiveres. Mas não tem literalmente qualquer importância, meu amigo. O que tem significado é que concedas a ti próprio a liberdade para criares aquilo que queres sem te preocupares com as escolhas dos outros.

Mas lembra-te, o que quero dizer quando vos digo para não vos preocupardes com as escolhas do outro não quer dizer que não VOS INTERESSEIS com ele. Essas são expressões completamente diferentes. Ao vos preocupardes com as escolhas e desejos do outro, vós projectais a vossa atenção no exterior e DEIXAIS de prestar atenção a vós próprios, pelo que negais as opções que tiverdes e permitis que as opções que o outro elege vos ditem o curso que deveis tomar, e isso gera confusão e provoca conflito e limita-vos.

FRANK: Certo, e independentemente daquilo que escolher, não o vou magoar de forma nenhuma por ele próprio escolher a sua própria maneira...

ELIAS: Exacto.

FRANK: ...seja de que modo for que isso opere.

ELIAS: Exacto. A tua intenção não é a de provocares prejuízo. A intenção que tens é unicamente a de expressares responsabilidade por ti próprio e de te permitires criar aquilo que queres.

FRANK: Estabelecer as minhas próprias escolhas.

ELIAS: Exacto, o que não implica acção danosa nenhuma para com ninguém, e também não gera juízo crítico em relação ao outro, porque o outro reconhece essa energia de ausência de crítica em relação às suas escolhas, pelo que se permite uma maior liberdade para criar as opções que quiser.

FRANK: Estou ciente de que continuas a dizer-me estas coisas repetidas vezes, mas aos poucos isso lá vai entrando.

ELIAS: Eu estou a compreender, meu amigo. Permite que te diga, conforme o fiz recentemente, que na vossa realidade física as pessoas expressam duma forma consistente a observação ou comentário de que eu estou continuamente a repetir informação e que isso pode ser cansativo. Na realidade, vós TODOS, nesta dimensão física estais repetidamente a gerar movimento. Eu apenas dou expressão a uma informação junto de cada um de vós em resposta ao que estais a criar e às direcções que estais a estabelecer.

Esta dimensão física incorpora no seu plano a repetição. Esse é o modo pelo qual estendeis a vós próprios uma clareza objectiva em termos de compreensão; daí constituir uma expressão natural.

FRANK: Certamente que isso soa verdade na minha vida.

ELIAS: E uma verdade que não deve ser desvalorizada ou usada uma vez mais como uma outra via para expressar juízo crítico em associação a ti próprio e ao movimento que estabeleces.

FRANK: Compreendo aquilo que estás a dizer, e penso que também estamos... bom, pelo menos sei pelo meu caso pessoal tratar-se de impaciência mais do que qualquer outra coisa, em relação ao avanço...

ELIAS: É.

FRANK: ...ou falta de avanço.

ELIAS: Sim, mas isso também é provocado ao não prestares atenção ao momento. Tornas-te impaciente ou inquieto ao projectares a tua atenção no futuro.

Expressas que queres atingir um objectivo. Essa é uma das ciladas habituais. Trata-se de uma velha norma que não encaixará na vossa realidade por muito mais tempo.

FRANK: Referes-te ao conceito dos objectivos?

ELIAS: Sim, por se tratar de uma projecção no futuro.

FRANK: Porque sempre que me foco num objectivo, deixo de estar concentrado no momento.

ELIAS: Exacto, e o agora, o momento, produz resultados a cada instante.

FRANK: Então devia descartar esse conceito de objectivos?

ELIAS: Posso-te dizer neste exacto momento que, se eu dissesse que sim a essa pergunta, isso iria potencialmente provocar mais conflito. Porque nessa resposta que presentemente te dei, associada ao avanço que geras e à energia e às crenças que manténs, procurarias forçar-te no sentido de deixares de estabelecer metas, e com tal acção, concentrar-te-ias nessa expressão de deixar de gerar objectivos e de deixar de prestar atenção novamente ao momento. Por isso, devo dizer-te que presentemente isso não tem importância, e se continuares a deslocar a tua atenção para o momento, isso deverá tornar-se numa acção  natural que irá interromper o estabelecimento de objectivos, por assim dizer.

FRANK: Isso faz sentido.

A terceira coisa significativa em relação à qual te queria interrogar  hoje... Permite que te exponha a forma como o encaro agora após este diálogo, de modo que talvez possas confirmar se tenho razão. Aquilo sobre que te ia interrogar era algo que estivemos a debater na última conversa que tivemos que tem que ver com o outro negócio em que me encontro envolvido. Creio que te expliquei que pelo menos no que a maioria encara como termos objectivos, eu cumpri mais ou menos com a minha parte e agora tudo depende deste outro indivíduo. Da última vez que conversamos indicaste-me que de facto controlo tudo, pelo que não tem que ver com ele, mas comigo,  mesmo apesar de objectivamente parecer que seja com ele.

Uma vez mais, presumo que isto se assemelhe à questão da alergia em que me sento aqui a dizer que estou no comando disto e que o crio, quando lá no fundo não acredito realmente nisso nem actuo em conformidade. Assim, provavelmente aquilo que preciso fazer é seguir o mesmo concelho que me deste com respeito ao trato a dar às alergias.

ELIAS: Exacto, por estares a continuar a gerar associações em termos absolutos e a projectar a tua atenção fora de ti com a expectativa de que alguma expressão externa te crie um aspecto qualquer ou parte da tua realidade.

FRANK: Nesse caso, aquilo que preciso fazer é aceitar essa crença e proporcionar a mim próprio a liberdade para criar aquilo que realmente pretendo criar.

ELIAS: Exacto.

FRANK: Bom, já aprendi algo, hoje. Vamos a ver, não é? (Elias ri)

Bom, da última vez que conversamos, penso que também te terei dado conta de um sonho que tive. Não estou certo do que e tenha desencadeado, mas de qualquer modo uma das coisas que me disseste foi que isso me facultava informação relativa a um potencial conflito que iria ter com um outro indivíduo e que eu tinha tido a oportunidade de, quer responder à letra à energia desse indivíduo ou de me foca em mim próprio e de deixar de lhe responder nos mesmos moldes. Gostava de saber se isso terá ocorrido há umas semanas atrás no campo de basebol na altura em que uma outra equipe estava mais ou menos a invadir a nossa área. Eu disse simpaticamente ao outro tipo para se afastar e caímos num confronto verbal. Terá sido a isso que te referiste quando mencionaste que iria ter a oportunidade de por isso em prática em breve?

ELIAS: Era. (Ri)

FRANK: Ena! (Ambos riem) Bem, eu respondi ao confronto nos moldes duma resposta à letra!

ELIAS: Estou ciente disso! (Dá uma risada)

FRANK: Mas presumindo que novas oportunidades ocorrerão (Elias dá uma risada), uma outra abordagem – não vou dizer que seja melhor porque não tem importância – mas uma outra abordagem teria representado o quê? Chego junto dele e converso com ele sobre o que percebi como uma transgressão da parte dele onde não devia tê-la cometido, e ele torna-se bastante hostil em relação a isso... Não estou bem certo. De que outro modo poderia eu ter reagido que fosse diferente? Poderia simplesmente ter dito: “Obrigado”, e voltado costas? Não estou bem certo disso.

ELIAS: Ora bem; presta atenção á situação que acabaste de referir. Onde téns a tua atenção?

FRANK: No tipo.

ELIAS: Exacto; e que é que estás a criar?

FRANK: Hostilidade... agressividade... raiva... Não sei.

ELIAS: Estás a julgá-lo. Estás a preocupar-te com o outro indivíduo...

FRANK: Certo. Pensei que ele é um idiota.

ELIAS:... a tua atenção está a ser projectada no sentido da expressão do outro...

FRANK: Por o ter criticado. Foi assim que projectei a minha atenção.

ELIAS: ...e estás a gerar juízo crítico em relação à escolha que ele estebeleceu.

Ora bem; que é que estás a DEIXAR de criar?

FRANK: Bom, eu não estava a criar o que queria criar, isso é bem verdade.

ELIAS: Mas a razão porque não estás a criar aquilo que queres deve-se ao facto de não estares a prestar atenção a TI, por te encontrares demasiado ocupado a concentrar a tua atenção no indivíduo. Consequentemente,  estarás a habilitar-te a uma escolha? Não estás.

O que provocas com tal juízo crítico é a expectativa por parte do outro no sentido de provocar acções específicas, e desse modo projectares a responsabilidade pela criação do que queres no outro.

FRANK: Vamos voltar a repetir esta coisa. Eu chego junto dessa pessoa e digo-lhe: “Olha, não devias fazer o que estás aqui a fazer”, e ele passa a reagir de uma maneira hostil. A alternativa que me resta é focar-me em mim e dizer: “O que pretendo é que ele pare com isto.”

ELIAS: Não.

FRANK: Ajuda-me lá com isto. (Elias ri) Não sei onde isto me vai conduzir.

ELIAS: Não é: “O que quero é que o indivíduo deixe de cometer essa acção,” nem deixar de expressares a ti próprio o que queres com respeito ao outro indivíduo, ponto final. Que é que TU queres? Não o que pretendes da parte de um outro indivíduo, que é que queres criar? Que é que pretendes produzir? Remove o outro indiví...

FRANK: Eu quero o campo livre. Não me interessa quem mais isso possa envolver.

ELIAS: Muito bem! Mas assim que reconheceres aquilo que queres, poderás proporcionar a ti próprio permissão para criares isso e para o escolheres. Mas tu não o produzes nem o crias, por não estares a prestar atenção ao que queres, pelo que não proporcionas a ti próprio a escolha para criares isso. Aquilo que expressas em vez disso é voltar a tua atenção para o indivíduo, e provocares a expectativa de que ele seja responsável pela criação da tua realidade e do que pretendes. Mas não estás a expressar aquilo que queres; estás a dar expressão àquilo que não queres.

FRANK: Quando criei tudo aquilo.

ELIAS: Exacto.

FRANK: Ah, isso serve de grande ajuda. (Elias ri) Já se o vou recordar da próxima vez ou não, é uma outra questão!

ELIAS: (Ri) Permite-te recordar-te do teu cão e das ciladas.

FRANK: Vou passar para uma coisa bem mais ligeira.

Comecei recentemente a jogar basebol, o que constitui uma espécie de coisa singular para um tipo da minha idade. Não estou bem certo da razão para ter criado tal coisa, para além de fazer parte do meu movimento generalizado de afastamento dos absolutos e deste conceito de que não podemos estar demasiado envelhecidos para praticar este tipo de coisas.

ELIAS: Sim, mas também para facultares a ti próprio uma outra expressão de diversão.

FRANK: Estou a divertir-me bastante!

ELIAS: (Ri) Bom; recorda-te da situação de há pouco do responder á letra na incorporação da interacção que tiveste nessa situação, por produzes o potencial actualmente de proporcionares a ti próprio oportunidades para praticares. Ah ah ah!

FRANK: Nesse caso, está alguma coisa para suceder, não?

ELIAS: Ah ah! Eu não estou a fazer predições, meu amigo! Estou unicamente a estender-te uma informação respeitante à energia que estás a produzir e ao desejo que manifestas no sentido de gerares clareza objectiva em associação com essa questão e a experimentação do quão da tua realidade tu realmente crias. Por isso, estás a produzir um potencial para estenderes a ti próprio oportunidades para praticares (ambos riem) coisa que, meu amigo, te posso garantir como o faço habitualmente, é bastante divertido! Ah ah ah!

FRANK: To adoras ser reservado, não?

ELIAS: Ah ah! Eu apenas adoro dar expressão à diversão contigo, por tu interagires de um modo brincalhão e isso ser bem acolhido! (Ri)

FRANK: Bom, vamos lá ver, vou tentar de verdade descobrir essa! (Elias ri) Mas para ser um pouco sério, estarás tu a falar de uma situação semelhante ao que acabamos de falar, eu terá mais que ver com o modo como participo no jogo e o modo como procuro melhorar ou algo do género?

ELIAS: A ambas.

FRANK: Está bem. (Elias ri) Bom, vamos ver o que acontece.

ELIAS: Tem presente apenas o “responder à letra”. (Ri)

FRANK: Vou tentar recordar isso na sexta-feira. Tenho um jogo na sexta-feira. Talvez ocorra algo por lá.

ELIAS: Muito bem, meu amigo.

FRANK: Mais oportunidades para praticar, não é?

ELIAS: Justamente, mas não me vais convidar a juntar-me a ti na tua brincadeira para eu estar presente durante o teu jogo?

FRANK: Ah, bom, estendo-te o convite pata estares presente. Seria magnífico! Vou pensar em ti! (Elias ri) Podes preconizar alguns remates por mim!

A propósito, enquanto estamos a debater este tema, quando conversamos sobre as alergias, tu mencionaste que em certa medida é ainda o que me tinhas falado há uns anos atrás. Fará isso parte do que me aconteceu na noite passada, de eu estar a tentar afastar-me da situação, e fará parte da razão porque me menti como senti?

ELIAS: Faz.

FRANK: Nesse caso, eu não tinha vontade de cometer um lance ontem, teria tido?

ELIAS: Não.

FRANK: Por recear que não me saísse bem.

ELIAS: (Ri) Muito bem, meu amigo! (Ri)

FRANK: Por não ter suficiente confiança em mim, não será?

ELIAS: Essa confiança por vezes sofre oscilações.

FRANK: Bom, esta é uma experiência completamente nova... não uma experiência “nova” para mim, mas trata-se de uma experiência que não tinha faz uns trinta anos.

ELIAS: Eu estou a compreender, mas ao te permitires reconhecer os momentos em que passas pela experiência dessa dúvida na tua capacidade, poderás igualmente reconhecer o facto de estares a gerar comparações. As comparações provocam desconsideração de ti próprio.

Isso, meu amigo, também consiste numa oportunidade para veres que nem todas essas expressões são geradas no pensamento, porque a acção de expressar comparação não é necessariamente identificada na tradução do pensamento. Mas ao voltares a atenção para o que estiveres efectivamente a expressar e para as associações que estiveres a estabelecer, permitir-te-ás traduzir essas acções por meio do pensamento. (1) Nisso reside o significado do prestar atenção ao que estás a fazer, ao que estiveres a gerar interiormente, e ao que estiveres a comunicar.

FRANK: Bom, essa creio ter percebido. Penso que também o terei entendido ontem.

ELIAS: Sim.

FRANK: Então, pelo menos estou a perceber incorrectamente. (Elias ri) E tenho a certeza de que tu estás certo em relação àquilo das comparações. Não me comparo realmente com os outros. Só me estou a comparar com o padrão que criei.

ELIAS: Exacto.

FRANK: Mas eu não devia preocupar-me com isso.

ELIAS: Permite-te apenas a liberdade para te expressares e às tuas capacidades.

FRANK: Bom, vou ter isso presente na sexta-feira, enquanto estiveres a observar.

ELIAS: Muito bem! (Ambos riem)

FRANK: Só dispomos de um bocadinho de tempo. A Lizella partiu o pé há duas semanas - três semanas atrás - e a impressão que tenho é a de que é semelhante àquilo de que estivemos a falar no passado quanto ao facto de ter que ver com a pressão que cria sobre ela própria.

ELIAS: Exacto.

FRANK: A razão porque sinto ser isso, o facto dela ter partido o pé, deve-se ao facto de exercer demasiada pressão nele, pelo que representa um tipo  de manifestação directa da realidade subjectiva.

ELIAS: Exacto, mas é bastante óbvia e fácil de interpretar. (Ri)

FRANK: Ah, e eu que estava para aqui cheio de orgulho! (Ambos riem) E agora dizes-me que afinal não sou tão esperto assim!

ELIAS: Muito bem, meu amigo. (Bem humorado) Parabéns! Estendeste a ti próprio uma impressão difícil! (Dá uma risada)

FRANK: Eu sei que era fácil! (Ambos riem)

Uma outra coisa que queria perguntar-te, é uma espécie de última coisa, e isto na verdade é capaz de exigir um pouco de conversa, pelo que talvez me possas dar uma perspectiva rápida da coisa. Uma das coisas que eu quis saber durante muito tempo acha-se em sintonia com essa coisa do “não importa”, de ninguém ser uma vítima, e de nada acontecer que o próprio não crie por si mesmo.

Como sabes, no geral, a maioria das pessoas na nossa sociedade acredita em certos conceitos morais, pelo que ensinamos aos nossos filhos, por exemplo, a não mentir, a não enganar, a não causar mágoa aos outros e que a violência física não é boa. No entanto, se adoptarmos este conceito da falta de importância, nesse caso não se tornará irrelevante falar nessas coisas ou tentar inculcar tais conceitos nas crianças ou nos outros? De que modo encaixará tudo isso?

ELIAS: De modo bastante literal, meu amigo, não tem genuinamente importância.

Porque conforme podes reconhecer, a vossa realidade é gerada por meio da percepção que tendes, e cada indivíduo incorpora a sua própria percepção. Nessa medida, se concentrardes a vossa atenção em vós e não vos preocupardes com as expressões dos outros, deixareis de conceder energia para a perpetuação de expressões por que não sentis preferência.

Em grande parte, na vossa realidade física, as pessoas no geral escolhem expressões em associação com tais preferências. Podeis expressar no seio do vosso agregado familiar aquilo que associais em termos de directrizes comportamentais para os filhos e os vossos companheiros. Mas se vos permitirdes avaliar genuinamente esta informação e estes conceitos, também vos podereis permitir reconhecer aquilo que se  pretende dizer por inexistência de absolutos.

Vós dais expressão a certas directrizes morais, o que percebeis representar a honestidade, a veracidade, a conduta correcta, comportamento adequado, ética, mas outro indivíduo poderá perceber as expressões que tu encaras em termos correctos ou válidos como inconsequentes. Podeis expressar a crença de não deverdes empregar a acção de roubar, e podeis definir aquilo que associais em termos de roubo; um outro indivíduo poderá definir isso de modo completamente diferente. Podeis referir que o comportamento apropriado represente uma expressão honesta e a definição que dais à honestidade pode ser definida em termos específicos, e outro indivíduo percebe-la de um modo completamente diferente.

Ao dardes expressão à rigidez moral e a regras de conduta, estais também a reforçar a crença nos absolutos. Podeis expressar preferências e opiniões na vossa realidade, mas reconhece igualmente que elas são relativas a ti e à percepção que tens, e cria uma aceitação pela qual não procedas a julgamentos respeitantes às espantosas diferenças associadas às percepções e às escolhas dos outros.

Isto ainda não resulta tão familiar quanto isso, por continuares a lidar com o conceito de produzirdes cada aspecto da vossa realidade – e mesmo os outros indivíduos – por meio da percepção individual que tendes, e que de facto criais cada aspecto da vossa realidade e que o escolheis. Estes ainda não são conceitos que sejam completamente aceites e como tal ainda não são produzidos como a vossa realidade. VIRÃO a ser, mas neste instante ainda não são. Mas tu também podes proporcionar a ti próprio, conceptualmente, o reconhecimento da forma como o conflito é gerado em meio à falta de aceitação e através duma contínua associação com absolutos, do facto de existir um correcto absoluto e um errado absoluto, e de que um indivíduo não cria todos os aspectos da sua realidade, coisa que justificais com os factores absolutos de “certo e errado”.

FRANK: Então, o que estás realmente aqui a dizer é que, uma vez mais, se realmente aceitarmos essa ideia de que criamos tudo, nenhuma importância terá a moralidade ou as acções ou modos de vida que os outros adoptem.

ELIAS: Exacto.

FRANK: Bom, essa para mim, pelo menos, é difícil, e creio que também para um monte de gente.

ELIAS: Tens razão.

FRANK: Por estarmos tão habituados a esta outra versão.

Uma última coisa que queria colocar-te tem que ver com a confirmação de algo. No outro dia – não vou entrar aqui em detalhes – mas vi-me envolvido numa situação com a Lizella em que ela ficou furiosa comigo por algo que eu fiz. No princípio fiquei furioso com ela por estar zangada comigo. Por outras palavras, eu não estava a aceitar a vontade dela na questão. Mas aí pensei mais ou menos naquilo e disse: “Bom, devia simplesmente aceitar que isso passa”, e assim fiz. Assim, será isso um exemplo do que estás aqui a referir? Terá sido isso que aconteceu, antes de mais?

ELIAS: Foi.

FRANK: Pareceu que tão logo decidi passar a aceitar o facto de ser escolha dela sentir-se furiosa comigo a coisa toda se desvaneceu. Deixou de estar zangada comigo. Foi bastante interessante.

ELIAS: (Ri) E uma dádiva a ti próprio de um exemplo e comprovação de uma mudança na tua energia e na tua percepção produzindo desse modo uma realidade completamente diferente.

FRANK: Foi, espantoso. Também ocorreu de modo bastante instantâneo.

ELIAS: Por ser instaurado no instante, meu amigo.

FRANK: Foi uma excelente experiência de aprendizagem. (Elias dá uma risada) Bom, obrigado.

ELIAS: Não tens o que agradecer.

FRANK: Como sempre, foi um prazer e serviu de enorme serventia. Fico a ansiar pelo dia de amanhã.

ELIAS: Muito bem, também eu fico!

FRANK: Está bem!

ELIAS: (Ri) Estendo-te como sempre, meu amigo, o meu tremendo afecto e apoio. Até amanhã, au revoir.

FRANK: Adeus.

Elias parte às 11:37 da manhã.

(1) Originalmente expressado: “Mas ao moveres a tua atenção para o que estás efectivamente a expressar e as associações que estás a gerar, permite-te interpretar essas acções por via do pensamento.”

©2004 Mary Ennis, direitos Reservados

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