quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

ESCOLHA - EGOÍSMO - ABNEGAÇÃO



SESSÃO #3092
“Escolha com Base no Que é Importante”
“A Atitude de Defesa Constitui uma Expressão Seriamente Destrutiva”
“Egoísmo e Abnegação”
Domingo, 18 de Dezembro de 2011 (Sessão Aberta 2/Em pessoa)
Tradução: Amadeu Duarte


Participantes: Mary (Michael), Lynda (Ruther)


Elias: Bom dia!

Pergunta: Que bom que é ver-te! (Elias sorri) Continuando com o novo formato elegido por um monte de pessoas que pretendem colocar perguntas ao Elias, na base duma certa regularidade, temos duas perguntas, e percebo que talvez só possamos utilizar uma delas, mas começaria pela primeira e depois... Está bem?

“Caro Elias, eu encontro-me num casamento infeliz com um homem que é controlador e crítico em relação à minha pessoa e às crenças que abraço. Nós temos uma vida excelente em termos financeiros, uma casa e um filho maravilhoso. Eu sinto demasiado medo de a perder ou de a viver de uma forma que implique ser honesta para comigo própria. Deverei enfrentar os temores que tenho, alterar a postura que adopto e partir... ou focar-me no que de bom possuo e apreciar as coisas de que disponho para criar uma vida repleta de amor?”

Elias: Em primeiro lugar, não se trata de uma pergunta que assente nos estereótipos do sim ou do não. Não se trata de uma pergunta que assente em termos tipo: “Dever permanecer ou dever partir” Trata-se duma questão de importância - do que é importante para o indivíduo. Relativamente à importância, também é uma questão do que o próprio indivíduo está a projectar, e nesse sentido, do que ele está a reflectir e da sua realidade, porque, conforme já tive ocasião de referir muitas vezes, o que reflectis ou o que percebeis na vossa realidade é um reflexo da energia que estais a projectar.

Agora, uma vez mais, vou reiterar que os reflexos não são espelhos pelo que, não deveis interpretar erroneamente o facto de um outro indivíduo se mostrar agressivo ou desagradável, mau, ou violento para vós; isso não quer dizer necessariamente que estejais a expressar uma energia correspondente a essas expressões exactas; todavia, estareis a projectar uma energia que reflectirá esse tipo de energia. Por isso, quando estiverdes a reflectir esses tipos de energia de desconsideração e de agressão, de desvalorização e mesmo de violência, estais a projectar uma energia ANTES desses reflexos chegarem a tornar-se reflexos que vêm ao vosso encontro, energia essa que já está a concorrer para a vossa própria desconsideração, e dependendo do grau em que o indivíduo se esteja a desconsiderar, ela irá determinar o grau  de intensidade que o reflexo deverá assumir. Portanto, se uma pessoa se mostrar consideravelmente na defensiva, sem reconhecer o elemento de mérito que lhe cabe, e se negar a ela própria relativamente ao sentido da sua pessoa, à sua própria importância, é provável que isso venha a reflectir-se por actos que outras pessoas assumam como de desconsideração para com ela, de falta de valor, de desvalorização das suas opiniões, e a encarem como estúpida, indigna, coisa que pode influenciar igualmente os comportamentos, caso em que o reflexo não se ficará pela mera desconsideração verbal, mas se traduzirá por uma desconsideração que se reflecte nos comportamentos que outros demonstrem, também.

Bom, conforme disse, isso é produzido por meio de vários graus dependendo do grau de intensidade ou de severidade da desconsideração ou de desvalorização que o indivíduo já esteja a gerar em relação a si mesmo. É também uma questão do factor importância referido, por se tratar de uma questão de avaliardes de uma forma genuína o que é importante para vós enquanto indivíduos.

Agora, nesta situação, foi declarada a existência de manifestações e posses de ordem física que são consideradas como valiosas pelo indivíduo. Nessa medida, conforme declarei, não se trata de uma questão disto ou daquilo, mas do que é importante e da importância que tais factores importantes assumem, por isso determinar a vontade de vos moverdes em determinadas direcções. O tipo de orientação num ou noutro sentido constitui realmente a escolha mais fácil, a qual na realidade é a mais comum no caso de muitos indivíduos, por o indivíduo já ter investido parte de si próprio no relacionamento, na casa, nas posses, no tempo, mas  é uma questão de avaliardes o quão importante será tal investimento, e se será tão importante quanto isso ou se será essencialmente importante. Porque, caso o seja, isso determinará um curso de acção, digamos, que irá remediar a situação. Caso não seja, determinará um curso diferente de acção.


Se o investimento for valorizado e for suficientemente importante para o indivíduo  escolher não alterar essa direcção e dar continuidade a tal investimento – de tempo, de energia, relacionamentos, posses – aí deverá ser uma questão do indivíduo dar atenção a si próprio em meio à situação. Antes de mais, reconhecer que o comportamento e as expressões do companheiro constituem um reflexo do que o indivíduo já está a expressar em relação a si próprio - a existência de um problema relacionado com o valor, um problema relacionado com o mérito, um problema relacionado com a defesa.


A defesa constitui uma expressão seriamente destrutiva, porque quando dais expressão a uma atitude  de defesa estais seriamente a desconsiderar-vos, e a acrescentar ao facto de vos estardes a desconsiderar, estais a projectar escudos destinados à vossa própria protecção. A dificuldade ou problema que os escudos apresentam relativamente à defesa reside no facto de energia de defesa ser forte, e convidar uma resposta. Portanto, os escudos não se prestam à função a que os destinais. Eles não vos escudam em relação a outras energias nem aos outros indivíduos. Escudam-vos em relação à percepção que tendes de vós próprios. Consequentemente, de certo modo, esses escudos que ergueis para vossa protecção produzem um escudo em vós no qual ficais cegos para com as próprias acções que assumis e a vossa própria energia, o que também vos encoraja a prestar mais atenção ao outro, e vos encoraja a prestar mais atenção ao reflexo e a reagir à reflexo. Por não estardes a prestar atenção ao que estais a projectar, pelo que o elemento de escolha relativamente ao reflexo é quase nulo, o que disponibiliza unicamente a reacção. Mas quanto mais reagirdes a um reflexo, mais o reforçareis, e projectareis uma energia que essencialmente o convida, o que por sua vez reforça a defesa, por a defesa convidar a resposta; buscar uma resposta.


Nessa medida, optar por se afastar de imediato poderia ser considerado mais fácil, por poderdes sacrificar posses, mas não torna necessário que deis atenção aos vossos próprios problemas. Eventualmente far-se-á quase necessário – não direi absolutamente, porque alguns continuam ao longo das suas vidas sem dar atenção aos próprios problemas, e continuam a criar as mesmas dificuldades, os mesmos conflitos, uma e outra vez. E de cada vez aumentam de intensidade, porque se deixardes de receber a mensagem, haveis de produzir um sinal mais audível. Por isso, de cada vez que envolverdes o mesmo problema ele torna-se mais forte, e o reflexo robustece-se. Mas temporariamente, o afastamento de uma situação evita que se dê atenção a ela no imediato.


Agora; posso garantir que, se perceber os factores de importância, o indivíduo poderá gerar um cenário completamente diferente e uma interacção com o companheiro baseada na forma como se dirige aos próprios problemas que estiver a projectar. Mas deixa que também refira aqui, que a dificuldade nestas situações é a de que, geralmente, a acção tenha sido empregue por um tempo demasiado longo, e durante esse tempo e as interacções que os companheiros tenham produzido um para com o outro, eles ter-se-ão não só acostumado ao hábito comportamental de determinada medida e ao tratamento de um para o outro de determinada forma, mas geralmente, esse hábito repetido de interacção provoca alterações em cada um relativamente ao modo como percebe o outro, e em geral, move-se na direcção de não gostar um do outro.


Portanto, mesmo que o indivíduo comece a dar atenção a si próprio e a concentrar-se genuinamente na própria expressão que assume e na sua própria energia, e mude a interacção pela qual o reflexo passe a resultar de um modo bastante diferente e não esteja a ser desconsiderado e esteja a reflectir mais o próprio valor, o próprio mérito, a própria dignidade, e o outro não esteja a expressar comportamento crítico ou de desconsideração ou de desprezo, o indivíduo começará a reconhecer que o que o terá atraído inicialmente para o outro não mais se mostra válido e por isso não mais constitui uma atracção, e como tal, pode não produzir necessariamente um complemento ou não se revelar compatível com o relacionamento mútuo.


Agora a diferença patente em tal reconhecimento – e tiverdes dado atenção aos vossos próprios problemas e à vossa própria projecção de energia – é a de que nesse processo o indivíduo terá consistentemente vindo a capacitar-se, e portanto, quando o indivíduo se aproxima desse ponto em que começa a reconhecer que não é a favor inteiramente desse indivíduo e que não sente interesse por ele: “Este indivíduo não representa qualquer desafio para mim nem me estimula, pelo que não sinto nenhum interesse por aí além em prolongar ou desenvolver o relacionamento que tenho com ele.” Por essa altura, a opção de interromper o relacionamento ou não torna-se completamente diferente, por não se tratar de uma questão de afastamento. Porque agora o indivíduo ter-se-á capacitado e terá começado a deixar de reagir, e a escolher em relação às imagens que apresenta a si próprio. Por isso, gera-se uma situação bastante diferente que não mais engloba sacrifício.

O afastamento envolve o sacrifício do investimento. Sacrificais agora tudo o que tiverdes investido por agora vos afastardes. Quando vos capacitais e procedeis a uma escolha em vez de reagirdes, deixa de ser uma questão de sacrifício. É uma questão de criação de opções que se perfilham pelo que seja mais benéfico, pelo que proporcione um maior conforto, e pelas que preferirdes mais, o que inclui os vossos investimentos – o tempo a energia que investistes e o que seja importante para vós. Tanto podem ser opções físicas como não. Podem ser exibidas por manifestações que possuais, assim como podem ser plasmar-se no que fazeis e no vosso tempo, no que componha as expressões do que seja importante para vós. Mas esses investimentos não são sacrificados por serem inseridos na capacitação que fazeis de vós próprios.


Agora, também diria que em geral, a importância de alguns desses investimentos mudará. Quanto mais um indivíduo se capacitar ou se tornar autónomo, mais algumas das expressões ou manifestações que antes eram importantes, por diversas razões, se poderão tornar menos importantes em relação à vossa própria expressão e à delegação de poder que atribuís a vós próprios. Por isso, em resposta a esse tipo de questão, sem interagir directa e pessoalmente com o indivíduo em questão e conversar com ele e sem lhe dispensar uma informação que seja relevante para esse indivíduo específico, e assim, sem lhe apontar passos e orientações específicas que esse indivíduo pudesse ou quisesse envolver, eu diria que a resposta a essa pergunta é uma questão de dois factores: de avaliar a fórmula, a projecção, o reflexo, e escolher – ou reagir; e do que é importante.


Para alguns torna-se importante fortalecer-se e dar atenção aos próprios problemas e incorporar tempo e energia para tal fim. Para outros, não. E ao deixar de ser importante, eles optam por uma via bastante diferente, que geralmente consiste na evasão, coisa que podeis fazer, mas em relação ao que eu diria que a declaração inerente à escolha da evasão, caso opteis por deixar de dar atenção, podeis em última análise garantir a vós próprios que continuareis a apresentar a vós próprios esse mesmo problema, e que ele continuará a ocorrer, e ireis continuar a sentir-vos incomodados, e isso irá agravar-se. As pessoas facultam a si próprias umas tréguas temporárias, em que podem apresentar a si próprias a escolha de evitar a questão, afastar-se, e de deixar de a abordar, e podem igualmente produzir um alívio temporário. Mas deverá ser temporário. E haveis de começar a defrontar-vos com outros indivíduos que reflectirão o mesmo, se não mais, do que já estáveis a reflectir.


LYNDA: Eu estava a acenar a cabeça ao escutar isso; ámen, irmão!


ELIAS: (Ri)


LYNDA: É. Óptimo. Obrigado, caro senhor.


ELIAS: Não tens o que agradecer.


LYNDA: Posso colocar a pergunta seguinte?


ELIAS: Podes.


LYNDA: Transmitam à Mary e ao Elias um obrigado por esta oportunidade. Trata-se de uma oportunidade, sem dúvida. Quero perguntar por que razão, sempre que sinto ser capaz de realizar coisas, eu sinto não dever faze-lo, por outras pessoas na sociedade permanecerem em situações de pobreza, et cetera? Não posso assegurar que sinta medo de desejar coisas por ser egoísta quando outros são incapazes de fazer o mesmo, nem se talvez este sentimento não passará de uma desculpa que me permite deixar de fazer as coisas que digo querer fazer, ou se talvez por ter medo de me desapontar, ou talvez por não acreditar de verdade que seja capaz de obter êxito, ou talvez por temer a responsabilidade. Merecerei apreciar as coisas boas da vida? As pessoas tentarão destruir-me e à felicidade que sinto? Todas essas coisas me sobrevêm à mente. Interesso-me por saber em que consta tal sentimento e de que modo poderá ser transformado num sentimento melhor. Sinto que tenho medo de desejar coisas. Adoro a minha vida; contudo, começo a preocupar-me com o modo como a falta de apoio financeiro que sinto me virá a afectar o futuro.


ELIAS: Isso não é uma pergunta.


LYNDA: Eu sei. Já o percebi.


ELIAS: A título de resposta generalizada, eu diria que sim, sim, sim, sim, sim; tudo isso são factores que te impedem de te permitires dar expressão ao que mereces, e como tal, ao que queres – todas essas expressões externas. Mas em relação a essa pergunta, sugeriria antes de mais que o indivíduo se permita um tempo para avaliar genuinamente e tentar sinceramente olhar para trás e recordar fases em que era mais nova e em que era bastante provável que o indivíduo desenvolvesse uma forte associação em relação ao que é ser egoísta e ao que não é.


Isso são crenças religiosas bastante arraigadas que não se acham associadas a nenhuma religião em particular – não estou a referir-me à religião, mas a crenças religiosas. E nessa medida, a mais vigorosa das crenças religiosas consiste em ser abnegado e em sempre vos colocares em segundo plano. Por que se fordes bons e honrados e altruístas, sempre considerareis os outros em primeiro lugar. Sempre vos considerareis a vós próprios em segundo plano.


Permiti que momentaneamente talvez proponha uma definição de egoísmo. Egoísmo não é aquilo que pensais que seja. Vós incorporais uma definição de egoísmo bastante distorcida – se estiverdes sempre a querer para vós próprios, estareis a ser egoístas. Na realidade, o egoísmo é uma acção que as pessoas expressam com base no medo, por o indivíduo ter tanto medo duma expressão externa qualquer ou de se envolver com um outro indivíduo qualquer que gera um muro ao seu redor de tal modo forte e agarra-se de tal modo à sua própria energia que se consome com a negação. Isso é uma acção egoísta.


Agora, quando refiro negação, e que uma pessoa que se expressa de forma egoísta se consome com a negação dela própria, ela também nega o semelhante. Por isso, o indivíduo expressa-se de uma maneira que parecerá ser completamente insensível e indiferente para com um indivíduo qualquer, em relação ao que quer que outro indivíduo expresse, não importa, por ser destituído de importância. E isso pode ser mesmo expressado em relação a esta informação que eu faculto, pelo que as pessoas podem usar esta informação para camuflarem tal negação, para não se envolverem. Isso é uma criação que vos diz respeito. Isso é opção que depende de vós.


Nessa medida, ele camufla essa expressão de negação dos outros, mas nesse ínterim, não presta atenção a si próprio sequer. As pessoas que parecem egoístas ou egocêntricas, assumem tais expressões com base no medo, e uma expressão genuinamente egoísta é de tal modo intensamente assente no medo que o indivíduo não consegue nem mesmo conceder a si próprio. Não é capaz de atribuir a si próprio mais do que se consegue permitir atribuir ao exterior.


Isso difere bastante da preocupação pessoal com as expressões externas ou da concessão da vez aos outros. Essa é uma expressão bastante diferente de ser egoísta. Quando colocais os outros em primeiro lugar, desconsiderai-los e desconsiderais a vós próprios. E voltais-vos em direcções que são incapacitantes e não propiciam cultivo. Lembrai-vos de que a definição de cultivo é a de “encorajamento do crescimento”. Quando colocais os outros em primeiro lugar, não estais a cultivar, não os estais a encorajar a crescer. Podeis PENSAR estar, mas não estais, porque quando os colocais em primeiro lugar, essencialmente aquilo que buscais é aprovação, o que - uma vez mais, relativamente á fórmula - implica que já estais projectar uma energia de desconsideração pessoal, e de desvalorização pessoal, e de procura de aprovação fora de vós ao colocardes os outros em primeiro lugar.


Além disso, ao vos negardes, isso vai reforçar uma energia e dar continuidade a um tipo de energia que encoraja as próprias expressões exteriores que vos motivam a preocupação. Portanto, conforme foi expressado nesta questão, não reconheceis o vosso próprio merecimento, por verdes tanta falta ou carência fora de vós, na situação dos outros. Mas lembrai-vos que tudo aquilo que fazeis se acha interligado, e o que fizerdes propaga-se por ondulações e vai provocar afectação. Por isso, se vos estiverdes a capacitar e a fortalecer, se estiverdes a prestar atenção àquilo que quereis, se vos permitirdes fazer isso, projectareis uma energia que encorajará todos os outros a fazer o mesmo. Quando vos negais, e percebeis que não mereceis ou que não sois dignos, projectais uma energia que irá encorajar essa mesma expressão.


Permiti que vos apresente uma ideia generalizada. As pessoas olham para fora de si em relação ao seu mundo e expressam que gostariam de pôr termo à fome que grassa no mundo. Mas nas expressões que adoptam, nas suas vidas individuais e nos comportamentos que adoptam nas actividades diárias, negam alimento a si próprias. Cumprem um regime alimentar.


Ora bem, sejamos claros. Não estou a dizer que o indivíduo que emprega tal acção de praticar um regime alimentar esteja a contribuir para a expressão da fome mundial. O que estou a referir é um exemplo generalizado daquilo que o indivíduo expressa e de como isso se propaga através da consciência e vai reforçar aquilo que não gostais ou encorajar aquilo que não desejais, ou a forma como isso se propaga ao exterior como um exemplo de capacitação.


A atitude de regime em negação de si próprio, sem estabelecer um equilíbrio, e encarando a própria comida quase como um inimigo, um inimigo em relação à consciência do corpo, representa uma expressão de contribuição que se propaga à carência de alimentos, o que encoraja a expressão de massa da fome. As pessoas que geram expressões excessivas baseadas nos seus próprios problemas, através das quais morrem de fome em relação a questões que se prendem com a aparência, contribuem para as expressões de massas da privação de nutrição. A energia está essencialmente a ser expressada pela declaração: “Eu concordo com a privação de alimento”. Quando o indivíduo reconhece o seu mérito próprio e se permite, à luz deste exemplo hipotético, apreciar a comida e com tal apreciação e prazer instaura um equilíbrio, e projecta uma energia de capacitação, essa energia move-se num sentido diferente, que não encoraja a privação.


Estes são exemplos bastante generalizados, mas muitos indivíduos, quando se depreciam e usam as fontes externas com justificativa para se desconsiderarem ou para se negarem a eles próprios, também são bastante generalizados:


“Eu não devia desejar um lar, por haver tantos sem-abrigo.”


“Não devia desejar um veículo para me deslocar, por haver tanta gente no meu mundo que não consegue prover tal coisa e se vê na contingência de ter que andar a pé.”


“Não devia desejar roupa que me agrade, por haver gente que não dispões de qualquer vestuário.”


“Não devia ser indulgente comigo próprio/a até me ter exaurido por ter produzido toda a minha energia e projectado essa energia fora e colocado todo o indivíduo primeiro, e quando tiver realizado isso, então poderei conceder a mim próprio/a.”


Eu dir-vos-ia que podeis despender 500 vidas a tentar satisfazer esse objectivo sem jamais o conseguirdes, por não criardes a realidade dos outros, nem conhecerdes a razão que lhes assista na criação da sua realidade conforme o fazem. Aquilo que vos é dado conhecer é a vossa realidade, e aquilo que podeis controlar é a vossa realidade, e aquilo com base em que escolheis é a vossa realidade. Por isso, como havereis de proceder a escolhas em relação à vossa realidade? Escolhereis empregar e projectar uma energia que promova o fortalecimento e a capacitação e o valor e o mérito através da vossa expressão disso, ou optareis por uma realidade que promova a negação, a desconsideração e a privação?


Nessa medida, é genuinamente uma questão do indivíduo e do que fizer e do que projectar e do que é importante para si. Nesse sentido diria igualmente que os factores aqui apontados por este indivíduo são bastante comuns. Muitíssimos são os indivíduos que geram percepções semelhantes. Também são influenciados fortemente por associações, mas lembrai-vos que, no período compreendido entre o nascimento e a adolescência – não antes da adolescência, mas AO LONGO da adolescência – o período em que ainda não desenvolvestes apegos. Durante esse período essas associações revelam-se bem fortes e causam uma enorme influência. E podem apresentar-se por modos que podem parecer bons, mas que na realidade apresentam uma ameaça, e essa é a razão porque gerais essas associações, tais como a do garoto que é encorajado a ser caridoso. Isso poderá parecer excelente. O pequeno poderá, em parte, julgar tal coisa como boa – pensar nos outros em primeiro lugar. Dar aos outros. Ser abnegado. Colocar-se em segundo lugar. Mas isso também envolve uma ameaça contida, porque esse indivíduo nessa fase destituída de apegos reconhece de algum modo o valor do seu eu genuíno, e caso seja instruído ou encorajado a considerar a si próprio em segundo plano ou em último lugar, isso será percebido pelo eu genuíno como uma ameaça. Precisa haver algum elemento errado com o eu genuíno se ele for colocado em último plano.


Por isso, não será bom expressar os vossos próprios desejos. Não será bom expressar o vosso eu genuíno. Isso deverá ser negado. E em resultado disso tal associação ganha vigor. É egoísta considerar-vos a vós em primeiro lugar. É egoísmo dardes expressão ao que quereis ou ao que é importante para vós. Será melhor considerar o que os outros querem. Mas quanto mais vos negardes, mais negareis tudo o que se situa fora de vós também, independentemente do quanto derdes em termos físicos. Podeis estar continuamente a dar em termos físicos, mas se vos negardes a vós próprios em meio a tal dádiva, a dádiva não constituirá uma dádiva, mas um simples reforço da negação, e uma busca de aprovação.


Por isso, a sugestão que daria ao indivíduo em questão bem como a qualquer outro que expresse o mesmo é, antes de mais, considerar de forma genuína e avaliar quais as experiências que tenha empregado na sua própria vida que tenham criado associações que o influenciem actualmente em relação a colocar-se em segundo plano e a negar-se – por não ser tão digno quanto os outros; por possuir abrigo, alimentação e vestuário, não é tão meritório quanto os que não dispõem disso.


Considerai as associações. Permiti-vos avaliar de uma forma genuína: “De que forma me terá influenciado esta associação ao longo da minha vida das mais variadas formas, mesmo aquelas que parecerão, na aparência, boas? Porque, por um certo tempo elas poderão parecer influências benéficas. A acrescentar a isso, lembrai-vos de praticar e de reforçar quanto do merecimento inato vos cabe, apenas pelo facto de existirdes. Nascestes, pelo que mereceis. E fundamentalmente, vós, enquanto indivíduos, sois – e deveis ser – a coisa mais importante a considerar em primeiro lugar.


LYNDA: Obrigado.


ELIAS: Não tens o que agradecer.


LYNDA: Fico a antecipar a próxima.

ELIAS: Também eu. Estou de acordo. Por isso, vou expressar o meu tremendo afecto e o meu encorajamento a todos quantos participam, e expressar uma enorme ternura. Para ti e todos eles, au revoir.


©2011 Mary Ennis, Direitos Reservados



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