sábado, 22 de outubro de 2011

OS FUNDAMENTOS DA MORAL




SESSÃO #463
“violação, assassínio e os fundamentos morais”
Quinta-feira, 2 de Setembro de 1999 © (Privada/Telefone)
Participantes:  Mary (Michael) e Joe (Holden)
Tradução: Amadeu Duarte

Elias chega às 10:35 da manhã. (Tempo de chegada é de 17 segundos)

ELIAS:  Bom dia!

JOE:  Bom dia!

ELIAS:  Cá nos encontramos novamente!

JOE:  Sim, senhor! (Elias ri) Nesta sessão, se o desejares, gostava basicamente de dissecar um evento e avaliar o resultado relativo às crenças que influenciam ou são afectadas por esse evento. Basicamente, no que é... eu queria fazer um esboço disso, mas não consegui. De qualquer maneira, penso que possas acompanhar, se fizeres o favor.

Passou no programa “60 Minutos” outro dia à noite uma peça, e enquanto assistia a essa peça, eu pensava que servia como um excelente exemplo em relação ao qual te poderia interrogar, e para dissecar e considerar, por comportar dois opostos – refiro-me mesmo a contrários – na avaliação do desempenho dos indivíduos envolvidos. Estarias disposto a rever isso comigo?

ELIAS:  Muito bem.

JOE:  Está bem. Eis então o teor. Em Berkeley, na California, dois estudantes encontravam-se no final da adolescência e tinham saído à cidade numa determinada noite. Foram ao casino, e um deles apanhou uma garota de dezassete anos. Levou-a para a casa de banho e o outro acompanhou-o. Brincaram um pouco, e a seguir o primeiro levou a garota para um estábulo, e o outro foi para outro estábulo e ficou a olhar de cima e basicamente disse para eles terem cuidado com o que estavam a fazer, por não ter gostado daquilo que vira, e voltou costas. E a seguir, passados uns vinte minutos ou isso, o outro tipo saiu, de acordo com as câmaras de segurança. De qualquer modo, ele violou e estrangulou a pequena.

Bom, o outro tipo que observou a cena jamais contou o que vira a quem quer que fosse, e até ao dia de hoje defende a posição dele. E por aquilo que tenho vindo a estudar nas transcrições e no material do Seth e tudo o mais, sobre a inexistência de vítimas e tudo isso, consigo compreender mais ou menos aquilo que ele cometeu, mas a opinião pública é completamente contrária. Os estudantes de Berkeley ficaram de tal modo indignados com eles que não conseguem compreender que alguma crença possa estar na base disso.

Agora, aquele foi um crime horrível, ainda que basicamente não exista bem nem mal, parece-me que isso constitua um excelente exemplo a dissecar de modo a compreender melhor as crenças e o modo como operam e como afectam as pessoas. O tipo que manteve segredo foi basicamente ostracizado, mas também alegou achar que a justiça se faria por o tipo que magoou a pequena ter sido detido e provavelmente ir passar o resto da sua vida na prisão. Poderias comentar o caso, por mim, se fazes favor?

ELIAS:  E em que sentido gostarias de começar a explorar a questão?

JOE:  Ora bem, basicamente, aquilo que gostaria de aqui fazer – devia ter apresentado o meu esboço, mas não apresentei – é dar uma olhada sobre as crenças que as massas defendem no modo como neste caso influenciam, assim como os sistemas de crença da pessoa que não proferiu palavra e consentiu que tudo aquilo ocorresse em silêncio.

ELIAS:  Permite que te diga que nesta situação, assim como em qualquer situação similar a esta está em jogo uma formidável expressão de influência por parte das crenças das massas.

Agora; neste caso, os indivíduos que tomaram parte neste evento, também alinham pelas crenças das massas.

Vós colectivamente na vossa sociedade convencionastes uma realidade que é oficialmente aceite, e nessa medida, são projectados sentidos na energia que originam crenças de massas com que vós, em grande parte, vos identificais e por que alinhais colectivamente, e numa situação destas como a que apresentaste, até mesmo aqueles que tomam parte nesse evento alinham pelos sistemas de crenças convencionados na vossa realidade.

O indivíduo que identificas na qualidade de autor do crime, nos vossos termos físicos, identifica-se com as crenças das massas e integra essas crenças das massas. O comportamento demonstrado pode não alinhar pelos sistemas de crença das massas, mas ele também reconhece que segundo os ditames dos próprios sistemas de crença e sob a expressão do sistema de crenças da duplicidade, ele identifica a acção cometida como errada.

Não subsiste a menor dúvida, na avaliação que faz das próprias acções cometidas, de que ele origina um tipo de comportamento que passa a identificar como errado.

Agora; tem em mente que eu não estou a referir que isso seja certo ou errado. Estou a dizer aquilo que todos VÓS acreditais no contexto das vossas crenças das massas, e que esse indivíduo se identifica pelo mesmo sistema de crenças, também.

O indivíduo que testemunhou parte do evento também alinha pelas crenças das massas.

Ora bem; o que acontece nesta situação particular é que ambos os indivíduos escolhem sair da expressão dos ditames do sistema de crenças das massas e criar a alternativa de tomarem parte num evento que em parte não alinha pelo sistema de crenças, porque, conforme declarei anteriormente, existem muitíssimos tipos de expressões que podem ser criadas na vossa realidade física que ALINHAM pelos sistemas de crença, apesar de não identificardes objectivamente o facto de poderem alinhar.

Eu já firmei previamente que existem determinadas expressões que podem ser incluídas nos sistemas colectivos de crença e no alinhamento das crenças a que se reportam, e que outros podem não adoptar esse tipo de conduta, mas nem por isso deixam de se mover dentro do círculo das crenças das massas na sua expressão, e como tal também eles contribuem para a perpetuação do sistema de crenças das massas.

Bom; nesta situação particular, num certo sentido, ambos os indivíduos escolheram sair de um aspecto particular do sistema de crença das massas, relativo à forma de orientar o comportamento de uma forma aceitável. Esse é um elemento do sistema de crença fora do qual se passaram a mover, mas num outro aspecto do sistema de crença da duplicidade, ambos eles tomam parte neste comportamento pela perpetuação da expressão dessa duplicidade.

Por isso, também traz à atenção das massas, por assim dizer, o conceito de comportamentos aceitáveis e não aceitáveis e o aspecto da duplicidade que está em jogo, digamos assim, numa expressão desse tipo.

Deixa igualmente que te recorde que apesar de vos referir que no âmbito da consciência e da realidade das expressões da essência e da consciência não existir bom nem mau, nem certo, nem errado – e que tudo o que criais constitui unicamente uma escolha relativa à experiência – isso não rejeita o facto de na vossa realidade física, o sistema de crença da duplicidade ter sido incorporado. Ele é excepcionalmente vigoroso e CONSTITUI a vossa realidade. Por isso, independentemente do facto de na consciência não existir certo nem errado, na expressão da vossa realidade física, EXISTE certo e errado, bom e mau, e são bem reais.

Eu estendo-vos toda a informação disto como uma crença, de modo que possais reconhecer as influências e a afectação que as vossas crenças vos causam no foco físico e que, para além da vossa realidade física, esses elementos a que vos agarrais como absolutos não têm necessariamente relevância e NÃO constituem absolutos.

Isso permite-vos a oportunidade de inquirirdes, de vos voltardes para vós, e de avaliardes as crenças que mantendes e a forma como vos ditam a conduta a assumir, e desse modo proporciona-vos uma oportunidade de expandirdes a consciência que tendes, de abordardes essas crenças e de adoptardes uma expressão de aceitação.

Mas voltando à situação apresentada, as crenças que as massas alimentam comportam uma realidade em termos de certo e de errado, de bom e de mau, e de comportamentos aceitáveis e inaceitáveis, nas vossas sociedades. Também se faz patente um forte aspecto da crença que se reporta à causa e efeito. Se optardes por adoptar certos comportamentos, devereis antecipar certas consequências que devem acompanhar esses comportamentos.

Por isso, permitis-vos ver muitos aspectos distintos dessas crenças.

Ora bem; esses tipos de expressão foram criados ao longo de toda a vossa história. Não se trata duma criação recente, digamos assim. A diferença é mantida no enquadramento temporal.

No enquadramento temporal que agora referes, vós estais a passar pela acção desta mudança da consciência, a qual vos atrai a atenção para os sistemas de crença e as expressões dessas crenças e os movimentos individuais que empreendeis no âmbito da aceitação dessas crenças.

Consequentemente, apesar desse tipo de eventos, acções, formas de comportamento, terem sido criadas muitíssimas vezes ao longo da vossa história, vós ofereceis agora a vós próprios a oportunidade de as considerar de um modo diferente e de alterardes a percepção que tendes desses tipos de criação, reconhecendo que na criação que fazeis de formas de juízo quanto a qualquer dessas expressões ou comportamentos, também estais a ceder energia à perpetuação das próprias expressões e comportamentos que percebeis como ofensivos e inaceitáveis.

Esse tipo de situação particular proporciona um quadro bastante claro, em termos objectivos, dessa acção de que falo, porque se considerardes a expressão dos sistemas de crença das massas e do colectivo, e não apenas o indivíduo, vereis que os indivíduos tendem a perceber nas expressões das massas, digamos assim, uma despersonalização.

O que estou a dizer com isto é que podem olhar para esse tipo de expressão de comportamento, que na estimativa que fazem dele não percebem a participação que têm, por perceberem não estar directamente envolvidos, digamos assim, na criação actual da acção e do comportamento. Por isso, dissociam-se, distanciam-se, e vêm esses tipos de expressões como um elemento em que não tomam parte.

Mas eu afirmo-te que TODOS vós participais em todos os eventos que são criados na vossa realidade física, e a vossa expressão e as vossas respostas influenciam.

Nessa medida, o indivíduo que optou por não incorporar o acto efectivo ou assumir efectivamente aquele comportamento, e ficou apenas a observar, foi um participante chave na situação, por representar as massas que não participam necessariamente em determinados actos, por na crença das massas ser ditado que na vossa realidade certos actos e formas de conduta são errados e inaceitáveis e desse modo perceberem que não participam, e se JUSTIFICAREM e às acções e comportamentos que cometem que adoptarem como não necessariamente bons, mas nem por isso errados.

(Com firmeza) Também se identificam a eles próprios – todos vos identificais a vós próprios – como NÃO autores da acção ou do emprego do sistema de crença, a NÃO envolvidos, NEM contribuírem com energia para esses tipos de expressão, por estarem a criar o que DESIGNAIS por escolha consciente no sentido de se distanciar da participação física. Essa é também uma forte expressão do aspecto do sistema de crença da duplicidade que vos ilude e vos proporciona a todos uma camuflagem completa e impecável em relação a vós próprios no sentido de vos levar a crer que a vossa expressão seja boa e de que não estais a ceder energia a tais tipos de conduta, e que vos faculta uma justificação para as expressões que vos levam a condenar as opções que os outros empregam no sentido desse tipo de comportamento, por não tomardes TODOS parte nesse tipo de comportamento!

Mas eu digo-te que sim, vós TOMAIS PARTE e CEDEIS energia do mesmo modo da testemunha de tal situação, porque na medida em que escolheis esse tipo de expressões e escolheis voltar-vos no sentido do julgamento – o qual reside na permissão que DAIS a tais tipos de expressão, apesar de perceberdes o contrário – estais apenas a ceder energia à perpetuação do sistema de crença, o qual cede energia às expressões objectivas das formas de conduta que se movem em conjunto com esses sistemas de crença.

Mais simplesmente, o que te estou a dizer é que o indivíduo que praticou o acto que identificais como um acto condenável oferece-te um exemplo do indivíduo que em parte, no comportamento que assume, se afasta dos ditames do sistema de crença das massas, em resultado do que pratica o acto efectivo.

A vítima fornece-vos o exemplo de como não acreditais que criais a vossa realidade individualmente, e que os outros ou as circunstâncias podem suplantar a capacidade que tendes de criar a vossa realidade, e da existência de certas alturas situações e circunstâncias em que vos permitis direccionar a vossa realidade, ao passo que noutras situações e circunstâncias, não dirigis a vossa realidade.

Por isso, ela dá azo ao exemplo da perpetuação desse mesmo aspecto do sistema de crença da existência de vítimas na vossa realidade, o que vos reforça em todos quantos encarais esse tipo de acto o facto de que cada um apresenta áreas de vulnerabilidade que avaliais como negativas e que cada um de vós tem o potencial de se tornar vítima, e de que todos vós não criais toda a vossa realidade. Esse é um sistema de crença bastante forte!

O indivíduo na qualidade de observador constitui o exemplo de todos quantos efectivamente não participam na conduta ou no acto efectivo descrito na situação, mas que julgam o comportamento e a acção e as alternativas, e portanto delegam energia na vossa realidade física à continuidade do sistema de crença e à sua actualização através de tais formas de conduta. Estás a compreender?

JOE:  Não compreendo na totalidade, e não tenho a pretensão de o fazer; estou a tentar. O que fiz quando estava a assistir à peça foi... procurar aumentar a consciência que tinha e a esforçar-me por não criar juízos morais, tentar compreender o alinhamento que isso tem com os sistemas de crença, assistir ao desenrolar do acto no ecrã de televisão diante de mim, sentir que esta situação particular constitui um excelente exemplo.

A compreensão que obtive do acontecimento, conforme foi encenado pelos intervenientes... Eu tentava compreender a interacção dos sistemas de crença, mas também o que era efectivamente actual e não simplesmente uma peça nem o alinhamento por crenças. Eu observei a coisa, e senti compreender a existência dum compromisso entre a vítima e o indivíduo que cometeu o crime. Também pude sentir que aquele que não se pronunciou... de facto ele não estava a dizer coisa nenhuma. Ele não concedeu energia, mas não prestou auxílio, segundo as crenças que abrigo, acto esse que eu abomino. Mas eu tentava compreender isso à medida que isso se desenrolava de facto e não necessariamente por meio qualquer pensamento baseado no sistema de crença.

Assim, com o facto de ter que ter havido um “consentimento” entre o predador e a vítima, e consciente de um alinhamento com sistemas de crença específicos inerente à questão... Não tenho bem a certeza de compreender o aspecto da duplicidade, mas ciente de que o bem e o mal nestas situações particulares não tem efectivamente existência eu quase me senti embaraçado com a percepção dum fundamento para a condenação moral do tipo que não fez nada.

Poderias comentar isso, a forma como considero a coisa diferentemente do modo que as autoridades apresentaram ou que os outros estudantes de Berkeley usaram na consideração daquilo? Eu tentei olhar a coisa ao ver aquilo efectivamente a desenrolar-se, como uma peça relativa a probabilidades.

ELIAS:  Mas tu próprio expressaste, por tuas próprias palavras que empregaste nos termos da vossa linguagem, que abominas tal comportamento que o indivíduo teve de não interceder e de simplesmente se ter afastado.

JOE:  É verdade. Basicamente, não consegui evitar isso. Também senti que isso representava um acto de falência moral, permanecer ali e permitir que a pequena fosse morta. Contudo também estava a tentar, por isso mesmo, ver se conseguia ultrapassar o alinhamento que tenho com esse sistema de crença.

ELIAS:  Exacto, e a confusão que sentes estende-se às tuas elaborações mentais ao te deparares com as respostas e as reacções das massas dos indivíduos em alinhamento contigo próprio na expressão que assumes, de abominares o comportamento desse indivíduo por não ter intercedido, e nessa medida, o que expressam é uma resposta a uma acção espelhada.

Agora; nisso, não estou a dizer que qualquer outro indivíduo pudesse ter optado por dar o mesmo tipo de resposta objectiva. Muito poderiam ter optado por interceder. Mas não tem importância, porque aquilo que os indivíduos vêm nesse tipo de situação é uma acção espelhada, um reconhecimento subjectivo de também estarem a participar noutras áreas do seu foco por um qualquer tipo de atitude pela qual criam o mesmo tipo de expressão – na qual poderão não estar de acordo com os actos doutro indivíduo mas não expressam objecção – e isso, nas vossas crenças, é fortemente mantido como errado.

Pode não ser expressado pelo comportamento extremo duma acção violenta que identifiqueis em termos desse cenário particular, mas todos VÓS em diferentes situações ao longo do vosso foco participais em actos nos quais podeis não estar de acordo com outro indivíduo que alinhe pelas crenças das massas, mas optais duma forma objectiva por não interceder ou escolheis não interagir, e dá-se um reconhecimento subjectivo nessa escolha do modo como cedeis energia à perpetuação da expressão do sistema de crença das massas.

Por isso, apesar de as pessoas não reconhecerem duma forma objectiva aquilo a que estão a responder, apenas identificam certos comportamentos como certos e certos e outros comportamentos como errados, e portanto reagem do seguinte modo: “Este é um comportamento errado. O indivíduo devia ter criado uma opção diferente que fosse aceitável, e o indivíduo optou por não se expressar desta maneira. Por isso, os outros indivíduos são justificados no juízo que formulam.” Essa é a avaliação objectiva que tem lugar numa situação dessas.

Diante de tal tipo de situações, a motivação subjectiva nessas expressões traduz-se pelo reconhecimento da acção reflectida, que TODOS vós participais nesse tipo de acção nos vossos focos. Apenas os identificais de modo diferente objectivamente. Mas subjectivamente, em essência, reconheceis que o grau ou a medida duma expressão objectiva não tem importância. A expressão do sistema de crença representa a mesma coisa.

Independentemente de identificardes objectivamente a expressão como significativa ou insignificante, em essência, essas expressões são idênticas. (Pausa)

JOE:  Diante de tal perspectiva, de que forma deixaríamos de ceder energia à acção ou ao sistema de crença que mais ou menos motivou essa acção ? Por uma percepção totalmente destituída de juízo moral?

ELIAS:  Uma expressão de não cedência de energia numa situação dessas antes de mais deve ir no sentido de empregardes o vosso sentido empático e o vosso sentido de conceptualização no reconhecimento da escolha que os outros fazem e do propósito, digamos assim, inerente à escolha que fazem, porque muitas vezes o que percebeis como eventos devastadores ou eventos muito maus na vossa realidade podem ser bastante benéficos para muitos, e na realidade podem constituir uma dádiva da parte dos participantes em benefício objectivo dos outros.

Nessa medida, explico-te que uma ausência de cedência de energia assentaria no reconhecimento do que estiver a ser objectivamente expressado e na criação de escolha no vosso íntimo – sem condenação, conforme declaraste – a fim de interagirdes ou não interagirdes dependendo da direcção pelo reconhecimento do propósito que tendes no vosso foco, mas de capital importância é o elemento da ausência de julgamento.

Quando te dou conta disto, não te estou a dizer que a expressão “correcta” ou a expressão da essência seja no sentido de interceder, mas também não te estou a dizer que a expressão acertada ou a expressão da essência – as quais não são sinónimos – seja a expressão de não envolvimento da vossa parte. Não te estou a indicar nenhuma expressão. Isso diz respeito à escolha individual e essa escolha é influenciada pelo vosso desejo, pelo vosso propósito e pelo reconhecimento que fazeis da situação à medida que ela ocorre, e a direcção que o julgamento que emitis toma na resposta individual que lhe dais.

Agora, aquilo que EU estou a dizer é que pela aceitação dos sistemas de crença, deixa de ocorrer condenação moral, e com uma expressão destituída de julgamento não estareis a conceder energia á perpetuação do sistema de crença, e ao deixardes de ceder energia à perpetuação do sistema de crença, também contribuís, através da consciência colectiva, para a diminuição da própria expressão dos comportamentos que julgais inaceitáveis.

As pessoas voltam-se para esse tipo de expressão pela razão de ser concedida muita energia a esses sistemas de crença. A expressão da objectivação desses tipos de comportamento poderá ser bastante reduzida na vossa realidade objectiva se não houver tanta intensificação de energia projectada no reforço desses tipos de comportamento. Quanto mais reforçardes esses comportamentos, mais eles tenderão a ocorrer. (Pausa)

JOE:  Então, na realidade essa peça foi realmente apresentada ou desempenhada pelos actores – a vítima, o que cometeu o crime e o indivíduo que não deteve o acto – no contexto de um consenso. Seja qual for a razão que eles tenham tido, eles optaram por dar continuidade a essas opções e pô-las em acção na realidade objectiva. Ao observarmos tais opções sem as julgarmos, sem alinharmos pelos sistemas de crença que obviamente terão afectado todo esse evento, eu não concedo energia, e compete-me em absoluto a mim ceder energia ou não, e se deixar de julgar essas acções, não estou de forma nenhuma a assegurar ou de modo nenhum a ajudar a que ocorram de novo, por depender da escolha individual. Correcto... incorrecto?

ELIAS:  Correcto, caso estejas a atingir uma actualização da aceitação e na realidade não estejas a criar julgamento moral algum em relação a tal situação.

JOE:  Realmente é um exercício constatar o quão fortemente os sistemas de crença afectam os pensamentos, as acções e as impressões que temos.

ELIAS:  Justamente, mas eu tenho vindo a dizer isso a todos faz bastante tempo. Não me estou a expressar em termos figurados nessa área mas bastante literais, quando afirmo que os vossos sistemas de crença são extremamente intensos. Eles são mantidos duma forma veemente, e o movimento que empreendeis no sentido da aceitação desses sistemas de crença que mantendes torna-se bastante difícil. Tenho vindo a afirmar desde o começo destas reuniões e destas sessões junto de todos vós que haveis de vir a passar por trauma em conjugação com esta mudança da consciência, e não vos estou a dar conta dum trauma no sentido figurado!

A dificuldade que tendes em passardes para essa área estranha da aceitação dos sistemas de crença e todos os aspectos que os sistemas de crença comportam ESTÁ a causar trauma nas pessoas, porque essas crenças comportam uma energia espantosa e operam de forma automática nas respostas que dais e nas reacções e percepções que tendes. Por isso, ao vislumbrardes a tremenda força desses sistemas de crença, também podeis apresentar duma forma realista a vós próprios a enorme dificuldade e confusão que é experimentada no movimento rumo à aceitação.

A mera identificação do termo aceitação gera uma enorme confusão nas pessoas, por vos moverdes automaticamente no âmbito do sistema de crença da duplicidade, ao perspectivardes a vossa realidade em termos de isto ou aquilo, branco e negro, certo e errado. A aceitação não tem cabimento no terreno desses contrários. Consequentemente, vós no foco físico voltaríeis a vossa atenção para a área – e FAZEI-LO efectivamente – do conceito da eliminação dos sistemas de crença ou da alteração muito mais fácil desses sistemas de crença. Esse tipo de expressão é-vos muito mais aceitável e compreensível objectivamente do que o conceito da aceitação.

Essa é a razão porque ESTAIS a experimentar uma grande confusão e muitos indivíduos ESTÃO a experimentar situações de trauma no âmbito desta mudança na consciência, por vos estardes a voltar para uma actualização, uma nova expressão da realidade na vossa dimensão física que é completamente estranha e que se volta para a expressão de um conceito de que objectivamente nem fazeis uma identificação ou tendes compreensão.

Essa é a razão porque disponibilizais a vós próprios informação em variadas direcções, e facultais a vós próprios a informação que eu também vos estendo. Todas as vias de informação são-vos apresentadas nesta altura em resposta ao clamor colectivo por auxílio, digamos assim, que se gerou na consciência neste massivo empreendimento que estais a gerar no âmbito desta mudança de consciência.

Estais a avançar no sentido da criação de um evento de massas global, o qual consta da inserção na expressão física de um evento da fonte que já foi criado na consciência. Esta é uma empresa agravada que traduz a acção duma energia formidável, em razão do que também é gerada uma espantosa resposta a este movimento da energia.

Agora, devo dizer-te que estes indivíduos não criaram essa situação particular com o propósito do benefício das massas conjugado com esta mudança da consciência, digamos assim, nas suas criações individuais. Eles criaram a participação que tiveram nesse acto pelas próprias razões, só que no âmbito do movimento da energia colectiva inerente a esta mudança na consciência vós adoptais agora uma expressão de avaliação desses tipos de criação em conjugação com esta mudança que a consciência sofre.

Consequentemente, a perspectiva desses tipos de expressões torna-se agora na expressão da vossa responsabilidade quanto ao modo como ireis acolher a informação em tais expressões, pelas demonstrações desses tipos de conduta e – no âmbito da responsabilidade relativa à criação da vossa realidade – e o modo como haveis de dirigir a vossa atenção em conjugação com os vossos sistemas de crença individuais e a aceitação que conseguis deles.

JOE:  Elias, penso que estás absolutamente correcto. Só mais uma coisa: se eu tivesse visto isso... e mesmo agora, na consciência que demonstro, isso parece um tanto estranho, mas estou a começar a aceitá-lo. Se eu tivesse simplesmente constatado... Estás aí?

ELIAS:  Estou.

JOE:  Muito bem. Se eu tivesse constatado isso como uma interacção entre três indivíduos baseada nas suas próprias razões e num compromisso entre eles relativo à sua experiência, estaria mais próximo do entendimento da actualidade de tal evento, como nas lições ou agregado às lições que estão a ser aprendidas no âmbito desta mudança de consciência?

ELIAS:  Na aceitação pela percepção deste comportamento, sim, de certo modo, porque implícita à expressão da aceitação, vós também incorporais uma maior compreensão dos movimentos da consciência e das escolhas da essência, reconhecendo que na racionalidade das vossas elaborações mentais podeis proporcionar a vós próprios a percepção de que tudo o que criais nas expressões físicas e nas dimensões físicas – ou no âmbito da totalidade da consciência – constitui uma experiência e que isso constitui um elemento inerente à exploração, ao ser; que existe, fora da vossa dimensão física, fora do âmbito dos vossos sistemas de crença e percepções, um reconhecimento da inexistência de julgamentos respeitantes a QUALQUER escolha relativa SEJA a que criação for em toda a consciência.

Ora bem; vou-te dizer, uma vez mais, que existem situações em que as pessoas colectivamente podem escolher actualizar certas expressões a fim de captarem a atenção das massas na vossa dimensão física assim como atrair a atenção para expressões que são perpetuadas por certos sistemas de crença, mas na “perspectiva real” da consciência, até mesmo essas expressões não passam de simples formas de exploração da experiência.

JOE:  Como exemplo disso não se prestará um desenvolvimento de entre os principais no campo da religião, como o Buda ou o Jesus, ou Brama?

ELIAS:  Presta; isso são exemplos de tais tipos de expressão, assim como as vossas criações em massa de eventos massas inerentes às áreas da guerra, do mal-estar... diferentes tipos de movimentos de massas constituem muitas vezes criações desse tipo de expressão a fim de proporcionarem expressões inerentes à consciência das massas, que captam a atenção das massas de indivíduos duma forma objectiva a fim de abordarem certos aspectos dos sistemas de crença e permitir-vos passar para a aceitação desses aspectos dos sistemas de crença.

Presentemente, conforme declarei previamente, vós criais uma expressão de massas na área da enfermidade do que identificais em termos de SIDA. Isso constitui uma expressão de massas destinada a captar-vos a atenção globalmente por toda a vossa dimensão, que aborda o aspecto do sistemas de crenças da sexualidade e lega energia á identificação das diferenças inerentes à orientação e às escolhas, e como tal contribui com energia para o movimento rumo à aceitação das diferenças inerentes às percepções, diferenças inerentes às escolhas quanto à preferência, e diferenças na expressão das orientações.

JOE:  O estigma que algumas pessoas têm ligado à repulsa desses indivíduos que objectivamente dão sinais de SIDA serve de exemplo do trauma de que falas inerente a esta mudança contínua da consciência?

ELIAS:  Em parte. Na realidade depende do indivíduo.

Muitas expressões de trauma deverão assomar uma expressão formidável de turbulência e de angústia; insatisfação convosco próprios; um reconhecimento objectivo da falta de aceitação pessoal e do tremendo conflito que isto provoca em conjugação com os sistemas de crença que mantendes.

Nessa medida, como estais a experimentar trauma em conjugação com esta mudança da consciência, apesar de haver expressões de trauma das massas, sempre existem expressões de trauma individual, e isso brota da falta de aceitação de vós próprios, assim como do reconhecimento da falta de aceitação dos sistemas de crença que as pessoas sustentam. (Pausa)

JOE:  Muito bem. Bom, hoje isso já representa muito que pensar. Eu sei que quando deitar a mão a esta transcrição, vou fazer uso do marcador.

ELIAS:  AH AH AH!  Mas podíamos prosseguir com esse tema por muito mais tempo, por apenas termos tocado na fímbria daquilo que engloba!

JOE:  Sem dúvida, penso que é absolutamente fascinante. Só desejava poder assimilá-lo mais rápido, mas é algo portentoso que só consigo assimilar um pouco de cada vez. Leva tempo a ajustarmos os alinhamentos que fazemos pelos sistemas de crença e a compreensão e tudo o mais.

ELIAS:  (Risadas)  Mas hás-de conseguir!

JOE:  Uma vez mais, quero agradecer-te, e até ao próximo encontro, cuida-te.

ELIAS:  E em relação a ti, projecto um enorme afecto, e fico a aguardar a continuidade da nossa interacção e dos nossos debates. Estendo-te neste dia de hoje, com todo o carinho, um au revoir.

JOE:  Obrigado.

Elias parte às 11:47 da manhã.

© 2000  Vicki Pendley/Mary Ennis, Direitos Reservados

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