sexta-feira, 19 de agosto de 2011

PODER E SIGNIFICADO - SENTIMENTOS - ISOLAMENTO


SESSÃO #2956
“Comunicados Emocionais Recorrentes: Sentimentos”
“O Sentimento Vigente de Isolamento”
“Diferença Entre Raiva e Irritação”
“Compreender É Não Fazer Nada”
“O Poder e o Significado de que Cada Indivíduo Se Acha Investido”
Sábado, 10 de Abril de 2010 (Grupo/Brattleboro, Vermont)
Tradução: Amadeu Duarte

Participantes:  Mary (Michael), Ann (Vivette), Ben (Albert), Daniil (Zynn), Ella (Bella), Helen (Lillie), Inna (Beatrix), John (Rrussell), Kathleen (Florencia), Ken (Marcel), Lynda (Ruther), Melissa (Leah), Natasha (Nichole), Rodney (Zacharie), Veronica (Amadis)


ELIAS:  Boa tarde!

GROUP:  Boa tarde!

ELIAS: (Ri) Hoje vamos debater parcialmente a presente onda que a consciência toma, a qual está a fazer com que alguns se debatam, mas para além desta presente onda, vamos tentar definir com mais clareza certos aspectos, a ver se conseguireis criar uma maior compreensão por vós próprios em meio ao que estais a experimentar ou em relação àquilo que vos confunde, em relação com esta onda das comunicações.

Bom, conforme estais conscientes, ela é chamada “onda das comunicações” por dizer respeito às emoções, que constituem as vossas comunicações interiores, mas não necessariamente os sentimentos. Mas também vamos debater os sentimentos por serem passíveis de poder tornar-se fonte de confusão e poderem ser rotulados indevidamente. Um dos sentimentos que iremos definir é o da raiva e o da irritação, para além da diferença entre a irritação e a raiva. Outro é o da frustração, que pode diferir da ansiedade.

Com isto, e para começar, perguntaria a cada um de vós qual direis ser o sentimento mais marcante e persistente que tenhais experimentado recentemente ou estejais presentemente a experimentar. (Indica o John)

JOHN:  A mim, pessoalmente?

ELIAS:  Sim.

JOHN:  Desapego.

ELIAS:   Muito bem. E em relação ao desapego ou distanciamento, que notarás que te esteja a influenciar isso?

JOHN:   Nas coisas do dia a dia que tenho a fazer. É em relação a isso que sinto desapego. Não sei se isso estará necessariamente a ser influenciado...

ELIAS:   Quando expressais um sentimento, geralmente isso estimula outros sentimentos que se tornam menos óbvios ou que podem ser implícitos, mas também vos influencia o comportamento de forma diferente.

Como um exemplo, se vos sentirdes tristes, sentir-vos-eis menos motivados. Sentireis maior tendência para vos retrairdes. Se vos sentirdes excitados, o vosso comportamento altera-se. Se vos sentirdes animados, e vós sentis-vos, em determinadas situações, um tanto inquietos ou agitados. Actos há que estão associados aos sentimentos, pelo que vos influenciam o comportamento e aquilo que fazeis. Por isso, qual dirás que seja o factor que te influência o desapego?

JOHN:   Uma menor participação nos actos sociais que envolvem grupos ou cooperação ou coordenação.

ELIAS:  Muito bem.  (Indicando a pessoa seguinte)

BEN:   Ah, espectacular. (Riso) Se puder proceder ao inverso, direi não saber qual seja o sentimento, mas que a expressão é a da vontade de evitar responsabilidades.

ELIAS:  Muito bem.

BEN:   Não sei qual seja o sentimento que permanece subjacente, só que é desse modo que ele se expressa.

ELIAS:   O que talvez o denuncie precisamente pelos traços do acto de evitar.

Isso traduz um facto efectivo no caso de algumas pessoas. Podeis detectar acções ou formas de conduta que possam diferenciar-se ligeiramente ou de modo significativo sem necessariamente incorporarem o acto objectivo de definir o que estejais efectivamente a sentir, o que traduz um outro aspecto significativo. As pessoas nem sempre definem aquilo que sentem, o que por sua vez contribui para a confusão.

E tu?

ELLA:   Eu devo dizer que não compreendo de todo a diferença entre o sentimento e a emoção. Se numa dada altura da sessão pudesses dispensar alguma atenção a isso, ficava-te grata.

Quanto ao que experimento, nos últimos meses pareço ter vindo a ter o sentimento de algo estar a mudar, uma consciência de estarem a dar-se alterações, e a observar isso, e como que a deixar-me levar mais pela intuição e pelos impulsos. Não sei se poderei atribuir a isso um sentimento.

ELIAS:   Mas dirias sentir-te a antecipar algo?

ELLA:   Mais o tipo de ter consciência dos impulsos, sem ser a um nível lógico, mas como que a seguir os impulsos com maior facilidade e a reconhecer um tipo de conhecimento intuitivo que esteja a receber. Esse é apenas um; existem muito mais, mas é o que me vem à mente.

ELIAS:   Mas que dirias ser o sentimento mais confuso ou desconfortável que tenhas sentido mais recentemente?

ELLA:   O pressionar em termos de energia, relativamente à área das crenças não inteiramente reconhecidas.

ELIAS:   E quando pressionas, em termos de energia, que é que sentes?

ELLA:   Sinto estar a opor-me, mas entendo estar a fazer isso. Ainda não me sinto completamente capaz de manipulá-la com rapidez. Sinto-me como que deslocada na forma como me vejo, e a permitir-me ser quem sou, ainda que isso nem sempre corresponda ao que quero ser, mas sem me forçar.

ELIAS:   Por certo, mas nesse contexto, qual será o sentimento? Sentir-te-ás com ansiedade, ou...?

ELLA:  Apenas me sinto confusa.

ELIAS:  Muito bem. E tu?

KATHLEEN:   Sinto-me muito animada e excitada, mas ao mesmo tempo e quase que em simultâneo, quase no pólo oposto.

ELIAS:  Excitada de que forma?

KATHLEEN:   Com as coisas que estou a aprender e a observar e a fazer, e aquilo que faço em termos físicos, como as minhas ocupações de jardinagem e todas as coisas que me vão amparando o meu mundo.

ELIAS:  Enquanto simultaneamente sentes o quê?

KATHLEEN:   Um tanto amedrontada, um tanto temerosa na forma com estou a aplicar estes novos conceitos, e se o estarei a fazer correctamente. Coisas assim, e a tomar consciência da inexistência real de certo e de errado, e a deixar de precisar de comparar, o que consiste numa boa coisa a aprender. Ser eu própria é quase como usar um par de sapatos novo.

ELIAS:   Estou a compreender. Permite que me detenha um pouco aí, por teres proferido uma coisa que é usada com bastante frequência em relação ao aspecto do certo e do errado. Tens razão, na verdade não existe certo nem errado, mas vós também participais nesta realidade física, a qual comporta a mentalidade da duplicidade, que se traduz pelo certo e errado, pelo bom e pelo mau, e vós dais expressão a formas de juízo crítico de certo e de errado, bom e mau.

Na consciência, na essência, não, não existe certo nem errado, bom nem mau, mas conceptualmente, torna-se-vos benéfico relaxar a avaliação que fazeis disso, essas formas de juízo crítico de certo e errado, bom e mau, a fim de vos permitir uma maior expansão. Mas em muitíssimas situações haveis de formular apreciações em termos de certo e de errado, de bom e de mau. É uma questão de vos permitirdes reconhecer o facto, de o ADMITIRDES e de avaliardes se a opinião ou o juízo que formulais de certo e de errado, bom e mau estará associado às vossas próprias directrizes e se será o que estareis a expressar para convosco próprios, ou se não estará associado às vossas directrizes e estareis nesse caso a dar expressão a tal tipo de opiniões por uma questão de hábito, em meio a uma situação que vos tenha sido ensinada (incutida) e àquilo a que estejais acostumados.

Nesse sentido, sempre que reconheceis estar a emitir uma forma de juízo, torna-se de todo importante não vos desvalorizardes. Haveis de dar expressão a tais julgamentos; por uma questão disso fazer parte da vossa realidade. Mas a avaliação dos aspectos desse juízo... se estará relacionado a um agente exterior, porque se for o caso, isso justifica a avaliação. Se for um juízo relativo às vossas próprias directrizes, é um factor a reconhecer, mas além disso reconhecei que as vossas directrizes, uma vez mais, não se aplicam aos demais.

Nesse sentido, não se trata de vos desvalorizardes por gerardes tal forma de juízo, mas mais de avaliardes o que vos esteja a incitar a tal juízo – se será válido e a que se aplicará - ao invés de dardes lugar esse lugar-comum ou ideia de que essas formas todas de juízo crítico não devam ser expressadas seja de que forma for. Isso, de certo modo é ridículo, por se assemelhar bastante à tentativa de eliminação das vossas crenças, coisa que não podeis, não nesta realidade. De qualquer modo, obrigado por partilhares.

E tu?

LYNDA:   Por vezes sinto uma sensação de opressão e ansiedade. Sinto-me muito motivada a prosseguir, mais do que alguma vez me terei sentido, e estou a sentir-me mais consciente do que nunca em relação à oposição entre o exterior e o interior. A esta altura tenho apenas consciência da coisa e sinto-me um tanto confusa em relação ao modo como hei-de estabelecer uma distinção entre o que é real e o que é válido, de forma a diminuir desse modo a ansiedade. Mas sinto subsistirem partes a que tenho que dar atenção, só não sei quais sejam, pelo que sou levada a sentir esta ansiedade incógnita. Isso não sucede o tempo todo, só que quando sucede sobrevém como um sacolejar, coisa que nas últimas semanas tem vindo a acelerar um tanto. É tudo quanto sei de momento.

ELIAS:  Muito bem. E tu?

INNA:   O que mais me aborrece actualmente é, se alguma coisa me estiver a limitar e não puder fazer aquilo que quero, isso dar lugar à irritação. Se tiver que fazer aquilo que não quero, por vezes sinto-me adoentada. Se me forçar a fazer aquilo que não quero, caio doente.

ELIAS:   O que serve como um outro exemplo dos sentimentos a influenciarem as acções. O facto de vos sentirdes fisicamente nauseados não traduz necessariamente um sentimento – apesar de constituir uma sensação física – mas não é o que designais por um sentimento emocional, só que é altamente influenciado. É uma acção física que é influenciada por sentimentos, pois o que estás a descrever...

INNA:  ...vai contra mim própria. Se fizer algo que não queira mas precisar fazer por constituir uma tarefa ou uma obrigação ou algo assim, sinto não ser capaz de a fazer fisicamente, e sinto-me nauseada, tal como disseste.

ELIAS:  Ansiedade.  E tu?

HELEN:   Isto não se apresenta todos os dias, mas foi uma experiência que fiz recentemente. Pareceu tratar-se duma forma básica de medo. As acções que se seguiram, acompanhadas por muitas náuseas, foram no sentido de me ater firmemente ao meu caminho, e de alienação total em relação ao universo. Ele deixou de me responder.

ELIAS:  Muito bem. E tu?

DANIIL:   Por um lado, é o acto de evitar e a percepção da falta de liberdade, tal como a Inna disse, mas por outro lado, é o facto de me emocionar mais e de me sentir mais frustrado em relação a essa falta de liberdade que percebo. Isso faz-se acompanhar de sintomas físicos de alergia.

ELIAS:  Muito bem. E tu?

NATASHA:   Sinto-me muito como a Inna, mas ela expressou-o de um modo ligeiramente diferente. Sinto-me bastante no meu modo de ser, que traduz o facto de estar a fazer algo por mim própria e estar a seguir nalguma direcção, intuitiva ou não, mas sinto. Quando começam a acontecer coisas que não encaixem nos meus princípios, isso agrava-me o estado e fico irritada. Como um sinal, por vezes sinto-me distanciada durante um certo tempo, mas logo o círculo prossegue e eu dou por mim em lados diferentes da questão o tempo todo. Supostamente o distanciamento conduz-me ao equilíbrio, só que pressinto que não passe dum distanciamento superficial. Mas o sentimento que me inunda é de irritação e a percepção de falta de liberdade.

ELIAS:  E tu?

VERONICA:   Estou a sentir que estou a perder de vista o contacto que tinha com as minhas capacidades e os meus sentidos, com a capacidade que tinha de operar com base no dia a dia, e de interagir com os outros. Isso, para mim, torna-se assustador. Se isso é o modo como me apresento no momento, como virá a ser daqui a três ou cinco anos? As minhas emoções tanto se atiçam como se pacificam, dependendo do desempenho que imprima ao uso das minhas capacidades. Por isso, por vezes isolo-me e sinto distanciar-me do público. Sempre que surge uma diferença de opinião, procuro não me defender. Mas ao ficar com o dilema nas mãos, sem o sustentar mas dando oportunidade a que a energia se esvaia, ainda sinto que ele me atinge em cheio, e a existência duma contraparte física que parece quase insuportável. Quando tenho consciência de tentar deixar que essa energia se esvaia ao invés de a associar à outra pessoa, surpreendo-me com o facto de isso ser tão doloroso.

ELIAS:   Mas em que termos descreverias esse sentimento doloroso?

VERONICA:   Com um tijolo a acertar-me em cheio!

ELIAS:  Mas de que sentimento envolverá?

VERONICA:   Referes-te a isso em termos físicos ou emocionais?

ELIAS:  Emocionais.

VERONICA:   Como se tivesse sido atacada.

ELIAS:  Defesa?  Ansiedade?

VERONICA:   Sim, e a procurar recordar com base nisso, e a procurar acalmar-me. Isso drena-me a energia.

ELIAS:  Muito bem. E tu?

KEN:   Muita confusão, e alternância, como tu, (provavelmente voltando-se para a Natasha) entre um estado de antecipação e de excitação, um estado de esperança em relação a várias probabilidades ou possibilidades relacionadas com uma dada decisão, mas ao mesmo tempo bastante indecisa e nervosa em face duma tomada de decisão. Sinto como se essa via pareça boa e me sinta excitada em relação a ela, mas em seguida poder surgir um perigo ou outro, e logo começo a sentir-me amedrontada. E em vez de me decidir, fecho-me e torno-me indecisa. O sentimento de que realmente não gosto é aquele de precisar resignar-me com esta realidade e não ser capaz de mudar, apesar de isso alternar com a esperança de poder mudar e mesmo com a confiança de possuir o poder de o alterar. Costumo alternar entre a esperança e a frustração. Costumava sentir imensa raiva, mas actualmente não me enraiveço como costumava. Mas ao contrário da raiva, deparo-me com uma maior frustração, irritação e esse tipo de coisa. A indecisão é muito difícil e a resignação ante a indecisão também o é. Preferia tomar decisões a avançar por onde quero ir.

ELIAS:  Muito bem. E tu?

ANN:   Eu sinto-me um pouco em estado de ansiedade, pensando ser a minha vez de dizer alguma coisa! (Riso) No total, em toda a minha vida a ansiedade terá sido a emoção que mais me terá oprimido, mas noto que se torna cada vez mais em serenidade, o que aprecio. Por falar de sentimentos, há coisa de umas semanas atrás tive uma experiência bastante emotiva em que quase pareceu que estivesse a distanciar-me ou a desapegar-me dos meus sentimentos e me permitisse pairar por cima deles. Tinha consciência de me sentir triste e não conseguia evitá-lo nem condenar o facto de estar a sentir isso. Era quase como se todas essas emoções estivessem a ser apresentadas por ordem cronológica. Esse período foi triste, pelo que tive que pairar por cima dessa tristeza para em seguida passar a flutuar sobre uma sensação de alívio, e por isso, mesmo quando estava a experimentar essa tristeza, ainda consegui sentir uma sensação de calma. Já não sentia tanta ansiedade. E desde que essa serenidade se tem apresentado, sempre que a ansiedade sobrevém, eu detecto-a mais por não ser tão comum quanto costumava ser. E isso agrada-me.

ELIAS:  Muito bem.

MELISSA:   No geral, nos últimos meses tenho vindo a sentir-me optimista. O comportamento responde pelo facto de estar a confiar mais em mim própria. Por vezes sinto como se estivesse a viver no futuro. Mas por outro lado, também sinto impaciência e fico na antecipação do que venha a suceder. Só queria saber como fazer com que isso suceda já.

ELIAS:   Então dirás que ainda subsista um certo elemento de ansiedade?

MELISSA:  Sim.

ELIAS:  Muito bem. E tu?

RODNEY:   Apesar disso estar a mudar um tanto no momento, eu estive a dar lugar a muita sensação de opressão e de tensão e de doença, apesar de a partir do primeiro dia do ano me ter sentido motivado a estabelecer um regime mais saudável, com exercício e tudo o mais. Depois dessa fase tem sido como deixar-me levar pela corrente e sentir-me desmotivado. Tenho um forte desejo, que me surge, de dormir. É quase como se brotasse de dentro de mim, e sinto vontade de me perder na sonolência. Assim, durmo muitas sestas. Só para me deixar levar. Produzo alguma ansiedade, mas centra-se em pequenos desafios com que me deparo na vida. Não é predominante. O que é predominante é a vontade de me deixar levar, esta vontade de me sentar e de contemplar a floresta e olhar as nuvens a passar. É claro que não estou a trabalhar, pelo que não me falta o tempo nem a ocasião. Deixar de me regular pelas horas e de me preocupar com o tempo – é nessa onda que me encontro.

ELIAS:   Agora; algum de vós se aventurará a apontar os pontos em comum apresentados por todas essas expressões?

LYNDA:  Ansiedade?

ELIAS :  Numa certa extensão, mas não completamente.

MELISSA:  Antecipação?

ELIAS:  Numa certa extensão.

JOHN:  Sintomatologia física.

ELIAS:  Também numa certa extensão.

KEN:  Confusão.

ELIAS:  Confusão, sim, definitivamente.

ANN:   Relutância por estarmos a fazer o que não sentimos vontade de fazer.

ELIAS:   O denominador comum em todas essas diferentes expressões é a desconexão, sim, a separação, e a confusão, não necessariamente a um ponto extremo mas em grau variável. É mais o denominador comum da separação, de sentir-se desligado, e nesse sentido, um certo SENTIMENTO de isolamento.

Quer seja no que designais por um modo positivo ou negativo, quer seja por intermédio da excitação ou da ansiedade, existem factores que todos vós expressais nesse sentido do isolamento: o facto de não permanecerdes interligados, a ausência do sentimento de INTERLIGAÇÃO, a sensação de que o que estais a fazer é o que VÓS estais a fazer – sem ser aquilo em que estais a tomar parte nem a interligação que tendes em relação a todos os indivíduos nem com tudo ao vosso redor, mas o que estais a fazer e o que estais a sentir. Por isso é que subsiste um aspecto de isolamento. Isso faz igualmente parte desta onda particular.

Agora; vou dizer-vos, nos vossos termos humanos, que vos vou apresentar o factor de boas notícias e más notícias. (Riso) Nesse sentido, a boa notícia que todos acolherão é a de que esta onda está a aproximar-se do fim. A má, é que ao aproximar-se do término, está a intensificar-se mais do que se terá intensificado durante o tempo que teve de duração.

ELLA:   Qual será a que se seguirá? Será pior do que esta? (Riso)

ELIAS:   Não necessariamente. Mas esta está a intensificar-se, pelo que os vossos sentimentos se estão igualmente a intensificar, e podereis vir a sentir determinadas expressões que não tenhais necessariamente sentido anteriormente ou tenhais sentido duma forma consistente antes, ou podeis ter abrigado tais sentimentos antes, mas nesta altura poderá parecer-vos não existir qualquer razão para sentirdes aquilo que estareis a sentir.

Vós observais o que vos rodeia e parece-vos que o que esteja a ocorrer ao vosso redor esteja a suceder no contexto do que vos é familiar, e com suavidade, e não esteja a dar origem a traumas. Pode não se estar a gerar um drama intenso ao vosso redor. Pode não se estar a gerar intensidade nem actos desesperados nem perturbadores ao vosso redor. Por isso parecer-vos-á que não exista razão suficiente para sentirdes o que estais a sentir, de forma que podeis explicar a vós próprios certos aspectos da questão ou podeis mesmo inventar explicações para vós próprios em relação ao que estais a sentir.

Eu diria que o enunciado do “inventar explicações” se torna muito mais comum do que podeis contar, e que isso traduz uma acção automática que todos vós empreendeis. Buscais uma explicação; buscais uma razão, e se não puderdes descobrir uma razão externa nem descobrir uma razão interna adequada, associais-lhe uma razão. Inventais uma razão: “Não estou a gerar esta acção de modo suficientemente apropriado, pelo que sou levado a sentir o que sinto. Não estou a ser suficientemente paciente nem suficientemente tolerante; não estou a comunicar com os outros o suficiente nem a abordá-los como devia, não estou a aceitar o suficiente e estou automaticamente a precipitar-me no sentido de conclusões, estou a expressar-me demasiado rápido”– essas são razões inventadas.

Na realidade podeis empreender algumas dessas acções, mas lembrem-se de que as emoções não constituem uma reacção. São uma forma de comunicação. São comunicações subjectivas transmitidas à vossa consciência objectiva. Os sentimentos constituem sinais. Os sentimentos representam uma forma de incitamento, são instigações íntimas que procedem de vós como o sinal de estardes a gerar uma transmissão emocional, um sinal da presença duma comunicação. Vós SENTIS a fim de isso vos alertar para a comunicação que essa mensagem encerra.

Muito bem, por exemplo: “Sinto-me triste”.

Bom; a tristeza constitui um exemplo fácil. Nesse sentido, e em termos gerais, definis encarais o sentimento da tristeza como uma reacção. Algum evento ou acção ou expressão é gerada externamente – fora de vós – e isso vai estimular o que definis como uma reacção, o que traduzis por tristeza... Não. O sentimento constitui uma resposta a uma comunicação emocional. Estais a comunicar a vós próprios com relação a um assunto.

Portanto, digamos que um indivíduo ou uma manifestação física conforme definis nos vossos próprios termos, se encontre próximo da morte e vós definais o vosso estado como tristeza. Definis isso como uma reacção ao acto do falecimento dessa manifestação física. Passais a experimentar um sentimento de perda. Não estais a reagir em meio a tal sentimento. O sentimento constitui o sinal que transmitis do facto de estardes a gerar uma comunicação a vós próprios. Ocorreu uma acção; e vós respondeis-lhe através da avaliação que fazeis dessa acção. O indivíduo morreu. Vós avaliais a apreciação que fazeis do facto e o modo como ele vos afecta individualmente, qual seja for a resposta íntima que derdes a tal acto.

Nisso, o sentimento da tristeza constitui apenas um sinal. É um alarme, por assim dizer. Dais lugar a uma comunicação – isso é o vosso alarme, prestai atenção a essa comunicação. Ela está a expressar-vos aquilo que presentemente estais a gerar. O que podereis estar nesse momento a gerar que vos leva a sentir tristes é a comunicação emocional que sentis ou que estareis a associar a vós próprios na qualidade de abandonados ou perdidos ou sós ou apartados ou limitados nas vossas escolhas: “Essa manifestação não mais se acha presente, o que me impõe um entrave nas escolhas.”

Esse é o modo como individual e pessoalmente percebeis ser afectados por tal acção, e passais a gerar uma comunicação para vós próprios que define isso mesmo. Mas em termos gerais, aquilo a que estais a prestar atenção é ao sinal: “Sinto tristeza.” Não estais necessariamente a recepcionar a mensagem, a que esteja a dar lugar a esse sentimento. Em determinadas situações aceitais o sentimento pela totalidade, e admitis esse sentimento e não lhe dais necessariamente atenção.

Temporariamente, durante um certo tempo, isso parecerá acalmar-vos, e parecer-vos-á temporariamente que podeis ir além do sentimento, e que lhe tereis dado atenção por o terdes sentido. Mas ao deixardes de receber a mensagem, não, vós apenas lhe passastes por cima ao dardes atenção apenas ao sentimento. A mensagem, tal como já expressei anteriormente, eventualmente repetir-se-á.

NATASHA:  Qual será a mensagem?

ELIAS:   O que expressei. Nesse exemplo, a mensagem pode ser distanciamento. Pode representar isolamento. Pode ser a associação de que as vossas opções se encontram doravante limitadas. Isso definitivamente constitui um factor, o facto das vossas opções sofrerem restrições.

Isso representa um factor efectivo em quase todos os cenários, a limitação das escolhas, o facto de, diante da ocorrência duma acção externa que não corresponda àquilo que quereis, isso vos limitar automaticamente as escolhas. Não limita, só que essa é uma associação que gerais, a de que as vossas escolhas dependam do que ocorrer ao vosso redor. Não, não dependem, só que isso torna-se bastante real. Não é necessariamente válido mas é bastante real, e constitui aquilo que fazeis automaticamente, e quando dais lugar à expressão desse tipo de associação, agis de acordo com ela.

Por isso, aquilo que sentis influencia-vos a conduta, o sinal inerente à mensagem que transmitis, porém ao deixardes de dar atenção ao comunicado, isso vai influenciar-vos a comunicação por modos que poderão na realidade exacerbar a situação ou perpetuá-la e dar-lhe continuidade por um tempo indeterminado. Por isso, um sentimento como o de sentirdes desconforto, sob qualquer forma que seja, pode na realidade ser atendido num espaço de tempo relativamente curto, talvez mesmo em minutos, só que esse mesmo sentimento pode prolongar-se por dias ou semanas ou meses ou mesmo anos, por não dardes atenção ao comunicado, devido a que o que percebeis seja o sentimento.

Ora bem; tal como já referi, os sentimentos são bastante reais, e falando em termos gerais, eles são vigorosos. Ou, no caso de não o serem em si mesmos, esse vigor pode expressar-se por uma ausência de sentimento, situação em que deveria apresentar-se um sentimento mas não se verifica nenhum, o que se torna igualmente óbvio e igualmente num factor de afectação e de influência.

O que fazeis com esses sentimentos é automaticamente voltar a condenação contra vós próprio: “Que coisa estou a fazer? Que estarei a deixar de fazer acertado?” Até mesmo, e muitas vezes, acontece mais no caso dos sentimentos positivos tais como a excitação ou a antecipação positiva da novidade – se não estiver presentemente a ocorrer: “Que estarei a deixar de fazer que esteja a impedir isso de ocorrer já?”- o que vai influenciar a impaciência, e se torna difícil e posterior fonte de desconforto. Indiferentemente do facto do que estiverdes a antecipar na vossa percepção poder ser excitante e bom, não está a ocorrer agora. “Porque não ocorrerá agora?”

KATHLEEN:   E se sentirmos isso durante um período relativamente longo e em seguida nos sentirmos um tanto serenados e dissermos para connosco próprios, “Que estarei a fazer de errado, devido a que algo se tenha alterado? Dever-se-á isso à expectativa, ou isso deveria prosseguir por o seu curso estar a ter continuidade, ou será essa uma expectativa saudável?”

ELIAS:   Essa não é uma pergunta singular (pausa) e de certo modo desvia-nos.

Todos vós incorporais uma consciência do corpo, e uma das funções automáticas da consciência do vosso corpo é a de vos regular, razão porque parecerá, segundo a concepção que fazeis, que os sentimentos se movam por ondas, ou por altos e baixos e se prolonguem por longos períodos de tempo; eles retrocedem e deixam de se prolongar por um tempo indefinido. A razão porque isso ocorre deve-se à vossa consciência do corpo, pelo facto de dar constantemente continuidade ao sentimento, quer o designeis como bom o mau, e requerer muito mais energia.

Por isso, a consciência do vosso corpo há-de automaticamente regular pela vossa vez e por vezes procurar mitigar os sentimentos. Essa é a razão porque se movem por ondas e porque com o que designais por maus sentimentos vós gerais suspensões temporárias desses maus sentimentos, mesmo no caso desse adiamento se apresentar momentâneo. No caso de se tratar de bons sentimentos, podeis desapontar-vos pelo facto de poderem retroceder e não prosseguirem constantemente. Nesse sentido, eles não diferem do que designais por maus sentimentos. Só que, no caso dos maus sentimentos, vós não quereis que prossigam de modo constante; quereis que eles se desvaneçam. No caso dos sentimentos bons, eles também se tornam causa de fadiga, por requererem mais energia.

Além disso, os sentimentos que tendes são sinais, coisa que referi previamente. Por isso, se receberdes a mensagem, se prestardes atenção aos comunicados, não se fará necessário continuar a gerar o sentimento. Trata-se dum sinal.

DANIIL:   Que coisa representará a recepção da mensagem no exemplo que deste da limitação das escolhas? Se me voltar para a minha situação e para os juízos que estabeleço, as crenças que a inundam, posso perceber que o que parecerá ser um leque de escolhas limitado, não é realmente limitado, o que me relaxa, e eu passarei a considerar opções que antes não percebia. Representará isso o processamento da mensagem?

ELIAS:  Representa.

KEN:   Mas nesse caso, que faremos com essa informação?

ELIAS:   Ah, mas isso constitui uma outra resposta automática, servir-vos da informação. Nem sempre será necessário FAZER nada com base na informação. Em muitas situações, torna-se adequado e suficiente apenas passar a incluir a informação.

LYNDA:   Por diminuir o sinal de imediato; já o experimentei e já comprovei o que dizes com o exemplo que empregaste.

ELIAS:   Pois, mas nem sempre é necessário FAZER ALGO com a informação, por poderdes já estar a fazer.

NATASHA:   Então tomar consciência daquilo que a mensagem comporta é suficiente, não?

ELIAS:   Por vos proporcionar escolhas. Um dos factores presentes na falta de reconhecimento da mensagem reside no facto dela vos bloquear ou enublar a perspectiva das opções, e passardes a perceber deixar de dispor de escolha. Ou podeis perceber dispor de opção, só que limitada, e somente do tipo “de um ou do outro modo” (sem meio termo), pelo que estendereis a vós próprios apenas duas formas de escolha. Digo-vos, todavia, que jamais existem apenas duas escolhas ao vosso dispor, seja em que situação for.

Nesse sentido, quando não tendes consciência do que aquilo que comunicais comporte, isso afecta-vos, por vos instigar a passar para a resposta automática, e por vos incitar bastante a gerar uma resposta automática que é precisamente a de fazerdes uso ou de fazerdes alguma coisa, produzirdes algum tipo de acção: “Algo tem que ser feito!” Com isso vós também perpetuais e reforçais a coisa, por vos fixardes demasiado ou concentrardes demasiado no “fazer alguma coisa” ao invés de deixardes ocorrer, e desse modo também vos tornais enublados. Mesmo no que percebeis como bons cenários ou nas direcções que desejais, se vos expressardes pelo modo do fazer, fazer, fazer - “Preciso fazer algo, preciso agir, preciso deitar mão” – muitas vezes opondes-vos a vós próprios ao saltardes para o campo da acção quando tal não se faz necessário. E isso é forçar a energia.

Nesse sentido, não importa de que assunto se trate. Pode tratar-se dum qualquer que seja passível de ser encarado como trivial ou muito importante. Vou empregar um exemplo simples que é bastante comum no caso de muitos em relação à atenção para com a consciência do seu corpo e para com o seu aspecto. Para muitos, um assunto de importância primordial é o da aparência, e um dos aspectos que a aparência inclui é o quê? O peso – o facto de terem demasiado peso, ou pouco peso, seja como for. Nesse sentido, uma vez mais, existem acções que a consciência do corpo gera de modo automático.

Com isso, uma pessoa pode ver-se, perceber satisfazer-se com uma determinada aparência, e querer alterar o seu aspecto físico, e pode tentar ganhar ou perder peso. Com este simples exemplo, a consciência do vosso corpo passará a obedecer a essa instrução até determinado ponto, e quando alcançar um determinado ponto em que essa consciência do corpo passe a funcionar de modo optimizado, ele parará e experimentareis uma altura em que, se tentardes obter peso, deixareis de o obter, e se tentardes perder peso, deixareis de perder peso.

Isso afeiçoa-se temporário, mas no vosso acto automático de querer fazer, o qual imprime o forçar, “Encontro-me num beco sem saída; que deverei fazer? Devo forçar mais; devo comer mais ou deixar de comer tanto; vou exercitar-me menos ou vou fazer mais exercício, a fim de incitar a consciência do meu corpo a voltar-se na direcção pretendida e a fim de beneficiar a minha aparência, quer por um aspecto mais, ou menos avantajado” – durante um certo tempo isso poderá gerar uma certa frustração, por a consciência do corpo não corresponder. Vós dizeis estar bloqueados: “Bloqueei neste peso particular.”

Vós não bloqueastes. A consciência do vosso corpo está a ajustar-se e a expressar uma consciência: “Este é o peso mais adequado e funcional.” Por isso revela-se neutro durante um certo tempo. É temporário, só que esse período temporário pode estender-se consideravelmente se o forçardes, e se não permitirdes que a vossa expressão natural se ajuste.

Assim que a consciência do corpo gerar esse reconhecimento e esse ajustamento, passará a responder às vossas instruções de novo e continuará a mover-se na direcção que tereis escolhido. Por isso, assim que esse breve período de paragem se tiver cumprido, por assim dizer, ela continuará, e podereis prosseguir, e ela passará a voltar-se no sentido de obterdes ou de perderdes peso. Mas geralmente, alcançais esse ponto de paragem e notais de imediato, “Parei; deixei de avançar; deixei de obter peso; deixei de perder peso”, e forçais – “Passarei a fazer mais.” E deixais de permitir. Isso é o que aplicais em muitas situações.

Isso, uma vez mais, não passa dum simples exemplo que podeis facilmente entender, mas vós fazeis isso em MUITAS situações. Sentis-vos à beira duma mudança nova mas não a conseguis perspectivar e começais a forçar. “Que será isto? Onde será? Quando se dará? Que aspecto terá? Que hei-de fazer? De que modo se conformará? Que mudança irei experimentar? Não sei como me hei-de preparar se não sei do que se trata!” Dais lugar a esse tipo de círculo de inquirição e de dúvida e de oposição a vós próprios e de pressão, e nesse processo realçais os sentimentos, e eles passam a influenciar-vos mais o comportamento, “Sinto maior ansiedade agora e vou actuar mais; só que quanto mais faço, mais ansioso me sinto.” E isso prolonga-se e passais a dar corpo a esse ciclo, e isso acaba tornando-se frustrante.

A frustração traduz uma considerável desvalorização de vós próprios. Encarais a frustração como uma expressão normal e natural. A frustração é expressada a título dum sinal relativo à comunicação emocional de estardes a limitar-vos e de estardes a desvalorizar-vos de algum modo, de não serdes suficientes, de não serdes suficientemente bons, de não serdes suficientemente fortes, nem suficientemente rápidos, e de que exista algum elemento em falta. Estais em falta em relação a algum aspecto e isso gera-vos o sinal da frustração. E a frustração é desmotivante e não vos outorga plenos poderes, mas desvaloriza-vos.

É benéfico definir o que certas expressões provocam e desse modo passar a conhecer o que estais a fazer quando expressais certos sentimentos. A irritação é uma expressão bastante motivadora e abonatória; a raiva é depreciativa e acção de desinvestimento desabonatória. Existe uma diferença entre a raiva e a irritação. Apesar da irritação poder ser igualmente intensa – ser passível de ser expressada com muita intensidade – difere muitíssimo da raiva.

Existem alguns sentimentos que vos incitam a desinvestir-vos da vossa autoridade. Alguns sentimentos há que vos incitam a outorgar a vós próprios plenos poderes. Haveis de notar que se vos sentirdes irritados, o indicador para a ausência de fúria, apesar de poder assemelhar-se bastante, é o de que, quando estais irritados, falando em termos gerais, vós detendes-vos. Dais continuidade ao sentimento, mas deixareis de actuar e passareis a considerar.

Passais a levar em consideração a situação que esteja a incitar tal irritação, e ela muito rapidamente vos influenciará a sentir motivação no empreendimento de algum tipo de acção que vos outorgue autoridade: “Sinto-me enormemente irritado; este indivíduo está a ter esta acção, o que deixa irritado”, e haveis automática e temporariamente de deter-vos, e de empregar a imaginação. Haveis automaticamente de vos motivardes e de delegar a vós próprios plenos poderes. Haveis de obter consciência de ter escolhas ao vosso dispor, e começareis a apresentar a vós próprios essas opções - “Que poderei fazer, que quererei fazer” – e haveis de o fazer.

NATASHA:   Que quererás dizer com delegação de autoridade ou de plenos poderes? De que modo faremos isso?

ELIAS:   Quando passais a conceder plenos poderes a vós próprios, passais a ter consciência de ESTARDES a dirigir. Dispondes de escolha, e passais a dirigir-vos. Não estão a ditar em vosso lugar. Independentemente do que os outros ou as situações ou as circunstâncias estejam a ocasionar, tendes consciência de ser escolha vossa o modo como haveis de avançar.

Isso é outorgar plenos poderes a vós próprios e reconhecer a vossa própria força, o que em muitas situações se pode tornar difícil. Porque, conforme debatemos anteriormente, vós incorporais esses apêndices ou associações que são bastante vigorosas e que comportam uma certa tendência para vos enganar através da ideia de não incorporardes opção ou de não incorporardes o poder de fazer face a certas situações; mas incorporais, o que se traduz por um outro aspecto do denominador comum presente em todos esses cenários que apresentastes, em relação ao que estais a experimentar, que possui a qualidade de ser pouco habitual. Esse é o tal movimento de passarem para o vosso lado genuíno.

A vossa autenticidade foi ocultada numa concha durante bastante tempo, e é-vos bastante pouco habitual, pelo que se vos torna demasiado fácil questionar se será aceitável ou não, “Esta é a minha expressão genuína, mas poderei expressá-la? Deverei dar-lhe expressão? Será aceitável? Poderei tornar-me naquilo que sou de forma autêntica? Será que os outros aceitarão isso? Deparar-me-ei com oposição?” Essas são dúvidas automáticas e o questionamento que propondes a vós próprios. “Eu quero fazer isto. Será que os outros me perceberão como à altura de o fazer?”

Porque, no movimento rumo à autenticidade do que vos caracteriza e do vosso eu genuíno, começais realmente a experimentar quer o vosso pensamento se ache preso na experiência ou não. Começais a experimentar a igualmente genuína interligação, a qual propõe um questionamento automático em relação aos outros – em relação ao que eles pensam, ao que sentem, ao que percebem, ao que seja aceitável e ao que não seja – por estardes a começar a experimentar essa genuína interligação, a qual vos despoleta ou motiva nesse círculo a resposta automática do isolamento e do medo. Essa interligação afeiçoa-se atemorizante, e assemelha-se a exposição. “Se me acho interligado ao Todo (Tudo o Que Existe) em que posição me situarei? Se eu for tudo o que é, que coisa serei eu, porque eu sou este indivíduo.”

MELISSA:   Eu tive uma experiência em relação a isso. Eu contemplava uma fotografia de dois actores, um dos quais estava a observar, e por um segundo pensei: “Sou eu com ele, só que também não sou eu. Fiquei estonteada e fiquei sem saber quem era, e veio-me à mente a ideia de sermos todos uma mesma coisa.

ELIAS:   Pode tornar-se esmagador; pode tornar-se fonte de confusão; pode tornar-se enervante, segundo a concepção que fazeis. Estais bastante enraizados nas vossas próprias expressões de separação e da vossa individualidade. Passar para a autenticidade daquilo que sois na vossa individualidade e permitir-vos genuinamente tentar e começar a expressar as vossas liberdades sem limites também faz valer essa interligação assim como as respostas automáticas que dais a isso com base no medo.

Vós já passastes o que designais em várias épocas como uma vida inteira a isolar-vos, uma vida inteira na primeira pessoa do singular (eu) e com isso, na exacta extensão de quererdes tornar-vos genuinamente livres e autênticos e permanecer interligados e conhecer esse estado e perspectivar isso como um estado de iluminação, eu dir-vos-ia a cada um o seguinte: seja em que altura for – quando não sentis pensamentos imponentes nem um estado de iluminação e vos encontrais simplesmente a interagir em termos mundanos com outros – não será raro para qualquer um de vós que outro vos dê umas palmadas nas costas ou vos bata, porque vós respondeis com hesitação e esquivais-vos.

HELEN:   Que queres dizer? Não compreendo.

ELIAS:   Que estará o outro indivíduo a fazer? Está a invadir-vos o campo de energia, e vós estais acostumados a proteger o vosso campo de energia. (Gera-se muita conversa da parte do grupo em relação à questão) Ah! Por passarem a atingir-vos! (Riso)

LYNDA:   Poderia só colocar-te uma questão simples, a título de exemplo pessoal? (Elias acena afirmativamente) Obrigado. Ontem tive um dia realmente ruim e cheio de ansiedade; sentia-me nervosa em relação à vinda de todo o mundo e por uma questão de deixar tudo ordenado, coisa que a um certo nível tinha consciência de ser ridículo, mas noutro, isso corresponder ao que costumo fazer! Por isso encontrava-me num estado briguento. Sentei-me ali, a Terri encontrava-se aqui, e um outro casal acolá, e eu coloquei a minha mão na perna da Terri, por não a ver fazia um ano. E de repente senti-me esfusiante por me encontrar aqui com toda a gente. Toda aquela maluqueira e a ansiedade que experimentara anteriormente se desvaneceu. Eu era o que era, mas sentia-me em paz por ser quem era. Para mim aquilo teve o efeito duma interrupção e eu senti-me interligada com todo o mundo nesse instante. Não vou adiantar que isso venha a durar para sempre, mas ainda sinto como se viesse a durar. Servirá isso de exemplo para mim duma parcela do que estejas a referir? Vais dizer que não! (Riso)

ELIAS:  (Sorri) Em parte. No começo, foi.

ANN:   Posso inquirir-te em relação a um exemplo? Eu estava a ler aquele livro sobre o Mark Oliver Everett, o tipo da banda Eels. Ele cresceu perto da zona onde cresci. Também me deu para pensar no livro "Oversoul Seven", que descreve que fazemos uma coisa num foco enquanto um outro foco faz uma coisa semelhante. Por isso, enquanto estou a ler esse livro, sinto que ele me soa muito familiar, como se tivesse feito essas coisas, no entanto é completamente diferente de mim. De algum modo senti-me ligada a ele, mas não sei. Estarei a voltar-me na direcção apropriada?

ELIAS:   Bom, transfere isso, essa experiência, esse sentimento, para cada indivíduo com quem interages a qualquer momento do dia.

ANN:   Estou a começar. Não sei se estarei a fingir para mim própria, mas penso estar a começar a sentir isso em relação a diferentes indivíduos, de forma muito análoga. Pensas que esteja? Poderás dizer-me se se tratará apenas da minha imaginação?

LYNDA:   Senti essa sensação em relação a ela ontem, assim que a vi, no primeiro instante. (Gera-se uma conversa por parte do grupo que se estende por vários minutos)

ELIAS:   Nisso, todos esses sentimentos se acham atados a uma comunicação emocional. Torna-se significativo prestar atenção ao que estás a sentir e reconhecer o que sentes, com o que, poderás avaliar, “Em que consistirá a mensagem, que estarei a apresentar a mim própria através desta situação?” Devido a que por vezes prestar atenção se pode tornar num desafio e em certas situações pode tornar-se ligeiramente perturbador para alguns de vós - prestar uma atenção efectiva ao que estais a expressar a vós próprios, e isso não seja necessariamente errado nem mau mas seja uma identificação.

Tal como se estivésseis a gerar o sentimento de tristeza enquanto a comunicação subjacente seja a de perceberdes o vosso leque de escolhas limitado, isso não é mau. Trata-se do reconhecimento de associardes valor à questão, não de um modo deslocado, mas do facto de lhe associardes valor em relação às vossas escolhas de um modo que não é completamente autónomo e de que o outro indivíduo ou a outra manifestação ou situação incorpora uma criação comparticipada. Não estais sozinhos a criar a vossa realidade; parte da direcção que lhe imprimis depende da outra manifestação e do que ela escolhe, e no caso de escolher não estar presente, isso vos limitar as escolhas. Essa não é uma forma de compreensão que vos proporciona mais escolhas e uma maior delegação de poder pessoal e uma maior clareza em relação a vós próprios.

Permiti igualmente que declare que de algum modo, em relação ao medo, independentemente do que esse medo subentenda, se achar associado a uma fonte externa. Quer definais um temor como uma expressão interior e vos pareça tratar-se unicamente do medo que sentis, sem que envolva mais nenhuma expressão exterior a vós, dir-vos-ei em termos bastante claros que o medo se baseia em fontes externas assim como no modo como lhe respondeis e estabeleceis associações em relação ele. Quer subentenda situações ou circunstâncias, ou outros indivíduos, outras energias, isso não tem importância. Existe sempre uma fonte externa associada ao medo.

Isso importa ter em atenção, porque pode tornar-se bastante útil quando vos dirigis a vós próprios e avaliais um medo que possais estar a experimentar, porque aí podereis avaliar quais as fontes externas possíveis que vos estejam a influenciar esse sentimento de temor, e quando puderdes avaliar essas fontes externas, também podereis avaliar o facto delas serem ou não válidas.

NATASHA:   E se forem válidas?

ELIAS:   Se forem válidas, passais ao passo seguinte, porque o medo também vos nega as escolhas. Por isso, se a sua expressão ou se a fonte externa for válida – o que na maior parte das vezes e na maior parte das situações não o será, só que em certas situações pode ser – aí, é uma questão de o reconhecerdes  e de voltardes a atenção para as vossas escolhas do momento.

Na sua maior parte, a identificação da fonte ou da influência do medo leva-vos na direcção do reconhecimento da falta de validade dela, o que a dissipa sem vos moverdes na direcção da identificação das vossas escolhas. Esse passo seguinte geralmente não se faz necessário, porque tereis automaticamente consciência de incorporardes escolhas, e deixará de continuar a ser importante. Mas no caso do temor ser válido, o passo seguinte será o de avaliardes quais serão as vossas escolhas, porque independentemente de quais sejam as escolhas, isso não quer dizer que não incorporeis mais escolhas, sejam quais forem. Vós sempre incorporais escolha.

Vamos fazer um intervalo e em seguida daremos continuidade às vossas perguntas.

GRUPO:  Obrigado, Elias!

ELIAS:  Não tens de quê.

INTERVALO

ELIAS:  Continuemos!  (Pausa, enquanto Elias sorri)

ANN:   Então, ela sentiu um sacolejar! Se nos achássemos ligados ela não sentia o sacolejar, não era? Não será desse modo que isso funciona?

ELIAS:  Haveis de sentir.

ANN:   Só que isso não nos deixará assustados.

ELIAS:   Pode assustar-vos, mas não se tornará necessariamente aborrecedor, e vós não recuareis automaticamente.

RODNEY:   Tenho uma pergunta. Quando deste início à discussão - essa é a parte de que me recordo, por ter estado a dormir durante o resto dela – declaraste que o denominador comum em relação a todas as respostas que te demos, uma dos seus aspectos mais fortes era o facto de estarmos desligados e o isolamento. Só que não referiste muita coisa em relação ao que querias dizer quanto ao termo “isolamento”. Será este isolamento em nós próprios? Isolamento em que sentido? Em relação uns aos outros, ou a nós próprios?

ELIAS:   Existem vários graus. Não se trata duma situação geral mas dum factor comum no sentido de que na sua maior parte se trata dum isolamento de vós próprios, não necessariamente de vós próprios mas de vós próprios em relação a tudo aquilo a que na realidade estais interligados, seja outros indivíduos ou energias ou o vosso meio ambiente. Expressa-se em variados graus, por meio dos quais vos concentrais na vossa própria entidade individual ou isolada.

RODNEY:   Nesse caso trata-se dum sentido de permanecermos sós.

ELIAS:  É.

RODNEY:   Isso soa bastante verdade para mim. Tenho uma outra pergunta. Eu quase caí desta cadeira por três vezes – tendo dado por mim a dormir. De que modo estará isso ligado ao material que estás a descrever, este assunto do que temos vindo a sentir, que influências físicas se acharão envolvidas nisso? O facto de quase ter caído da cadeira adormecido parece encaixar no teu material. Pergunto-me se terás usado isso a título ilustrativo...

ELIAS:  Muito bem.

RODNEY:  ...e me terás descrito algo mais envolvido para além do facto de não ter dormido bem na noite passada. O que pressinto é que isso de algum modo possa achar-se envolvido com a tentativa de assimilar o material, e eu me sentir quer com uma sensação de opressão ou de não estar a captar a coisa. (Elias acena com a cabeça) E esteja como que isolado disso.

ELIAS:  Mas existe um desligamento.

RODNEY:   Quererás falar um pouco sobre isso? Que mensagem encerrará isso?

ELIAS:  Sim.

Bom; a mensagem pode ser um tanto diferente de indivíduo para indivíduo, mas nesta situação, e falando em termos genéricos, o primeiro aspecto assenta da desconexão da actual interacção e em parte da informação.

Bom; quando isso ocorre, geralmente o indivíduo poderá expressar inicialmente, em certas situações, não estar necessariamente interessado. Essa é a resposta automática. Em muitas situações isso pode tornar-se bastante real só que pode não ser válido e o indivíduo pode realmente incorporar um interesse só na desconexão. Nessa situação, o indivíduo não está a assimilar. O que poderá em parte influenciar isso é o indivíduo estar a criar um escudo, uma defesa, em relação a essa informação, em relação o próprio assunto, em combinação com a directa interacção comigo em termos de energia.

Porque geralmente, cada um de vós que participais não se acha completamente ciente da conexão que tem com cada um enquanto falo. Estais mais focados na interacção que estabeleceis individualmente entre vós próprios e mim e na energia que é movida entre nós, o que propicia a criação de dois factores, o da própria energia e o da resposta que lhe dais, a associação que estabeleceis com ela, assim como o assunto – pela aplicação que ele tem sobre vós e pela criação duma vulnerabilidade parcial em relação ao que se poderá dar uma resposta automática de defesa. O outro aspecto da interacção directa das energias entre vós e eu próprio, que propiciam a criação da associação da exposição, e o de que esse acto de vos protegerdes não seja suficiente. Por isso gera-se uma comunicação, uma instrução para com a consciência do corpo no sentido de se fechar, por a combinação da energia e da informação se mostrar equivalente à vulnerabilidade e à exposição – não para comigo próprio nem em relação a ninguém, mas a vós.

A informação será, na percepção que tendes, válida e talvez interessante, mas também gera essa exposição e portanto vulnerabilidade.

Por isso, não é que não estejais a assimilar, porque estais, mas o aspecto do processamento ainda não terá tido início, nesse período o processo está a ser impedido pela defesa e pela protecção.

RODNEY: Isso produz temor.

ELIAS: Pode produzir, assim como pode produzir ameaça em determinados graus. As ameaças nem sempre instauram medo, só que geram uma resposta, e geralmente uma reacção.

A reacção é outro assunto que podemos debater, porque ao começardes a ter noção da vossa natureza genuína, do vosso eu genuíno e da vossa liberdade genuína, a reacção torna-se noutro aspecto que passa a ser e virá a ser atendida numa base crescente, essa reacção torna-se desnecessária, e nesse sentido, constitui uma defesa. Que, se estiverdes a expressar-vos e à vossa liberdade com autenticidade, essa defesa tornar-se-á desnecessária, porque uma reacção é uma expressão que gerais de forma associada a uma ameaça. Quando vos sentis ameaçados, mesmo que não identifiqueis o sentimento e ele vos apresente uma ameaça, geralmente vós reagis. Mas a essência não comporta qualquer ameaça. O vosso eu genuíno não comporta qualquer ameaça, nem consequência.

RODNEY: Resultará a ameaça das crenças que tenho respeitantes a este material ou relativos ao ponto a que me possam conduzir?

ELIAS: Em parte, mas mais no caso das associações. Lembrem-se de que as associações constituem a avaliação que vós produzis em relação a toda e qualquer experiência – TODA e qualquer experiência – inclusive o juízo de valor, o bom e o mau. Para cada experiência que produzis também gerais uma avaliação (crítica) relativa a essa experiência, pelo que ela de algum modo passa a ser identificada quer como boa ou como má. Até mesmo as experiências de carácter neutro encaixam numa dessas categorias de bom ou mau.

RODNEY: Como poderá uma pessoa trabalhar isso? Será que a descoberta das associações que isso comporta oferecerá alguma assistência na minimização da reacção ante a ameaça?

ELIAS: Oferece, com toda a clareza.

RODNEY: Uma outra pergunta que tinha, que encaixa nisto, é eu ter lido, há uns dias atrás uma passagem em que estavas a falar da agressão e da agressividade. Estavas a comentar não ser uma violência nem uma coisa negativa, e existirem aspectos da nossa conduta que isso sirva na perfeição por uma exploração do subconsciente. E de algum modo isso parece ter aqui aplicação, neste material. Mas a mim também parece entrar em contradição, na minha maneira de pensar, com a declaração que também proferiste quanto ao facto do nosso progresso dever tornar-se mais fácil. Esse é um termo inadequado... Ausência de esforço. Parece-me subsistir uma contradição patente em ambos os termos, agressão e ausência de esforço.

ELIAS: Não necessariamente.

RODNEY: Não quererás dizer algo em relação a isso? Penso que diga respeito à questão.

ELIAS: A “ausência de esforço” constitui um aspecto da percepção. O que não quer dizer que a ausência de esforço não requeira acção ou energia ou mesmo uma energia agressiva. É a percepção que classifica as acções em termos de não implicarem esforço ou comportarem um esforço desmesurado. Quando percebeis que uma acção se afigura difícil, rotulais essa acção como comportando esforço. Quando percebeis que uma acção se apresenta fácil, passa a não envolver esforço, independentemente do que essa acção traduza. Essa identificação, esses termos estão directamente ligados à percepção que tendes de cada acto.

RODNEY: Dar-me-ias um exemplo do que quererá a perseguição agressiva do subconsciente... Isso nada representa para mim, se não dispuser dum exemplo. É como na meditação, como me poderei tornar mais agressivo se me abrir ao subconsciente?

ELIAS: Que assunto dirás que refira?

RODNEY: Preciso apontar um assunto?

ELIAS: Deixa que o defina no que diz respeito à meditação. No caso da meditação podeis avançar em dois sentidos completamente distintos. Num sentido, o propósito da meditação, por assim dizer, reside em existirdes. O objectivo, se quisermos, consiste na existência. Por isso, esse tipo de meditação é concebido a fim de experimentardes o vosso sentido de presença, o vosso ser, a vossa qualidade de existir.

Ora bem; nesse tipo de meditação, esse é o único tópico, a existência, e esse tipo de meditação consiste numa expressão de esclarecimento de qualquer aspecto que vos influencie pela inclusão de quaisquer associações. É a acção de experimentardes a vossa existência individual genuína.

RODNEY: Sem apêndices em termos de associações.

ELIAS: Sim. Por isso, uma das acções que está incluída é a de aquietar o mecanismo do pensamento, não a de produzir pensamentos, mas a de acalmardes as comunicações emocionais para experimentardes simplesmente a vossa existência. Lembrem-se de que as comunicações emocionais são bastante específicas. Elas respondem a estímulos e ao que estais a produzir internamente. Trata-se duma comunicação referente ao que fazeis interiormente.

Por isso, se estiverdes a produzir essa experiência e esse acto de existir de forma genuína, não se faz necessário gerar nenhuma comunicação emocional. Não existe nenhuma comunicação que se faça necessária entre as consciências objectiva e subjectiva. Elas são uma só, e apenas denotam a existência.

Bom; mas existe outro...

RODNEY: Antes de deixarmos esse assunto, será que a agressividade se referirá, na aplicação que aí encontra, ao esclarecimento das associações, ou por outras palavras, à focalização da atenção?

ELIAS: Refere, e inclui igualmente um aspecto de determinação.

A outra forma de meditação envolve a escolha dum assunto específico, focar-vos num assunto específico e permitir-vos fundir-vos com o assunto ou com o objectivo, por assim dizer, na produção duma informação renovada e acrescida e na vossa abertura, na abertura da vossa consciência para poderdes receber, e em apresentar a vós próprios uma informação renovada e acrescida em relação a qualquer assunto particular à vossa escolha.

Ora bem; nesse aspecto, engloba um tipo bastante diferente de meditação, porque esse tipo não envolve necessariamente a desconexão do mecanismo do pensar, por estardes a apresentar uma informação renovada e alargada. Portanto, estais a usar os vossos modos de comunicação e ao mecanismo do pensamento cabe o processamento e a tradução disso. Por isso, o desligar, por assim dizer, do pensar não se faz necessário, por desempenhar um papel nessa tradução. Isso pode igualmente incluir outras acções tais com a visualização, não que isso se faça necessário, mas pode incluí-la.

Nesse sentido, se estiverdes a fazer uma meditação relativa a um assunto, e a empreende-la de forma agressiva, isso incluiria um aspecto de determinação, mas deverá inclui igualmente uma atenção bastante focada para esse assunto, a fim de simplificardes ou conferirdes elegância ao tema e o orientardes.

RODNEY: Obrigado.

JOHN: Só para acrescentar uma outra coisa à questão, parte daquilo que estiveste a descrever nesses dois tipos de meditação, um deles envolve o pensamento. Não utilizaste o termo “buscar”, usaste o termo “receber”, o qual difere bastante. Estou a tentar identificar modos de fazer as coisas que possa identificar como forçar a energia, de modo a poder deixar de pressionar tanto a energia. E tenho a impressão de que buscar representaria um tipo de acção de forçar.

ELIAS: Sim, estou de acordo, por isso não representar necessariamente uma permissão. A intenção subjacente ao acto da meditação reside na permissão. Por isso, ao escolherdes um tema subjacente ao modelo de meditação, como quem diz, que inclua o mecanismo do vosso pensamento, é uma questão de estabelecerdes a intenção, o assunto, e de vos focardes nele sem vos permitirdes deslocar-vos noutras direcções mas permanecerdes focados no assunto e permitir que ele se desdobre e esclareça, e de receberdes a energia e a informação que tereis depositado na finalidade que tiverdes estabelecido. Portanto, já tereis projectado a energia a fim de atrairdes aquilo por que sentis interesse.

Nesse sentido, quando estabeleceis activamente esse acto de buscar informação através duma meditação, isso praticamente anula essa acção, por não  lhe dar permissão. Por isso vós criais obstruções e deixais de realizar com a mesma facilidade. Podeis estender a vós próprios pequenas porções de informação, mas não o realizareis tão bem, e o processo não se revelará destituído de esforço. Há-de requerer mais energia, por estardes a pressionar. Ao passo que, se estiverdes a permitir e a confiar no facto de terdes estabelecido a vossa intenção, isso será tudo o que vos será requerido. A informação acha-se toda à vossa disposição. É apenas uma questão de preservardes uma atitude de abertura e de deixar receber isso.

Quando forçais, deixais de vos situar na posição de receber, porque o acto de receber consiste em permanecer aberto e atrair a coisa. Se forçardes estareis a afastar a energia para o exterior. Em razão disso criais essas duas correntes de energia, e que passará a acontecer? Elas confrontam-se, compatibilizam-se e detêm-se entre si, tal como dois objectos numa colisão. A energia move-se de uma forma muito semelhante. Se estiverdes a projectar e a forçar ao mesmo tempo que estiverdes a querer atrair, podeis estar parcialmente a atrair, mas também estareis a projectar essa energia, em razão do que ela passará a confrontar-se, e a colidir, e a deter-se.

JOHN: E isso torna-se frustrante.

ELIAS: Pois, e dá lugar a uma paragem.

NATASHA: Haverá alguma situação em que o forçar se revele um processo benéfico? (Pausa)

ELIAS: Não.

NATASHA: E no caso de querermos fazer algo e não nos sentirmos suficientemente encorajados para tal? Aí encontraremos encorajamento por uma via qualquer por nos termos forçado inicialmente, e assim que estivermos a faze-lo, passamos a obter a satisfação. Nesse caso o acto de pressionar inicial ter-se-á revelado necessário.

ELIAS: Isso não significa necessariamente um forçar. Pode traduzir a motivação, a qual vos inspire para lá da apatia.

ELLA: Mas parece que estejamos a forçar-nos, por termos que ultrapassar algumas das barreiras que sentimos.

ELIAS: Isso é muito semelhante à distinção estabelecida entre a raiva e a irritação. A raiva pode parecer bastante semelhante e mesmo idêntica à irritação, só que ambas geram duas formas de energia distintas. Quando forçais e pressionais, o que fazeis não corresponde genuinamente ao que desejais. Quando forçais e pressionais, um aspecto disso assenta na impaciência. Mas que coisa será a paciência?

NATASHA: É permissão.

ELIAS: Exacto. Paciência é o acto de permitir (deixar ser ou acontecer). Não significa esperar mas permitir. Por isso, se vos sentirdes impacientes, que coisa estareis a fazer? Não estareis a deixar (desdobrar-se).

Nesse sentido, o forçar dá lugar à expressão da impaciência e de não deixar, e geralmente, podeis querer empreender uma acção e não vos sentirdes inteiramente motivados para tal.
Bom; podem existir várias razões para o que vos tenha influenciado tal sentimento de poderdes inicialmente não vos sentir motivados para empreenderdes determinada acção. Pode ser que não confieis inteiramente em vós próprios ou não estejais inteiramente a considerar-vos. Mas existe uma certa persistência no facto de quererdes desempenhar esse acto, pelo que, podeis efectivamente suprimir a hesitação ou a resistência, o que representa o acto de vos desprezardes. Por isso, estareis a afastar essa desvalorização pessoal e a passar para o acto sem o considerardes, a fim de vos possibilitar realizá-lo.

Quando forçais, de facto não quereis genuinamente empreender o acto, pelo que vos forçais a produzi-lo a despeito disso, o que não acarreta qualquer satisfação. Quando realizais a acção, não vos sentis satisfeitos com o facto, por ter representado um acto de forçar, de pressionar – vós não tínheis realmente vontade de o empreender por não vos soar autêntico e não se achar no alinhamento dos vossos princípios, facto de que tínheis conhecimento, quer definais isso para vós próprios ou não. Estais a expressar isso a vós próprios através das vossas próprias comunicações, por a vossa comunicação emocional vo-lo estar a transmitir. Esta será a mensagem: “Tu não estás a querer empreender esta acção.”

ELLA: Tenho a sensação de estarem a ser empregadas muitas palavras mas estás a tentar transmitir-nos a todos algum tipo de mensagem que talvez pudesses apresentar de um modo mais conciso. Existe algum tipo de coisa importante. Tudo o que estás a fazer é, muito claramente, a ensinar-nos a navegar pelas águas do que sentimos, do que isso comporta, e como... Mas existe algo por detrás disso que pressinto que ainda não tenhas dito. Não estou certa. Algo parece estar ainda em falta, por ter um aspecto um tanto desarticulado. Haverá algo que queiras dizer que ainda não tenhas dito? (Riso)

ELIAS: (Sorri) Existem montes de coisas que ainda não referi! Que achas que esteja em falta?

ELLA: Soa a um amontoado de palavras, mas não sei necessariamente o quão se revelará produtivo pôr-me a pensar se será isto ou aquilo ou o que seja. Só quero viver. Não quero estar o tempo todo a resolver enigmas. Não quero ter que estar sempre a apurar que diabo estarei a sentir nem porque razão o estarei a sentir. Quem se importará com isso? Eu estou a viver! Por isso, enquanto intuitiva e talvez intelectualmente tome consciência de estares a transmitir-nos uma informação muito importante, e muitas pessoas para além de nós poderem acreditar nela e provavelmente aprender com ela, que mais restará? Isso deve abrigar mais alguma coisa.

ELIAS: Tens razão. Não é preciso que analiseis cada acção que empreendais. O propósito desta informação revela-se nos momentos em que vos sentis confusos ou nos momentos em que não vos sentis confortáveis, e por intermédio da consciência das respostas automáticas que vos conduzem nas direcções que vos bloqueiam o conforto, por vos focardes muito mais no que vos gera desconforto do que naquilo que pode gerar conforto.

Nesse sentido, não se trata de analisardes nem de avaliardes a cada instante do dia o que estais a fazer nem a forma como o estais a fazer nem o que isso envolva ou signifique. Não é questão de gerardes um esforço excessivo mas de compreenderdes que quanto mais informação estendeis a vós próprios, mas esclarecidos vos tornareis automaticamente, o que não requer análise.

ELLA: Mas parece que isso se dá, em meio a toda a confusão. Concordo contigo. De qualquer modo estou a falar acerca do quanto é mais fácil relaxar em meio às coisas e deixar de me condenar tanto, apenas deixar-me ir com o que quer que surja. Por vezes fico sem saber a razão porque sinto vontade de fazer algo, só que sinto precisar de continuar.

ELIAS: Os meus parabéns. Há muitos indivíduos que não se permitem tal coisa.

ELLA: Então o sentimento constitui um sinal, e também obtenhamos uma mensagem a partir do sentimento, e aí talvez o sinal se dissipe. Por vezes chego mesmo a ter consciência de fazer isso. Talvez o não chegue a verbalizar da forma que o fazes. Aquilo que percebo neste momento é a existência de algum tipo de associação emocional em relação a certas situações. Apesar de poder compreender não ser a melhor situação para estarmos, também sinto que parte de mim sente vontade de permanecer nele, talvez pelo drama ou um tanto pelo sentimento de melancolia.

ELIAS: Por isso, penso que um sentimento terá valor até passarmos por ele, a seguir ao que passamos a abrir mão dele.

Absolutamente! Sim, porque existem muitos sentimentos que se vo-los fosse a nomear – melancolia ou tristeza ou ansiedade – a resposta automática que haveríeis de dar seria a de que isso seja mau, de não o quererdes sentir, ou que vos levaria a sentir angústia. Mas em muitas situações, vós realmente gostais desses sentimentos.

Se estiverdes a assistir a uma peça ou a um drama ou a um filme ou estiverdes a ler um livro ou a escutar uma canção ou até a assistir a uma composição musical que evoque em vós um sentimento de melancolia ou de ansiedade ou de tristeza ou de aflição, não depreciais a apresentação do que vos esteja a estimular esses sentimentos, nem depreciais esses sentimentos. Na realidade apreciai-los, nesse exacto instante, apreciais o facto de estarem a ser evocados desse modo, o que vos propicia uma experiência fácil e confortável em relação aos sentimentos que geralmente classificais em termos negativos, de um modo destituído da qualidade negativa.

Portanto, isso permite-vos expressar a energia dum modo diferente e duma forma benéfica. Permite-vos expressar diversidade no vosso íntimo em relação aos sentimentos que tendes de uma forma destituída de drama e de trauma e sem serdes pessoalmente afectados de uma forma negativa.

ELLA: Isso faz sentido para mim. Só te queria questionar em relação a esse acto de separação sobre o qual estavas a falar. Temos um grupo de amigos em Nova York que reunimos e em que debatemos o material dispensado pelo Seth e coisas assim, e eu tenho notado – até mesmo em relação a outros grupos similares – que espontaneamente nos passamos a reunir menos nos últimos seis meses, por estarmos todos mais ocupados ou isso. Não percebo que nada disso seja mau; só me sinto neutra em relação a isso. Noto esse movimento, e penso que talvez nos encontremos num estado de isolamento que talvez nos seja benéfico a um nível qualquer, e estejamos a tentar encontrar o nosso eu genuíno ou algo semelhante.

ELIAS: Sim, e de certo modo está...

ELLA: Quando nos relacionamos não existem barreiras, só que subsiste uma tendência para nos separarmos ou algo desse estilo.

ELIAS: Pois, o que também consiste num aspecto do processo.

Quando vos digo que o denominador comum do que expressais assenta na separação e no isolamento, em grande parte vós gerais automaticamente uma associação negativa a esses termos. Mas eu não referi que eles fossem negativos.

LYNDA: É bem interessante, por eu já ter passado por isso!

ELIAS: Eu não disse que fossem maus.

LYNDA: Que associação tão automática, exactamente ao vivo e a cores!

ELIAS: Pois é. Mas vós fazeis isso continuamente com as palavras. Eu pronuncio um termo, a palavra “separação”, pronuncio a palavra “isolar-se”, e vós automaticamente associais isso a algo mau.

MELISSA: Pensei que tivesses dito que isso era a má notícia, o que estamos a experimentar.

ELIAS: Eu referi que a má notícia era a de que esta onda se estava a intensificar – o que na vossa percepção representa uma má notícia – que se está a intensificar à medida que se está a desvanecer.

JOHN: Algo que me está a deixar confuso é a questão da definição. Pareces estar a fazer uso do termo “sentimentos” e “emoções” dum modo alternado, situação em que um parecerá diferente do outro. Eu sou emocionalmente focado. Lido com as emoções, enquanto as pessoas de tendência religiosa processam a informação por meio dos sentimentos. Esse parece um modo estranho de colocar a questão, mas existirá uma diferença entre...

ELIAS: Existe.

Bom, neste caso, estás a falar dos tipos de focos...

JOHN: Não necessariamente, só estava a usar isso a fim de estabelecer uma distinção entre...

ELIAS: Mas ao criares o exemplo do tipo de foco e da identificação dum indivíduo focado no aspecto religioso – que eu diria felizmente todos terão consciência de que os indivíduos focados no aspecto religioso não estão relacionado a nenhuma faceta de religião de todo – mas neste sentido, sim, dá-se uma qualidade de processamento da informação por intermédio dos sentimentos.
Agora; nesse contexto, isso abrange mais do que simplesmente os sentimentos associados às comunicações emocionais. Existem imensos tipos de sentimentos. Existem sinais corporais compostos por sensações; vós dispondes de sensações físicas; incorporais sensações relacionados com o sentir. Existem muitos tipos diversos de sentimentos.

JOHN: Então a emoção constitui um tipo de sentimento.

ELIAS: É, o sinal da emoção constitui um tipo de sentimento. A emoção em si mesma não comporta qualquer sentimento. É uma comunicação. O sinal que acompanha a emoção é que se traduz em sentimento. A dificuldade que sentis é a de que ao longo de todo o vosso foco vos terem incutido que os sentimentos e as emoções sejam sinónimos, coisa que não são. Os sentimentos constituem um sinal. Eles assinalam-vos a existência duma comunicação emocional.

Em que termos definimos a emoção? Que coisa será a emoção? Uma comunicação.

ELLA: Falaste em comunicação emocional. Existirão algumas outras comunicações procedentes da essência e dirigidas ao foco?

ELIAS: Há. Existem muitos tipos de comunicação. A comunicação emocional constitui uma vossa forma de comunicação subjectiva relativa ao que estais a fazer interiormente, dirigida à vossa consciência de vigília.

Existem muitos outros tipos de comunicação, como os vossos sentidos, tanto interiores como exteriores. A consciência do vosso corpo incorpora comunicações, e os vossos impulsos, a vossa intuição. Existem muitos tipos de comunicação diferentes.

LYNDA: Nesse caso, qual será o aspecto positivo do isolamento e da separação? Tal como disseste, eu de imediato me encaminhei na direcção de, “Oh filha, estás de novo a isolar-te, devias sair e encontrar-te com as pessoas.” Mas não tenho vontade de sair e de me encontrar com ninguém só que me sinto em conflito por ser essa a resposta automática que dou, forçar-me a sair e a encontrar-me com as pessoas por o isolamento ser prejudicial. Isso fará parte do processo de nos interligarmos genuinamente com a admiração que gero por mais de três segundos de cada vez?

ELIAS: É, o que é bastante semelhante ao que expressei previamente em relação à consciência do corpo e à questão do peso, que a consciência do corpo chega um determinado ponto em que abranda e talvez se detenha temporariamente numa direcção particular.

Nesse sentido, o isolamento e a separação fazem parte desse processo, mas aquilo que automaticamente fazeis é sentir precisardes FAZER algo; precisais mudar a coisa. Estais a experimentar um processo de vos tornardes mais conscientes do vosso eu genuíno e estais a identificar os apêndices ou associações – as ameaças e as consequências que lhe associais que vos propiciam os temores, e a explorar as associações que estabeleceis. Nesse sentido, sim, existe um aspecto do vosso processo através do qual vos voltais para dentro e passais a gerar um aspecto de separação e de isolamento a fim de criardes esse processo da conectividade convosco próprios e obterdes maior clareza em relação a vós próprios, e por isso mesmo tornais-vos mais claramente conscientes das associações e do que vos estimulará certas expressões que dão lugar à sensação de desconforto, assim como estais a tornar-vos mais autónomos na condução da vossa vida.

Mas ao vos impacientardes e ao encarardes a separação ou o isolamento como uma coisa má, gerais uma reacção automática no sentido de o alterar, no sentido de o afastar, de o empurrar para a frente, e no sentido duma acção diferente.

LYNDA: Porque se não o fizer, algo mau poderá acontecer – no meu caso, tornar-me-ei num hipopótamo. Detesto usar-me como um exemplo neste caso, mas tu e eu temos vindo a conversar acerca deste assunto faz muito tempo, em relação ao peso e à consciência do corpo. Penso que esteja a começar a entender a coisa, no facto de poder confiar na consciência do meu corpo, mas isso representa apenas o começo. Podia rapidamente sair-me mal. Mas o que é chave, para mim, é que o medo se traduz pelo: “Não posso parar com a dieta. Posso passar a comer tudo o que me apetecer!” Mas já se passaram dois meses e eu pensei ter começado a comer tudo e isso não se passou, e o meu corpo encontra-se em bom estado. Bem sei que isso é aborrecido por ser o meu pequeno segredo – mas é que eu estava mesmo receosa devido a não fazer dieta.

Estou de novo a permitir-me comer. E a preferência que noto é o facto de estabelecer uma rotina sempre que como, e de que isso não é prejudicial. Tudo bem, só que eu sentia-me confusa e a pensar que a paragem fosse para sempre. Aí senti-me confusa porque se eu posso perder peso, que me acontecerá se acabar tornando-me demasiado esquelética? É assim um tanto esquisito. E tenho vindo a viver esse exemplo, pelo estou a começar a compreender estar bem. Posso abrandar e confiar na paragem.

NATASHA: Esse foi um exemplo excelente.

LYNDA: Eu congratulo-me a mim própria por ser tão fixe, só que tem sido cá um inferno pá, um inferno e tanto. (Elias sorri)

HELEN: Estou a ouvir que esta paragem, independentemente do que seja um assunto que constitui um certo papão para a maioria. Parece-me a mim que a verdadeira paragem que esse papão represente seja a morte, por essa paragem se assemelhar à morte. Deixar de “actuar” assemelha-se a morrer, deixar realmente de dar atenção a alguém sabe a morte. Precisamos abrir mão de nós próprios para podermos dar atenção. É o que eu percebo à medida que dou atenção, o facto da existência duma ligação em relação a este temor, e de que se deixarmos de actuar sobre o que pensamos ser o que somos, se deixarmos de actuar sobre toda a história do que tenhamos dito em relação ao que somos, perdemos de vista aquilo que somos.

ELIAS: Ah, mas...

HELEN: Essa é a boa notícia, visto pelo outro ângulo. Não estamos verdadeiramente a perder isso de vista aquilo que somos. Será isso que...?

ELIAS: Mas não é aí que reside a questão. Não vos estais a perder de vista.

HELEN: Uma parte de mim sente-se à vontade para saltar para o outro lado e dizer que se trate do começo da melhor parte, que se trate da parte impressionante, e que consigo lá chegar.

ELIAS: Correcto, mas estou a compreender aquilo que me estás a dizer, o facto disso poder ser atemorizante, por a percepção ser a de que, “Se neste instante não correspondo ao meu eu genuíno, que coisa serei eu? Se agora desconheço o meu eu genuíno, que apresentarei a mim própria que me traduza isso?”

Não vos estais a perder de vista. Nesse sentido, mesmo em relação às associações ou aos apêndices, vós não os estais a eliminar pelo facto de não terem existência ou de não serem reais. Não os estais a remover de uma forma que revelem não mais estarem de todo associados a vós.

Usamos previamente o exemplo do apêndice ou associação bastante ampla e comum que é a da independência, e de como todos vós encarais a independência como algo bom e que quanto mais independência expressais em relação a vós próprios, quanto mais a vedes, mais a percebeis como uma parte efectiva do vosso eu genuíno. Não faz parte do vosso eu genuíno. Constitui um apêndice.

Bom; ao identificardes que se trata dum apêndice, o propósito, tal como estavas a referir, não é o que de tudo o que conheceis na vossa realidade seja errado e deva ser removido, nem que toda a vossa realidade precise ser analisada ao pormenor a fim de avaliardes se será certa ou errada. O conhecimento daquilo que tais apêndices sejam, o conhecimento das associações constitui um aspecto da vossa liberdade.

Tampouco quer dizer que possais necessariamente escolher alterá-los; não podeis. Mas isso é uma escolha. Não é mais automático. Nem constitui uma reacção; Não se trata duma resposta automática; é uma opção que gerais intencionalmente, que vos permite dirigir-vos de forma deliberada.

Nesse sentido, e no caso do exemplo que sugerimos do apêndice da independência, isso não quer dizer que seja mau ver-vos como independentes ou expressar formas de conduta independentes, mas refere o conhecimento deles e daquilo que os motiva, e a obtenção da consciência de corresponderem às vossas escolhas, não por serem expressões que vos tenham sido incutidas ou que tenhais aprendido que sejam melhores mas que vós escolheis uma acção por ela se mover no alinhamento das vossas directrizes individuais e vos ser natural, desse modo obtendo consciência de que as diferenças que vos caracterizam são bastante admissíveis.

Existem alguns na vossa realidade que não se voltam naturalmente no sentido de estabelecerem associações em relação a esse apêndice da independência, por o seu fluxo de energia natural, a sua expressão natural não se direccionar no sentido da expressão do que definis como independência. Esses indivíduos virão a lutar ou lutam por darem lugar a expectativas em relação a si próprios: “Eu devia ser isto, eu devia fazer aquilo.” Ou então as pessoas criam uma sensibilidade emocional, uma sensibilidade ao nível dos SENTIMENTOS por meio da qual passam a reagir às situações e aos outros pelo modo que descreveis como sendo emotivo – mas em muitas situações, de muitas formas, isso socialmente não é inteiramente encarado como admissível, na vossa realidade. Essa é a sua expressão natural, só que o apêndice que agregais à coisa é que devíeis ser fortes, devíeis ser estóicos, devíeis usar a lógica, devíeis ser racionais, devíeis ser sempre reactivos, devíeis ser controlados.

HELEN: Então os apêndices, as expectativas e o julgamento andam de mãos dadas?

ELIAS: Eles movem-se em conjunto. Isso, uma vez mais, não subentende a questão da análise sistemática de toda a acção que produzis. Mas cada um tem momentos e situações em que vos sentireis com falta de conforto, e torna-se significativo e importante entender o que produz isso. A que vos estareis a opor que vos esteja a produzir tal desconforto? A que estareis a responder ou a reagir que vos instile temor?

A ameaça é passível de ser expressada sem medo; já o medo não é expressado sem uma ameaça. O medo consiste na combinação da percepção da ameaça e da consequência, quer seja real ou imaginária. É a combinação da ameaça percebida e da consequência, daquilo em que a ameaça consiste e daquilo que traduzirá a consequência percebida que estareis a antecipar, e não que estareis efectivamente a experimentar.

Podeis estar a experimentar o sentimento do medo mas o mais provável é que não estejais a experimentar a ameaça efectiva nem a consequência que procede dele. Estais a antecipar a ameaça e a consequência, o que dá lugar ao temor, por não lhe estardes a dar atenção. Em termos gerais, vós nem sequer o definis. Não vos inquiris sobre a natureza da ameaça, nem da consequência, da possível consequência, nem se de facto será genuína.

A questão reside no facto de que todos vós passais por situações e alturas em que vos sentis confusos e sentis desconforto, e sentis aflição e temor, e nesse sentido não quereis sentir. Por isso, como haveis de deixar de sentir? Voltar a vossa atenção para as fontes externas percebidas não serve de consolo, por não vos dissipar o sentimento nem vos aliviar o desconforto. Por isso, que vos produzirá tal acto? Além disso, se tiverdes consciência de que quanto mais esclarecidos fordes em relação a vós próprios mais informação havereis de obter, e mais passareis a compreender em termos objectivos, para além do espectro das vossas opções, das vossas escolhas, das vossas direcções, do que fazeis e do que vireis a fazer caso se amplie mais, com o que mais autoridade outorgareis a vós próprios e mais autónomos vos tornareis.

Não, uma vez mais, vós não estais a criar nenhuma Utopia. Se escolherdes permanecer nesta realidade, haveis de propor desafios a vós próprios. Desafio é um outro termo que não significa automaticamente algo prejudicial. Mas haveis de continuar a propor desafios a vós próprios, e em certos casos haveis de continuar a apresentar situações e experiências que não sejam completamente confortáveis, só que tereis consciência do que englobam e tereis consciência das escolhas que estipulais em relação a elas. Tal como referiste, “Posso não me achar sempre numa posição confortável, mas tenho consciência de poder permitir-me sentir isso e acompanhá-lo, que isso passará a dissipar-se, e tenho confiança no facto de que proporei a mim próprio uma direcção, uma informação. Mesmo que não disponha dessa informação neste momento, tenho confiança no facto de vir a apresentar a mim própria tal informação.”

Em situações que o indivíduo percebe como intensas, independentemente do que comportem - quer se trate duma intensidade agravada ou benéfica, segundo a concepção que fazeis - na maioria dos casos as pessoas não exercitam necessária nem automaticamente a paciência, mas tratam de reclamar uma resposta imediata. E se não propuserem a si próprios uma resposta imediata de forma objectiva que o seu mecanismo do pensamento possa traduzir, começam a agir. Porque o SENTIMENTO desperta, o sinal, o qual vos passa a expressar internamente a comunicação: “Neste momento estás a tornar-te impaciente. Não estás a deixar acontecer”, e o sentimento realça isso. Ao invés de agirdes sobre a mensagem, agis sobre o sentimento: “Sinto-me numa situação de desconforto, pelo que passarei a agir sobre o sentimento.”

O sentimento é ilusório. Ele dissipar-se-á junto com a informação. Por mais intenso que possais tornar um sentimento qualquer que crieis, ele dissipar-se-á num instante se compreenderdes a informação. Se compreenderdes a comunicação, haveis de dissipar instantaneamente o sentimento, por se tornar desnecessário. Ele é especificamente concebido para servir de alarme. Se detectardes o fogo, o alarme deixará de se fazer necessário.

DANIIL: Eu notei que se estiver a sentir-me com sono, e me permitir ir para a cama deitar-me directamente, antes mesmo de me deitar fico bem.

NATASHA: É por isso que não consigo que vás para a cama! (Elias ri junto com o grupo)

ELLA: O Rodney estava a falar sobre sentir-nos sonolentos, mas penso que a sonolência que sinto seja um tanto diferente. Em certas alturas desta sessão sinto-me extremamente entorpecida, e talvez se deva a uma acção qualquer por parte dos cristais, não?

ELIAS: Que impressão colhes?

ELLA: Sinto imensas vibrações na região superior do corpo, o que se torna bastante palpável e concreto. Atravesso um período de entorpecimento extremo, mas logo passo a sentir-me bem de novo. Por isso, que impressão colherás disso?

ELIAS: (Ri) Já expliquei muitas vezes, anteriormente, que os cristais de muitos modos são receptores. Eles são condutores de energia e são canais. Por isso, na presença física de cristais, de várias formas e dependendo da vossa abertura e do movimento que dais à vossa energia, eles podem tornar-se num factor de atrapalhação.

ELLA: Penso que possa tratar-se duma combinação. Penso que tenha evitado ou bloqueado parte da informação, mas parte da vibração brota da tua direita.

ELIAS: Eles podem ser empregues seja em que direcção for. Podem permitir que o indivíduo se foque com intensidade assim como podem causar distracção e exercer um efeito de dispersão na energia, por depender do facto de estardes ou não a dirigir a vossa própria energia. Se a vossa energia se estiver a deslocar ao sabor da corrente, se se dispersar, os cristais podem tornar-se bastante perturbadores, por absorverem essa energia e vos responderem passando a atrair mais essa energia. Mas também podem tornar-se prestativos na focagem da vossa energia, por a estardes a dirigir e os cristais vo-lo estarem a reflectir.

ELLA: Então deve ter ocorrido algum acto de evitar, mas também alguma distracção por parte dos cristais.

ELIAS: Foi.

ELLA: Obrigado!

ELIAS: Não tens de quê. (Sorri)

RODNEY: Qual será a onda que se formará na consciência a seguir?

ELIAS: Isso depende da vossa escolha, não será? Quando escolherdes, eu digo-vos e passo a identificá-la.

NATASHA: Desde que não se torne num tsunami!

ELIAS: Ah, mas isso depende igualmente da vossa escolha, não será? Ah ah ah!

INNA: Eu tive um sonho que evocava as águas a subir de nível – uma coisa assustadora.

ELIAS: Ah, uma vez mais, o caso duma interpretação automática – águas a subir de nível - algo mau. Mas poderá aquilo que assusta ser bom?

ANN: Elias, disseste anteriormente que o medo é gerado a partir do exterior. Quando tomarmos todos consciência da nossa ligação interior, o medo dissipar-se-á naturalmente, desaparecerá?

ELLA: Quando alcançarmos de facto esse sentimento que expresse a maior aceitação e permissão que podemos oferecer a nós próprios, para mim isso assemelha-se bastante ao amor. Nesse estado, quando medito ou faço outra coisa qualquer, volto de repente a atenção com toda a naturalidade de mim própria para todo o planeta. Penso que já terei escutado falar sobre isso, só que queria compreender. Será isso de facto benéfico para todo o planeta, o facto de vir a poder voltar a minha energia desse modo e na direcção de todo...?

ELIAS: Sim, sim, absolutamente.

ELLA: Geralmente isso abrange tudo. A essa altura sinto como se tudo fosse eu própria, e eu seja cada indivíduo.

ELIAS: Sim, e isso afecta sobremodo, e propaga-se por meio duma ondulação pela consciência, absolutamente.

ELLA: Mesmo na altura em que a pessoa opere isso?

ELIAS: Sim. Não consigo enfatizar o suficiente o poder e o significado de que o indivíduo está investido, o poder de que cada um de vós está investido, nem do facto de que cada um de vós propaga e reverbera no sentido do exterior muito mais e duma forma muito mais forte do que podeis ter consciência ou do que reconheceis.

ELLA: Frequentemente sinto-me desamparada quando algo ocorre por poder fazer apenas muito pouca coisa. Posso enviar dinheiro ou assim. Só que não vou com interesses políticos nem nada disso, pelo que o que estás a dizer...

ELIAS: Não importa. Tu ESTÁS a agir e estás a afectar a cada instante. Estais continuamente a afectar.

JOHN: Em relação às ondas, que significado terão quando tiverem terminado todas? Só nos faltam três; a relativa a determinados sentidos, a da ciência e a da religião.

ELIAS: E mais? (Gera-se uma discussão por parte do grupo mas sem que surja qualquer resposta) O universo, a criação do universo. (Mais discussão sobreposta por parte do grupo)

INNA: Lá por volta de 2012 não teremos já atravessado todas? (Riso, seguido de mais conversa)

LYNDA: Só queria dizer mais uma coisa antes de seguirmos o nosso próprio caminho. A Jale envia-te um olá – está bem assim, Bobbi?

ELIAS: Mas tu podes endereçar-lhe os meus cumprimentos, igualmente.

BEN: Por este parecer um grupo interessante, existirá alguma outra época ou situação inerente a outro foco em que estejamos todos juntos de um modo semelhante?

ELIAS: Existe. (Muita excitação por parte do grupo)

BEN: Quererás explicar?

ELIAS: Tanto no passado como no futuro. No passado reporta-se ao século 18, numa situação em que participais todos...

BEN: Na revolução francesa?

ELIAS: Sim. E em relação ao futuro situa-se numa época referente ao vosso século 25. Todos vós participais dessa forma num grupo semelhante, não deste modo mas em relação a um novo tipo de exploração relativo ao vosso universo, em moldes bastante diversos.

ELLA: Encontrar-te-ás lá ainda, a responder a perguntas?

ELIAS: Não, não deste modo. Numa exploração que todos partilhais em relação ao vosso universo, muito para lá do que conheceis actualmente.

BEN: Na revolução francesa...

LYNDA: ...posicionar-nos-emos do lado de todas as facções?

ELIAS: Posicionais-vos, mas sois todos conhecidos uns dos outros e tomais parte uns com os outros.

BEN: Então, porque razão nos reuniríamos todos?

KEN: Para nos chegarmos a conhecer?

ELIAS: Não, isso já vós conheceis. Ao já conhecerdes conhecimento (uns dos outros), passais a explorar uma direcção diferente que não incorpore necessária nem de forma tão completa o conflito que estava a ser expressado – por não vos sentirdes confortáveis com esse conflito por via de várias razões, e por não existir acordo algum ao nível das filosofias – mas com o propósito de honrardes as relações e as ligações, e por isso mesmo em busca da exploração e numa procura dum sentido diverso.

KATHLEEN: Eu tenho uma pergunta muito rápida da parte da Anet. Ela diz que passou por algumas experiências desagradáveis com aqueles que alinham pelo tipo intermédio – ela é soft – e esse foi o sucedido no caso de dois amigos comuns e familiares. Ela supõe que isso possa fazer parte da onda da emoção e da intensidade que ela está a apresentar, mas disse não ter a certeza se a onda respeitante à ciência já terá começado ou não.

ELIAS: Não.

ELLA: A onda relativa à ciência, será por essa altura que se darão muitas descobertas?

ELIAS: Talvez; é uma possibilidade. Veremos, porque ainda não escolhestes se essa virá a ser a próxima onda ou não, pelo que permanece numa posição a decidir-se.

ELLA: Que teremos escolhido?

ELIAS: Ainda não escolhestes!

ELLA: Eu não me estou a referir a nenhuma onda. Que teremos escolhido, algo que tenhamos escolhido exactamente agora que seja do teu conhecimento e possas divulgar?

ELIAS: Em que aspecto?

ELLA: Com o que estaremos a progredir no sentido de nos tornarmos ou não... (Riso)

ELIAS: Muito bem, meus amigos...

VERONICA: Elias! Comecei recentemente a praticar Qigong. Servirá a sua prática como uma via alterna de acesso a nós próprios, como o caminho das energias universais em direcção a nós próprios?

ELIAS: Podes empregar isso como um método.

VERONICA: Existirá alguma hierarquia no que diz respeito ao exercício das energias?

ELIAS: Não.

KATHLEEN: Posso descobrir se serei ou não intermédia?

ELIAS: És.

KATHLEEN: E emocional?

ELIAS: Sim.

KATHLEEN: E se serei um foco de iniciação?

ELIAS: No, de continuidade.

KATHLEEN: Muito obrigado!

KEN: Podes-me dizer o meu nome da essência? (Pausa)

ELIAS: Marcel.

KATHLEEN: Será que os nomes da essência permanecem os mesmos ao longo do nosso foco?

ELIAS: Basicamente; Mas eles flutuam.

INNA: Então qual será o meu, neste momento?

ELIAS: O mesmo.

HELEN: Eu terei um nome correspondente à essência?

ELIAS: Nome da essência, Lillie. Família da essência, Sumari; alinhamento, Tumold; orientação, intermédia; tipo de foco, religioso.

Muito bem, meus amigos!

GROUP: Obrigado! (Aclamações e aplausos)

ELIAS: Não tendes motivo para tal. Estendo a cada um de vós um sincero afecto e um enorme encorajamento, e como de costume, um formidável apoio nas vossas jornadas e nas explorações que estais a fazer, e um enorme carinho afectuoso com amizade. A todos vós, au revoir.

GROUP: Adeus, Elias! Au revoir!

Tempo total da sessão: 2 horas e 56 minutos.



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O MATERIAL ELIAS