sexta-feira, 19 de agosto de 2011

AJUDAR O OUTRO A DESCOBRIR A CHAVE DELE


SESSÃO #2886
”Ajudar o Outro a Descobrir a Sua Chave”
1 de Dezembro de 2009 (Privada/Telefone)
Participantes: Mary/Michael e Rose/Quilan
Tradução: Amadeu Duarte
ELIAS: Boa noite.
ROSE: Boa tarde. (ambos riem) Olá... Elias?
ELIAS: Sim.
ROSE: Que se poderá fazer quando temos mais perguntas do que tempo para as colocar ao Elias?
ELIAS: Ah, ah, ah. Procurais averiguar as questões mais importantes e em relação às restantes, tratais de lhes dedicar um tempo para lhes dardes atenção, de modo a praticardes a capacidade de lhes responder por vós próprios.
ROSE: Eu já sabia que ias dizer isso; como é que eu sabia? Ah, ah, ah. (ambos riem) Tudo bem. Na última sessão falávamos acerca da “chave”, e mencionaste um termo que me tocou sobremodo, que foi: desconstruir. E isso tem-me deixado a pensar. Além disso recebi reacções bastante significativas da parte das outras pessoas (em relação à sessão). Muitos têm alguém que se encontra desesperadamente a tentar ir ao encontro de alguém, em busca dessa “chave”. E isso fez-me reflectir em relação a este reduto em nós em que poderemos validar a percepção do outro, sem cair na tentação, por mais subtil que seja, de reduzir tudo a termos tais como: “Oh, ele está a atravessar aquela fase, ou ela está a atravessar aquela fase difícil.”
Sabes que há... Quando atravessei esse período, alguém me dizia: “Pois, exactamente, pois, exactamente.” Mas eu sentia que isso não passava de retórica, tipo retórica profissional, sem se revelar autêntico. E por vezes torna-se demasiado fácil usar de compreensão e de empatia e de compaixão para com alguém que esteja a atravessar algo que conhecemos por experiência própria. Já quando alguém expressa algo que não conseguimos reconhecer em nós próprios, isso já se torna mais num desafio, por ser mais estranho. E eu pensei em pedir-te que me desses uma pequena pista sobre o modo como poderemos descobrir esse reduto, como poderemos chegar ao outro a partir desse reduto de autenticidade.

ELIAS: Eu diria que o facto de reconheceres a existência de alturas em que poderás apresentar a ti próprio outro indivíduo cuja experiência te possa soar um tanto estranha em situações que tais é digno de nota e revela perspicácia – no caso de não incorporares nenhuma experiência da tua parte através da qual poderias encontrar laços similares, porquanto isso torna difícil gerar uma ligação genuína com o outro, para não referir um a permissão genuína em relação a ele.
Porque podes achar ser capaz de te associares com o outro com facilidade mas como a experiência por que passa se revela completamente diferente e estranha da que tu experimentas, podes deixar de compreender de modo genuíno aquilo porque passa, e a reacção automática que as pessoas assumem é, como quem diz, a de a descartarem.
Ora bem; quando digo descartar, não quer dizer que volteis costas ao indivíduo ou que deixeis de o contactar, mas é que ocorre uma acção automática através da qual o vosso próprio mecanismo começa em busca duma experiência semelhante a fim de associar ao que o outro esteja a experimentar, de modo a poder gerar alguma pequena chamazinha de entendimento, por mais pequena que seja. E se o vosso mecanismo do pensamento não for capaz de identificar qualquer elemento a que possa associar algum entendimento, o que acontece é que o aspecto desse vosso pensamento passa a descartar a experiência alheia, por ser incapaz de a compreender. E nesse processo, o que acontece é que se continuardes a abordar o indivíduo, imediatamente o sentimento irá assumir a função do mecanismo do pensamento. O mecanismo do pensamento revelou-se incapaz de gerar entendimento pelo que agora a esfera do sentimento passa a tomar parte e procura processar a situação a partir dum ângulo diferente – o do sentimento – o qual também poderá não criar esse entendimento de modo que o que passa a acontecer é que o indivíduo automaticamente passa a assumir o papel de procurar dispensar conselhos, ou informação, ou corrigir (o que ache que esteja “mal”).

ROSE: Uhm.

ELIAS: Essa é a razão porque é tão frequente as pessoas procederem desse modo. De certa forma, trata-se da situação hipotética duma ordem hierárquica. O mecanismo do pensamento é o primeiro factor dessa ordem de coisas. Quando ele falha, o sentimento passa a assumir a sua posição. Quando falha, aí baldais-vos automaticamente para a esfera racional. E a racionalização volta a activar o mecanismo do pensamento, ainda que de um modo diferente; por outras vias. E o vosso aspecto racional passa a expressar:”Não é preciso entender; não é preciso dispor dum conhecimento completo e é suficiente empregar a informação de que dispomos a fim de encontrarmos uma solução.
Mas isso é exactamente aquilo que estávamos a debater na nossa anterior conversa, o que as pessoas tendem automaticamente a fazer, e o que não constitui qualquer ajuda, e o que NÃO auxilia de todo a orientar o outro na direcção da descoberta da “chave” (para o seu problema). E nisso, quando deixais de ser capazes de compreender sempre que não possuís qualquer experiência através da qual possais identificar alguma semelhança com isso, é altura para passardes a escutar com autenticidade.
ROSE: Uhm.

ELIAS: Dar atenção ao que o outro expressa, e ESCUTAR com mais do que os ouvido – escutar com o sentimento. Escutar com o vosso sentido de empatia a fim de vos permitirdes chegar ao outro, a despeito de compreenderdes (ou não) mas permitindo que possais contactá-lo de um modo empático e com atenção para não cairdes na busca automática de soluções ou de correcção, coisa que é de todo demasiado fácil fazer. Porque o indivíduo que escuta muitas vezes sente-se impotente.

Rose: Peço desculpa mas a última parte… A ligação hoje está fraca e por vezes deixo de ouvir certas sílabas do que estás a dizer, pelo que muitas vezes não consigo entender a partir deste lado. Será que poderias repetir?
ELIAS: Sim. O que o outro nessa situação é levado a sentir-se impotente e essa é a razão porque se viram automaticamente no sentido da busca duma solução ou de procurar corrigir ou aconselhar.
Esse é o aspecto em que se torna demasiado fácil cair, pelo que é reconhecer sentir-se impotente para corrigir a situação do outro, mas o que poderá fazer, SEM ser com o fim de minimizar a situação – o que constitui igualmente outra reacção automática – é escutar o outro de forma genuína e o que ele exprime em relação à experiência porque passa, de forma a conseguir aceitar isso. Não, aconselhar, nem deixar-se deslizar para expressões tais como: ”Não, isso não é verdade.” Ou, “Não, a situação não é essa.” É sim; essa É precisamente a situação que ele está a atravessar, e é bastante real. E nesse sentido, escutardes com os ouvidos e com o sentimento e admitirdes por meio duma energia de segurança.
Se aquele que pretende oferecer auxílio e apoio não conseguir recordar mais nenhum aspecto, aquele que se torna de todo importante nessa situação é passar a dar lugar a uma expressar de segurança, porque, se aquele que se estiver numa situação de aflição reconhecer e sentir segurança na expressão do que quer que seja de significativo ao outro, ele deixará de sentir a pressão de tentar convencer.
Ele sentir-se-á aceite e atendido. E como se sente atendido, isso permite-lhe deixar de lutar consigo próprio. Essa luta é o que gera aquilo que estivemos a debater, em termos de comparação de energias e de extremos. Se o indivíduo será capaz de deixar de lutar consigo próprio e de permitir que a consciência do corpo se mova com mais naturalidade, porque isso permitirá que a consciência do corpo expresse o seu ritmo dum modo mais efectivo e que comece a implementar a descontracção ( Nota do tradutor: Esta é a descrição do efeito do que vulgarmente se apelida de “meditação”). Não por em cheio mas por incrementos; mas ela começará a descontrair.
E assim que ela começar a relaxar, o indivíduo começará a expressar menos esse círculo permanente da ameaça e da auto-depreciação e da diminuição própria. Nesse sentido, à medida que aquele que presta apoio continua a lhe dar atenção, e continua a não corrigir e a expressar, ao invés, essa energia de segurança, através da qual o que for que ganhe expressão não o colocará em risco, e pode exprimir-se como quiser, que continuará a estar a salvo nessa companhia, isso altera a energia do indivíduo que se acha em conflito e permite-lhe começar a ver ser capaz de alcançar a sua “chave”. Além disso também lhe permite deixar de focar-se com tal intensidade nas ideias que abriga, de não ser capaz de descobrir ou perceber mais nenhuma expressão ou orientação. E a essa altura aquele que presta apoio pode começar a partilhar; não aconselhar, não corrigir, mas começar a partilhar, de modo que o outro será capaz de perceber essa partilha. O que passará a servir de ajuda no processo de lhe permitir descobrir a sua “chave”. (Nota do tradutor: Elias nesta passagem faz uma subtil referência ao facto da inexistência de qualquer autoridade)
Mas no início, o elemento MAIS significativo - que poderá necessitar de algum tempo e não produzir logo o efeito duma mudança, por assim dizer; gera um efeito imediato em termos de energia, mas pode não gerar uma mudança imediata. Mas nesse sentido, a acção mais importante que o indivíduo que está de fora pode empreender é prestar um apoio genuíno por meio da segurança que gera, e através da atenção.
Deixa que te diga, minha amiga, que até mesmo alguém que esteja decidido a cometer suicídio, se esse indivíduo se deparar com alguém que o não dissuada de tal tentativa e que lhe não diga meramente: “Não faças isso”, nem lhe proponha um leque de razões porque precisará deixar de cometer tal acto, se o indivíduo puder deparar-se com um indivíduo que expresse tal aceitação e o admita (Nota do tradutor: a expressão da vontade como sinal que é, e não o acto efectivo, por qualquer forma indirecta de encorajamento) isso deixará patente que aceita (possui uma capacidade efectiva de aceitação) e de que isso constitui uma escolha que é admissível, em sinal do desespero. Quando esse desespero é reconhecido, passa a criar-se uma oportunidade a que aquele que procura cometer suicídio detenha essa vontade.
E a que na verdade comece a participar mais ao invés de deixar de o fazer. Porque, em termos gerais, a maioria – não toda a gente, mas a maior parte – daqueles que abrigam a ideia do suicídio não têm vontade efectiva de pôr termo à vida, mas reclamam apenas atenção, e reconhecimento. E sentem intensamente não estarem a ser alvo desse reconhecimento, por se sentirem incompreendidos, por não estarem a receber atenção, em razão do que não terão importância. E como não têm importância, por não se acharem presentes em si próprios, todos aqueles ao seu redor estarão melhor sem eles e mais felizes, todos se sentirão mais satisfeitos, pois passarão a importar-se menos. E eles convencem-se demasiado disso, pelo que isso passa a tornar-se efectivo.
É suficientemente real para o indivíduo, pelo que ridículo será procurar convence-lo do contrário, pois ele já está convencido daquilo em que crê em termos tão absolutos. E nesse sentido, como já expressei muitas vezes, aquilo que acreditais numa dada altura também confiais implicitamente, e nessas situações o indivíduo confia de modo implícito na sua inutilidade e no incómodo que acarretam para os outros, e tentativa alguma de convencimento (do contrário) será bem sucedido, por já se convencerem e isso já possuir um carácter absoluto. E nesse sentido, quando lhe proporcionais esse reconhecimento, ele passa a reconhecer quase de imediato não precisar de vos convencer mais e não mais ser necessário lutar.
Bom; compreende que eu NÃO estou a querer dizer que no caso de te confrontares com uma pessoa que exprima vontade de se suicidar, ou de se matar e se sinta como um perfeito inútil – não estou a dizer que concordeis com ele nem que lhe digais: “Pois, tens razão. Não prestas para nada e como tal é o melhor que tens a fazer; matar-te.” Não é isso, porque isso tampouco ajuda e apenas irá diminuir o indivíduo, para além da medida que já se impugna a si próprio. Além de que, isso é tão depreciativo quanto dizer-lhe: “Oh, não; tu possuis o teu sentido de dignidade. Não há razão para sentires qualquer culpa.”
Ambas as afirmativas são depreciativas. O que não será depreciativo será reconhecer que isso seja o que o indivíduo esteja a sentir; que isso é bastante real para ele, e que quer entendais ou não o que ele sente, vós reconheceis isso e que ele está a salvo junto de vós.

Rose: Eu entendo. Elias, a ligação está muito fraca, e não sei o que fazer. Penso que terei compreendido a maior parte; quer dizer, consegui escutar a maior parte e compreendi aquilo que disseste... (inaudível) mas espero que a gravação que a Mary está a fazer seja melhor que a minha.
Há muito tempo que me interrogo, não em relação a mim própria mas no geral, pois eu tenho muitas interrogações sobre mim própria, mas também me interrogo acerca disto, e esta encaixa perfeitamente no que estivemos a debater nestas duas últimas sessões, pelo que me sinto completamente tentada a perguntar-te agora, só que não dei a atenção necessária ao que me diz respeito e me sinto um tanto... Ah, pergunto-te e sinto quase a certeza de que tudo se resolverá.
Que poderá um indivíduo cheio de problemas e, digamos, que tenha tido uma educação difícil e passado por experiências traumáticas e não tenha acesso a qualquer terapia – que poderá um indivíduo sem o apoio dum terapeuta ou seja lá do que for, diminuir a dor que sente e curar as suas feridas de forma a poder prosseguir? Elias, muito do que mencionaste nas últimas duas sessões já se aplica a isso tudo mas parece faltar algo, razão porque sou levada a interrogar-te sobre isso nesta altura.

Elias: Desprovido de qualquer interacção proveniente de qualquer outro indivíduo, e nessa posição de absoluta confusão e de trevas, o que poderá começar a fazer, em si mesmo, e antes de mais, é prestar atenção a cada instante de forma genuína...

Rose: Não estou a escutar nada. A linha emudeceu deste lado. Poderias repetir... O que poderá esse indivíduo fazer?
Elias:... É gerar a cada instante em si mesmo o reconhecimento desse mesmo instante e mais nenhum. E que nesse exacto Instante não está a fazer nada do que terá feito ou acontecido anteriormente. A culpa procede de trás, e quem diz culpa também diz o arrependimento. Tudo isso é gerado em relação ao passado. As pessoas não são levadas a sentir culpa nem arrependimento pelo momento; sentem culpa ou arrependimento por recordarem uma acção...
Rose: Pois.
Elias:...Por isso o primeiro passo mesmo, consiste apenas em permitir-se deter-se duma forma genuína e sentir o momento – esse instante, esse segundo. E expressar para consigo – não apenas em pensamento mas dizendo efectivamente a si próprio por palavras, por via concreta: “Neste instante isso não está a ter lugar; neste instante NÃO estou a empreender nenhuma dessas acções de que me arrependo ou em relação às quais me sinto arrependido. Que estou a fazer neste instante? Não o que passarei a fazer, nem o que terei feito – que estarei a fazer neste instante? Estou sentado; estou de pé; estou a caminhar; estou a comer”; seja o que for que esteja a fazer neste instante, posso reconhecer o que esteja a fazer e dizer para comigo próprio: “O que estou neste preciso instante será ofensivo em relação a alguém? Não.” A menos que nesse instante o indivíduo esteja a cometer um assassinato ou um acto de violência, o que à partida impossibilitaria tal inquirição. (Nota do tradutor: Note-se que este processo que o Elias aqui refere constitui a base comum de todo o processo do equilíbrio psíquico e somático e é deveras significativo como base de implementação dos alicerces desse equilíbrio, não obstante o mais das vezes, passar despercebido ou não ser considerado pela especialidade)
Mas se o indivíduo se achar em conflito e nessa condição de trevas em relação a experiências acumuladas do passado e se sente cheio de remorsos e culpado, ele pode deter-se e prestar atenção ao que está a fazer nesse instante e reconhecer que nesse instante não está a cometer nenhum acto ofensivo em relação a ninguém, pelo que isso constituirá UM passo.
Ora bem; também advogo bastante o indivíduo que se sente em tal extremo do conflito e se encontra em meio a tais trevas a arriscar e a ousar procurar alguém porque, geralmente, quando um indivíduo se encontra nesse estado, torna-se de todo difícil alterar isso por si só. Pode ser levado a efeito só que se torna sobremodo difícil, e nessas situações, quando o indivíduo se acha em tal conflito, aquilo que procura e que mais necessita É de se aproximar (dos outros) porque isso é aquilo de que se sente mais necessitado. Por isso sugiro e advogo fortemente que ele procure outra pessoa.
Rose: Pois, mas e no caso do indivíduo não carregar qualquer sensação de culpa mas apenas vítima por ter sido objecto de abuso e se sentir demasiado exposto e impotente e mal consegue sobreviver emocional e talvez fisicamente, ou talvez traumatizado? Este mundo é de tal modo cheio de sofrimento, e nem todos têm acesso a terapia, o que é algo que se tem vindo a impor ao meu pensamento com regularidade. Por isso...

Elias: Sim, isso é exacto.

Rose: Nesse caso que dirias a isso?
Elias: Isso está correcto, sim. É verdade que nem todos reúnem condições para assegurar isso e indivíduos hão que terão dado lugar a experiências muito perigosas e ofensivas e que nesse sentido, se terão tornado vítimas e não estarão acostumadas a nada excepto a tornar-se vítimas. E nesse caso aquilo que eu diria – apesar disso poder parecer pouco usual, na concepção que fazeis – mas a sugestão que daria a tal indivíduo seria a de tentar procurar um animal, por estar a comportar uma terrível falta de confiança, tanto em si mesmos como nos outros e se achar bastante engolfado no papel de vítima, e a acção mais terapêutica que poderá propor a si próprio a título de contribuição é permitir-se o simples acto de se relacionar com um animal. (Quando o Elias mencionou a palavra animal a sua voz soou-me de um modo muito belo)
Rose: Se relacionar... E a seguir o que foi que disseste?
Elias: Com um animal.
Rose: (Em repetição) Com um animal.
Elias: As vossas criaturas que se acham na vossa realidade são essencialmente dadas à aceitação (por natureza) e não formulam juízos de valor, nem corrigem, nem aconselham mas aceitam e manifestam afecto. E nesse sentido revelam-se bastante terapêuticas e traduzem segurança. Fornecem uma energia de segurança sem proferirem qualquer palavra. Por isso, o maior dom que um indivíduo - como os que acabaste de referir, que tenha sido abusado, que esteja confuso e se veja no papel de vítima – poderá conferir a si mesmo é o simples a seguro acto de se relacionar com um animal.

Rose: Muito bem, muito bem, muito bem. Espero vir a encontrar tudo isso na gravação. Nessa altura poderei parar e de dar atenção, assim que reunir essas condições… aos meus próprios tópicos.
Passa-se algo com o meu dente que me está a incomodar, um buraco, e eu dirigi-me à consciência do meu corpo e disse-lhe: “Tu és capaz de restabelecer a situação, és capaz de lidar com isso.” E gostava que o Dr. Elias me fizesse uma análise à situação, a partir daí, e que me dissesses em que estado ele estará, se eu estarei a brincar com coisas perigosas ou se poderei continuar sem que isso me traga problemas…

Elias: Deixa, minha amiga, que te diga que existem muitas acções que poderás empreender que se encontram ao teu alcance. A mais significativa delas é: farás isso? Não necessariamente se o poderás fazer. Poderás curar o dente? Podes. Farás isso necessariamente? Essa já é uma questão completamente diferente.

Rose: Não consegui escutar o que disseste. Peço desculpa mas poderias repetir?

Elias: O que eu disse foi se tu passarás necessariamente a curar o teu dente. Isso já é questão completamente diversa. Mas diria que sim, que és capaz. Mas farás isso? Isso já é menos provável.

Rose: Uhm. Mas, Elias, Elias, Elias, Elias, Elias! (ri) Tudo bem, aqui me encontro, na esperança de restabelecer o estado em que a minha espinha se encontra (eu pretendia continuar dizendo, bom, se nem sequer consigo restabelecer a minha espinha, que pensar do desafio de maior monta relativo à minha espinha, mas o Elias interrompeu-me de forma abrupta)

Elias: Precisamente. A tua atenção encontra-se muito mais dirigida para o que percebes serem desafios mais avantajados. Na percepção que tens, um desafio tão insignificante quanto uma dor de dente – a respeito da qual além do mais sabes objectivamente dispor de várias vias que poderás tomar e que, a despeito de constituir um grande aborrecimento, não constitui um desafio que encares como  tão extraordinário nem seja caracterizado duma importância por aí além, por saberes incorporares várias vias e opções de escolha para os tratares. Por isso não é um tipo de manifestação em que te concentres necessariamente nem em que empregues a energia requerida se o tivesses que tratar sozinha. E isso não é invulgar, minha amiga, de todo. As pessoas costumam evocar esse tipo de questão com frequência. “Porque razão serei capaz de dar atenção a um mau funcionamento significativo ou a uma enfermidade que me acometa a consciência do corpo e de a curar e não seja capaz de curar uma pequena disfunção ou situação nessa consciência do corpo? E a razão na verdade é bastante simples.
A manifestação que julgas como um grande desafio e difícil também encaras como que serás capaz de alterar por ti própria; não se te apresenta mais nenhuma opção, nem mais escolhas, nem mais nenhuma via que possas tomar, pelo que se torna uma questão de devotares a tua atenção a essa manifestação em particular, MAS, quando se trata duma situação que, na estimativa que fazes, é de menor importância, e que apresenta outras opções e outras escolhas que poderás fazer, aí já deixa de ser uma situação em que somente tu poderás alterá-la nem terá a mesma importância, e pode constituir um aborrecimento e poderás ter a vontade de a alterar mas isso não obterá tanta da tua atenção como numa situação em que percebes não existir mais nenhuma escolha. Por isso eu diria uma vez mais; sim, é um facto que poderás alterar essa, podes curar o dente. Também diria que é menos provável que o venhas a fazer, porque concentras mais a tua atenção no desafio mais significativo.

Rose: Tudo bem, Elias, eu entendo isso e parece-me tudo muito lógico. Mas… (Elias ri e a rose também) Existe igualmente um ângulo diferente, ou ponto de vista, pelo que se poderá dizer: “Tudo bem, o Elias está sempre a dizer para descontrairmos e para nos permitirmos um livre fluxo que essa é a forma mais fácil de obter dinheiro, seja lá o”… Já estou a colocar palavras na tua boca, estás a ver? (Elias ri) E pode ser que eu esteja completamente equivocada, mas é desse modo que te entendo. Por isso, para mim, e isto tem muito que ver com a questão: de chegar a esta condição, ou permanecer nesta condição de me sentir descontraída em relação a tudo, porque já me aconteceu uma altura em que fui levada a sentir um enorme anseio, após o que, uns anos depois isso se manifestou… (Elias diz que sim) e agora sinto isto em relação ao meu dente e passa-se algo de semelhante em relação à minha vista. Quando digo: “okay, consciência do corpo! Hei! Restabelece a ordem já; estás no teu terreno de operações – faz disso o que bem entenderes; mas faz algo!” É isso, porque razão deveria abordá-lo com a mesma intensidade da espinha…
Elias: (interrompendo com vivacidade) Não, não, não! Sim, concordo contigo. Não, não significa dar atenção com igual intensidade. Tens toda a razão quanto a isso. É uma questão de, sim, ÉS CAPAZ de alterar a situação relativa ao dente. E se te permitires gerar aquilo que estás agora neste momento a expressar, que estás a permitir – não estarás a gerar uma concentração no aspecto aborrecido, nem a atribuir uma importância significativa no que não pretendes ou sobre aquilo de que não gostas, sim isso alterará o potencial e uma via através da qual poderás alterar a manifestação do dente com uma maior facilidade e criará uma maior probabilidade de vires a alterá-lo e de o curares. Se de facto de direccionares no sentido do que estás a exprimir, duma permissão do livre fluir e não duma concentração do que não desejas e do daquilo porque sentes aversão…

Rose: A questão está em que precisamos aligeirar-nos, e eu tenho duas perguntas a fazer; quando, como o jardineiro, colocamos a semente no solo e a regamos e… bem , procedemos tal como o jardineiro procede, aí não vamos todos os dias a afastar a terra para ver o que ela está a fazer mas deixamos o processo em paz…

Elias: Pois.

Rose: E passo a passo vamos percebendo algo a crescer…

Elias: Pois.

Rose: Ou não.

Elias: Sim.

Rose: Mas quando se trata dum dente, aí deixamos o assunto em paz, do mesmo modo. Só que por vezes não temos a certeza se o que estamos a fazer funcionará ou se não nos conduzirá a problemas. Isso constitui um pequeno desafio mas… Bom…

Elias: Sim, estou de acordo, isso é justamente o que estava previamente a referir. No sentido que tomares, se confiares de um modo implícito, de modo idêntico à tua semente, diria que sim, aí passarás a incorporar uma maior probabilidade de alterares a manifestação e de a curares. Se plantares essa semente e ficares na dúvida quanto ao facto de a poderes ter plantado correctamente, ou se estará a crescer com sucesso ou não tu alteras a energia e a probabilidade desse sucesso diminui. Quanto mais deixares e confiares na consciência do teu corpo quanto ao facto de saber como se curar a si próprio sem necessitar constantemente de instruções, e saberes que ele dispõe da capacidade de o fazer e de que tu o permites e confias nisso, sim, também alteras o potencial e geras uma maior probabilidade e o VIRES a curar.

Rose: Era isso que eu estava a perguntar. Tal como uma consulta ao doutor Elias; se eu terei alcançado esse estado de descontracção, ou se ainda não terei lá chegado.

Elias: Eu diria, nos teus termos, que estás quase nessa posição.

Rose: Óptimo, óptimo, óptimo. Ainda dispomos dum tempinho, Elias, Não sei se a Mary, ou quando a Mary terá ligado o relógio por isso ou colocaria a pergunta das características da Gennie, trata-se de alguém que não conheço pessoalmente mas que me disse ter vontade de conhecer as suas características e se será um foco final. Ela parece ser pobre, com um mero acesso ao computador uma hora por mês. Ele ou ela surgiu na lista dos soft.

Elias: E terás alguma impressão?
Rose: Não, não tenho nada. Nem sequer sei se será um indivíduo do sexo masculino ou feminino. É Gennie simplesmente.
Elias: Muito bem. Família da essência, Vold, alinhamento, Tumold; orientação, intermédia, tipo de foco, emocional; sim, foco final…
Rose: Encantador.
Elias: Nome da essência, Avalon. (Elias soletra-o)

Rose: Óptimo. A pergunta seguinte é em nome da Ann, se ela terá fragmentado de mais do que uma essência.

Elias: NÃO.
Rose: Okay, obrigado. A Togi pretende saber se terá apresentado todas os lados da vitória e se terá libertado o medo do poder da sua essência o suficiente para instilar ou dar lugar à acção de momento…

Elias: Quase.

Rose: Quase… Outra questão da Togi. (que preciso verificar nas minhas notas por ter ficado indistinto na gravação devido ao despertador da Mary)
Elias: A que título?
Rose: Não sei. Se não fizer sentido para ti, a mim faz ainda muito menos. (Elias ri)
Rose: Muito bem, Elias, uma última pergunta, em meu nome. Será que alguma vez te terei encontrado em termos físicos e não terei reparado em ti?
Elias: Não completamente em termos físicos mas eu sobrepus a minha energia com um indivíduo físico.

Rose: Aah! (Uma vez mais, trata-se de algo que terei que verificar nos meus apontamentos. Do meu lado pude escutar o que digo mas dificilmente aquilo que o Elias disse, pelo que é bom que existam estas gravações)

Rose: Muito bem, muito bem. Ainda me restam tantas perguntas.

Elias: És muito bem vinda minha amiga. Como sempre endereço-te um encorajamento formidável e encorajar-te-ei enormemente em relação ao teu dente. (ri)

Rose (ri) Patife. (ri)
Elias: E expresso-te um grande apoio quanto à orientação que tomas, minha querida amiga, com um grande afecto e um sentimento genuíno de carinho. Au revoir.

Rose: Au revoir.


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O MATERIAL ELIAS