sexta-feira, 19 de agosto de 2011

TRANSFORMAÇÃO DA IDENTIDADE



SESSÃO #2722
“Transformação em Relação à Identidade”
“Intromissão em Relação a Outros Focos Teus”
Domingo, 2 de Fevereiro de 2009 (Privada/Telefone)
Participantes: Mary (Michael) e Katrin (Duncan)
Tradução: Amadeu Duarte


ELIAS: Boa tarde!

KATRIN: Boa tarde, Elias. Como estás?

ELIAS: Com sempre, e tu?

KATRIN: Eu estou um pouco irritada; o Michael não se sente lá muito bem e não estou certa se devemos prosseguir com a sessão ou não. Eu não tenho a certeza mas ela diz que a faz.

Eu quero falar de dois sonhos que tive. Num, tenho o meu neto a tocar ao fundo, enquanto eu e o meu companheiro passeamos pelo estuário do rio, na maré baixa. Num muro está sentado um pescador. O meu companheiro aponta para um peixe grande, azul, na lama e apanha-o para de novo o soltar com suavidade. Ele fala ao pescador no peixe cheio de entusiasmo e curiosidade, e o pescador corre para o peixe e apanha-o. Quando o meu companheiro agarrava o peixe ele permanecia calmo, mas assim que o pescador o apanhava, ele começava a debater-se pela liberdade. E eu fiquei um pouco aborrecida com a visão daquilo.

Um peixe azul pode significar a tua energia. A diferença no manuseamento do peixe, patente na diferença entre o meu companheiro e o pescador pode querer significar um símbolo do forçar ou libertar a energia. Na mesma noite, antes de ter esse sonho, eu tive uma conversa comigo própria só que não estou certa de ter estado acordada. Era sobre o dinheiro e o valor das coisas, no sentido da falta de importância do quanto as coisas possam custar.

Eu expliquei a mim própria sentir realmente vontade de ter um piano para tocar, e não me preocupava muito com o custo que ele pudesse comportar. O valor nada tem que ver com o dinheiro. Não tenho muita certeza quanto à forma como o possa expressar. Se nos interrogarmos sobre o valor que daremos a uma determinada coisa, e o que quereremos de verdade, estaremos efectivamente a opor-nos a nós próprios. Tem mais que ver com a confiança de sermos capazes de o conseguir. A relação que isso possa ter com o sonho, eu desconheço.

ELIAS: A associação com o sonho és tu a produzires uma estimativa com respeito ao valor e ao modo como TU encaras o valor, com relação à forma diferente como estás a começar a perceber o valor, com o que passas a reconhecer que os demais continuam na direcção da estima que dispensam, por assim dizer, ao objecto e do quanto ele valerá, ao invés do seu próprio conforto e do valor daquilo que expressam e da sua criatividade e do que isso valha.

É uma forma de reconhecimento da diferença no modo como os demais percebem de uma forma um tanto continuamente camuflada. Tal como no caso do peixe, o teu companheiro reconhece o valor da acção que emprega e o prazer que obtém dela, enquanto o outro percebe o valor inerente ao objecto, sendo que o peixe representa esse objecto, ao invés do valor proporcionado pelo desfrute do acto desportivo, por assim dizer – o qual tem o mesmo valor, no exemplo do piano. O valor reside no prazer que colheis com o emprego da vossa criatividade e não no que estimais que o objecto valha.

KATRIN: Obrigado. Eu tive um outro sonho: eu encontrava-me no escritório onde me desloco para trabalhar um certo número de dias por semana e sugeria aos meus colegas que cozinhássemos ovos mexidos para o almoço. Aí descobria que não dispúnhamos de qualquer equipamento para tal e passava a sugerir que comprássemos uma placa eléctrica e uma frigideira. Uma colega sugeria-me que cozinhássemos os ovos com a máquina de tirar expressos. No exterior do escritório gerou-se uma complicação qualquer e eu saí para voltar com umas bandeiras enormes que acreditei pertencerem à facção árabe. As bandeiras eram brancas e tinham um brasão de armas azul, o que fez com que não parecessem nada árabes. A minha colega e eu queríamos juntar-nos à acção a fim de fazermos uma reportagem sobre ela para a revista para a qual trabalhávamos. Íamos num barco onde as pessoas podiam tratar as feridas, só que não ia lá ninguém magoado. Receava que aqueles que iam no barco pertencessem a uma nação árabe, só que eles tinham feições da Europa do norte e eu ficava ligeiramente irritada. Tinha que abandonar o barco e de algum modo avançava pela água com dificuldade a fim de voltar a ele. Uma vez mais, percebia bandeiras da mesma cor e com a mesma insígnia. Este sonho acordou-me e eu não consegui voltar a dormir. Levantei-me a senti bastante desconforto.

A impressão que tenho é que as bandeiras pudessem representar a tua energia. O símbolo associado à máquina de tirar expressos e de cozinhar os ovos parece uma indicação de mudança de percepção. A inclusão dos elementos de representação islâmica é que me confundem um pouco.

ELIAS: A inclusão das imagens do factor árabe é uma das diferenças mais significativas e inesperadas, pelo que também se tornam pouco familiares, e nesse sentido, apresenta-te o que percebes como um cenário inesperado – és informada daquilo com que deverás deparar-te, mas quando lá chegas, essa não se revela a situação.

Isso não é inusual, e constitui um factor importante a que deves dar atenção, por traduzir um potencial forte de ocorrência – não necessariamente de acordo com essas imagens – mas por intermédio de diferentes tipos de experiência por meio das quais o factor inesperado se apresenta. Existe um potencial significativo para respostas automáticas de rejeição do inesperado e do inusual. Por isso é algo inesperado, e nesse sentido, sendo muito pouco habitual e diferente, tende a dar lugar à reacção automática da irritação. Por isso, a situação pode estimular irritação ou frustração, ao não quereres deparar-te com o inusual, pela reacção automática de te afastares disso.

Ora bem; nisto, o que está a ter lugar – o que se acha igualmente associado à presente onda e está a começar a afectar muita gente, em especial aqueles que estão a proporcionar a si próprios uma enorme quantidade de informação em relação à mudança – é o facto de uma porção significativa da mudança relacionada com a emancipação pessoal estar associada à eliminação dos muitos véus formados por associações inerentes às influências externas referentes à identidade.

Bom; esse é um passo significativo porque aquilo a que não estais habituados é a voltar-vos efectivamente para o reconhecimento da vossa identidade GENUÍNA que não está associada às experiências passadas nem às influências externas. O que isso subentende é um passo na recordação autêntica da vossa identidade individual genuína aparte das experiências e de tudo o que aprendestes ou tudo o que vos tenha sido inculcado por qualquer forma, não somente em relação à escola mas tudo o que vos tenha sido ensinado por qualquer via, e um novo reconhecimento da identidade que se traduz pura e somente pelo que tu és.

Ora bem; em última análise, reconhecerás que isso se revela bastante benéfico e conduz a uma extrema libertação, só que inicialmente pode parecer um tanto confuso e opressivo. É bastante provável e compreensível que a reacção condicionada inicial seja a de tentares rejeitar o facto e afastar-te dessa experiência, por te ser pouco familiar e acarretar temporariamente o inesperado.

KATRIN: Sempre que te escuto falar tenho uma experiência. Faz muito tempo que eu sinto ter muito menos energia. Sou capaz de perceber o modo como projecto isso. Muitas coisas tornam-se mais fáceis do que antes e sinto a forma como confio mais nos outros e em mim própria, mas ao mesmo tempo, esta falta de energia deixa-me fisicamente exausta. Sinto como se houvesse um engarrafamento interior. Eu quero pressionar a energia para o exterior e só tenho vontade de me libertar da coisa. Sinto-me mentalmente lúcida, só que o meu corpo encontra-se fatigado. Preciso de muito descanso, mas não sou capaz de dormir por permanecer num estado mental alerta. Penso que isso tenha que ver com o que disseste, quanto à aceitação de que a consciência do corpo precise ajustar-se a isso, mas por outro lado, sou capaz de sentir não conseguir retroceder; Isso para mim não se revela possível. Só tenho vontade de o experimentar.

ELIAS: Sim, estou ciente disso, e dir-te-ia seres um daqueles que estão actualmente a empregar esse processo. Estou ciente de que no estágio dos espasmos iniciais desse processo isso pode tornar-se difícil, por se apresentar como uma luta, por assim dizer. Porque incorporais um tremendo desejo de vos voltardes no sentido da experiência dessa libertação e descoberta genuínas, mas também existe o aspecto físico disso, o qual produzis na consciência do corpo. Outros poderão produzir isso de modo diferente, mas isso é capaz de vos criar um desafio.

Posso-te dizer ser temporário e a expressão mais eficaz a empregar é dares ouvidos à tua consciência do corpo e acompanhá-lo, e dessa forma empreenderes acções que te possam aquietar o mecanismo do pensamento e acalmar o teu estado de alerta, por assim dizer, o que poderá expressar-se de muitos modos que tendam a acalmar-te, o que se pode traduzir-se pela meditação. O ioga pode revelar-se eficaz e não requer muito esforço físico e pode mesmo revelar-se suavizante em relação à tranquilização desse estado alerta. Não que o facto de se permanecer num estado alerta seja mau, mas por vezes pode apresentar-se em desacordo com a consciência do corpo e com o que ela expressa precisar.

KATRIN: Frequentemente torna-se demasiado cansativo no momento, e sinto o corpo fatigado. Entendo que seja temporário, conforme disseste, e como estou habituada a comunicar com a consciência do meu corpo, fico-te grata. Aceito a tua orientação e tratarei de fazer um pouco mais de ioga e procurarei meditar de novo. Isso há-de passar! (Elias ri)

Tenho mais uma pergunta breve relacionada com sonhos. De momento tenho consciência de recordar dois sonhos distintos. Em alguns deles eu estou apenas a observar mas eventualmente venho a recordar o sonho na manhã seguinte e começo a traduzir as imagens obtidas. Mas tenho agora consciência de sonhos em que já avalio no próprio sonho aquilo que estou a experimentar, e não sinto necessidade de traduzir as imagens na manhã seguinte; por já ter conhecimento do que representam. O sonho é tal qual se apresenta; uma experiência semelhante ao estado de vigília, como quando experimentamos algo e simplesmente a deixamos passar nessa altura. Há uma diferença visível nos sentimentos relativos a estes tipos diferentes de recordação de sonhos. Poderás explicar-me no que assentará a diferença. A impressão que tenho é que as experiências entre o estado de sonhar e o estado de vigília estejam a diluir-se de alguma forma e não mais subsista aquela separação rígida.

ELIAS: Sim, concordo contigo.

KATRIN: Estes sonhos são bastante... não sei se estarei desperta ou a dormir, e isso é uma coisa que tem vindo a ocorrer cada vez mais comigo. Não devia incomodar-me; eu aceito-o do modo que se apresenta. (Elias ri)

Em seguida vem um trecho relacionado com a consciência do meu corpo. Disponho duma altura em que me permito comunicar em qualquer dos dois sentidos. Não imprimo um sentido específico à comunicação, mas estão a surgir comunicações para as quais gostaria de obter alguma explicação da tua parte. Essas comunicações estão frequentemente relacionadas ao teu primeiro conjunto de sessões, no qual nos defines uma direcção essencial, o que se pode tornar possível para nós e como poderemos passar a perceber de modo diferente. O que é mais engraçado é que durante muito tempo eu não li essas sessões, mas de algum modo o que recordo lembra-me as sessões que dispensaste previamente.

Um dos comunicados é o de não existir nenhuma sucessão de momentos; de existir uma importância que está a sofrer uma mudança, no alinhamento da percepção ou do percebimento da nossa orientação. Cada acto possui a sua própria identidade, e as experiências afloram à consciência quando passamos a ter consciência delas por meio da atenção, e nós passamos a mover-nos dum sentido de importância para outro. Digamos que lemos um livro e aí começamos a escrever ou a lavar pratos. Mas o eu que lia continua a faze-lo, só que um outro aspecto de nós volta-se para a escrita por sentir um impulso nesse sentido. Nós só reconhecemos o que seja importante nesse momento e deixamos de prestar atenção ao eu que está a ler. O livro que estávamos a ler deixa de ser recordado no nosso cérebro. O livro terá sido criado numa outra altura e por meio da atenção nós passamos a fazer uso desta recordação e passamos a atribuir-lhe importância, mas de algum modo teremos assimilado o conteúdo do livro todo duma vez. Que terei conseguido com isso? Para mim, não se trata da mesma experiência que quando recordo outros focos pessoais. Sinto existir aqui uma diferença.

ELIAS: Em que termos?

KATRIN: Isso estava envolto numa expansão quando ocorreu a percepção que tive de mim própria a fazer diversas coisas ao mesmo tempo, só que não sentia necessidade de me interessar por isso por estar interessada em concentrar-me na leitura. Por isso, disse para mim própria que o outro eu continuaria a ler e de algum modo isso foi com que aceder a um conhecimento que se me acha constantemente disponível. Se desejar retroceder a essa posição, tudo bem. Eu sentia-me muito... (Inaudível)

ELIAS: Mas que avaliação farás quanto a isso, em relação aos outros focos?

KATRIN: Quando pretendo obter alguma experiência que me conceda informação referente a outros focos, isso não sucede junto e eu torno-me mais numa observadora. Mas nesta experiência, eu tinha a sensação de ser mais do que podia perceber, coisa que não aconteceu com os outros focos.

ELIAS: O que também é compreensível, por se tratar duma outra faceta relacionada com a identidade.

Eventualmente, a consciência que tens da tua identidade passará a incluir parcialmente outros focos - ou seja, se optares por sentir interesse pelos outros focos. Mas o movimento primordial e inicial no sentido do reconhecimento da identidade genuína está associada à identidade que assumes neste foco, pelo o indivíduo que és, e pelo reconhecimento, por via diferente, do modo vincado como os teus princípios se acham ligados à tua identidade, muito mais do que as experiências que colhes e muito mais do que aprendeste, e de que a expressão genuína de TI - enquanto indivíduo – dotado da sua identidade singular, se acha associada às directrizes, e por isso mesmo, à percepção que tens, mas como refiro, descartando as influências das experiências passadas ou o que tiveres aprendido, tendo por isso consciência da autenticidade de ti própria e do que isso subentenda.

Por isso, apesar dos teus outros focos serem tu própria, na essência – com o que, indirectamente passas a incluir todas as suas experiências – de um modo mais directo tu não incorporas, por constituíres a manifestação individual única que possuis, que comporta a sua própria identidade individual.

À medida que passares progressivamente para o reconhecimento da tua identidade genuína, isso criar-te-á essa libertação dos apêndices passados, situação essa em que subsequentemente poderás avançar mais na experiência de ti própria e de seres a essência, passando desse modo a expandir a tua identidade a fim de abrangeres os outros aspectos de ti própria, tais como os teus outros focos. Tudo isso são elementos inerentes ao processo do descartar os véus da separação. Nesse sentido, também adelgaça esses véus de separação em relação aos teus outros focos que não fazem parte desta dimensão particular.

Mas a primeira fase, por assim dizer, desta parte da mudança, consiste em te relacionares com autenticidade com a tua identidade individual. Aquilo que estás a experimentar ligado a ti própria é um indicador dessa fase, por assim dizer - da mudança em relação à identidade; teres consciência de ti própria e teres consciência de cada instante da tua existência é em si mesmo um resultado e não é necessariamente sequencial, parecendo somente sequencial em relação ao que prestas atenção. Tens razão. Nesse sentido, também estás genuinamente a começar a compreender e a reconhecer a experiência de executares várias acções ao mesmo tempo, o que, por via de regra, e até ao momento, a maioria não tem consciência da quantidade de acções que empreende em simultâneo, por focar a sua atenção em direcções particulares. Por isso, seja ao que for que estejas a prestar atenção – tens razão uma vez mais – isso é o que terá importância para ti nessa altura particular. Mas ao reconheceres que a tua atenção se revela bastante flexível, começas a reconhecer e a compreender o que tenho vindo a referir em relação à importância.

Ora bem; o que também irá começar a tornar-se mais real e mais evidente e mais inteligível para ti é o que tenho vindo a debater em relação ao real e ao que é válido. Porque todas as tuas experiências são muito reais, e as associações que estabeleces em relação às experiências que tens ou ao que terás aprendido são bastante reais. Mas no que respeita à tua identidade individual, muitas delas podem não ser válidas. Podem não ter relevância para ti.

KATRIN: Tenho uma pergunta a colocar-te com respeito a isso; entendo que estejas ciente da questão. Por vezes obtenho um pressentimento em relação à minha própria identidade, mas na qualidade de observadora das experiencias de outros focos, penso que subsista um aspecto que me impeça de as experimentar com maior liberdade. Tenho a impressão de estar a ser intrometida. Já obtenho uma sensação segura disso quando me dirijo à secretária de alguém em busca de algo como uma borracha. Não me poderás ajudar em relação à diferença entre ser intrometido e fazer o que se apresente como necessário, como no sentido de abrir a gaveta e apanhar uma coisa qualquer? Sinto hesitação em levar a cabo tal acto. Sei que tem algo que ver com os focos que eu atraio, só que não me quero aventurar demasiado fundo ao ponto de sentir perturbá-los.

ELIAS: Antes de mais, um factor significativo é a intenção.

Bom; estou ciente de que por vezes um indivíduo pode não desejar necessariamente albergar a intenção de se intrometer, e isso ocorrer a despeito do facto. Mas existem também indicadores para esse tipo de situação. Vou-te dizer que um dos factores em que poderás confiar e no qual poderás, por assim dizer, apoiar-te, é o do reflexo.

Agora; se empregares o acto que apontaste a título de exemplo, o de invadires uma área que se acha ocupada ou na posse de outro indivíduo numa tentativa de encontrares um objecto e abrires uma gaveta que julgarás não te dizer respeito, o primeiro elemento a considerar é o da intenção. Não estás a pretender intrometer-te (na área) dele; não tens a intenção de lhe tirar nada. Apenas empreendes um acto que na presente circunstância estimas como necessário. Portanto, isso não significa indiscrição nem incómodo.

Num cenário desses, digamos que a existir um potencial de te tornares involuntariamente incómoda numa situação dessas, isso associar-se-ia mais a outros eventos e experiências que pudesses vir a ter num período relativo, em que estivesses continuamente a dedicar a tua energia às outras situações e involuntariamente expressasses esse tipo de energia a um indivíduo a quem não estivesses realmente a dirigi-la. Estás a entender até aqui?

KATRIN: Estou, sim.

ELIAS: Muito bem.

Bom; nessa situação, haverás de te surpreender, por passares a apresentar a ti própria um reflexo do outro indivíduo quer na defensiva ou a passar à acusação ou a gerar algum outro tipo de energia de oposição que representasse uma reacção a uma ameaça. Isso representaria um indicador imediato de estares involuntariamente a gerar uma energia que fosse de algum modo incómoda, mas podes dar atenção a isso no instante, por meio do reconhecimento do que de facto ocorre.

Ora bem; no que diz respeito aos outros focos, isso difere um tanto. Porque na experiência dos outros focos, em termos gerais, as pessoas abordam-nos quer pela forma que expressaste - na qualidade de observador - ou abordam-nos pela projecção de um modo que lhes permita passar para a existência efectiva do outro foco.

Agora; existe uma outra acção que um indivíduo pode usar, e essa acção é aquela que pode tornar-se potencialmente incómoda.

Bom; é o indivíduo passar a fazer uso do seu sentido de empatia duma forma veemente, por meio do qual se funda com o outro foco, e experimente esse outro foco, só que continuando a ter consciência da sua própria identidade.

Bom; numa situação dessas, pode tornar-se fácil dar lugar à intromissão. A razão porque pode tornar-se fácil intrometer-se reside no facto de facilmente deixardes de ser o observador, por seres absorvida no outro indivíduo mas continuares a preservar uma consciência de ti. Nessa situação podeis manipular a energia, ao vos fundirdes com o outro, e ao fazerdes isso, podeis criar influências para esse outro foco, que não lhe dizem respeito. A título dum exemplo hipotético bastante simples, podes influenciar o outro a uma determinada acção como o consumo de algum tipo de alimento de que gostes e que ele não consuma.

Agora; isso pode parecer um acto de não interferência e pode parecer um acto inconsequente, mas podes não ter necessariamente consciência de todos os aspectos ou todas as coisas que esse indivíduo produza, ao te teres meramente fundido com ele. Talvez aquilo de que gostes de consumir e o que passes a influenciar como uma escolha possa deixá-lo confuso mas ainda assim levá-lo a consumir isso, e ele passar a produzir algum tipo de reacção a essa substância que possa tornar-se prejudicial. Esse é um cenário em que poderíeis tornar-vos intrometidos, por estardes a influenciar o outro foco ao emprego duma acção que ele não usaria por via natural.

KATRIN: Onde residirá a diferença? Por exemplo, eu pretendo fazer a experiência de ser uma árvore, por intermédio do sentido de empatia, exactamente uma árvore, pela qual que me sinta como tal e perceber a partir do seu ponto de vista o que isso represente. É uma experiência maravilhosa. Isso eu era capaz de empregar em relação a outro foco sem ter noção do meu próprio. Será a isso que estás a referir? Eu não compreendi isso de: “podermos tornar-nos no outro foco”.

ELIAS: Sim, isso é passível de ocorrer temporariamente. Não permaneceria por muito tempo, e também te digo ser um tanto raro um indivíduo permitir-se tal tipo de abertura por meio da qual experimente efectivamente isso. O que tenderia a acontecer seria o indivíduo interromper o seu sentido de identidade individual. Isso equivaleria a um acto de deslocar a atenção de tal modo completo que a sua atenção passaria a ser removida do seu presente foco e passaria para o outro.

Nessa situação, o indivíduo não incorpora nenhuma consciência do seu eu anterior.

KATRIN: Essa não é a direcção em que quero voltar-me. De qualquer modo tenho o pressentimento de não ser a mais adequada.

ELIAS: Concordo. Só que nisso, o que farias seria projectar toda a tua atenção para o outro foco, tornando-te consequentemente nele, e não terias qualquer consciência de ti própria, neste.

KATRIN: Preciso ouvir isso uma outra vez. De algum modo bloqueio mentalmente certas experiências por causa dessa avaliação automática que tendo a fazer.

ELIAS: Eu dir-te-ia que da forma como te ligas aos teus outros focos na qualidade de observadora, tornar-se-te-ia bastante difícil seres-te intrometida. Isso requereria que abrigasses a intenção de te intrometeres.

KATRIN: Isso deixar-me-ia preocupada. Não tenho a menor intenção de o ser. (o Elias ri)

Tenho vindo a obter uma consciência acrescida dum certo sentido de perfume e de odores. Já conversamos sobre isso, no passado, como tratando-se de depósitos de energia, quer da minha parte, ou da parte de outros indivíduos, ou mesmo de indivíduos que já faleceram.

Ultimamente debatemos o facto de eu estar a sentir um certo aroma como uma indicação de mudança de percepção. Os odores parecem representar uma forma de comunicação. Bastante evidente é o facto de que sempre que cozinho peixe, toda a família ficar a saber de antemão o que venha a ser o jantar. Aqui podia tratar-se também do caso de odores que parecem não proceder de parte nenhuma.

Um exemplo que posso apontar é o de recentemente ter notado que duas das minhas amigas deixam, ou se acham envoltas por um certo odor que se fixa na minha casa ou à minha pessoa, depois de se irem embora. A explicação intelectual podia ser a de elas usarem produtos cosméticos similares. Mas verifiquei e descobri não ser esse o caso, o que me deixou a impressão de que esse odor, pelo qual sinto agrado, representa uma informação ligada à existência de outros focos que partilhamos. Poderias revelar-me mais sobre a qualidade desse odor, dessa fragrância, e se a impressão que tenho em relação às minhas amigas é acertada? Eu tendo a associar o facto de que esse perfume poderia ser substituído pela cor. Alguns utilizam o odor como forma pessoal de comunicação enquanto outros percebem cores ao invés.

ELIAS: Sim, tens razão.

Bom, posso-te dizer que isso é passível de ser influenciado pelas associações com outros focos que partilhais, mas na realidade, aquilo em que se traduz é na energia desse indivíduo.

A energia é passível de ser percebida de múltiplas formas, e não somente por meio da sensação. Nesse sentido, o reconhecimento da tradução que fazes da energia de outro indivíduo por intermédio do olfacto pode ser realçado em relação a um certo número de focos que partilhais, por isso te propiciar um maior à-vontade no sentido de te abrires à energia do outro. Com isso, o que passas é a descobrir novos modos por meio dos quais podes reconhecer a energia dos outros e a ligação que apresenta mesmo que não permaneças continuamente na sua proximidade física, por a energia continuar a ligar-vos. E tu estás a apresentar isso a ti própria duma forma mais tangível e óbvia, mais facilmente observável, e que é quase palpável.

KATRIN: A parte mais interessante é que ambas me deixam ligeiramente irritada, mas ainda assim tenho vontade de as ver. Esse reconhecimento do odor ao seu redor, noto que tende a torna-me mais fácil dar continuidade a esse relacionamento. Sinto de algum modo uma atracção por elas o qual não conseguiria explicar, mas de qualquer forma deixou de ser importante o facto de me irritarem. Descobri um modo de contornar isso. E além do mais elas forneceram-me informação referente à minha pessoa, o que teve início no reconhecimento de gostar do seu odor.

ELIAS: Pois, o que se revela bastante eficaz, diria. Porque nisso, uma vez mais, estás a reconhecer valor não numa coisa, mas num modo diferente. Estás a reconhecer o valor no contacto, o que é mais importante que o valor da coisa. Por isso, mesmo no caso disso incorporar uma tendência para te irritar ou te aborrecer, isso deixa de ter importância, porque o que tem mais importância é o valor que expressas e que experimentas por meio do contacto.

KATRIN: Agora, consigo perceber. Bastante eficaz!

ELIAS: Eu estou de acordo!

KATRIN: Penso que a irritação que sentia no início estava mais uma vez associada ao facto de acreditar estar a invadir o território da Mary a fim de conseguir esta sessão, mas ela disse que a faria. E agora sinto-me muito mais aliviada.

ELIAS: Muito bem, e recorda-te de que quando estás com outra pessoa, tu terás consciência de estares ou não a ser intrometida. Por o reflectires. Por isso, confia em ti e em que não o estás a intrometer-te, se não o estiveres a reflectir.

KATRIN: Sim, vou ter isso presente. Explicastes-mo com toda a clareza no início. Muito obrigado! Sinto-me satisfeita com esta sessão. Estava ansiosa por a ter.

ELIAS: Muito bem. Fico igualmente a aguardar a nossa próxima conversa. Passo a estender-te um formidável encorajamento nesse teu novo passo, minha amiga. Com um enorme carinho e um enorme afecto, para ti, como sempre, au revoir.

KATRIN: Obrigado e au revoir.



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