terça-feira, 9 de agosto de 2011

PENSAR




SESSÃO #2049
“Pensar, Pensar, Pensar!”
“Criação de Cenários interiores”
Sábado, 22 de Julho de 2006 (Grupo/Brattleboro, Vermont)
Tradução: Amadeu Duarte

Participantes: Mary (Michael), Alan, Allen (Wong-Tu), Bill (Zit), Daniil (Zyn), Ella (Bella), Inna (Beatrix), Jo (Anita), Lynda (Ruther), Mary Ellen, Natasha (Nichole), Rodney (Zacharie), Steve, Terri (Uliva), Veronica (Amadis)



ELIAS: Boa tarde!

GROUP: Boa tarde, Elias.

ELIAS: (Ri) Hoje vamos debater o pensamento. Para início de conversa, em que consiste o pensamento?

PARTICIPANT: Na tradução duma comunicação.

ELIAS: Exacto. Que quererá isso dizer?

RODNEY: Quer dizer que estou a receber imensa informação! (Ri)

ELIAS: Não necessariamente! Já debati esta questão antes mas talvez não de forma a poderdes obter uma compreensão clara daquilo em que consiste o pensamento e da função que desempenha.

Antes de mais, o pensamento não vos cria a realidade. É um mecanismo de tradução e de interpretação, que interpreta e traduz informação que estendeis a vós próprios por intermédio das vias de comunicação. O pensamento NÃO consta como nenhuma dessas vias de comunicação. Ele apenas TRADUZ comunicações.

O pensamento acompanha essas comunicações; ACOMPANHA a informação. Não a produz; não a precede. Sempre segue essa informação. Vós agis, vós recebeis, vós inseris, vós pensais. Não pensais em primeiro lugar para em seguida inserirdes informação. O pensamento só pode traduzir aquilo que lhe estiver a ser transmitido. Por isso, o que conduz o pensamento é uma questão de atenção. Aquilo que apresentais a vós próprios em relação à atenção que dispensais é aquilo que inseris no pensamento para ele interpretar.

É excepcionalmente importante que compreendais esse mecanismo. Pensar é um processo que vos é natural, e não estou a referir qualquer desencorajamento do pensar, só que é importante que compreendais esse mecanismo e desse modo useis a capacidade de o utilizar com clareza e de modo mais eficiente.

Todos vós possuís algum tipo de equipamento electrónico, correcto?

Bom; em relação aos equipamentos electrónicos, se deixardes o vosso equipamento na posição de ligado e o deixardes continuamente nessa posição, que ocorrerá?

RODNEY: O programa continuará a reproduzir e a mudar de tempos a tempos, tal como o rádio ou a TV.

ELIAS: Exacto, mas que acontecerá eventualmente a esse equipamento?

PARTICIPANTE: Acabará por se queimar.

ELIAS: Exacto, por não ter sido concebido para estar continuamente ligado. Tampouco foi o vosso mecanismo do pensamento concebido para esse fim. Se estiverdes continuamente a pensar e estiverdes sistematicamente a prestar atenção ao pensar, deixareis de lhe oferecer uma informação renovada. Por isso, firma-se na informação anterior e começa a funcionar mal. Esse mau funcionamento assenta no facto de passar a repetir-se continuamente – a repetir, a repetir, a repetir. E quanto mais se repete, mais atenção lhe prestais. E acaba por se tornar num ciclo destrutivo.

De facto, o pensamento é capaz de interromper a informação. Na verdade é capaz de pôr a consciência do vosso corpo a funcionar mal. Pode interromper o sono, pode interromper a formação de imagens oníricas, pode interromper a concentração, e é capaz de criar confusão e frustração significativas em associação com essa função de repetição.

Se não moverdes a vossa atenção de forma diferente, e lhe inserirdes uma informação renovada, e apenas prestardes atenção ao vosso processo do pensar – ou primordialmente ao vosso processo do pensar – ele começa a gerar esse mau funcionamento, por meio do qual não será capaz de traduzir informação nova. Por isso, ele bloqueia essa informação nova e passa a ganhar destaque, por a vossa atenção se dirigir para ele, e ao obter destaque só poderá traduzir aquilo que tiver admitido.

Isso revela-se ineficaz e pouco efectivo, e pode tornar-se-vos um tanto prejudicial, pois pode bloquear-vos as comunicações emocionais. Pode agitar-vos a consciência do corpo, a qual pode passar a reagir sob a forma de tensão, e isso criar-vos dificuldades em termos físicos e individuais.

O pensamento pode tornar-se bastante benéfico se for admitido por aquilo que é, se for utilizado como um mecanismo de tradução e se estiverdes a permitir-vos mover a vossa atenção. Isso é importante.

Presentemente, muitos indivíduos estão a focar-se de tal modo no pensamento que acabam confundindo-se e geram o acto de pensar, pensar, pensar, pensar – sem prestarem a tenção ao que estão a fazer, a pensar, a pensar, a pensar. E com a repetição de tal acto, ele pode influenciar-vos fortemente a repetir certos procedimentos de que não gostais.

Podeis dar lugar a uma experiência de desconforto e subsequentemente podeis passar a colocar a atenção no pensar, pensar, pensar na experiência passada e continuar a agitar-vos, sem apresentardes qualquer solução nem resposta para o vosso dilema, devido a que aquilo em que estejais a criar seja apenas a repetição da experiência de que não gostastes. Isso pode de igual modo facilmente influenciar-vos pela desvalorização pessoal repetida e levar-vos a não ter confiança em vós. Porque, ao vos bloqueardes na repetição, e ao deixardes de sugerir uma informação renovada a vós próprios, acabais tornando-vos desmotivados e a sentir-vos bloqueados, e a desvalorizar-vos, e a dizer para convosco: “Não consigo realizá-lo.” Vós podeis, só que é somente uma questão de prestardes continuamente atenção às comunicações efectivas e não à tradução.

As comunicações que gerais, geralmente, não envolvem qualquer linguagem. Por isso é que o pensamento é tão útil, por vos traduzir as comunicações para a linguagem que compreendais. Essa é a razão porque é tão importante usar de flexibilidade para com a vossa atenção e reconhecer que a atenção não é pensamento.

Vós podeis prestar atenção a muitos aspectos diferentes inerentes à vossa experiência diária sem empregardes o pensamento. A informação que estendeis a vós próprios está continuamente a ser inserida. Vós estais continuamente a gerar informação. Vós gerais informação por meio dos vossos sentidos interiores, por meio dos vossos sentidos externos, por meio da vossa intuição, das vossas impressões, dos vossos impulsos, da vossa imaginação e da consciência do vosso corpo. Vós estais continuamente a transmitir informação a vós próprios, só que podeis não prestar atenção àquilo que essa informação traduza.

Quantas vezes tendes consciência no vosso dia-a-dia da sensação do ar e da forma como actua sobre a vossa pele? Quantas vezes tendes consciência  do aroma do ambiente em que estais? Quantas vezes tendes consciência dos sons que não vos afectam de modo directo ou com que não estejais envolvidos directamente? Existem muitas acções que ocorrem durante o vosso dia de que não tendes consciência, por não prestardes atenção. Muitas vezes, a razão porque deixais de prestar atenção fica a dever-se ao facto de estardes a pensar.

Muitas vezes o pensar é capaz mesmo de interromper o agir. As pessoas exprimem confusão em relação ao tempo, sem compreenderem o modo como o tempo lhes escapa com tanta frequência. Não dispõem de tempo suficiente para realizarem o que pretendem durante o dia. Esses indivíduos são capazes de reconhecer que grande parte do seu tempo está a ser despendido no mero processo de pensar na acção, sem propriamente empreenderem qualquer outra acção mas estarem somente a prestar atenção ao pensar. E nesses momentos, em que estareis a pensar? No agora? Não. No futuro? Sim. No passado? Sim. Mas não no momento, não no presente. Nesse sentido, ele muitas vezes também vos impede de terdes consciência daquilo que efectivamente estais a fazer na vossa consciência do corpo, com o vosso movimento.

De facto vós podeis gerar o inverso. Podeis interromper o pensamento. Mas isso, para muita gente, torna-se mais difícil, por vos deixardes apanhar no fascínio dos vossos próprios processos do pensamento de tal modo que deixais de ter consciência do que estais a fazer, razão porque a coisa continua às voltas.

Vós podeis interromper o pensamento ao vos ocupardes dos vossos sentidos físicos. Eles não requerem qualquer pensamento para ser empregues. Também podeis interromper o pensamento se prestardes atenção ao que estiverdes de facto a fazer, a despeito do que seja. Pode ser limpar o chão. Pode ser regar as plantas. Pode ser acariciar os vossos animais. Não importa a acção que estejais a empreender.

Se voltardes a vossa atenção para o que estiverdes de facto a fazer, isso pode igualmente interromper o pensamento e voltar a estabelecê-lo. Porque se voltardes a atenção para o que estiverdes a fazer, permitis uma abertura em termos de informação renovada, direccionada para uma informação diferente, com o que permitis que o pensamento volte a estabelecer-se e comece a traduzir com precisão, sem repetir. Por isso, ele interrompe o aspecto do mau funcionamento inerente ao próprio pensar e volta-o para aquilo para que foi concebido.

Quantos indivíduos presentes nesta sala terão empreendido a experiência duma altura qualquer que os tenha deixado confusos ou afitos, subsequente ao que terão despendido horas senão mesmo dias a pensar em reacção a esse evento? (Gera-se um consenso unânime da parte do grupo) E na realidade quão produtivo se revelará isso? Com que habitualidade ofereceis a vós próprios informação construtiva em relação a tal acção?

No geral podeis por vezes proporcionar a vós próprios uma pequena quantidade de informação, que deverá ter lugar devido a que num determinado momento possais ocasionar uma distracção em relação ao padrão repetitivo, o que poderá permitir uma pequena expressão de informação renovada. Só que geralmente dá lugar à frustração senão mesmo à irritação, o que deverá realçar aquilo que estiver a repetir-se. Por isso, podeis gerar uma pequena experiência e no espaço de dias essa pequena experiência pode tornar-se enormemente significativa. Porque ao repetirdes também estareis a gerar novas versões da experiência e estareis a realçá-las e a complicar com base nelas para vos enfatizardes.

Não é inusual que um indivíduo gere uma pequena interacção com outro e ele possa comportar-se de um modo um tanto perturbador ou talvez causar embaraço ou talvez mostrar-se ligeiramente irritante, e se o indivíduo continuar a repetir o pensamento relativo a essa interacção, geralmente no espaço dum dia ou de vários dias a lembrança dessa recordação deverá ganhar um destaque ou um realce enorme e diferenciar-se consideravelmente da interacção que tiver tido lugar originalmente e deverá parecer muito mais significativo, e vós virdes quer a depreciar-vos para além do necessário ou a culpar o outro para além do necessário.

Além disso também instaura uma dificuldade em relação às directrizes. Porque, como estais actualmente conscientes, todos vós incorporais as vossas próprias directrizes as quais vos motivam a criar a vossa realidade pelo modo que em o fazeis. Existem muitos aspectos das vossas directrizes individuais que são suficientemente subtis – ou óbvios – para deixardes de notar as vossas respostas automáticas, e continuardes a adoptar a presunção de que os demais devam assumir as mesmas directrizes ou princípios que vós, devido a que elas constituam absolutos – e como haverão de deixar de constituir?!

O pensamento pode igualmente enfatizar essa separação inerente à diferença por realçar a culpa, devido a que os outros não estejam a agir do mesmo modo que vós em determinadas situações, e claro está, cada um de vós com as suas directrizes detém alguns aspectos desses princípios que genuinamente encara não somente como absolutos mas como universais. Todo e qualquer indivíduo à face do vosso planeta DEVE dar lugar às mesmas associações para com determinados aspectos desses princípios, por eles simplesmente serem o que são, sem lugar ao menor questionamento.

“Aquilo que sobe tem que descer” – não necessariamente. “Se eu percebo deste modo tu deves perceber do mesmo modo, por ser simplesmente assim”; não necessariamente. “Se eu disser “não”, deves entender não”; não necessariamente.

É uma questão de percepção, e a percepção de cada indivíduo difere, mas a percepção de cada pessoa cria-lhe a realidade efectiva. Associado a isso, ao perceberdes que o outro está a agir de modo diferente do vosso empregais o pensamento inicial a fim de traduzirdes e de avaliardes aquilo que está a ocorrer, mas aí voltais a vossa atenção para o pensar e começais a repetir e acabais irritando-vos e confundindo-vos e criando conflito em vós próprios em relação ao que estiver a repetir-se. O significado dessa acção reside no facto de se tornar contra produtiva e se poder tornar prejudicial, facto que acontece, no caso de muitas pessoas.

As imagens oníricas brotam do envolvimento que a consciência objectiva tem com o estado do sono em relação às acções subjectivas e ao movimento subjectivo que ocorre. O pensamento é capaz de interromper essas imagens oníricas, porque ao sonhardes não estais a empregar o pensamento; estais a agir. Essa é em parte a razão porque muitos sentem dificuldade em recordar-se dos sonhos ao acordarem, facto esse que pode ser alterado por meio de vários métodos, mas uma das razões naturais porque sentis dificuldade deve-se ao facto de não estardes a empregar o mecanismo do pensamento. Estais a criar imagens objectivas, mas não estais necessariamente a empregar o mecanismo para traduzir isso. Ocorre movimento e vós assimilai-lo, e ele expressar-se na vossa experiência objectiva do estado desperto de algum modo por intermédio de imagens abstractas mas podeis necessariamente não o associar às próprias imagens oníricas.

Geralmente, as imagens oníricas são um tanto menos abstractas do que as imagens do vosso estado desperto, mas o mecanismo do vosso pensamento está acostumado a traduzir o abstracto. Por isso, quando recordais as imagens obtidas nos sonhos, isso pode tornar-se confuso, por estar a ser processado por intermédio do mecanismo do pensamento. O mecanismo do pensamento está bastante habituado à abstracção, mas as imagens oníricas são menos abstractas do que as imagens do estado de vigília. Estão mais associadas às comunicações emocionais, ao sentimento – ao sentimento provocado pelos sinais. por isso, as imagens são geradas com maior precisão em associação com o comunicado emocional e o sentimento e os sinais.

Por isso, podeis criar um dinossauro através das imagens dos vossos sonhos e o processo do pensar pode procurar traduzi-lo e dar lugar a várias associações: grande, pesado, antigo, carnívoro. O sentimento ou a expressão emocional que colherdes pode reduzir-se a um simples aviso – algo assustador. Mas podeis não sentir necessariamente temor, por não ser necessário senti-lo. Estais a traduzir em termos de imagens mas o mecanismo do pensamento incorpora alguma dificuldade em traduzir isso para a linguagem das palavras.

As visualizações tampouco requerem pensamento. Mas muitos sentem dificuldade com a criação de visualizações, por empregarem o pensamento e ele interromper a visualização, por não permitir um fluxo livre de energia para vos possibilitar a oportunidade de apresentardes a vós próprios aquilo de que não estais à espera. Por isso é que a visualização se torna difícil.
Outro elemento do pensar que se pode tornar nocivo é que a maioria de vós quer criar uma oportunidade de tomar contacto com outras fontes de informação, informação proveniente de vós ou de outras áreas da consciência, ou proveniente de outros focos ou de outras dimensões, ou sondar outras fontes de informação inerentes à consciência. E o pensamento é igualmente capaz de interromper isso. Porque o pensamento segue - não dá início - e expressa-se por meio da linguagem das palavras. Algumas das experiências que desejareis incorporar não são necessariamente passíveis de tradução em termos da linguagem, por ainda não terdes expandido a vossa linguagem o suficiente a fim de permitirdes a identificação de algumas das experiências que fazeis. Estais a redefinir no enquadramento da vossa linguagem e estais a expandir as vossas línguas, mas nesta altura, elas não se encontram suficientemente ampliadas para poderem gerar uma explicação das vossas experiências em termos de linguagem, o que poderá igualmente bloquear aquilo que pretendeis incorporar.

Mas estou a ver-vos a todos a pensar intensamente no que estou para aqui a dizer! (Ri)

RODNEY: Permites uma pergunta?

ELIAS: Com certeza.

RODNEY: Posso identificar na minha história passada um evento em que me focaria dias e dias a fio. Mas sinto que isso tende a acontecer com muito menos frequência, por mais do que uma razão. Uma deve-se ao facto de me encontrar numa posição muito mais confortável, e também por estar a recuperar disso. Contudo, o que estás a dizer-me leva-me a entender estar definitivamente a bloquear-me por pensar demasiado.

ELIAS: Não é uma questão de pensar demasiado, mas de pensar de modo eficiente.

RODNEY: Deixa que te pergunte, por uma questão de avaliação pessoal, se me for permitido. Quão afectado estarei eu por este processo de pensamento? (Riso)

ELIAS: (Sorri) Ah. A lesão não se expressa necessariamente por meio do facto de arrecadardes dano pessoal de forma permanente.

RODNEY: Mas estarei a funcionar de forma inadequada? Permite que o coloque nesses termos.

ELIAS: Por vezes. Não se trata dum funcionamento defeituoso contínuo a menos que estejas, como designais, compulsivamente preso nesse processo repetitivo do pensar, e estejas continuamente a dar lugar a isso, coisa que muitos fazem.

RODNEY: Encontro-me num verdadeiro carrossel por causa da questão do fumar. É o efeito que crio em torno dessa questão, esse carrossel, essa armadilha mental. Sempre procuro repetir para comigo próprio para deixar de pensar também em relação a isso. E se bem te entendo, passar a dar atenção, de preferência no momento…

ELIAS: Exacto.

RODNEY: …Representaria um aspecto terapêutico extraordinário em relação a isso…

ELIAS: Pois.

RODNEY: …Essa armadilha mental que está a ter lugar.

ELIAS: Sim.

RODNEY: E em relação aos devaneios, ao sonhar acordado? O fantasiar não é pensar, pois não?

ELIAS: Não necessariamente.

RODNEY: E que tal ler um livro interessante e deixarmo-nos envolver por ele ou tornar-nos viciados nas notícias e passarmos a acompanhar as notícias com habitualidade? Eu pesquiso a nação toda por precisar saber onde acontecem as coisas.

ELIAS: Estou a compreender. Estás a admitir informação e a empreender o mecanismo do pensamento duma forma eficiente. Pode estar a ocorrer o que te poderá parecer simultâneo à acção que estás a empreender, por o período de atraso ser muito ligeiro. O mecanismo do pensamento pode ser empregue de tal forma imediata que vos poderá parecer estardes a pensar e a actuar em simultâneo. Mas na realidade, o processo do pensamento está a traduzir aquilo que estais a fazer à medida que o estais a fazer. Isso representa um modo eficaz de usar o pensamento.

A expressão do carrossel não representa um modo tão eficaz de usar o pensamento, por adoptar a função de repetição. Isso não é dar entrada a nova informação mas prosseguir com o mesmo assunto nos mesmos moldes.

RODNEY: Como sairemos desse carrossel, desse ciclo vicioso?

ELIAS: Distracção; deslocai a vossa atenção.

ELLA: Digamos que ele esteja a assistir aos noticiários e o pensar acompanhe esse processo. Dizes ser mais produtivo por nos concentrarmos naquilo que estamos a fazer. Por exemplo, ele está a assistir às notícias mas num dado momento toma consciência de que parte da sua atenção expressa a vontade de fumar um cigarro. Portanto, para penetrarmos o que estamos a fazer, desempenhamos tarefas múltiplas, de certo modo. Será isso o que estás a…?

ELIAS: Acaba por se tornar na sua própria distracção e interrompe. Interrompe aquilo que estiverdes a fazer. Nesse sentido, interromper uma interrupção torna-se eficaz, de modo que podeis voltar a atenção para QUALQUER das vossas vias de comunicação disponíveis, que de facto existem muitas, e distrair-vos e voltardes a estabelecer esse mecanismo do pensar.

ELLA: Portanto, se detectarmos esse padrão em espiral (às voltas)… Por vezes acontece nem sequer notarmos isso.

ELIAS: Aí é que está a questão.

ELLA: Portanto, se notarmos isso, o que passamos é a exclamar: “Detectei-te, vai-te embora, eu estou focado nisto.” Será desse modo que…?

ELIAS: Deslocais a atenção.

ELLA: De volta para onde a queríamos situada.

ELIAS: Ou para outra expressão qualquer.

RODNEY: Será apenas uma questão de deslocarmos a atenção para qualquer parte ou será que existirão algumas actividades…? Alguns podem gostar de pintar, outros de esculpir ou de limpar a casa. Se eles realmente sentirem vontade disso e colherem prazer com esse acto, será que deslocar a atenção para isso poderá representar a diferença?

Posso deslocar a atenção e ter noção do ruído do condicionador de ar e do aparelho de televisão. Posso voltar a atenção; isso é conseguido com bastante facilidade. Mas parece-me que voltar a atenção para uma área que seja um tanto mais cativante… Posso empregar a minha atenção em múltiplas tarefas e em vários sítios e nenhum deles se tornar absorvente. Se me focasse no meu problema de matemática ou tentasse esculpir algo, isso tornar-se-ia muito mais fascinante.

ELIAS: Depende do indivíduo e da situação. Depende da quantidade de atenção que estiverdes a focar no pensar de um modo improdutivo e do modo como o estiverdes a manter.

Por vezes, se uma pessoa estiver a manter intensamente a atenção no pensamento repetitivo, pode tornar-se muito mais benéfico empregar uma acção que possa interromper esse processo. Mas se esse processo de pensar estiver a ser empregue no modo de repetição e não se expressar com vigor, e a vossa atenção não se manter aí, podeis empregar outras distracções ou formas de interrupção que não exijam necessariamente essa acção cativante.

Outra acção que ocorre muitas vezes com as pessoas, associada a isto, é o facto de incorporardes alguma frustração subjacente ou irritação ou confusão, ou um expressão qualquer de aborrecimento que não vos pareça necessariamente intensa mas que esteja em curso, acção essa em que não estais a dar a atenção nem estais continuamente a pensar num determinado assunto e podeis dar por vós a voltar a esse assunto aborrecido repetidas vezes. Poderá não acontecer todos os dias mas trata-se duma expressão subjacente que se revela em andamento e que é aborrecida e que continuais a repetir a vós próprios em certas alturas.

Isso pode igualmente representar uma acção prejudicial, por constituir um outro acto de repetição. Nesse sentido, é benéfico interromper o processo e reconhecer genuinamente não estardes a admitir qualquer informação renovada nem a reconhecer nem a recordar-vos de que o pensamento possui uma função de tradução. Por isso, o que estareis é a usar informação velha.

RODNEY: Um dos problemas que encaro é que se algo nos estiver a irritar, se se manifestar e eu der por mim envolto nesse processo de pensar e a voltar a minha atenção noutra direcção qualquer, isso começará a parecer-se com a negação, negação da existência do problema. Para mim teria uma implicação dessas. Mas não tenho ideia de referires que esse tipo de negação seja pejorativo.

ELIAS: Não estou a dizer que esse tipo de negação seja prejudicial.

RODNEY: Mas que nega um problema significativo que continua a apresentar-se?

NATASHA: Se for um problema, precisamos resolvê-lo, e não…
ELIAS: Aquilo que estou a expressar é que o acto de parar a repetição constitui o primeiro passo. Não podeis propor a vós próprios uma informação renovada para dardes atenção ao que vos aborrece se continuardes a repetir o pensamento.

ELLA: Parece que a primeira coisa precise ser identificar aquilo que nos estiver a aborrecer. Se conhecermos o problema e percebermos os pensamentos que estiverem a ocorrer, tornar-se-á mais fácil identificá-lo e é com respeito a esse mesmo problema que já identifiquei que agora estou apenas a projectar ansiedade em relação a ele por não ter encontrado a solução. Neste caso podíamos dizer que isso represente as notícias antigas e que gostaríamos de voltar a atenção.

O que tenho feito quando sou acometida por essa sensação de medo é reconhecer estar a projectar, pelo que nisso não sinto dificuldade, para além do facto estar a projectar. Só que ignorava algo que estava a acontecer há perto de meio ano, e estava a fazer exactamente o que o Rodney estava a dizer, até que finalmente se fez luz e me interroguei: “Porque não paro e olho para o que me leva a sentir tão mal?” Neste momento sinto-me como uma demonstração viva do que estás a dizer.

ELIAS: Porque não te deténs e te volta para o que é aborrecido? Porque estás a pensar e a pensar, e isso na realidade impede-te de identificares efectivamente.

ELLA: Eu fiz isso. Não se trata dum processo contínuo, mas durante um período de seis meses ocorreu uma vez por mês, uma vez por semana. Eu disponho de intervalos durante os quais realmente sou capaz de me envolver com alguma informação, só que com frequência termino confusa. Eu digo: “Preciso alcançar uma perspectiva de mim no momento”, e “Agora estou bem. O que estás a fazer é a projectar no futuro e a arrastar o problema de volta para a tua vida. Pára de projectar e de gerar a destruição,” que é o que eu faço.

Mas aquilo de que tomei consciência foi de estar a ignorar algo que já se achava presente na minha realidade. Por isso, esse tipo de discernimento torna-se bastante importante para mim, por ter genuinamente pensado estar a trabalhar no problema.

NATASHA: Mas ainda precisas trabalhar no problema, ainda necessitas duma solução.

ELLA: Agora tenho consciência daquilo em que o problema consiste e consigo livrar-me dessa espiral mental. Assim que penso estar a projectar, aí o problema deixa de estar presente. Só preciso redireccionar a minha atenção e logo fico bem. Agora que sei ter um problema, ou o que considero ser um problema, começo desesperadamente à procura duma solução, o que não se torna vantajoso. Eu sinto-o. Sinto que só preocupa e causa irritação e  frustração e dá lugar ao medo.

Eu não sabia que irias falar sobre isso, mas na semana passada vivi essa situação. Como poderei sair disso? Sinto como se estivesses a criar a situação, ser capaz de manipular a minha realidade de forma a criar isso. Quase consigo sentir ter introduzido isso na minha realidade com o propósito de aprender como sair disso. Mas sim, compreendo que a espiral se pode tornar bastante destrutiva, frustrante e prejudicial para todo o nosso ser.

ELIAS: Pois, e é capaz de interromper a informação que pretenderes estender a ti própria.

ELLA: Sim, sinto que sim. Parece bloquear todo o tipo de comunicações. Estamos apenas constantemente em busca de uma resolução. Não sei como resolvê-lo pelo que bem posso deixar isso em suspenso temporariamente a ver o que acontece. Será isso o que tu sugeres?

ELIAS: Em certo sentido. Não está meramente associado às expressões de irritação nem de aborrecimento. Mas pode estar associado à inspiração. Podeis empreender uma acção qualquer com o fim de pretender instaurar uma nova descoberta, e com isso, podeis bloquear a via para essa nova descoberta se continuardes a comprometer-vos ou a empregar a vossa atenção no processo do pensamento relativo à informação de que já dispondes mas sem avançardes para o passo seguinte – querendo o passo seguinte, querendo a nova inspiração ou a nova peça do quebra-cabeças, mas continuando ao invés a repetir as peças do quebra-cabeças que já possuís.

PARTICIPANTE: Elias, isso não representará um exemplo de se ser apanhado na armadilha do nos focarmos no objectivo final ao invés de nos focarmos no processo? Focar-nos no objectivo final na expectativa de perspectivarmos de uma certa forma sem nos mantermos receptivos para com a nova informação que nos permita alcançá-lo?

ELIAS: Representa.

RODNEY: Posso apresentar um exemplo perfeito disso. Trabalhei na minha matemática anos a fio, de modo que repetia sempre as mesmas velhas coisas. Já tivemos uma sessão sobre isso. Quando parei de tentar resolver o problema e comecei a divertir-me e a focar-me no aspecto divertido do que estava a procurar fazer, ele resolveu-se por si só. Foi incrível. Isso representou um desvio da atenção do objectivo...

ELIAS: Pois.

RODNEY:... De modo a obter a diversão no momento.

ELIAS: Certo.

RODNEY: Se conduzir a algum lado, tudo bem; se não levar a nada, não leva, mas vou divertir-me.

STEVE: Elias, poderia colocar uma pergunta pessoal? Tenho cancro no pâncreas há três anos. Para poder interromper esse processo da permanente repetição que engloba um foco constante dia sim dia não, em que a minha condição muda a cada dia. Torna-se difícil romper esse ciclo de repetição. Aquilo que procuro fazer é reconduzir-me de volta à atenção por mim próprio e deixar os pensamentos esvoaçarem para longe mas o factor iminente que permanece subjacente assenta na cura ou em tornar-me saudável a determinado ponto do tempo.

Realmente passo por momentos difíceis por ser uma constante e se achar sempre presente. Torna-se muito difícil. Como se romperá esse ciclo de repetição? É quase inevitável fazê-lo. Eu procuro fazê-lo por pequenos incrementos e aos poucos mas...

ELIAS: Estou a compreender. No caso das manifestações físicas, tens razão, torna-se muito mais difícil, devido a que a vossa atenção se volte automaticamente para a manifestação física e se concentre aí. A atenção divide-se entre a concentração na doença e a utilização do mecanismo do pensamento a fim de proporcionar a vós próprios soluções para essa manifestação física ou enfermidade.

Essa é a razão por que se torna significativo que o pensamento não funcione desse modo. Ele não vos oferece respostas; Não vos assegura soluções. São outras as expressões que vos criam as soluções, que não se comunicam por intermédio da linguagem. O pensamento apenas a traduz a comunicação após esta se ter dado. O que é significativo é que vos permitais usar essas vias de comunicação, usar visualizações, paisagens interiores. (Ver notas finais)

As paisagens ou cenários interiores podem tornar-se bastante eficazes por não requererem pensamento. Trata-se duma visualização e como tal não requer qualquer conhecimento objectivo relativo à mecânica da consciência do corpo físico. Não requer qualquer compreensão objectiva do modo como o vosso corpo funciona nem do seu funcionamento deficiente. Nesse contexto, permite-vos mover-vos juntamente com a vossa consciência subjectiva num modo natural de direccionar a consciência do corpo, e não através da disfunção.

Além disso se escutardes e fizerdes uso dos vossos sentidos interiores, o empático e o da conceptualização, pode tornar-se benéfico por vos distrair do processo do pensamento.

STEVE: Poderás recapitular algumas dessas coisas neste momento?

ELIAS: O da conceptualização é o sentido interior que mais difícil se torna de traduzir por pensamento; como tal, pode ser mais eficaz, porque o mecanismo do pensamento não se acha dotado da capacidade de traduzir o movimento do que fazeis em termos de conceptualização, por estardes a fundir-vos com uma acção, não com uma coisa. Por isso, estais a fundir-vos com o movimento da energia. Estais a fundir-vos com o movimento do conceito, não com uma coisa.

Com isso, podemos sugerir que vos permitais empregar momentos deliberados de descontracção em que, ao invés de vos focardes no funcionamento deficiente, vos foqueis na apreciação e na criação dum reconhecimento e apreciação genuínos pela consciência do vosso corpo e por intermédio do reconhecimento do poder que vos assiste e da facilidade da criação da enfermidade. Ao invés de o perceberdes como um fracasso, reconhecei-o como uma expressão do vosso poder isento de esforço – que não exigiu o menor pensamento na sua implementação – e que ainda assim foi criado com eficiência e eficácia, com o que se presta mais a uma realização do que um fracasso.

STEVE: É engraçado que digas isso, porque a abordagem que faço continuamente em relação a isso tem sido a de uma gratificação em muitos aspectos da minha vida ao invés de ser uma coisa má. Obtive muito mais paz interior e fé íntima em mim próprio em relação à consciência das minhas capacidades. Ao aplicar isso agora, encaro isso muito mais duma forma gratificante e como algo que possa ter sido conduzido à minha vida com um propósito. Agrada-me a sugestão para nos focarmos mais nas coisas de maior qualidade (inaudível).

ELIAS: Parabéns, meu amigo!

Vamos fazer um intervalo e logo podereis continuar com as vossas perguntas.

INTERVALO

ELIAS: Continuemos!

ELLA: Oh! Assustaste-nos!

ELIAS: Ah, ah, ah! O choque do momento! (Riso)

VERONICA: Elias, posso colocar uma questão?

ELIAS: Podes.

VERONICA: Quando estamos sem saber o que fazer com um problema e andamos à procura duma solução, e a roda continua a girar e nos deparamos com o “Devo; farei; poderei?” considerar isso  aparte representará uma solução efectiva, possivelmente anotando no papel as suposições que abrigamos e examinando de perto em que consiste a situação, em referência a essas suposições? Será uma solução alternativa para pormos fim a toda a tagarelice e talvez romper com ela? Isso também pode estar relacionado.

ELIAS: Depende do indivíduo. Para alguns pode representar um benefício, dependendo do fluxo natural da sua energia e ao que fazem naturalmente em associação com as suas directrizes. Para alguns isso pode representar um método específico para um fim através do qual podereis descobrir o que motivará determinadas acções ou dilemas e o modo como criar uma método que vos ofereça uma solução.

Para alguns, isso não se torna necessariamente num modo eficiente de processar, por poder meramente encorajar mais repetição do pensar. Por isso, torna-se significativo que tenhais consciência do modo como processais naturalmente e do que efectivamente vos seja benéfico e do que de facto reforce o processo que não é eficaz e na verdade vos distrai.

Alguns preferem tornar-se de um modo natural analíticos, e nesse sentido, pode tornar-se benéfico que o indivíduo avalie e perceba as suposições que abriga ou as associações que cria com respeito a um problema específico, por assim dizer, de modo a permitir-lhe criar uma solução. Mas em muitos casos esse tipo de acção apenas perpetua o que designais como hesitação, o que representa a repetição do processo do pensamento, que na realidade não vos fornece nenhuma informação renovada, por vos encorajar mais a repetir o problema sem dar lugar a qualquer solução.

A imaginação pode representar uma outra via bastante útil e que representa uma ajuda associada à inspiração e à resolução. Porque ao fazerdes uso da imaginação, vós gerais um fluxo livre de energia, e com isso encorajais-vos a descontrair. Com essa descontracção, dais lugar a uma abertura para com a informação que se vos acha disponível.

ELLA: Elias, eu gostava de discutir uma situação que se passou com a minha amiga e comigo hoje, que me demonstrou que por vezes o pensar pode interromper a acção, e eu gostava de confirmar que tenha sido o que ocorreu, porque não tenho a certeza.

Quando nos dirigíamos para aqui, estávamos a discutir variadas coisas mas no fundo penso que me achasse parcialmente envolvida na conversa que estava a ter com ela e em parte estivesse atenta à estrada, e talvez em parte a pensar no medo com que estou de momento a lidar. Demos por nós numa situação bastante invulgar em que nem sequer conseguíamos reconciliar... Assim que descobrimos não estar onde pensávamos estar, não fomos capazes de perceber o diferencial de tempo e o espaço onde fomos ter. Senti que de algum modo terei provocado algum género de deformação no tempo. Não entendo o que se terá passado. Conseguimos reconstituir os passos dados, vimos exactamente onde tínhamos ido dar, só que não encontramos o mesmo lugar que tínhamos visto da primeira vez.

Também me recordo que quando saímos de casa, a minha amiga terá declarado em termos absolutos: “Vamos chegar lá sem problemas, porque é manhã cedo e não há muito tráfego.” Lembro-me de ter sentido medo disso; lembro-me do medo me ter deixado entender de um modo subtil que sempre que expresso algo em termos absolutos, algo de mau acontece. Que terá acontecido?

ELIAS: (Ri) Muitos actos terão ocorrido nessa experiência além de várias vias de informação. Mas sim, uma dessas vias de informação estava associada ao tempo e à curvatura do tempo por formas que vos parecerão confusas, por não serem racionais. Muitas expressões da consciência, e até mesmo o que fazeis na vossa realidade, não é necessariamente racional nem lógico, apesar de ser real.

Com isso, proporcionaste a ti própria uma oportunidade de prestares atenção a uma impressão e de notares e reconheceres teres tido essa pontada de receio. Por isso tu tinhas conhecimento. Estavas a estender a ti própria uma comunicação. Quer tenhas ou não dado atenção a essa comunicação, é uma opção.

ELLA: Mas que estaria eu a sugerir? A predição de eu dar lugar a algo do género?

ELIAS: Não é necessariamente uma predição, mas de certa forma é. Porque não é uma predição em relação ao que venha a acontecer, mas uma identificação da tua energia e da direcção que ela toma – no sentido precisamente da possibilidade da criação disso.

ELLA: Já provei a mim própria muitas vezes que quando declaro em termos absolutos que “Isto pode ocorrer ou isto pode não ocorrer”, acabo por experimentar exactamente o que tenha dito ou pensado não poder ser. Provo a mim própria continuamente que não nos podemos expressar em termos absolutos. (Elias ri) Terá pois representado uma demonstração disso?

ELIAS: Representou.

ELLA: Riste-te de nós quando estávamos naquela situação? Tive a sensação que gozaste um bom bocado a observar-nos. Senti-me muito esquisita.

ELIAS: (Ri) Poderá ocorrer muita coisa, nos tempos mais próximos, que poderá parecer-vos ilógico, irracional, impossível e confuso.

ELLA: Origina uma sensação física no topo da minha cabeça, por debaixo da coroa, sensação que eu reconheço. Porque razão será ela tão concreta? Será devido a que o meu cérebro esteja a tentar ligar em termos lógicos algo que não seja lógico?

ELIAS: Não necessariamente. Essa é a forma como TU processas.

RODNEY: Poderás fazer uma declaração tipo bola de cristal?

ELIAS: (De forma bem humorada) Eu?

RODNEY: Que irá acontecer nas próximas semanas e nos próximos meses?

ELIAS: (Ri) Posso-te dizer que seja o que designarás como boas notícias.

ELLA: A onda subordinada à verdade terá terminado?

ELIAS: Ainda não, mas está a dissipar-se. Está a dissipar-se e vós estais a dar passos no sentido duma forte possibilidade respeitante à próxima onda, a qual poderá tornar-se estimulante para uns e divertida para outros. Deve ser, conforme o movimento actual, a onda das crenças subordinadas às ciências.

ELLA: Existirá mais alguma outra possibilidade forte para além dessa?

ELIAS: Presentemente, essa é a possibilidade que prevalece.

ELLA: Virão a dar-se descobertas científicas interessantes?

ELIAS: Isso é uma possibilidade, assim como poderá dar lugar a uma significante frustração, dependendo da abertura daqueles que se acharem mais envolvidos do que os demais, designadamente os cientistas.

VERONICA: E com relação aos médicos e a toda a indústria farmacêutica?

ELIAS: Isso deverá situar-se na mesma categoria, por se achar ligado às ciências.

RODNEY: De que modo nos isso nos irá afectar individualmente?

ELIAS: Depende de vós, do vosso rumo e da abertura de que gozardes. Pode inspirar-vos bastante no sentido de procederdes a novas descobertas, novas revelações, novas formas de compreensão, assim como poderá dar lugar a significativas situações traumáticas. Depende da vossa abertura e da vossa vontade de participar e de perceberdes de modo diferente. Por isso, possuís uma significativa prática nessa direcção, e se aplicardes essa prática, isso poderá dar lugar à oportunidade de novas descobertas excitantes.

RODNEY: Para nós individualmente?

ELIAS: Sim.

VERONICA: Poderá isso estender-se à descoberta do campo electromagnético e dos cristais e da vibração? (Elias acena com a cabeça a confirmar) Sim? Maravilhoso.

RODNEY: Serei capaz de predizer o bilhete premiado da lotaria?

ELIAS: Ah, ah! Isso não é um acto científico! (Rodney ri) Isso é um acto intuitivo. (Riso) Podeis empregar as vossas ciências de forma ampla que ainda assim vos posso dizer que isso não vos levará mais perto da possibilidade de predizerem a taluda!

ELLA: Eu tenho uma pergunta respeitante ao pensar. Eu tenho vindo a ocupar-me mais de mim própria no período compreendido pelos últimos três meses e pensei que o que estou a fazer seja benéfico. Mas agora, ao escutar-te, não estou certa de que o que esteja a fazer seja bom. O que estou a fazer é sair para almoçar, reservar algum tempo para a reflexão, sem ser necessariamente acerca de algo que tema mas sobre diferentes aspectos de mim própria, como que a olhar de modo diferente para mim própria, mas tudo isso envolve sentimento e pensamento. E isso é tudo correcto, não?

ELIAS: É.

ELLA: O que não é correcto é quando permite que o temor me conduza e dê lugar à criação duma verdade separada. Mas se estiver a explorar-me...

ELIAS: Sim.

ELLA: ...E a sentir os pensamentos, aí...

ELIAS: O pensamento é um dos vossos elementos naturais. Hás-de poder distinguir a diferença.

ELLA: Nesse tipo de auto-análise, descubro um grande número de medos subjacentes de que jamais me tinha apercebido, mas a maioria deles difusos por constituírem a bagagem procedente da minha infância ou juventude. Eles afectam-me o comportamento, e ao olhar para eles desse modo percebo a sua acção. Podem achar-se activos mas não me estão a prejudicar neste momento, e não é a isso que te estás a referir.

ELIAS: Exacto.

DANIIL: Geralmente, existe uma ligação entre o tema em debate nas sessões públicas e a onde que esteja a ocorrer. Existirá alguma ligação entre este assunto do pensar e a onda das crenças científicas?

ELIAS: Existe uma associação entre o pensamento e a onda respeitante ás vossas ciências, não necessariamente em relação directa à repetição do pensamento mas ao próprio pensamento enquanto mecanismo, e ao modo como é encarado e como é definido enquanto função, e em relação ao modo como essa função é criada sem estar necessariamente associado com o vosso cérebro físico.

DANIIL: Fará parte da exploração dessa nova onda, observar algo para o que não encontraria uma explicação? A reacção automática pode ser no sentido de me esforçar da forma habitual, mas não será mais benéfico fazer uma pausa e realinhar de algum modo o meu pensar pela aceitação de algo para o que não encontre qualquer explicação?

ELIAS: Ou apenas reconheceres não teres qualquer explicação e que isso seja admissível, e que eventualmente apresentarás uma explicação inesperada a ti próprio.

RODNEY: Tu falas da ciência mas o conceito mais fundamental da ciência é o de que, se muita gente executar o mesmo experimento muitas vezes e em vários sítios diferentes, começamos a obter os mesmos resultados. Por outras palavras, a realidade repete-se sob condições idênticas.

Tu já falaste sobre as impressões, a intuição, a projecção da consciência, os sonhos, mas nada disso tem qualquer relevância no que é correntemente designado como ciência na nossa cultura geral. Por isso sinto-me deveras curioso.

ELIAS: Ah, mas está a começar a ter.

RODNEY: Será isso o que esta nova onda da ciência irá provocar?

ELIAS: Isso já teve início. Irá alcançar relevo, mas esse movimento já teve início.

RODNEY: A inclusão de sonhos e tudo o mais...

ELIAS: Sim.

RODNEY: ...Num contexto científico?

ELIAS: Sim.

ELLA: Penso que sempre terá ocorrido. Só não terá sido documentado que o modo de descobrir algo seja o de sonhar com ele. Por vezes deitamo-nos e de algum modo resolvemos as coisas no estado de sonhar.

RODNEY: Não estou a referir-me a esse aspecto da coisa.

ELIAS: Exacto, eu estou a compreender.

RODNEY: Estou a falar sobre a ciência dura, o que é...

ELLA: Na utilização como método?

RODNEY: Certo. Certo. Mas que será isso? De que modo poderemos repetir...?

ELIAS: Sim, isso já teve início, só que será realçado...

RODNEY: Só não foi largamente divulgado, então.

ELIAS: Essa será uma declaração relativa, porque na comunidade científica é mais abertamente expressado e subsiste a consciência e o emprego da exploração desses...

RODNEY: Eu diria que sinto que seja verdade, só que não terá sido formalmente avançado nos jornais científicos.

PARTICIPANTE: Há uma publicação intitulada “Mentes Entrelaçadas” que... (inaudível)

VERONICA: Elias, o pensamento equiparar-se-á à tecnologia?

ELIAS: Em que aspecto?

VERONICA: Nas comunidades científicas, como é reconhecido na comunidade científica e na comunidade médica que o funcionamento da mente... Poderá ser registado pelas máquinas?

ELIAS: A associação estabelecida com a função do pensamento está a ser questionada e deverá continuar a sê-lo com mais intensidade até descobrirem qual a função real do pensamento e o que a motivará, o que a conceberá, para além da mera função do cérebro. Porque, o pensamento não é apenas gerado pelo funcionamento do vosso cérebro físico.

RODNEY: Isso evoca a questão da consciência, porque um grande segmento da pesquisa científica - e eu estou a pensar em particular no caso da indústria farmacêutica - trata os animais, e os animais não têm consciência. Nesta onda será que a ciência irá dar algum apoio ao próprio conceito da consciência...

ELIAS: Vai.

RODNEY: ...Ao contrário da dada à actividade do cérebro?

ELIAS: Sim.

NATASHA: Então as nossas sessões estão a tornar-se sessões científicas!

ELIAS: (Ri) É bem possível.

RODNEY: Isso irá tornar-se público?

ELIAS: O vosso mundo está todo a participar nesta onda e nesta mudança. O vosso mundo está todo a tomar parte na mudança sob todos os aspectos dela e em cada onda que é gerada. Vós participais de diferentes modos, mas estais todos a participar. E nesse sentido, sim, virá a gerar uma maior atenção pública, porque novas descobertas deverão garantir a essa atenção pública.

RODNEY: Poderá existir uma demonstração científica que torne aceitável para a maioria que a consciência constitua uma energia que tem uma existência real?

ELIAS: Isso é o que haveis de descobrir! É nesse sentido que haveis de vos mover. Esse é o móbil que acompanha esta mudança da consciência, descobrir aquilo de que sois capazes em relação à natureza da consciência e em relação à forma como se expressa, e a mecânica que vos circunscreve bem como a toda a vossa realidade, em relação ao modo como vos manifestais e ao modo como funcionais e ao que fazeis e à forma como a consciência se expressa. Os absolutos de outrora estão a ser questionados.

RODNEY: Isso conferir-nos-á algumas novas metodologias?

ELIAS: Absolutamente!

VERONICA: Isso será reconhecido pelos diferentes ramos do governo?

ELIAS: Será.

PARTICIPANTE: Então o planeta inteiro deverá passar para um nível superior de conhecimento e aceder a um conhecimento que não estava anteriormente disponível?

ELIAS: Essa é a intenção desta mudança; isso é o que já estais a fazer. Estais a expandir a consciência que tendes. Estais a ampliar os horizontes. Possuís actualmente uma compreensão muito mais vasta do que a que tínheis há dez dos vossos anos atrás. Possuís uma capacidade de compreensão e de conhecimento tremendamente mais vastas do que possuíeis no vosso século anterior. Estais a expandir-vos de um modo muito mais rápido actualmente do que o fazíeis no vosso século anterior, e nessa altura estáveis a expandir-vos com rapidez.

Actualmente estais a mover-vos num ritmo ainda mais acelerado, por vos estardes a tornar mais conscientes e estardes a questionar e estardes a tomar consciência de vós e a gerar uma grande compreensão de vós próprios, o que vos proporciona uma enorme capacidade de compreensão do vosso mundo.

PARTICIPANTE: Será todo o conflito que percebemos e a que actualmente assistimos por todo o mundo uma manifestação da onda da verdade?

ELIAS: É.

PARTICIPANTE: À medida que a onda da verdade se dissipa, poderemos esperar ver alguns desses conflitos a acalmar?

ELIAS: Isso é variável, porque apesar dessa onda que se endereça às verdades se estar a dissipar, ela incitou espantosas formas de reconhecimento de verdades absolutas. Despoletou a expressão de verdades incontestáveis e definitivas. Por isso, é possível que num espaço de tempo relativamente curto, essas acções de oposição possam dissipar-se, mas também é possível que leveis algum tempo a reconhecer que na verdade não são verdades definitivas nas filosofias das pessoas.

Olhais para as experiências que tivestes durante esta onda e a extensão que ela gerou em termos de força e para o tempo que cada um de vós despendeu à procura de informação a fim de descobrirdes as vossas próprias verdades definitivas ou absolutos. Muitos não procuram qualquer informação. Ela pode-lhes ser apresentada mas eles não andam à procura de informação.

Essa é a razão por que, desde o início deste fórum eu expressei que o propósito da minha interacção junto de todos vós se destina a reduzir a hipótese de trauma; mas eu disse, desde o começo, que VIRIA A GERAR-SE trauma em associação com esta mudança, e está a gerar-se.

ELLA: Então mesmo apesar da onda da verdade estar a dissipar-se, os eventos de massas que já estão em marcha deverão prosseguir e as pessoas ainda precisarão lidar com as suas questões relacionadas com os absolutos, ainda que a onda da verdade esteja a dissipar-se. Alguns eventos já estarão em marcha...

ELIAS: Exacto.

ELLA: ...E ainda precisaremos dar atenção a essa onda.

ELIAS: Exacto, só que a abordais de diferentes modos. Alguns indivíduos ou grupos de indivíduos optam por abordar por meio da agressão.

ELLA: Esse tipo de processo de pensamento, o processo de repetição, muitas vezes parece quase contagioso. Talvez se deva ao facto de ter tendência para a empatia, mas eu sinto ser equilibrada, mas aí eu conto a uma amiga minha que lida com esse tipo de problema e ela partilha comigo aquilo que experimenta, e em pouco tempo surge na minha realidade um problema similar. Estarei a contagiar as minhas amigas? Não quero passar a ninguém as coisas malucas que experimento!

ELIAS: Não é uma questão de contágio. Antes de mais, vós estais todos interligados e deixais-vos atrair precisa e propositadamente para os outros que reflectirão, e vós a eles. Nesse sentido, isso é de tal modo concebido na perfeição que experimentais similaridades na interacção que estabeleceis com eles ou eles podem dar lugar a situações ou desafios semelhantes, por estardes a atrair a vós precisamente os indivíduos que vos reflectirão isso. Mas existe um outro factor de sugestão.

ELLA: É isso que eu quero saber. Que acontecerá no caso de eu partilhar com alguém que também...

ELIAS: Mas isso não será responsabilidade tua, porque eles também se terão deixado atrair para ti propositadamente.

ELLA: Eu eu for sugestionável, facto que sei poder ser de forma a poder evitar certas interacções ocasionadas por isso. Mas se interagir com uma amiga e em seguida sentir problemas semelhantes na minha realidade, deve ser o meu mecanismo de exploração que não preciso encarar como negativo.

ELIAS: Exacto.

ELLA: É somente um mecanismo de forma a ser capaz de experimentar e conhecer exactamente o modo como isso é...

ELIAS: É.

ELLA: ...Ao contrário de apenas pensar nisso.

ELIAS: Sim.

RODNEY: Em relação à ciência tu apresentaste-nos esta informação de um modo bastante diferente do que o fizeste no passado.

ELIAS: Exacto.

RODNEY: No passado disseste estar a decorrer uma onda subordinada à verdade e que isso era o que precisávamos considerar, por ser o que estava a desenvolver-se e a constituir o modo de nos ajudarmos e a forma como poderíamos processar, o modo como poderíamos trabalhar com a coisa. Desta vez não estás a fazer isso.

ELIAS: (A sorrir) Tens razão.

RODNEY: Aquilo que estás a dizer é que chegaremos a tomar consciência das coisas.

ELIAS: Sim.

RODNEY: E nisso realmente mudaste de actuação! (Elias ri) Quererás falar sobre isso...

ELIAS: Sim!

RODNEY: ...Mais pormenorizadamente na nossa próxima sessão de grupo?

ELIAS: Isso depende do facto de realmente te teres ou não ocupado disso. E tu ainda não o empreendeste.

RODNEY: Quando deverei procurar isso?

ELIAS: Depende de ti.

RODNEY: Onde deverei procurar comprometer-me com isso?

ELIAS: Vou dar-te conta da identificação disso. Eu darei lugar ao que designais como um anúncio do início dessa onda assim que ela tiver começado. Ainda não começou. Em razão disso, existe toda uma variável e uma possibilidade de vós colectivamente poderdes alterar-lhe o curso, por assim dizer, e escolherdes um sistema de crenças diferente.

Neste momento estou a dar-vos conta do movimento a que estais a dar início. Segundo as probabilidades e as possibilidades que estais actualmente a expressar, esse é o potencial mais significativo de se tornar na próxima onda da consciência que empreendais. Se o escolherdes, ou quando o escolherdes, eu deverei dirigir-me a ela junto convosco.

Eu estou a estender-vos uma inspiração! Vós esforçastes-vos por mais de três anos, nos vossos termos, com a vossa onda que se dirigia às verdades. Eu estendo-vos a inspiração de vos voltardes numa nova direcção.

ELLA: Teremos que passar por cada onda individual para completarmos a Mudança? Não existirá um atalho?

ELIAS: Isso deve proceder da intenção que instaurardes! (Ri)

ELLA: Que ondas terão ocorrido antes da onda subordinada às verdades?

GRUPO: A dos relacionamentos, a da duplicidade...

ELIAS: Talvez venhas a descobrir (riso), e talvez isso constitua uma outra via a encetares ao proporcionares a ti própria informação ao invés de entrares nessa da repetição!

Para todos vós com um formidável reconhecimento, uma enorme amizade e um encorajamento essencial para as vossas novas aventuras e para o travão que venhais a impor ao pensar, pensar, pensar (ri) e em prole dum pensar inspirado, a todos vós, meus amigos, au revoir.

GRUPO: Au revoir.

Notas:

(1) Da sessão 228, sobre a criação e a utilização do cenário interior:

ELIAS: ... Com isso, permanecendo completamente cientes, podeis permitir-vos um ligeiro movimento para alterar a percepção que tendes, apenas um pouco, e permitir-vos passar para um sentimento ou um pensamento ou uma sensação física – não uma emoção - e examinardes essa área. Nesse sentido, aquilo que vos estou a exprimir pode assemelhar-se à criação dum cenário interior por intermédio dum pensamento, ou a criação dum cenário interior por meio duma emoção, ou a criação dum cenário interior por intermédio duma sensação física; permanecendo completamente conscientes objectivamente, conforme o designais, e detectardes um pensamento ou uma emoção ou uma sensação física com o que, isoleis esse sentimento físico ou pensamento ou emoção e o substituais por um cenário no vosso íntimo. Se fizerdes isso, podereis perceber outros elementos que estão ligados a esse pensamento. Desejais ver o futuro; Desejais espreitar o vosso futuro. Podeis faze-lo, examinando o vosso cenário interior.

Manifestais uma emoção. Podeis criar um cenário físico a partir dessa emoção. Podeis dar lugar a toda uma cena que provenha apenas duma emoção. Permiti-vos voltar-vos para a área da emoção, e examiná-la, e com essa permissão visualizar inicialmente cores a brotar que podereis identificar junto com essa emoção. Tornai essas cores num cenário interior. Pode tratar-se duma floresta; pode tratar-se dum lago; pode ser uma praia; pode ser um campo. Pode ser qualquer cenário à vossa escolha; e à medida que visualizardes o cenário e o examinardes, com o conhecimento de que tal cenário seja criado por uma emoção ou um pensamento ou uma sensação física, podeis permitir-vos interpretar os elementos desse cenário, o que também vos poderá transmitir informação relativa ao rumo para que vos estareis a voltar, o que vos proporcionará informação do que estareis a criar no futuro.

Um exemplo: Sentis uma sensação física; um mal-estar. Com isso, sentis uma sensação física; achais-vos enfermos. Com isso, podeis olhar essa enfermidade; essa área afectada do vosso corpo físico; (para a Letty) a tua asma. Podes voltar-te para os órgãos que de facto estão a ser afectados por tal acção. Nesse sentido, deixas-te encolher no teu interior, dás lugar à criação de uma versão minúscula de ti própria e inseres-te dentro de ti. Olha a tua forma física e cria um cenário interior. Usaremos o caso dum cenário de um prado com árvores alinhadas em três fileiras. Nesse cenário, à medida que a versão minúscula de ti própria avança pelo cenário, poderás perceber cada elemento desse cenário – cada flor, cada lâmina de relva, cada árvore – como um elemento de ti e da enfermidade física. Á medida que avanças por esse cenário, poderás alterar-lhe a paisagem. Podes reordenar essa paisagem. Podes distribuir as árvores por diferentes áreas; á medida que moves os objectos dentro desse cenário também alteras acções subordinadas ao teu propósito na tua forma física, por estares a alterar a acção que exerces. Podes conceder pistas a ti própria. Ao perceberes o desabrochar de novas flores no teu cenário, poderás igualmente interpretar isso como o despontar de novos elementos no cenário do teu mal-estar. Ao perceberes o desaparecimento de certos elementos do teu cenário, também poderás interpretá-lo como elementos e aspectos da enfermidade de que padeces a desaparecer. Ao escolheres apagar elementos do teu cenário, também podes oferecer a ti própria a confirmação de estares a começar a desmontar activamente a situação de mal-estar.

Podeis usar o processo de te passardes a consciência ligeiramente para o lado enquanto permaneceis completamente conscientes de forma objectiva dos diferentes aspectos do vosso foco. Podeis isolar um pensamento, e criar o mesmo cenário. Podeis isolar uma emoção e criar um cenário interior que vos permita perceber aspectos desse pensamento ou emoção, e perceberdes que podeis ver o que podeis antecipar em termos futuros; porque à medida que inseris mais elementos na vossa paisagem, também podereis assegurar-vos de estardes a criar mais aspectos ligados a esse pensamento ou a essa emoção. Ao eliminardes elementos do vosso cenário interior, também podeis ter a certeza de estardes a dispensar certos elementos do pensamento ou da emoção que estais a escolher eliminar.

Também podeis usar esse processo uns com os outros. Podeis voltar-vos para o lado uns em relação aos outros no vosso desejo de afectar ou de ajudar outro indivíduo. Nesse sentido podeis criar uma versão de vós minúscula, e penetrar no outro indivíduo e no seu cenário interior. (Gera-se desordem na sala) Fico muito contente! Ao penetrardes no cenário de outro indivíduo, não estareis a criar o seu cenário, mas a contemplá-lo. Nesse sentido podeis ajudá-lo dizendo-lhe aquilo que percebeis no seu cenário, estendendo-lhe dessa forma informação igualmente; porque ele poderá estar a bloquear parte da sua habilidade de alcançar o seu cenário, e como tal podereis ajudar desse modo. Podeis igualmente intersectar um outro aspecto de vós, um outro foco, e podeis contactar com o seu cenário interior.

Da sessão 2549

Elias: …Bom; confirmo-te o genuíno reconhecimento que fazes de te moveres no sentido de restaurares a tua capacidade de caminhar na expressão genuína que isso tem de divertido e de mágico para ti. E estendo-te o meu reconhecimento pela autenticidade da energia de que, se fosse impossível, sentir-te-ias satisfeita com a escolha que estabeleceste. Mas reconheço poder tratar-se duma orientação divertida para se entreter, a de criares uma expressão diferente na consciência do teu corpo no sentido da regeneração. E quero encorajar-te no sentido disso ser possível...

Eu começaria, antes de mais, por te sugerir que comeces pela prática dos cenários interiores, porque, com a sua utilização, não precisarás efectivamente de ter um conhecimento nem uma compreensão objectivos respeitante às intricâncias da consciência do corpo e do seu modo de operação, por criares uma visualização criativa simbólica no sentido de encorajares a consciência do corpo a mover-se para um estado natural e rumo à recordação do seu estado natural. Nesse sentido, podes estabelecer vários cenários interiores distintos que podes sempre mudar sem com isso te tornares demasiado complacente com nenhuma necessidade particular. E seja qual for o cenário interior que escolheres, torna-te receptiva para com as surpresas! Permite que se desdobre em determinados aspectos e desse modo te surpreenda, porque isso também estabelece uma comunicação e dá instruções à consciência do corpo de forma a surpreender-te, e a tornares-te criativa. E desse jeito permite à consciência do corpo uma maior flexibilidade no seu restabelecimento.

Também te sugeriria que empreendesses visualizações experimentais. Bom; uma visualização prática difere duma visualização habitual por este tipo de visualização ser mais específico. Permites-te visualizar-te a mover-te; permites-te visualizar-te a caminhar e eventualmente talvez mesmo a dançar; estás apenas a visualizá-lo; Colocas-te na visualização a ponto de efectivamente o sentires, e experimentas e sentes estar a empreender essas acções: Sentes-te a mover-te, sentes a tua pele, sentes a parte de baixo do pé, sentes os músculos, sentes as costelas a mover-se à medida que moves os pés e as pernas. Sentes a pele dos joelhos ou das ancas, sentes a roupa à medida que ela roça na pele. Isso é uma visualização prática. Trata-se duma visualização eficaz por te alterar a energia, ao invés de te veres continuamente numa posição particular, tal como na cadeira de rodas. Interrompe essa constante e altera-te a energia o que te propicia igualmente um maior à-vontade para te moveres no sentido da criação do que queres.

Bom; sugerir-te-ia que empreendesses esse exercício pelo menos duas vezes ao dia. Também te recordaria que tudo o que fazes se acha interligado. Por isso, é importante que reconheças estares agora a entrar num processo, que tem início agora. Nesse processo, tudo o que empreendes se acha interligado – poder-te-á parecer que assim não seja, superficialmente, devido a que as imagens que possas estar a utilizar possam diferir bastante mas na realidade a energia é a mesma; por isso, é importante prestar atenção ao que estiveres a fazer.

Nesse sentido, aquilo que pretendes é estabelecer uma liberdade de movimentos. Por isso, é importante que prestes atenção a todas as acções que empreendes a cada dia e que avalies se aquilo que estás a fazer será expressar liberdade de movimentos. Portanto, é importante que percebas sempre que hesitas e sempre que te restringes. Esta conversa é, em si mesma, um exemplo, porque no início da conversa tu estavas a restringir-te e a hesitar e não estavas a permitir um fluxo espontâneo. Isso é um exemplo daquilo que te estou a expressar; é importante que tenhas consciência de que tudo o que fazes se acha interligado porque quando te expressas de modo que não te permite liberdade de movimentos, estás a opor-te àquilo que queres, e a criar obstáculos, ou a gerar atrasos na criação do que pretendes. Por isso, a despeito do que estejas a fazer durante o dia, permite-te prestar atenção ao facto de estares a expressar liberdade de movimentos ou não. Esses três factores estabelecerão uma fundação efectiva para te passares a mover nessa direcção, e a utilização duma atitude divertida tornar-se-á numa ajuda.

Pergunta: Mas esse cenário interior, referes-te literalmente a um cenário composto por folhagem e mar e pássaros e o que quer que insiramos nele?

Elias: Sim!

Pergunta: Muito bem, e nesse cenário interior eu procedo a esses movimentos experimentais, a essas visualizações práticas como as designaste?

Elias: Não, não, não, não! Esses são dois tipos distintos de visualização. Um consta duma visualização prática; isso consta apenas da visualização da consciência do teu corpo e de ti própria a gerar movimentos – a caminhar, a saltar...

Pergunta: Estou a compreender. A que se destina esse cenário?

Elias: O cenário interior dirige-se à consciência do teu corpo e exprime-lhe uma comunicação, dá-lhe uma instrução directa. Por isso, o cenário interior pode assumir os contornos duma paisagem debaixo de água, pode ser uma paisagem marinha, pode ser uma floresta, pode ser um prado, pode ser um jardim, não importa o que seja. E com isso escolhes um elemento desse cenário que corresponda à área afectada da consciência do corpo. A título de exemplo, se a área afectada da consciência do teu corpo for a coluna vertebral, tu escolhes talvesz um prado no qual inseres uma bela árvore forte, e essa árvore representará a coluna vertebral. Nesse contexto, a paisagem desenvolver-se-á em torno da árvore; por isso, talvez criaturas penetrem nessa paisagem e se aproximem ou saltem para a árvore de formas divertidas; podes inserir-lhe o vento a soprar de encontro à árvore e a imprimir-lhe movimento, e podes igualmente, tal como expressei, dar lugar a surpresas à medida que a paisagem se for desenrolando.

Ora bem; tal como referi, podes alterar a paisagem para diferentes áreas, ou conferir-lhe expressões diferentes; numa visualização pode tratar-se dum prado, noutra pode ser o topo duma montanha, e noutra pode ser no fundo do mar...

Pergunta: Então, Elias, eu começo a criar essa paisagem e aí, numa espécie de processo de ping pong passo a estudá-la... (inaudível) e observo o que acontece por si mesmo e... (inaudível) outro elemento nela e observo o que venha a surpreender-me e isso constitui um processo de ping pong, não é?

Elias: Por assim dizer, por se achar a interagir. Porque tu tê-lo-ás iniciado mas também deixas que se desenvolva, e podes situar certos elementos nela, continuando a permitir que se desenrole, dando desse modo lugar a surpresas.


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