segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O EXERCÍCIO DA GRATIDÃO - APRECIAÇÃO EFECTIVA




Sessão 1861
“Energia Individual, Energia Colectiva, e os Eventos de Massas”
“O Exercício da gratidão”
“A Utilização duma apreciação efectiva na Dissipação do Conflito”
Sábado, 22 de Outubro de 2005 (Grupo/Brattleboro, Vermont)
Tradução: Amadeu Duarte


Participantes: Mary (Michael), Barry, Becky, Ben (Albert), Bonnie (Lyla), Carl (Shani), Carol, Dale (Jene), Daniil (Zynn), Donna (Luera), Edward (Colleen), Elise, Ella (Bella), Ester (Ashule), Frank (X-tian), Franko (Tyne), Gail (William), Hoke, Inna (Beatrix), Jen F, Jen N (Liva), Jim B (Marion), Jim S (Bevan), Kathy, Kaustubh (Vynule), KC (Nanaiis), Ken (Oba), Linda (Robert), Lorraine McH (Aiden), Lorraine M (Kayia), Lynda (Ruther), Michael (Beauregard), Natasha (Nichole), Rodney (Zacharie), Sharon, Stephen, Suzanne, Terry (Uliva), Veronica (Amadis), Wynn (Zai)

Elias chega às 11:38 da manhã. (Tempo de chegada: 23 segundos.)

ELIAS: Boa tarde!

GRUPO: Boa tarde, Elias!

ELIAS: Esta tarde vamos debater a energia e as energias colectivas e aquilo que estais a criar.

Antes de mais, vou-vos perguntar a todos quais serão as avaliações ou as observações ou associações que fazeis em associação à energia colectiva e ao que está a ser criado nesta altura. Que é que estais a notar?

FRANK: Conflito.

ELLA: Está a gerar-se muito movimento de desequilíbrio, dum tipo que nos deixa na “corda bamba”.

ELIAS: Muito bem. Mais observações?

VERONICA: Há muita gente a perecer em cataclismos, a reacção da Terra e dos oceanos, creio, a revelar-se contra as nossas práticas de governo e crenças. Torna-se constrangedor e isso deixa-me confusa. Por não o aceitar, mas a um nível qualquer tudo acontece com um propósito; mas detesto a passividade e aborrecem-me a passividade que as pessoas demonstram. Eu quero que elas se envolvam emocionalmente. Não sei se deixo as minhas emoções... eu permito que venham à tona, mas não estou certa da reacção que tenho com respeito a isso tudo.

ELIAS: Muito bem. Outras observações?

JEN N: Olá, Elias. Penso que as pessoas se estão a debater por quererem que as coisas sejam perfeitas, como alcançar uma utopia, enquanto se sentem transtornadas e têm consciência de não poderem ter um produto perfeito, por as coisas serem como são, e se debatem com o que é, de alguma maneira. E isso está a provocar imenso conflito.

ELIAS: Muito bem.

ELISE: Penso que estejam a germinar sementes de avanço em muita gente, um apelo a um começo de novos modelos e de novas formas de viver, sem que saibam exactamente como dar início a esses projectos.

EDWARD: O governo a obter cocaína... (O resto da declaração do Edward perde-se por entre o riso)

ELLA: Eu gostava de concordar com a Elise, por notar - e a minha amiga também - evidências da mudança o tempo todo. É muita mudança, e nem sempre duma ordem positiva, e eu sinto estar a aceitar mais essas mudanças. Sim, eu deixo-me envolver emocionalmente mas também entendo que constitui uma escolha. Pressente-se que o tempo esteja a acelerar, e os eventos estejam a acelerar, contudo de alguma maneira acompanhámo-lo. Também se gera muita confusão, não digo que as coisas sejam perfeitas, mas de algum modo gera-se muita diversão, montes de diversão. Noto mudanças em mim própria, noto mudanças nas pessoas ao meu redor, e creio vibrar com parte desta excitação por a minha vida estar a mudar tanto neste momento. Só quero que a coisa prossiga deste modo, cada vez mais diversão, e mais auto-consciência. É assim que sinto.

ELIAS: Muito bem.

BARRY: Não noto mudanças nenhumas. Sinto, conforme sentia em criança, que as coisas estão em movimento, em progresso. Não noto alterações; sinto um movimento para a frente, mas não propriamente uma mudança específica. O movimento em frente não significa mudança.

DALE: Sinto estar a abrir mão de verdade de velhos padrões, como se estivesse a limpar a minha ficha, e a proceder a escolhas...

ELIAS: E quanto a estes eventos de massas?

BARRY: Soa-me a uma limpeza.

ELIAS: Mais observações?

RODNEY: Estes eventos de massas envolvem respostas globais. Há uma grande de dúvida em torno do: “De que modo faço para ter cabimento nisto, ao nível global?” da parte dos governos. Não se trata apenas de um governo a ir em frente e a fazer as coisas a seu modo, eles buscam perceber como os seus actos interagem com as acções de todos os governos. Há uma enorme interacção, que me leva a interrogar-me se será conforme foi há cinquenta anos. Existe um maior questionamento acerca da maneira de encontrar cabimento no quadro global por parte não apenas das figuras públicas todas, que creio ser bastante interessante.

EDWARD: Parece que a Terra se está a tentar livrar-se dos parasitas. Quero dizer, é a Terra que está a mudar.

FRANKO: Não está a resultar — Ainda por cá ando! (Riso)

EDWARD: Mas é massivo. Não é o governo; é como se a própria Terra se estivesse a sacudir.

ELLA: Não discordo de ti, mas não tem o aspecto de se livrar dos parasitas. Não vejo a coisa necessariamente dessa forma. Mas está definitivamente a mudar velhos estereótipos. Está muita coisa a mudar e por vezes isso envolve uma reacção drástica, mas parece...

BEN: Mas e o preço da gasolina? O mundo está todo dependente desse tipo particular de combustível e de energia, e a nossa atenção neste lado do globo...

ELLA: Dirias que isso se assemelha a nadar? A Inna e eu estávamos a debater recentemente que, como tudo é perfeito, nesse caso jamais o viremos a mudar. Temos que passar por este movimento de balanço antes de saltarmos...

DALE: Não concordo com isso. Mas penso que independentemente disso estaremos a avançar. Não creio que necessitemos de...

ELLA: Mas é isso que fazemos para fazer com que algo mude.

DALE: Sinto estar a expressar muito mais coisas de um modo mais forçado e inequívoco, assim como as crenças que tenho em torno da subida do preço da gasolina, eu estou a expressar isso com bastante veemência. Mas também estou a dar expressão a outras crenças completamente diferentes dessa. Essa expressão veemente das coisas como a gasolina estar cara não chega a tornar-se ameaçadora para mim.

EDWARD: Mas isso condiciona o mundo ocidental todo. Estamos todos baseados nisso e conforme disseste, ajustamo-nos de tal modo ao facto do baixo custo do petróleo que agora nos vemos forçados a dizer: “Está bem, tem que se arranjar uma alternativa diferente.”

ELIAS: Mas, quem estará a forçar isso?

GRUPO: Nós... Estamos nós... Ninguém...

DALE: Não vejo que me esteja a acontecer nada. Vejo-me a expressar muitas coisas diferentes.

ELLA: Isso também é passível de ser individual.

RODNEY: Não é só ao nível da energia. Penso que estamos a ser confrontados com uma série de escolhas difíceis, como o caso deste terramoto no Paquistão. Eles estão a anunciar não haver suficientes tendas no mundo para poderem dar às pessoas e mantê-las abrigadas. Existe um milhão de pessoas nessa condição e não há forma de saberem como ajudar.

ELIAS: E que crenças observais estejam a ser expressadas e desafiadas?

BARRY: As crenças religiosas, completamente. Todas estas coisas ocorrem por precisarmos aprender a alterar a percepção que temos, e a percepção principal com que os deparamos é a crença religiosa.

EDWARD: Não, penso que seja o contrário! Eles estão a usar isso...

BARRY: Precisas entender aquilo que quero dizer com “religioso”.

EDWARD: Sabemos que aqueles clérigos radicais vão dizer que aconteceu ao Paquistão por ele estar de acordo com os Estados Unidos. Eles estão a manipular as crenças religiosas e o fervor daquela gente...

DALE: Esses radicais somos nós, e eles não estão errados.

EDWARD: Eu sei. Nós estamos para aqui sentados com as nossas crenças religiosas. Estou apenas a dizer que eles estão a usar as deles. Não estou a dizer que seja certo ou errado; estou a dizer que eles as estão a usar de um modo consistente.

BARRY: Mas é a sua última posição; é o seu último reduto...( Os participantes começam a falar entre si)

ELIAS: ALTO! (Em voz alta) Com que é que nos estamos a deparar neste exacto momento como um reflexo do que estais a criar em massa? (O grupo continua a conversar) Estais a dar atenção? NÃO! (Em voz alta e com firmeza) Estais a discutir. Estais a dar ordens. Não estais a aceitar as diferenças. NÃO estais a aceitar as percepções diferentes nem as diferentes preferências e opiniões. Estais a expressar absolutos uns para com os outros.

NISTO RESIDE A QUESTÃO. Essa é a razão porque o vosso mundo está a dar expressão a toda esta violência através dos eventos das massas, Quer seja criada em associação ao tempo ou aos indivíduos. Trata-se tudo de eventos de massas que estão a ser manipulados por vós, pela vossa energia.

Trata-se de eventos colectivos das massas. VÓS com a vossa energia manipulais este planeta. VÓS com a vossa energia colectiva manipulais o vosso tempo. Vós manipulais a Terra. Manipulais a energia colectiva. É isso que está a criar toda esta sublevação no vosso mundo. E vós acomodais-vos ao conforto desta informação e dais exactamente expressão àquilo que estais a trazer a vós, em termos do que não expressar!

Temos vindo a debater a aceitação faz muito tempo, e muita gente dá-nos conta de estar a aceitar e a compreender. E que é que estais exactamente a fazer? Que estais actualmente a expressar? Justificação pessoal, defesa das vossas preferências, das vossas crenças, dos vossos rumos, das vossas opiniões, das vossas observações.

Em que consiste a defesa?

DONNA: Em oposição.

ELIAS: Oposição! Temos estado a abordar fortemente a oposição. Tenho vindo a debater com muitos, muitos indivíduos o significado, a importância do equilíbrio e da cooperação – não do compromisso, não da submissão, não da defesa – mas duma cooperação com base no equilíbrio e na cooperação. Tenho vindo a abordar com todos vós o significado, especialmente nestes tempos, de não gerar extremos, e vós estais a provocar extremos.

E não estais isentos duma participação nestes eventos de massas simplesmente pela razão de não estardes a participar fisicamente. Se tiverdes consciência de qualquer desses eventos, estareis a tomar parte neles, por estardes igualmente a criá-los ou não se posicionariam na vossa percepção. E o facto é que posicionam-se. Todos tendes consciência. E estareis a abrigar sentido de responsabilidade? Não. Estareis realmente a prestar atenção à vossa energia e ao que estais a criar e ao que estais a expressar a cada instante? Não. Estareis cientes da energia que vos rodeia continuamente? Não.

E nisto reside a questão. Podeis debater até ao que chamais de “fim dos tempos” que isso não provocará uma maior expansão da consciência que tendes. Não há-de responder mais às questões que colocais do que o estais a fazer agora. E essa é a questão, e a razão porque estamos a interagir uns com os outros, a fim de vos proporcionar informação destinada à realização dessas coisas.

Estais todos cientes da importância do equilíbrio. Todos quereis passar a dar expressão à vossa própria liberdade e gerar um equilíbrio em vós próprios, criar uma uniformidade em vós e centrar-vos em vós próprios. Todos vós pretendeis gerar aceitação. Quereis a vossa própria liberdade e quereis orientar-vos a vós próprios. A maneira através da qual alcançareis isso é prestando atenção a vós e à vossa energia.

Nesta exibição da interacção que tivestes uns com os outros hoje, de que coisa teria cada um de vós consciência? Estivestes a prestar atenção a vós próprios? Não. Estivestes a projectar a vossa atenção à fala do outro.

ELLA: Compreendo o que estás a dizer acerca da circunstância do confronto, mas quando expresso a minha opinião, eu tenho que dizer aquilo que sinto...

ELIAS: Eu estou a compreender...

ELLA: ...não espero que toda a gente o aceite. Não fico ofendida se não o aceitarem.

ELIAS: Não é nisso que reside a questão. Estás ciente da tua energia?

ELLA: Perguntas, se enquanto expresso a minha opinião e o outro discorda, se eu passe ao confronto com ele?

ELIAS: Terás consciência da energia que estás a gerar e do tipo de energia que estás a projectar?

ELLA: Não posso necessariamente afirmar que tinha.

ELIAS: Exacto. Nisso reside a questão.

EDWARD: Quando mencionas isso, a energia, eu entendo-te. Como se trata do meu último foco e dado que não nos encontramos a frequentar propriamente uma sala de aula – como é referido no Budismo, em que buscamos a iluminação espiritual, condição sem a qual não poderemos desprender-nos deste ciclo (do Carma) – dado que não preciso ter atingido a iluminação ao abandonar o ciclo, de qualquer modo, que sentido fará isso? Que diferença fará? Percebes aquilo que te estou a dizer?

ELIAS: Percebo. A diferença assenta naquilo que queres. Que é que queres?

EDWARD: Não sei — Estou de saída! (Riso)

ELIAS: Não neste instante! Agora encontras-te presente – ou melhor, não estás presente, mas tem uma existência nesta realidade física. (Riso)

EDWARD: Não estarás um pouco rabugento, hoje? (Riso, enquanto o Elias desata a rir)

ELIAS: É importante que compreendais a questão. Vós desejais expressar felicidade. Não pretendeis expressar trauma.

EDWARD: Como é que sabes? Talvez a minha felicidade passe por isso. Não estou a dizer que passe...

ELIAS: Isso pode representar uma escolha, mas geralmente a razão porque me abordas fica a dever-se ao facto de não pretenderes expressar trauma nem experimentar trauma. Se quisesses expressar ou experimentar trauma, não estarias a conversar comigo. Isso não faria qualquer sentido.

Porque esta é a razão porque me dirijo a vós, para evitardes trauma e para passardes a interagir convosco próprios e poderdes conduzir a vós informação sobre a consciência de vós e a criação daquilo que quereis e descobrir o que quereis.

Sim?

BARRY: Quererá isso dizer que quando expressamos a nossa opinião não estamos a prestar atenção à nossa energia?

ELIAS: Não necessariamente. Mas nessa interacção, de que fornecestes a vós próprios um exemplo, relacionado com aquilo que vos estava a dizer, criastes uma demonstração do que estamos a tratar e do que estais a abordar, e definistes que o sentido reside no modo como não prestais atenção à vossa energia. Como podereis passar a manipular intencionalmente a vossa energia a fim de criardes o que quereis a todo o instante se não tiverdes noção do que essa energia estiver a operar, nem tiverdes consciência do modo como a estiverdes a projectar?

GAIL: Então a energia que sentimos quando somos invadidos por uma emoção, podemos sentir estar a projectá-la. Quando estavam a conversar, estavam a projectar energia para lá e para cá, a criticar-se uns aos outros em vez de permanecerem calmos em si mesmos, e a expressarem a sua opinião e a forçá-la no exterior.

ELLA: Concordo contigo. Mas aquilo que te queria perguntar, se pudermos voltar àquela interrupção em que o Barry mencionou a sensação que tinha de ser causado pelas crenças religiosas e a Dale e o Edward discordaram, se pudéssemos encontrar um exemplo do modo como seria preferível fazer isso... compreendo o que estás a tentar explicar, mas creio de muita gente aqui não compreende. Como havemos de dizer algo...

DALE: Notei que a determinada altura tinha a minha atenção nele. Estava fora de mim, a minha atenção estava a projectar-se fora, e eu estava a opor-me. Quando noto a minha energia, isso deixa a impressão de parecer estar a defrontar-me com uma expressão minha.

ELLA: Que incluis, ao invés de...

DALE: Adquire o aspecto dum reflexo. Olho a coisa como se de um reflexo de algum tipo se tratasse, através do qual me esteja a contemplar. Mas quando assumi a oposição e me apartei, a minha atenção deixou de se focar em mim. Estava completamente focada nele.

JEN N: Nós encontramo-nos em sociedade e querermos manifestar acordo. Penso que isso seja algo que também esteja a ocorrer em massa. Por estarmos inseridos numa sociedade e todos termos as nossas perspectivas e opiniões, e todos pensarmos que estejam certas e sejam percepções válidas, e querermos que toda a gente nos dê ouvidos e concorde connosco. Todos pretendemos concordar mas sentimo-nos confusos quanto ao que seja correcto e ao que faremos com todo...

ELIAS: Permiti que vos diga, antes de mais, que a vossa interrogação continua a posicionar-se em termos de “como”, e a primeira coisa a fazer em relação ao “como” consiste em escutar. Se estiverdes a projectar não conseguireis escutar. Prestar atenção à vossa energia pode tornar-se um tanto num desafio inicialmente, por se tratar dum acto pouco habitual e muitos nem sequer terem noção do que seja a sua energia.

Todos vós gerais um campo de energia. Esse campo de energia é criado pelos centros de energia situados no vosso corpo físico, os quais irradiam a geram esse campo que vos rodeia o corpo físico. Essa energia é manipulada numa projecção no sentido do exterior em todo o acto que empreendeis.

Se estiverdes a expressar um tipo de notificação emocional qualquer, essa energia é expressada no exterior de um modo ainda mais vigoroso. Se estiverdes a experimentar um estado neutro, a vossa energia passará a expressar-se no exterior de um modo muito mais calmo e uniforme. Se estiverdes a gerar algum tipo de agitação em vós, seja qual for a expressão que expressais exteriormente – independente do tom, independentemente da comunicação verbal – a energia que é projectada torna-se intensa e vigorosa, e é recepcionada precisamente conforme é expressada, em termos de oposição.

Existem muitas formas de oposição. Ela não é somente expressada por intermédio da agressão. Podeis expressar a vossa opinião e não vos opordes ao outro indivíduo. Se estiverdes a expressar a vossa opinião com base na partilha e na participação junto dum outro indivíduo e em cooperação com ele, não estareis a expressar uma energia de oposição. Além disso, se cooperardes, não estareis a desafiar o indivíduo. Não vos estareis a propor como senhores da razão nem estareis a sugerir que exista algo de errado na expressão do outro.

A concordância não é requisito para a cooperação. “Semelhança” não é requisito para a cooperação nem para a aceitação. Não é necessário que gosteis duma expressão ou dum comportamento ou duma manifestação para poderdes cooperar e aceitar.

Conforme declarei muitas vezes anteriormente, a diferença constitui a expressão que mais desafia a aceitação. Vós, em relação à diferença, gerais reacções automáticas em grau variado. A diferença gera uma sensação automática de ameaça, a qual por sua vez evoca uma resposta automática em termos de defesa. A defesa constitui uma das vossas mais vigorosas expressões de oposição. Se vos estiverdes a defender por um meio qualquer, estareis a projectar uma energia de oposição, o que constitui uma ameaça para o outro – o que geralmente se enquadra na energia de oposição, por criardes e reflectirdes aquilo que expressardes. É assim que gerais o vosso indicador da consciência da vossa energia.

Se estiverdes a reflectir com base na oposição do outro indivíduo – o que é passível de ser expressado, conforme declarei, por muitas, muitas maneiras distintas – se estiverdes a receber uma energia de oposição da parte de um outro indivíduo, devereis tê-la provocado inicialmente e o outro indivíduo estará a reflecti-la. TODOS vós fazeis isso uns com os outros. Cada indivíduo com quem interagis, seja em que termos for e em que altura for, vós tê-lo-eis conduzido a vós duma forma precisa e específica e imaculada nessa altura. Seja estranho ou conhecido, familiar ou inimigo, todo aquele com quem interagis vós tereis conduzido a vós nesse instante, por esse indivíduo em particular reflectir a vossa energia de algum modo. Esse é o calibre da vossa energia.

A diferença constitui um desafio, mas não é impossível de aceitar. O que se requer é que presteis atenção ao que VÓS estais a fazer.

Também podeis empregar a consciência do vosso corpo como um indicador da vossa energia. Numa altura qualquer, detectareis a consciência do vosso corpo num estado relaxado ou notareis alguma expressão de tensão em qualquer área do vosso corpo físico? Que será que estais realmente a fazer? Qual será a postura que adoptais?

Se estiverdes a interagir com um outro indivíduo e estiverdes a conversar mas a conversa se estiver a tornar num debate e estiver a intensificar-se, qual será a vossa energia? Estareis sentados num plano mais elevado? Estareis a inclinar-vos para a frente? Isso representa uma expressão de desafio na energia que avançais na direcção do indivíduo. Se vos apresentardes numa posição mais elevada, tornar-vos-eis num desafio maior. Estareis a projectar a vossa voz duma forma calma, ou tenderá a projectar-se mais, e a elevar de tom? Tereis o plexo solar relaxado ou rígido?

Há muitos indicadores físicos a que geralmente não prestais atenção. A consciência do vosso corpo fornece-vos uma torrente espantosa de notificações (comunicações) continuamente. Mas, a maior parte das vezes, as pessoasnão prestam atenção à consciência do seu corpo nem ao que estão a expressar. Isso também representa um indicador eficaz do modo como estareis a prestar atenção se estiverdes cientes. Se tiverdes realmente noção de vós próprios, não tereis consciência de vós de um modo que exclua tudo o que vos rodeia. Tereis consciência de tudo quanto vos rodeia; tereis noção da energia que vos rodeia e do modo como estará a ser expressada.

Um exemplo do quão facilmente não expressais a consciência duma coisa: (aponta para Jim S) que estás tu a fazer agora?

JIM S: Estou-te a ouvir.

ELIAS: E que mais?

JIM S: Estou aqui a fazer passar alguma energia pelas minhas pernas.

ELIAS: E que mais?

JIM S: Para além disso...

ELIAS: A escutar e a fazer passar alguma energia pelas tuas pernas. E estás sentado, e encontras-te presente na sala. E que é que te circunda?

JIM S: Nada.

ELIAS: Nada? Outros indivíduos, uma mesa, paredes, cadeiras, equipamento. E de que modo estará a tua energia a ser expressada?

JIM S: Não tenho a certeza.

ELIAS: Duma forma tensa e cautelosa.

JIM S: Sim, sempre.

ELIAS: Desse modo a protegeres-te e a manteres a tua energia fortemente junto à tua forma física, e agora um tanto desconfortável, por estares a ser objecto da atenção. (A rir)

É importante que tenhais consciência do que estais a expressar. Se não conhecerdes a vossa energia nem tiverdes consciência de como a projectais, como podereis manipulá-la intencionalmente a fim de criardes o que quereis? Vós criais a cada passo e com cada expressão e com cada indivíduo que tem lugar na vossa realidade. Não vos sentis sempre felizes com tudo o que criais, mas escolheis fazê-lo.

Como podereis escolher duma forma intencional aquilo que quereis, se não tendes consciência do que estais a fazer? Podeis estar a adoptar muitas expressões e posicionar-vos numa posição de co-piloto. Nessa medida, criais situações e subsequentemente entrais em desespero e começais a interrogar-vos e a dizer: “Porque razão terei eu criado isto? Porque razão ESTAREI EU a criar isto?”

Se prestasses realmente atenção ao que estais a fazer, haveríeis de ter consciência, por serdes conscientes. Nisso reside a questão. Todos quereis expandir a consciência que tendes e passar a integrar a expressão da vossa capacidade inata de criar de modo intencional o que quereis, mas continuais a permitir que outros vos conduzam o barco, e continuais a pilotar a vossa aeronave no lugar do co-piloto, pelo que a conduzis sem rumo.

Ter consciência do modo como expressais a energia altera aquilo que acontece ao vosso redor, por ESTARDES a criar a vossa realidade. Por isso, se tiverdes consciência do modo como EXPRESSAIS a energia isso irá propiciar diferentes respostas. Também poderá alterar fortemente a percepção que tendes por muitas formas diferentes. Como a percepção é o mecanismo que realmente vos cria a realidade física, a alteração da percepção responde pela alteração da realidade – pela alteração efectiva da realidade FÍSICA – e vós dispondes definitivamente da capacidade de implementar isso.

Dizei-me o que é que notais em vós próprios que provoque uma energia de oposição.

RODNEY: Eu ouço alguma coisa ou alguém dizer algo e sinto vontade de expressar o meu ponto de vista, e faço-o. Isso aconteceu-me na semana passada, e a seguir notei a mesma coisa. Elas discordam de mim, e o que me deixa num estado introspectivo é quando discordam de mim por não me compreenderem, por não me ter expressado com suficiente clareza. Desse modo fico cativo da tentativa de me expressar de um modo mais claro.


Mas isso é uma partida que prego a mim próprio, por representar como que uma camuflagem para o facto de discordar deles e de me opor a eles, e possivelmente de tentar corrigir a percepção que têm. Por isso utilizo esta forma de discernimento de não me estar a expressar com suficiente clareza como uma partida, uma manobra de encobrimento do facto de me estar efectivamente a defender ou de os tentar corrigir.

ELIAS: Sim, esse é um modo comum de expressão que muitos indivíduos empregam.

RODNEY: Por me parecer que cooperar com alguém represente simplesmente aceitação do facto de pensar que esteja errado em relação a alguma coisa.

ELIAS: Sim, na realidade tens razão. Cada um de vós integra as suas próprias verdades. Nós definimos essas verdades como as crenças que abrigais que estabelecestes como grandezas absolutas, e que nem vos atreveis a questionar.

Essas verdades comportam uma certa associação com a preferência, e nessa medida, conforme estivemos anteriormente a debater, as verdades que defendeis não são prejudiciais. Constituem as vossas linhas de orientação. São as linhas mestras individuais que vos orientam quanto ao modo como haveis de vos comportar, interagir, criar. Por isso, para vós individualmente, elas são boas por constituírem os princípios em que vos apoiais. Elas permitem que apureis o modo como vos comportais. Também vos influenciam no sentido de adoptardes uma determinada conduta, por vos expressarem uma preferência ou aversão. Isso são formas de juízo associadas às vossas próprias verdades. Todas as vossas verdades incorporam algum elemento do que avaliais como bom ou mau.

Vós não estais a eliminar sistemas de crenças; não estais a eliminar crenças. Por isso, não estais a eliminar a duplicidade. Estais a continuar a expressar as estimativas íntimas que fazeis de bom e de mau e de certo e de errado. O que estais a alterar é a aplicação que fazeis disso a toda a gente da vossa realidade, por as verdades que comportarem deverem revelar-se diferentes. Esse é o elemento da diferença.

Não é necessário que concordeis. Podeis interagir com outro indivíduo com quem não concordeis e não é preciso que altereis a verdade que defendeis para vos acomodardes a ele. Também não é necessário que instruais e convençais o outro de que a vossa verdade é a correcta. Pode constituir um factor absoluto para vós e isso é tudo quanto importa, e não constituir um absoluto para o outro. Para cooperardes não precisais mostrar conformidade.

Podeis expressar diferenças que isso não tem importância. O outro pode expressar: “Eu faço isto deste modo,” e vós expressardes, “Eu faço isso de um outro modo.” Podeis expressar avanços e recuos, e propor as razões que vos assistem quanto a uma acção particular e a um particular modo de actuação, mas efectivamente não tem importância porque o indivíduo não está realmente a afectar-vos nem a alterar a vossa posição. Continuais a expressar as vossas próprias linhas de orientação.

Um indivíduo pode expressar uma verdade que dê conta que a violência seja uma coisa errada e como tal não deva ser expressada. Outro indivíduo pode adoptar um comportamento violento – e vós não. Esse é o sentido das vossas verdades. Elas constituem as VOSSAS linhas de orientação.

EDWARD: Mas quando nós nos tornamos vítimas da sua violência... Penso que vais dizer-me que eu terei criado isso. Mas desculpa, preferia não me tornar vítima duma explosão provocada por alguém que tenha criado, suponho eu. Não estou certo, mas isso apresenta uma dicotomia estranha qualquer.

ELIAS: Mas tu não estás a tornar vítima!

EDWARD: Uma situação semelhante é falar sobre a discordância relativa à... (Inaudível) ou seja lá o que for uma óptima ideia. Isso sou capaz de aceitar, mas quando se gera uma violência extrema...

ELIAS: Eu estou a compreender, mas se não estiveres a causar essa oposição em ti próprio, não conduzirás essa oposição a ti. Por isso, não tomarás parte nela.

EDWARD: Isso tem um aspecto razoável. Isso consigo aceitar. Alinho nisso.

ELIAS: Vós criais essa situação para tomardes parte nesse tipo de cenário. Criais a situação de conduzirdes a vós essa energia através da energia que projectais. Por isso, se não adoptardes uma energia de oposição nem de protecção, não será necessário atrairdes um tipo de energia desses. Vós conduzis a vós aquilo que vos reflecte. Consequentemente, se tiveres escolhido não te posicionares numa situação de violência e não estiveres a expressar uma energia violenta em ti próprio, não a conduzirás a ti.

EDWARD: Então poupei o metro de toda a cidade de Nova York por não ter tido vontade de ser rebentado o que me levou a sentir optimamente bem! Nesse caso, enquanto eu percorria e via-férrea, toda a gente se encontrava a salvo. Não estou certo de poder...

ELIAS: Já estás. Tu já estás a projectar uma energia que não te conduzirá isso de volta.

EDWARD: Isso torna-se causa de júbilo.

ELIAS: (Ri) Mas nessa situação, isso demonstra um exemplo de falta de cooperação, de tentativa de convencimento, não propriamente de um modo violento mas por meio duma oposição, ao invés de reconhecerdes e avaliardes de que modo a opinião do outro vos ameaça.

ELLA: Eu não tento isso duma forma específica, mas sinto estar a observar-me mais a mim própria, por te escutar e ler tudo o que se relaciona com isso. Mas eu observo e isso torna-se completamente distinto. Se alguém tenta dar-me algum concelho amigável e recorre ao “precisas fazer algo” ou ao “porque não fazes isto”, noto de imediato o meu plexo solar tenso por alguém me querer impor a sua verdade. E aquilo que ultimamente tenho notado é que também não tento...costumava aborrecer-me e agora tendo a processar isso. Transformo isso em algo muito mais agradável e o confronto esvai-se. Estarei efectivamente a conseguir isso?

ELIAS: Sim. Isso também constitui um exemplo em que podeis detectar a resposta automática que tendes e em que intencionalmente prestais atenção ao tipo de energia que expressais. Notais uma pontada de perturbação inicial, a resposta inicial à protecção ou defesa, mas ao notardes isso, podeis passar a alterar esse quadro pelo reconhecimento de vós próprios, e permitires-vos intencionalmente relaxar e avaliar qual será a ameaça que tiverdes percebido.

De que forma estará esse indivíduo realmente a ameaçar-vos? Porque é a isso que estais a responder por meio desse acto de defesa. Percebestes automaticamente uma ameaça. Quer a percebais num contexto de ideias ou não, estareis automaticamente a responder através da energia e estareis automaticamente a receber uma notificação emocional, que num instante vos dá conta de estardes a perceber uma ameaça em relação à qual passais à defesa.

RODNEY: Eu expressei uma ideia e a outra pessoa disse: “Estás enganado.” Por isso, em termos de energia isso leva-me a sentir uma ameaça.

ELIAS: Por deveres estar certo na tua posição. (Riso)

RODNEY: Para mim cooperar significaria simplesmente revalidar: “Tudo bem, tu pensas que eu esteja errado,” então está bem.

ELIAS: Pois.

RODNEY: Mas não me ocorre tal coisa pelo que preciso passar a explicar-me.

ELIAS: O que consiste numa outra forma de defesa, o que causa essa energia de oposição, e perpetua a interacção e pode efectivamente sofrer uma escalada, o que por sua vez provoca conflito.

Isso são exemplos do modo como podeis empreender esse tipo de acções e esse tipo de energia entre dois indivíduos. Tu estás a empreender isso, mas que energia projectará isso no exterior? Uma energia de oposição. Também expressará equilíbrio? Não. Consequentemente, para que energia contribuirá tal abordagem?

RODNEY: Para o caos.

ELIAS: E para eventos de massas.

ELLA: Mas por vezes também noto isso apenas na minha ideia. Isso também afectará?

ELIAS: E isso também é capaz de contribuir para as pressões atmosféricas. Tu ESTÁS a participar; apenas deixas de prestar atenção ou de ter consciência do quão importante e poderoso um único indivíduo é. Não pode existir massa sem indivíduos. Não poderão ocorrer eventos de massas sem a participação duma energia colectiva.

Se gerardes uma energia de oposição a cada dia – no vosso emprego, na família, com os amigos, com uma pessoa numa loja que talvez vos diga algo num tom que julgueis ser desafiador quando estais a comprar um artigo – e vós lhe respondeis à letra, em termos de moverdes uma oposição a essa energia, estareis a gerar uma energia de oposição. Essa energia não se limita a esse espaço reduzido em que vos situais, mas propaga-se à colectividade.

Vós fazeis todos parte da energia colectiva. Sois aquilo que podeis considerar como o que compõe a energia colectiva. Por isso, o conflito que gerais a cada dia ao nível individual gera uma contribuição para essa energia, que se acha elevada a um ponto extremo de desequilíbrio no vosso mundo.

ELLA: Tu ensinas-nos a interagir uns com os outros. O em relação ao resto do mundo? Não podemos negar... (O resto perde-se por entre o riso do grupo)

ELIAS: Nisso reside a questão! A questão está em não vos preocupardes com os outros. A intenção está em vos preocupardes convosco, porque a energia que gerais altera-vos tudo ao redor.

Por isso, vós, no singular, possuís um poder espantoso. Não estais continuamente neste aposento, nem neste grupo. Interagis em muitos locais físicos diferentes com muitos indivíduos distintos ao longo do vosso dia-a-dia.

ELLA: Isso terá efeitos de propagação?

ELIAS: Tem! Tem, e nisso reside a questão. Se prestardes atenção à vossa energia isso propagar-se-á e passará a influenciar, por criardes a vossa realidade toda. Consequentemente, se criais toda a vossa realidade e criardes uma realidade assente no equilíbrio, isso propagar-se-á em associação com toda a gente com quem interagis.

BARRY: Então, se sentirmos algo, se sentirmos alguma tensão aqui... Porque eu pensei no “equilíbrio” mesmo antes de o mencionares. Por vezes remetemos a percepção que obtemos ao nosso terceiro olho, do que resulta uma percepção que é enviada ao campo todo e que vai equilibrar-nos, a seguir ao que aprendemos a fazer isso. Isso será o método que estás a referir?

ELIAS: Ter consciência da vossa energia toda e do modo como a projectais. O modo por meio do qual verificais isso é por meio da atenção ao que estiverdes efectivamente a fazer. Tal como no exemplo – de vos encontrardes sentados numa cadeira. Que é que estais a fazer?

BARRY: Estava a escutar o que me estavas a dizer.

ELIAS: Mas posso dizer-vos que se eu colocasse esta pergunta a cada um aqui presente, a resposta inicial que me dariam seria: “Estou a escutar o que dizes.” Que estás a fazer?

BARRY: Estou a absorver a tua energia.

ELIAS: Que estás a fazer?

BARRY: Estou a cooperar? Não sei.

ELIAS: Essa seria a resposta – não tens consciência disso. Que estará a consciência do teu corpo a fazer? De que forma estará a expressar-se? Que se situará ao teu redor? Que te estará a periferia a transmitir? Onde tens os teus pés? Onde tens as tuas mãos?

BARRY: Tenho um pé no chão; o outro na cadeira. Uma mão encontra-se relaxada; a outra está tensa. Um pé encontra-se relaxado; o outro está apertado.

ELIAS: Nisso reside a questão. Isso são tudo acções que tu estás a empregar. Não é uma apreciação crítica; não importa.

A questão assenta no facto de focardes a vossa atenção no singular e notardes meramente uma acção, quando na realidade estais a incorporar muitas. O vosso foco sofre uma expansão maior do que aquilo a que prestais atenção. Vós acolheis informação por diversas vias e também respondeis a essa recepção.

Se estiverdes sentados na proximidade de um outro indivíduo, o vosso campo de energia passará a responder ao indivíduo ao vosso lado. Mas, de que modo estará a consciência do vosso corpo a responder a esse lado?

BARRY: Tendo a dar-lhe atenção a ela.

ELIAS: Exacto; logo, estás a empreender uma acção. É isso que eu estou a referir-vos por intermédio da consciência da vossa energia e do tipo de energia que estais a expressar.

Sim?

LORRAINE M: Se eu fosse capaz de fazer isso, aceitar a cada passo sem causar o menor conflito no meu viver de instante a instante, isso poderia responder pela inexistência de terramotos tsunamis e guerras na minha realidade? Poderia eu criar uma coisa assim?

ELIAS: Podes, sim. Isso não...

LORRAINE M: Mas isso não alteraria a realidade dos outros.

ELIAS: Exacto.

JEN N: Ela não teria consciência disso, por não ocorrer na sua realidade.

ELIAS: Exacto.

LORRAINE M: Nesse caso não teremos todos um tipo de sequência contínua em termos de espaço-tempo?

ELIAS: Tendes, sim. ESTAIS directamente a interagir com a energia dos outros, mas lembrai-vos, estais precisamente a conduzir a vós indivíduos específicos que vos reflectem isso. Consequentemente, se estivesses a criar uma realidade em que não ocorresse qualquer terramoto ou ciclone, toda a gente que atraísses a ti tampouco teria consciência disso, por isso não correr na sua realidade. Não estarias a proporcionar a ti própria essa informação, por na tua realidade tal coisa não acontecer. Isso É possível; só que é difícil.

LORRAINE M: Então se formos um tipo de pessoa do tipo “Caminho das Estrelas”, seria como se todos dispuséssemos de um compartimento de holográfico pessoal, através do qual poderíamos criar o nosso próprios programas...

ELIAS: Sim.

LORRAINE M: ...e sempre que penetrássemos nele, as pessoas que passariam a posicionar-se no nosso holograma seriam as que teríamos programado.

ELIAS: Sim, mas trata-se das energias de todos os outros indivíduos. Mas sim, tens razão.

LORRAINE M: Nesse caso, tudo o que nos disserem ou fizerem, tê-lo-emos criado.

ELIAS: Sim. Tereis conduzido de volta a vós, certamente.

VERONICA: Eu tenho duas perguntas, se bem me recordo delas. Tenho uma amiga que não tem o menor interesse pelos assuntos do mundo. Não têm importância para ela. Apenas a ida para o pequeno trabalho que ela tem é suficiente. Isso para mim funcionará talvez como um reflexo de uma maneira de ser atractiva ou duma maneira de ser tranquila, para mim própria?

ELIAS: Em parte.

VERONICA: Ao contrário da ideia que faço dela ser uma pessoa completamente desinteressante.

ELIAS: Exacto, um exemplo que apresentas a ti própria da ausência de preocupação pessoal com as escolhas dos outros.

VERONICA: A segunda pergunta que tinha é: Se a percepção que tiver for a de não termos tido cataclismos na nossa área, dever-se-á isso ao facto da nossa população se encontrar menos na defensiva e mais receptiva do que as pessoas noutras partes do globo?

ELIAS: Não necessariamente. Porque independentemente disso não ocorrer na tua área, tu está a tomar parte. Estás a contribuir com energia para a eclosão desses eventos de massas. Podeis colectivamente escolher não criar  um evento colectivo na vossa localidade física, mas isso não quer dizer que não estejais a tomar parte nos outros eventos de massas. A energia nessas localidades acha-se mais directamente intensificada devido à razão e proveito colectivo desses indivíduos.

Esses eventos de massas na realidade geram um benefício. Conforme expressei, vós estais continuamente a obter proveito próprio. Pode não ser sempre confortável. Pode expressar-se mesmo por actos e eventos que julgueis ser dolorosos, só que são benéficos.

Sim?

MICHAEL: Nesse caso, precisamos prestar mesmo atenção àquele com que nos defrontamos ao espelho.

ELIAS: Precisais.

MICHAEL: Porque, o que quer que ele esteja a operar, isso deverá corresponder ao que estiver a ocorrer. (Elias acena em concordância)

KAUSTUBH: Elias, dirias que o medo constitua uma forma de oposição?

ELIAS: Sim, por constituir uma forma de oposição a vós próprios.

KAUSTUBH: E que dizer daquelas situações em que o poder aparente se revela unidireccional, no sentido das situações em que me considero relativamente ao governo, às regras, às leis, ou quando me vejo na contingência de ter que viajar para outros países, e preciso reunir toda a papelada para obter uma autorização. Sinto-me completamente impotente em relação a isso e excito-me bastante em tais situações. Reconheço ser oposição, contudo, que poderia fazer para neutralizar essa oposição?

ELIAS: Lembra-te de que vós criais aquilo em que vos concentrais, e se continuardes a concentrar-vos na falta e na incapacidade de alcançar resultados, havereis de continuar a expressar isso.

Se te permitires relaxar, talvez começando por alterar esse receio particular e essas expressões automáticas pelo emprego dum exercício de apreço e de reconhecimento (gratidão). Se estiverdes a cada dia a permitir-vos reconhecer algumas das conquistas que obtendes, isso reforçar-vos-á a confiança. Também vos interromperá a concentração que fazíeis na falta, por estardes a confirmar conquistas e o que mais for. Nisso, expressai igualmente um tipo qualquer de apreço pessoal pelos menos duas vezes ao dia. (Nota do tradutor: Não sou capaz de enfatizar o suficiente a importância de que isto encerra! Basta ter presente que traduz com exactidão a referência que se faz comummente à importância “das pequenas coisas”. Elas contam justamente por constituírem um reforço para além de toda a medida, um reforço através do que já é, sem nos basearmos nas premissas da causa e efeito como a de precisarmos reunir condições para empreendermos a transformação ou implementarmos a acção) 

KAUSTUBH: Então num caso desses em que denuncio apreço por mim próprio, ainda posso abrigar essas sensações de medo...

ELIAS: Podes, mas estarás a interrompê-las e estarás a reforçar a confiança que tens em ti, que deverá suplantar o medo. Isso permitir-te-á incorporar uma maior expressão de confiança e de aceitação em ti próprio e permitir-te-á um maior conforto íntimo. Além disso pratica o relaxamento, porque a tensão constitui um produto directo do medo. Em relação com o medo passas a incorporar tensão na consciência do teu corpo.

O exercício do apreço revela-se enormemente importante e poderoso. Não importa aquilo que apreciardes. Não tem importância se seja grande ou pequeno na vossa estimativa fazeis. A estimativa que fizerdes disso pode ser de insignificância. Não tem importância. Se for uma expressão de apreço genuína, será suficientemente poderosa para vos interromper essas respostas automáticas e para vos reforçar a confiança que tiverdes em vós.

KAUSTUBH: Então a opinião que tenho quanto a este exemplo em particular é a de que ainda precisarei passar por toda essa burocracia, apesar de não dar lugar à criação dessa consternação. Ainda precisarei de tratar de toda a documentação mas deixaria de o sentir.

ELIAS: Exacto.

ELLA: Descobri que numa situação dessas me auxilia, se me interrogar sobre a razão de me sentir desse modo. Recordo-me de sempre dizeres que eu estou mais ou menos a projectar isso, mas por agora sinto-me bem. A seguir a tensão desaparece, pelo menos num grau que me leva a sentir-me confortável.

ELIAS: Permanecer presente no agora é muito importante.

KAUSTUBH: Nos dias que correm tenho notado muito mais a minha energia. Quando projecto uma energia de oposição, observo isso e procuro interrogar-me sobre o que estará a causar-me a ameaça. Respondo à questão mas por algum motivo não me convence, no sentido de ainda acreditar que o poder seja um modo de me sentir importante. Procuro interromper isso...

ELIAS: Exacto, o que consta da importância do reconhecimento e do apreço, porque isso gera uma acção que te permite interrompê-la. Não é uma questão de te convenceres. É uma questão de empregares uma acção diferente que te interrompa essas expressões automáticas.

DANIIL: Durante as sessões privadas que tive contigo, penso não me opor a ti tanto quanto me oporia aos outros. Isso deve servir como exemplo do sentimento de apreço pessoal e dos outros, de me sentir amistoso e pronto a partilhar. Deve ser um exemplo daquilo a que posso recorrer na interacção com os outros.

ELIAS: Sim, tens razão.

Se me permitirem, vamos fazer um intervalo e posteriormente podereis continuar.

INTERVALO

ELIAS: Continuemos! (Pausa)

GAIL: Eu tenho uma pergunta a fazer. Como estávamos a falar de prestarmos atenção à nossa própria energia e ao que projectamos, tenho tido consciência do modo como me sinto e como projecto, e pegando... (Inaudível)

ELIAS: (Ri) Parabéns!

GAIL: De qualquer jeito, aquilo que tenho vindo a fazer nas últimas semanas tem sido dar por mim a ter sessões de massagem. Mas creio andar mais relaxada, talvez um pouco nervosa ao final do dia depois de andar a correr por aí, e estou a descobrir... gostava de saber se estas massagens... Eles têm tocado em pontos do meu corpo que acredito estarem mais relaxados. Isso representará um imaginário que transmito a mim própria de estar a cavar mais fundo por intermédio da atenção para com a forma como me sinto e aquilo que projecto?

ELIAS: Naquilo que observas associado à mensagem?

GAIL: Sim.

ELIAS: E que resposta dás a isso?

GAIL: Noto que no dia a seguir me sinto dorida por causa das massagens. Não tinha consciência de estar a abrigar essa tensão no meu corpo. Isso força-me a prestar ainda mais atenção à forma como me contenho, a forma como me sinto em relação aos meus ombros, às minhas costas, às minhas pernas, que antes não tinha reparado.

ELIAS: Sim, o que na realidade pode constituir um exercício eficaz no caso de muita gente, porque geralmente as pessoas não têm consciência daquilo que a consciência do seu corpo lhes comunica. A consciência do vosso corpo comunica-vos notificações continuamente. Mas a menos que causem algum tipo de manifestação física que se torne suficientemente óbvia sob a forma duma enfermidade ou dor, as pessoas na realidade não prestam atenção a esses comunicados que a consciência do corpo lhes expressa.

Posso-vos dizer que a consciência do vosso corpo vos notifica mesmo em relação ao que consumis por uma associação com os diversos alimentos. Ela comunica-vos e gera estímulos – não desejos mas pede-vos para consumirdes determinadas substâncias.

Cada um de vós possui as suas próprias crenças em relação à vossa saúde, em relação ao vosso aspecto físico, em relação à funcionalidade do vosso corpo e à forma como vos projectais em termos físicos. De acordo com tais crenças, a consciência do vosso corpo sabe aquilo que se enquadra nas crenças que albergais respeitantes ao vosso corpo e aparência. Consequentemente, ele passará a gerar estímulos no sentido de levardes isso a efeito. Ela gera estímulos associados ao consumo de determinados alimentos para produzirdes de acordo com as crenças que nutris.

Por isso, se tiverdes determinadas crenças que não consigais necessariamente expressar por meio duma consciência objectiva em relação às vitaminas, a consciência do vosso corpo deverá exortar-vos à ingestão de certos alimentos que vos passarão a fornecer esses elementos particulares que se apresentem de acordo com as crenças que tendes para a criação desse aspecto e a manifestação com que estais familiarizados e com que vos sentis confortáveis. Muitos não prestam atenção à consciência do corpo físico, e em resultado criam uma aparência ou manifestação que não pretendem ter. Por não prestarem atenção, e o corpo lhes responder passando a comunicar-lhes o que eles estão a fazer contrariamente ao que pretendem.

Ao vos transmitir uma mensagem, pode sugerir-vos uma informação respeitante à forma como represais a energia, facto de que não tenhais consciência, por vos ter tornado de tal modo familiarizados que não prestais atenção. Existe muita gente que passa a vida a reter tensão na consciência do seu corpo físico sem ter consciência disso, por isso se ter tornado de tal modo familiar que lhes parecerá um estado natural. Coisa que não é, só que eles não têm consciência do modo como retêm a energia.

As pessoas não têm uma consciência objectiva da energia, na maioria dos casos, ponto final. Podeis ter consciência das energias dos outros e podeis senti-las mas aquilo de que não tereis consciência é da vossa própria energia, a qual está associada ao tema deste debate, conforme apresentamos o exemplo de dois indivíduos a quem interroguei sobre o que estavam a fazer.

As pessoas não prestam atenção ao que estão efectivamente a fazer num dado momento particular. Percebem a acção mais óbvia, mas nada para além disso. Consequentemente, percebeis o: “Estou a escutar-te”. Sim, estais a escutar. Também estais a investigar e também estais sentados, e também estais a adoptar um determinada postura, também estais a gerar determinadas tensões na consciência do vosso corpo. Podeis estar a antecipar enquanto estais a escutar; podeis estar a projectar enquanto estais a escutar. Também estais a acolher informação da periferia, da parte de todo o ambiente que vos circunda. Podeis estar a escutar e também podeis estar a dar atenção à criatura que se encontra na sala e ao modo como corre ao redor ou ao facto de não estar a andar ao redor. Assim como podeis, conforme estivemos anteriormente a debater, a gravitar em torno das energias dos outros mas sem prestardes atenção.

Existem muitas acções que empreendeis a cada passo a que não prestais atenção. Consequentemente não tendes consciência da forma como a vossa energia é projectada nem do que estais a fazer convosco próprios por meio da vossa energia e de como podeis estar a reter a vossa energia, e podeis estar a criar uma blindagem, a criar uma resistência à abertura, uma resistência à intimidade, uma resistência ao abono. E nessa medida, forçais o vosso campo de energia de encontro a vós com firmeza. E quanto mais condensais o vosso campo de energia, mais próximo ele chega de projectar no vosso corpo físico, e mais intensamente a vossa energia é mantida e mais o vosso corpo físico passa a responder com base na tensão.

Ao adoptardes massagens, estais a envolver uma acção que manipula a energia em termos físicos e permite que seja libertada. Ao libertardes energia que tenha sido retida por períodos prolongados de tempo, isso pode dar lugar à criação duma dor objectiva de modo semelhante ao da libertação natural de energia do corpo. Se uma pessoa estiver a reter a energia de um modo intenso, ela pode começar a chorar e suscitar confusão por não compreender a razão porque está a chorar, por não perceber razão nenhuma para tal. A razão é a de que ela está a reter a energia de um modo tenso e o método natural que o corpo tem de libertar energia é através do choro. Nem sempre está associado à tristeza ou ao pesar. Isso serve como um indicador de estardes a reter a energia com firmeza.

Agora; nessa medida, torna-se significativo que presteis atenção e avalieis o que despoletará essa resposta automática de reter a energia e de vos escudardes. Que será que vos estará a gerar algum tipo de ameaça que vos leve a gerar uma resposta automática de reter a energia de modo a deixardes de permitir receber e de permitir uma abertura, e a deixardes de ser vulneráveis, coisa que geralmente está associada ao temor? Geralmente, esse medo tem que ver com a intimidade.

A intimidade pode ser expressada por muitos modos diferentes, e não somente pela via sexual. Mas geralmente, as pessoas têm menos receio das relações sexuais do que de expressarem uma abertura genuína e uma exposição para com o semelhante, e isso gera reacções automáticas de protecção e de não permitir tal vulnerabilidade e exposição.

Porque mesmo no contexto da interacção ou das actividades sexuais, as pessoas podem eficazmente continuar a proteger-se. Podem envolver-se numa actividade física com um outro indivíduo mas sem se exporem, e em resultado isso revelar-se-á muito menos ameaçador do que permitir-vos genuinamente uma exposição por meio da qual possais acolher – o que está fortemente associado às crenças religiosas que todos integrais e que referem que receber seja ruim, que a receptividade seja desfavorável e que o egoísmo seja nocivo.

O egoísmo, vou-vos dizer a todos, é benéfico. (Riso seguido de vivas)

NATASHA: Se estivermos a evitar a exposição – estou-me a referir ao sexo – será a libertação da energia possível?

ELIAS: Sê mais específica.

NATASHA: O que estava a dizer é, se não nos deixarmos envolver, e se estivermos meramente presentes no acto sem nos envolvermos e não nos estivermos a expor, será a libertação da energia possível para alguém que não se expõe?

ELIAS: É.

NATASHA: Nesse caso em que consistirá a exposição?

ELIAS: A exposição consiste na permissão pessoal para não vos retirardes, para não vos protegerdes nem vos defenderdes. Consiste na capacidade de vos expressardes duma forma genuína sem receio e sem vos desvalorizardes. É uma expressão genuína de abertura e de vulnerabilidade. Não se trata duma exposição de confissão. Não é uma expressão através da qual devais desnudar-vos em relação ao mundo. É um conforto íntimo, uma aceitação íntima do sentido de não mais julgardes ser necessário proteger-vos, em resultado do que não mais precisais integrar o medo. É a expressão de não vos esconderdes.

DANIIL: Se combatermos o temor perpetuámo-lo, por isso que outro hábito benéfico se situará próximo ao temor que o alivie?

ELIAS: A apreciação. A apreciação neutraliza o temor, mas uma apreciação, uma valorização ou compreensão real e não artificial.

DANIIL: Esse apreço representa um amor pelo nosso ser assim como pelo dos outros?

ELIAS: Representa. Mas conforme declaramos previamente, a apreciação para muitos de vós constitui uma acção estranha. Consequentemente, torna-se aconselhável que avanceis passo a passo. Porque a intenção reside em não vos sobrecarregardes nem armadilhardes de um modo pelo qual procureis gerar uma apreciação e, num momento em que fordes mal sucedidos, imediatamente passeis a desvalorizar-vos e a perpetuar essa desvalorização pessoal.

O medo consiste numa expressão de impotência. Por isso, a questão não está em reforçá-lo mas em interrompê-lo com algo que possa tornar-se familiar para vós, apesar de inicialmente parecer pouco habitual. Essa é a razão porque se torna significativo praticar o reconhecimento e a apreciação a fim de admitirdes aquilo que tiverdes alcançado, admitirdes o que ESTAIS a fazer – creditar isso a vós próprios e não aos demais.

Muitos também montam a si próprios armadilhas por poderem experimentar períodos em que expressem uma tremenda liberdade e se permitam expressar-se genuinamente em associação com os outros, e creditarem aos outros a permissão para tal coisa. Não é uma questão dos outros vos permitirem expressar-vos. É uma questão de VÓS criardes uma hipótese com uma outra pessoa que vos tereis permitido. Trata-se dum crédito que VOS pertence e não aos outros. Vós criastes isso.

ELISE: Como que para voltar ao que disseste anteriormente, quando nos conscientizamos mais do que ocorre no nosso íntimo numa dada altura e a nossa capacidade para aplicar isso sofre um incremento, diz-se que os seres humanos são multidimensionais e que experimentam em muitos níveis diferentes, e com base nisso isto continua? Quando dominarmos esta conscientização, acontecerá que subitamente nos depararemos com um outro reino após este, em que colhemos uma maior consciência de nós próprios, desse aspecto multidimensional...?

ELIAS: Definitivamente, sem a menor dúvida.

ELISE: Representará este mais ou menos um passo inicial nesse percurso?

ELIAS: À medida que prosseguirdes com a expansão da vossa consciência, sim, podereis definitivamente aceder a outros focos vossos, aquilo que designais por outras vidas, passadas e futuras. Também podereis deparar-vos com outros focos dimensionais.

Vós não vos estais a expressar unicamente nesta dimensão física. Existem incontáveis dimensões físicas em que também participais e em que também tendes focos da vossa atenção. Conforme referi previamente, aqueles que se deparam com extra-terrestres deparam-se com outros focos da sua essência. Por isso, permitis-vos encontrar outros Eu físicos vossos.

A vastidão da essência situa-se além da explicação. Vós sois um foco da atenção da essência que se manifesta no físico nesta altura particular e nesta realidade física. Existe um incontável número de Eus que se situam em incontáveis realidades físicas, e vós possuís muitos, muitos focos da atenção nesta realidade física assim como em áreas não físicas da consciência. Vós sois expressões incrivelmente vastas.

RODNEY: Elias, o desenvolvimento do sentido de apreço, com que descubro não estar muito familiarizado, quererá por um lado dizer obrigado ou expressar agradecimento por nós próprios... Deixa que passe a exemplificar. Digamos que preparo uma refeição e essa refeição se apresenta agradável e eu a desfruto imenso. Em vez de me sentir grato em relação a mim próprio por a ter preparado, o apreço que manifesto por essa refeição constituirá uma expressão de apreço?

ELIAS: Sim.

RODNEY: Isso ajuda. Obrigado.

EDWARD: A inveja está ligada ao medo, não é? A inveja torna-se naquele parte multidimensional do medo, por projectarmos ciúme quer para com o semelhante ou posse assim como sentimos ciúme do sucesso de alguém. Isso deve fazer parte do medo, não é?

ELIAS: Faz, tens razão.

EDWARD: Como havemos de combater isso? Será voltando ao apreço, tipo sentirmos apreço por nós próprios e consciencializámo-nos de estarmos a sair-nos na perfeição?

ELIAS: Sim. Assim como a avaliação da ameaça percebida. Que percebereis que o outro esteja a fazer-vos que cause uma expressão dessas? Porque ele não o está a fazer a vós. Vós estais a gerar essas reacções no vosso íntimo. Estais a duvidar e a mostrar-vos cépticos e a mostrar falta de confiança em vós, e o que fazeis é projectar isso no exterior e focá-lo no outro expressando desse modo a suspeição e a dúvida em relação ao outro indivíduo.

Isso está igualmente associado às vossas verdades e às vossas directrizes, porque, se o outro revelar o que for implícito à vossa suspeita, já estareis a projectar uma expectativa em relação a ele – o que uma vez mais traduz uma expressão de ameaça, a qual consiste numa oposição, em antagonismo – mas aí, estareis a projectar o vosso absoluto no outro. Não vos envolveis com determinadas acções a abrigar a expectativa de que o outro também o não faça. Nessa medida, se ele não corresponder às vossas expectativas, isso é capaz desencadear ciúmes em vós. Mas, conforme declarei, tudo tem início em vós, nas vossas verdades e na projecção que fazeis das vossas verdades no outro e na expectativa que gerais de que ele obedeça à vossa verdade, sem tolerardes a diferença.

Nessa medida, as pessoas por vezes podem gerar um tipo de situação dessas a fim de proporcionarem a si próprias informação respeitante ao que estão a projectar e a fim de lhes permitir uma oportunidade de se familiarizarem com o que as suas verdades traduzem, por meio de um reconhecimento objectivo. “A verdade que defendo é a de que não me envolverei num acto de infidelidade, mas também espero que o meu companheiro, ou companheira, também não.” Isso é um absoluto. Isso traduz uma informação respeitante à vossa verdade, a qual não é prejudicial, mas o outro não está a cometer nada que vos ofenda. O que se torna ofensivo é não se compaginar pela verdade que defendeis, pelo que passais a gerar uma associação automática de não vos poderdes expressar mais com liberdade.

A título de exemplo, se a verdade que defenderdes disser respeito ao facto do vosso companheiro ou companheira não estar a ser fiel, isso desafia-vos a verdade que defendeis. Ele deixa de respeitar o padrão. Deixa de obedecer às vossas expectativas. E nessa medida, vós experimentais sentimento de ofensa, porque agora passais a expressar automaticamente a vós próprios um acto de negação de vós próprios. Não mais podeis expressar-vos com liberdade em associação com esse indivíduo, por ele não satisfazer as expectativas que abrigáveis; por isso, representa uma negação da vossa escolha, e é isso o que provoca a ofensa.

Quando negais as vossas próprias escolhas e a vossa própria liberdade isso gera ofensa em vós. O outro e as suas acções e escolhas não são o que vos provoca a mágoa ou ofensa. É a vossa própria negação da vossa própria liberdade e das vossas próprias escolhas, impedir-vos de continuardes a expressar o que quereis que vos provoca essa ofensa. Essa ofensa também é capaz de desencadear uma oposição, a qual é capaz de ser expressada por meio do ciúme.

ELISE: Então, por outras palavras, temos a alternativa das nossas próprias directrizes em qualquer altura a fim de criarmos liberdade para nós próprios.

ELIAS: Não é necessariamente uma questão de trocar as vossas directrizes mas de reconhecer que cada uma delas incorpora muitas influências diferentes. A liberdade assenta no reconhecimento das diferentes influências na aceitação da permissão pessoal para escolherdes influências diferentes, ao invés de incorporardes a reacção automática de que a infidelidade seja grave, o que automaticamente quer dizer que o outro indivíduo não “sente apreço por mim, não me ama, não manifesta lealdade em relação a mim”, ou não se portaria dessa maneira. Essa é uma influência.

Outra, pode ser a de que vós, na realidade, podeis não ter vontade de envolver determinadas actividades continuamente com o vosso companheiro ou companheira, e portanto ele ou ela passa a receber essa energia e pode descobrir uma saída noutras direcções, o que aliviará a pressão.

Uma outra influência pode ser a do indivíduo não estar a expressar que não vos ama ou que não sente apreço por vós, porque isso não é necessariamente expressado por determinadas acções. Isso não está absolutamente associado a uma expressão de amor. Tampouco é expressado por meio da intimidade, absolutamente. A actividade sexual pode ser associada ao amor. O amor pode ser associado à actividade sexual, mas a intimidade não é sinónimo de nenhuma dessas expressões.

Por isso, é uma questão de percepção, uma vez mais, e das influencias que estais a permitir que sejam expressadas numa resposta automática para com as acções e alternativas dos outros, e de vos preocupares com as acções, comportamentos e escolhas dos outros ao invés de prestardes atenção ao que estais a fazer e de manipulardes a energia do modo que pretendeis.

Pois, como expressei previamente, vós podeis criar, e de facto criais, a vossa realidade toda, e podeis interagir com um outro indivíduo. Aquilo com que interagis, porém, é com a energia dele; não estais de facto a interagir com o indivíduo concreto. O que representa uma criação vossa; uma projecção vossa. Vós acolheis a energia do outro, e desse modo projectai-la automaticamente e configurai-la numa forma física. VÓS sois quem opera isso. Vós interagis com essa forma física que estais a criar. Mas na maioria dos casos estais a interagir com a energia do outro indivíduo.

Por vezes, podeis interagir com um depósito de energia desse indivíduo, a qual não comporta necessariamente a atenção dele. Nessas situações, podereis notar que estais, junto com o outro, a participar num mesmo local físico, numa mesma interacção, e a percepção que tiverdes disso direccionar-se num sentido enquanto o indivíduo pode ter uma versão completamente diferente. Isso ocorre com mais frequência do que sois capazes de perceber.

Vós, individualmente, estais a criar a vossa realidade toda. Não existe uma realidade oficial única ou pré-estabelecida. A realidade oficial é aquela que cada um de vós cria. Nessa medida, um indivíduo pode criar uma situação enquanto outro pode estar a criar outra diferente, o que na realidade se revela bastante eficaz, por vos validar bastante e constituir uma forma de  reconhecimento pessoal por realmente serdes capazes de criar o que quiserdes independentemente do outro.

E podeis participar com um outro indivíduo. Neste exemplo, podeis dar lugar ao caso do vosso companheiro ou companheira vos ser completamente fiel, segundo os termos que empregais, e na realidade do vosso companheiro ou companheira, ele ou ela poder interagir com muitos outros indivíduos. Isso não traduz uma situação de negação. Não representa uma situação de ser o que designais por distraídos. Trata-se duma situação em que criais duas realidades completamente diferentes, e continuais a participar um com o outro. Nisso reside a vossa liberdade. Podeis criar aquilo que quiserdes na vossa realidade física independentemente do outro, por já a estardes a criar toda.

ELLA: Com base naquilo que disseste, suspeito que a interacção que tenho com o meu filho, acedo aos depósitos de energia que ele deixa e não passa disso. (Riso) É o que me parece a mim.

A Inna e eu estivemos recentemente a conversar sobre aquilo que nesta sociedade chamamos de amor, e parece que muitas vezes aquilo a que chamamos de amor não passa de sensação de posse. Tem muito que ver com a posse. “Aqui te tenho; tu pertences-me.” Penso que num futuro não muito distante, a monogamia tal como hoje se apresenta será coisa que não existirá. Economicamente foi útil, mas à medida que progredirmos e nos abrirmos mais nos relacionamentos...

ELIAS: É uma alternativa. Não é um factor absoluto. Para aqueles que percebes poderem situar-se no futuro, envolve uma escolha. Tanto poderão escolher juntar-se isoladamente como não.

ELLA: Mas essa escolha não deverá ser ditada pela sociedade nem pelo governo. Deverá brotar de nós.

ELIAS: Exacto.

ELLA: Decidiremos por quanto tempo permaneceremos com esta pessoa...

ELIAS: Sim, por vos orientardes a vós próprios.

ELLA: Ninguém nos dirá que precisamos assinar sobre o tracejado nem nada do género...

ELIAS: Exacto, e também, conforme expressei anteriormente, a definição de amor não está associada à emoção. O amor consiste na expressão real que é fruto do conhecimento e do apreço. Vós associais o afecto ao amor e muitas vezes definis ou equiparais o afecto ao amor, mas isso não traduz uma expressão genuína de amor. O amor consta dum conhecimento ou inteligência e duma capacidade de apreciação genuínas.

ELLA: A diferença entre a apreciação e o afecto assentará no facto do afecto ser singular na relação com uma pessoa e da apreciação consistir num acto de permissão?

ELIAS: Não. A afeição consiste numa expressão autêntica. É uma expressão emocional. A afeição é um sinal, um sentimento, que está associado a uma notificação emocional. A afeição está associada à atracção, e nessa medida, encontra-se igualmente associada às preferências. Trata-se dum sentimento que comporta um comunicado emocional. A apreciação não consta de notificação emocional nenhuma.

ELLA: Se eu tecer um sentimento de apreciação por ti, não me sentirei bem em relação a ti? Isso é uma emoção.

ELIAS: Tu associas o afecto à apreciação, razão porque o sentes.

ELLA: Então, na tua posição, não experimentas emoções e ainda assim és capaz de apreciar-nos por aquilo que somos.

ELIAS: Bastante, sim. Mas, lembra-te de que a emoção consiste numa comunicação muito poderosa em vós e também constitui um elemento básico da vossa realidade. Por isso, torna-se natural que vos expresseis e associeis sentimentos e comunicados emocionais a muitas das vossas expressões.

ELLA: Eu gostava de te perguntar mais sobre a apreciação pessoal.  Eu tive uma experiência em que durante a maior parte da semana tive a sensação da existência duma nuvem de energia ao meu redor. Fez-me sentir bastante sensual, como se todo o meu corpo tivesse consciência de si próprio o que se revelou muito agradável. Eu tentava descobrir que energia era aquela. Eventualmente pensei tratar-se provavelmente da minha própria energia e que estaria mais aberta a ela e que me sentia mais na disposição de a experimentar e de a abonar. E subitamente aquilo esvaiu-se, mas eu descobri que provavelmente seria capaz de a voltar a activar.

Será energia procedente da parte de trás do meu centro de energia, e não compreendo como relacionar a coisa. Eu consegui desactivá-la mas não consigo activá-la a todo o vapor. Desse modo, comecei a abrir-me à minha própria energia, mas...?

ELIAS: E oferecer a ti própria uma experiência que te proporcione um exemplo do que é possível e de que podes produzir isso se estiveres a gerar...

ELLA: Mas, porque razão terá parado daquele modo abrupto. Tê-la-ei detido, aquilo deixou-me sobrecarregada ou porque razão foi?

ELIAS: Não necessariamente no sentido de te deixar com uma sensação sobrecarregada, mas passando uma vez mais para o que te é familiar pelo acto de não prestares inteira atenção a ti própria.

ELLA: Tenho consciência de quando se desliga. Já decorreram dois meses, mas recordo uma situação em que provoquei uma enorme quantidade de tensão e me encontrava possivelmente num estado de desequilíbrio. E aquilo esvaiu-se da mesma maneira.

ELIAS: Sim.

SHARON: Há bocado, quando estavas a falar, perguntaste-nos se tínhamos consciência da natureza da nossa energia. Haverá algum adjectivo que possas aplicar a essa natureza? Quando referes que não conhecemos qual seja a nossa energia, estarás a querer dizer se ela é positiva ou negativa, se é de cooperação, se é de oposição, se é de interferência, se é de timidez, se é suave? Quando te referes à natureza da nossa energia, que natureza será essa?

ELIAS: Todas essas expressões e mais, todas essas formas de identificação mais aquilo que estiverdes a fazer, porque a vossa energia expressa-se por aquilo que fazeis. Por isso, todas essas expressões deverão estar associadas, mais ao que estiverdes a fazer em termos concretos e àquilo em que estiverdes a concentrar-vos, e não necessariamente ao que estiverdes a pensar.

A vossa concentração é centrada na associação que estabeleceis com as crenças. A maneira através da qual compreendeis aquilo em que vos estais a concentrar é prestando atenção ao que estiverdes a fazer, porque aquilo que estiverdes a fazer durante cada dia está associado àquilo em que vos concentrais, às crenças que estarão a obter expressão. Por isso, prestar atenção ao que estais a fazer constitui o vosso indicador do modo como estais a expressar a vossa energia, e todas essas formas de identificação se acham igualmente associadas ao que estais a fazer.

JIM B: Elias, nós precisamos prestar atenção ao que fazemos e tu referes que isso é estranho, pelo que se torna árduo de fazer. Se nos concentrarmos no que estivermos a fazer o tempo todo, ao dia, estaremos literalmente a prestar atenção a cada passo que dermos a todo o instante. De modo que fizemos isso em vez de prestarmos atenção às coisas que nos rodeiam, que tu referes que de qualquer maneira fazemos por meio duma resposta automática.

ELIAS: Não é em exclusão de tudo o mais que vos rodeia, por isso ser um elemento de vós. Por isso, é uma questão de não prestardes atenção meramente à vossa expressão física mas também a tudo o que criais ao vosso redor.

JIM B: Nós criamos tudo ao nosso redor, excepto as decisões que tomamos e as crenças que adoptamos. Portanto, se tentarmos concentrar-nos à medida que prosseguirmos, ou pelo menos prestar atenção ao que estamos a fazer, nesse caso deveremos ser capazes de criar o nosso mundo duma forma objectiva. Fazemos isso quando tentamos decidirmos acerca do que comer quer por nos encontrarmos de dieta ou por querermos ter o cuidado de não consumirmos certas coisas por termos um problema médico, etc., pelo que acabamos por comer as coisas que não devíamos, mesmo que prestemos atenção.

Tentamos criar a nossa realidade duma forma objectiva, mas muitos de nós adoptam o que designas como resposta automática. Mas tu estás a dizer que não precisamos realmente concentrar-nos no “Eu estou a captar isto, estou a mover isto, estou a fazer isto.” Torna-se árduo concentrar-nos no que fazemos a todo o instante, conforme estou a dizer, e tu estás a dizer para o fazermos de uma forma mais expansiva.

ELIAS: Ambas. Se prestardes atenção, nem que seja durante um único dia, a cada acto que empregais e ao modo como a vossa energia reflecte isso e o modo como a vossa energia é projectada a CADA INSTANTE do vosso dia, eu garanto-vos que haveis de proporcionar a vós próprios uma considerável informação com respeito ao que não prestais atenção e ao que vos influencia esses actos e situações.

Aquilo que fazeis repetidamente a cada dia é o que cria a base para desencadear acontecimentos que vos confundem e de que não gostais e que não desejais. Mas vós moveis-vos nessas direcções todos os dias e não reparais no que se reveste de um carácter mundano, no que designais por actos insignificantes  que são repetidos vezes sem conta, os quais dão expressão a um tipo particular de energia, a qual por sua vez cria uma direcção no sentido do reforço contínuo de certos actos. Consequentemente, eles ganham impulso e eventualmente passais a criar uma acontecimento de que não gostais ou que é indesejado.

E vós sentais-vos e dizeis para convosco próprios e aos outros porque razão tereis criado aquilo? “De que modo terei eu criado isto? Porque terei criado isto?” E não  obtendes nenhuma resposta, por não terdes prestado atenção a todas essas acções repetidas que empregais que se encontram associadas a crenças que são expressadas mas de que não tendes uma consciência objectiva. Essa é a razão porque se torna importante que presteis atenção a cada dia a tudo o que estais a fazer. Isso é o vosso indicador da energia que estais a gerar.

JIM B: Ao mesmo tempo, as crenças de abrigamos moldam-nos a realidade. Conheço gente que tem conhecimento de que toda a vez que pegam num cigarro e o fumam, na ideia que têm, estão a fazer algo de mau à própria saúde. Estão a prestar atenção ao que estão a fazer mas não conseguem deixar de o fazer. Uma parte deles não é capaz de deixar de o fazer. Mesmo que estejam a focar-se no que estão a fazer, a ideia deles dá-lhes conta de que não deviam estar a fazer aquilo, e que aquilo irá tornar-se prejudicial para o corpo deles – apesar de, ainda que teoricamente, se não acreditássemos nisso, poderíamos ingerir pedras que isso não nos prejudicaria.

EDWARD: Isso não explicará o caso daqueles que contraem cancro e daqueles que não contraem?

JIM B: De indivíduos que não contraem cancro mesmo que fumem?

ELIAS: E há indivíduos que fazem isso. Isso está relacionado com cada um, e não apenas com as crenças que abrigam mas também está relacionado com a realização de valor que obtêm e as opções daquilo que escolhem criar. As pessoas optam pela enfermidade (indisposição no original); elas não são acometidas por ela.

VERONICA: Elias, estava a caminhar conscientemente e tropecei no cimento e caí inconsciente, o que me fez infligir uma dor espantosa no corpo. Isso terá servido algum objectivo positivo para além do de me concentrar em mim própria, coisa que no passado não fazia?

ELIAS: Isso em si mesmo é significativo. Muitas vezes as pessoas geram desconforto porque ao desconforto vós prestais atenção e ele vos leva a questionar e como tal também gerais uma oportunidade de oferecer a vós próprios informação.

Se estiverdes a passar o vosso foco todo no lugar do co-piloto durante a maior parte do tempo e a vossa aeronave não levar piloto a conduzi-la, vós estareis a deixar-vos conduzir de um modo inconsciente. Que haverá de vos captar a atenção? Uma interrupção, uma interrupção significativa, e geralmente uma interrupção significativa consta duma acção qualquer que criareis em termos de desconforto. Por gerardes uma resposta automática ao desconforto em termos de: “Eu não gosto disto, pelo que vou tentar descobrir um meio ou um método de o reparar ou de o evitar ou de o alterar.” Por isso, torna-se num factor de motivação.

KAUSTUBH: Se prestássemos atenção o tempo todo, nesse caso não haveríamos de criar situações de desconforto, como por exemplo após a Mudança?

ELIAS: Por vezes, mas há-de resultar da escolha, de uma escolha intencional. Porque contrariamente ao que pensais, as pessoas realmente apreciam momentos de dor. Na actualidade as pessoas apreciam momentos de aflição ou de tristeza ou qualquer dos sentimentos e experiências que designais como negativas, até mesmo a raiva, por propiciar um elemento de condimentação. Causa uma via através da qual realmente experimentais a vossa própria existência, a vossa própria presença.

Por isso, “subsequentemente à conclusão desta mudança, deverá deixar de existir conflito, deverá deixar de existir dor, deverá deixar de existir aflição?” Não. Porque as pessoas escolhem passar a incorporar essas expressões e experiências mas deverá envolver uma escolha intencional.

ELLA: Isso soa verdadeiramente estranho – hoje vou ter um dia triste.

ELIAS: E talvez venhas a ter. (Riso)

ELLA: Nesse caso escolhemos actualmente isso sem o percebermos. Isso vem a nós...

ELIAS: De modo não intencional.

ELLA: E aí ficamos surpreendidos. Escolher isso antes do tempo, soa esquisito.

KAUSTUBH: Mas após a Mudança nós havemos de nos deparar com surpresas, não?

ELIAS: Ah definitivamente, sem a menor dúvida.

Vou dar lugar a mais duas perguntas.

BONNIE: Elias, falaste de dissiparmos o medo por meio do recurso à apreciação. Farás alguma sugestão quanto à forma de dissiparmos a tendência para a discussão ou o antagonismo que sentimos eclodir?

ELIAS: A mesma coisa - apreciação. No instante em que experimentardes isso erguer-se dentro de vós e estiverdes a começar a provocar conflito com um outro indivíduo e sentirdes estar a começar a ficar agitados e críticos e a começar a brigar, permiti-vos momentaneamente fazer desaparecer o outro indivíduo. Por momentos permiti que ele deixe de existir. Voltai a vossa atenção para vós e avaliai a ameaça – porque estareis a brigar, que estará a motivar-vos isso, que será que procurareis ensinar ou provar? Permiti-vos apreciar alguns elementos vossos, independentemente do que for – o facto do vosso cabelo poder apresentar uma tendência para a ondulação nesse instante, por exemplo. Não tem importância. Fazei reaparecer o outro indivíduo na vossa percepção – acção essa que sois capazes de criar apenas por um instante. Assim que fizerdes o indivíduo reaparecer, deslocai a vossa atenção para a apreciação de qualquer elemento do indivíduo, sem que importe o que seja. Talvez aprecieis um botão da camisa do indivíduo; não importa o que seja.

A própria expressão do apreço genuíno interrompe a agressão e interrompe a atenção que estiverdes a dar. Ela altera-vos imediatamente a energia; além disso, também  altera imediatamente a energia do outro.

BONNIE: Obrigado.

ELIAS: Não tens o que agradecer.

GAIL: Quando ando ao redor das pessoas e capto o sentimento de alguém, serei eu a projectar esse sentimento e a captá-lo como um sentimento da pessoa?

ELIAS: Sim e não. Tu estás efectivamente a interagir com a energia do outro. Por isso, podes acolher uma expressão actual do outro indivíduo, mas também terás atraído esse indivíduo a ti duma forma específica nesse instante a fim dele te reflectir algum elemento teu.

GAIL: Pode ser ambos os casos?

ELIAS: Pode. (Volta-se para a audiência) Sim? Muito bem.

LORRAINE M: Mais ou menos em conjugação com o que estivemos a debater anteriormente, eu não sinto vontade de ir trabalhar. Tenho a certeza de haver mais gente que sente o mesmo. Mas vou para o trabalho e sinto-me infeliz. Bem sei que acredito precisar trabalhar para obter dinheiro, pelo que, atendo-me mais ou menos ao que mencionaste anteriormente, haverá alguma coisa que consiga fazer para alterar isso, mais do tipo de apreciar o trabalho que faço? Será uma questão de apreciar o que já é? Isso alterará a situação?

ELIAS: Em parte, mas também permitir-te passar a incorporar uma percepção diferente. Ao invés de veres ou integrares a percepção de que o teu trabalho conste duma obrigação e duma tarefa, permite-te envolver a imaginação e acolher o trabalho como um jogo. Dá expressão à tua criatividade. As acções e tarefas que empregas no teu emprego, configura-las de um modo pelo qual se torne num jogo e num divertimento ao invés duma obrigação e duma tarefa. Isso permite-te interagir com o teu emprego de uma forma completamente diferente e também te reforça ou encoraja uma apreciação do que estiveres a fazer.

Muito bem, meus amigos! Passo a expressar um formidável apreço por cada um e a encorajar-vos a expressar o mesmo em relação a vós próprios, também! Estendo-vos uma energia genuína de encorajamento em meio a tudo o que estiverdes a empreender e um encorajamento do êxito que obtenhais na atenção para com a vossa energia. Como sempre, ofereço-vos a minha energia a todos, a qual sempre permanecerá à vossa disposição. Com um enorme carinho, com um enorme reconhecimento, com uma enorme amizade por cada um de vós, au revoir.

GRUPO: Au revoir e obrigado.

Elias parte às 2:51 da tarde

Notas

Memorando de mais duas definições que o Elias emprega:
Felicidade: Representa a eliminação dos conflitos, a realização do sentido de valor e a satisfação das nossas necessidades.
Liberdade: Representa o reconhecimento de possibilidade de escolha.

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