terça-feira, 9 de agosto de 2011

PRESTAR ATENÇÃO A NÓS PRÓPRIOS



Sessão 1811
“Que Quererá Dizer Prestar Atenção a Nós Próprios?”
“Conflito Numa Relação”
Tradução: Amadeu Duarte
Terça-feira, 2 de Agosto de 2005 (Privada/Telefone)

Participantes: Mary (Michael) e Caroline (Tsen)

ELIAS: Boa tarde!

CAROLINE: Boa tarde, Elias! Espero que estejas bem.

ELIAS: Como sempre!

CAROLINE: Então tenho outras coisas que te queria perguntar de novo, desde a última vez que falamos. Quero colocar-te umas perguntas rápidas em primeiro lugar, e as mais complicadas em último lugar.

ELIAS: Muito bem.

CAROLINE: Será este o meu foco final?

ELIAS: E que impressão tens?

CAROLINE: Oh, não sei. Penso que não.

ELIAS: Exacto.

CAROLINE: Pensei que talvez por ser um foco difícil talvez pudesse ser o último, mas não. (Elias ri)

Eu não consigo qualquer ligação a outros focos meus tal como aqueles que falam contigo. Talvez me possas transmitir algo acerca desses meus outros focos.

ELIAS: Muito bem, vou-te sugerir dois que poderás investigar por ti própria. Mas em primeiro lugar deixa que te diga, não é necessariamente o facto de não estabeleceres qualquer ligação com os teus outros focos mas talvez o facto de concentrares mais a tua atenção neste foco, pelo que não te sintas inclinada a investigar esses outros focos, o que não é prejudicial.

CAROLINE: Só sinto curiosidade!

ELIAS: Se investigares...

CAROLINE: Da última vez mencionaste que eu teria cinco focos nesta mesma altura actual...

ELIAS: Sim.

CAROLINE: ...E eu interrogava-me em relação à sua localização ou como serão. Seria possível conhece-los, seria possível encontrar outro foco? E que ocorreria nesse caso? Reconheceria alguma coisa?

ELIAS: Permite-me que te diga que, em termos gerais, os focos que se situam numa mesma faixa temporal geralmente não se encontram objectivamente uns aos outros. Isso ocorre em ocasiões raras, mas no geral, não é um acto que ocorra numa mesma faixa temporal. Porque numa situação desse tipo, isso poderia ameaçar facilmente a vossa individualidade e a vossa identidade. Além disso, e falando em termos gerais, nas raras ocasiões em que dois focos da mesma essência se encontram um com o outro numa mesma época, geralmente eles não sentem muito interesse um pelo outro.

Bom; isso não é regra, mas na maioria dos casos, eles geralmente não estabelecem o que designaríeis com uma ligação efectiva entre si. Existem certas ocasiões em que isso poderá ocorrer, mas tal como expressei, isso é raro. No geral, um indivíduo como tu pode empregar um certo interesse por descobrir outro foco pertencente à mesma faixa temporal, mas pode também desapontar-se um tanto por tal interesse não ser devolvido.

CAROLINE: Isto leva-me a uma outra pergunta, por me ter acontecido algo um tanto estranho faz uns anos. Não foi assim tão estranho, só que para mim foi um tanto. Permite que passe a explicar um pouco o que se passou. Eu encontrava-me sozinha e fui até uma outra cidade, onde estava a decorrer um enorme festival, um festival de musica. E ali estava eu sozinha sem ninguém conhecido nem nenhuns amigos. A razão porque me desloquei lá deveu-se ao facto de me sentir apaixonada por este tipo. Ele não manifestava o menor interesse por mim – na altura eu não tinha consciência disso – mas sempre pensei que ele iria assistir ao festival. Ali permaneci e acabei por passar um dia esplêndido. Havia magia no ar; não consigo explicá-lo. Eu estava presente e encontrava-me sozinha – sentia-me um tanto triste por estar sozinha e sem os meus amigos – mas estava quente e tornou-se agradável e acabei por me sentir muito bem. Não sei porque razão.

Eu estava na colina a olhar para baixo enquanto esta banda estava a tocar - a minha banda preferida. Quando interpretaram a minha canção favorita, eu estava a olhar para baixo, a partir da colina, e estava a olhar directamente para trás dum tipo que estava no meio da multidão. Eu tinha os olhos pregados nele. Pensei que talvez fosse ele, aquele de quem andava à procura. Em seguida pensei, “Por favor, volta-te”, de modo a poder constatar se era ele ou não. Assim que pensei nisso, ele voltou-se e encarou-me directamente. Pensei que não, não podia ser, e que ele devia estar a olhar para mais alguém. Voltei-me para os que me rodeavam e voltei a encará-lo e lá estava ele a olhar fixamente para mim, o que fez durante uns segundos. Depois voltou-se e eu fiquei a pensar que teria sido aquilo. Ele ainda se parecia com o tipo, com a pessoa! Só que era mais alto e eu podia constatar que tinha cabelo de cor diferente. Poderás dizer-me o que se terá passado ali? Terá ele sido uma pessoa real ou talvez… Não sei. (Ri)

ELIAS: (Ri) Sim, um indivíduo de carne e osso. Permite que…

CAROLINE: Terá talvez sido outro foco meu que eu tenha visto?

ELIAS: Não um outro foco teu, mas um indivíduo que já partilhou muitos focos contigo, sim.

CAROLINE: Terá ele sentido o mesmo que eu quando me viu? Foi mesmo eu estar a pensar, “Por favor, volta-te”, e ele voltou-se e encarou-me.

ELIAS: Sim.

CAROLINE: Mas terá ele reconhecido isso?

ELIAS: Reconheceu.

CAROLINE: Caramba! Virei algum dia a reencontrá-lo?

ELIAS: É uma possibilidade

CAROLINE: Ele tinha bom aspecto!

ELIAS: É curioso como por vezes vos surpreendeis, aqueles que se acham na vossa realidade, com o vosso próprio poder e com a ligação que estabeleceis com os outros, e com a forma como podeis projectar energia para outro indivíduo e ele responder se essa energia for dirigida com clareza e força suficientes – coisa que nesse momento, se efectivou.

CAROLINE: Nesse instante – exactamente. Foi por isso que senti aquele magia o dia todo. Não sei bem! (Ri junto com o Elias)

Quantos focos terei nesta dimensão, no total?

ELIAS: Oitocentos e vinte e sete.

CAROLINE: Oh, deus! Tantos!

Então a minha filha, Emily, o seu nome da essência é Carolina, como me disseste da última vez. Terá a essência dela fragmentado da minha?

ELIAS: Não, mas ela incorpora um tom similar.

CAROLINE: Agora, permite que passe às questões talvez difíceis. Tu dizes a toda a gente para prestar atenção a nós próprios e mantermos a atenção no aqui e agora e para a voltarmos para nós próprios. Já tentei isso, acredita! Mas descobri ser quase impossível manter a atenção em mim própria. Talvez consigamos fazer isso durante uns quantos segundos, mas de seguida isso esvai-se. (Ri) Regressa pela noite quando estamos para nos deitar e começamos a pensar no dia que tivemos, mas aí, “Oh, pois é, esqueci de prestar atenção a mim própria!” Por isso, a coisa não está a funcionar.

Sempre que começo a questionar com o meu namorado, tu disseste-me para prestar atenção a mim própria. Descobri que sempre que entramos em querelas e ele discute comigo e me berra ou as coisas atingem esse patamar isso me leva a recordar “do prestar atenção ao momento”, e reconheço que ele me diz algo e eu reajo directamente em frustração. Reconheço isso por estar a prestar atenção ao momento, só que não sou capaz de alterar a percepção que tenho. Só que é isso que devia ocorrer; É o que tu dizes. Portanto, eu estou a prestar atenção à coisa nesse instante mas isso não ocasiona nenhuma mudança.

ELIAS: Estou a compreender. Posso-te dizer que interpretaste um tanto erradamente o que eu te disse, o que não é invulgar. Geralmente, as pessoas empregam a informação em termos duais, pelo que a avaliação inicial referente a prestardes atenção a vós próprios adquire um sentido que passais a avaliar como querendo dizer que, se prestardes atenção a vós próprios, não estareis a prestar atenção a nenhum elemento ou situação exterior, o que…

CAROLINE: Penso que seja o que estou a fazer: estou a prestar atenção a mim própria. Sinto ter consciência do que estou a sentir, do que estou a pensar, mas estou igualmente a prestar atenção ao outro indivíduo.

ELIAS: Exacto.

CAROLINE: Tudo ao mesmo tempo nesse instante, não é?

ELIAS: Sim, é exacto. Isso traduz a acção. Só que nisso, ao gerares uma situação como aquela que acabaste de descrever, é uma acção que vai mais longe do que teres consciência simplesmente de ti própria nesse instante e que também gera uma avaliação do que está efectivamente a ocorrer. A que estarás a reagir? Que estará a ser motivado ou despoletado no teu íntimo que passe a gerar tal reacção, e que coisa estarás a fazer nesse instante que esteja a criar-te esse cenário? Essa é a razão…

CAROLINE: Sinto-me frustrada; é o que me incomoda. E eu reconheço isso. Sinto-me completamente frustrada.

ELIAS: Muito bem. Sugere um exemplo efectivo, para passarmos a explorá-lo.

CAROLINE: O meu namorado, eu não sei como aquilo começa, mas de qualquer forma estamos a atravessar um conflito e de algum modo ele está a tornar-se… Vejamos, qual será o termo? Não irritada, irritação é demasiado. Tenho presente uma dada situação só que é difícil descrevê-la. Ele profere algo estúpido, ou arma-se em estúpido comigo, age como se eu fosse idiota ou estúpida e isso faz-me igualmente perder a cabeça, pelo que passo a ripostar aos berros, e uma coisa conduz à outra.

ELIAS: Mas que será que ele te expressa que te sugira que sejas estúpida?

CAROLINE: Chama-me vaca estúpida, por exemplo!

ELIAS: E como será que interpretas isso como querendo dizer estúpida?

CAROLINE:. Por se afastar do assunto. Eu peço-lhe explicações. Eu faço-lhe uma pergunta qualquer sobre o medicamento que pretendo tomar por ter apanhado um resfriado. Ele assume dois tipos completamente diferentes. Pego num e pergunto-lhe somente quantos devo tomar e se será indicado para de dia ou para a noite. E ele responde-me, “Ora, dá-me cá isso. Não sei se terás pegado no indicado”, só que eu já tinha pegado no indicado. E eu respondo, “Diz-me apenas se é indicado para de dia ou para a noite.” E ele desata logo, “Sua vaca estúpida, dá-ma cá essa maldita coisa. Preciso olhar para ver se pegaste no aconselhado!” Mas eu já tinha pegado nele, entendes? Gera-se sempre uma incompreensão.

ELIAS: Ah, muito bem.

CAROLINE: Eu acabo sentindo-me frustrada por ele não entender que já tinha pegado no indicado!

ELIAS: Examinemos esse cenário. Que te impelirá inicialmente a colocar a pergunta do começo? Se já possuís conhecimento de já teres o remédio indicado, que te motivará a colocar-lhe a situação?

CAROLINE: Eu só lhe perguntei se tinha que o tomar de dia ou se ele seria indicado para a noite. Mas eu estava na posse do medicamento correcto; só ele não tinha consciência disso.

ELIAS: Mas...

CAROLINE: Foi um mal entendido.

ELIAS: Mas que te terá motivado a colocar a questão?

CAROLINE: A colocar a questão de ser para de dia ou para a noite?

ELIAS: Sim.

CAROLINE: O facto de não saber se deveria tomá-lo de dia ou à noite, por se tratar dum medicamento dele, e não ser meu.

ELIAS: Ah. Mas que te terá motivado a ESSE acto, de tomares um medicamento dele?

CAROLINE: Por não ter mais nenhum medicamento aqui! Apanhei uma constipação nesta altura e sentia-me verdadeiramente adoentada. Sentia muitas dores na garganta. Lembrei-me de que ele tinha esse medicamento aqui por ser frequente ele ter esse problema, pelo que terei decidido tomar o medicamento dele. Tirei dois frascos da caixa e olhei para eles e apesar de um ser aspirina, e ser indicado apenas para as dores de cabeça, o outro era para a gripe.

ELIAS: Muito bem, muito bem. O que te estou a perguntar, a razão porque te estou a colocar estas perguntas, é para te impelir no sentido de veres o que tenhas feito que tenha dado origem a esse tipo de cenário através do qual te tenhas apresentado ao outro como inferior ou menos conhecedora. Vós escolheis acções que vos expõem a esse tipo de cenários. Mas subsequentemente, ficais frustrados ou desolados, por eles vos reflectirem de volta aquilo que tereis exposto em termos de energia. Já tereis exposto uma energia de desvalorização de vós próprios e de serdes menos bem informados que os outros. Essa é a projecção da energia que fazes, mas subsequentemente isso passa a ser-te reflectido, e tu ficas irritada com o reflexo.

Nisso reside a intenção de prestares atenção a ti própria. Não prestar atenção meramente ao que ocorre – que perfaz um aspecto da coisa - mas ao que estás a fazer. Ao prestares atenção ao que está a ocorrer, isso possibilita-te informação relativa ao que estás a fazer igualmente, por outras formas. A expressão física consiste apenas numa expressão superficial. Isso serve apenas de indicador para a avaliação das outras acções que estás a incorporar que te estejam a motivar a criar certos tipos de energia que estejas a projectar.

Os outros reflectem-te aquilo que projectares. Por isso, tu estás em conflito com outro indivíduo e isso serve-te de indicador para alguma acção que esteja a ser gerada em ti que te esteja a criar esse cenário.

CAROLINE: Eu entendo isso, mas não sabia – e talvez esse seja um excelente exemplo – nesse instante eu estava a perguntar-lhe se o remédio era para ser tomado de dia ou de noite. Nessa altura não tinha consciência de estar realmente frustrado nem nada do género. Talvez me sentisse frustrada por me sentir adoentada mas...

ELIAS: Não, não. Não estás a perceber o essencial. Não é uma questão de reconheceres teres-te sentido frustrada inicialmente, porque não estavas a sentir-te. A intenção reside na forma como terás iniciado a projecção de energia que fizeste e o que te terá motivado a isso. A frustração é subsequente. Mas inicialmente, não é uma questão de te estares a sentir frustrada; é uma questão de prestares atenção ao que estás efectivamente a fazer.

Nesse momento, estás a experimentar desconforto. Escolhes usar um medicamento para te aliviar um tanto o desconforto, correcto?

CAROLINE: Sim, está correcto.

ELIAS: Bom; a escolha do medicamento constitui a base, porque optas por utilizar o medicamento do outro indivíduo ao invés de escolheres criar algum tipo de medicação tu própria. Escolhes utilizar a medicação que ele usa em...

CAROLINE: Não creio que o problema da medicação se empregue aqui, por dispormos duma caixa apenas para todos os nossos medicamentos. Não é realmente o facto de ser dele ou meus, porque ambos os compramos e ambos os usamos, ou eu compro a aspirina e ele usa-a...

ELIAS: Estou a compreender, mas tu não estás a escutar. Permite que prossiga. Nesse sentido, não se trata duma questão de quem comprou a medicação. É uma questão de qual estará mais associada e do que isso gera em ti. Porque se a medicação estiver mais associada ao outro, torna-se numa associação subjacente de posse, o que gera a associação automática em ti de que ele possuirá mais informação respeitante a ela do que tu. Por isso, já estás automaticamente a desvalorizar-te e ao conhecimento que tens quanto à escolha que fazes. Por isso, abordas o outro indivíduo em busca de informação, só que a energia que estás a projectar nesse pedido já é uma energia de desvalorização pessoal.

CAROLINE: Muito bem, espera um minuto. Se formulasse a mesma pergunta sem gerar propriamente esta energia, nesse caso ele teria respondido normalmente? Estarei a conceber a coisa correctamente, nestes termos?

ELIAS: Estás.

CAROLINE: Então não se trata do medicamento nem da questão de eu lhe colocar a pergunta, é mais uma questão de projectar esta energia.

ELIAS: Sim, de já estares a desvalorizar-te a ti própria. Já estás a gerar a associação automática de que o outro sabe mais ou é mais apto do que tu.

CAROLINE: Será esse o mesmo problema que nos outros conflitos que tenho com ele, com o mesmo indivíduo? Estarei a fazer a mesma coisa?

ELIAS: Muitas vezes, sim.

CAROLINE: Pois, sinto que sim. Então, como poderei alterar isso? Agora vais-me dizer para prestar mais atenção a mim própria, certo?

ELIAS: Deixa que te diga que o que podes praticar é a apreciação e o reconhecimento de ti própria. Durante o dia, ao empregares as tuas acções mundanas, permite-te apreciar o modo como realizas qualquer acção que cries e permite-te gerar algum tipo de apreço por ti própria várias vezes ao dia. Não importa o que seja, mas o importante é que te permitas gerar algum tipo de apreço.

Nesse sentido, detecta toda a vez em que comeces a sentir ou a experimentar uma atitude defensiva. Nesse campo, sugiro-te não apenas que detectes isso como que percebas toda a vez que começares a experimentar qualquer atitude defensiva, porque a defensiva é sinónimo de oposição. Por isso, toda a vez que experimentares ou sentires uma atitude defensiva também estarás a gerar uma atitude de oposição. Estarás a escudar-te, o que não concede espaço ao acto de receber. Estás a opor-te e com isso geras uma atmosfera de conflito.

Agora; nisso, não procures alterar aquilo que estás a sentir – reconhece-o apenas e regista-o. Assim que te tiveres familiarizado mais com a quantidade de vezes que geras essa atitude defensiva, e passares a reconhecê-lo, poderemos subsequentemente passar para a avaliação do que despoleta essa atitude defensiva, do que estarás a fazer contigo, que associações automáticas estarás a gerar, o que estarás a desvalorizar ou a negar em ti própria que esteja a gerar essa reacção automática de defesa.

CAROLINE: Tenho uma ideia do que possa ser. De momento não me sinto muito satisfeita com a minha vida e sinto estar a negar as minhas próprias escolhas, mas não tenho consciência da forma como poderei chegar a essas escolhas. Estou a negar a opção que me assiste no sentido de fazer todas as coisas criativas que pretendo fazer, o que é difícil de dizer (admitir). É uma situação... Sinto-me realmente... É como se estivesse presa neste apartamento e longe de onde costumava viver. Há uns nos atrás, desloquei-me do sítio onde estava a viver onde tinha um monte de amigos. Tinha amigos, tinha o meu apartamento, o meu emprego, tinha o meu pequeno carro, era independente, e gozava de verdade duma vida divertida. Depois mudei-me com o meu namorado e fui para outra cidade. Isso foi há três anos e desde aí sinto-me como que presa numa cilada. Perdi o carro; perdi o emprego; não disponho mais de dinheiro; não tenho amigos. O meu namorado trabalha a tempo inteiro, mas mesmo que não esteja a trabalhar e esteja presente, nós estamos sempre em conflito, pelo que me sinto satisfeita por ele estar a trabalhar. Tudo o que de momento tenho é a minha pequena filha.

ELIAS: Estou a compreender.

Ora bem; nisso, deixa que te diga que é uma questão de praticares e alterares o que estás a fazer e a forma como te estás a perceber, e de o fazeres por incrementos. Posso-te dizer que este cenário pode necessariamente não se alterar imediatamente mas alguns elementos dele poderão sofrer uma alteração. Tudo depende de ti.

Este exercício da apreciação (valorização pessoal) e reconhecimento de ti própria deverá começar de imediato a alterar alguns elementos da tua situação. Mas à medida que prosseguires na sua prática, isso deverá progressivamente alterar o cenário e a situação que tens vindo a criar. O exercício da detecção do número de vezes em que expressas essa atitude defensiva também se tornará bastante esclarecedor e também se prestará à alteração da tua percepção e do tipo de energia que tu projectas, o que deverá efectivamente alterar-te a realidade.

Isto são passos. Exercícios e actos que podes incorporar já, no dia de hoje, que começarão a alterar aquilo que estás a criar. O factor mais importante é o de te teres familiarizado com a desvalorização de ti própria e de não confiares em ti e de gerares desapontamento em relação à tua pessoa, pelo que geras desapontamento em relação ao resto do teu ambiente também, em todas as direcções.

Tu procuras conforto e consolo junto da tua pequena mas não crias essa amabilidade nem esse cultivo em relação a ti própria. Por isso continuas a gerar esse tipo de ambiente através do qual continuas a expressar contínuo desapontamento e frustração e ansiedade. O modo como poderás alterar isso, sim, é passando a prestar atenção a ti própria, mas também implementando acção, uma acção que te influencie a percepção que tens e que ta altere. Porque se alterares a percepção que tens também alteras a tua realidade, por ser ela que te cria a realidade.

Bom; nesse sentido, deixaste de te familiarizar com o reconhecimento e a apreciação de ti própria...

CAROLINE: Eu deixei. Não sei como terei perdido isso!

ELIAS: Ao teres dado lugar a escolhas que não se baseiam em ti própria, e ao teres criado opções associadas ao acto de situares a tua atenção duma forma consistente fora de ti própria e ao teres gerado escolhas que geralmente são comprometedoras ou que te levam a submeter-te ao teu companheiro.

Tu permitiste que a tua atenção se ocupasse mais com o teu companheiro do que contigo própria, em razão do que, as opções, as expressões, as formas de conduta, as vontades, as inclinações, as antipatias que o teu companheiro manifesta passaram mais para a tua atenção do que as tuas próprias. E isso gera uma reacção automática no sentido da cedência e da concordância incondicional, e nisso, passas a desvalorizar-te.

Não é uma questão do compromisso inerente ao relacionamento com outro indivíduo. É uma questão de cooperação. Mas tu esqueceste a cooperação e de certa forma terás substituído isso pela condescendência e pela cedência. E a cedência sempre representa uma desvalorização para ti própria assim como para o outro indivíduo.

Nesse sentido, segundo a concepção que fazes, o que tu perdeste – coisa que na realidade não significa perda, pois apenas esqueceste – foi a atenção por ti e a admissão das tuas escolhas, das tuas preferências, das tuas vontades, das tuas inclinações, das tuas antipatias, em igual medida e tão importantes e válidas quanto as dele.

CAROLINE: Eu gostava de continuar a ouvir-te falar cada vez mais, mas o meu tempo realmente terminou e o meu bebé está a chorar.

ELIAS: Muito bem, minha querida amiga.

CAROLINE: Muito obrigado, e uma pergunta rápida...

ELIAS: Sim?

CAROLINE: Terás sido tu, no aeroporto de Dallas?

ELIAS: Fui.

CAROLINE: (Ri) Foste! Que foi que disseste?

ELIAS: Eu estava apenas a projectar uma energia para te recordar que sempre estou presente junto de ti.

CAROLINE: Foi tão giro, porque tu disseste, “Sorri, vai dar tudo certo”, não foi? Aquele tipo passou por mim e disse-me isso. Foi verdadeiramente giro. E eu fiquei a interrogar-me, porque hoje o telefone tocou duas vezes, e ontem outras duas, e no dia antes de ontem outras duas, mas ninguém atendia. Terá isso sido a tua energia também?

ELIAS: Sim, igualmente para te recordar de prestares atenção às tuas próprias comunicações.

CAROLINE: Fixe! Continua! (Ri) Muitíssimo obrigado por esta conversa que tive contigo.

ELIAS: Eu envio-te este grande afecto e apreço por ti, minha amiga. Fico a antecipar o nosso próximo encontro e a projectar-te a minha energia soba a forma de encorajamento. Lembra-te da tua diversão. (Ri) Trata-se duma paixão que abrigas em ti. Permite-te expressar essa paixão. Com grande amizade e um tremendo carinho, au revoir.

CAROLINE: Tchau!



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