terça-feira, 9 de agosto de 2011

PRESENÇA - OPOSIÇÃO



SESSÃO  1799
“Estar Presentes Convosco Próprios”
“Ter Consciência da Oposição Que Gerais”
“Exercício: Apreciar-vos”
Sábado, 16 de Julho de 2005 (Grupo/Chicago)
Tradução: Amadeu Duarte


Participantes: Mary (Michael), Alicia (Tisara), Anne (Monique), Antone (Aix), Cathy (Felicia), Donna (Luera), George (Gregor), Gina, Howard (Erlicht), Jim, Karen, KC (Nanaiis), Lorraine (Aiden), Lynda (Ruther), Marie, Marjorie, Merrill (Fiona), Michael (Beauregard), Naomi (Kallile), Pat (Ling-Tu), Patrick (Derricka), Paul (Paneus), Ronda (Adorabelle), Robert (Reese), Roland, Scott (Cedric), Sharon, Susan (Catherine), Suzanne, Terri (Uliva), Victoria, Xanthia (Melissa)



ELIAS: Boa tarde!

GROUP: Boa tarde, Elias.

ELIAS: Sejam bem-vindos. Esta tarde vamos de algum modo continuar com outro elemento do que foi iniciado na nossa interacção de grupo anterior.

Na nossa interacção de grupo anterior eu coloquei uma pergunta àqueles que participaram – qual é o vosso maior temor e o maior factor de irritação – em relação aos quais também introduzi informação relativa a esses temas da oposição. Está a ocorrer uma oposição considerável n
esta altura pelo que se torna significativo que discutamos o assunto.
O outro assunto que também vos coloco a vós neste dia é aquele relativo à presença, à vossa própria presença convosco próprios. Vou-vos dirigir inicialmente a pergunta… (com humor dirigindo-se ao Antone) Não precisas responder, por to já ter explicado! Mas em benefício dos demais aqui presentes – ou que aqui estão (sorri) – eu coloco-vos a pergunta a vós, como definireis estar presente consigo próprio? Que significará isso para vós? (pausa)

DONNA: Para mim representa ter consciência da minha energia, consciência das minhas expressões e das comunicações que faço a mim mesma.

ELIAS: Muito bem.

HOWARD: Representará uma função do foco? Termos consciência de estarmos a focar-nos. Termos consciência de nós, de estarmos a observar as redondezas?

ELIAS: Muito bem.

KAREN: Do que está a decorrer neste momento.

ELIAS: Sê mais específica.

KAREN: Do que estou neste momento a perceber.

ELIAS: Muito bem.

KC: Gosto de chamar a isso escutar a mim própria. Quando me escuto a mim própria, aí sinto-me presente comigo própria.

ELIAS: Muito bem. Mais alguém quer acrescentar alguma coisa em relação à presença? (pausa)

Que estais a fazer com os termos e com a vossa realidade?

KC: Estamos a redefini-los.

ELIAS: Correcto, estais a redefini-los. Estais a redefinir a vossa realidade e os termos que expressais em associação com a vossa realidade. Ao redefinirdes os termos também redefinis a percepção.

A presença consiste na consciência objectiva de vós próprios, da vossa existência. Presença é a consciência que tendes de serdes um ser e da vossa existência neste momento. É a consciência da inteireza do que sois no momento.

A presença não traduz necessariamente o escutar as vossas comunicações. A presença não quer dizer necessariamente ter consciência do vosso meio. A presença não significa necessariamente ter consciência do que estais a fazer. Tampouco é necessariamente ter consciência do tipo de energia que estais a projectar.

(Falando clara e pausadamente) Presença é terdes consciência de que realmente existis, e experimentardes a vossa existência. Esse é um assunto muito significativo e com que a maioria das pessoas em toda a vossa realidade se acha muito pouco familiarizada. Mas com a Mudança (de consciência) e com o movimento que está a decorrer nesta altura e com o à-vontade com que a oposição é expressada, torna-se importante ter consciência da vossa própria presença.

Expressei recentemente a alguns indivíduos o exemplo mais comum da experiência da vossa presença. O exemplo mais comum dum indivíduo a experimentar efectivamente a sua própria existência e presença geralmente ocorre em situações em que o indivíduo dá, por qualquer meio, lugar à criação duma situação de extremo desconforto. Geralmente, a dor constitui um excelente exemplo de permanecer presentes convosco próprios – seja a dor física, a dor emocional ou o que designais como dor mental.

A dor gera uma reacção automática, por criar intensidade, com a qual o indivíduo automaticamente passa a dirigir a sua atenção para o elemento da dor. Mas ao dirigir a sua atenção para o elemento da dor, também se torna mais altamente consciente da sua existência actual. A outra reacção automática que segue a reacção inicial de se focar na dor é o procurar afastar-se da dor ou gerar algum acto que a separe da sua existência.

Se derdes um tiro no pé, haveis de focar a vossa atenção na dor provocada pela ferida no pé, a qual provavelmente será intensa o suficiente para que a vossa reacção automática seja a de dizerdes, “Quisera cortar o pé!” por gerardes uma reacção extrema similar à intensidade da experiência. Estais a experimentar isso como um elemento da vossa existência e da presença convosco próprios. É fonte de desconforto, pelo que a reacção automática consiste em procurar afastá-la da vossa existência.

Isso consiste igualmente numa reacção automática que é criada com bastante frequência em meio às actividades mundanas, o facto de experimentardes reacções automáticas em diferentes encontros, em meio a diferentes situações, interacções e cenários diversos por meio dos quais apresentais a vós próprios diferenças, formas de aversão, confusão e frustração. A reacção automática que tendes consiste em afastardes isso da vossa experiência. Podeis e podeis não empreender tal acção, mas essa é a reacção automática. Só que, falando em termos gerais, essa reacção automática não se faz acompanhar duma presença em vós próprios.

Geralmente, tal como mencionamos no debate de grupo anterior, em grande medida as pessoas passam o dia no assento do piloto auxiliar, enquanto o assento do piloto (propriamente dito) continua desocupado. (o grupo ri) Mas isso provoca a confusão e o coçar da cabeça, e leva as pessoas a expressar; “PORQUE RAZÃO terei criado isso? Porque HAVERIA de criar tal coisa? Porque não terei criado doutra forma? Porque não terei criado um método mais fácil a fim de proporcionar a mim próprio informação?” Todas essas interrogações em termos de “porquê” são duvidosas e ridículas. Não existe resposta para essas interrogações subordinadas ao “Porquê”.

Vós criastes aquilo que criastes com uma intensidade que iguala o que quer que tenhais estado a tentar proporcionar a vós próprios em termos de informação relativa a isso. Criastes o que quer que tenhais criado em conjugação com a realização do vosso sentido de valor, a despeito disso poder ser confortável ou desconfortável. Esse vosso aspecto que responde pela formulação da escolha não se preocupa com o que seja confortável nem com o que seja desconfortável; preocupa-se com o que seja eficiente e com o que se equipare à intensidade do que estiverdes a apresentar a vós próprios, em termos de informação. Mas não sois vítimas nem vos achais fora de controlo.

Tal como referi desde o início, não existe nenhum elemento da vossa realidade que se ache ocultado de vós. É apenas uma questão de prestardes atenção. Nesta altura, o modo mais eficiente através do qual vos permitireis identificar se estais a gerar uma energia de oposição consiste em vos tornardes presentes em vós próprios. Porque existem muitas, muitas, muitas expressões de oposição.

Que identificareis vós como uma expressão de oposição? Como vos oporeis, seja de que forma for?

PAUL: Guerra.

ELIAS: A ti próprio.

PAUL: Oh. (grupo ri) Por vezes!

SUSAN: Eu fico quieta e retiro-me da conversa.

ELIAS: Sim, essa pode ser – não sempre. Depende da motivação. Mas essa pode ser uma expressão de oposição, apesar de à superfície não parecer necessariamente sê-lo.

GEORGE: Eu fico zangado.

ELIAS: Essa é uma expressão óbvia de oposição.

RONDA: Eu deixo de escutar.

ELIAS: Essa pode igualmente ser outra expressão de oposição.

GEORGE: Eu fico confusa.

ELIAS: Por vezes.

HOWARD: Frustração.

ELIAS: Essa pode ser, mas uma vez mais nem sempre é uma expressão de oposição. Mas pode ser.

LYNDA: Passar à defensiva.

ELIAS: Defensiva – sem dúvida, SEMPRE é uma expressão de oposição.

ALICIA: Torno-me impaciente.

ELIAS: A impaciência pode igualmente ser uma expressão de oposição.

PAUL: Atribuir juízo crítico.

ELIAS: Claramente.

MICHAEL: Agressão.

ELIAS: Sem dúvida. A comparação é outra expressão de oposição.

NAOMI: Negação.

ELIAS: Sim, por vezes. Preocupar-vos com a percepção dos outros traduz outra forma de oposição, por ser uma forma de defesa, e toda a expressão de defesa constituir uma forma de oposição.

Existem muitas, muitas formas de oposição que são passíveis de ser expressadas em muitas alturas a cada um dos vossos dias. Por vezes até mesmo o acordo ou o consentimento podem representar uma forma de se oporem. A agitação pode ser uma forma de oposição.

A questão reside em que – especialmente nesta altura, tal como declarei, em que se torna tão fácil opor-se – se torna altamente significativo que presteis atenção e tenhais consciência de vós próprios e passeis intencionalmente a cooperar. A cooperação pode expressar-se por muitos modos mas não engloba o comprometimento. Uma vez mais, o comprometimento consiste numa outra forma de oposição e como tal não traduz a questão essencial.

A cooperação é uma acção que pode ser expressada e que não requer acordo nem que gosteis. Não precisais de gostar de certas expressões. Posso-vos dizer neste instante que nem sequer é necessário que gosteis dos outros. (riso) Todos vós incorporais alguém de quem não gostais ou de quem não tereis gostado. Se não tiverdes experimentado isso no vosso foco, o que será ALTAMENTE improvável, quase posso garantir que antes de escolherdes separar-vos do físico haveis de vos deparar com alguém de quem não gostareis! (grupo ri)

Mas “gostar” não é necessário para a cooperação. O acordo com outro indivíduo ou com uma situação não é necessário para existir cooperação e, de modo semelhante ao gostar, não se faz necessário na aceitação. Podeis aceitar e continuar a ater-vos às vossas linhas de orientação individuais, às vossas preferências e às vossas opiniões e às vossas escolhas, mas sem minimizardes as diferenças nem aquilo de que não gostais ou aquilo com que não concordais.

É uma questão de estardes presentes convosco próprios e de reconhecerdes que a vossa aversão por qualquer expressão ou manifestação ou indivíduo se acha associada à falta de preferência relativa a essa expressão particular, mas que não refere necessariamente o facto de ser má ou de precisar ser eliminada. Na apreciação e na presença em vós próprios, aquilo que alterais é a ameaça daquilo porque sentis aversão ou daquilo com que não estais de acordo.

Geralmente, existe um elemento de ameaça associado àquilo de que não gostais. De algum modo, isso ameaça-vos. Além disso, geralmente também existe algum elemento de ameaça naquilo com que não concordais. Se gerardes cooperação e presença convosco próprios e um reconhecimento do apreço que sentis por vós próprios, a diferença, a aversão, o desacordo não vos ameaçarão, pelo que empregareis a capacidade objectiva de não vos opordes a isso nem de vos opordes a vós próprios - coisas que fazeis.

Vós não moveis meramente oposição fora de vós próprios, em relação aos outros; frequentemente opondes-vos a vós próprios. Opondes-vos a vós no que criais, no que manifestais, naquilo que deixais de manifestar, em relação ao que não conseguis manifestar, e segundo a percepção que tendes, em relação ao que não estais a manifestar suficientemente bem ou rápido. Vós opondes-vos por muitos, muitos modos com bastante frequência.

Mas se estiverdes presentes convosco próprios, haveis de ter conhecimento de estardes a opor-vos, porque esse tipo de consciência inerente à vossa actual existência abrange-vos por completo. Não se cinge à identificação de nenhum desses elementos individuais que cada um de vós expressastes em resposta, mas abrange-os a todos. Por isso, haveis de usar duma consciência pessoal. Também haveis de começar, nessa consciência de vós próprios, a apreciar duma forma autêntica a grandeza do ser que sois, porque vos permitireis experimentar a vossa existência de uma forma mais continuada, e não apenas nas situações em que tereis dado um tiro no pé. (Grupo ri)

Bom; vou dar lugar às perguntas relativas às VOSSAS experiências de vos tornardes presentes ou não presentes e para além disso – porque estou bem ciente de que a maioria de vós não dispondes AINDA de muitos exemplos relativos à experiência efectiva de estar presente, mas haveis de vir a dispor! – mas para além disso, partilhar, e passaremos a debater exemplos de oposição, por isso ser bastante significativo no presente enquadramento. Permiti que vos diga, meus amigos, que não tem importância que realmente tomeis parte em algum evento de massas que vos pareça fisicamente perturbador; porque vós estais a participar a despeito disso. Por isso, é o modo como participais que se torna significativo.

Estou ciente de que todos escolheríeis, nos vossos termos comuns e na vossa percepção, criar aquilo que designaríeis como um mundo perfeito. Na realidade ele já é perfeito da forma que é expressado. Mas a ideia que tendes dum mundo perfeito corresponderia à Utopia, um mundo de contínua harmonia, ou pelo menos um em que não existisse uma violência tão gravosa e um em que não criásseis tal oposição de forma extremada e gravosa. Mas as massas são compostas de indivíduos; não pode existir colectividade sem indivíduos. Por isso, é a energia dos indivíduos que cria as massas e é a energia dos indivíduos que reverbera pela consciência que vai criar a oposição ou a cooperação.

Quando percebeis estar a ter lugar na vossa realidade situações e expressões que alçam ao extremo, que tipo de energia estareis a projectar e para que tipo de energia estareis a contribuir? Para a oposição ou para a cooperação? Vós cooperais ou opondes-vos nas vossas interacções junto dos indivíduos do vosso meio? Cooperareis ou opor-vos-eis em relação a vós próprios? Que tipo de acções e de interacções estareis vós a gerar? Porque isso não está meramente confinado ao vosso meio individual. A consciência é consciência, e acha-se toda interligada. O que quer que expresseis acha-se ligado a todas as outras expressões da consciência e gera uma contribuição para com ela.

Com aquilo de que presentemente não gostais no vosso mundo e com que não estais de acordo presentemente podeis expressar cooperação e gerar alterações. Mas se vos opuserdes em igual medida àquilo que já constituir uma oposição, apenas perpetuareis a expressão desse tipo de energia na vossa realidade. Se expressardes uma energia de oposição similar às acções daqueles que a tenham motivado, não vos estareis a expressar de modo diferente na vossa energia.

KC: Nesse caso tenho uma pergunta. Eu vivo no Kentucky e nós temos a via rápida que me rodeia completamente a casa. Existem duas vias rápidas. E depois há a minha ruazinha de trás e eu disponho dumas árvores que sobressaem. E eu sempre tomei as pequenas vias secundárias e sempre me senti satisfeita por existirem.

Havia um parque de auto-caravanas que estava tão envelhecido e tão cheio de árvores que nem dávamos pela sua existência. Bom, eles deitaram as árvores todas abaixo, deram ordem de despejo a toda essa gente e estão a colocar ali um grande centro comercial composto de lojas de ferramentas e tudo o mais. Fica mesmo situado do outro lado do caminho-de-ferro que se vê de minha casa, e situa-se exactamente do outro lado da via rápida que passa ao lado da casa. Aquilo em que acredito, é claro, é que a colina que eles terão construído e as árvores que terão deitado abaixo e os edifícios que construíram vão todos fazer os ruídos incidir sobre a minha casa.

E tenho vindo a opor-me. Não me expressei junto da cidade, mas ando a dizer às pessoas que vou às reuniões que fazem na cidade e que vou manter a boca fechada e escutar aquilo que eles têm a dizer, a ver se consigo que criem uma barreira em torno da via rápida. Tenho vindo a opor-me, não tenho?

ELIAS: Tens.

KC: Também pensei que sim, porque eles, os maiorias - os quais sou eu - estão a definir o progresso de um modo e eu estou a defini-lo de outro. Só que eu tenho vindo a manter-me em silêncio por ter notado que me vinha a opor e ter ficado sem saber que fazer. O conhecimento da existência duma mudança (de consciência) por ter andado a pensar, especialmente durante a onda subordinada à verdade, que a nossa energia vai atrair aquilo de que necessitamos e mostrar-nos. E por vezes mostra-nos aquilo de que não gostamos.

ELIAS: Exacto.

KC: Mas cá no fundo continuo a pensar que seja um tanto dissimulado e traiçoeiro, por saber que posso criar as árvores e as ruas secundárias e saber que não preciso mudar-me para fazer isso. Mas depois fico como que bloqueada, por não querer mudar-me. Mudar-me é uma das opções que tenho, entendes? Podia mudar-me para a aldeia e dispor de todas as árvores que quisesse, mas a questão não está realmente nisso por não ser exactamente aquilo que quero.

Eu gosto muito do sítio onde moro. Penso tê-lo tão sossegado quanto o prefiro e com suficiente número de árvores que me deixam satisfeita e ainda dispor da via rápida que representa uma auto-estrada da energia e ainda disponho das lojas à mão onde posso ir fazer compras.

ANNE: Quereremos perguntar alguma coisa?

LYNDA: Ela está a chegar lá.

KC: Bom, a pergunta era se estaria a opor-me ou não, por ter consciência de estar. Mas eu estava a tentar perguntar se estarei no bom caminho com a criação daquilo que quero e a aprender a não me opor. Porque me oponho realmente a esse centro comercial.

ELIAS: Eu estou ciente.

KC: Oponho-me de verdade! Por isso, que poderei fazer para parar de me opor?

ELIAS: Estou a ciente. Isso na verdade constitui um exemplo que se pode tornar bastante útil na apresentação duma situação em que existem outros a querer uma manifestação e vós a quererdes outra. Tendes consciência de dispordes de opções e de poderdes gerar diferentes escolhas, mas tal como tu referiste, não é nisso que reside a questão.

Porque te voltaste no sentido duma expressão em termos de “isto ou aquilo” (ausência de meio termo) – da existência de duas escolhas; ou eles ganham e criam aquilo que querem, ou ganhas tu, e passas a estabelecer o que queres. Não existe cooperação. A esta altura trata-se duma questão de comprometimento. Talvez te possas comprometer – na percepção que abrigas – a permitir que construam parcialmente aquilo que querem, e te comprometas também em relação a ti própria, e permitires-te criar parcialmente aquilo que queres.

Isso também se move no sentido dos tipos automáticos de associação por vias diferentes. Uma é a de que não estais a criar a vossa realidade por em cheio, mas também a via perigosa de que, como estais a criar a vossa realidade toda, deveríeis dispor da capacidade de criar o que quer que quisésseis a despeito de quem quer que fosse, que partilhe essa vossa realidade.

KC: Sim. Não devia?

ELIAS: Pergunta interessante! Um elemento dessa questão passaria pela definição exacta do que queres exactamente, não meramente em termos preto no branco, das árvores em contraste com o centro comercial. (volta-se para olhar para a Lynda) Não, não estamos a empregar uma onda de shopping! (grupo ri)

Mas aqui estás a dirigir-te para uma expressão que é bastante comum ao que a maioria expressa. Estreiteces a tua percepção, focas-te fortemente nas imagens do óbvio, mas estás a deixar de empregar uma presença em ti mesmo a fim de compreenderes tudo o que te motiva e aquilo que estás a apresentar a ti própria, que informação estarás a apresentar a ti própria com a criação disso, ao gerares essa nova inserção na tua realidade.

Porque uma vez mais, no passar para a outra direcção, subsiste a associação automática de que não ESTEJAS a inserir isso na tua realidade. Os outros estarão a inserir isso na tua realidade e a transgredir a tua realidade. Mas TU apresentaste isso na tua realidade e tê-lo-ás feito por uma razão, a fim de proporcionar a ti própria informação, de propores a ti própria um meio para explorares diferentes vias de ti própria, para explorares as tuas capacidades, as tuas preferências – não somente as preferências superficiais óbvias, mas também para te tornares genuinamente mais familiarizada com o que TU estás efectivamente a fazer.

Tu inseriste isso na tua realidade. Não foram os outros se intrometeram nela. Se não tivesses criado isso nem apresentado isso a ti próprio, isso não existiria.

KC: Por vezes quase acredito nisso. (grupo ri enquanto o Elias ri e acena com a cabeça em afirmação) Porque conheço a expressão e já a li vezes sem conta.

ELIAS: Pois.

KC: Eu atraí isso a mim duma forma precisa e imaculada, e se não o tivesse feito, isso não existiria. Pelo menos descontraio-me por acreditar que não me vou trair a mim própria. Acredito nisso na maior parte do tempo, até mesmo quando estou a opor-me a essas coisas  que acredito estarem a ser-me feitas pelos outros! Vês, essas carências e o seu valor real, para além das imagens superficiais de vias rápidas, árvores e shoppings, é que nós estamos a inserir a Mudança. Enquanto o meu desejo mais premente é chegar a conhecer-me, a despeito de tudo o mais.

ELIAS: Precisamente!

PAT: É isso que estás a fazer!

ELIAS: Precisamente, e é por isso que inseres na tua realidade determinadas imagens que te desafiam e que te motivam a examinar e a avaliar. Lembra-te de que o valor nem sempre se expressa no conforto.

Sim?

ALICIA: Sou a Alicia/Tisara. Tenho vindo, penso eu, a opor-me BASTANTE a mim própria ultimamente. Não fui à sessão de Nova Orleães mas li a transcrição e o que se tornou claro com relação a mim própria foi que eu sinto receio de mim própria e também me irrito comigo própria. Estou verdadeiramente a esforçar-me neste exacto momento a tentar prestar atenção a mim própria, só que não estou a consegui-lo…

ELIAS: Pára! Reconhece-o.

ALICIA: O que acabei de fazer? Diminui-me. Bom, sei que faço isso, mas faço-o na mesma!

Sinto que nos últimos seis meses só apresentei a mim própria imagens verdadeiramente rígidas. Neste momento estou mesmo a sentir-me financeiramente desprovida. Não gosto do emprego que tenho. Os meus filhos estão constantemente aos berros e a gritar e a lutar uns com os outros. Não sinto estar a avançar na direcção que desejo. Sinto todas essas carências. O negócio é que tenho vindo a procurar ter sessões contigo desde Março e creio estar a opor-me a elas, coisa que não compreendo, e fico bastante zangada comigo própria.

A pergunta que queria colocar é, se me poderias clarificar ou ajudar-me a clarificar o que tenho vindo a fazer nestes últimos meses, que me parece rígido e frustrante.

ELIAS: Sim. Tu tens vindo a criar uma oposição considerável a ti própria e ao teu meio e à maioria do que crias. E nessa oposição contra ti própria não estás a admitir qualquer expressão de apreço. Estás meramente a dar continuidade à desvalorização de ti própria, a qual assume o extremo de chegar ao ponto em que deixas de merecer ter uma conversa comigo – na percepção que TENS – por não estares a merecer a maioria das coisas nesta altura, pois tudo o que fazes parece falhar.

Deixa-me dizer-te, minha amiga, que em primeiro lugar vou-te propor um exercício simples o qual te vou instruir para passares a adoptar no espaço de duas ou três semanas. Nesse sentido, em diferentes momentos de cada dia três elementos distintos de ti própria que aprecies.

ALICIA: (Com suavidade) Isso é difícil. A parte da oposição é aquela em relação à qual posso sentir maior resistência…

ELIAS: Pois!

ALICIA: …E não lhe quero resistir!

ELIAS: Estou ciente disso. Mas não procures opor-te mais nessa oposição que moves à oposição! Reconhece ser isso que estás a experimentar e permite-te notá-lo. Agora, não é uma questão de procurares mudar isso. Isso tornou-se demasiado familiar e extremo. Por isso se empregares esse exercício deverás interromper essa desvalorização automática de ti própria que está continuamente a ter lugar. Ao interromperes isso, isso vai-te criar um tipo diferente de energia.

Posso-te dizer que no final de uma das vossas semanas já deverás sentir diferença, e deverás experimentar e expressar-te diferentemente. Mas a despeito disso prossegue com o exercício porque ele vai-te reforçar o reconhecimento de ti própria e passar a gerá-lo com uma maior familiaridade.

Nas alturas em que notares estar a opor-te, o que ocorre com frequência, não tentes forçar; reconhece ser meramente isso que estás a expressar. Procurar eliminar ou forçar só vai reforçar, e reforça a desvalorização de ti própria.

ALICIA: Deixa que te dê um exemplo, penso eu, relativo ao que estás a dizer. Digamos que esteja a tentar pensar em três coisas que aprecio em mim própria durante o dia. Passo a dizer a mim própria algo como, sentir que aprecio o facto de ser mais organizada. Em seguida sinto-me a dizer que isso é tão estúpido! Nesse caso aquilo que estás a dizer é que quando faço isso, não devo dizer que seja estúpido pensar que seja estúpido.

ELIAS: Sim, sim.

ALICIA: Estou apenas a notar ter dito ser estúpido, pelo que isso prevalece apesar de eu estar a fazer o que faço, todavia.

ELIAS: Sim, e estares a libertar. Porque isso também consiste numa libertação de energia que te permite passar eventualmente a mover-te com mais à-vontade nessa apreciação e reconhecimento sem desvalorizares automaticamente a tua própria apreciação. Inicialmente isso pode ocorrer mas eventualmente apresentarás a ti própria suficiente expressão de apreciação pela qual notarás não estares automaticamente a expressar para ti própria, “Oh, é tão estúpido” ou, “essa não é uma apreciação suficientemente boa”.

Não importa em que consista a apreciação. Pode ser o facto de apreciares os sapatos que estiveres a usar no momento. Pode ser o facto de apreciares o formato das unhas. Pode tratar-se duma expressão QUALQUER de apreciação que não importa. (De modo vigoroso) Isso vai automaticamente mudar-te a energia. Podes no próximo momento passar a opor-te, mas na altura em que estiveres a expressar essa genuína apreciação, não poderás opor-te.

ALICIA: Ainda que esteja a reduzir-me enquanto formulo essa apreciação a mim própria? Mesmo que eu tente desvalorizá-la no passo a seguir, ela ainda permanecerá ali?

ELIAS: Correcto. Já terás expressado uma energia diferente. Mesmo que no momento seguinte voltes e continues a expressar a energia com que estás familiarizada, não importa. A intenção está em a teres interrompido momentaneamente e estares a proporcionar a ti própria a experiência da sua interrupção, e isso se tornar mais habitual e se tornar mais poderoso à media que o continuares a fazer.

ALICIA: Haverá alguma razão para que, nos últimos seis meses, em todos os meus quarenta e nove anos, ter sentido uma tal intensidade de oposição a mim própria?

ELIAS: Qual é a estimativa que fazes?

ALICIA: Deve existir uma razão…

ELIAS: Que terás notado?

ALICIA: O que terei notado em que termos?

ELIAS: De ti própria.

ALICIA: Eu podia dizer-te não notar muito sobre mim própria, mas isso é uma desvalorização!

ELIAS: Que estará a mudar? Em que te avaliarás até ao presente momento de modo diferente?

ALICIA: Não estou certa de estar, mas devo estar. Mas é aí que não noto. Não estou a prestar atenção a algo.

ELIAS: Na realidade, de modo similar ao de muitos, muitos indivíduos, tu não estás a prestar atenção a muitos aspectos. Nesse sentido, existem questões e crenças subjacentes que estão a ser expressadas de um modo um tanto subtil mas também de formas evidentes. É apenas uma questão de prestares atenção e de reconheceres ao que estarão associadas.

Nesta altura do teu foco, um elemento diz respeito ao envelhecimento. Um elemento diz respeito ao envelhecimento em relação à realização – ao que terá ou não terá sido realizado. Um elemento associado ao envelhecimento diz respeito à criação do que TU queres ao invés de concordar com o que os outros indivíduos querem e a criação duma percepção de que isso seja quase impossível, não querer tomar parte em exigências mas perceber ser quase necessário, DEIXANDO DE PERCEBER A TUA LIBERDADE; passando para uma encruzilhada no teu foco e na tua experiência e mantendo-te na encruzilhada e na incerteza quanto à rota a tomar, de algum modo conhecedora do que desejarias poder fazer mas sem reconheceres o facto de efectivamente incorporares a força e o poder e a capacidade de o fazeres e realizares.

Concentra-te neste exercício primeiro, e (depois) conversaremos. Porque é significativo que te permitas fazer esse exercício a fim de interromperes esse movimento e começares a proporcionar a ti própria alguma expressão de à-vontade e alguma expressão de reconhecimento para não criares essa intensidade de agitação, a qual se torna difícil de penetrar.

ALICIA: Obrigado.

ELIAS: Não tens de quê. Mais uma pergunta e vamos parar para intervalo.
GEORGE: Eu tenho uma pergunta geral referente a isto – Sou o George, foco da essência Gregor – a pergunta é, se não praticarmos os exercícios que sugeres, e geralmente estivermos a fazer coisas se elas se tornarão mais familiares. Ao se tornarem mais familiares elas na realidade tornam-se mais poderosas.

ELIAS: Sim.

GEORGE: Então esses exercícios devem ser úteis para todos…

ELIAS: Sim.

GEORGE: …Fazerem uso a fim de desenvolverem um sentido mais poderoso de apreciação.

ELIAS: Sim. Posso-te dizer que a apreciação gera uma das MAIS PODEROSAS expressões de energia que podeis criar. Só poderá encontrar rival na intensidade do medo, através duma expressão extrema. Mas como muitos poderão estar cientes através das suas experiências, o medo pode tornar-se numa expressão de energia PODEROSA e capaz de criar expressões vigorosas e destrutivas, e pode ser expressado num tal grau de extremo que sois mesmo capazes de criar uma manifestação física dele. Podeis configurar a energia do medo num ser real. Isso é o quão ponderosa é a expressão dessa energia. Mas a apreciação é ainda mais poderosa que o medo.

GEORGE: A apreciação constitui, poder-se-ia dizer, o antídoto do medo. Assim, se escolhermos deliberadamente apreciar-nos o dia todo, pelo menos três vezes ao dia, isso deverá tornar-se muito mais poderoso na nossa experiência.

ELIAS: Sim.

GEORGE: Obrigado.

ELIAS: Não tens de quê. Nós vamos fazer um intervalo, e logo regressarei e podereis voltar a colocar as vossas perguntas.

INTERVALO

ELIAS: Continuemos!

PAUL: Bem vindo de novo.

ELIAS: Perguntas!

KAREN: Elias, chamo-me Karen. Tenho uma pergunta subordinada à altura em que experimento oposição com outra pessoa. Para o tornar mais fácil, deverei concentrar-me em mim própria e apreciar-me nessas alturas na magnificência do meu ser, ou devo focar-me no outro indivíduo e apreciar alguns aspectos dele que me permitam romper a ligação da oposição?

ELIAS: Em ambos.

KAREN: Poderás explicar, por favor?

ELIAS: Sim. Se estiveres a gerar algum elemento de conflito ou de oposição em relação ao outro indivíduo, em primeiro lugar reserva um instante – no qual faças desaparecer o indivíduo por momentos. Ele não está mais diante de ti. Quer o estejas a ver fisicamente diante de ti ou não, por um instante finge que o indivíduo não existe mais. Por isso agora é uma questão de saberes o que esteja a despoletar e a motivar a oposição ou a defesa ou o que quer que estejas a experimentar em ti própria. Ela não está mais a ser projectada pelo outro indivíduo; ele não está a causar aquilo que está a ocorrer. Algum elemento em ti estará a ser despoletado e a ser ameaçado em razão do que estará a gerar uma reacção automática de ameaça.

Se não conseguires avaliar nesse momento aquilo que estiver a motivar essa oposição em ti própria – no que consista o medo que sentes, do que estejas a defender-te, o que te está a ameaçar – não insistas e continua a tentar avaliar, mas reconhece a aprecia simplesmente: “Isto é o que eu estou a experimentar; agora movamos a atenção para algum elemento da apreciação de mim própria neste instante, a despeito do que quer que seja.

Assim que tiveres gerado alguma expressão de apreciação relativa a ti própria nesse instante, deixa que o outro indivíduo reapareça. Foca a percepção visual nele com a tua atenção, mas não completamente. Permite um sentido de equilíbrio por meio do qual continues consciente de ti própria mas incluas igualmente uma consciência do outro. A exclusão da atenção numa direcção qualquer consiste num extremo, e não traduz equilíbrio pelo que deve ser evitada.

Mas quando voltares a focar-te no outro indivíduo, gera algum elemento de apreciação em relação a ele também, a despeito do que seja. Isso altera-te instantaneamente a energia. Se a interacção ou a oposição ou o conflito atingir um grau de desconforto e te parecer um desafio extremo na reconfiguração da energia, permite-te expressar de facto essa gratidão ou apreciação em relação ao outro. Isso interrompe o conflito, devido a que tenha provocado uma alteração no assunto. Interrompe a concentração no conflito que ele está a criar, interrompe-te a concentração que estás a exercer nesse conflito, e passa a projectar uma energia muito diferente, ao que o outro indivíduo passará a responder de imediato.

KAREN: Essa apreciação ou gratidão pode assemelhar-se às formas de apreço que listaste no exercício da apreciação, mesmo algo do tipo, “Gosto da tua camisa”?

ELIAS: Pode.

KAREN: Não precisa ser uma expressão significativa.

ELIAS: Não.

PAT: Mas… Não “mas” – não quero usar o “mas” – mas os garotos fazem isso o tempo todo! Frequentemente dizemos-lhes para não mudarem de assunto, como se estivessem a tentar distrair-nos do assunto. Não é?

ELIAS: É.

PAT: Então eles empregam isso com naturalidade…

ELIAS: Sim.

PAT: …Enquanto nós procuramos impedi-los de o fazer com naturalidade.

ELIAS: Sim. Mas isso também constitui um exemplo significativo, porque os pequenos podem servir-vos de exemplo nesse tipo de acção de estar presente consigo próprio e de se permitir expressar no momento sem efectivamente gerar uma oposição genuína.

Um garoto numa altura qualquer pode revelar aversão por um acto que outro garoto crie e pode responder e expressar ao outro, “Eu não gosto de ti”, e passar a afastar-se da interacção mas rapidamente vir a restabelecer a interacção sem qualquer zanga ou oposição.

Até mesmo na expressão que o miúdo gera ao referir: “Não gosto de ti”, ele não está a opor-se ao outro colega. Apenas está a expressar a sua preferência mas isso não incorpora a energia adicional de esperar que o outro garoto mude ou se expresse doutro modo. Também não inclui nenhuma energia do tipo de abrigar ressentimento ou exercer pressão sobre o outro. É meramente uma projecção de energia naquilo que está a experimentar, em meio às preferências que abriga no momento, ou falta de preferências, e de se permitir a liberdade para o expressar com abertura passando adiante. Com isso, poderá experimentar inicialmente algum elemento de ameaça, mas também está a expressar-se na sua liberdade no momento. Por isso, não está a reter a energia, e os outros também entendem isso.

Eles não pensam; eles não utilizam análise nem avaliação nem pensamento em relação àquilo a que estão a reagir. Apenas se permitem a liberdade para reagir no momento, sem gerarem oposição.

TERRI: Será isso um exemplo de ter uma opinião e não ter de gostar dela mas ainda assim cooperar e aceitar?

ELIAS: É.

TERRI: Então como é que os adultos fazem isso? (grupo ri) Não estou a ter muita sorte com isso.

ELIAS: De modo semelhante, permitindo-vos expressar-vos com liberdade, sem vos opordes aos outros mas tampouco concordardes sequer, nem vos comprometerdes. Expressando-vos e às vossas preferências, estando presentes convosco próprios, reconhecendo a motivação que vos assiste a cada instante – isso é significativamente importante. Não é questão alguma de propordes a vós próprios permissão disfarçada de liberdade para vos expressardes de qualquer modo, porque isso dá lugar a que vos permitais tornar inoportunos,  o que não é aceitável. É uma questão de serdes responsáveis por vós próprios. Essa é a vossa maior responsabilidade.

O desafio consiste em estardes familiarizados com a assumpção da responsabilidade pessoal que sentis para cada indivíduo, para com o vosso ambiente e não em relação a vós. Vós concentrais a vossa atenção nos outros e no que deviam ou não fazer, ou em como deviam ou não comportar-se, ou no modo como quereis que eles se comportem ou não quereis que se comportem, e gerais expectativas em relação aos outros, o que traduz um reflexo das expectativas que colocais sobre vós próprios. Ter consciência da vossa própria motivação é significativo.

Podeis num momento, tal como discutimos anteriormente, deparar-vos com outro indivíduo por quem sintais uma genuína aversão. Podeis não interagir com ele, por ele se expressar contrariamente às vossas preferências e às vossas linhas de orientação. Mas também é um limite estreito, esse de não se oporem. Isso é uma reacção automática – se não gostar de vós, oponho-me a vós; passo a opor-me ao que fazeis, ao que dizeis, ao modo como vos comportais, e em mim próprio tudo o que fazeis será julgado como errado e inaceitável, por não gostar de vós.

TERRI: Então ainda podemos não gostar dele e ainda assim aceitá-lo?

ELIAS: Podeis.

TERRI: Como é que fazemos isso?

ELIAS: Reconhecendo no vosso íntimo que as vossas crenças, as vossas verdades constituem as VOSSAS directrizes. Elas não se aplicam necessariamente aos outros, e isso não quer dizer que estejam erradas. Os outros podem criar comportamentos bastante diferentes dos vossos, mas isso não quer dizer que estejais certos e eles estejam errados. Vós estais certos de acordo com as vossas directrizes por elas condizerem com as vossas preferências, só que podem não condizer com as preferências do outro. As preferências, as verdades e as crenças do outro são tão reais quanto as vossas. A sua realidade é tão real quanto a vossa. Quer o entendais objectivamente ou não, isso não tem importância.

A compreensão também NÃO constitui um pré-requisito para a cooperação nem para a aceitação. Vós expressais automaticamente para convosco próprios, “Se pudesse compreender o outro indivíduo ou as suas escolhas ou comportamentos, poderia gerar um maior à-vontade na aceitação disso.” Podeis criar experiências nas quais não compreendais as experiências do outro, nem as suas escolhas e comportamentos, por elas não se acharem nas vossas experiências. E ao não as experimentardes, a despeito de quem quer que sejais, vós não criais uma compreensão real, e sem a experiência não gerais a realidade disso.

A experiência é o que gera a realidade. Se não tiverdes criado uma experiência, isso não passará dum conceito. Não é que não possais comportar alguma compreensão em relação a determinadas expressões – porque intelectualmente podeis – mas se não tiverdes sugerido a vós próprios tal experiência ela não será real; é um conceito, o que é outra coisa (completamente diferente). Nesse sentido, apesar das vossas experiências serem bem reais para vós e tão correctas quanto possam ser, outro indivíduo pode comportar-se de modo bem diferente e a sua experiência e sentido do correcto para ele ser bem real, igualmente.

Por isso, se tiverdes consciência das vossas próprias verdades, das vossas próprias crenças, das vossas próprias directrizes, e reconhecerdes representarem as verdades que abrigais mas não serem verdadeiras; serem apenas as vossas verdades – a despeito de quantos partilhem verdades semelhantes.

Geralmente, a maioria das pessoas atraem outros semelhantes a si em associação com as suas verdades. Geralmente, não vos deparareis com um grupo de indivíduos no qual metade se batam pela paz e pela não violência e continue a interagir harmoniosamente com a outra metade que faz campanha pelo terrorismo. Haveis da atrair a vós indivíduos ou um ambiente que seja semelhante a vós nas verdades que abrigais.

Deixai que vos diga, se percebêsseis outro indivíduo a ser aquilo que designais como indelicado em associação à raça, se percebêsseis outro indivíduo a expressar-se com rudeza e o que designais como de forma odiosa em relação a outra pessoa neste tipo de cenário, posso-vos sugerir que podíeis tentar interagir e conversar com uns cinquenta ou mais indivíduos com quem poderíeis transmitir e partilhar essa experiência que eles haveriam de concordar com a vossa avaliação.

Já ao contrário, um indivíduo pode perceber-vos como fracos e não protectores do meio ambiente ou da vossa família e não perceber a ameaça que é bastante real na sua realidade. Ele pode expressar a uns cinquenta ou mais indivíduos contrariamente a vós e à posição que defendeis, e todos esses indivíduos concordariam igualmente com ele, por ser isso que atraís a vós. Isso não quer dizer que estejais certos. Apenas quer dizer que atraís a vós o que se assemelha ao vosso sentido de correcto a fim de o reforçardes – só que não é verdadeiro.

Ao reconhecerdes as vossas próprias crenças e a falta de verdade que lhes assiste, reconheceis não serem erradas, não serem más, e o facto de para vós serem eficientes só que não necessariamente aplicáveis aos outros. Não é uma questão de mudardes os outros mas de empregardes a vossa criatividade a fim de descobrirdes um meio pelo qual não vos estejais a comprometer mas através do qual também não vos diminuais nem vos oponhais ao outro. Permiti que vos diga que, se não estiverdes a opor uma energia de oposição ao outro indivíduo, quer sintais aversão ou concordeis com ele, ele não projectará sequer uma energia de oposição em relação a vós, o que neutraliza o conflito.

Além disso, estar presentes convosco próprios quer dizer reconhecer o que estais actualmente a gerar na vossa realidade objectiva e reconhecer que o que os outros estão a criar na sua realidade pode não vos afectar necessariamente. Podeis estar conscientes mas isso realmente não vos alterar a realidade de todo. Outro indivíduo pode gerar um comportamento do qual não gosteis, mas estará ele a gerá-lo em relação a vós individualmente ou estareis conscientes de que emprega esse comportamento em particular mas que na realidade isso não vos envolve?

Esse é outro elemento que faz parte da consciência de vós e do que ESTAIS a criar, que não sois o indivíduo que está a expressar esse carácter odioso que percebeis.

Podeis não gostar dessa expressão, mas admiti para vós próprios que nem sequer estais a empregá-la. Por isso, qual será a ameaça que sentis? Porque vós não estais a gerar tal acto. É uma questão de reconhecerdes aquilo que VÓS estais a fazer, e não de minimizardes aquilo que o outro indivíduo esteja a fazer.

Sim?

JIM: Poderíamos igualmente dizer que o que quer que seja aquilo porque estejamos a sentir aversão nessa pessoa corresponda provavelmente a algo porque percebemos sentir aversão em nós?

ELIAS: Por vezes; mas não completamente.

JIM: Por outras palavras, se estiver um fundamentalista cristão e um fundamentalista muçulmano, à primeira vista parecerá que eles têm as duas perspectivas diferentes de que falas mas no essencial, ambos comportam intolerância e uma mente estreita com as suposições que abrigam. Será essa estreiteza de percepção que percebemos nesse indivíduo aquilo porque realmente sentimos aversão em nós?

ELIAS: Por vezes, mas não necessariamente. Eu expressaria o contrário da avaliação que fazes desses dois grupos. Posso-te dizer que na realidade essa população ou essas culturas que incorporam essa afiliação religiosa do Islão são muito mais tolerantes e…

JIM: Estou a referir-me às crenças fundamentalistas, e não à religião em geral.

ELIAS: Também eu. A percepção que tens dos outros indivíduos e das outras culturas constitui a TUA percepção e é influenciada pelas crenças das massas da VOSSA cultura, só que pode não ser necessariamente verdade.

JIM: Na verdade traduz relacionamento pessoal.

ELIAS: Mas isso pode igualmente constituir o que terás atraído a ti a fim de reforçar as tuas crenças, coisa que todos fazeis - atraís a vós experiências e situações e interacções que vos reforçam as crenças. Esse é o significado da identificação daquilo em que consistam as vossas crenças, das influências que estais a escolher em meio a tais crença e do modo como isso vos influencia a percepção, o modo como isso influencia a oposição e a não aceitação e a não cooperação.

Referis pessoas e culturas no geral – as outras culturas também criam acções semelhantes. Esta não é a única cultura que cria esse tipo de percepção de massas. Mas isso constitui um elemento de oposição através do qual vos fincais nos vossos absolutos com tal vigor que nem sequer admitis a aceitação da diferença, e automaticamente associais ao errado e ao mau, ao prejudicial.

Nesse sentido, ao dardes lugar à aceitação e à cooperação, podeis não gostar necessariamente da outra expressão nem concordar com ela, mas também reconheceis não ser necessariamente errada nem prejudicial, a qual podeis não escolher mas que não estais a escolher. Por isso, não importa que o outro escolha um tipo de conduta particular, porque VÓS não o estais a usar, e como tal estareis a ater-vos às vossas preferências e às vossas linhas de orientação, mas sem gerardes a associação automática de que os outros devam ater-se também a tais directrizes. Esse é o movimento rumo à aceitação.

Existem muitíssimas expressões e formas de conduta que as pessoas empregam na vossa realidade, no vosso mundo, que muitos de vós haveriam automaticamente de referir ser absolutamente erradas, sem que exista alguma vez excepção quanto à ocorrência disso: tortura, mutilação duma criança. Posso referir não existir ninguém nesta sala que aceitasse esse tipo de conduta. Não quer dizer que isso seja errado. Trata-se duma experiência e duma escolha.

Sim?

RONDA: O meu nome é Ronda. Olá, Elias. Eu gostava de te perguntar em relação ao número treze. Tem-me vindo a surgir e talvez a outras pessoas também.

ELIAS: E que impressão tens ou que é que estás a notar?

RONDA: Nesta altura, nada.

ELIAS: (Ri) É um tanto significativo, por ser um número que gera a associação automática da oposição. É um cepticismo automático ou gera uma hesitação colectiva automática. Por isso, é um símbolo duma energia de oposição.

Mas como podes ter consciência, podes escolher uma influência diferente e ela incorporar um símbolo completamente diferente para vós individualmente. Pode gerar uma associação completamente diferente e não essa expressão automática de massas. Mas essa há-de ser a razão de teres apresentado isso neste presente momento. Ah ah ah!

Sim?

MARIE: Eu tinha umas perguntas, uma das quais fora de contexto. O veículo que estás a usar (refere-se à Mary); isto afectá-la-á de algum modo fisicamente? Isso enfraquecê-la-á ou fortalecê-la-á?

ELIAS: Dá-se uma afectação física, sim, em relação à qual já ofereci uma explicação anteriormente. Por se tratar dum intercâmbio de energias em razão do que, a energia que está a ser expressada por intermédio da consciência do corpo físico deste indivíduo automaticamente gerar um tanto de repulsão, de modo semelhante à identificação duma energia estranha nos transplantes orgânicos que fazeis.

A consciência do corpo tem consciência e reconhece a energia que se acha associada a ele. Conhece a consciência objectiva e subjectiva que se expressa em consonância com ela e que a terá criado. Por isso, a infusão duma energia diferente é reconhecida e não completamente aceite.

MARIE: Então a pergunta seguinte, para voltarmos ao confronto. A finalidade da vida, de nos encontrarmos nesta dimensão, segundo a crença que abrigo, diz respeito a uma situação de aprendizagem. E por vezes numa situação de aprendizagem tem que surgir um tipo qualquer de conflito e de dificuldade nesse acto de aprender. Se todos aceitassem isso e deixassem as coisas acontecer... Por vezes as coisas de que podemos não estar cientes acontecem, coisas que podem conduzir-nos a um caminho diferente. Como tomaremos a decisão de que caminho tomar com a finalidade de aprendermos e de nos desenvolvermos e a razão porque nos encontramos aqui nesta dimensão?

ELIAS: Antes de mais, a razão porque escolhestes manifestar-vos nesta realidade e nesta dimensão física é a de vivenciardes experiências em conjunção com o modelo desta realidade física.

Bom; quanto à expressão da aprendizagem, eu compreendo a associação do que estás a expressar. Por uma questão de clareza, passarei a incorporar uma terminologia diferente, porque a terminologia de “aprender” implica que sejais menos que, ou que conheçais menos e que estejais a obter conhecimento, coisa que não estais. Estais a tomar CONSCIÊNCIA da informação, a qual produz conhecimento, mas que representa um conhecimento que já possuís. Estais meramente a abrir uma consciência em relação ao que já conheceis.

Estais também a gerar uma expansão que está a gerar a experiência daquilo com que não estais familiarizados e do que permanece como um factor do desconhecido – o qual traduz a natureza da consciência, o contínuo acto de exploração e de expansão e da criação da experiência nova e desconhecida e pouco familiar, que é o que expande a consciência - que é o que sois! Por isso, também estais em expansão. Mas eu compreendo o contexto através do qual expressas esse termo do “aprender”.

Em relação às experiências negativas, na realidade não é necessário dar lugar à criação de experiências negativas a fim de vos proporcionardes informação para vos expandirdes. Mas nesta realidade física isso CONSTITUI como que um fascínio. (grupo ri) Mobiliza-vos a atenção de modo bastante eficaz. Essa é a razão por que se terá tornado num fascínio, por ser um método eficiente de moverdes a vossa atenção em diferentes direcções e de vos incitar a questionar. Podeis criar essa mesma acção sem incorporardes conflito nem desconforto ou o que designais como experiências negativas, só que isso não constitui tanto um fascínio para vós.

Deixai que vos diga também que esses tipos de experiências constituem um elemento do modelo desta realidade. Não são uma expressão natural da essência nem da consciência. São uma expressão das realidades físicas, das tomadas de consciência objectivas, as quais geram diferentes tipos de exploração – o que consiste igualmente numa das razões porque incorporais um fascínio com a complicação e a criação do que associais às experiências negativas.

O que passais a INCORPORAR como uma acção natural, a qual muitas vezes se traduz na escolha duma experiência negativa, é que criais um acto intenso idêntico ao que quer que estejais a dar atenção ou a explorar. O que quer que estejais a apresentar a vós próprios com o que estejais a expandir a consciência que tendes, qualquer que seja a sua intensidade, haveis de igualar essa intensidade pala experiência de enfatizardes para convosco próprios o seu valor e significado, quer seja confortável ou desconfortável. Existe um valor espantoso no desconforto, tanto quanto no conforto.

Sim?

PAUL: Na mesma linha da preferência e da oposição, digamos que estamos no nosso lar e um estranho qualquer chega e começa a deitar a casa abaixo. Podíamos dizer, “É minha preferência que isso não ocorra” e tentar focar-nos no facto de criticarmos o indivíduo que está a deitar a casa abaixo. Encontramos nele algo que nos agrada (grupo ri), mas entretanto ele está progressivamente a deitar-nos a casa abaixo. De que modo poderemos tratar melhor a situação?

ELIAS: Antes de mais, permite-te reconhecer teres conduzido isso à tua realidade. Tu não és uma vítima. Por isso, estás a criar essa acção.

Bom; que te estará a motivar na criação dessa acção? Porque não condiz propriamente com um preferência o facto de teres dado lugar à situação dum estranho a deitar-te a casa abaixo.

Ora bem; o desafio consiste em gerares uma interacção com o indivíduo e partilhares – não exigires, nem dares ordens, nem te opores, nem alimentares esperanças – mas partilhares informação e experiência com ele e permitires-te uma abertura para receberes aquilo que ele partilhar nesse cenário. Quando te tiveres permitido receber e te tiveres permitido partilhar a tua expressão, permite-te acalmar a fim de te abrires à comunicação que a tua imaginação proporciona e descobre a cooperação que estás a dar. Hás-de descobrir a cooperação que estás a dar.

Porque, ao te permitires partilhar e abrir-te a fim de receberes do outro, também com mais clareza haverás de avaliar aquilo que terás criado, o que terás atraído a ti, e o que terás inserido na tua realidade como um desafio. Nessa avaliação do que terás apresentado a ti mesmo – (olha para a KC) tal como as lojas do shopping, também – que inicialmente terão parecido como uma invasão, na verdade terás conduzido isso à tua realidade; por isso, criaste isso. Deste-lhe início.

O quebra-cabeças reside em descobrires aquilo que terás criado, e aquilo com que te terás desafiado. O modo através do qual mais facilmente poderás descobrir isso é permitindo-te partilhar, não opor...

PAUL: Nem comprometer-me.

ELIAS: ...Não comprometeres-te, mas também não criares expectativas, em não esperares qualquer resultado – não te concentrares no resultado, o que constitui igualmente uma reacção automática, mas em gerares uma partilha genuína no instante e uma permissão genuína do acto de receber no momento também. Isso proporciona-te informação que poderá aplicar-se igualmente às interacções e ao conflito com o outro indivíduo.

PAUL: Haverá alguma coisa da qual não tenhamos consciência, para além da previsão do futuro?

ELIAS: Justamente! (Grupo ri) Existe sempre expansão. A consciência está continuamente a expandir-se e a explorar. Portanto, não existe término para o que poderá ser descoberto. Por isso mesmo, como poderemos ter conhecimento de tudo?

Sim?

MICHAEL: Sempre que observamos as pessoas em conflito, a despeito do quão violento possa ser, ou do conceito que dele fizermos, uma coisa que sabemos é que, quem quer que seja que componha o grupo, há-de estar em concordância com o que estiver a fazer. A despeito do modo como tenha sido atraído a isso, como no caso de alguns membros terem sido obrigados, é sempre alguma coisa em que todos estarão envolvidos.

ELIAS: Pode não ser acordo, mas escolha.

MICHAEL: Disseste tratar-se duma escolha?

ELIAS: Sim.

MICHAEL: Mas não representará a escolha um acordo? Não entre si mas...

ELIAS: Não necessariamente. Os indivíduos podem necessariamente não estabelecer um acordo, mas estão a escolher em conjugação uns com os outros.

MICHAEL: Então é uma escolha dele, apesar de tudo.

ELIAS: É.

CATHY: Se alguém estiver a deitar-te a casa abaixo e chegares à conclusão de que deva ser suicida, nesse caso a razão porque terá vindo deitar a tua casa em particular abaixo terá sido pelo facto de teres sido o único com uma arma e de o poderes desfazer com ela.

ELIAS: Essa é uma possibilidade.

CATHY: Nesse caso é uma escolha que caberá a ambas as partes, estarem presentes nesse cenário. Ele está a escolher ser atingido, e tu estás a ajudá-lo a conseguir o resultado desejado.

ELIAS: É. VÓS NÃO VOS DEPARAIS COM NINGUÉM NO VOSSO PLANETA, NA VOSSA REALIDADE, QUE NÃO TENHAIS ESPECIFICAMENTE ATRAÍDO A VÓS. Isso não é obra do acaso; nem é acidental. Em qualquer altura, tereis atraído especificamente esse indivíduo para a vossa realidade, por ele ser o indivíduo perfeito para vos reflectir nesse instante.

SUSAN: Então quando atingi um esquilo com o meu carro, há umas semanas, esse esquilo terá escolhido isso assim como eu?

ELIAS: Sim.

SUSAN: Era disso que eu tinha medo! (Elias sorri)

ALICIA: Numa situação em que estamos a interagir com o patrão no trabalho e em que ele está a menosprezar-nos, teremos escolhido esse indivíduo. Mas tu estás igualmente a dizer que ele também terá escolhido menosprezar-nos?

ELIAS: Vós tereis escolhido esse indivíduo para reflectir o que estais a expressar em energia.

ALICIA: Mas que é que teremos escolhido?

ELIAS: Não importa.

GEORGE: Em qualquer dessas situações trata-se duma oportunidade de compreenderdes o que estais a manifestar a vós próprios...

ELIAS: Correcto.

GEORGE: ...Em qualquer situação. Em particular, as situações conflituais constituem maravilhosas oportunidades para vos compreenderdes.

ELIAS: Correcto, apesar de poderem não sentir isso desse modo.

GEORGE: Não, é claro que não! Não, podem não GOSTAR DISSO...

ELIAS: Exacto.

GEORGE: ...No entanto é uma oportunidade para nos compreendermos melhor a nós próprios...

ELIAS: Sim, tens razão.

GEORGE: ...Além de ser o que estás a dizer, penso eu.

ELIAS: Sim, tens razão.

Sim?

MARIE: Quando falas de modelos, será que não poderás desenvolver esse modelo de modo a poder compreende-lo um pouco melhor?

ELIAS: Cada realidade incorpora um modelo. Esta realidade emprega um modelo.

MARIE: Existirá um modelo em massa para todos nós?

ELIAS: Esse é o modelo da própria realidade. Se escolherdes manifestar-vos nesta realidade particular, tereis escolhido participar em associação ao modelo desta realidade. O modelo desta realidade comporta elementos distintos. Esta é uma realidade física; também é uma realidade que incorpora dualidade, o que é diferente da duplicidade. Nesse sentido, vós gerais uma dualidade a partir da vossa realidade, o que vos cria aquilo que percebeis como opostos e complementos. Na realidade não existem opostos; existem, sim, complementos. Vós gerais duplos a partir da vossa realidade toda, masculino e feminino, etc.

Além disso também incorporais bases duais nesta realidade particular, que são a emoção e a sexualidade. A emoção e a sexualidade não constituem actividade sexual nem sentimentos. A emoção é a comunicação sob qualquer e todas as formas. A sexualidade é a manifestação de toda a matéria física existente na vossa realidade seja em que forma for, ou que expressão for. A condição física inerente à vossa realidade é aquilo que se expressa como sexualidade, porque é classificada pelo que designais como uma expressão sexual que incorpora dois sexos – outro elemento da dualidade.

Ambos esses sexos estão associados a toda a vossa realidade, a despeito do que ela compreenda. Estão associados à energia, à electricidade, aos campos magnéticos, às diferentes expressões do vosso corpo físico e à energia do intelecto ou da intuição. Toda a vossa realidade está associada a esse elemento da sexualidade como parte da sua dualidade, sendo o outro elemento o da emoção, o qual consiste numa comunicação.

Ambos esses elementos constituem expressões objectivas. Precisais comportar uma consciência objectiva numa realidade física, porque a consciência objectiva é o que cria a percepção, e a percepção é o que cria a presente realidade física. Esse é o modelo DESTA realidade na qual todos vós participais.

MARIE: Então escolhemos este modelo. Vamos a uma mesa qualquer e escolhemos...

ELIAS: Não, vós escolheis esta realidade, a qual comporta este modelo. Podeis, como podeis não vos manifestar nesta realidade particular.

Existem um incontável número de outras realidades. Uma essência pode escolher participar noutras realidades físicas e não escolher participar nesta; não existe qualquer exigência. É uma escolha, uma escolha de explorar de um determinado modo.

MARIE: Porque haveríamos de escolher este modelo? Porque submeter-nos à luta deste modelo?

ELIAS: Para obterdes a experiência. Essa é a intenção de toda a consciência – a experiência. Isso é o que leva toda a consciência a expandir-se. É isso o que gera a realidade, a experiência.

ANNE: Mas a realidade não é real, será?

ELIAS: Oh, é BEM real!

ANNE: É, mas é extremamente... Não o consigo descrever. É de algum modo transparente, é algo muito, muito flexível. Talvez a percepção seja muito flexível...

ELIAS: Sim.

ANNE: ...O que altera a realidade toda.

ELIAS: Sim.

ANNE: Então não passará de percepção?

ELIAS: Sim, é bastante flexível, mas a realidade é bastante real, e o que quer que crieis na percepção que tendes é bem real. Pode não ser verdadeiro, mas é real.

ANNE: Mas somos nós.

ELIAS: Sim.

ANNE: Então até a interacção que estou a ter contigo ou esta fila de pessoas ou lá o que for, ainda sou eu, de algum modo?

ELIAS: Sim. Existem outras expressões actuais de energia neste compartimento a participar convosco, mas o que visualmente percebeis neste compartimento consiste numa projecção que tereis criado. Vós criastes uma projecção de cada um dos indivíduos aqui presentes neste compartimento, num acto de tradução da energia que eles projectam. Por isso existem muitíssimos indivíduos a ocupar este compartimento no presente momento! (ri)

Sim?

GINA: Elias, poderás falar sobre a agressão quando ela não significa oposição, como quando se presta como um eficiente meio de expressão?

ELIAS: Sugere um exemplo.

GINA: Eu não costumo adoptar uma personalidade agressiva. Mas aconteceu uma situação no emprego em que alguém que lá trabalhava andava a roubar as pessoas. Isso não me afectou tanto por ela ter sido (inaudível). Prolongou-se por muito tempo e muita gente tinha conhecimento daquilo. Os maiorais tinham conhecimento mas isso não os afectava, pelo que não quiseram saber.

Mas depois afectou-me, e eu acabei por lidar com o sucedido de um modo agressivo, um tanto à distância, mas sem ajuizar ninguém. (Inaudível) Foi um modo agressivo de lidar com aquilo (inaudível). Mas entretanto, durante um ano ela andou-me a armar coisas, pelo que a minha agressividade se tornou efectiva. Outro exemplo será o da existência de um elefante cor-de-rosa na sala sem que ninguém o denuncie. Eu sou a única que diz, “Há um grande elefante cor-de-rosa na sala!” E as pessoas percebem isso como um modo agressivo e de muitas formas injurioso.

ELIAS: Não é necessariamente agressivo. É uma forma de te permitires expressar-te. Muitos não se acham familiarizados com essa acção, por abrigarem fortes associações com crenças respeitantes ao que sejam comportamentos apropriados ou inapropriados, ao que seja bom ou mau, e igualmente quanto ao que seja arrogante ou não. Isso está associado ao que estivemos a debater em relação aos garotos. Mas enquanto adultos, mais vigorosamente criais associações em relação ao que seja um comportamento apropriado ou desapropriado, e um dos comportamentos impróprios é o de vos expressardes com liberdade.

GINA: Eu tenho o problema de fazer muito isso, e faço-o. Tenho os meus problemas com isso. Mas quando sinto muitas dores nas costas (inaudível). Cheguei ao ponto de ter consciência de que isso não me pertence, de que não sou dona disso. Estarei a ponto de me sentir magoada pela parte dela ela ou com o facto dela negar a própria expressão? Será possível absorvermos a energia de alguém? Isso deixa-me entristecida. (Inaudível).

ELIAS: Deixa que te diga, minha amiga, essa é uma expressão bastante comum que as pessoas empregam em relação à energia nesta altura, a de procurarem avaliar a diferença entre a sua própria energia e as energias dos outros, e a de darem corpo a essa expressão metafísica de que a energia do outro não lhes pertença e que a não possuem.

Não há qualquer propriedade envolvida. Não é uma questão disso, porque isso também sugere a capacidade de a afastardes – coisa que fazeis – mas que também não a estais a criar, de que estais a criar a vossa realidade em parceria. Outro indivíduo estará a gerar alguma expressão com a sua energia que VÓS não estais a criar e que VÓS tereis atraído a vós; pelo que deverão estar a co-criar convosco a vossa realidade e podeis de algum modo calar essa voz ao não serdes senhores dessa sua energia.

Permiti que vos diga que todos vós estais continuamente a interagir com incontáveis energias que não são vossas, mas que vós assimilais; atraí-las a vós e traduzi-as e passais a criar com elas. Criais a vossa própria realidade com elas, mas tê-las-eis atraído a vós. Se estiverdes a gerar um tipo de energia de oposição em relação aos outros numa altura subsequente a um encontro ou cenário desses que tenhais partilhado com outros indivíduos, existirá um elemento que vos estará a ser reflectido.

Já propus anteriormente a outro grupo uma analogia na qual referi os indivíduos como uma lagoa. (Sessão de grupo em Brattleboro, Vermont, 3/20/04, Sessão #1532)

Cada indivíduo constitui uma lagoa e cada indivíduo possui muitíssimos peixes na sua lagoa. Eles são todos diferentes elementos da sua energia. Por vezes a vossa intenção pode tomar uma direcção e a maioria dos vossos peixes podem nadar nessa direcção na interacção que estabelecem com outros indivíduos. Mas associado a outras expressões subjacentes em vós, um peixe irritado ou em oposição pode igualmente saltar para a corrente e não terdes necessariamente consciência disso, por não corresponder à vossa intenção. Mas o outro indivíduo receberá esse peixe e reflecte-o de volta a vós - o que traduz o prodígio da vossa realidade, porque vós sempre incorporais um reflexo daquilo que estais a projectar, de modo a poderdes ter consciência daquilo que estiverdes a projectar e o poderdes avaliar.

A vossa intenção pode não ser intencional para com o outro ao vos expressardes e gerardes algum tipo de confronto, mas podeis igualmente avaliar o modo COMO gerais essa interacção ou alguns elementos que a estejam a motivar. Podem existir alguns elementos subjacentes à vossa motivação que comportem um tanto de oposição.

GINA: (Inaudível)

ELIAS: Exacto. Mas é significativo prestar atenção à reacção que gerais nos outros, porque elas reflectem alguns elementos em vós.

Bom; tende igualmente consciência da reacção que gerais a esse reflexo porque ele serve-vos como um indicador. Se não reagirdes sentindo-vos desconfortáveis, podeis reflectir de um modo meramente para reconhecerdes objectivamente em vós próprios que estais a gerar um reconhecimento pessoal.

Podeis apresentar algum elemento a vós próprios que inicialmente poderá, por fora, parecer ser um reflexo de oposição ou de desvalorização ou de desaprovação, mas aquilo que na realidade estiverdes a apresentar a vós próprios depende da reacção que derdes a esse reflexo. Podeis estar meramente a apresentar a vós próprios uma evidência de estardes a expressar-vos, e não reagirdes em defesa. Reconheceis-vos, e isso constitui uma validação. Ou podeis experimentar como criais reacções automáticas ou se as estareis a expressar.

Por isso, o reflexo nem sempre é um através do qual estejais a reflectir alguma expressão que estejais a gerar. ISSO há-de vos ser identificado pelo modo como reagis a esse reflexo, e o que ele gera em vós.

Sim?

PAT: Para dar continuidade ao que a Gina estava a dizer – eu sou a Pat, a propósito – digamos que tenho uma interacção com o meu marido. Ele diz-me algo ou faz-me algo e subitamente posso não entrar em conflito com ele por causa disso, posso não lhe responder  com modos agressivos nem pronunciar palavras de desagrado mas começar a chorar em vez disso. Tomo consciência em mim, volto isso para mim e questiono que está a acontecer no meu íntimo. Que estará a ser tocado em mim? Que estará a ser reflectido? Que estarei a mostrar a mim própria acerca do que sou? Porque eu sinto essa tristeza. Tu estavas a dizer que nós não a possuímos. Para mim, reconheço ser eu própria. Estou a comunicar a mim própria alguma coisa sobre mim. Muitíssimas vezes trata-se do reconhecimento de estar a abrigar duplicidade.

ELIAS: A duplicidade é uma crença ou suposição. Vós não estais a eliminar a duplicidade.

PAT: Certo, exactamente. Mas quando sinto tristeza por causa disso, isso representa a luta numa tentativa de a eliminar.

ELIAS: Correcto.

PAT: Boa! Hurra! Entendi! (Elias ri) Mas nem sempre o entendo, porque no momento seguinte deixo de captar a coisa, não é?

ELIAS: Mas isso é a contínua exploração. Vós não estais numa corrida. Não existe linha alguma de chegada! Trata-se duma contínua exploração, e a aceitação é expressada no momento.

Sim?

ALICIA: Eu tenho uma pergunta mas não sei se terá algo a ver com a oposição; penso poder ter. Frequentes vezes falas sobre prestarmos atenção e referes que essas experiências que atraímos a nós constituem uma oportunidade de notarmos e de compreendermos o que estamos a criar. Existem muitas alturas em que o repito a mim própria, e me sento e digo para comigo, “pois é”, mas sinto-me verdadeiramente bloqueada e não consigo entender as respostas. Será isso um sinal de me estar a opor a mim própria?

ELIAS: Em parte, mas também te estás a confundir a ti própria, e não estás a escutar com autenticidade. O que estás a fazer é tentar analisar. Estás a tentar avaliar mas não estás de facto a escutar. Por isso, não estás na realidade a proporcionar a ti própria nenhuma informação.

ALICIA: Que coisa poderei fazer para deixar de fazer isso?

ELIAS: Presta atenção aos teus comunicados emocionais. Os comunicados emocionais sempre se fazem acompanhar dum sinal. Isso é o sentimento, aquilo que sentes; esse é o sinal. Identifica aquilo que ele traduz, o que estás a sentir – define-o.

Assim que tiveres identificado o sinal, permite-te voltar a atenção para ti e avaliar. Em que consistirá o comunicado? Que estarás a fazer que esteja a gerar esse sinal? Que estarás a expressar em ti que te esteja a comunicar a identificação do que estás realmente a fazer? Que crença estará a influenciar-te no que estás a fazer no momento?

ALICIA: O que acontece muitas vezes em que faço isso é eu ser capaz de dizer aquilo que traduz a minha emoção, e em seguida perceber que o que estou a fazer é um pensamento. Não pareço estar de facto a fazer algo. Por exemplo, se sentir medo, sou capaz de identificar esse medo. Aí digo, “Tudo bem, o que estou a fazer é a abrigar pensamentos de dúvida sobre isto e mais aquilo. Mas será isso…?


ELIAS: Isso é igualmente fazer. Estás a traduzir por intermédio do pensamento o que estás a fazer.

O pensamento consiste num mecanismo de tradução. Ele traduz-vos a informação que lhe é apresentada. Por isso, não é sempre exacto nem completo, mas traduz algo do que estais a fazer. Depende da vossa atenção e de estardes ou não a prestar atenção ao que estais a comunicar a vós próprios. Se estiverdes, o vosso processo do pensamento deverá traduzir exactamente aquilo que estais a fazer. Não é necessário incorporar pensamento algum a fim de traduzirdes o que estiverdes a fazer, mas muitos indivíduos empregam-no como o seu mecanismo primário de tradução.

Com isto, lembrai-vos apenas de que podeis estar parcialmente a traduzir e a faze-lo de um modo impreciso, e nessas situações a apresentação dessa transmissão emocional deverá reaparecer. Ela continuará a ocorrer até ao ponto de avaliares de facto aquilo em que consiste a mensagem. Deverá continuar a ocorrer e pode ocorrer numa maior intensidade a ponto de eventualmente reconhecerdes o que estais a comunicar a vós próprios.

Sim?

SCOTT: Será correcto dizer que quando estamos a lidar com a aceitação pessoal, como estamos a criar a nossa própria realidade, seja importante aceitar todos os eventos que ocorrem na nossa vida por a estarmos a criar ou a atraí-lo a nós com uma intenção?

ELIAS: Sim, em última análise; Apesar de inicialmente isso poder constituir como que um desafio. Por isso, inicialmente, e até terdes mais experiência com a aceitação efectiva, é útil reconhecer as vossas experiências. Podeis não estar ainda necessariamente no rumo da aceitação. Mas lembrai-vos, a aceitação não comporta necessariamente o gostar, mas sim o aceitar.

Nesse sentido, estais inicialmente a praticar a tomada de consciência das vossas experiências e o que estais a expressar, quer gosteis disso ou não; e não a forçar, nem a procurar eliminar, nem a tentar livrar-vos ou separar-vos do que estais a experimentar, mas meramente a reconhecer-vos – tampouco a diminuir-vos nem a expressardes para convosco próprios, “Porque terei empregado AQUILO? AQUILO foi estúpido! AQUILO foi horrível! AQUILO era desnecessário.” Isso equivale simplesmente a diminuir-vos e a reforçardes aquilo que não quereis.

Ao passo que, se reconhecerdes as vossas experiências e as acções que tomais, não estareis a depreciar-vos e haveis de gerar uma energia diferente, que vos moverá na direcção da aceitação. É uma prática eficiente a de passardes para a aceitação

MARIE: Então, em vez de dizermos “Porque terei feito isso a mim própria?”, dizemos, “Eu estou a fazer isto a mim própria” e deixamos a coisa nesse ponto?

ELIAS: E talvez escolhais de modo diferente noutra experiência semelhante. Mas se estiverdes a opor-vos ao que tiverdes criado e tentardes eliminá-lo, haveis de o perpetuar, e em razão disso passa a apresentar-se um forte potencial e uma probabilidade de o voltardes a criar.

SCOTT: Então trata-se duma comunicação para nós próprios?

ELIAS: É, por estardes a reforçá-lo em vós próprios. VÓS CRIAIS AQUILO EM QUE VOS CONCENTRAIS, MAS A CONCENTRAÇÃO NÃO SIGNIFICA PENSAMENTO. Se estiverdes a concentrar a vossa energia naquilo de que não gostais, será isso o que criareis. Se vos concentrardes na carência, haveis de a criar. Se vos concentrardes no conflito, haveis de o criar. Vós CRIAIS aquilo em que vos concentrais.

PAT: Então se nos concentrar-mos na carência, isso deverá representar o que passaremos a criar. A abundância já está presente.

ELIAS: Sim!

PAT: Ela existe mas não a conseguimos ver…

ELIAS: Sim!

PAT: …Porque a única coisa que nos estaremos a permitir ver é a carência.

ELIAS: Sim!

VICTORIA: Mudamos a perspectiva que temos.

ELIAS: Sim!

PAT: Precisamos duma mudança da percepção.

VICTORIA: E de focar-nos na abundância já existente. Elias, eu tenho uma pergunta.

ELIAS: Sim?

VICTORIA: É uma coisa relacionada mas um pouco diferente. Mas é uma pergunta incómoda de colocar. Existirá alguma tribo neste planeta que tenha avançado mais na Mudança e que esteja a viver mais a Mudança, que se ache mais activa nessa consciência que todos estamos a tentar alcançar? Entendes a minha pergunta?

ELIAS: Estou a entender a tua pergunta. Já dei uma resposta a essa pergunta anteriormente mas vou reiterá-la neste instante – existe.

(Elias mencionou essa tribo pela primeira vez na sessão 176, a 25 de Maio de 1997 e de novo na sessão 185, a 21 de Junho de 1997 e uma vez mais na sessão 336, de 27 de Outubro de 1998)



VICTORIA: Onde é que essa gente vive? Em que região do planeta?

ELIAS: É na área continental da América do Sul, numa área que designareis como muito remota.

GEORGE: Uma área montanhosa?

ELIAS: Sim.

GEORGE: Venezuela?

ELIAS: Não.

GEORGE: Colômbia?

ELIAS: Não vale adivinhar! (grupo ri)

GEORGE: Eu estava a tentar adivinhar, mas recordo-me de ter visto um documentário, penso que tenha sido elaborado pela BBC.

ELIAS: Vós não reconhecereis esses indivíduos, por serem bastante exclusivos. Mas acham-se presentes.

VICTORIA: Quando referes exclusivos, queres dizer isolados?

ELIAS: Não isolados, por estarem a criar uma menor separação.

VICTORIA: Isolados no que toca ao viver numa região remota onde nem sequer temos acesso a eles.

ELIAS: Sim, um tanto, mas por opção.

VICTORIA: É como um pequeno jogo de mistério que estejamos a jogar. Tu não nos vais dizer!

ELIAS: Mas isso deve-se a uma expressão de não me querer intrometer.

GEORGE: Para dar continuidade à pergunta, existirão alguns agrupamentos indígenas na Austrália que tenham alcançado uma posição semelhante?

ELIAS: É uma questão de abertura em determinados graus. Posso-te dizer que alguns grupos de indivíduos expressam essa abertura por modos diferentes em associação com a escolha das diferentes culturas ou grupos ou expressão.

Esse grupo particular experimenta uma consciência da Mudança de Consciência, e já mudaram. Mas existem outros agrupamentos de indivíduos que incorporam uma consciência alargada, pelo que se permitem uma maior expressão das suas capacidades naturais. Geram um menor número de impedimentos ou de obstáculos naquilo que criam. Podeis encará-los como mais primitivos, mas eles geram toda uma permissão em relação às suas capacidades naturais para criarem a sua realidade pelo que valorizam como sucesso.

Mas lembrai-vos também, cada um de vós escolhe diferentes culturas de acordo com aquilo que pretendeis experimentar e com aquilo com que vibrais e com aquilo em que deve traduzir-se a vossa exploração neste foco. Por isso, a expansão da vossa consciência e a mudança que sofrerdes pode não ser necessariamente contabilizada como inferior; pode focar-se meramente em direcções diferentes e enquadrar-se num diferente cumprimento de sentido de valor.

ANNE: Então cada cultura possui o seu próprio cumprimento de sentido de valor ou conjunto de valores que expressa?

ELIAS: Sim, enquanto colectividade.

ANNE: Será por isso que pressentimos uma energia diferente quando nos deslocamos a um país diferente?

ELIAS: É.

ANNE: Na Inglaterra, de momento, deparámo-nos com esta coisa que está a ter lugar do aguentar sem se queixar, (retenção das emoções) por uma questão de orgulho, mas isso sempre esteve presente, de certo modo. Eles terão sido efectivamente afectados emocionalmente pelo evento que ocorreu na semana passada?

(Anne refere-se aos ataques bombistas que ocorreram em Londres a 7 de Julho de 2005)

ELIAS: Sim, mas a percepção que têm em relação ao que criam na sua realidade e ao que valorizam também está a ser expressada, essa energia de resistência e de capacidade de recuperação. Aplicando esse tipo de expressão ao seu modo de oferecer auxílio, e dando lugar a essa energia de suporte entre si sem focarem a atenção no que percebem como tragédia.

Sim?

MICHAEL: Voltando ao povo avançado, eles viverão todos em separado ou alguns viverão entre nós?

ELIAS: Dessa tribo?

MICHAEL: Não dessa tribo particular mas indivíduos desse mesmo ou dum nível de consciência razoavelmente parecido. Viverão alguns deles entre nós ou viverão todos em tribos, não nessa tribo particular, mas nesse tipo de avanço?

ELIAS: Existem certos indivíduos que admitem uma maior incorporação de consciência das próprias capacidades, e sim, eles estão a surgir entre vós todos, por todo o vosso mundo. Geralmente não se apresentam por formas que lhes tragam notoriedade, por se estarem a focar neles próprios e nas suas capacidades e na exploração e vivência dessas suas capacidades.

Mas vós estais todos, tal como já referi, a criar de forma semelhante. Vós estais TODOS a mudar. Estais todos a tornar-vos mais conscientes das vossas capacidades e a ampliar a vossa consciência em relação à familiaridade que tendes convosco próprios. Simplesmente estais a gerar isso ao vosso modo individual, o que satisfaz o vosso sentido individual de valor. Vós estais a mudar do mesmo modo que qualquer outro, meu querido amigo.

...

ELIAS: Expresso-vos um grande afecto e uma ENORME apreciação a todos! Estendo-vos uma tremenda energia de cooperação e de suporte a encorajar-vos a cada um, e de reconhecimento por todos os vossos movimentos. A despeito de o estardes a reconhecer ou não, ou do facto de estardes a diminuir-vos, o meu reconhecimento é-vos estendido a cada um por movimento bem conseguido! Fico a antecipar o nosso próximo encontro. Com enorme ternura para com cada um dos meus queridos amigos, au revoir.

GRUPO: Au revoir.



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