quinta-feira, 4 de agosto de 2011

ERROS PASSADOS



SESSÃO #1539
“Erros Passados”
Quinta-feira, 8 de Abril de 2004 (Privada/Telefone)
Participantes: Mary (Michael), Dale (Jene) e Anónimo
Tradução: Amadeu Duarte

ELIAS: Bom dia.

DALE e ANÓNIMO: Bom dia.

ELIAS: Que vamos debater?

ANÓNIMO: Tenho uma pergunta da parte de (nome omitido). Ele está bastante preocupado com algo e está à procura de algumas respostas ou duma confirmação, mas não quer entrar em detalhes quanto ao que o está a incomodar. Ele diz que procurou entrar em contacto contigo, subjectivamente, mas sem qualquer consciência objectiva de resultados. Então, a pergunta dele é saber se aquilo que ele teme é verdadeiro ou se não passará dum exercício que esteja a ter lugar no seu íntimo e lhe esteja a causar um pavor sem fundamento? (Pausa)

ELIAS: Não concordaria com a última (parte da) explicação, mas dir-lhe-ia que o (objecto) do temor só passará a ser válido se ele escolher actualizá-lo. Posso dizer ser escolha dele a forma como projecta a energia para criar a manifestação do temor ou altera isso e passa a criar um cenário diferente.

DALE: “O medo só se tornará válido se ele o escolher actualizar. É escolha da projecção que faz.” Será isso correcto, Elias?

ELIAS: É.

ANÓNIMO: Obrigado. Queres avançar, Dale?

DALE: Com certeza. Bom, especialmente após ter tido conhecimento das conquistas da Mary, realmente parece que a minha vida está uma lástima e eu não consigo vislumbrar qualquer mudança. Tenho consciência de ter confiança em mim mesmo, mas aquilo em que confio ser capaz de criar não condiz com o que desejo. Sinto-me incapaz de criar aquilo que quero e não sinto uma verdadeira motivação para o descobrir.

Uma coisa que não desejo é voltar a preocupar-me mais com a sobrevivência básica. Penso ter identificado algumas das crenças generalizadas e até mesmo algumas das crenças específicas – crenças generalizadas tais como a da co-criação e a da causa e do efeito e as crenças específicas como a de ter que corrigir os meus erros passados antes de ser capaz de escolher aquilo que quero, e dever aceitar castigo por esses chamados erros, dever manter a minha escolha, seja ela qual for que eu esteja a escolher, e a de ser uma vítima da minha essência.

Tudo isso me dá uma sensação de fatalidade eminente e de desespero que sinto igualmente ser incapaz de alterar. Detesto sentir-me assim e muitas vezes desejaria não existir. Por isso tenho estado ultimamente a criar imenso trauma e sinto-me farta disso, mas não sei como sair dessa situação.

ELIAS: Ora bem; terás gerado uma consciência, uma consciência autêntica - com essa identificação que fizeste em torno das crenças específicas que te estão a influenciar as escolhas - de que, apesar de não passarem das crenças que exprimes, não são verdadeiras?

DALE: Por vezes. Mas não posso dizer que... Não, não. Por vezes tenho consciência disso, mas a maior parte do tempo, e em especial recentemente, não. Sinto não poder escolher para além destas crenças, e que elas são verdadeiras.

ELIAS: Muito bem.

DALE: Intelectualmente sei que não são, mas não, não a maior parte das vezes. Não.

ELIAS: Estou a compreender. Vamos examinar uma, relativa ao reparo do que encaras como erros passados.

Bom; que avalias que deverás realizar com essa acção? (do reparo)

DALE: Penso que alguma forma de expiação ou algo que me possibilite ir em frente. Quase tenho a sensação de ter cavado um buraco e não conseguir sair dele até que primeiro tenha alcançado um nível sólido.

ELIAS: O que se acha fortemente associado às vossas crenças religiosas.

Deixa que te diga, antes de mais, que sejam qual forem as experiências que tiveres gerado no passado, tu tê-las-ás criado com um propósito. Elas podem não ser necessariamente aquilo que designarás como confortáveis, mas aquilo que actualmente estás a gerar também não o é.

Nesse sentido, poderás gerar escolhas e experiências em relação às quais poderás associar um forte sentido crítico em relação a ti própria, por teres escolhido certas experiências, especialmente se essas experiências envolverem outros indivíduos, e tu condenar-te-ás pelo inaceitável modo como terás actuado com as pessoas.

Lembra-te de que qualquer experiência que tiveres gerado em associação com qualquer pessoa, ELA TAMBÉM A TERÁ CRIADO. Não quer isso dizer que estejas a ser seu co-autor mas que a vossa realidade é de tal modo específica e precisa que efectivamente não existem acidentes, porque qualquer experiência que estiveres a gerar e em que estejas a participar junto com outra pessoa, ela também te terá atraído e à tua energia para a sua realidade de forma a interagir de modo específico com um cenário em particular.

Bom; existem variáveis em todas essas experiências porque, apesar do outro indivíduo te atrair para ele de forma específica para criares uma determinada interacção, ele também poderá ou não reconfigurar a tua energia, dependendo da razão porque te tiver atraído à sua experiência.

Ora bem; se não tiver reconfigurado a tua energia, poderá estar a atrair isso a si de modo a que lhe proporcione uma experiência que lhe possibilite informação respeitante a si mesmo. Poderá estar a fazer a experiência, não em pensamento mas por vias de facto, da reconfiguração da tua energia. Por isso a experiência que faz pode não ser a mesma que a que tu fazes.

Deixa, igualmente que te diga, que as pessoas na vossa realidade por vezes podem gerar experiências ao se relacionarem entre si que poderão posteriormente encarar como perniciosas e capazes de vir a provocar arrependimento ou sensação de culpa.

Agora; “no momento” é tudo o que é necessário a fim de avaliar. No momento, estaria o indivíduo a pretender tornar-se prejudicial, ou a gerar uma expressão que podia ser convertida num modo que causasse mágoa mas sem incorporar a intenção de gerar tal acção ou resultado? Além disso, ao avaliares as experiências passadas, mesmo que identifiques uma experiência ou experiências em particular em que tenhas tido a intenção de magoar, se continuares a comportar condenação e a expressar culpa apenas reforçarás a intenção original.

Por isso, o teu poder situa-se no momento (agora). Não se trata duma situação de confronto com uma experiência passada, por assim dizer, mas de te confrontares a ti própria com a tua própria energia, agora, e de reconheceres que aquilo que gerares agora altera o passado e o futuro.

Por isso, contrariamente às crenças religiosas expressais que vos geram essa associação de precisardes dalguma expiação para acções ou expressões que cometestes no passado, ou que deveis apresentar as vossas desculpas ou procurar o perdão da parte dos outros, e que, em consequência, vos deveis permitir perdoar-vos a vós próprios, posso-te dizer que conquanto isso traduza crenças efectivas, elas não correspondem à verdade. Apesar de poderem constituir verdades pessoais, elas não correspondem à verdade. Em termos gerais, a adopção duma acção desse tipo traduz-se em desapontamento, por não produzir o resultado que o indivíduo espera, nem vos ilibar, por assim dizer.

Aquilo que vos gera a liberdade pretendida há-de ser o reconhecimento de que, o que quer que tenha sido expresso no passado acha-se em contínua mudança. Não se trata de nada que seja concreto, nem que se ache talhado na rocha, por assim dizer. O passado está em constante mudança, a despeito do quão sólido imagineis que pareça, e está continuamente a ser alterado pelo presente e pelas diferenças que gerais através da percepção.

Agora; em relação às experiências do passado em relação às quais possas estar a castrar-te e a encarar como requerendo alguma expressão de expiação, assim que reconheceres que o passado é alterado pelo presente e que o presente, o momento, e a energia que agora expressas é aquilo que o alterará, também poderás começar a reconhecer que quanto mais continuares a adoptar esse tipo de condenação em relação a ti própria e a essa culpa e depreciação pessoal, mais preservarás essas experiências passadas e mais continuarás a reforçá-las, porque exteriormente, continuas a expressar uma energia similar.

Mas ao te permitires avançar, e prestares atenção ao tipo de energia que estiveres a expressar agora, e, nos vosso termos, ao abrires mão das tuas experiências passadas e proporcionares a ti própria liberdade para expressares a energia do tipo que actualmente desejas, sem te colocares obstáculos nem pré-requisitos, começas automaticamente a alterar o passado. E aquilo que geras em termos de energia cria uma projecção, uma persona bastante diferente de ti própria agora.

A título dum exemplo hipotético, digamos que tenhas criado um relacionamento com outra pessoa no passado em relação a quem tenhas expressado enorme conflito e até mesmo em relação a quem possas ter sido deliberadamente ofensiva, verbal ou fisicamente, e tenhas expressado uma fúria tal que te tenhas expressado uma ofensa intensa, naquilo que designarias como sendo má.

Agora; subsequentemente, passa um certo tempo e tu encaras o cenário com outros olhos. Já não sentes essa fúria, mas estás a prestar atenção a ti própria e a avaliar os teus actos, e agora começas a condenar e a culpar e a expressar para contigo: “Não devia ter feito aquilo. Não me devia ter expressado daquele modo. Agora ele não gosta de mim ou recusa relacionar-se comigo, por eu ter usado desses modos ofensivos. Agora sinto-me responsável.”

Ora bem; Tu és responsável pela tua energia, mas não tens responsabilidade pela forma como o outro a configura. És responsável pela projecção da tua energia, mas nessa responsabilidade, o que se torna significativo é que subsequentemente ao relacionamento adoptes um reconhecimento de ti própria e reconheças que as tuas próprias expressões ou conduta seja insatisfatória na estimativa que fazes; que a responsabilidade que tens em relação a ti própria consiste em adoptares a expressão do “pequeno rebento” (analogia empregue a título de exemplo). Não necessariamente relacionares-te com ele a fim de expiares os teus actos ou comportamentos, mas em alterares a energia que agora expressas, porque o mesmo indivíduo desse cenário hipotético, mesmo sem qualquer desculpa ou confrontação ou relacionamento subsequente reconhecerá a diferença em termos de energia. ESSA é a responsabilidade que te cabe a TI e não a ele.

Essa é a razão porque qualquer movimento no sentido dessas expressões oriundas das crenças religiosas conduz ao desapontamento, por não gerarem o resultado desejado ou esperado. Porque efectivamente não se trata de necessitares de expiar junto do outro mas de ti própria. Mas isso não significa que devas usar de alguma forma de castigo em relação a ti própria. E tu já estás a recorrer a isso. A condenação e a culpa já te estão a gerar o castigo em relação a ti própria, mas estará isso a gerar aquilo que desejas? Não. Estarás a conceder a ti própria a tua liberdade com essa forma de punição? Não estás. Estarás a permitir-te avançar ou ir além dessas expressões e tomar consciência da tua liberdade e a aceitar-te? Não estás. Estarás a conceder a ti própria liberdade para te apreciares? Não. Por isso, que estarás tu a conseguir? Porque tu ESTÁS a agir. O que estás é a conseguir reforçar a energia previamente expressa, e a deixar-te prender na sua armadilha.

O cenário que descreveste de te encontrares nesse buraco é bastante apropriado, devo concordar. Porque quanto mais uso fizeres dessa condenação de ti própria e dessa culpa e da associação de teres que sofrer castigo, mais fundo o cavas (buraco). Passas a mover-te na direcção oposta à que desejas.

DALE: Bom, tudo isso me parece bem na teoria, mas a prática é um pouco mais exigente.

ELIAS: Estou ciente disso, e é por isso que se torna tão importante que expresses brandura para contigo própria, minha amiga. Reconhece a forma como te expressarias para com esse indivíduo, porque estou consciente de que tu adoptas uma expressão natural a qual te traduz que a reacção correcta em relação a esse indivíduo, capaz de gerar um tipo de energia similar da parte dele, há-de ser uma expressão de conforto, de candura e de apoio – mas tu não estendes isso a ti própria. E como poderás ser tão diferente dos outros, para além da singularidade que te caracteriza?

DALE: Bom, é essa coisa obscura e medonha que eu cometi.

ELIAS: Ah, e mais ninguém arquitectou cenários desse tipo!

DALE: É verdade, mas de facto, como não penso ter-me comparado com mais ninguém...

ELIAS: Não, a questão não reside aí. Se mais ninguém te terá abordado e no relacionamento contigo não terá exposto o seu “lado obscuro”...

DALE: Eu estaria mais disposta a aceitar isso.

ELIAS: Pois.

DALE: Eu sei. Isso entendo eu - que eu podia pelo menos tratar-me do modo que trato os outros.

ELIAS: Pois. Lembra-te da candura.

DALE: Eu sei. E eu não sou vítima da minha essência, apesar de ser aí que se estabelece a minha confusão, porque aquilo em que confio é o que criei no passado. Tu dizes que as coisas desagradáveis que eu criei me foram benéficas e eu não duvido disso. Mas pensar que eu venha a continuar a criar coisas desagradáveis pelo benefício que colha, dá dó.

ELIAS: Mas tu já criaste esse tipo de experiências e não te encontras fadada a criar aquilo que criaste no passado. Isso há-de proceder da tua escolha. O modo como poderás deixar de te tornar numa vítima de ti própria ou de gerar essa associação de seres uma vítima da tua essência, por ela te estar a orientar em vez de seres tu própria a orientares-te – o que, uma vez mais, não corresponde à verdade, porque tu és a essência – mas continuando, o modo como poderás alterar a energia que expressas e em conformidade poderes escolher diferentes experiências consiste na atenção pelo tipo de energia que expressas neste momento e em te permitires prosseguir com a adopção dessa energia ou de a alterares intencionalmente e gerares escolhas que se achem mais associadas com as tuas preferências.

Posso também propor-te uma sugestão, em associação ao modo como deste início a este questionário. Talvez possas incorporar algum tipo de interacção com o Michael (Mary) e isso tornar-se de algum modo benéfico por uma partilha de experiências e pode gerar uma compreensão objectiva com relação à reconfiguração da energia e à criação deliberada de escolhas.

DALE: Muito bem.

(A sessão prossegue; mas certas porções foram, todavia, omitidas, a pedido da própria.)

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