quinta-feira, 4 de agosto de 2011

DEFESA - ATRACÇÃO ENTRE IGUAIS


SESSÃO #1497
“Defesa”
“A Atracção Entre Semelhantes Pode Tornar-se Numa Armadilha”
Domingo, 18 de Janeiro de 2004 (Privada)
Tradução: Amadeu Duarte


Participantes: Mary (Michael) e Keith (Allistar)

(O tempo de chegada é de 25 segundos.)

ELIAS: Bom dia.

KEITH: Bom dia.

ELIAS: (Dá uma risada) E que é que vamos discutir nesta manhã?

KEITH: Eu gostaria de saber se poderias dizer-me quantos focos tenho - a minha essência tem?

ELIAS: Nesta dimensão física?

KEITH: Bem, algo a que eu possa ter acesso.

ELIAS: Nesta dimensão física, posso-te fornecer um número. Mas para que se esclareça, como estamos a tomar parte nesta discussão particular, dir-te-ei que esse número varia; não é absoluto. Mas posso-te dizer que no presente, e nesta dimensão física, incluindo focos passados e futuros, incorporas 627 focos em manifestação física. No presente quadro temporal incorporas cinco.

KEITH: Agora isso deixou-me confuso. Eu posso compreender que ele possa variar, mas primeiro mencionaste seiscentos e qualquer coisa. A que te estavas a referir, para além do presente? Oh, referias-te ao passado e ao futuro – já entendo o que estavas a dizer. Como no presente, no ano de 2004, existem outros quatro – ou cinco?

ELIAS: Sim, outros quatro.

KEITH: Está certo. Já entendi. Mas quando mencionamos outros focos, e dizemos: “Eu tenho um foco na pele da Rainha do Sabá”, e em seguida tu confirmas isso como certo, quererás por vezes dizer que na altura em que o perguntamos o tenhamos realmente criado, ou que na altura em que pensamos nele o teremos criado? Ou tratar-se-á realmente duma recordação de algo que tenha permanecido aí digamos, por tempo indeterminado? Não sei de que modo o perguntar por não compreender a acção do tempo.

ELIAS: Eu estou a entender o que estás a referir. Depende do indivíduo e da acção que ele estiver a empregar no momento. O indivíduo pode estar a aceder a um outro foco que constitua e tenha permanecido como um foco da sua essência. O indivíduo pode estar a aceder ao que designais por acção de observação da essência, que na realidade não difere muito do acto de dirigir o foco da essência. Assim como também poderá estar a fazer uso dum outro foco, acrescentando-o ou subtraindo-o, segundo os termos que empregais, aos focos que tem.

Agora; numa acção dessas, uma essência pode assumir a posição da observação de qualquer foco que se localize em qualquer faixa de tempo e em qualquer altura, o que aumenta o número de focos e representa a impressão válida do indivíduo incorporar essa manifestação como um foco dele, porque o que ocorre é uma fusão das essências. Por isso, numa fusão dessas, cada essência escolhe qual a manifestação física que deseja passar a observar e a experiência que deseja passar a usar em proveito próprio, enquanto essência que se encontra na exploração física dessa manifestação particular.

O essencial em todas essas acções é o próprio foco, porque o foco dirige-se a ele próprio. Emprega o seu próprio livre arbítrio e as suas próprias escolhas. Nenhuma essência, quer esteja a dirigir ou a observar, controla ou dirige as escolhas ou a direcção do foco.

KEITH: Nesse caso, o foco podia dar o salto para uma outra essência se o desejasse?

ELIAS: Podia.

KEITH: O Don quer saber se o Steve Richmond, o amigo do Bukowski é um foco do Alistar.

ELIAS: É.

KEITH: Não acredito. Sou céptico. Não sei porque razão sou tão céptico em relação a tanta coisa, quando no âmago acredito em tudo isto. Tem algo a ver com o desejo do meu foco de se isolar de qualquer recordação para poder explorar as coisas isoladamente ou assim.

ELIAS: Talvez.

KEITH: Tenho uma pergunta sobre o facto de achar ser anti-social – só para rotular a coisa, o julgamento que atribuo a mim próprio – e do facto de sempre esperar alguma coisa de um relacionamento. Parece que desejo que uma mulher seja atraente e que espero que aqueles com quem privo sejam generosos ou inteligentes. Tenho sempre receio que as pessoas me condenem e eu critico tudo e mais alguma coisa nos outros. Penso que grande parte disso seja uma atitude defensiva, só que não tenho a certeza. Talvez os julgue antes de eles me julgarem a mim.

A pergunta que te coloco equivale mais ou menos a pedir um treino da tua parte, se é que sabes o que quero dizer com isso. É como se eu estivesse a andar às voltas aqui pela América. Já te contei que quando vou à Indonésia me sinto muito mais livre, mas quando estou aqui sinto-me completamente confinado por todo esse juízo crítico que sinto e pela forma como configuro a energia das pessoas.

Na noite passada estive presente na reunião do Elias num dos quartos de hotel, e a forma como participei foi escutando toda a gente como se eles me odiassem ou isso. Isso ou o facto de eles me estarem a aborrecer. Saí com uma sensação de verdadeira solidão e irritação e rejeição, e com vontade de provar que eles estavam errados por não revelarem apreço por mim.

É bastante óbvio que sou eu quem está a criar isso, todavia, por que razão continuo a fazer isso? Porque me é tão difícil ser generoso e carinhoso com as pessoas e aceitá-las da forma que são, sem esperar que as beldades femininas venham ao meu encontro? Não consigo sentir-me satisfeito por comparecer num compartimento com mulheres bonitas que não me prestam qualquer atenção. Mas quando tento falar com elas, configuro a energia delas em termos de irritação ou aborrecimento por as estar a cortejar, como se estivesse a tentar levá-las para a cama ou isso. Desse modo, uma vez mais, isso é o que está na ordem do dia; mas isso terá alguma coisa de errado?

Portanto, quando se trata de viver na América, não passo dum cachorrinho confuso. (Elias dá uma risada) Já faço isso há quarenta e seis anos, pelo que gostava de obter algum treino. Por isso vou-me calar, agora.

ELIAS: Muito bem. (Dá uma risada) Estás a aceitar algumas crenças vigorosas! Uma crença profundamente enraizada que integras é da avaliação que fazes de ti próprio em comparação com os outros, em cuja comparação, a estimativa que fazes é a de que consistes num tipo particular de indivíduo. Apresentas uma persona de ti próprio e esperas que os outros façam o mesmo.

Nessa medida, aquilo que integras como uma crença que alcança uma expressão vigorosa é o facto dos outros serem menos do que tu em muitos e diversos aspectos: por serem menos inteligentes, menos esclarecidos, por terem menos consciência, por darem menos atenção, por observarem menos, e por tu apresentares uma maior inteligência do que a maioria. Por isso, eles não se encontram à altura dos teus padrões.

Agora; se eles não estiverem à altura dos teus padrões, eles passam a revelar insuficiência. Ainda que apresentem o dom de beleza, não revelam suficiência noutros tipos de expressão para além do da atracção física, por não se encontrarem à altura dos teus padrões. Esses são os padrões que vigoram em relação a ti próprio. Consequentemente, isso torna-se numa expectativa em relação aos outros.

Conforme estivemos ontem a debater, isso, para muitíssimos indivíduos pelo vosso mundo fora, por muitas formas constitui um tremendo desafio especialmente nesta altura, mas não só. Apenas pode enfatizar-se mais ou tornar-se mais óbvio nesta altura, mas ainda agora começou. E já está a decorrer faz séculos, através das comparações que as pessoas fazem umas com as outras.

Agora; é natural procurar, por assim dizer, um tipo idêntico. Só que a armadilha está em que a atracção entre os semelhantes torna-se num factor absoluto, numa verdade, pelo que pode passar a encorajar o descartar das diferenças, o que vos leva a estreitecer a capacidade de tolerância e as interacções que podeis criar, e isso tende a aumentar, tende a perpetuar-se. Porque quanto mais expressares essas expectativas da parte dos outros, mais passas a reforçar as verdades que abrigas e mais elas se fortalecem, e mais estreiteces a permissão para interagires.

Isso também é passível de se tornar confuso, por a resposta automática que se gera em conjugação com esta informação vai no sentido de fazer o oposto do que anteriormente possa ter sido habitual. Ao invés de passares a culpar os outros pela carência que denotas, passas a culpar-te a ti, e a descontar em ti, e a referir estares a proceder a uma acção errada.

Aquilo que se torna significativo neste tipo de expressões é não apenas identificar com precisão a crença que está a expressar essas influências em relação ao teu comportamento e à percepção que tens, mas reconhecer que tipo de energia estás a expressar externamente. Lembra-te que vós criais aquilo em que vos concentrais, e essa concentração não assenta no pensamento. Pode assentar, mas geralmente não assenta. Traduz a atenção que empregas nas crenças que expressas.

Bom; no que toca à crença dos outros não apresentarem uma consciência tal como tu apresentas ou o mesmo tipo de inteligência que tu, ou a mesma paixão que tu, tu passas a gerar uma expectativa automática desse tipo. A energia que projectas no exterior com uma expectativa dessas constitui uma presunção automática de não seres capaz de te ligar a outra pessoa. Direccionas a expectativa para o exterior, na direcção dos outros e percebes que eles abriguem expectativas em relação a ti. Na realidade, tu és quem está a gerar a expectativa e eles passam a responder. A energia constitui uma via muito mais eficiente para comunicardes do que qualquer outra linguagem, e nessa medida, torna-se imediatamente percebida.

Podes dizer-me a mim ou seja a quem for, que entras num compartimento, como no cenário da experiência por que passaste ontem, e que apenas ficas a observar e a escutar. Portanto, podes-te justificar dizendo que não estás a empregar nenhuma acção de cariz impertinente; que estás unicamente a observar e a escutar. Mas a energia que projectas não confirma isso. O que constitui uma camuflagem; uma desculpa.

A energia que projectas constitui um escudo de protecção, por prevalecer o medo da exposição. Para efectivamente abordares os outros, precisas expor-te. Permite que te diga, que a exposição constitui quase um pré-requisito para o recebimento. Porque, se não te expuseres, proteges-te. E se te protegeres, não poderás receber, por bloqueares a própria recepção da tua parte.

Agora, no exemplo da expressão de entrares no compartimento e de te posicionares fisicamente entre os outros sem chegares a participar duma forma genuína, tu estás a camuflar com a tua armadura e estás a justificar-te a ti próprio, só que não te estás a permitir receber. As pessoas reconhecem isso imediatamente. Podem necessariamente não traduzir por pensamento o que estiverem a fazer ou o que estiverem a receber, mas têm consciência disso e são capazes de sentir. São capazes de proporcionar a si próprias uma consciência suficiente para pressentirem a energia que estiver a ser projectada, e também passam a responder de forma automática.

E todos vós gerais respostas automáticas para com as expressões de energia, e muitíssimas vezes não fazeis a menor ideia do que estais a fazer; simplesmente respondeis de forma automática. E reagis duma forma mais genuína e precisa, por o estardes a fazer em relação à energia do indivíduo e não às outras formas de linguagem, nem ao que estiver a fazer em termos físicos, não ao que estiver a referir por palavras mas ao que estiver a projectar pela energia, e todos vós a recepcionais e reconheceis.

Como tu projectas uma energia de defesa e te isolas e te recusas a expressar essa abertura em termos de exposição e de permissão para receber, os outros respondem por um reflexo dessa acção. Consequentemente, avalias que o comportamento deles seja o de não gostarem de ti ou de não se importarem contigo, ou de poderem mover-se noutros círculos de conversação e ignorar-te, ou não te apreciarem. Que haverão eles de apreciar? Não lhes estás a oferecer nada que possam apreciar!

KEITH: A protecção que uso. Eles podem dizer, “Que bela protecção que tu envergas.”

ELIAS: Mas talvez caso um indivíduo tenha suficiente consciência e esteja a prestar suficiente atenção à tua energia, possa dizer-te justamente isso. De um modo geral, a maioria, a menos que encontre uma razão para isso, não se dá ao trabalho de prestar atenção à tua expressão de energia, caso seja de protecção.

Agora; isso depende da situação, da interacção e também depende bastante de ti. Porque podes escudar-te, mas se aquilo que estiveres a criar for uma defesa dessas e uma forma de relutância dessas para te passares a expor por qualquer via, aquilo que estiveres a criar deverá ser um reflexo disso. Portanto, porque razão haveria um indivíduo de te abordar e de te dizer: “Bela protecção”?

KEITH: Ah, tu sabes que eu estou a brincar com isso.

ELIAS: Estou bem ciente disso. Estendo-te um ponto. (Ri)

Agora; em determinadas situações poderás defrontar-te com um indivíduo que possa expressar um certo reconhecimento disso. Quer ele te sugira alguma coisa verbalmente em confirmação disso ou não, depende do facto de o permitires ou não. Porque, mesmo que outro indivíduo, nos vossos termos, veja ou reconheça a armadura que envergas e o controle que imprimes na tua energia, ele poderá expressar um reconhecimento verbal disso, e na percepção que tiveres, podes nem o perceber.

Quanto ao desejo que tens de criares um relacionamento, ou de passares a interagir com um indivíduo do sexo feminino, o que pretendes não é errado. Se quiseres uma união com um outro indivíduo apenas para desfrutares da actividade sexual, isso não é errado nem prejudicial. Mas existem muitas crenças relativas a isso e tu projectas a expectativa de que os outros automaticamente aceitem a crença que expressam de que isso seja perverso.

KEITH: Nesse caso elas configuram a minha energia, a expectativa que tenho? Encaram isso como prejudicial e...

ELIAS: Elas configuram a tua energia quase precisamente da forma que tu a projectas. Porque...

KEITH: ...desse modo albergam crenças relativas ao facto disso ser nocivo.

ELIAS: Respondem à expressão que emites. TU aceitas a crença de que isso seja nocivo, por ser frívolo. Não é; trata-se unicamente duma escolha e duma acção. Mas isso, uma vez mais, não corresponde às tuas expectativas nem aos padrões que aceitas tanto pessoalmente como em relação aos demais, porque se tiveres uma actividade sexual sem te comprometeres num relacionamento, conforme o emaranhado das vossas crenças subentende, isso deve compreender uma expressão frívola que não corresponderá aos teus padrões. Consequentemente, isso é o que reflectes a ti próprio.

Ao começares a reconhecer essas crenças essas verdades que tornaste em absolutos, e a avaliá-las e a proporcionar a ti próprio o reconhecimento do facto de realmente não consistirem numa verdade, habilitas-te a apresentar a ti próprio escolhas e o facto do valor que possuis não te enganar quanto ao facto de seres um indivíduo profundo ou frívolo. Toda a gente incorpora escolhas e acções que estimas na conta de profundas ou superficiais, mas em que consistirá isso? São os juízos inerentes aos vossos padrões.

KEITH: Tenho duas perguntas rápidas para o Sandy/Allesander, e em seguida vou ficar por aqui. Penso que a Melody lhe deu duas impressões relativas a focos. Será o Harry Houdini um dos focos dele?

ELIAS: Essência em observação.

KEITH: E o Gustav Holtz, o compositor da suite “Os Planetas”?

ELIAS: É.

KEITH: Definitivamente aproveitei muito daquilo que disseste. Obrigado. (Elias dá uma risada) Terminei. Penso que a análise que me deste seja algo de que já tinha conhecimento, mas por outro lado, soube bem ter-te a fazer um resumo de tudo. O concelho referente à forma como controlo a minha energia é algo que quero tentar trabalhar, mas não tenho a certeza de como trabalhar isso para além de procurar expor a minha energia, expor o meu escudo de protecção.

ELIAS: Estou ciente de que isso pode representar um enorme desafio senão mesmo uma dificuldade. Nessa medida, proponho-te uma sugestão: a de que não te sobrecarregues mas te permitas passar a avançar aos poucos, digamos assim, por meio do que te possas permitir atrever a confrontar-te, num determinado momento, e obteres consciência do modo como a tua energia está a ser expressada, e empregar essa acção como um jogo, e não com uma expressão tão séria. Porque se perceberes isso como demasiado sério, isso torna-se numa coisa formidável, e vai reforçar o grau de dificuldade. Mas se o experimentares como que por brincadeira, poderás oferecer a ti próprio uma maior à-vontade e uma menor dificuldade.

KEITH: Entendido. Obrigado.

ELIAS: Muito bem! Quero expressar-te o meu encorajamento e o meu apoio. E como sempre, continuarei a estender-te a minha energia ininterruptamente. Com um enorme afecto e um enorme carinho, au revoir.

KEITH: Adeus.

Elias parte após 1 hora e 7 minutos. (Porções desta sessão foram omitidos a pedido do próprio.)


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