quinta-feira, 4 de agosto de 2011

OS MEIOS IMPORTAM MAIS DO QUE OS FINS


SESSÃO #1488
“O Significado do Processo Em Vez do Resultado”
“Expressões de Começos e Não de Términos”
Terça-feira, 30 de Dezembro de 2003 (Privada/Telefone)
Participantes: Mary (Michael) e Frank (Ulra)
Tradução: Amadeu Duarte


(O tempo de chegada do Elias é de 18 segundos)

ELIAS: Bom dia!

FRANK: Bom dia! É excelente voltar a conversar contigo! (Elias ri) Eu sempre antecipo estas conversas com uma enorme expectativa.

ELIAS: (Ri) E que é que tens vindo a criar?

FRANK: Caramba! (Elias ri) Algumas coisas interessantes! Montes de entretenimento para ti, hoje.

ELIAS: Ah! Já estava à espera disso! Ah ah!

FRANK: (Ri) Mas antes, vamos dar início a outras coisas. Ora vejamos. Em primeiro lugar deixa-me colocar-te um sonho que tive.

ELIAS: Muito bem.

FRANK: Esse sonho é bastante recente. Não recordo muita coisa. Não sei bem onde me encontrava, mas suspeito que se tratava duma base militar algures numa área tropical, e parecia decorrer na época da segunda guerra mundial. Apareceram alguns aviões que deram início a rodadas de disparos, pelo que eu me agachei e permaneci deitado no solo. Os aviões continuaram a aparecer e a disparar balas. Parecia que não sentia muito medo; apenas pensava que seria melhor sair dali. Por isso ergui-me e corri para junto de um aglomerado de palmeiras, a seguir ao que começaram a disparar contra mim, e eu deitei-me ali. Isso foi o fim do sonho. Terá sido algo que tenha efectivamente acontecido, ou tudo aquilo foi simbólico?

ELIAS: Na realidade isso consistiu numa visualização dum outro foco – pelo que te posso felicitar, por proporcionares tais imagens a ti próprio por meio dum cenário tão vívido como o que visualizaste com relação a um outro foco, coisa de que tenho consciência correspondia ao desejo que nutrias, e que realizaste! Ah ah!

FRANK: Isso ter-se-á passado num cenário da segunda guerra mundial?

ELIAS: Passou.

FRANK: Tratar-se-ia de Pearl Harbor?

ELIAS: Não, foi numa outra localidade física mais próxima do Japão.

FRANK: Eu seria Japonês?

ELIAS: Não.

FRANK: Terá acontecido na mesma época de Pearl Harbor?

ELIAS: Aconteceu.

FRANK: Então foi em Guam ou num local desses.

ELIAS: Foi.

FRANK: Isso é bem interessante. Não tinha conhecimento desse foco. (Elias ri) Suspeitava que se tratasse disso. Não sei bem porque razão terei pensado nisso, mas por uma razão qualquer pensei que não fosse simbólico. Tinha mais que ver com algo que tivesse ocorrido de facto.

ELIAS: Sim, tens razão.

FRANK: Porquê esse foco? Porque razão terei eu vislumbrado esse foco?

ELIAS: Por se tratar do que designarias como o foco mais recente de entre os do passado, e dum tipo com que te achas mais familiarizado em relação ao qual já dispões de conhecimento, em termos gerais. Por isso é o que designarias por um foco mais fácil de investigar e de apresentares a ti próprio, por já dispores duma certa familiaridade com as acções que se deram nesse período.

FRANK: Foi em Guam?

ELIAS: Foi no que chamais de Filipinas.

FRANK: Interessante. Talvez o investigue...provavelmente não. (Ambos riem) Conforme falamos da última vez, em relação a tudo o que obtenho quando tento investigar esses focos, e de não passar de imagens, isso não promete grande coisa.

Aquilo sobre o que a seguir gostava de conversar contigo é o facto de ultimamente, nos últimos meses, a Cardelete parecer andar muito mais feliz, e dotada duma maior leveza ao nível da energia e andar mais divertida e a assumir um tipo de atitude diferente em relação a tudo. Poderás dizer-me o que é que se passa em relação a isso?

ELIAS: Posso-te dizer que em parte isso provém duma influência da tua pessoa. Porque, com o movimento e o que passas a apresentar a ti próprio e as projecções de energia que geras – que têm vindo a alargar-se duma forma consistente, por teres vindo a prestar mais atenção a ti próprio – no âmbito duma acção pela qual lhe transmites uma expressão a título de exemplo, sem lhe forçares a energia em associação a esta informação, e isso tem vindo a ser notado. Tal facto exerce algum peso no facto dela se sentir mais confortável com as próprias expressões e se habilitar a uma maior liberdade em relação a si própria e aos movimentos que cria.

FRANK: Tu disseste que isso era uma parte da questão. Qual será a outra parte?

ELIAS: O movimento dela própria e o próprio rumo, e o desejo de se expressar de um modo mais confortável e de explorar as próprias expressões, e de passar a explorar duma forma mais plena as preferências que abriga, permitindo-se tal liberdade em meio a essas preferências, e tornando-se mais confiante e mais confortável nesse tipo de movimento e com tal tipo de permissão.

FRANK: Em certa medida pensei que tivesse que ver com o facto – talvez te possas pronunciar com relação a isso – de pensar que ela tenha chegado a um termo na questão dos nossos filhos se estarem a tornar adultos e não precisar preocupar-se tanto com eles. Isso fará parte do caso?

ELIAS: Faz, de certo modo. Mas trata-se mais do percebimento dela própria e de não ter unicamente esse papel de mãe, mas de assumir a sua própria individualidade e de dispor das suas próprias preferências, às quais não prestou muita atenção durante um período prolongado, e estar actualmente a permitir-se uma maior liberdade com relação aos próprios rumos e ao próprio movimento que empreende. O facto de se tornar mais independente nessa associação com as crianças constitui de certo modo um factor que está investido duma expressão de motivação, mas na realidade é mais o percebimento dela própria e mais o movimento, por assim dizer, de chegar a tomar consciência dela própria e das suas próprias preferências e das suas próprias liberdades.

FRANK: Para mim, tornou-se demasiado notório desde a última vez que conversamos.

ELIAS: Estou a entender.

FRANK: Tem sido estupendo. (Elias ri) Penso que a título de aparte, não hoje mas nos últimos dias, por uma razão qualquer eu acordo a sentir-me mais leve e muito satisfeito comigo próprio. Que se estará a passar comigo?

ELIAS: Que impressão tens?

FRANK: Penso que no meu caso se trate do mesmo. Estou a obter, ou a dar expressão a uma maior liberdade. Pareço estar a criar de modo bastante eficiente – tanto o bom como o mau. (Elias ri) Aquilo que as pessoas encaram em termos negativos, eu percebo-o como uma coisa positiva. Vamos dirigir-nos a isso em breve.

ELIAS: (Ri) Não tenho a menor dúvida!

FRANK: Penso que essa seja a análise que faço.

ELIAS: Exacto. Mas também te posso dizer, a título de explicação, conforme recentemente fiz a outros indivíduos, que no âmbito da onda (de consciência) que presentemente está a decorrer, associada às verdades, a forma como cada um de vós está a propor a si próprio as suas verdades e as avaliações que faz tem lugar através da acção e da experiência, e não de modo intelectual conforme tem acontecido anteriormente, noutras ondas da consciência. Esta onda particular da consciência está a assumir uma expressão um tanto diferente.

Nessa medida, não são apenas as tuas verdades que passarás a evidenciar a ti próprio por meio de acções ou de experiências, mas também as próprias formas de validação que teces. Nesse sentido, à medida que alcanças resultados e te tornas mais confortável nas próprias expressões e geras uma maior confiança em ti, também experimentas a validação pessoal por intermédio duma sensação dessas, por assim dizer, desse reconhecimento da leveza na tua energia e duma satisfação e dum à-vontade na tua energia. Isso constitui a validação a que procedes em relação ao movimento que geras nesta onda.

FRANK: É estupendo. É uma sensação espantosa. (Elias ri) É um óptimo modo de acordar. É interessante porque ultimamente tenho-me sentido sob o efeito... não sei se o possa descrever como uma pressão, mas tem vindo a suceder muita coisa, e um monte de coisas que precisava fazer e porque tenho sido responsável. Francamente, estou a trabalhar mais do que alguma vez o fiz, certamente em relação a esta altura do ano, no entanto nada disso parece incomodar-me minimamente.

ELIAS: Estou a compreender. Nessa medida, o que também estás a validar, e que dá lugar à experiência dessa sensação de leveza e de confiança, constitui um reconhecimento, conforme declarei, da tua confiança, mas também uma validação do reconhecimento das capacidades e da expansão que obténs através do reconhecimento do poder que possuis. Isso constitui uma validação da capacitação do próprio poder que possuis e do modo como o estás efectivamente a expressar e a passar para uma maior plenitude disso por meio de experiências ao invés de o gerares unicamente por meio de processos que se prendam com estes conceitos, mas actualizando-os efectivamente e decretando a própria capacitação nos movimentos que empreendes no dia-a-dia.

FRANK: Posso confirmar isso. As coisas parecem bem mais fáceis. (Elias ri)

Porque não abordamos o imaginário físico mais representativo? (Elias ri) Tem vindo a ocorrer todo o tipo de acidentes de viação aqui ao redor desde a última vez que conversamos, nenhum dos quais me envolveu, curiosamente, mas envolveram, na sua totalidade, os meus filhos. Tudo aconteceu num curto período de tempo, pelo que é óbvio que enormes sirenes e campainhas estejam para aqui a assinalar, só que por que razão, não estou a conseguir captar – ou talvez tenha captado. Mas a esta altura não faço a menor ideia.

Há cerca de três meses o meu filho andava a conduzir numa rua com gelo no pavimento e deslizou ligeiramente de encontro a um carro estacionado, e danificou um dos nossos veículos. A seguir, alguns dias depois, encontrava-se na casa de um amigo, e uma jovem qualquer foi de encontro à traseira do nosso carro e danificou-o. Alguns dias depois disso, a minha filha envolveu-se num acidente grave – de que ninguém saiu ferido, mas que provocou danos subsequentes no carro que o meu filho já tinha danificado. (Ri, e o Elias dá uma risada)

Tivemos três acidentes desses no espaço de dez a doze dias. Isso para não mencionar o outro carro que temos – recordo a ultima vez em que conversamos – que foi danificado quando os amigos do meu filho se enfiaram nele. Por isso, que será que se está a passar em relação a isso?

ELIAS: E qual é a impressão que tens?

FRANK: Eu sei que da última vez que conversamos, falamos das amolgadelas provocadas no carro e tu disseste que isso se destinava a despertar-me para o facto de não estar a prestar atenção, pelo que é óbvio que não esteja a prestar atenção a algo. Não sei. Será o facto de não estar a prestar atenção aos meus filhos? (Elias ri) Penso que te quero dar a conhecer o meu ponto de vista, porque razão terei criado isto, e porque razão terão eles criado isso. Por isso, penso que vou começar pelo meu caso. A impressão que tenho é essa.

ELIAS: Muito bem. Posso-te dizer, antes de mais, que no que diz respeito a ti, não se trata de imagens que estejas a apresentar a ti respeitantes a falta duma atenção suficiente. Nessa medida, estás a apresentar imagens a ti próprio respeitantes às acções de outros indivíduos, e ao facto de reagires por modos automáticos ou de assumires diferentes tipos de resposta por teres uma maior consciência de ti próprio e estares a propor escolhas diferentes a ti próprio.


Posso-te dizer que isso constitui uma oportunidade de examinares a forma como reages em associação com acções que aparentam ser dramáticas, e se te permites ter noção das escolhas que te assistem e dar voz a uma aceitação ou se continuas a mover-te no âmbito dessas respostas automáticas com que te achas familiarizado. Mas e que avaliação farias quanto à interacção e às respostas que dás em cenários desses?

FRANK: Pois. Isso é mais complicado do que parece. (Elias ri) A resposta automática que dou é não reagir em termos duma resposta automática. Mas talvez o tenha feito. Não perdi as estribeiras nem nada que se pareça. Diria que em grande medida, não, penso que tenha percebido as escolhas de que dispunha...

ELIAS: Percebeste.

FRANK: ...e não tenha respondido. Não fiquei zangado; não fiquei transtornado. Por isso, diria que sim, que as tenha tomado em consideração.

ELIAS: O que é significativo, por também consistir numa validação e numa evidência que estendes a ti próprio de estares a prestar atenção e estares a gerar diferentes respostas daquelas com que te acharás mais familiarizado. (Ri)

FRANK: Muito bem, mas porque razão três vezes? (Ambos riem) Quero dizer, de quantas vezes precisarei disso para chegar a aprender essa lição? Porque já está a ficar cara e a consumir demasiado tempo e tudo o mais!

ELIAS: Ah ah ah! Mas isso é significativo. Porque se apresentasses a ti próprio um cenário desses uma só vez, poderias não notar necessariamente a diferença na resposta que geras nem enfatizares necessariamente a ti próprio a alteração actual que isso gera sobre a tua energia. Mas se apresentares a ti próprio esse cenário duma forma mais dramática dando lugar a uma ocorrência repetida num período relativamente curto de tempo, passas a prestar atenção e a permitir-te avaliar genuinamente a resposta que isso gera pelo comportamento que adoptas, e a reconhecer a alteração que se produz na tua energia, e o modo como passas a reconfigurar a tua energia.

Bom; em relação aos outros, o imaginário deles é diferente. Posso-te dizer que em relação ao teu filho, a imagética que ele emprega diz respeito à falta de atenção – falta de atenção em relação àquilo com que se está a envolver, falta de atenção em relação à forma como está a interagir com os demais, falta de atenção em relação ao que está a criar em conjugação consigo próprio e com os outros. De certo modo, posso-te referir em termos figurados que esse indivíduo recentemente tem-se vindo a expressar nos moldes do lugar-comum que empregais, do: “Cabeça nas nuvens” e a tem andado a atravessar períodos enevoados. (Ri)

FRANK: Pensei que isso fosse normal para um adolescente!

ELIAS: (Ri) Segundo as vossas crenças, estou perfeitamente de acordo!

FRANK: Então não tem forçosamente que se desenrolar desse modo.

ELIAS: Não é gravoso. Trata-se apenas da identificação daquilo a que ele está a dar expressão.

Quanto ao imaginário da tua filha, isso envolve imagens que ela criou para si própria parcialmente em conjugação com o facto de prestar mais atenção a si própria, mas o seu imaginário foi expressado um tanto mais no sentido do desejo duma forma específica de interacção com outros indivíduos num tipo de expressão protectora e de consolação.

FRANK: Presumo que não tenha unicamente que ver com a minha mulher mas com outras pessoas, não será?

ELIAS: É.

FRANK: Provavelmente mais com outras pessoas do que connosco, certo?

ELIAS: Sim. Esse indivíduo gerou mais um tipo de sentimento, por assim dizer, dum ligeiro isolamento – não em termos físicos, mas quanto a uma participação em termos de camaradagem, e experimenta algumas expressões de não se sentir completamente incluída, pelo que em parte essas imagens (acidente) foram geradas como uma expressão para receber esse tipo de recompensa da parte dos outros.

FRANK: Dos amigos dela?

ELIAS: Sim. Coisa que conseguiu.

FRANK: A nós, pareceu-nos que isso a atingiu profundamente. É a melhor maneira que encontro para descrever o acontecimento. Penso que não sei bem para onde me dirijo com isto. Terás algum concelho a dar? Deverei tentar ajudá-la?

ELIAS: Essa é a sugestão que te daria...

FRANK: Por vezes, torna-se difícil de lidar com ela! (Elias ri) Pelo menos é o que me parece a mim.

ELIAS: ...o de lhe dares apoio, e de usares de compreensão e de aceitação e de delicadeza para com ela, porque ela anda à procura noutros indivíduos daquilo que não oferece a si própria, por meio de tal delicadeza.

FRANK: Sim, ela é bastante rígida consigo própria.

ELIAS: Estou ciente disso.

FRANK: Haverá alguma razão para isso? Tenho a certeza de que há. Mas trar-me-ia alguma vantagem o facto de me revelares o que se passa?

ELIAS: Esse indivíduo, à semelhança de muitos outros, gera muitas expectativas em relação a si próprio (a) e projecta a sua atenção fora de si com bastante frequência, em busca da aprovação dos outros, e isso gera intensidade nas expectativas que nutre em relação a si própria. Isso também produz o que designais por “solo fértil” do desapontamento, porque se ela não alcançar as expectativas que estabelece em termos pessoais, passa a ficar desapontada consigo própria, e passa a desvalorizar-se duma forma significativa. Geralmente isso é expressado com mais vigor devido ao facto dela não olhar para si própria, mas estar a aguardar as expressões da parte dos outros para lhe reforçar o sentido de valor.

FRANK: Voltando a algo que disseste há pouco, comummente, quando procuramos apoiá-la e expressar-lhe delicadeza, recebemos rejeição, geralmente uma rejeição bastante agressiva, pelo que se torna mesmo difícil sequer descobrir de que modo se poderá dar-lhe apoio.

ELIAS: Posso-te dizer que podes dar-lhe apoio e mostrar-te delicado e expressar interesse sem ser por acções manifestas. Nessa medida, quanto mais empenhadamente procurares demonstrar uma protecção física manifesta – tens razão – mais fortemente ela se oporá, por isso enfatizar nela o que está a deixar de conseguir dar a si própria, facto que ela reconhece. Em razão do que ela responde por meio da repulsa.

Bom; se lhe transmitires uma expressão de apoio unicamente por meio da aceitação, sem gerares uma expressão manifesta nem dramática de protecção e o que entendes como compreensão, e adoptares física e interactivamente uma expressão mais de neutralidade, isso deverá ser mais prontamente aceite – que a energia pode ser a mesma, só que a expressão exteriorizada torna-se passível de ser reconfigurada de modo diverso.

FRANK: Rapaz, isso parece árduo! Assemelha-se a um curso de pós-graduação!

ELIAS: Daí o significado de teres conhecimento do tipo de energia que estiveres a projectar! Ah ah ah!

FRANK: Coisa que nem sempre tenho presente, obviamente. Comunicas com ela?

ELIAS: Comunico. O que não quer dizer que ela esteja sempre aberta e receptiva, mas independentemente do que, continuo a interagir.

FRANK: Talvez devesse procurar conseguir com que ela te dê atenção ao telefone, um dia destes.

ELIAS: (Ri) Isso depende da escolha dela. Ah ah!

FRANK: Pois é, eu já aprendi isso faz tempo! A propósito, a Moorah quase se juntou a nós desta vez, mas penso que se sinta demasiado sonolenta. (Ambos riem) Espero que não te sintas ultrajado!

ELIAS: (Ri) De todo!

FRANK: Óptimo! Folgo em saber disso. Penso que seja tudo quanto a este assunto, a menos que haja alguma coisa que queiras acrescentar. Terei terminado em relação a isso?

ELIAS: Terminaste?

FRANK: Terei aprendido a lição?

ELIAS: Mas, eu posso-te colocar a mesma pergunta a ti! (Ri) Reconhece não se tratar propriamente duma lição, meu amigo, mas apenas duma oportunidade para reconheceres as alterações e as formas de reconfiguração a que terás procedido. Nós estivemos a debater a reconfiguração da energia, e anteriormente deste expressão a uma certa confusão em relação ao modo como isso ocorre e quanto ao que possa afectar. Agora estás a envolver-te no acto de reconfigurares a tua própria energia e de notares a diferença quanto ao modo como te expressas e aos teus comportamentos.

FRANK: Precisaria dizer não ter ainda a certeza quanto ao modo como isso se processa.

ELIAS: Eu entendo, mas posso-te dizer...

FRANK: Qual será o passo decisivo, nisso?

ELIAS: Se continuares a prestar atenção, isso deverá tornar-se mais claro.

FRANK: Excelente. Penso que as coisas se estejam a encaminhar numa excelente direcção. (Elias ri)

Avancemos para uma coisa que já discutimos da última vez. É interessante, mas da última vez estivemos a falar deste negócio potencialmente importante em que a minha empresa está envolvida. Não recordo as palavras exactas que empregaste, mas era algo que vinha no alinhamento de representar uma enorme oportunidade de mostrar o que seria capaz de fazer nisso e tudo o mais. Por isso, fui para o trabalho com uma atitude positiva, e acabei por não o conseguir. De facto, fomos rapidamente notificados após o sucedido. Penso que fiquei um pouco surpreendido. Senti que pelo menos, do ponto de vista da atitude, que tinha tomado a atitude correcta em relação a toda a coisa.

ELIAS: Estou a entender.

FRANK: Não te estou a expressar bem a coisa, mas tu sabes do que estou a falar.

ELIAS: Sei. Mas, que estivemos a debater mais para além disso?

FRANK: Não recordo bem.

ELIAS: O processo e a observação do processo e o apreço pelo processo, em vez de prestares unicamente atenção ao resultado.

FRANK: Muito interessante... (Elias ri) Terás mais alguma coisa a acrescentar com respeito a isso?

ELIAS: Continua.

FRANK: Na realidade, não muito tempo depois disso, surgiu uma outra oportunidade imbuída dum maior potencial, em face à qual presentemente nos deparamos. Isso na realidade tem o potencial de se tornar mais expressivo e melhor, caso aconteça, o que penso possa vir a acontecer.

ELIAS: Mas, presta atenção ao processo. Porque muitas vezes geras um processo que se move na direcção de produzir os resultados que pretendes, mas, se a tua atenção se fixar no resultado, diminuis o potencial e restringes a amplitude da tua capacidade.

Agora; se prestares atenção ao processo e perceberes um resultado em termos desfavoráveis e continuares a expressar a energia que expressas e continuares a mover-te na mesma direcção, não é pouco frequente que um tipo de acção desses ocorra, através do que te surpreendes e produzes um resultado qualquer que se assemelhe mais ao que pretendes do que possas ter originalmente avaliado.

FRANK: Obviamente, foi isso que aconteceu. Foi bastante interessante, porque com toda a franqueza, mesmo após o tipo me ter ligado a dizer que não: “Não vamos usar a vossa companhia, vamos usar outra”, eu não alterei muito a atitude que tinha. Foi quase como se sentisse que ele viesse a ligar-me de novo e mudar de ideias – o que ainda não sucedeu, mas com o que continuo a contar. (Ambos riem)

ELIAS: Mas o significado existente nessa acção reside na tua energia e na direcção que lhe dás, e na continuação que tenhas no processo, e em continuares a dar expressão à mesma direcção e à mesma energia, sem cessares apenas o facto de teres apresentado a ti próprio o que parecerá superficialmente constituir um obstáculo – que na realidade não constitui nenhum obstáculo mas o revirar duma pedra que talvez se interponha entre ti e a realização do que pretendes no teu processo.

FRANK: Parece ter ocorrido. O que soa interessante em relação a todas estas coisas reside no facto de não ter reflectido muito em nada disto desde então, enquanto estava a decorrer.

ELIAS: (Ri) O que é igualmente significativo.

FRANK: É sim. Isso conduz a um monte de coisas que tens vindo a proferir faz tempo, só que levam um certo tempo a perceber.

ELIAS: Então, posso concluir que estás a perceber? (Ri)

FRANK: Bom, podes! Com certeza! Podes inferir isso. (Ambos riem)

ELIAS: Muito bem!

FRANK: Desde a última vez que falamos, eu participei no torneio de basebol, e queria colocar-te umas perguntas relacionadas com isso. Há muitas coisas que te podia perguntar em relação a isso, mas primordialmente acabei por ir dar a uma equipa que não era lá grande coisa. Interrogo-me porque razão terei criado isso, que é que se terá passado com isso tudo.

ELIAS: (Dá uma risada) Que avaliação é que fazes?

FRANK: Eu não sei...

ELIAS: Isso também está parcialmente associado com o que estivemos a debater, relativamente ao teu negócio.

FRANK: Isso é interessante. Direi que provavelmente não me terei integrado nela imbuído da melhor das atitudes. Não sei.

ELIAS: Posso-te dizer que terás propositadamente dado lugar a essa escolha de tomares parte junto desses indivíduos a título dum outro exemplo da forma como diriges a tua atenção e daquilo a que estás a prestar atenção e das crenças que estás a expressar, de modo a passares a permitir que influencie as acções e interacções que estabeleces.

Nessa medida, constitui um outro exemplo do processo, em vez do resultado, e do significado do processo e da forma como participas e interages em associação com esse processo, daquilo por que se traduz a tua motivação, e de estares ou não de facto a prestar mais atenção à camaradagem que obténs no processo.

Nesse sentido, em parte realizas algumas reconfigurações de energia nesse cenário só que não na extensão que tinhas no caso do teu negócio, porque as influências das crenças que abrigavas se dirigiam mais para o resultado e a produtividade.

FRANK: Deixa ver se entendo aquilo que estás a acabar de referir. O que estás a dizer é que num certo sentido eu obtive sucesso por causa dos relacionamentos que tenha estabelecido e na medida em que tenha desfrutado dessa parte e... (inaudível)?

ELIAS: Sim. Foi uma oportunidade para veres de facto o que é mais significativo para ti. Compreendo que incorpores preferências associadas à vitória, mas também tenho consciência de que na tua energia as influências mais vigorosas que alcançam maior expressão no teu íntimo são em relação ao que valorizas. Os relacionamentos e as formas de interacção a que dás expressão têm mais valor para ti do que ganhar ou perder.

FRANK: Mas não terei podido realizar ambas as coisas?

ELIAS: Podias. Mas em associação com as crenças que expressavas, a vitória teria ofuscado a camaradagem e o próprio processo.

FRANK: A sério? Estarás a dizer-me que sustento a crença de que não poderei vencer no caso de conseguir a camaradagem que obtenho?

ELIAS: Não. Estou unicamente a expressar-te que em associação com as crenças que te influenciam as formas de conduta e a tua atenção, a vitória se torna numa manifestação mais expressiva, mas que de facto não traduz aquilo que valorizas mais.

FRANK: Por outras palavras, o que estás a dizer é que se nos tivéssemos saído bem melhor, eu me teria afastado e o melhor que teria aproveitado disso teria sido o facto de termos vencido...

ELIAS: Estou.

FRANK: ...e que não teria passado a interagir com toda aquela malta.

ELIAS: Sim. Por isso, proporcionaste a ti próprio um cenário no qual não te terás distraído do facto de prestares atenção ao que mais valorizas.

FRANK: Mas, uma vez mais, dizes que isso se fique a dever às crenças que tenho?

ELIAS: Sim. Tudo aquilo que expressas é influenciado por intermédio de crenças.
FRANK: Jamais teria conseguido chegar a essa! (Ambos riem) Foi interessante, porque enquanto lá permaneci diverti-me, mas por vezes também não. Por vezes sentia que o meu corpo não suportava mais aquilo. Não sei onde isto me irá conduzir, mas sinto ter um problema relacionado com aspectos de crenças também.

ELIAS: Sim.

FRANK: Se eu tivesse que voltar a fazer aquilo, provavelmente divertir-me-ia muito mais e relaxar-me-ia mais em relação a toda a coisa.

ELIAS: Mas isso constitui uma estimativa bastante precisa, por reconheceres o que tenha influenciado certas expressões dessa experiência. Reconheces comportares crenças relativas ao envelhecimento e às expressões físicas. Mas também sabes no teu íntimo, meu amigo, que isso não é verdade, e como tal és capaz de te permitir descontrair e expressar-te de outro modo.

FRANK: Não precisava sentir-me tão desgastado fisicamente o tempo todo.

ELIAS: Exacto.

FRANK: Isso representaria uma enorme expressão a alterar. (Elias ri) É realmente verdade. Tudo se resume a mim agora, aquilo que estás a dizer. Faz imenso sentido.

Senti que a equipa era dirigida de um modo inapto. Isso encerrará mais alguma mensagem para além do que mencionaste?

ELIAS: (Dá uma risada) Isso está igualmente associado ao processo e à atenção para com o tipo de energia que está a ser expressado em meio ao processo.

Conforme é actualmente do teu conhecimento, se expressares uma energia consistente, isso produzirá naturalmente certos resultados, os quais se poderão tornar um tanto - conforme os termos que empregais - previsíveis, por ser óbvio. Se a energia que expressares for de tranquilidade e for dirigida e assentar numa motivação associada ao que desejas e ao que valorizas, produzi-lo-ás com facilidade. Mas a produtividade não é o que comporta o maior significado; o resultado não é o que detém o maior significado ou valor. Nessa medida, ao buscares o resultado em termos de finalidade, a tua energia passa a ser configurada de um modo que deixa de produzir eficiência, e nessa medida, deixa de ser dirigida no sentido de criar aquilo que pretendes de facto, e torna-se difusa.

Bom; fazes a observação de que essa equipa esteja a ser gerida duma forma inepta. Mas em que consistirá essa expressão? Confusão. Nessa medida, deixas-te confundir com toda a facilidade se a atenção se passar a focar na finalidade.

Isso é significativo, meu amigo. Porque se encarares o teu negócio e avaliares o movimento que empreendes no âmbito dele, e a direcção que estás a assumir, poderá parecer superficialmente que te estejas a encaminhar rumo a um objectivo – o que poderá ser objecto da avaliação de representar uma finalidade, mas que não representa. Na realidade, trata-se dum ponto de partida, e no teu íntimo tu tens conhecimento disso; e como tens conhecimento disso, expressas um tipo de energia bastante diferente. Dás expressão a uma muito maior motivação, a uma menor luta e esforço, e habilitas-te a um maior à-vontade, por reconheceres que esse resultado, por assim dizer, que é duma ordem particular, conforme os termos que empregais, consiste efectivamente na abertura duma porta. Envolve um resultado que consiste num começo, e não num fim.

FRANK: Sim, reconheço-o duma forma objectiva, absolutamente.

ELIAS: Exacto. A atenção, no caso da equipa e do jogo, é focada na finalidade, não no começo mas na finalidade, no desfecho, o que se traduz por uma expressão artificial. Por isso, é passível de gerar confusão, por subsistir um questionamento da motivação que sentes, no caso de te moveres na direcção duma finalidade.

FRANK: Um questionamento da motivação que sinto?

ELIAS: Sim.

FRANK: Referes-te aos meus sócios da área profissional e dos companheiros?

ELIAS: Não. No teu íntimo. Trata-se duma acção automática que ocorre, a qual gera confusão.

Pois deixa que te diga, que no âmbito da consciência, das essências, no âmbito do movimento natural que a consciência engloba, não existem objectivos ou desfechos. Ao se apresentarem finalidades gera-se na motivação uma depressão, porque o que intimamente se gera é o reconhecimento de se tratar de um movimento artificial. Por isso, nos vossos termos mundanos, a expressão deverá estar associada ao seguinte: “Que propósito haverá em nos dirigirmos unicamente para desfechos?”, porque dessa forma, a exploração encontra um fim e uma conclusão, e isso não é divertido e como tal também representa uma confusão quanto à motivação.

FRANK: Estou a compreender. Faz sentido. Faz todo o sentido, para mim.

ELIAS: Mas em ambos esses cenários, podes ver com toda a clareza a diferença de carácter na energia.

FRANK: Preciso reflectir nisso, por não ter pensado tanto quanto isso acerca do torneio de basebol. O aspecto do negócio, torna-se bastante claro para mim; penso que me tenha focado mais nele. Aquilo do basebol foi mais uma coisa que tenha feito e que depois se tornou passado. Realmente não penso tanto nisso, mas agora que o estás a evocar, torna-se evidente. (Elias ri)

Penso que seja isso. Oh, uma pergunta final rápida. Na noite passada não fui capaz de pregar olho (dormir). Porque razão terá acontecido isso?

ELIAS: Que estimativa fazes?

FRANK: Perda de sono devido à antecipação gerada em relação a este estupendo evento? (Ambos riem) Não sei. Penso que se tenha devido ao facto de me sentir bastante energético neste momento.

ELIAS: Estou a entender. Nessa medida, posso confirmar-te que em parte terás dado lugar a uma antecipação da interacção conjunta que viríamos a ter e uma inquietação por estimares a apresentação duma sugestão considerável em termos de intercâmbio e de informação, conforme viemos a ter. Isso também gerou excitação, a qual interrompeu a descontracção. (Ri)

Posso-te dizer, meu amigo, que tive um enorme prazer em ter esta conversa! Ah ah ah!

FRANK: (Ri) Bom, isso é óptimo! Fico satisfeito por te ouvir dizer isso. Tal como eu. Eu sempre sinto prazer com as conversas que temos. Sempre acabo com uma incrível sensação. (Elias ri)

Bom, penso que é tudo por hoje. Por isso, como sempre, expresso-te os meus agradecimentos e fico a antecipar a próxima conversa que venha a ter contigo, em breve.

ELIAS: Muito bem, meu amigo. Como sempre, dou-te conta do enorme afecto que sinto por ti e do reconhecimento do teu requintado entretenimento. (Ri) Na enorme amizade que nutro por ti, meu amigo, au revoir.

FRANK: Adeus.

Elias parte após uma hora e um minuto.


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O MATERIAL ELIAS