terça-feira, 2 de agosto de 2011

NÃO TENHO DINHEIRO - REFLEXOS


SESSÃO #1371
“Influencias da crença: “Não tenho dinheiro’”
“Os Reflexos que Recebemos do que Projectamos no Exterior”
Segunda-feira, 9 de Junho de 2003 (Privada/Em pessoa)
Tradução: Amadeu Duarte

Participantes: Mary (Michael) e Rodney (Zacharie)

Elias chega às 10:42 da manhã (Tempo de chegada: 21 segundos.)

ELIAS: Bom dia!

RODNEY: Bom dia, Elias. (Ri)

Esta manhã estou com uma sensação de formigueiro. Não sei sobre o que deva falar! (Elias ri) Mas fiz algum “trabalho de casa”. Acho interessante o despreparo que sempre sinto ao falar contigo de cada vez que tenho oportunidade de o fazer, sabes? É como se eu me colocasse... Interrogo-me automaticamente se irá correr bem. Se irei referir a coisa acertada ou se irei perguntar coisas inadequadas. (Elias sorri) A existir um tipo de comunicação que alguma vez tenha tido na vida pela qual sinta aceitar-me pelo exacto modo que sou, é contigo, e ainda sou capaz de sentir isso contigo, o que me deixa espantado.

ELIAS: (Ri) Respostas condicionadas...

RODNEY: Sim, e isso revela como respondo de modo automático com aqueles que eu sei que não me aceitam. Portanto, trata-se dum paralelo interessante, esse.

Sinto-me verdadeiramente fascinado com aquilo a que te referiste ontem sobre observarmos uma verdade e em seguida percebermos o modo como essa verdade influencia outras questões. Parece-me a mim ser um modo completamente novo de encararmos as crenças de uma forma que resulta mais reveladora, além de me ter parecido que se tratava de algo com que eu seria capaz de lidar. (Elias acena com a cabeça)

Há duas coisas que penso gostaria de discutir contigo nesta manhã. A segunda tem que ver com a perda, porém, a primeira que me ocorre está relacionada com o dinheiro. Pareceu-me que o dinheiro – na percepção que tenho – assume uma grandeza absoluta, pelo facto de constatar não possuir nenhum. Anotei uma dúzia de aspectos que sinto serem influências significativas que decorrem dessa verdade.

ELIAS: Interessante!

RODNEY: Depois de os ter destacado, acabei por salientar um décimo terceiro que se situa em torno das ideias de perda ou da própria vida e da morte. Gostaria de abordar isso e pedir-te que me ajudes a perceber onde isso me conduzirá.

ELIAS: Muito bem.

RODNEY: A primeira (influência) traduz-se pelo facto de ter que trabalhar. Essa é a primeira grande influência que resulta justamente de não dispor de dinheiro – o que constitui, é claro, a crença primordial agora que a percebemos à luz disto. Mas significa que tenho que trabalhar. Não há como contornar tal facto.

A segunda influência... Vou passá-los todos em revista. Anotei-as com uma grande profusão, porém, vou abreviá-los. A segunda questão tem que ver com o facto de ter que habitar uma casa tão pequena quanto me é possibilitado habitar, bem como conduzir um carro algo envelhecido já, e coisas desse género.

A terceira influência consiste em ter que depender de outros a fim de descobrir como poder realizar dinheiro. Necessito que alguém, que não eu próprio, organize a empresa ou se desenvolva de modo por meio do qual possa trabalhar para eles, por ser incapaz de o fazer sozinho.

A quarta tem que ver com o facto de isso me restringir quanto à possibilidade de mudar de habitação, o que não deixa de ser uma boa coisa, para empregar aqui o cliché, “boa” por subscrever uma situação que me impede de ter que escolher por entre possíveis locais a habitar, nos termos do que gostaria. Já me ocorreu pensar onde gostaria de viver mas revela-se-me quase impossível proceder a tal escolha, ainda que dispusesse de dinheiro para tal.

A quinta, isso restringe qualquer possibilidade de criar relações íntimas com mulheres – o que também se revela algo vantajoso. (Ri) Já que me protege daquilo a que estou menos habituado, nesse sentido.

A sexta influência resulta de, ao me sentir forçado a trabalhar continuar a ser produtivo, o que não deixa de ser uma coisa boa, estás a perceber? Estas influências assemelham-se a uma trepadeira, ou a uma videira que se entrelaça e estende.

ELIAS: Pois.

RODNEY: Isso influencia a forma como me relaciono com os outros, na área de me tornar útil, e representa uma influência muito grande. Se tivesse dinheiro todos me pediriam ajuda. Não deixaria de receber solicitações de auxílio por parte dos inúmeros membros da família, como por exemplo no caso duma doença. Não sei em que caso seria acertado anuir ou negar, de forma que isso assemelha-se a coisa que só de pensar dá pavor; mas não tendo dinheiro não preciso preocupar-me com nada disso. Portanto, isso exerce uma espantosa influência na interacção que exerço junto dos demais, no que toca ao auxílio.

Influenciaria o modo como me havia de sentir em relação a mim próprio, por me levar a sentir melhor do que os menos afortunados, mais privilegiado, mais poderoso, mais esperto, ter maiores responsabilidades – ou então mais espiritual, por na realidade não ter dinheiro. Ao todo, o dinheiro influencia todas as considerações que coloco ao longo dessa linha.

Em nono lugar, influencia o impacto que exerço sobre os demais, como o do de me revelar um exemplo e tirar proveito disso! Por outras palavras, sinto que as pessoas me prestariam mais atenção e isso soa como uma responsabilidade que não gostaria de assumir, sabes? Ou o contrário; poderia dar-se o caso de eu abusar disso, com a manipulação que fizesse, com o dinheiro. Portanto, não tendo dinheiro, não preciso preocupar-me com tal coisa!

Décimo, não ter dinheiro influencia a capacidade que tenho de me distrair da maçada que é ter que me descobrir a mim próprio. Se tivesse dinheiro – eu pertenço ao grupo de orientação comum e não tenho a tendência a incidir a minha atenção sobre mim próprio – mas se possuísse dinheiro haveria de me concentrar tão fora de mim que ainda havia de “dar com os cavalos na água”.

Décima primeira, o facto de não ter dinheiro elimina qualquer necessidade de ter que proceder a escolhas. O que é uma grande coisa, por ter tanta dificuldade em optar, pelo que é preferível, no meu jeito de ser preguiçoso, tomar o caminho mais fácil.

Doze – estou a chegar ao fim – o facto de não ter dinheiro influencia-me no meu sentimento com relação à vida e à morte. Não tendo dinheiro, encontro-me mais próximo da morte, já que me encontro menos comprometido com a vida; porquanto abster-se de todo a escolha, como referi anteriormente, significa afastar-se da vida. E há que considerar esse aspecto.

E por fim, o que não constitui tanto uma influencia mas mais uma pergunta, de que modo a verdade da minha condição de não ter dinheiro - sublinhe-se aqui o termo verdade - me influenciará o sentimento de perda e vice-versa? De que modo as experiências que tenho de perda, ou a relação que tenho com o sentimento de perda, influenciarão a crença que tenho de não ter dinheiro? Isso permanece muito vago. Sinto-me na mais completa indefinição em relação a essa questão.

Não estou muito certo, mas referindo-me a uma das últimas vezes em que conversamos, o que constitui um parágrafo bastante importante, passaria a citar as palavras que empregaste:

“Isso, meu amigo, está a ter expressão...”- estávamos a referir-nos à perda na área das finanças - “Isso, meu amigo, está a expressar-se por muito mais formas do que meramente a financeira, em muitos sentidos do investimento, para o referir nos vossos próprios termos: investimento em ti próprio sob variadíssimas formas de expressão; investimento nas tuas energias, na tua atenção, no tempo de que dispões, em ti próprio em relação aos demais, em relação ao teu ambiente de trabalho, em relação a ti próprio. Tu crias um quadro imaginário objectivo em relação às (tuas) finanças como um mero reflexo dos muitos aspectos do teu foco.” (Sessão #1009, 2/16/02)

Parte do aspecto a que estou a querer chegar com isto, que permanece subjacente a todas as minhas tentativas - ou assim me parece - consiste em apurar se conseguirei chegar a realizar dinheiro. Isso tem que ver com uma área da questão. Talvez estudando e observando estas questões eu me consiga livrar e consiga criar uma segurança mais efectiva na minha vida. Todavia, pressinto que isso seja unicamente um aspecto e que existam outros para além desse – o sentido que tenho de perda, o sentido da apreciação, o sentido que tenho do amor... Isto está a deixar-me bastante emocionado. Estou de tal modo obcecado com isto que não consigo amar nem viver.

ELIAS: (Com serenidade e gentileza) Uma simples crença é capaz de influenciar por muitas e variadas formas. Nisso reside todo o sentido da as identificardes (crenças ou limitações) assim como às influências que exercem. Quantas dessas influências que és capaz de reconhecer e que registaste – na avaliação que fazes – serão benéficas de modo a poderem produzir determinado resultado? A maioria destina-se a proteger-te.

Se, por um lado, não dispões de dinheiro, por outro deixas de assumir aquilo que percebes como responsabilidades que lhe são inerentes. Não te permites expor-te. Proteges-te e escondes-te. Porque, na estimativa que fazes em relação a essa crença, se tivesses dinheiro também terias responsabilidades. De qualquer modo, não deixas de incorporar responsabilidades, porque não deixas de ser responsável por aquilo que produzes e expressas. És responsável por te tornares numa vitima de ti próprio.

Esta é a questão daquilo que estávamos a discutir, permitires-te descobrir as crenças que abrigas, mas que não designas como tal. Elas são de tal forma absolutas que se tornaram na verdade que passas a defender.

Agora; ao reconheceres as tuas verdades e ao te permitires explorá-las, na realidade passas a reconhecê-las como sendo meras crenças. Elas não constituem absolutos. Isto permite-te ampliar a perspectiva que tens, não por meio da comparação mas ao sugerires a ti próprio de que aquilo que mantinhas como uma verdade não o é necessariamente, porquanto não consiste num absoluto. Porque podes constatar a existência doutros indivíduos no teu mundo que expressam diferentes crenças associadas ao dinheiro.

RODNEY: Claro, bom, isso deixa-me aturdido porque quando penso nessa declaração do “Não tenho dinheiro”, como uma verdade, ainda subsiste uma parte de mim que não a percebe como uma verdade. Quer dizer, anotei isso tudo por perceber que a influência que exerce.

ELIAS: Exacto.

RODNEY: Mas ainda não sou capaz de apurar - apesar de o termos proferido, e o teres referido e eu o ter entendido conceptualmente - o quanto realmente não o percebo como um factor absoluto. Uma parte substancial de mim não consegue perceber isso como não sendo absoluto. De momento, estou como que a habituar-me à ideia.

ELIAS: Estou ciente disso. É muito inusual.

RODNEY: Há pouco disseste algo sobre a responsabilidade que gostava que voltasses a repetir. Sou responsável por me tornar uma vítima de mim próprio, foi o que disseste?

ELIAS: És responsável por te tornares numa vítima de ti próprio.

RODNEY: Deus do céu! Jamais... Há qualquer coisa nisto que soa como uma ideia completamente nova para mim.

ELIAS: Estás a dar lugar à criação disso. Nenhuma outra influência externa está a provocar-te essa expressão. Estás a criá-la em associação com a crença que tens. Associado à crença referentes ao dinheiro e ao facto de teres ou não dinheiro influencias a percepção que tens e a tua capacidade de produzir dinheiro. Influenciaste essa capacidade de um modo que resultou na restrição das tuas capacidades, e desse modo tornaste-te uma vítima de ti próprio.

RODNEY: Agora percebo! Sim, isso opera pela restrição das capacidades que tenho.

ELIAS: Exacto.

RODNEY: Sim. Consigo entender a coisa.

ELIAS: Porque, conforme declaraste, isso influencia toso os aspectos da tua vida – o modo como interages com os outros, o tempo de que dispões, o facto de teres de ter um emprego. Conforme declaraste, tudo isso deve ser organizado e orquestrado por outros, para quem terás que trabalhar. Além disso precisas ter um emprego, o que em si constitui o móbil da retribuição. Tudo isto são aspectos inerentes a essa crença; são tudo influências.

Em razão do que, o tempo que te sobra, fora daquele que empregas a trabalhar, torna-se limitado. Portanto, és restringido em relação ao tempo que podes reservar para ti próprio e ao tempo que podes dispensar no relacionamento com os outros. Isso influencia igualmente a percepção que tens dos atractivos que reúnes aos olhos dos demais, pois percebes que se tivesses dinheiro tornar-te-ias mais atractivo, e como não tens dinheiro te tornas menos atractivo.

RODNEY: Isso é tudo o que sinto. Todas as minhas verdades.

ELIAS: (Com serenidade) Sim, e decorre tudo da influência duma única crença.

RODNEY: O sentido que tenho de como isto está relacionado com a perda... Estou a começar a perceber uma fenomenal perda em todas essas influências.

ELIAS: Correcto, porquanto subsiste esta tremenda constrição e respostas automáticas espantosas que te limitam a uma escolha – a automática.

RODNEY: Contudo eu tendo a perpetuar essa perda. Mas quando me ponho em busca daquilo que, na minha vida, possa ter constituído razão de um profundo sentimento de perda, como a perda da minha família – exemplo digno de nota – não percebo se na verdade terei um sentido dessa perda. É como se me escondesse disso.

Ora bem, já experimentei níveis de profunda dor causada pela perda minha filha mais velha, e fui capaz de a sentir realmente, em várias ocasiões. Não me permiti abrir à dor em relação a muitas outras áreas. É como que só o tivesse feito em relação a isso. De que forma esta crença de não possuir dinheiro influenciará a minha capacidade de me expor a um verdadeiro sentido de perda nas áreas em que nem sequer reconheço isso?

ELIAS: Porque parte das influências desta crença consiste em proteger-te da exposição e a manter-te em guarda.

Agora; se estiveres a gerar expressões dessas, que extensão terá a afectação disso sobre aquilo que te permites assumir nas associações com os outros?

RODNEY: Se me mantiver em guarda, é o que queres dizer?

ELIAS: Se te mantiveres em guarda, a escudar-te num acto de protecção de ti próprio, estarás a impedir-te de te perceberes a ti próprio, às tuas crenças e à influência que exercem, porquanto isso se revela assustador e talvez mesmo prejudicial. Consequentemente, ao protegeres da percepção das crenças que abrigas, também te proteges em relação a todas as outras expressões de abertura.

RODNEY: E desse modo também me protejo da perda.

ELIAS: Sim. Deixas de receber essa energia ao te escudares dela. Ela pode ser-te projectada, porém, deixas de a receber. Activas o escudo de protecção.

RODNEY: Poderás repetir isso de novo? Eu bloqueio-o. (Elias ri) O que foi mesmo que disseste?

ELIAS: Essa energia foi-te anteriormente projectada, uma energia que seria recebida e experimentada na qualidade de perda, para o referir em termos que te são familiares, porém, tu não a recebes. Ela pode ser projectada na tua direcção mas tu não a recebes. Proteges-te, e desse modo deixas de experimentar essa expressão de perda na sua maior parte. Porque, se te permitires essa abertura e deixares cair a armadura de protecção, deixar essa forma de exposição e essa expressão de protecção, abrir-te-ás a ti próprio.

RODNEY: À mágoa.

ELIAS: E a todas as influências que abrigas.

RODNEY: Serei assim tão invulnerável?

ELIAS: Ou não seja esse o modo como pensas. (Ambos riem) Mas por vezes expressas abertura.

Agora; iniciaste esta conversa de hoje expressando-me não teres a certeza sobre o que irias debater comigo, e expressando alguma ansiedade.

RODNEY: Bom. Anotei tudo no papel, mas uma parte de mim diz ser tudo inadequado e não ser bom o suficientemente: “O Elias vai-se rir (Comovido), vai-se rir na tua cara.”

ELIAS: Mas, seria eu capaz de tal coisa?

RODNEY: Não, mas porque é que penso assim?

ELIAS: Deixa que te diga, meu amigo Zacharie, que reconheço que nas alturas em que interages comigo, geras uma maior abertura do que com qualquer outro indivíduo.

RODNEY: Eu sei, eu sei! (Comovido). Deus do céu, então por que é que sou assim?

ELIAS: (Com delicadeza) Por te teres exposto a uma crença insidiosa. Penetraste e identificaste uma crença tão influente que te ameaça a exposição de tal modo, que até mesmo comigo geraste apreensão. Não obstante, decidiste-te.

RODNEY: Foi, não foi?

ELIAS: Sim. Isto toca no próprio âmago do sentido de valor e do teu mérito que tens.

RODNEY: Eu sinto uma tal vontade de ver ou de experimentar o que se situa para além disso; o que residirá do lado de lá da duplicidade ou talvez simplesmente saber como poderei experimentar sem tanta duplicidade. Que existirá no outro lado do bem?

ELIAS: Deixa que te recorde que a duplicidade consiste num sistema de crenças também. Não está a ser eliminada. Aquilo que ESTÁ a ter expressão, Zacharie...

RODNEY: Não, mas esconde algo.

ELIAS: O que está a ter expressão, o movimento que está a ser gerado associado à duplicidade é uma quebra da continuidade da luta com ela, uma interrupção da continuidade do batalhar com ela, a admissão do conhecimento da tua verdade, o conhecimento das tuas crenças favoritas e o conhecimento da aceitação de as expressares para ti próprio como um bem, mas também a consciência de não serem absolutos. Podem ser boas para ti e não o serem para outro indivíduo. Nisso consiste a remoção do juízo crítico.

Não quer dizer que deixes de expressar qualquer juízo de bom ou de mau, de certo ou de errado, porque tu inseres-te nessa realidade física. Posso expressar-te isso (porém) eu não participo na tua realidade física.

Em termos de consciência isso é conhecido como uma crença. Não se trata dum absoluto; como tal, não existe qualquer certo ou errado, bom ou mau. Todavia, na vossa realidade, isso é bastante real.

Assim sendo, aquilo para que te deslocas, nesta mudança, em associação com a duplicidade, é para o reconhecimento de não se tratar de absoluto nenhum. Podes expressar as tuas opiniões e preferências e identificar certas expressões como sendo más e outras como boas.

RODNEY: Porém, com consciência de não serem absolutos.

ELIAS: Sabendo que não se trata de absolutos...

RODNEY: São apenas a minha opinião.

ELIAS: À medida que te vais deparando com a diferença noutros indivíduos, não ativas qualquer juízo. Isso traduz a expressão de: “Não tem importância”. Não que coisa alguma deixe de ter importância, porém, a DIFERENÇA é destituída de importância, porquanto a tua verdade é a tua verdade, enquanto que a verdade de outro constitui a verdade dele. E nenhuma delas estará certa ou errada. Será apenas o que é; a tua verdade, segundo o conceito que dela fazes, e a verdade do outro, no conceito que ele faz. Não subsiste qualquer necessidade de as alterar ou de mudar as expressões do outro indivíduo.

RODNEY: Ou de o corrigir ou esclarecer.

ELIAS: Correcto.

RODNEY: Ou de o instruir.

ELIAS: NISSO consiste a aceitação. Não que estejas a eliminar a duplicidade mas em saberes que não se trata dum absoluto.

O vosso sol não se ergue a cada dia – isso depende da localização em que vos encontrais. Em determinados localizações o vosso sol não se põe nem se ergue no horizonte por períodos muito longos. Trata-se duma questão de posição, perspectiva e percepção. Não se trata dum absoluto. Tu adoptas uma posição, e ao longo da tua experiência de vida geraste experiências de um modo particular que acabaram tornando-se na verdade e no factor absoluto que defendes – esta é a maneira como a realidade é empregue. Não necessariamente!

O que é significativo é se te sentes desconfortável com a tua verdade, ou se essa verdade resulta em depreciação, ou se essa verdade implica conflito e tu não o desejares expressar – porque alguns indivíduos abrigam o desejo de adoptar expressões conflituosas.

RODNEY: Conflito e por aí fora. Entendo.

ELIAS: Sim! Porém, se a tua verdade estiver a influenciar as tuas experiências de um modo depreciativo e que provoque conflito e desconforto, e tu não desejares nem preferires tal coisa, tens a capacidade de escolher de modo diferente. Porque vós englobais todas as crenças, inerentes a cada um dos sistemas de crenças, como já referi muitas, muitas vezes. Apenas expressais algumas dessas crenças no enquadramento de cada um desses sistemas de crenças. Portanto, existe uma pletora (superabundância) de crenças ao vosso dispor para poderdes expressar, que não expressais.

Recorrendo a uma analogia, quantas palavras incorpora o dicionário da vossa língua?

RODNEY: Muitas.

ELIAS: Quantas utilizais?

RODNEY: Oh, apenas uma pequena fracção.

ELIAS: Correcto. De forma similar, todos esses vocábulos estão à vossa disposição. Podeis escolher por entre centenas de milhar de vocábulos aqueles que derem expressão àquilo que pretenderdes comunicar ao exterior.

RODNEY: E eu não faço isso.

ELIAS: Porém, eles encontram-se à tua disposição.

RODNEY: Encontram-se, sim.

ELIAS: De modo bastante análogo, vós incorporais um número incontável, literalmente inúmeras crenças que deixais de expressar. Elas acham-se em estado latente, porém, acham-se ao vosso dispor justamente tal como os vocábulos.

RODNEY: Eu sinto que o modo como poderei propiciar a mim mesmo mais escolhas não consistirá em sair por aí à procura de modos de realizar dinheiro, de modo a invalidar estas prerrogativas. Isso funcionaria como uma camuflagem, como uma...

ELIAS: Isso não passaria dum reforço dessa crença.

RODNEY: O meio que me convém deverá ser o de me concentrar em mim próprio, a cada instante, e auscultar cada crença dessas, de forma a conseguir uma sensação verdadeiramente vívida e um sentido dessas crenças...

ELIAS: E em reconhecer o instante em que te encontres a expressar qualquer dessas influência. Em reconhecê-la e identificá-la...

RODNEY: E constatar: “Muito bem, é isso! Trata-se duma crença.”

ELIAS: “Reconheço que isto constitui uma influência desta crença, e que esta é uma resposta condicionada. Mas não estou limitado a uma resposta automática, pois não se trata da ÚNICA resposta que pode ser gerada.”

RODNEY: Certo, e quanto à verdade primordial que referi no início da folha de anotações, a declaração: “Não tenho dinheiro”, basta simplesmente identificar isso, que isso não consta de nenhuma verdade absoluta.

ELIAS: Exato.

RODNEY: Consiste simplesmente numa crença e eu disponho da capacidade de escolher uma crença diferente. Disponho da capacidade de escolher dispor de mais dinheiro do que aquele que julgo saber poder utilizar.

ELIAS: Exato.

Bom; reconhece igualmente que a identificação da crença de não teres dinheiro em si mesmo não passa duma inverdade.

RODNEY: Repete lá isso, por favor!

ELIAS: Tu exprimes a crença de que não tens dinheiro.

RODNEY: Correto.

ELIAS: Presta atenção ao carácter absoluto que isso assume – tu NÂO tens dinheiro.

RODNEY: Certo. Bom, tenho algum.

ELIAS: Ah ah ah ah ah! (Rodney ri) Escuta aquilo que expressaste enquanto crença de não teres dinheiro.

RODNEY: O que, claro está, não é verdade. (A rir)

ELIAS: Correcto. Em si mesmo não constitui verdade nenhuma.

RODNEY: Correcto. Ainda este fim de semana gastei algum dinheiro mal gasto. Não o desperdicei; na verdade até senti prazer em gastá-lo. (Ri)

ELIAS: Nessa medida, a associação efetiva que estás a estabelecer é a de que não dispões de dinheiro SUFICIENTE...

RODNEY: Correcto.

ELIAS: ...o que motiva a luta. Porém, a verdade, a crença – estás certo – essa É a crença que defendes, a de que não possuis dinheiro NENHUM.

RODNEY: Bom, é a verdade que corresponde a não ter dinheiro. Também refere a verdade de não dispor de dinheiro em quantidade suficiente.

ELIAS: Estou a perceber, porém é nisso que reside a questão da ausência de meio-termo que essas crenças incorporam.

RODNEY: Se tornam.

ELIAS: Sim, e absolutas. Não há margem para escala alguma cinza. Na verdade não se trata de não teres dinheiro suficiente, porque a condição extrema dessa crença refere que ou dispões de dinheiro ou não. Ou dispões de dinheiro suficiente para produzires tudo aquilo que quiseres, ou não, e nesse caso não possuis dinheiro nenhum, o que elimina qualquer posição intermédia e te coloca numa posição de perceberes teres que lutar a fim de poderes atingir aquilo que não possuis.

Agora; por intermédio da simples identificação dessa crença específica bem como pela percepção literal que comporta, a percepção do seu carácter absoluto...

RODNEY: Do “nenhum”.

ELIAS: Exacto. Mesmo na identificação disso alteras parte da percepção que tens, por reconheceres que não corresponde à verdade. Dispões de algum dinheiro, talvez em quantidade que percebes não ser suficiente, porém, mesmo até o reconhecimento de “algum” interrompe a associação absoluta do “nenhum”, o que te possibilita uma pequena vertente em que te podes mover a fim de começares a sentir auto-apreciação, a validar o que empreendes, aquilo de que dispões neste momento – o que interrompe ligeiramente o padrão de luta, porém, só interrompe em certa medida.

RODNEY: Por momentos, mas raramente. Percebo que isso me beneficia bastante. Em momentos desses sinto o quanto não aprecio o pouco de que disponho, o que faz parte do que acabaste de referir.

ELIAS: Certo. Mas quanto mais apreciares...

RODNEY: Aquilo de que disponho.

ELIAS: Exacto, quanto mais te descontraíres e interromperes o reforço dessa crença da perda ou da falta, mais facilmente criarás.

RODNEY: Que sou capaz de criar aquilo que quero e o que corresponde à preferência que sinto.

ELIAS: Sim, e passas a criar mais.

RODNEY: Pude notar na última conversa que tivemos que... bom, tem que ver com esta citação que foi empregue. Ao investir em títulos, parece-me a mim, em certas ocasiões, ocasiões essas que se estão a tornar mais frequentes – e peço-te que o verifiques ou o modifiques – obtenho ações e na verdade sinto não fazer qualquer diferença se o valor dessa ação sobe ou desce. Se o seu valor descer, fico atento. Se descer, sinto logo vontade de as vender, pelo que a perda se torna pouco significativa. E se subir, não é que seja bom ou mau. Além disso, já me afastei um pouco da ganância que o dinheiro imprime desse modo que me contento com um lucro pequeno e é nisso que consiste este jogo. Essa atitude parece ter uma profunda influência nas escolhas que promovo em relação ao que comprar e à altura apropriada para proceder à sua venda. Só queria que me ratificasses isso. (Elias confirma com um aceno de cabeça)

Além disso, no último fim de semana passei por uma tremenda irrupção de emoções, em torno da profissão que exerço, obviamente, por sentir não produzir o que era suposto produzir, e eu dispor de quatro dias para completar o serviço. Na verdade fui a uma excelente astróloga em quem confio, e conversei com ela sobre isso. Ela acabou por se revelar extremamente útil. Pensei que ela andava a ler o teu material, às escondidas. (Ambos riem) Mas sei que isso não é verdade.

O que isso quer dizer é que me achava preparado para largar o trabalho se não conseguisse faze-lo à minha maneira, por ter percebido que esse trabalho não ficaria pronto no final de semana; a companhia iria ficar comprometida, e o meu chefe do sector executivo iria ver-se em apuros. Além disso senti bastante dificuldade em me focar em mim próprio, em meio àquilo tudo, e empreendi um enorme esforço para o conseguir. Na segunda-feira de manhã levantei-me fui capaz de lhe dizer: “Para benefício da empresa, teu e de mim próprio preciso dizer-te que tens de entregar esta tarefa a alguém”, e cheguei mesmo a nomear a pessoa que lhe indiquei por saber que essa pessoa seria capaz de o terminar em quatro dias. Bom, não sei se alguma vez terei visto o meu chefe tão encorajador e preocupado comigo como naquela ocasião. Foi como se me tivesse revelado partes dele mesmo que desconhecia possuir, o que na verdade foi um reflexo...

ELIAS: Sim.

RODNEY: ... da minha... (Risos) Sinto-me de novo comovido.

ELIAS: Tu reflectes de volta a ti próprio aquilo que projectas para o exterior. Se projectares para o exterior que és capaz de cumprir todas essas tarefas e te pressionares para criar certos movimentos sem te deres atenção a ti próprio e gerares expectativas em relação a ti próprio, outros farão o mesmo, porquanto eles reflectirão aquilo que estiveres a expressar em ti próprio quanto às expectativas que estiveres a gerar.

Todavia, se estiveres genuinamente a alterar as tuas energias e projetares para o exterior algo de autêntico da tua parte, e auscultares o que comunicares a ti próprio, e prestares atenção a ti próprio, geras esse reflexo de encorajamento exterior, do mesmo modo. (1)

RODNEY: Eu tive quatro indivíduos a trabalharem para mim durante quatro dias. E fiquei com o equivalente a quase dezasseis dias úteis só para completar o trabalho, mas ainda assim, sentia-me preso no: “Preciso que ser eu a completar isto.” Quando percebi que tinha que pedir ajuda, por não conseguir acabar aquilo em quatro dias”, esse pedido brotou duma genuína focalização em mim próprio.

ELIAS: Por certo, e com isso não geraste qualquer expressão de desapontamento, de fracasso nem de debilidade. Aquilo que geraste, ao atenderes e dares atenção a ti próprio foi apoio.

RODNEY: Um apoio enorme. Não apenas da parte dele como também dos outros todos. Aquilo de que tenho receio é que pretendam ver-se livres de mim por eu ser um velho desajeitado.

ELIAS: Mesmo depois da evidência disso...?

RODNEY: Percebe, a evidência é... (Emocionado) Deus! Quão negro é o buraco em que enfio a cabeça?

ELIAS: Talvez, meu amigo, com uma prova dessas consigas permitir-te começar a apreciar o valor que tens.

RODNEY: Oh, Cristo! Mas devo estar a obter algum progresso, não?

ELIAS: Estás a fazer um tremendo progresso, nos termos que empregas. Porque, eu posso-te dizer que - apesar de ainda continuares a desvalorizar-te - projectas para o exterior uma energia progressiva de atenção para contigo e uma permissão de alguma abertura, porque os outros te estão a perceber de modo similar àquele por que te percebo.

RODNEY: (Ri) Obrigado, Elias. Isso é encorajador.
Dispomos apenas de mais alguns minutos e eu sinto curiosidade. Não sei se conseguirei ter tempo ou se o conseguirei aproveitar, pelo que te peço se podes ajudar-me um pouco com isto. Tenho um filho chamado Benjamim. Poderias revelar-me a que família espiritual ele pertence e com qual está alinhado? Ou preferes que estude o teu material e o descubra por mim próprio? Acatarei qualquer dessas duas decisões.

ELIAS: (Sorri) Família da Essência, Sumafi; alinhamento, Gramada

RODNEY: Gramada. Essa é uma nova sobre a qual vou ter que ler. Qual é o nome da essência dele? (Pausa)

ELIAS: Nome da essência, Max.

RODNEY: Max! (Ri) De facto ele é o “Máximo”. (Elias ri) Pressinto que já tive outras encarnações com ele.

ELIAS: Sim.

RODNEY: Suspeito que tenham sido muitas.

ELIAS: Foram.

RODNEY: Muito bem. Eu próprio vou tentar obter essa informação. (Elias sorri)

Eu tive um sonho, a semana passada, após ou durante o tumulto emocional que referi, e pude perceber um incentivo para sair a voar, sair destas armadilhas e voar sem parar, mergulhar de cabeça na água e continuar a voar.

O meu filho conseguiu um emprego em que tem que se deslocar numa altura de uns oito metros e meio, o que é bastante alto. Embora ele aparentasse ser bastante ousado quando era mais novo, ele nunca apreciou a ideia de andar dependurado nos tectos. De qualquer modo acabou aceitando o cargo por lhe parecer que se tenha prezado o aspecto da segurança. No Sábado de manhã telefonou-me – ele tinha ido passar uma semana à Florida – e disse-me: “Não vais acreditar no que fiz:” E eu disse: “O que foi?” Aí ele respondeu-me: “Fiz parapente a quatrocentos metros de altura.” (Ambos riem) Eu ri-me sem parar com aquilo e em seguida disse: “Bom, penso que os 8 metros e meio já não vão mais parecer tão assustadores.”

Aquilo que me chamou a atenção foi o paralelo que se estabeleceu entre o sonho que tive e a façanha que ele comete. Agora; tenho o pressentimento de que o sonho não estava completamente relacionado com o que ele empreendeu.

ELIAS: Exacto.

RODNEY: Provavelmente teve muito a ver com a necessidade que tinha de me libertar...

ELIAS: Sim.

RODNEY: ...de algumas dessas armadilhas que tinha criado. Porém, também me ocorreu que ele estaria, de modo similar, a libertar-se de alguns receios, ao meter-se naquilo.

ELIAS: Sim.

RODNEY: Portanto, o sonho incorporou não só a minha energia como também a dele, além de estabelecer uma associação entre aquilo que ele fez com certas partes do sonho.

ELIAS: Sim, por intermédio da energia de apoio mútuo.

RODNEY: Sim. Uma outra rápida... Disponho apenas de dois minutos. (Ambos riem) Eu ficava aqui a falar contigo o dia todo. E não sabia por onde devia começar esta conversa!

Recentemente tive este sonho – é curioso – é somente parte do sonho, mas havia algo que se parecia com um salão de entrada completamente inserido num edifício, sem janelas. Este edifício tinha árvores como símbolos da essência e rios, de cuja corrente não me conseguia libertar, de tão fortes que eram, enquanto que as paredes se assemelhavam a penedos. Tudo isso se passava no centro deste sonho, neste salão, e quando se saía não se podia voltar a entrar. Mas o que este salão tinha de fascinante – ele tinha talvez uma meia quadra de largo - é que me sentia tão repleto de energia que era capaz de correr pelo chão e trepar pelas paredes e fazer ricochete nas coisas. A cor consistia em vários tons de dourado e dourado carregado, mais dourado do que qualquer outra coisa. A minha ex-mulher estava lá. Que simbolizavam o quarto e aquelas cores, e a presença da minha ex-mulher?

ELIAS: Que impressão tens?

RODNEY: A impressão que colhi foi bastante simples e ligada à terra. A presença da minha mulher simboliza relacionamento.

ELIAS: E o passado, além de movimento na direcção do que haverias de chamar – em termos que te sejam conhecidos – o aposento da tua alma – tu.

RODNEY: Nesse caso, o que é que... Como é que... Não percebo a associação existente entre o passado e a alma.

ELIAS: Por que isso representa o presente.

RODNEY: Mas o quarto não simbolizará a minha alma no presente?

ELIAS: Sim, no presente – movimento nesse sentido e abandono do passado, por assim dizer, o que te proporcionará a liberdade.

RODNEY: Permanecer no momento, no momento da minha alma.

ELIAS: Sim.

RODNEY: Bom, aquele rio, aquelas enormes vagas e eu a ser arrastado ao longo dos fortes penedos. Sinto-me bloqueado aqui.

ELIAS: Expressões exteriores, movimentos no sentido do exterior, que te impedem de te moveres para o interior de ti. Isso está associado à atenção que empregas.

RODNEY: Mas eu sentia-me preso naquelas águas e não conseguia... Acabei por ser atirado de encontro a uma árvore e cair ao solo. Não sei como aquilo aconteceu.

ELIAS: Isso ilustra a força da corrente das influências, tal como tu exemplificaste com a apresentação que empregaste neste diálogo.

RODNEY: Se ela representa o passado, foi ela que fechou a porta que não permitia que eu voltasse à dependência da minha alma. É o passado.

ELIAS: Certo.

RODNEY: O que simbolizava aquela cor? Fui eu quem a escolheu, não fui?

ELIAS: Foste. Na verdade foi uma cor que escolheste de acordo com a glória dessa posição. O que é que percebes como a glória da vossa terra, de que todas as coisas brotam?

RODNEY: Dourado, a cor dos bosques cerrados.

ELIAS: Exacto. Essa é a associação que estabeleces com a cintilação da vida – a própria terra, de que todas as coisas brotam.

RODNEY: Tem muito significado, para mim.

ELIAS: Exacto, portanto tu emprestas uma simbologia na associação que isso tem contigo – com a tua alma, por assim dizer, a partir do que tudo brota.

RODNEY: Eu dava-te um enorme abraço, Elias, mas tal coisa haveria de deixar a Mary tremendamente atarantada! (Elias ri abertamente)

ELIAS: Meu querido amigo, Zacharie! Ah, ah, ah! Vamos continuar com a nossa amizade e brincadeiras que eu te encorajarei quanto baste nessa brincadeira, Zacharie!

RODNEY: Estou a tornar-me muito bom nisso. (Elias ri) No desfile levavam um cartaz que dizia: “Fertilizai a mente.” Eu disse para comigo: “Não preciso de fertilizar a minha, pois ela já se acha tão suja quanto podia estar.” (Elias ri abertamente de novo) Isso agrada-me. Obrigado.

ELIAS: Como sempre, a antecipar o nosso próximo encontro, com um tremendo afecto, Zacharie...

RODNEY: Obrigado.

ELIAS: ...para ti, com todo o afecto, au revoir.

Elias parte às 11:46 AM.

©2006 Mary Ennis. Direitos reservados



Nota do Tradutor: (1) Elias refere-se a isto numa outra belíssima passagem da sessão 1012, que estendi propositadamente pela riqueza do conteúdo que apresenta:

“... Ora bem; examinemos o círculo de acção do que sucede. Expressas uma falta de atenção e de reconhecimento para contigo e por isso projectas-te no exterior em relação aos outros, procurando com isso obter deles as expressões que não estás a proporcionar a ti próprio. Portanto, geras expectativas em relação a ti, em relação ao que deves expressar aos outros que esteja associado às expectativas que geras externamente em relação aos demais – no modo como devam expressar-se para contigo, de forma que obtenhas as expressões que procuras.

Agora; deixa, meu amigo, que te diga que reflectes para contigo próprio, por intermédio dos demais, aquilo que interiormente estás a gerar no teu íntimo. Desse modo, se não prestares atenção a ti e se no teu íntimo deixares de te validar, de te aceitares e de confiares em ti, em termos de apreciação do teu valor, projectarás isso para o exterior e reflectirás a expressão disso nas expressões dos outros. Portanto, em lugar de gerares aquilo que esperas, estarás a projectar uma falta de aceitação, e como tal estarás a gerar uma falta de aceitação no reflexo que recebes dos outros.

Agora; ao inverso, se direccionares a tua atenção apara ti próprio também dás lugar a uma circulação diferente. Se te permites prestar atenção a ti e ao que TU estás a criar, aquilo que TU desejas no teu íntimo, e proporcionas a ti próprio a aceitação e a confiança em ti mesmo, também expressas automaticamente essa energia para o exterior. Os outros receberão essa energia e reconhecerão de imediato não estares a expressar juízo crítico nem expectativa alguma, e desse modo o produto automático da aceitação de ti próprio reflecte-se na resposta de aceitação, que recebes da parte deles.

Bom; eu compreendo as associações que estabeleces em relação às crenças que geras relativas à expressão disso relativa aos outros por uma razão de te protegeres deles, mas passemos igualmente a examinar essa expressão. Essa expressão de protecção em relação aos outros consiste, na realidade, num reflexo da protecção que PERCEBES necessitar. Com efeito, a expressão de protecção é gerada em associação ao temor, e o medo é gerado no TEU íntimo. Tu geras medo relativamente a ti próprio por falta de apreciação de ti próprio, falta de confiança em ti, pelo que passas a desvalorizar o mérito que tens no teu íntimo.

Quando te expressas desse modo, por meio de associações dessas, em relação a ti, geras uma expressão de necessidade de protecção pessoal, porque o medo se torna numa projecção exteriorizada de energia inquisitiva, a duvidar e a temer a percepção que os outros tenham de ti e a crítica que te teçam.

A expressão de protecção consiste, com efeito,  numa protecção da energia que cria uma espécie de escudo que percebes proteger-te das expressões de falta de aceitação e de condenação pessoal dos outros. Mas o que tu percebes duma forma objectiva é argutamente camuflado, porque ao tentares validar-te ou dar expressão à tua dignidade pessoal de maneira hipócrita, dás expressão a essa fachada hipócrita na qual projectas energia para os outros e estabeleces a associação de os estares a proteger, e não a ti próprio. Mas, ao protege-los – coisa que eles não precisam, nem tu tampouco – mas na expressão de procurares protege-los, também geras expectativas espantosas; porque, se os estiveres a proteger, eles precisam reconhecer o teu valor e revelar apreço por ti.

Na realidade, estás a tentar gerar a realidade dos outros, que tu não consegues. Só que percebes estar a criar a tua realidade de modo ineficaz; por isso, procuras criar a realidade  dos outros de modo mais eficiente. Ah ah!...”


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