sexta-feira, 1 de julho de 2011

INFIDELIDADE E CULPA




SESSÃO #931
"Infidelidade e Sensação de Culpa"
Sexta-feira, 19 de Outubro de 2001 (Privada/Telefone)
Tradução: Amadeu Duarte
(Versão Resumida)

...

JENNY: Elias, eu gostava de saber se este foco que eu tenho como Frida Kahlo, gostava de saber se a Onix é meu marido ou minha irmã nessa vida.

ELIAS: Nenhum dos dois – um amigo.

JENNY: Eu queria saber algo em relação a este meu amigo, este homem que conheci chamado Michael. Gostava de saber quantos focos partilho com ele?

ELIAS: Seis.

JENNY: E algum desses focos se situa na Segunda Grande Guerra?

ELIAS: Um.

JENNY: E ele é meu marido?

ELIAS: É, por um breve período de tempo.

JENNY: Isso ocorre quando nos encontramos num campo de concentração Judeu?

ELIAS: Sim, mas não estão juntos.

JENNY: Eu gostava de saber, porque quando o conheci aqui de novo senti-me verdadeiramente aterrorizada. Alguma coisa realmente poderosa aconteceu quando o conheci e gostava de saber porque razão escolhemos voltar aqui juntos, exactamente na mesma altura? Teremos alguma coisa a aprender um com o outro?

ELIAS: Deixa-me dizer-te Emilio, as essências manifestam-se inúmeras vezes em conjunto ao longo de diferentes focos, e de cada vez que vos manifestais juntamente com o foco duma outra essência ofereceis a vós próprios algum aspecto que merece exploração no vosso presente foco da atenção.

Agora; Até mesmo indivíduos que encontras objectivamente de forma bastante breve, em termos gerais, tu manifestas-te com eles noutros focos porque nenhum encontro com outro, seja em que altura for ocorre de forma casual ou acidental. Por isso, não se trata necessariamente duma situação em que subsista algo “a aprender” no encontro que crias com o outro indivíduo, mas duma oportunidade de reconheceres expressões de energia assim como de familiaridade; e com isso, aquilo que escolhes criar em relação a qualquer indivíduo que encontras ao longo da tua manifestação depende da direcção em que te estás a mover na altura.

JENNY: Penso que ele tem muito a ver com a atenção que eu dou à dança e com o cuidado que dou às expressões corporais.

ELIAS: O significado consiste em prestares atenção e colheres sentido de apreciação do intercâmbio que está a decorrer; em reconheceres a familiaridade da energia e em notares como isso facilita a vossa acção conjunta, assim como em permitires abrir-te para a tua própria expressão de criatividade em relação ao que pode ser partilhado entre ti e o indivíduo.

JENNY: Após aquilo que aconteceu, aquilo que manifestamos, parece-me que estou a atravessar uma explosão psíquica; é desse modo que prefiro designá-lo. Sinto-me como se no momento me encontrasse apaixonada por duas pessoas e jamais pensei que isso pudesse ser possível.

ELIAS: (Ri) Deixa que te diga, minha amiga, que na verdade a energia não sofre restrições, e a capacidade de gerares uma expressão do que designas como amor também não tem limites. Por isso, na realidade, possuis a capacidade de amar diversos indivíduos em simultâneo e por igual medida.

JENNY: E mais, finalmente consigo admitir para mim própria que a minha feminilidade não consiste na minha identidade verdadeira, pelo que as minhas orientações sexuais e desejos estão todos a mudar. Mas eu estou a admitir a mim mesma essa liberdade, compreendes o que te estou a dizer?

ELIAS: Compreendo.

JENNY: Sinto-me presa no meu relacionamento com o Othello e estou a fazer face a uma enorme quantidade de crenças, sabes?

ELIAS: Estou a compreender, e isso depende das escolhas em relação àquilo que estás a criar e ao que queres bem como à forma como tu te permites manifestá-lo. Porque se estiveres a sentir-te ameaçada em relação ao teu relacionamento com o Othello, deverá ser isso o que vens a criar. Por isso presta atenção àquilo que queres, assim como à direcção que isso toma e às expressões que assumes. Presta atenção às crenças que comportas que possam estar a influenciar-te os comportamentos e a interacção porque tu tens a capacidade de continuares a criar esse relacionamento com esse indivíduo de forma isenta de conflitos e de ameaça; mas isso consta da tua expressão, porque tu crias o relacionamento na sua globalidade por meio da tua percepção, do mesmo modo que ele.

JENNY: Então… Não sei. Eu desejo ficar só, quase como se me centrasse no agora. Tenho praticado muito isso e isso faz-me sentir mais em paz em mim mesma. Mas pressinto ter que definir uma vontade específica, como: “Eu tenho que querer isto”.

ELIAS: Posso dizer-te que as vontades SÃO específicas, mas isso não quer dizer que sejam singulares. Podes sentir diversas vontades ao mesmo tempo e na realidade podes permitir-te essas escolhas, assim como criar a manifestação de todos esses quereres em simultâneo. Tu não estás limitada, minha amiga. A questão reside aí; nisso reside aquilo que estivemos a discutir. E nós debatemos isto repetidas vezes neste fórum destas sessões, ao expressarmos que nenhum de vós está limitado nas escolhas que faz. As vossas limitações brotam das respostas automáticas das vossas crenças.

JENNY: Então nesse caso eu procedo a um tipo de resposta automática ao me condenar por não revelar isto ao David. Sinto como se lhe estivesse a mentir em vez de ser honesta como devia, e eu devia ser honesta e não sentir temor algum acontecesse o que acontecesse.

ELIAS: Essas são crenças que as massas expressam de forma vigorosa, minha amiga.

JENNY: Não mentir a ninguém?

ELIAS: Aquilo que te estou aqui a identificar é o vigor das crenças relativas às relações e ao modo como deviam ser expressadas. Porque na tua sociedade vós expressais imensas associações em relação ao tema dos relacionamentos românticos, como a de que devem ou deviam acontecer de modos específicos, assim como se vos desviardes dessas expressões específicas colocais-vos em falta na vossa capacidade de criar o relacionamento, o que na realidade é incorrecto. Isso não passa duma expressão das vossas crenças. Mas tenho consciência do vigor dessas crenças das massas, e digo-te que estás a presentear-te com um enorme desafio.

Posso expressar-te uma sugestão, minha amiga. Se preferires podes estabelecer uma interacção com o Michael igualmente com respeito a este tema assim como em relação à interacção física e às manifestações por que podes conceder a ti própria permissão para criares as tuas escolhas e aquilo que queres, a despeito das expressões das crenças das massas.

JENNY: Que deverei fazer agora, em termos específicos? Deixar-me ficar sozinha e procurar centrar-me no agora?

ELIAS: Permite-te criar aquilo que queres no momento, no agora, e deixares de expressar juízo de valor e depreciação em relação a ti própria.

JENNY: Quando dizes “aquilo que queres” fico confusa – que é que eu quero? Penso que aquilo que quero deve situar-se no futuro, sabes? Como por exemplo, que é que eu quero amanhã, ou como quererei que as coisas sejam daqui a um mês?

ELIAS: E é desse modo que te confundes a ti própria. Por isso permite-te centrar a tua atenção no momento, presta atenção a ti própria, e permite-te gerar aquilo que queres no momento, sem deixares de prestar atenção às tuas escolhas.

Porque posso dizer-te que muitas vezes podes dar lugar à criação dum processo de pensamento no momento e criares actos e escolhas duma forma não necessariamente consistente com os teus pensamentos. Por isso presta atenção àquilo que estiveres a escolher e a fazer no momento, assim como àquilo que estiver a influenciar isso, e que tipos de comunicação estarás a oferecer a ti própria.

JENNY: Não preciso fazer nada em concreto?

ELIAS: Não necessariamente, não.

...

JENNY: Quero fazer-te uma pergunta acerca de dois sonhos vívidos que tive. Num deles eu tomava conta dum bebé. Não sei se o bebé me representaria a mim própria. O bebé encontrava-se numa cama de hospital e tinha um endoscópio inserido no estômago. Ele achava-se bastante mal. Eu queria saber o que é que isso significa.

ELIAS: Que impressão tens?

JENNY: Eu pressinto que a criança me representa a mim, e eu estava como que a dar auxílio a mim própria ou a assistir a mim própria, não sei.

ELIAS: Em termos simbólicos, estás correcta. A imagética onírica que ofereces a ti própria diz respeito a ti própria e à perspectiva que tens de estares a precisar da tua própria atenção, da mesma forma como a darias a uma criança, ao nutrires a criança; um tipo de atenção em que permaneças bastante atenta a ti própria. Nisso consiste a mensagem que expressas para ti própria através dessa imagética dos sonhos.

JENNY: Que eu devia adoptar mais esse tipo de atitude?

ELIAS: Sim.

JENNY: E em relação ao sonho que tive com a minha avó? Ela estava a morrer ou já estaria morta e eu dizia para todo o mundo: “Daqui para fora! Eu quero falar com ela; tenho que a auxiliar, tenho que lhe dizer o que se acha do outro lado” ou algo nesses termos.

ELIAS: Diz-me a impressão que tens.

JENNY: A primeira coisa que me veio à mente é toda esta coisa relacionada com a responsabilidade pessoal…

ELIAS: Estás bastante correcta, minha amiga! Ah, ah, ah!

JENNY: Estás a ver, já estou a ficar melhor!

ELIAS: Ah! Ah, ah!

JENNY: Estou a começar a sentir-me melhor em relação a mim própria!

ELIAS: E eu confirmo-te neste movimento que estás a criar.

JENNY: Tu sentes a minha energia, não é?

ELIAS: É!

JENNY: Também te queria dizer que, devido a andar a encontrar-me igualmente com o Michael, sinto como se tivesse uma pequena infecção ou talvez tenha contraído uma sensação de prurido na vagina, e eu penso que isso tenha que ver com um sentimento de culpa ou isso.

ELIAS: Ah, estás bastante correcta.

JENNY: Mas, em que consiste a mensagem?

ELIAS: Em prestares atenção às crenças que te estão a influenciar nessa tua expressão de culpa.

JENNY: Relacionadas com o certo e o errado, não é?

ELIAS: Em que consiste a tua expressão de culpa?

JENNY: Que queres dizer? Quais as crenças que abrigo?

ELIAS: Diz-me a razão porque adoptas esta expressão de culpabilidade.

JENNY: A primeira coisa que me vém à mente é que não estou a ser directa, honesta; estou a deixar de colocar as cartas na mesa, se me podes entender.

ELIAS: Portanto, estás a voltar-te para a crença relativa à honestidade.

JENNY: Certo, eu tenho essa crença, Elias.

ELIAS: E que é que ganhas com isso, em que consistirá a contrapartida que obténs ao assumires essa expressão de honestidade?

JENNY: Penso que as pessoas sentirão apreço por mim e que virei a ser conhecida como boa e corajosa…

ELIAS: E qual é o medo que sentes?

JENNY: Oh, Deus meu, qual é o medo que sinto? Que as pessoas possam não confiar em mim, que… Eu não sei. Para ser mais específica, aquilo que me vem à cabeça é que, se eu contar a verdade ao David, aí que poderá acontece-me? Deixarei de ter para onde ir; deixarei de ter dinheiro. Relaciono esse tipo e ideias porque, de algum modo parecem estar encadeadas umas nas outras.

ELIAS: E que é que te leva a avaliar que estejas a criar que seja tão errado?

JENNY: Oh, Deus, eu não sei. Parece que é tudo! Não sei. Desconheço o que te possa responder neste momento. Ajuda-me.

ELIAS: Estás a gerar uma expressão de medo em relação ao Othello, e estás a declarar a ti própria que não estás a expressar-te com honestidade em relação a ele. Que é que percebes teres criado que seja tão errado e que gere este medo de interagires com o Othello?

JENNY: Sinto que ele me proporcionou tanto e agora olha como lhe estou a retribuir isso.

ELIAS: De que modo?

JENNY: O modo como estou a retribuir-lhe isso?

ELIAS: Sim.

JENNY: Com desonestidade.

ELIAS: Em relação a quê?

JENNY: Por não me sentir feliz nem satisfeita com ele. Por sentir que ele faz tanto por mim, sabes?

ELIAS: Ah, e por isso percebes dever expressar lealdade e dedicação e gratidão em relação a ele. E não sentes isso?

JENNY: Sinto, sim. Mas sabes…

ELIAS: E eu digo-te, uma vez mais, nesse caso que terás criado de tão errado assim? Tu ESTÁS a expressar dedicação e lealdade e gratidão, todas as expressões que relacionas com as relações íntimas de modo associado às tuas crenças. Por isso, que terás tu criado que te possa gerar um sentimento de culpa?

JENNY: Não compreendo a pergunta.

ELIAS: Se tu expressas gratidão e afeição no teu relacionamento, diz-me o que é que estarás igualmente a gerar no teu íntimo que te leve a avaliar-te como desonesta?

JENNY: Eu sinto como se estivesse...

ELIAS: Por estares a ter uma interacção com outro indivíduo e isso ser considerado bastante errado?

JENNY: Exacto. Sim.

ELIAS: Porquê?

JENNY: Porque a crença diz que é suposto estarmos junto duma pessoa, se a amarmos – mas uma só pessoa.

ELIAS: Mas será que a gratidão e o afecto que sentes pelo Othello sairão diminuídos?

JENNY: Não. Antes pelo contrário.

ELIAS: É isso o que te estou a dizer, minha amiga, que te permitas examinar essas crenças que te estão a influenciar essa condenação formidável que manifestas para com a tua pessoa, porque tu não criaste nada que seja errado.

JENNY: Devia permanecer no momento, e só, comigo mesma, e confiar que estou a escolher aquilo que quero...

ELIAS: Exacto.

JENNY: ...E deixar de andar com a cabeça às voltas com os pensamentos.

ELIAS: Que isso não é errado.

JENNY: Agora vai falar-te a Onix.

ELIAS: Muito bem.

ONIX: Gostava de te perguntar acerca do meu sobrinho, Manuel. Queria saber o que é que se passa com ele e de que forma poderemos auxiliá-lo a ficar melhor.

ELIAS: Explica.

ONIX: Ele tem seis anos e não fala. Pensamos que seja autista mas não temos a certeza porque os médicos ainda desconhecem se isso será ou não um facto. Mas ele não fala.

ELIAS: E qual é a natureza da vossa preocupação em face da opção desse indivíduo de não falar?

ONIX: Devido a tratar-se de alguém que eu ame, e por gostar de o poder ajudar e de poder partilhar coisas com ele, outras experiências. Não só este tipo de experiências, mas não consigo conversar com ele. Gostava de o beijar e abraçar mas também gostava de comunicar com ele e de conversar com ele e de saber o que é que pensa.

ELIAS: Deixa-me dizer-te que a tua aceitação da escolha dele servirá de maior auxílio.

O movimento de alterares a escolha dele não serve de ajuda e reforça justamente as limitações na interacção que podes ter com ele. Trata-se duma escolha que o indivíduo está a criar, e a aceitação dessa escolha pela tua parte, assim como a permissão que conseguires em ti própria para comunicar com ele, a despeito dele escolher falar ou não, demonstrará em termos objectivos a tua tolerância na aceitação da sua escolha.

Nesse sentido posso dizer-te que existem outros processos através dos quais podeis comunicar sem ser através do diálogo. Na realidade, minha amiga, podes aproveitar esta oportunidade para reconheceres que o diálogo verbal consiste na realidade numa as ferramentas menos subtis para comunicares com outro indivíduo. Apesar de concentrares a tua atenção de forma bastante marcante no sentido da comunicação verbal, na realidade até mesmo com aqueles com quem comunicas verbalmente, tu ofereces e recebes muito mais comunicação por meio de outras vias de comunicação do que a do diálogo verbal.

Posso dizer-te que és capaz de conversar e de comunicar com um outro indivíduo, assim como ele contigo, e em qualquer altura notares que não importa aquilo que ele possa estar a dizer, por poderes estar a receber um tipo de comunicação mais eloquente e dotado duma maior clareza da parte dele, sem que o esteja a verbalizar. Mas reconheces a energia que o indivíduo está a projectar e nesse sentido tu automaticamente vais além da comunicação verbal que está a ser expressada e de imediato voltas a tua atenção para aquilo que está a ser expressado, porquanto pode ser bastante diferente.

Nesse sentido, permite-te recordar exemplos ocorridos nas vossas próprias experiência de certas alturas em que podeis inquirir determinada pessoa sobre o seu estado de saúde, ou sobre como tem passado, e no momento a pessoa pode expressar-vos no vernáculo comum estar muito bem, e vós, reconhecendo a energia que a pessoa projecta, voltais imediatamente a vossa atenção e sabeis que aquilo que o indivíduo está a expressar em termos verbais na realidade não corresponde ao que está a ocorrer no seu íntimo.

ONIX: Será isso o que está a ocorrer entre mim e a minha companheira de casa? Porque eu sinto-me sempre bastante nervosa em relação ao nosso relacionamento. Ela comunica-me algo mas a mensagem que eu recebo é outra...

ELIAS: Exacto.

ONIX: ...Em termos de energia.

ELIAS: Exacto.

ONIX: E por vezes sinto-me culpada por abrigar este mau pressentimento em relação a ela, e eu sinto-me culpada e sinto estar a ajuizá-la mal. Não será este um bom exemplo? Terei razão em relação ao sentimento que nutro para com ela?

ELIAS: Tens, mas eu posso igualmente dizer-te que é desnecessário aceitar a culpa.

Não é preciso incorporar condenação mas posso dizer-te que não deprecies aquilo de que estás a tomar consciência através da energia, seja o que for que estiver a ser expresso em termos verbais. Por isso, permite-te prestar atenção em meio ao reconhecimento de que na realidade a energia fala mais alto do que as vossas comunicações verbais, porque nesse sentido, também manipulais a energia, por assim dizer, em grande medida e de forma mais eficiente através de outras formas de comunicação além da verbal. Porque, muitas vezes a vossa linguagem não comporta palavras que expressem a energia que desejais expressar.

Com isto, na medida em que praticares o acto de prestares atenção a outras formas de comunicação, a trocas de energia e a projecções de energia, à recepção de energia e em relação a comunicações que são oferecidas por meio de ligeiros movimentos e expressões na consciência corporal – e nesse sentido podes igualmente fazer uso do teu sentido de empatia – podes descobrir ser capaz de manter muito mais comunicação com esse pequeno do que terias previamente podido reconhecer.

ONIX: Eu ainda precisava saber algo acerca da minha companheira de casa.

ELIAS: Muito bem.

ONIX: Que é que eu esperava realizar em termos de energia ao trazer alguém como ela para a minha experiência? Porque penso que ela olha bastante por mim e por vezes não me apetece passar tempo nenhum na sua companhia, mas ela está sempre a tentar obter a minha atenção. Provavelmente estarei a criar isso, mas desconheço o que seja que preciso aprender com isto.

ELIAS: Posso-te dizer que estás a apresentar esta situação a ti mesma através de expressões que se direccionam em vários sentidos. Estás a oferecer a ti própria uma oportunidade de prestares atenção a ti própria, antes de mais, de forma que ao prestares atenção a ti própria isso te permita reconheceres aquilo que pretendes e a forma como desejas expressar as tuas interacções. Também estás a oferecer a ti própria uma oportunidade de te expressares a ti própria de um modo genuíno em relação ao que queres.

Muitas vezes no teu foco tu condescendes com outros quando na realidade no teu íntimo negas aquilo que queres, a fim de te acomodares ao outro. (Dito com ênfase) Tu não tens qualquer obrigação em relação aos outros. Não te digo que expresses juízo de valor no que toca ao outro mas tu não estás sujeita aos ditames das suas escolhas.

ONIX: Porque que será que ela me procura tanto quando tenho conhecimento de que ela resiste à mensagem que lhe transmito em termos de energia, de não desejar associar-me com ela? Mesmo quando não lho digo por palavras eu comunico-lho e sei que ela consegue senti-lo.

ELIAS: Tu tens razão. Aqui, estás a admitir essa forma de insistência por não te permitires criar aquilo que queres. Se criares aquilo que TU queres, deixarás de expressar responsabilidade pessoal e obrigação e sentido de “dever” mas permitir-te-ás encarar a ti própria.

ONIX: Estarei a ensinar a mim mesma através desta relação com ela?

ELIAS: Estás. Porque aqui estás a expressar um falso sentido de nobreza, por assim dizer. Estás a expressar a ti própria a camuflagem de estares a ser boa e generosa ao deixares de expressar aquilo que desejas ao outro, por não teres muita certeza sobre como poderás expressá-lo de forma que seja encarado como mais simpática. Por isso estás a apresentar-te uma questão sobre como os outros te perceberão e o teu desejo de seres percebida de determinado modo.

Por isso, expressas-te exteriormente e em termos objectivos de um modo mas isso não tem importância porque estás a expressar a energia, tal como estás ciente. E com isso continuas a apresentar essa situação a ti própria, ao ponto de reconheceres a tua própria expressão e de te permitires gerar harmonia em ti própria.

ONIX: Isso também está bastante relacionado com o meu problema da comunicação e eu gostava de saber por que razão me é tão difícil comunicar e deixar os outros saberem aquilo que quero. Isso provavelmente também está relacionado com o meu problema de comunicação verbal. Não me consigo concentrar naquilo que quero dizer ou não sou capaz de organizar as minhas ideias, e acho difícil aprender e recordar certas coisas.

ELIAS: Isso está directamente associado com a percepção que tens de ti própria. Isso consiste numa expressão de auto-depreciação, minha amiga, e de falta de reconhecimento do teu próprio valor e por equiparares o teu valor a meras expressões e ao que podes chamar de...

ONIX: De que modo poderei suplantar este medo de me comunicar por meio das palavras?

ELIAS: Exactamente. E essa é igualmente a razão por que te focas nesta expressão particular em relação a esse catraio, por se tratar duma questão que estás a apresentar a ti própria. Tu deprecias-te e expressas a ti própria que as tuas comunicações verbais são inadequadas, e isso, tal como referi, acha-se directamente associado à percepção que tens de ti própria em relação ao teu valor. Tu desvalorizas-te e expressas seres menos do que os outros mas isso apenas dá continuidade à auto-depreciação, o que também vai reforçar o teu medo, e desse modo tu estabeleces esse círculo.

ONIX: Gostava de te perguntar algo em relação à minha saúde. Tenho problemas originados pela criação de uma imensa quantidade de ar em certas áreas do meu corpo, ar indesejável. Porque razão estarei a experimentar isso? E como poderei alterar essa situação? Como poderei curar isso?

ELIAS: Posso dizer-te que o modo através do qual alterarás tal expressão também se acha relacionada com a questão anterior. Se começares a permitir-te expressar apreço por ti própria, se te permitires sentir reconhecimento por ti própria em vez de te depreciares, e reconheceres o teu valor e o teu mérito – porque é grande – também deixarás de continuar a criar expressões que reforçam a tua auto-depreciação. Essa criação acha-se bastante associada àquilo que temos vindo a debater, porque isso reforça do mesmo modo a depreciação que fazes da tua aparência física e o modo como deverás vir a ser percebida pelos outros.

ONIX: Quando por vezes me olho ao espelho e me fixo na imagem diante de mim, penso estar a contemplar outra pessoa que não eu, e aí sinto receio dessa imagem no espelho. Sinto temor. Penso que essa pessoa no espelho está a fazer troça de mim ou a condenar-me ou que não sou eu e por isso sinto medo. Porque será? Porque estarei a criar tal experiência?

ELIAS: Por ser aquilo que estás a criar no teu íntimo. Tu ESTÁS a condenar-te. ESTÁS a depreciar-te. E nisso geras igualmente ira em relação a ti própria, mas deixa que te diga, minha amiga, a ira consiste numa expressão de falta de escolha. Ao expressares ira, aquilo que estás a criar no momento é deixares de ver qualquer das tuas escolhas, pelo que dessa maneira associas a tua pessoa como uma vítima de ti própria.

ONIX: Então significa que não estou a fazer aquilo que gostaria realmente de fazer, aquilo que escolho fazer? Não estou a trabalhar para isso, e é por isso que me culpabilizo e me condeno?

ELIAS: Isso é apenas um aparte, por assim dizer. Isso é imagética objectiva que estás a gerar para reflectir aquilo que estás a expressar intimamente. Posso dizer-te que a questão central nesta situação consiste no modo como te percebes a ti própria e em te perceberes como inadequada e merecedora de pouco mérito, além de te depreciares. Percebes-te sob determinados aspectos – não todos mas alguns – inadequados fisicamente através da avaliação que fazes do que é ser atractivo. Além disso reforças essa depreciação pessoal ao expressares a ti própria o quanto reúnes de inadequado na tua habilidade de aprender.

ONIX: Como poderei alterar isso?

ELIAS: Prestando atenção a ti própria e por meio duma prática do reconhecimento pessoal.

Posso dar-te, antes de mais, um exercício que te permitirá tornar-te mais familiarizada com as tuas próprias expressões, pois não as alterarás se não as notares por aquilo que elas revelam. Por isso, o exercício que te oferecerei consiste em dedicares um período a cada dia e nessa altura prestares atenção a TODA e qualquer expressão, que DETETES toda a vez em que expressares qualquer palavra, qualquer pensamento, e percebas a frequência com que utilizas esse tipo de expressão no teu dia-a-dia.

Agora; assim que ofereceres a ti própria um período para poderes observar as tuas expressões de depreciação pessoal também poderás começar a oferecer a ti própria a escolha duma acção diferente, e com isso, poderás alterar o exercício, e ao alterares o exercício, adopta um período de tempo a cada dia através do qual te permitas notar toda a vez que te reconheças a ti própria.

Bom, posso começar por te assegurar que o primeiro exercício te apresentará mais exemplos do que o segundo, mas mantém os ânimos, minha amiga, porque isso consiste numa formidável oportunidade. Porque no segundo exercício, a despeito do pouco, ou do número infrequente de vezes que consigas notar uma expressão de reconhecimento pessoal, deverás apresentar a ti própria algumas expressões, e isso é significativo. Porque quando apresentares a ti própria até mesmo umas poucas expressões de reconhecimento, poderás escolher continuar a praticar a expressão delas ao invés de expressares a depreciação.

É significativo que te permitas reconhecer as alturas em que teces reconhecimento a ti própria porque isso te confirma o valor e oferece-te uma oportunidade de prestares atenção à experiência de te reconheceres. Achas-te bastante familiarizada com a experiência de te depreciares. Mas já não tanto em relação à experiência de te valorizares e de reforçares a tua imagem, e à medida que te permitires notar isso também estendes a ti própria um ponto de partida a partir do qual poderás praticar.

ONIX: Está bem, obrigado. Tenho mais uma pergunta, a última.

ELIAS: Muito bem.

ONIX: É acerca de algo que comecei a praticar. É mais ou menos um género de troca de energias chamada Joray. (Trata-se duma prática de transferência de energia psíquica sem contacto físico, de cariz oriental e espiritualista) Eu costumava ir a este centro mas deixei de ir por não confiar no chefe, o fundador dessa filosofia. Ele é originário do Japão mas já não se acha vivo presentemente. Eu tentei compreender os seus ensinamentos mas não sinto ser capaz de confiar neles. Terei razão para isso?

ELIAS: Posso dizer-te, minha amiga, de modo bastante genuíno, que confies na TUA comunicação. Confia em ti mesma. Tu ofereces a ti própria essa sensação por estares a comunicar a ti mesma. Confia nisso.

ONIX: Serei capaz de criar algum tipo real de troca de energia, em termos de energia pura, tal como esse grupo está a tentar fazer, sem ter que ir ao centro e sem ter que recorrer a esse ponto de focagem, o qual dizem ser o único que precisamos a fim de obtermos esta troca de energias?

ELIAS: Podes, sim. Não é preciso empenhares-te nesse ponto particular de focagem. Podes adoptar qualquer um à tua escolha, assim como podes também não escolher nenhum, e adoptares essa acção. Deténs a capacidade de gerares esse tipo de movimento e de expressão, e não tem importância aquilo que adoptes ou deixes de adoptar como um ponto de focagem.

ONIX: De certo modo gosto daquilo que fazem, naquele grupo, e agrada-me a intenção deles de criarem o “céu na terra”; também gostava de ajudar na criação desse “céu na terra”. Existirá alguma coisa que precise fazer nesta realidade ou serei capaz de criar todo o tipo de realidade para mim própria, outro tipo de experiência? Por vezes sinto que realmente não precisamos criar nada nesta terra, e outras vezes sinto-me mal em relação a isso. Sinto que não estou a tentar cooperar com o que quer que seja nesta terra, pelo que fico um pouco confusa.

ELIAS: Posso dizer-te, minha amiga, de forma bastante genuína, que esse tipo de expressão é bastante desnecessário. Tu não tens nenhuma missão de salvamento a cumprir nem de melhoramento do vosso planeta nem das espécies animais e desse modo, se prestares atenção a ti própria e centrares a tua atenção em ti isso gerará aquilo que desejas de modo bastante mais eficiente do que através da adopção duma filosofia que te diz deveres criar movimentos específicos ou adoptares acções específicas.

Isto não quer dizer que as pessoas não adoptem esse tipo de acção e desse modo não realizem o seu próprio sentido de valor individual. Aquilo que te estou a dizer, é que não é certo nem errado; não se trata do modo certo nem do modo errado. Trata-se unicamente duma filosofia e duma escolha que as pessoas fazem, através da qual expressam uma direcção.

Mas aquilo que estás a admitir é bastante exacto, que por meio da expansão da consciência na realidade não tens qualquer missão tal como manifestas nesta dimensão física. Não te estás a manifestar nesta dimensão física a fim de aprenderes e desse modo ascenderes a um plano superior. Tu já és perfeita. Tu escolhes manifestar-te nesta dimensão física a fim de experimentares um tipo particular de exploração da consciência, e seja qual for o modo que escolhas a fim de incorporares essa exploração deverá ser completamente aceitável.

ONIX: Então, isso significará que eu não preciso de nenhum ponto de focagem, nem preciso concentrar a minha energia em algo nem em nenhuma filosofia?

ELIAS: Não. Mas podes faze-lo se o desejares.

ONIX: Isso ajudar-me-á mais? Isso levar-me-á a colher uma experiência melhor e a compreender-me melhor?

ELIAS: Não necessariamente. Isso depende bastante do indivíduo em questão. Alguns adoptam pontos focais, porque na percepção que têm isso vai facilitar-lhes a acção de se permitirem focar a sua atenção dum modo específico e evitar a distracção. Já outros não incorporam qualquer ponto de focagem por terem a percepção de ser desnecessário. Cabe inteiramente à escolha do indivíduo, mas quer incorporeis quer não um ponto de focagem não tem importância. Um aspecto não é melhor nem pior que o outro. Ambos consistem unicamente em escolhas.

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O MATERIAL ELIAS