quarta-feira, 6 de julho de 2011

ATITUDE RESPONDE PELA ESCOLHA EFECTIVA


Sessão 1532
“A atitude responde por uma escolha efectiva”
“O significado da Intromissão”
“Expressões Características da Essência”
“Responsabilidade Perante a Consciência”
Sábado, 20 de Março de 2004 (Grupo/Brattleboro, Vermont)
Tradução: Amadeu Duarte

Participantes: Mary (Michael), Andy, Barb, Barry, Bill (Zit), Carleen (Neliswa), Carol Lee (Theona), Christine (Lurine), Daniil (Zynn), Donna (Luera), Ester, Frank (X-tian), Holley, Ian, Inna (Beatrix), John E, John P, Kaustubh, Lorraine (Kayia), Lynda (Ruther), Natasha (Nichole), Pat (Treice), Rodney (Zacharie), Veronica (Amadis), Vineeta

Elias chega às 2:23 da tarde. (Tempo de chegada é de 17 segundos.)

(O tom de voz do Elias é sério, bastante directo e um tanto intenso durante toda esta sessão)

ELIAS: Boa tarde.

GRUPO: Olá, boa tarde, Elias!

ELIAS: Aquilo que vamos debater hoje é a intromissão e as expressões da essência. Antes de mais, que avaliais vós como uma “expressão da essência”? (Pausa)

KAUSTUBH: Não será este corpo uma expressão da essência?

ELIAS: É, isso é uma expressão da essência. Como é que vos expressais nesta forma física, nesta realidade física, enquanto essência?

CHRISTINE: Por intermédio das emoções e da sexualidade?

ELIAS: Essa é uma excelente frase feita! (Riso generalizado) Mas, que é que isso quererá dizer?

CHRISTINE: Bom, as descrições que os livros didácticos fazem dessas coisas é a fala e os sentimentos, o movimento físico, a forma como nos ligamos uns aos outros e interagimos – todas essas expressões, conforme descreveste nos termos da sexualidade e das emoções, segundo me é dado compreender.

ELIAS:
Exacto. Portanto, como é que te expressas?

CHRISTINE: Por meio do pensamento, da fala, do canto, da arte.

ELIAS: Mas, de que forma é isso um reflexo do movimento da essência? E que será que NÃO constitui uma expressão natural da essência?

CHRISTINE: Talvez quando vamos contra nós próprios e sentimos intimamente não corresponder ao desejo que temos ou àquilo para que queremos voltar-nos, e isso nos faz sentir incómodo ou infelicidade. Isso será uma expressão incorrecta da essência ou nem sequer chega a ser uma expressão da essência, certo? Se estivermos a avançar numa direcção em relação à qual nos sentirmos estupendos, e atraídos para ela, tal como a música, que me deixa feliz ou como quando pinto um quadro que se encaixa nesses moldes; não será isso uma expressão natural da essência?

BARRY: Ou quando compramos vasos novos. (Riso)

VOZ MASCULINA: Não será tudo uma expressão natural da essência?

ELIAS: Não.

RODNEY: Tu declaraste que impedir-nos de procedermos a uma escolha, ou não nos permitirmos fazer qualquer escolha, é uma das poucas coisas que conduzirá a essência “às lágrimas”. A sensação que tenho é que atrever-nos ou ter a coragem ou simplesmente permitir-nos, custe o que custar, deliberar uma escolha será uma expressão da essência. Também tenho a impressão de que a alegria e a brincadeira sejam expressões da essência, e que qualquer coisa que restrinja verdadeiramente essas actividades humanas – estou a referir-me à dimensão física – quando nos restringimos em relação a fazer isso, isso não será uma expressão da essência.

VERONICA: Preocupar-se em agradar às pessoas, agradar à comunidade, ou à família ao invés de seguirmos os pressentimentos que temos.

RODNEY: Quem falou foi a Veronica.

BARRY: Não usar o nosso próprio...
(Inaudível).

KAUSTUBH: (Inaudível)

BILL: Este é o Bill. Eu estava inclinado a pensar que a aceitação seja uma expressão da essência e a não-aceitação não é.

ELIAS: Essas são todas respostas um tanto exactas, mas não muito de acordo com a intenção.

RODNEY: É claro que afirmaste que ias abordar a intrusão, pelo que aferiria que admitir o que quer que seja sem tentarmos modificá-lo seja uma expressão da essência.

ELIAS: Por vezes.

RODNEY: Muito bem. Digo “muito bem” apenas porque a essência implementou algumas pequenas coisas no meu meio que me levaram mais ou menos a fazer outra coisa.

NATASHA: O foco físico é uma expressão da essência, não é?

ELIAS: É.

Bom; deixem que vos diga a todos que o que estamos aqui hoje a abordar é a responsabilidade. Isso é uma expressão da essência - expressar responsabilidade por vós próprios. Vamos debater a responsabilidade no contexto do foco físico, por ele representar a vossa realidade e aquilo em que participais. Não faz sentido debater o que designais por expressões cósmicas, por não vos focardes nelas. Tendes a atenção focada nesta realidade física – é nela que vos moveis, é isso o que vós gerais, o que vós experimentais. Nesta manifestação particular não estais sujeitos à focalização imaterial. Vós escolhestes permanecer na manifestação desta realidade, e como tal esse deverá ser o cerne do nosso debate, aquilo que é real na vossa realidade.

Ao “nível” da essência, ao “nível” da consciência, não existe intromissão. Não é que não seja possível, porque não existem absolutos. Por isso, é possível exercer intromissão nas áreas não físicas da consciência; mas não é acção que chega a ter expressão.

Só que nas realidades físicas alcança expressão. Mas não representa uma expressão natural da essência. Não é coisa que faça parte da expressão natural da consciência, mas isso não quer dizer que não possa ocorrer.

A razão porque vamos abordar este assunto hoje fica a dever-se ao facto de estar consciente duma tremenda polarização que tem vindo ultimamente a gerar-se na vossa realidade física, polarização essa que tem vindo a produzir diferentes tipos de energia e uma contribuição para o trauma associado a esta mudança, e isso não é o que se pretende.

As pessoas estão a usar esta informação que vos estendo de modos que lhes permite intrometerem-se, coisa que também toleram em si mesmas e justificam  a si próprias como aceitável e como no alinhamento com esta mudança de consciência, coisa que vos posso garantir NÃO ser correcto. Nenhuma essência que esteja a participar nesta mudança da consciência duma forma não física está a sugerir qualquer energia contrária a esta mudança de consciência. Nenhuma essência imaterial está a contribuir ou a tomar parte em nenhuma expressão que justifique um maior conflito ou trauma.

A intenção de toda a essência que toma parte numa troca de energias (fenómeno mediúnico) a fim de vos transmitir informação é a de vos responder a todos quantos reclamaram informação expressamente destinada à diminuição do trauma que possa estar associado a esta mudança na consciência. Por isso, afirmo-vos neste instante, enquanto o Elias que sou, que não desculpo nem justifico qualquer acção de carácter intrusivo nos nossos movimentos.

Estou ciente de que muitos indivíduos dos que expressam esse tipo de acção não se encontram presentes neste grupo, hoje. Mas não tem importância, por ter noção a noção de que a transcrição deste debate particular que empreendemos hoje será distribuído a todos quantos participam nestas reuniões, e aqueles que utilizam esta expressão de intromissão identificarão isso e terão consciência de quem são. Mas é significativo que todos compreendais igualmente o que constitui a intromissão e que tenhais consciência da participação que tendes nesta mudança na consciência.

Colectivamente vós moveis-vos em direcções bastante similares. Buscais informação; procurais tornar-vos mais conscientes de vós próprios a fim de intencionalmente dirigirdes os vossos movimentos na direcção que pretendeis e que escolheis. Procurais gerar uma consciência de vós e de cada um que realce a exploração que fazeis nesta direcção física. Também desejais passar a incorporar informação que venha a tornar-se-vos útil ao vos facultar a criação daquilo que quereis e a realização do que desejais nos vossos focos individuais e na participação que exerceis nesta mudança na consciência. Isso constitui a acção de vos familiarizardes mais convosco próprios e com as vossas expressões de energia.

Até ao momento, todos vós obtivestes uma expansão da consciência a ponto de já compreenderdes as crenças. Compreendeis quais os mecanismos que empregais como mecanismos de notificação (comunicação) de vós próprios. Tendes compreensão dos sistemas de crenças (conjunto de crenças que se apoiam mutuamente). Estais a começar a reconhecer as vossas verdades individuais, apesar delas continuarem a representar uma certa confusão em relação às verdades relacionadas com esta onda actual que decorre na consciência com respeito às verdades, as quais não são o que referis como verdades eternas. São verdades que VOS dizem respeito e que produzistes ao criar absolutos em associação com uma dada crença. Estais a começar a compreender que esta mudança não está a eliminar as crenças e que as crenças não são o vosso inimigo.

Mas há muita coisa que não incluís ainda duma forma objectiva na percepção relativa às vossas energias e à forma como as expressais e as projectais e ao que projectais e à forma como isso é acolhido. Nisso reside o significado da responsabilidade.

Nenhum de vós é responsável pelos outros. Eu afirmei desde o início destas interacções que não sois responsáveis por nenhum outro indivíduo nem pelas escolhas que ele elege nem pelo que ele cria, nem os outros tampouco são responsáveis por vós.

Vós SOIS responsáveis por aquilo que VÓS criais. Sois responsáveis em relação a vós próprios pelo que criais e pelo que projectais no âmbito da consciência, e isso obtém expressão no vosso foco físico. Não vos estou a identificar a energia que projectais para o universo, por assim dizer, mas a referir-me à energia que expressais uns aos outros e nas vossas interacções, e (de modo distinto e enfatizado) que podeis ter consciência da vossa energia. Já interagi com muitos durante um certo período a quem estendi informação respeitante à energia que expressais no exterior e às configurações que a energia pode sofrer, como projectais energia, como ela é acolhida, como a recebeis, como os outros recebem a vossa energia, como configurais a energia, e como a reconfigurais.

Também já referi muitas vezes, que geralmente, e em grande medida – mas isso é significativo, sublinhai-o – (com intensidade) vós automaticamente não reconfigurais a energia. Não é que não o consigais fazer, mas geralmente não o fazeis. Por isso, se vos for projectada energia, haveis de configurar essa energia de um modo quase idêntico àquele em que estiver a ser projectado.

Se estiverdes a projectar energia para outro indivíduo numa interacção, o outro deverá receber a vossa energia e configurá-la quase de modo idêntico àquele que a tiverdes projectado. Existem alturas em que as pessoas reconfiguram automaticamente a energia dum outro indivíduo. Isso está associado a uma acção que o indivíduo esteja a lavar a cabo em relação às suas próprias crenças e problemas que possa estar a ter expressão na sua realidade nessa altura, o que poderá influenciar levando-o a reconfigurar a energia em associação com aquilo com que ele próprio estiver a envolver-se. Por isso, o que estiver a ser expressado pode não necessariamente parecer o mesmo que o que estiver a ser acolhido.
Eu depois explico.

Outro elemento significativo a ser reconhecido em associação com a projecção e a recepção de energia é que o estado natural que expressais e experimentais na vossa manifestação física reside em permanecer abertos às projecções que os outros emitem.

TODOS vós permaneceis naturalmente abertos às expressões dos outros. É isso o que gera a acessibilidade para uma pessoa se tornar intrometida. Para bloquear uma expressão de intromissão, o receptor precisa não estar exposto à recepção dela, e o modo pelo qual deixa de permanecer aberto será dispondo duma percepção, anterior à recepção, do tipo de energia que está a ser projectada e se escolhe recebê-la ou não. Nisso reside a questão, porque a maioria de vós não tem consciência das vossas próprias energias e dos tipos de energia que podem ser despoletados pelas vossas crenças que são capazes de os influenciar a produzir ofensa ou vergonha em vós próprios.

Já declarei muitas vezes, não é o outro que projecta energia e vos CAUSA, como quem diz, a ofensa. Ele pode ter a INTENÇÃO dum resultado desses mas não cria a vossa realidade. Por isso, se experimentardes ofensa, vós tê-la-eis criado, (veementemente) só que em conjugação com o que tiverdes recebido.

Tivésseis vós uma percepção suficientemente clara da vossa própria energia e dos estímulos que sentis e disporíeis duma capacidade objectiva propositada para reconfigurar a energia que vos estivesse a ser projectada e que dispõe do potencial de desencadear a possibilidade de vos levar a sentir ofensa, e portanto, antes de receberdes essa energia, ela seria reconfigurada e não experimentaríeis essa ofensa.

Mas, neste momento, neste agora, vós não integrais uma percepção tão ampla. Não dispondes dessa clareza em relação às vossas próprias energias nem dessa familiaridade com as vossas próprias preferências nem em relação ao MODO como podeis reconfigurar a energia para deixardes de sentir ofensa. Por isso, torna-se significativo reconhecer o que PODEIS incluir na vossa percepção agora, e do que podeis ter noção agora, e do que vós próprios PODEIS passar a usar nas projecções de energia como uma expressão da essência atendendo à responsabilidade que tendes para convosco, e o modo como gerais isso é tendo consciência da energia que estiverdes a expressar.

Podeis estar a interagir com um outro indivíduo e não ter a intenção de provocar ofensa, mas à medida que prosseguis nessa interacção podeis ter noção de que o outro esteja a recepcionar a energia que estiverdes a emitir e esteja a gerar uma expressão de ofensa. Todos tendes suficiente noção da energia que estiver a ser configurada pelo outro com quem estais a interagir. Ao projectá-la, se ele a receber de forma diferente daquilo que perceberdes que corresponde à vossa projecção, haveis de ter conhecimento disso. Haveis de o perceber e haveis de sentir uma pontada. Podeis sentir-vos confusos, por poderdes examinar a motivação que tendes e podeis examinar nesse instante aquilo que tiverdes expressado assim como a intenção que tiverdes empregado nisso, e podeis reconhecer que a vossa intenção e a motivação que vos assistia não era de dar expressão a ofensa alguma; mas também estareis cientes disso ser o modo pelo qual tenha sido recebido.

Nesse momento, forneceis a vós próprios uma oportunidade de reconfigurar a vossa energia e de voltar a projectá-la de novo a fim de a fazer alinhar pela intenção que tínheis. Porque apesar do facto da intenção que tínheis não ser a de causar ofensa ao outro, essa energia pode passar em branco, por poderdes empregar outras energias numa qualquer outra expressão.

Em qualquer interacção, não existe apenas uma energia que alcance a expressão. Por usardes muitas energias, e poderdes empregar uma outra energia que não diga respeito ao outro com quem estejais a interagir. Pode estar associada a uma outra experiência; pode estar associada a uma crença íntima; pode estar associada a uma outra acção qualquer que estejais a empreender não nesse instante mas com que estejais a associar-vos, não obstante.

Vós empregais todos esses tipos de acção frequentemente. Independentemente do tipo de acção que estiverdes a empreender, geralmente a vossa atenção não se acha tão racionalizada nem focada que não haja uma outra expressão a decorrer e que a vossa atenção não esteja a vaguear, por assim dizer, por outras áreas da vossa experiência ou outras ocasiões – coisa que debatemos com bastante frequência, a dificuldade que tendes em manter a vossa atenção no momento.

Por isso, independentemente da intenção que tiverdes, podeis estar a expressar uma interacção com um outro indivíduo duma forma amigável, na percepção que tiverdes. Mas a energia estar a ser acolhida e é reconhecida com muito maior clareza do que qualquer outro tipo de comunicação. Quando o outro indivíduo a recebe, ele poderá configurá-la no modo em que for projectada; mas vós não tendes consciência dessa outra energia que terá sido projectada na interacção, pelo que ficais confusos em relação à razão porque o indivíduo estará agora a perceber que lhe tenhais expressado ofensa.

Eu sugeri um exemplo a um indivíduo ontem, duma visualização destinada a enfatizar esse conceito e essa expressão da energia. Eu referi a esse indivíduo para se imaginar num lago, lago esse - que o representava a ele - que contém muitos, muitos peixes, todos a nadar. Alguns desses peixes nadam juntos enquanto outros nadam noutras direcções, mas todos se movem e eles são todos energias, não apenas uma – mas muitas, muitas energias.

Ora bem; numa certa área da lagoa existem energias a nadar e essas energias encontram-se num estado de agitação. Eles experimentam coisas que lhes causam irritação e que os desafiam. Numa outra área da lagoa, os peixes nadam com tranquilidade.

Bom, a lagoa começa a encontrar-se com uma outra lagoa e a interagir com essa lagoa. A atenção é dirigida e focada para a interacção com a outra lagoa. Mas a outra lagoa contém muitos peixes que também andam a nadar.

Ora bem; à medida que a primeira lagoa começa a interagir com a segunda, expressa-se por o que percebeis ser um modo amigável, e os peixes tranquilos nadam à superfície do lago que interage com o outro lago. Mas os peixes irritados também sentem curiosidade, razão porque essas energias se movem no sentido de também passarem a interagir. Essas energias não se preocupam com a interacção com a outra lagoa, mas acham-se presentes.

Se não tiverdes consciência de todos os vossos “peixes”, não tereis consciência de quais estejam a ser expressados para ao indivíduo nem quais ele estará a captar. A vossa intenção pode ser a de lhe oferecer os “peixes” calmos, mas ele também pode catar alguns dos “peixes” agitados.

A questão reside em perceberdes o que estais a expressar. Não em descontar a vós próprios o facto de alguns dos vossos “peixes” agitados estarem a ser apanhados pelo outro, na malha, mas em reconhecer que nesse momento incorporais uma oportunidade de voltar a pescar os vossos peixes deixando os peixes agitados de lado e passar a expressar em alinhamento com a vossa intenção.

É igualmente significativo reconhecer que nas interacções que tendes com os demais - como estais todos naturalmente predispostos à interacção e desse modo à recepção das energias dos outros - a intromissão (ou ingerência)não se justifica. A intromissão é uma acção em que projectais energia na direcção dum outro indivíduo intencionalmente, com consciência de que o mais provável é que seja recebida e configurada de modo a causar ofensa. Isso é um acto de irresponsabilidade; não é uma expressão da essência.
Não representa uma expressão natural da essência.

Eu entendo que por esta altura vos depareis com um espantoso desafio associado a esta onda que se reporta às verdades, e muitos estão a atravessar uma considerável dificuldade e confusão. Mas a dificuldade e o conflito que experimentais podem ser substancialmente reduzidos se prestardes uma atenção genuína às vossas próprias energias e ao modo como projectais, e fordes responsáveis naquilo que projectais aos outros.

Pois posso-vos dizer que a razão porque a intromissão não constitui uma expressão natural da essência se deve ao facto de no âmbito da consciência ser do domínio do conhecimento que, qualquer acção que incorporeis junto dum outro indivíduo, ou essências - caso pretendais ser prejudiciais ou intrometer-vos - aquilo que alcançais seja muito mais prejudicial para vós próprios. Poderá inicialmente não parecer ser assim, mas eu posso-vos garantir que não usareis de acção nenhuma ofensiva sem que vos prejudicais mais a vós próprios. E nesse prejuízo próprio, negais a vós próprios a percepção e negais a vós próprios escolha, e sois levados às lágrimas. (Pausa)

A negação da escolha não constitui expressão que seja natural à essência; nem a intromissão constitui uma expressão natural da essência.

Entendam que não estou a empregar esta informação no caso das guerras ou da violência, porque tais actos – e até mesmo o assassínio – não constituem necessariamente intromissões, por as pessoas estarem apenas a expressar as suas preferências, e a envolver compromisso. As guerras não são travadas sem que envolva conformidade; a violência não é usada sem que prevaleça um convénio qualquer.

O tipo de intromissão de que vos estou a falar é o tipo de intromissão que desvaloriza, o tipo que tenta bloquear a escolha, o tipo de irresponsabilidade que perpetua o trauma, e que desvaloriza as expressões independentemente de estardes de acordo. Já referi muitas vezes que vós podeis aceitar sem estar de acordo; podeis aceitar e cooperar uns com os outros e não estar de acordo uns com os outros e nem sequer GOSTARDES das expressões uns dos outros. Mas expressar de forma intencional uma energia de desvalorização pessoal a um outro indivíduo é intrometer-se. E vós não vos desvalorizais necessariamente nas situações de violência, ao contrário do que parece.

Vós desvalorizais quando dizeis “não tem importância”; só que num contexto distorcido. Eu tenho vindo a exprimir esse termo do “não tem importância” desde o começo das interacções que tenho com todos vós, mas também já o defini em termos de não ter a pretensão de transmitir que nada tenha importância. A expressão do “não tem importância” encerra ausência de julgamento, o reconhecimento de não existir julgamento associado a certas escolhas ou a quaisquer escolhas, mas não que as escolhas não tenham importância; apenas que não são objecto de juízo. Mas é óbvio que se revestem de importância, porque as escolhas que determinais definem-vos os rumos, e se utilizardes certas escolhas que pendam para determinadas direcções podeis passar a dar expressão à intromissão.

Mas, que tereis vós a dizer quanto a este assunto?

RODNEY: Elias, na última declaração que proferiste, parece que dás a ideia de que, se eu pretender exprimir algo, e não tiver a intenção disso representar uma forma de intromissão mas tiver noção de que venha a ser interpretado ou acolhido de um modo intrusivo, e se – penso que se trata aqui duma pergunta do tipo “e se” – eu pretender expressar por razões pessoais ou por uma outra razão qualquer, independentemente da forma como seja recebida?

Ora bem, permite que insira isso no seguinte contexto: Estou a falar do caso hipotético de três pessoas em que uma delas acaba por interpretar a expressão disso como uma intromissão, apesar de eu ter consciência de que as outras duas o não farão. Se bem entendo o que estás a dizer, então devo recuar e voltar a projectar a energia de forma que não constitua uma intromissão para nenhum dos três. Isso soa como se tivesse aberto uma...

ELIAS: Uma “Caixa de Pandora”?

RODNEY: Uma “Caixa de Pandora” incomensurável! (Ri) Não representará um tipo de “tudo ou nada”...?

ELIAS: Eu estou-vos a dizer para terem consciência da vossa energia.

Ora bem; com uma tal consciência, se estiverdes a interagir com esses três indivíduos e estiverdes a propor uma projecção, uma expressão da vossa energia, podereis não ter necessariamente consciência, antes de projectardes a vossa energia, do modo como venha a ser acolhida por parte dos três – mas não que não possais ter conhecimento disso se estiverdes a familiarizar-vos mais com a vossa própria energia. Mas nessa medida, assim que tiverdes expressado a energia e reconhecido que os indivíduos a tenham acolhido e configurado desse modo...

RODNEY: Essa é a situação que me interessa, quando percebo isso.

ELIAS: Sim.

RODNEY: Que é que faço?
(Riso)

ELIAS: Permite-te reconfigurar a tua energia e voltar a projectar novamente.

RODNEY: E caso sinta que seja suficientemente importante fazer valer este meu ponto de vista aqui e o custo de o fazer valer... Estou a falar em termos de guerra, sabes – se o benefício que colho com isto valerá a perda que vou criar ali. Consegui perceber como isso representa uma enorme Caixa de Pandora. Mas o que estou a perceber que estás a dizer é que eu sou responsável.

ELIAS: Por ti.

RODNEY: Independentemente disso, sou responsável por mim.

ELIAS: És responsável por ti.

RODNEY: Sou responsável por mim.

ELIAS: Exacto.

RODNEY: Mas não serei responsável por não procurar reconfigurar a minha energia de modo que esses três... esse indivíduo não experimente qualquer ofensa?

ELIAS: Se tiveres conhecimento de estares a expressar-te desse modo e o outro estiver a receber a tua energia e a estiver a configurar de um modo ofensivo, e tu perceberes...

RODNEY: E o abordar?

ELIAS: Sim.

RODNEY: A responsabilidade que me diz respeito vai no sentido de me confrontar com isso e de corrigir a projecção de energia que emito?

ELIAS: Ser responsável no uso da TUA energia, ser responsável pela TUA energia. Terás a intenção de causar dano a algum desses indivíduos? Não, a intenção que tens não se direcciona no sentido de causar ofensa, mas percebes e tens consciência de que um deles tenha acolhido essa energia. É responsabilidade tua reconfigurá-la, porque o outro acolheu aquilo que projectaste.

RODNEY: Isso promete ser uma exploração interessante.

ELIAS: Mas vós já dispondes duma consciência suficientemente abrangente para serdes capazes de reconhecer a responsabilidade que tendes para convosco e para com a vossa energia.

Deixa que te diga veemente e definitivamente que isso não mais é desculpável. Dispondo da informação de que agora dispondes e da consciência de que actualmente dispondes, não é desculpável.

RODNEY: Ah, eu sabia que isso ia acabar por surgir! Estás com a matraca...

ELIAS: (Alto e bom som e com firmeza) Esta essência não tomará parte em acto algum imbuído dum carácter intrusivo. A intenção ou o que designais por prioridade que tenho, desde o início destas reuniões tem sido no sentido de prestar auxílio à redução do trauma resultante desta mudança de consciência, e não tomarei parte em expressões que sejam passíveis de provocar trauma. Todos vós dispondes actualmente de suficiente informação e de suficiente consciência para expressardes essa responsabilidade pelas vossas próprias energias.

RODNEY: Aquilo a que me estava a referir é que tomo consciência sempre que uma expressão que tenha provocado não tenha sido bem acolhida, e tenha sido aceite como uma crítica, ou de alguma forma de ofensa. Pressinto que em muitas situações seja mais ou menos: “Que faço agora?” Por isso tenho consciência disso. O que percebo que estejas a dizer é que é uma responsabilidade não deixar que isso passe em claro.

ELIAS: Exacto.

RODNEY: Mas tentar...
Não “tentar”, penso que o termo “corrigi-lo”constitua uma forma de o referir. Mas outra forma de o referir será procurar fazer ver que não conteria a intenção de causar ofensa, e que terá resultado dum mal-entendido se quisermos, pelo que não terá sido acolhida conforme o pretendido ou pelo menos pela forma como eu pensava que fosse acolhida.

ELIAS: Mas isso é responsabilidade tua, reconhecer quais as tuas energias...

RODNEY: Que outros “peixes” terão penetrado a malha.

ELIAS: Sim.

RODNEY: Muito bem, já entendi.

JOHN P: Poderá tratar-se do caso desse terceiro tipo ter reconfigurado essa energia de modo que passe a sentir ser uma intromissão quando de facto não era, ou ele responde em qualquer caso?

ELIAS: Não, a tua pergunta é válida, e a resposta que lhe dou é que sim, isso pode ocorrer mas tu também terás consciência disso. És capaz de discernir a diferença.

Vós dispondes de suficiente consciência para reconhecerdes a diferença pela qual outro indivíduo possa reconfigurar a energia que emitis, conforme declarei previamente, em conjugação com alguma experiência ou problema que possa estar a apresentar a si próprio, e a diferença far-se-á reconhecer no vosso íntimo. Haveis de saber disso.

Haveis de saber e de sentir uma pontada caso um dos vossos “peixes”sem intenção deslizar para a “corrente”; e caso um desses “peixes” não se achar posicionado na corrente, haveis de saber, porque a vossa receptividade há-de ser diferente. Haveis de reconhecer alturas, na interacção com as pessoas, em que elas reconfiguram a vossa energia, e nessas alturas compete-vos a escolher abordar o indivíduo ou não.

RODNEY: Então se eu escolher... Como te chamas?

JOHN P: John.

RODNEY: John, seguindo esse exemplo, posso constatar que este tipo está a reconfigurar. Ele está voltado para algo que está completamente desligado daquilo de que estou a falar. Se sentir não poder acrescentar nada para alterar isso ou para influenciar uma comunicação diferente, a minha escolha pode apontar no sentido de me desligar.

ELIAS: Correcto, mas tu estás a reconhecer a tua energia e estás a reconhecer que o outro a terá reconfigurado.

RODNEY: Então isso também representa um acto responsável...

ELIAS: Representa.

RODNEY: ...além da responsabilidade de reconhecer ter um outro “peixe” no lago...

ELIAS: Sim.

RODNEY: ...e que ele está a captar o outro “peixe” correctamente.

ELIAS: Sim, e a discernir a diferença.

BILL: Elias, será que os outros “peixes” frequentemente representam um segmento da falta de aceitação de algo?

ELIAS: Sim, muitas vezes.

BILL: Então podia existir algum aspecto de mim, quando projecto isso, que eu não estivesse a aceitar e que não tivesse consciência de não o estar a aceitar...

ELIAS: Exacto.

BILL: ...de modo que também represente uma experiência de aprendizagem o facto de voltar isso para mim próprio para colher o sentido do que esse “peixe” representa.

ELIAS: Certamente que sim. Sem dúvida. Pode ser, conforme referi, uma oportunidade de reconheceres o tipo de energia que estás a expressar e aquilo que estás a projectar, e portanto familiarizares-te mais com a tua própria energia.

Isso, de certa forma, representa o vosso passo seguinte no movimento que empreendeis nesta mudança, ter mais consciência da vossa energia. Facultastes a vós próprios informação e permitistes-vos tomar consciência de crenças e de notificações sobre o modo como criais. Agora torna-se significativo que estejais cientes da energia, porque ESSA energia é o que alcança expressão e é o que vos afecta.

RODNEY: A título duma analogia, utilizastes a terminologia... Por exemplo, o que eu percebo que a Lynda me projecta é um reflexo da energia que lhe projecto.

ELIAS: Exacto.

RODNEY: Então, aquilo de que estás a falar consiste em limpar o espelho um pouco.

ELIAS: Exacto.

CAROL LEE: Elias, então se eu não tiver reconhecido isso, eu direi: “Muito bem, sentes-te ofendido; não me importa. Vou seguir o meu caminho toda satisfeita – faz o que quiseres. Não me importa.”E seguiria o meu caminho, e aí a minha energia simplesmente... Em vez de considerar a totalidade do sucedido, e o quadro global, que me incluiria a mim e a essa outra pessoa, e como ela estivesse actualmente a sentir-se, como a encararia na energia que eu estivesse a projectar, em que posição a encontraria na minha energia actual, isso seria incluir tudo, e o outro modo seria eu simplesmente voltar costas (estala os dedos) “Vou seguir o meu caminho – Vou-me pôr daqui para fora! De qualquer jeito! Desse modo deixo algo de mim para trás nessa interacção, quando volto costas.

ELIAS: Figurativamente falando.

JOHN P: Aqui é o John. Não existirá igualmente uma responsabilidade relativa à avaliação, nisso? É frequentemente mais fácil reconhecer que está algo a acontecer do que reconhecer exactamente o que é que está a suceder. Se não tivermos a certeza absoluta do que esteja a suceder, temos a responsabilidade de fazer uma pausa e de avaliar se isso será o que estamos a projectar ou o que estará a ser percebido pelo outro.

ELIAS: Sim.

BARRY: Aqui é o Barry. Precisamos ter ideia de que o que ele estiver a pensar seja relativo a ele próprio, caso em que poderemos dizer: “Deixo isso contigo e sigo o meu caminho”. Precisamos saber se é um problema dele. Se não tivermos a certeza disso, precisaremos reflectir sobre nós próprios, verificar a nossa energia, e talvez perceber se a nossa energia seria o que pretendíamos que fosse, de forma que deva ser algo que esteja a suceder com ele. Ele está a recepcionar um dos nossos “peixes” tranquilos por lho estarmos a estender, mas percebe-o como um “peixe” agitado ou algo do género.

ELIAS: Isso representaria o acto dele reconfigurar a energia que projectáveis e não uma projecção da vossa energia     ...

BARRY: Certo, mas não podemos demiti-lo disso a menos de TENHAMOS  a certeza disso.

ELIAS: Exacto.

RODNEY: Penso que fosse... Quero dizer, toda esta interacção, penso que seria justo - caso eu percebesse que alguém me interpretasse mal ou respondesse a energias que eu não pretendera exprimir - seria jogar limpo eu perceber isso – mas tal depende da situação – expor a situação e dizer: “Oh meu Deus, que foi que pensaste que eu tenha dito?”, ou dirigir-me objectivamente ao facto e examinar o que estivesse a ocorrer.

ELIAS: Isso constitui um método.

RODNEY: Quero dizer, se me encontrasse a interagir com alguém e desejasse que esse alguém escutasse o que eu tinha a dizer e ele respondesse desse modo, e eu pretendesse que ele entendesse aquilo que eu estava a expressar, penso que seria justo expor o assunto e discuti-lo.

ELIAS: Sim, isso haveria de representar, conforme declarei, um método de produzir uma reconfiguração de energia.

CHRISTINE: Aqui é a Christine. Para dar seguimento ao assunto, relativamente ao tema, se tivermos consciência de nós próprios e dos elementos que podemos projectar, nesse caso isso deve permitir-nos uma certa capacidade, ou talvez não inteiramente uma responsabilidade, mas pelo menos uma percepção daquilo que as pessoas podem projectar-nos. E isso deve está de acordo com o que o Rodney está a dizer, nos termos de percebermos alguma coisa mal configurada, e poderem inserir os seus próprios “peixes” naquilo que estiverem a fazer. Podemos ter noção deles estarem a projectar energias de que não têm consciência, e talvez isso nos confira uma maior aceitação sobre o que esteja a suceder na interacção, e menos...

ELIAS: Exacto, mas vós incorporais uma consciência suficientemente abrangente para reconhecerdes essas expressões e para reconhecerdes essas diferenças entre a energia projectada. Num tipo de situação dessas, a responsabilidade que vos cabe tem que ver com a consciência da vossa própria energia e o deixar de responder no mesmo tom (responder à letra) ao indivíduo, reconhecendo que ele manifesta a expressão que emprega, e tal como tu referiste, alguns dos teus elementos agitados estão a penetrar na “corrente”. Com um reconhecimento desses da troca de energias que se esteja a operar entre vós, vós permitis que manifeste a sua expressão, escolheis não tomar parte, e escolheis não “responder à letra”.

RODNEY: Tal como no exercício da ausência de conflito?

CHRISTINE: É mais ou menos o que eu queria dizer.

RODNEY: Voltar costas e afastar-nos?

ANDY: Noto que ambas essas coisas soam completamente distintas.
Quando estamos a contribuir com um elemento prejudicial para com uma pessoa e quando não estamos, ambas essas posições apresentam um sentido completamente diferente. Não sei bem o que seja; talvez tenha que ver com a culpa. Podemos sentir que mesmo apesar de em grande parte não sentirmos estar a fazer isso; ainda assim sentimos.

ELIAS: Isso é a tal pontada (pressentimento)!

ANDY: E quando nos sentimos livres disso obtemos esta sensação de limpeza.

ELIAS: Sim.

ANDY: Mesmo que ele esteja a agir completamente do mesmo modo, sentimo-nos completamente diferentes.

ELIAS: Sim.

ANDY: Nesse caso precisamos como que de direccionar-nos ou apontar para um sentimento de clareza desses, quando temos consciência de não estarmos a fazer nada.

ELIAS: Sim.

ANDY: São bastante distintos.

ELIAS: Pode ser, apesar de muitos indivíduos poderem ainda não ter necessariamente clareza na percepção disso. Mas vós dispondes duma consciência que é PASSÍVEL de ter noção de tais distinções, tens razão. Foi o que eu referi, que haveis de saber se estiverdes a projectar algum tipo de energia não intencional, por haverdes de experimentar uma pontada na vossa energia. Haveis de proporcionar a vós próprios algum tipo de notificação que vos servirá de indicador de terdes projectado algum tipo de energia não intencional e de que o outro a tenha recebido e de que isso não envolve uma situação de reconfiguração.

JOHN E: Caso tenhamos a energia de alguém claramente a invadir-nos os limites, pelo que estou a perceber, nós rompemos a comunicação. A acção correcta será quebrar essa comunicação.

ELIAS: Romper com a interacção ou romper com a realidade?

JOHN E: Romper com a interacção.

ELIAS: Isso depende da opção que tomardes.

JOHN E: Mas é isso que estou a percebo que estejas a dizer, que se trata do método que devemos adoptar.

ELIAS: Não, não que devais adoptar; trata-se duma acção que podeis empregar. Se tiverdes consciência de intromissão por parte dum indivíduo, podeis escolher romper com a interacção. Se não tiverdes uma consciência suficientemente clara quanto ao modo de reconfigurardes essa energia, isso valeria com uma sugestão - interromper a interacção, desse modo deixando de empregar uma resposta no mesmo tom. Responder “à letra” apenas vai perpetuar o cenário e o conflito. Por isso, romper com a interacção seria uma expressão ou um método de interromper e prevenir a ocorrência de intromissão.

O que temos estado a debater é a prevenção da ocorrência disso no vosso íntimo, e não necessariamente o bloqueio desse tipo de acção da parte do outro. A ênfase é colocada no facto de terdes noção da vossa energia e de não expressardes essa intromissão para com ninguém.

Já ao contrário, se vos deparardes com um indivíduo que esteja a usar duma expressão de intromissão e tiverdes consciência disso, e perceberdes estar a receber essa energia e a estiverdes a configurar de um modo que vos cause prejuízo, uma expressão da essência representará não retaliar nem “responder à letra” a esse indivíduo, mas amortecê-la, reconhecendo terdes atraído esse indivíduo à vossa realidade. Não constitui acidente nenhum o facto desse indivíduo se posicionar na vossa realidade. E na responsabilidade que tendes para convosco próprios podeis examinar aquilo que estais a tentar notificar a vós próprios se permitirdes que o indivíduo tenha lugar na vossa realidade e como tal escolher de modo responsável o modo de proceder com a vossa energia de forma a não perpetuardes a interacção e a não suportardes acção nenhuma por que o outro possa ser encorajado a prosseguir.

BILL: Aqui é o Bill. Será verdade, Elias, que quanto mais um indivíduo se torna tolerante e tender a aceitar menos tende a sentir qualquer intromissão? Digamos que alguém aceita completamente tudo, poderá ele experimentar intromissão?

ELIAS: Provavelmente não, porque o indivíduo reconheceria o modo automático de configurar essa energia e deixar de a receber de modo intrusivo.

BILL: Então, por outro lado, se alguém experimentar uma grande intromissão, será isso potencialmente um sinal de não aceitar muita coisa?

ELIAS: Um pouco.

BARB: Ou estará ele próprio a ser intrusivo
?

ELIAS: Pode ser, mas não constitui regra.
Não é necessariamente o que puder estar a ser exprimido. Como em qualquer interacção, qualquer reflexo que proporcionardes a vós próprios destina-se a avaliardes aquilo que estiverdes a produzir, aquilo que estiverdes a trazer à vossa realidade e o seu objectivo. Pode ser para reflectirdes a vossa falta de aceitação. Pode destinar-se a reflectirdes a própria expressão que utilizeis em relação a vós próprios, assim como poderá tratar-se duma expressão que estejais a estender a vós próprios a fim de examinardes a forma com respondeis e se automaticamente respondereis à letra ou se respondereis com uma expressão da essência.

BILL: Não será a ofensa, o sentimento de ofensa, uma forma de não aceitação de nós próprios? Se eu sentir poder ser ofendido, não devo estar a aceitar-me, não será?

ELIAS: É. Mas posso-vos garantir que nesta consciência que todos integrais actualmente, ainda não vos expandistes a ponto de não experimentardes ofensa.
(Sorri)

BILL: Obrigado. Estava a precisar disso! (Riso)

LYNDA: Amén, irmão!

ELIAS: Portanto, conforme disse no começo, estamos a abordar o que estais actualmente a experimentar e o que os vossos movimentos e aquilo que criais representam nesta realidade física e a consciência que desenvolvestes até esta altura, e não a avançar para a expressão celeste do “se eu fosse”, por isso ser completamente irrelevante, porque não sois. Por isso, não importa que fôsseis, porque aquilo que SOIS é o que possui significado, e aquilo que fazeis é o que é significativo.

No presente vós possuís todos a capacidade de produzir ofensa e de automaticamente avaliar que ela vos esteja a ser infligida por outro indivíduo. Ao abordarmos a criação disso, estamos a debater aquilo que gera tal intromissão, a forma como podeis amortecer isso de modo a não o acolherdes, por depender da vossa escolha. Não é exigido que passeis a receber a energia emitida pelos outros apenas por eles a projectarem.
Cabe-vos escolher.

E nisso reside a questão, nem sempre tendes consciência objectiva da vossa própria energia e da vossa própria abertura. Por isso, automaticamente admitis a recepção disso e automaticamente o configurais pelo modo que tenha sido projectado. Se tiver sido projectado de uma forma intrusiva e com o objectivo de vos invadir, a probabilidade é que o acolhais desse modo.

KAUSTUBH: Por falar em intervir e intervenção, tu no passado também disseste que, se pretendermos ajudar alguém poderemos ceder-lhe energia. Bom; se esse indivíduo ou indivíduos tiverem criado uma situação em que a nossa percepção seja negativa e isso estiver a contribuir uma coisa para a outra, e se tentarmos inserir a nossa energia positiva duma forma terapêutica em algo que eles tenham criado por si mesmos, por uma questão do seu próprio sentido de valor seja de que forma for, não poderá essa energia positiva resultar igualmente numa forma de intromissão, ou justificar-se-á procurar conscientemente endereçar energia positiva ou energia curativa a alguém se ele não tiver noção consciente disso?

ELIAS: Estou ciente disso, mas é escolha dele acolhê-la ou não. Isso não significa uma acção de intromissão, e cabe ao receptor incluí-lo ou não. Pode ser recebido, mas é escolha dele o modo de o reconfigurar. Pode configurá-la de modo a perpetuar aquilo que percebeis como uma interacção ou situação negativa. Mas ele acolhê-la-á; trata-se apenas da opção de o usar.

KAUSTUBH: Então deve ser óbvio que, se a intenção for clara não deve ter importância, ou não deverá sofrer qualquer intervenção.

ELIAS: Exacto.

BARRY: Eu tenho uma pergunta não tanto sobre a intrusão mas mais sobre o acto de subestimar. Nós fazemos isso frequentemente recorrendo ao humor. Encontra-se aqui na sala alguém com quem o fiz, quando conversamos acerca da neve – Lynda? Nós empregamos uma espécie de desvalorização. Alguém começa a subestimar e em seguida outra pessoa faz o mesmo, e quando a outra pessoa fornece o mesmo tipo de energia, riem todos. Não se assemelhará isso a um tipo de terapia ou estaremos mesmo... Não consigo ir mais longe, por...

ELIAS: Eu estou a compreender.
Por vezes, pode tratar-se disso. Por vezes pode tratar-se duma ligação que ocorre, e um reconhecimento se opera entre as pessoas e a produção de um reconhecimento e de reconforto.

BARRY: Foi por essa razão que perguntei, por se tratar dum sentimento bom.

ELIAS: Sim.

RODNEY: Elias, eu tenho uma pergunta relacionada com a reconfiguração ou o amortecimento da energia. Digamos que eu me encontro num escritório e que uma pessoa com quem trabalho esteja a ter um péssimo dia. As coisas não lhe estão a correr bem, e ela está a disparar contra tudo e contra todos. Ela está a causar tanta ofensa nesse dia quanto pode causar ao mundo. Eu calho de penetrar na mira dela e ela lança-me uma rajada.

Agora, se amortecer ou reconfigurar a energia, se na minha mente reconhecer que o que ele estiver a expressar realmente não tem nada que ver comigo...

ELIAS: Exacto.

RODNEY: Chamarias a isso amortecer ou chamarias reconfigurar? Que será que eu faço num cenário desses?

ELIAS: Isso é amortecer. Isso é produzir uma consciência da energia do outro indivíduo e de ti próprio e como tal gerar automaticamente um amortecimento, sabendo que não te diz respeito.

FRANK: Nesse caso resistimos á resposta automática de responder à letra, o que representa um factor essencial.

ELIAS: Exacto. Nesse tipo de cenário, a expressão do outro não é necessariamente intrusiva, por não ter o PROPÓSITO intencional de desvalorizar. O indivíduo não incorpora necessariamente uma percepção objectiva, um conhecimento, daquilo que está a expressar nem está intencionalmente a gerar uma projecção de energia destinada a subestimar.

RODNEY: Mas ele põe-se aos berros.

ELIAS: Exacto, e a exteriorizar energia e a expressar frustração. E todos vós experimentais frustração.

RODNEY: Num cenário desses, a que se afiguraria a reconfiguração?

ELIAS: Uma reconfiguração de energia, nesse caso representaria expressardes efectivamente uma energia diferente ao indivíduo, que o influenciasse e interrompesse a expressão que estivesse a utilizar.

RODNEY: Isso será reconfigurar?

ELIAS: É.

BARRY: Tal como colocar a mão ao redor do pescoço desse indivíduo a abraçá-lo a dizer: “Sei que estás a ter um dia péssimo, pelo que te farei aquilo que me pedes”, ou algo do género.

ELIAS: Ou, para utilizar o exemplo que deste, talvez incorporar uma expressão inesperada de humor em associação com o que esse indivíduo esteja a expressar, coisa com que ele não estará a contar. Não é uma expressão que vá alimentar a recompensa que ele queira obter com aquilo que exterioriza, pelo que irá interromper a expressão de energia que estiver a projectar.

Isso representa um exemplo da reconfiguração da energia, por permitirdes acolhê-la. Não estais a aplicar protecção alguma; estais a tomar parte; estais a optar por vos envolver, em razão do que vos tereis habilitado a tornar-vos receptivos, só que não a acolheis da forma que o indivíduo a esteja a projectar. Estais a reconfigurá-la e desse modo estais a exteriorizá-la de um modo diferente.

RODNEY: Ocorre-me pensar numa discussão acesa que tive com o tipo que dirige a companhia para quem trabalho, e com quem tive uma desavença. Alterei propositadamente a minha energia e de forma consciente, e aquilo que a seguir ele proferiu foi a declaração mais cómica a que alguma alguém recorreu: “Pois é, quem irá comprar os sapatos para a minha filha?” O que soou de tal modo ridículo, por o tipo ser podre de rico. Esse fragmento humorístico, aquilo que eu armei acompanhado dum humor desses constituiu uma completa reconfiguração.

ELIAS: Correcto.

RODNEY: E é nesses termos que estás a aplicar o termo.

ELIAS: Correcto, mas isso gera um resultado diferente.

RODNEY: Sim, em grande.

ELIAS: Sim, é bem óbvio.

Vamos fazer um intervalo e a seguir já continuamos.

INTERVALO

ELIAS: Prossigamos.

DONNA: Elias, eu tenho uma pergunta. Se bem te entendo, estás a dizer que se a intenção que tivermos não for de ofender e ainda assim nos depararmos com ofensa a ser-nos reflectida, aí devemos estar a importunar; mas no caso dum indivíduo, como por exemplo no escritório do Rodney, que ande a deitar à cara de toda a gente, nesse caso isso não é ser intrometido?

ELIAS: Não vos estou a dizer que, se a intenção que tiverdes não for de causar ofensa, estejais a causar ingerência, caso sejais acolhidos pelo outro de uma forma ofensiva. O que vos estou a dizer é que tendes responsabilidade por vós próprios e pela vossa energia, a responsabilidade de reconhecerdes a energia que estiverdes a projectar e de a reconfigurardes.

O indivíduo da outra hipótese também não está a importunar, e num cenário desses compete à vossa escolha ter consciência da vossa energia, e de não lhe corresponderdes ou responderdes na “mesma moeda” que ele. Podeis escolher quer reconfigurar essa energia ou amortecê-la e não tomar parte nela.

DONNA: Então a intenção revela se estamos a importunar ou não.

ELIAS: Sim. Mas, conforme declarei, independentemente da intenção ser ou não ofensiva, vós podeis estar a projectar uma energia que comporte uma expressão disso. Se a reconhecerdes, cabe-vos a vós (é responsabilidade vossa) reconfigurá-la de forma a fazer com que corresponda à vossa intenção.

VERONICA: Peço licença, mas tu antes falaste acerca duma pontada. Surgirá essa pontada em resposta à ofensa da parte de quem o acolhe, a despeito de termos ou não consciência dele estar ou não a sentir ofensa? Será um reflexo da energia que projectamos?

ELIAS: Pode ser. Isso pode representar um indicador.

VERONICA: Mas não obrigatoriamente.

ELIAS: Não necessariamente. Podeis reconhecer essa pontada na energia antes do indivíduo reagir. Podeis reconhecer assim que tiverdes expressado a energia e a interacção, antes dele responder, o facto de já estardes a sentir uma pontada e estardes a antecipar que o outro indivíduo venha a receber a vossa projecção de um modo ofensivo.

VERONICA: Então isso podia representar um calibre para nós, tipo uma resposta do Eu interior?

ELIAS: De certo modo; representa uma notificação (comunicação) que endereçais a vós próprios.

Mas conforme referi, por vezes podeis não ter necessariamente percepção disso antes do outro indivíduo responder. Mas diante da resposta que ele vos der, é responsabilidade vossa avaliar se essa resposta representa uma configuração da energia da parte dele, diferente daquela que tiverdes projectado, ou se tereis efectivamente projectado um elemento da energia que seja ofensivo.

Conforme declarei, não é tão difícil quanto possais perceber. Vós tendes capacidade de discernir, e em cada cenário haveis de ter noção das diferenças que se apresentam na energia. Vós já possuís uma consciência suficientemente firme de vós próprios e das outras energias para reconhecerdes a participação que tendes, e se estais genuinamente a prestar atenção a vós próprios e se estais genuinamente a prestar atenção à vossa energia.

VERONICA: Será que nos atribui responsabilidade a nós... (A câmara de vídeo é desligada por um cachorro – cujo nome não vou aqui pronunciar – o que provoca uma perda de aproximadamente sete minutos de gravação)

LYNDA: Diz aí que está a gravar? Muito bem, continuemos. (Elias dá uma risada)

BILL: Está bem, agora só preciso recordar a pergunta que coloquei! (Riso)

Frequentemente, quando me sinto zangado e possivelmente quando outros se sentem zangados com outra pessoa – se dou uma topada com o dedo no pé na cadeira fico irritado com a cadeira e isso varia consideravelmente – eu digo coisas ofensivas à outra pessoa, e nesse instante parece-me que esteja a ser ofensivo. Parece que o que estavas a dizer ao Rodney ele estava irritado – não faço ideia do que estavas a referir quando te sentias zangado – mas por vezes quando me sinto irritado eu ataco as pessoas com a intenção de as magoar. Será isso o que queres dizer com ser propositadamente ofensivo?

ELIAS: Isso representa um cenário.

BILL: Ainda que me venha arrepender em seguida, eu terei importunado e ter-me-ei revelado propositadamente ofensivo.

ELIAS: Mas essa é a razão porque te arrependes, por constituir uma expressão natural da essência, não vos expressardes desse modo, e hás-de estender a ti próprio uma notificação respeitante á tua conduta e à projecção que tiveres emitido.

o que é menos desculpável são as alturas em que as pessoas ignoram a expressão natural da essência, e expressam uma projecção propositada de desvalorização e de ofensa para com o outro, e justificam tal actuação.

JOHN P: Elias, e em relação às situações em que podemos presenciar uma discussão entre duas pessoas e não estamos directamente a participar mas não deixamos de constatar algo deste género a ocorrer? Não tenho a certeza se nos caberá alguma responsabilidade explícita, mas parece que devem subsistir algumas formas implícitas de responsabilidade.

ELIAS: Vós não sois responsáveis pelos outros.

JOHN P: Mas eu importo-me pelas pessoas em questão...

ELIAS: Estou a entender.

JOHN P: ...e preocupo-me com a discussão que é originada.

ELIAS: Estou a compreender. Nessa medida, aquilo que te poderá revelar-se mais útil é reconhecer que os outros estão a fazer uso das suas opções. Eles estão a gerar a sua realidade.

Muitos indivíduos por vezes geram expressões duma energia de intromissão. Geralmente, subsequentemente recebem uma notificação (comunicação) endereçada por eles a eles próprios pela qual experimentam ou culpa ou arrependimento ou um reconhecimento do que terão projectado.

Conforme referi, mesmo que estejais a tomar parte, mesmo que vos depareis com um indivíduo que esteja a revelar-se intrometido ou importuno, cabe-vos a vós ser responsáveis pela vossa energia, e apurar a razão por que tereis conduzido isso à vossa realidade, porque isso não é acidental. Ninguém deverá expressar-se na vossa realidade se não tiverdes conduzido isso à vossa realidade. Por isso, nos vossos termos, existe uma razão para o acolherdes.

Portanto, avaliais a situação por que tereis conduzido isso à vossa realidade, reconheceis a vossa energia para não responderdes à letra ao indivíduo, e avaliais as escolhas que tendes ao vosso dispor: continuareis a participar junto desse indivíduo? Em caso afirmativo, que motivação vos assistirá, e qual será a recompensa que ganhareis com isso? Que informação estareis a tentar estender a vós próprios caso opteis por dar continuidade à participação junto desse indivíduo e permitir que essa acção prossiga? Caso não pretendais continuar a participar, torna-se significativo que continueis a prestar atenção à vossa energia e à maneira como amorteceis esse indivíduo e às escolhas de que dispondes para poderdes alterar a situação – de certo modo, uma vez mais nos vossos termos, de modo a vos honrardes a vós próprios e à vossa energia.

Nisso reside a questão. Não podeis impedir outro indivíduo de se expressar desse modo, por não criardes a sua realidade. Não podeis impedir que outro indivíduo receba um tipo de energia desses, por não criardes a realidade dele. Podeis estender-lhe uma energia de apoio através da aceitação, mas lembrai-vos, alguns indivíduos optam por participar de uma forma intrometida, e vós podeis não ter necessariamente percepção do sentido dela nem do sentido de valor que obtém numa participação dessas.

A título de exemplo, podeis defrontar-vos com um outro indivíduo que tenhais conduzido à vossa realidade e ele pode expressar-se duma maneira bastante intrometida e ofensiva para convosco, e vós talvez possais optar por deixar de usar duma “almofada” em relação à energia que ele exteriorizar. Podeis escolher continuar a interagir com o indivíduo e permitir-vos acolher essa energia. Talvez a motivação que vos assista nisso seja a de explorardes e experimentardes a vitimização. Ou talvez a opção de continuardes a permitir a interacção e a permitir acolher a energia dele em meio a tal intrometimento seja a de examinardes diferentes qualidades em vós próprios, ou talvez de produzirdes um tipo qualquer de compreensão acerca das expressões do outro indivíduo, ou talvez mera curiosidade. Ou podeis optar por continuar a tomar parte na interacção com ele como um reflexo efectivo de vós próprios.
Podeis optar por envolver conflito. Podeis encontrar-vos nesse cenário particular a valorizar esse tipo de expressão e esse tipo de energia, e podeis realmente pretender participar numa acção de intromissão.

Por isso, aquilo que é significativo na observação dos outros e das opções que elegem é reconhecer as vossas preferências e as verdades que abrigais, por elas representarem os vossos parâmetros, as linhas de orientação que dizem respeito a vós próprios e aos vossos comportamentos, e não em projectá-los nos outros. O sentido deles pode diferir; o valor deles pode ser diferente. Apesar de poderdes testemunhar o que percebeis como situações e formas de interacção desagradáveis ou aborrecidas nos outros, isso depende das escolhas que eles elegerem.

Eu compreendo que isto se revele difícil para muitos, mas isso também representa a razão para terdes integrado esta onda particular nesta altura, para vos debruçardes nessas verdades.
Não para as eliminar, por constituirem crenças. Apenas as transformastes em absolutos. Mas reconhecer as vossas verdades individuais e o modo como vos influenciam e como influenciam os vossos comportamentos e as percepções que tendes e o modo como influenciam os juízos que fazeis dos outros.

KAUSTUBH: Para dar continuidade à questão, suponhamos que uma pessoa que tenha sido ofendida esteja a ser indirectamente danosa em relação a nós através deste outro indivíduo.
Nesse caso, sugeres apenas que nos voltemos para nós...

ELIAS: E reconheçais o que estiverdes a desencadear no vosso íntimo. Porque o outro indivíduo não está indirectamente a ser-vos ofensivo; VÓS sois quem está a provocar a ofensa em vós próprios. Por isso, estais a responder à opção do outro, o qual não vos está a projectar directamente.

Por conseguinte, torna-se significativo que avalieis as crenças que estiverdes a expressar e o que estiverdes a desencadear em vós próprios que se direccione no sentido contrário ás vossas preferências e como tal provoque uma sensibilidade dessas.

KAUSTUBH: Por vezes isso envolve outros indivíduos que nos são chegados, tal como pais ou isso.

ELIAS: Estou a entender. Posso-vos dizer a todos que representa especialmente um desafio maior preocupar-vos com indivíduos da vossa intimidade ou em relação aos quais tenhais laços de proximidade no relacionamento. É muito mais fácil dissociar-vos em relação a um indivíduo que percebais como estranho, por não personalizardes - mas personalizais no caso daqueles que estão mais associados convosco. Reconheceis a interligação e um tanto da ausência de separação. Mas também se vos torna significativo perceber aquilo que estiverdes a gerar.

Assumir responsabilidade pessoal pelos outros de nada vale. Torna-se-vos num factor de distracção para vós e distrai-vos na vossa atenção, o que perpetua a projecção da vossa atenção na direcção dos outros ao invés de prestardes atenção a vós próprios e à vossa própria energia. Tampouco servis de alguma valia ajuda para o outro, se assumirdes responsabilidade pessoal por ele.

É suficiente que assumais responsabilidade por vós próprios. Isso em si mesmo constitui uma enorme tarefa. No vosso caso  não me preocupava em sentir responsabilidade pessoal pelos outros. Isso não vai ao encontro do que quereis. Já ao contrário, prestar atenção a vós próprios e dar expressão às vossas preferências sem vos preocupardes com as expressões e escolhas dos outros permite-vos ajudar de uma forma mais clara, por meio do exemplo, o qual É proveitoso.

NATASHA: Posso apresentar um outro cenário, muito rapidamente? Temos dois indivíduos, dois amigos, digamos. Eles entram em desacordo em relação a algo. Um pretende oferecer uma dádiva e espera que o outro a acolha, mas o outro não pretende aceitá-la. Receber a oferta representaria para ele um acto de o levar forçosamente a fazer algo que ele não se sente inteiramente inclinado a fazer, e ele apresenta uma veemente rejeição. Por outro lado, se expressarmos essa rejeição a um amigo, saberemos que ela não será bem acolhida e que ele se sentirá ofendido. Que se esperará que façamos?

ELIAS: Prestai atenção a vós. Isso não é uma acção de intromissão.

NATASHA: Eu não sinto vontade de receber tal oferta, mas tenho consciência de que ao recusá-la isso irá causar magoar na pessoa.

ELIAS: Estou a entender. A intenção que tens não é de ofender. Isso depende da escolha do outro indivíduo, dar expressão e escolher essa ofensa. A responsabilidade que vos cabe diz respeito a vós e a prestardes atenção às vossas preferências, e se a preferência que tiverdes for a de não aceitar uma oferta particular, honrai isso, por corresponder à vossa preferência.

A questão reside em não adoptardes uma expressão de permitirdes que os outros vos ditem as escolhas. A questão reside em prestardes atenção a vós próprios e em terdes noção das vossas intenções e motivações. A intromissão é expressada de forma intencional com conhecimento do que estiver a ser expressado.

NATASHA: Obrigado.

ELIAS: Não tens o que agradecer.

LORRAINE: Elias, aqui é a Lorraine. Eu ainda sinto dificuldade em relação à intromissão. Se eu discutir com alguém acerca da política ou isso, e me sentir aborrecida ou irritada e entrar em desacordo e chamar nomes a essa pessoa – chamar-lhe imbecil ou seja o que for – talvez isso a ofenda. Assim, isso é uma coisa dolorosa, e tu estás a dizer que se eu... e numa altura dessas não vou sentir qualquer sensação de culpa em relação ao sucedido nem coisa que se pareça. Mas quando previamente afirmaste que o assassínio não constitui necessariamente uma intromissão, nesse caso se eu a matasse isso seria melhor? Não estou certa de entender... (Riso)

ELIAS: Não é necessariamente melhor ou pior. Trata-se meramente de acções distintas. Numa acção tal como o assassínio, gera-se um compromisso.

LORRAINE: E numa discussão não se gera esse tipo de compromisso? Insultar-se mutuamente não constituirá um compromisso?

ELIAS: Depende da situação. Depende do facto de ambos os indivíduos escolherem consentir em gerar o conflito. Em determinados cenários ambos os indivíduos consentem em criar conflito e participam juntos duma forma propositada. Nem toda a aceitação encontra necessariamente expressão por meio da alegria, da tranquilidade e do entusiasmo.

LORRAINE: Penso que tenha ficado com a impressão de que, seja em que situação for em que algo esteja a andar para a frente e para trás, seja sempre àquele que recebe que sempre caberá estabelecer a escolha de acolher ou rejeitar essa energia.

ELIAS: Correcto.

LORRAINE: Assim, se ela estiver a acolhê-la, terá optado por o fazer.

ELIAS: Exacto, mas terás tu noção dessa opção?

LORRAINE: Presumo que isso seja verdade. Pressuponho que seja verdade.

ELIAS: Em termos práticos, nas experiências concretas - não intelectualmente mas naquelas experiências porque passais numa situação em que outra pessoa vos expresse intencionalmente ofensa e vós a recebais, deixai que vos diga que nesse instante - atrever-me-ia a afirmar que não direis a vós próprios: “Eu opto por passar a receber esta expressão de energia.”

LORRAINE: E isso é o que chamaríamos de personalizar, caso passemos a aceitar isso em termos pessoais, não?

ELIAS: Não necessariamente; por vezes, com certeza que sim, só que não necessariamente. Aquilo que vos diria para investigardes, se estiverdes a conversar com um outro indivíduo em relação a um tema qualquer – o exemplo que deste foi o da política – e não concordardes com a opinião que ele formule, seria avaliar a motivação que tereis para discutir e insultar e expressar fúria.

LORRAINE: Por eu estar certa e ela errada, esse género de coisa.
Que isso nada tem de errado! (Riso motivado pelo sarcasmo)

ELIAS: O que traduz a questão desta “onda das verdades”, reconhecer a diferença e aceitar essa diferença, e examinardes as respostas que dais em relação à diferença e examinardes aquilo que vos motiva a expressar juízo e a opor-vos à diferença. Em que será que isso vos ameaça?

LORRAINE: Eu ia dizer que penso que o temor desempenhe um enorme papel nisso.

ELIAS: E o descrédito, e a defesa. Se vos defenderdes estareis a desacreditar-vos. Se perceberdes precisardes de vos defender, ou à posição que defendeis, ao que exprimis, ao comportamento que adoptais, já vos estareis a desacreditar. Seja o que for que estejais a defender, estareis a faze-lo com base na percepção de que essa expressão que estais a defender não seja suficientemente adequada e como tal deva ser protegida.

LORRAINE: Contudo, as pessoas não se matarão por razões dessas? Não poderá chegar a esse ponto?

ELIAS: Por vezes.

LORRAINE: Então o assassínio não será um descrédito pessoal?

ELIAS: Depende da situação; depende do cenário.

LORRAINE: Mas pode ser.

ELIAS: Pode ser. No acto de quem o perpetra e não necessariamente na acção da vítima.

LORRAINE: Eles poderão ou não ter uma razão diferente.

ELIAS: Exacto.

BILL: Elias, é o Bill de novo. Eu queria colocar uma pergunta subordinada à escolha. Pereço estar a começar a lidar com o facto de que o pensamento interpreta, e quando obtém suficiente informação, a vontade alinha pelo desejo que tenho, e eu obtenho aquilo que quero. Assim, parece que o pensamento não escolhe. Que será que escolhe, que segmento de mim definirá a escolha, por ter consciência de não ser mais o pensamento. Como faço para chegar a essa parte que escolhe?

ELIAS: Esse elemento não está tão escondido de vós quanto o percebeis. E não refere “coisa” nenhuma; sois vós. As vossas escolhas expressam-se por meio daquilo que fazeis, e essa é a razão por que continuo a expressar repetidamente para prestardes atenção ao que fazeis, por isso constituir a vossa prova do que estais a escolher.

BILL: Então aquele segmento de nós que dizes que procede à escolha, é a essência ou será outra coisa... Só estou a tentar estabelecer uma ligação com..

ELIAS: És tu, Bill, esta atenção, nesta manifestação, tu e tudo aquilo que te compõe. É isso o que gera a escolha, e tu aplica-lo de forma bastante objectiva. Apenas não prestas atenção ao que fazes. Prestas atenção àquilo em que estás a pensar...

BILL: Bastante!

ELIAS: ...mas vós não prestais necessariamente atenção ao que estais a fazer, mas o que estais a fazer, a atitude que tendes, constitui a expressão do que estais a escolher.

Agora; “o que será que está a influenciar o que estais a fazer? “, isso já é mais ao que a tua pergunta se refere – o que prevalecerá por detrás do que estareis a fazer, da atitude que usais. Isso diz respeito às crenças e às influências que albergais, e cada crença integra muitas influências distintas.

BILL: Então, quando procedo a uma escolha que o pensamento me diz que eu não quero, basicamente não estarei a prestar atenção à atitude que estareis a ter, e aí devo ir mais longe e descobrir as influências?

ELIAS: Se prestares atenção. As influências alcançam expressão quer as reconheças ou não. A crença está a ser expressada quer a identifiques ou não. Mas a forma pela qual começarás a reconhecer é prestando atenção ao que estiveres efectivamente a fazer.

Isso é significativo, pois já expressei isso muitíssimas vezes. Estou ciente de que a maioria das pessoas que escutam uma declaração dessas pensarão automaticamente no “que estejam a fazer” em termos de eventos específicos ou do que antecipam vir a fazer por meio de acontecimentos específicos, e estejam simplesmente a prestar atenção ao que avaliarão como escolhas amplas ou significativas.

Já vos dei, previamente, conta de que não me refiro a prestar atenção a um evento ou escolha por antecipação, mas a prestar atenção ao que efectivamente estiverdes a expressar agora, no presente.
Que tipo de energia estareis a expressar? Que acções estareis a adoptar? Porque aquelas acções mundanas em relação às quais vos moveis em piloto automático são as acções que vos indicarão as crenças que estareis a expressar e o tipo de energia que estareis a expressar.

Essas acções são a comprovação da direcção que estais a seguir e desse modo constituem igualmente os vossos indicadores respeitantes às escolhas mais amplas ou que acontecimentos antecipados. ESSAS são as acções e as escolhas e o que fazeis a que não prestais atenção, mas são significativos.

BILL: O problema é que eu pensava estar a prestar atenção ao que fazia. Penso em certas crenças que o fazer, a atitude, envolve e ainda assim acabo actuando da mesma maneira, pelo que talvez não esteja a ir suficientemente fundo na observação das crenças que rodeiam esse modo de actuação a que não quero recorrer.
Compreendes?

Como o facto de ter começado a fumar, e ser um maratonista e me sentir esquisito ao máximo por causa disso. Aceito isso, é uma escolha que elejo, e reflicto no que estou a fazer: “Estou a fumar?” A maioria das crenças que abrigo relativamente ao fumar são crenças das massas, mas não estou recriminar-me por causa disso. Estou como que a auscultar o facto e a tentar descobrir a razão porque fumo. Chega a ser como um carrossel, esta coisa...

ELIAS: Estou a compreender.

BILL: ...por não desaparecer.

ELIAS: O que constitui o teu indicador de estares a escolher essa acção, por a estares a accionar.

BILL: (A rir) Eu tenho consciência disso!

ELIAS: Mas, além disso, tu não estás a dar expressão a luta nenhuma em relação a esse fazer, essa postura, independentemente de procederes à avaliação de acreditares na acção do fumar de modo idêntico ao dos outros.

Agora; permite que te diga que as crenças e o acreditar não são a mesma coisa. Aquilo em que acreditas não é necessariamente um indicador do que utilizas como uma crença que é expressada.

Qual é o conflito que tens neste cenário?

BILL: O conflito é o de que a crença das massas relativa ao fumar me vai impedir de alcançar este objectivo que assumi, o da corrida com que me comprometi faz um ano.

ELIAS: Mas e que avaliação é que fazes?

BILL: Entro um pouco em conflito com isso, por também acreditar que, seja como for, eu vou alcançar o alvo.

ELIAS: Nisso reside a questão. Nisso reside a intenção de perceberdes as crenças, não necessariamente aquilo em que acreditais, mas as crenças que albergais e as influencias que expressam ou as influências que permitis e examinar a motivação para agirdes como agis.

Nessa medida, já chegaste a prover uma resposta à pergunta que tinhas formulado. A crença que tens assenta no facto de confiares na consciência do teu corpo físico, razão porque, independentemente das crenças que as massas expressem relativamente a essa substância, independentemente de acreditares poder conter o potencial para te influenciar na criação de danos físicos em ti próprio, também comportas uma forte crença associada às capacidades que tens na expressão física, que suplantam isso. Isso constitui uma expressão mais vigorosa e um alinhamento mais poderoso e como tal influencia mais, e nessa medida tu continuas a escolher a acção do fumar a título de curiosidade.

BILL: É realmente interessante; já mais ou menos um ano que ando a fumar, e as minhas capacidades de corrida estão a aumentar.

ELIAS: De certo modo, tu sentes-te apenas curioso e estás a explorar as habilidades de que dispões relativamente às probabilidades, por assim dizer, e a testar a hipótese de realmente criares a tua realidade e se és capaz de criar a despeito das crenças que as massas expressem.

BILL:
Foi estupendo. Isso encerra muitos mais aspectos, mas vou dar a palavra aos outros. Agradecido; foi duma grande ajuda.

ELIAS: Não tens de quê.

BARRY: Aqui é o Barry que fala, por agora ter ficado bastante confuso. (Riso) Eu não faço nada por aquilo em que acredito; as minhas crenças brotam daquilo que faço.

ELIAS: Não! As crenças que abrigais influenciam tudo o que fazeis.

BARRY: Mas sempre que tenho que estabelecer uma escolha, eu faço o que acredito que me pode trazer felicidade ou algo do género.

ELIAS: Por vezes.

BARRY: Assim, se eu fosse corredor - coisa que não sou - se fosse um corredor e começasse a fumar, ou tivesse optado por fumar, passaria a abrigar a crença de estar a testar a crença que abrigo na minha capacidade física, conforme lhe explicaste.

ELIAS: A crença já foi aceite. Ele já integra a crença na resistência e uma crença na prática, a qual gera uma maior força e uma convicção referente aos mecanismos da forma corporal física e nas capacidades que ela tem de manipular a situação. Isso já foi expressado, quer ele disponha duma percepção objectiva do facto ou não. A crença já foi expressada.

Agora; ele pode acolher ideias e expressar a si próprio acreditar que o acto de fumar seja pernicioso, mas isso não chegar efectivamente a afectá-lo. Isso constitui uma interpretação, uma maneira de pensar. Os pensamentos não são o que cria a realidade; eles interpretam. Nessa medida, vós aceitais todos as diferentes expressões em que acreditais, mas isso não quer dizer que aceiteis obrigatoriamente a mesma crença, e as crenças são o que vos influencia a acção.

Um indivíduo pode chegar-se a mim e dizer – coisa que ocorre com frequência – “Não acredito nas expressões religiosas. Não credito verdade alguma aos elementos religiosos”, ou então, “não tenho fé nas crenças religiosas”, situação em que lhe posso dizer: “Mas isso é ridículo. Acreditas, sim.”Se te expressares, mesmo que em comunhão com esta informação de que a essência é mais vasta do que tu, já aceitas crenças religiosas e já estás a dar-lhes expressão, independentemente de acreditares que as professas ou não.

BARRY: Ainda me sinto confuso.

ELIAS: Eu estou a entender.

LORRAINE: Talvez possa contribuir um pouco para isso. Aqui é a Lorraine. Vou falar por mim própria: por vezes digo algo como se não acreditasse que discrimino as pessoas, e que não acredito não gostar dos negros nem dos homossexuais ou seja lá o que for. Mas aí, damos por nós a fazer algo de um modo por meio do qual discriminamos mesmo. Podemos repetir intelectualmente para nós próprios não acreditar que discriminamos ninguém, mas damos por nós a ter uma atitude dessas.

ELIAS: Exacto.

LORRAINE: Basicamente, as crenças que tenho são uma coisa, e aquilo em que penso que acredito é outra.

ELIAS: Correcto.

BARRY: Não é disso que eu estou a falar.
Vou recorrer a um exemplo. Vou tentar utilizar o fumar. Sinto vontade de fumar, e peço num cigarro e fumo-o. Quer seja ou não corredor, creio que isso é irrelevante. Só que abrigo a crença de que o fumar seja prejudicial, mas tenho consciência de o querer fazer e faço-o mesmo. Consequentemente altero a percepção que tenho por uma em que digo a mim próprio que o fumar não seja prejudicial, porque se o fosse – coisa que de facto agora me deixa na confusão, por constituir uma crítica – eu não o faria.

ELIAS: Não necessariamente. Podes optar por aceitar a acção de qualquer maneira, mesmo apesar de saberes que comungas com essa crença pela qual expressas ser prejudicial.

Podes optar por incorporar essa acção por variadas razões: talvez para te desafiares a ti próprio, talvez para desafiares a crença que abrigas, talvez para examinares o que poderás passar a criar em associação com isso, por curiosidade. Talvez para passares efectivamente a produzir um resultado físico e criares um mal-estar efectivo e podes escolher criar isso por uma miríade de razões, não somente para te separares do físico, mas essa pode igualmente ser uma das razões.
Pode representar um método.

BARRY: Agora compreendo.

VERONICA: Desculpa-me, Elias, poderias voltar à crença de participarmos nas crenças religiosas apesar de o podermos negar, com a convicção de que a essência seja mais vasta do que nós?

ELIAS: És tu.

VERONICA: De modo que, então eu faço uso da analogia de Deus, algo situado fora de mim, maior do que eu própria? (Elias acena em confirmação)

BARRY: Eu tenho um exemplo; peço desculpa por estar a gastar tanto tempo com isto. Eu tenho uma crença, fui criado na crença de que Deus nos julga e castiga e recompensa.
Essa é a crença que nutro. Sou acometido pela sensação de fazer algo – não me ocorre exemplo nenhum – e percebo precisar fazer isso, por ser o que a minha essência me diz para fazer, e me dizer para não proceder a juízo nenhum em relação a determinada coisa; em relação a nada. Então eu passo a escolher, aí passo a dispor desta opção: vou deixar de formular juízo crítico. Aí volto às crenças religiosas que tinha, de que é Deus quem condena e julga, e essa não é a crença que tenho. Desse modo, o que estou a fazer com respeito a esta escolha de deixar de julgar é ter alterado a crença que tinha.

ELIAS: Não, não alteraste a crença que tinhas. Facultaste a ti próprio escolha, e isso é uma acção que integras ao ACEITARES a crença; não ao desafiares a crença, não ao condená-la. Não a alteraste nem tampouco a eliminaste, mas estás a habilitar-te a escolher.

BARRY: Mas eu não creio mais que Deus nos julga. Eu alterei essa crença. É o que o que faz com que não entenda.

ELIAS: Não alteraste a crença. Neutralizaste-a, por não estares a expressar-te no alinhamento com ela e não estares a gerar conflito. Consequentemente, aceitaste um aspecto dessa crença e habilitaste-te a escolher. A crença continua (a subsistir).

BARRY: Mas não continua coisa nenhuma; eu não a defendo mais. Não creio mais nisso. Não tenho nada que ver com aquilo que me foi incutido - nada. Pelo menos é o que eu acredito. (Riso, enquanto o Elias dá uma risada) e tu estás a dizer-me que a defendo...

ELIAS: Tu defendes, mas ela...

BARRY: Mas quando procedo a uma escolha ela não tem nada a ver com esse processo. Não compreendo.

ELIAS: Eu compreendo que estejas a racionalizar a coisa dessa maneira. Aquilo que te estou a dizer é que tu não és uma excepção em relação a esta realidade. Ao escolheres tomar parte nesta realidade, também escolhes alinhar pelo esquema e pelo plano em que ela assenta, e o plano e esquema dela integra todos os conjuntos de crenças e prerrogativas que essas crenças encerram...

BARRY: Conquanto acreditemos nelas.

ELIAS:
Não. (As prerrogativas todas que essas crenças encerram) são aceites por todo o indivíduo que participa na vossa realidade física. Nem todas alcançam a expressão, e ao aceitardes uma crença, vós podeis optar por lhe dar ou não expressão. E isso é o que tu tens feito. Não a eliminaste.

E também vos posso dizer que o que conseguiste não é definitivo. Tampouco consiste num absoluto. É uma escolha passível de ser actualizada a cada instante, a continuação de expressardes desse modo, a continuação da aceitação duma crença particular, ou a opção de passar a permitir outras influências por que tenhais maior preferência em associação com essa crença.

Mas não a terás eliminado; ela não se desvaneceu. Nenhuma das crenças é eliminada. Elas não sofrem alteração alguma.

BARRY: Mas não influenciam as opções que tomo.

ELIAS: Correcto!

LORRAINE: Mas já não alinhas por elas. Penso que seja isso que pretendes realçar, o facto de já não alinharmos mais por elas. Elas permanecem todas aí, todos os milhões de crenças, mas nós já não alinhamos mais por essa neste momento.

ELIAS: Exacto!

LORRAINE: No instante seguinte podemos passar a alinhar.

ELIAS: Exacto!

LORRAINE: Por isso, é uma questão de semântica. (Elias sorri)

DANIIL: Eu proponho um cenário diferente. Eu tenho a crença de não conseguir atravessar a parede e só consigo passar pela porta; faça o que fizer, eu não consigo atravessar a parede, o que representa um indicador de abrigar a crença de não conseguir atravessar a parede. Agora, se houvesse um xamane que conseguisse aprender a atravessar a parede, mas ainda que conseguisse tal façanha, ele ainda teria essa crença. Talvez não alinhasse por ela, mas ainda a abrigaria.

ELIAS: Pode não expressá-la.

DANIIL: Porque se não a tivéssemos, deveríamos situar-nos no limiar do tempo e do espaço, esse género de coisa, e não haveria o que pudéssemos atravessar.

ELIAS: Exacto.

LYNDA: Desce à Terra, Danny!
(Elias sorri)

KAUSTUBH: Elias, estou a tentar ligar o que estás a referir ao que é revelado por uma outra fonte que dá pelo nome de Abraham. Não conheço o objectivo dessa fonte, mas com certeza que não difere completamente do deste debate. Aquilo que ele tenta transmitir é que se pensarmos a partir dum ângulo negativo, como sermos pouco saudáveis e com base nesse sentimento tentarmos dizer ou pensar que desejamos tornar-nos saudáveis, não haveremos de nos tornar saudáveis. Contudo, se alimentarmos essa ideia desde a perspectiva duma emoção positiva, então haveremos efectivamente de atrair aquilo que queremos. Portanto, de que modo isso estará ligado ao que estavas a tentar dizer? (Pausa)

ELIAS:
Estou de acordo. O pensamento não altera aquilo que estiverdes a criar. A emoção constitui uma notificação. Por isso, ela dá-vos conta da identificação do que vos influencia o que estiverdes a criar e o que estiverdes a expressar.

Agora; se através da notificação emocional reconhecerdes a crença que estiver a influenciar aquilo que estiverdes a criar numa manifestação física, podereis optar por produzir uma energia diferente e deixar de dar continuidade a isso. Todavia, por vezes isso pode revelar-se um tanto traiçoeiro, por também dizer respeito á motivação que vos assistir.

Podeis não sentir necessariamente à-vontade em meio àquilo que estiverdes a criar, mas se examinardes o que vos motiva a criação disso, isso torna-se significativo. Porque podeis expressar no contexto do pensamento sentir-vos pouco à-vontade, e que não gostais do que tiverdes criado e que não desejais continuar a criá-lo, mas pode existir algum elemento inerente à vossa experiência por meio do qual queirais dar continuidade a essa experiência.

Por isso, torna-se significativo que presteis atenção à motivação que vos assiste e ao tipo de energia que estiverdes a expressar, de modo a habilitar-vos a avaliar o que estiverdes a gerar.

KAUSTUBH: Qual será exactamente o objectivo dele (Abraham), tipo, no alinhamento de que família fará isso, a canalização que apresenta?

ELIAS: Eu sugeria-te que colocasses a pergunta a essa entidade. (Dá uma risada)

Vou aceitar mais uma pergunta e logo suspenderemos.

DONNA: Elias, eu tenho uma pergunta relativa ao exemplo que a Natasha deu da outra pessoa que me oferecia algo quando não pretendia aceitá-lo. Portanto, estabeleço a escolha daquilo que corresponde à minha preferência de não aceitar essa oferta, mas tenho noção de que irá tomar esse gesto como uma ofensa. A aceitação da minha preferência não comportará nenhum reflexo da ofensa?

ELIAS: É possível.

DONNA: Mas então também deve ser possível que eu ainda perceba a ofensa.

ELIAS: É possível.

DONNA: Nesse caso que seria que isso me transmitiria, que seria que isso me reflectiria? Alguma coisa?

ELIAS: Sim, reflecte-te de volta o facto de estares a continuar a acolher alguma expressão dentro de ti que ilustre uma não-aceitação das tuas escolhas e da tua capacidade de expressares as tuas preferências com liberdade sem gerares uma expectativa em relação a ti própria.

DONNA: Uma expectativa relativa ao quê, no meu íntimo?

ELIAS: Depende da situação, mas geralmente deve ser uma expectativa relativa a ti própria no sentido de aquiesceres com os outros e de seres cortês, acolhedor.

DONNA: Não ofender os sentimentos deles?

ELIAS: Talvez.

DONNA: Isso é uma expressão da responsabilidade pessoal.

ELIAS: Responsabilidade pessoal, sem dúvida.

DONNA: Obrigado.

ELIAS: Não tens o que agradecer.

FRANK: Também podias aceitar a oferta e dar-ma a mim! (Riso geral, enquanto o Elias ri alto e bom som)

Exprimo-vos, como sempre, meus queridos amigos, um enorme afecto, um convite para darem continuidade á interacção que estamos a ter nas nossas amizades, e um tremendo encorajamento a todos nesta jornada. Por estar ciente dos desafios que estivemos hoje a abordar, mas também ter uma enorme confiança de que haveis de obter êxito.
(Dá uma risada)

GRUPO: Muito bem, bravo! (Aplauso) Obrigado.

ELIAS: A todos, com um enorme carinho, au revoir.

GROUP: Au revoir.

Elias parte às 5:25 da tarde.

©2004 Mary Ennis, Todos os Direitos Reservados

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