terça-feira, 19 de julho de 2011

ESPERANÇA - DESAPONTAMENTO - CAPACITAÇÃO


SESSÃO #1206
“Esperança, Desapontamento, e Habilitação Pessoal Através do Momento”
“Como Obter Êxito Junto das Mulheres”
Terça-feira, 10 de Dezembro de 2002 (Privada/Telefone)
Tradução: Amadeu Duarte


Participantes: Mary (Michael) e um novo participante, Keith (Allistar)


Elias chega às 2:12 da tarde. (O tempo de chegada é de 20 segundos)

ELIAS: Bom dia!

KEITH: Bom dia!

ELIAS: Sê bem vindo!

KEITH: Bom, obrigado. Eu estou um pouco... a sentir algum medo. Sinto-me um pouco assustado por estar a conversar contigo. (Elias ri) Já li um monte de transcrições. Costumava ler muito material do Seth e sempre me senti fascinado com ele. Sempre senti que se fosse capaz de dominar esta área me podia tornar num feiticeiro e criar a minha própria realidade da forma que desejo (ri) ao invés da forma como se apresenta!

ELIAS: Mas à medida que expandires a percepção que tens também hás-de consegui-lo!

KEITH: Pois, é um desafio expandir a minha consciência sem ter a mente do ego ou o que quiseres chamar-lhe a deter-me e a dizer, “Oh, olha para isso!”

Tenho tido imensa dificuldade em aceitar-me. Tenho vindo a ler bastante sobre a aceitação pessoal, e caramba, cada vez me parece que sinto mais repúdio por mim. A reacção automática que apresento à vida é a sensação de me repudiar por não me ter tornado conforme devia ter tornado, sabes? Tenho a ideia de ter vindo a este mundo para me tornar de determinado modo, e não aconteceu em conformidade com isso, pelo que me sinto chateado por causa disso! Não me aceito pelo facto de ter cometido erros o por o meu pai me ter tornado no que sou. Sou uma vítima de mim próprio e da situação em que me encontro.

ELIAS: Ah!

KEITH: Contudo gosto de pensar, gosto de acreditar que todos nós criamos a nossa realidade. Por isso recrimino-me pelo facto de ser vítima de mim próprio, por não ser suposto que o seja, por ser mau, e ser algo errado.

ELIAS: Ah. Mas, que SERÁ suposto que sejas?

KEITH: Na minha vida? É suposto tornar-me no arquétipo do tipo de viajante despreocupado, e mais importante, é suposto que seja como que o amante. É suposto que seja bem sucedido com as mulheres.

ELIAS: Ah!

KEITH: E dispor de mulheres na minha vida e gozar de intimidade com elas, talvez com várias ao mesmo tempo. Tipo James Bond, sabes, no sentido da acção só que mais no aspecto do amante.

ELIAS: (Com humor) Mas, e que deus te terá expressado isso a título do plano para a tua vida, se assim o posso dizer?

KEITH: Não sei. Não senti qualquer afinidade por um deus particular, para além do facto da leitura de certas passagens me transmitem esperança em relação ao facto de poder passar a manifestar isso. Vê bem, desde que eu era pequeno, sempre senti isso em relação à minha pessoa. (Elias ri) Jamais fui Cristão. Segui um pouco o Budismo, mas mais pelo aspecto da meditação.

ELIAS: Na realidade essa pergunta revela-se bastante ridícula. (Ri)

KEITH: Já percebi, mas... (Elias ri) Ajudar-me-á um pouco a entrar na “corrente” disto.

Além disso também não tenho confiança em mim, é claro, e isso leva-me a nem sequer ter confiança nesta situação por meio da qual tu apareces neste mundo e mostras ser capaz de nos revelares como as coisas funcionam. É claro que tenho vontade de acreditar nisso, só que existe um lado meu que me protege por meio do cepticismo relativamente a tal coisa e me faz pensar: “Oh, não é verdade. É apenas algo que estão a inventar.”

ELIAS: Estou a entender. Mas na realidade, não tem importância que efectivamente acredites no facto dessas ocorrências serem verdadeiras ou não, porque o que é significativo é que observes e dês atenção a ti próprio. Porque haverás de proporcionar a ti próprio muito mais informação e muito mais do que qualquer conceito que te possa estender. Mas posso-te dizer que posso servir de auxílio, se permitires tal coisa.

KEITH: Bom, é por isso que aqui me encontro! (Elias ri) Ultimamente tenho notado que deposito muita energia na esperança. Descubro algo como por exemplo, o Elias, e passo a depositar esperança no Elias, no sentido de me ajudar a mudar. No presente sinto-me como que feliz por sentir esperança em que o futuro venha a ser diferente daquilo que é actualmente.


ELIAS: Ah. Mas a chave...


KEITH: Quando constato que a esperança era falsa, fico bastante deprimido.


ELIAS: Estou a entender.


KEITH: Parece-me que quando fico deprimido, olho para a minha vida e tendo a considerar que tudo acontece na minha mente; nada se manifesta no exterior em termos desta dificuldade que sinto acerca do relacionamento. As questões que se prendem com o sucesso, o aspecto que desejo que a minha vida assuma – eu viajo e dirijo um negócio – esse tipo de coisas parece-me suceder com facilidade. Mas a interacção com os outros… Não sei como tornar-me no rebento que serve de exemplo da analogia que empregas. Sempre me interrogo sobre o modo como os outros me vêem, e estou sempre a outorgar o meu poder, e a tentar encaixar nos moldes que me sugerem em vez de investir na direcção do que quero.


ELIAS: A chave, meu amigo, reside em te fortaleceres no momento. A esperança consiste numa expressão interessante por sugerir às pessoas um falso sentido de si mesmas e do seu mundo, por se tratar duma expressão que reforça o acto de situardes a vossa atenção para além do momento. Por isso, como não prestas atenção ao momento, também não dás atenção ao que estás a fazer no momento, e muitas vezes ficas desapontado, por não criares necessariamente com base no futuro aquilo que esperas criar.


Por vezes, as pessoas adoptam esta expressão da falta de esperança a fim de que isso lhes sirva no momento e lhes permita prestar atenção ao momento. Mas mais frequentemente, fazem uso dessa expressão sem atribuírem a si próprios uma oportunidade de escolha ou de mudança, por não estarem a prestar atenção àquilo que estão a gerar no momento. Mas isso é chave para a vossa liberdade – não aquilo que o futuro possa trazer mas aquilo que possais estar a fazer agora e o modo como expressais o momento.


Essa é a sede da vossa liberdade e do vosso poder, e nisso reside o maior desafio, em prestardes atenção. Não apenas em prestardes atenção ao momento, o que é extremamente significativo, mas prestar igualmente atenção a vós próprios no momento, o que por vezes se pode tornar numa coisa traiçoeira. (Ri)


KEITH: Certamente que é.


ELIAS: Porque vós não estais acostumados a prestar atenção a vós próprios, nem estais familiarizados com o facto de manterdes a vossa atenção no agora a cada instante, enquanto continuais a permitir-vos prestar atenção às expressões externas em simultâneo. Mas isso é bastante exequível, se assim o posso dizer.


KEITH: Se praticarmos.


ELIAS: Exacto. É apenas uma questão de vos permitirdes começar e reconhecerdes o modo como expressais essas acções simultâneas sem vos permitir deslizar para as reacções automática que vos limitam.


Mas mesmo no caso de estares a expressar reacções automáticas durante o período em que estiveres a praticar a tua atenção, um outro aspecto chave consiste em não te criticares a ti próprio nessa acção mas apenas em te aperceberes e reconheceres que o momento seguinte representa mais um oportunidade para prosseguires com a tua prática. Nesse sentido, não se trata de arrecadares volumes de informação de modo a algum dia chegares a incorporar suficiente compreensão para alterares as tuas expressões ou o teu mundo individual mas, ao invés, de começares agora a detectar e a proporcionares a ti próprio escolha. Porque aquilo que crias agora molda aquilo que criares no futuro.


O futuro não passa duma mera ilusão, meu amigo. Não é verdadeiramente real. Aquilo que é real é o agora. Estará o futuro a ocorrer agora? Não. Além disso aquilo que crias e que escolhes agora constitui o cenário que estabelece o sentido dessa ilusão que é o futuro, porque vós moveis-vos através de contínuos movimentos no momento. Parece-vos que incorporais passado e futuro, por vos moverdes numa realidade que incorpora tempo linear, mas na realidade não passa dum movimento de sucessivos momentos.


Nesse sentido no teu íntimo, que perceberás neste dia somente, neste dia actual que te deprima ou te leve a experimentar ansiedade?


KEITH: Neste exacto momento?


ELIAS: Sim.


KEITH: A existência dum milhão de mulheres atractivas por aí enquanto eu me sinto completamente impotente e incapaz de fazer, ser, ter aquilo de que preciso obter, e sinto este sentimento de falta de esperança em relação a isso.


ELIAS: Muito bem. O que te influencia isso é projectares a tua atenção no exterior e gerares expectativas relativamente ao teu comportamento e ao comportamento dos outros, além da redução que estabeleces de ti próprio, na tua capacidade de criar efectivamente aquilo que desejas.


Nesse contexto, se continuares a projectar a tua atenção para o exterior, continuarás a reforçar essa auto-depreciação, por deixares de te propor uma compreensão objectiva daquilo que estás actualmente a gerar, da energia que estás a projectar para o exterior e do que influenciará tal coisa.


KEITH: Eu saio e abordo uma mulher, e sinto-me hiper-consciente em relação ao que pressinto que ela vê em mim. Ao invés do que eu percebo nela, esforço-me por perceber aquilo que ela percebe, e salto imediatamente para a conclusão de que ela quer que eu me afaste, por eu estar efectivamente… Não estou certo, é algo que sinto não ser verdadeiramente positivo. E em seguida deixo-me afundar na depressão.


ELIAS: Eu estou a entender.


Bom; ao te permitires reconhecer isso, facto que traduz que já conheces duma forma objectiva aquilo que estás a criar, também podes começar a direccionar a atenção para ti próprio.


Faz uma experiência. Presta atenção a ti e àquilo que pretendes e àquilo que desejas expressar. Não interpretes mal e não te confundas com expressões e padrões que te dêem conta da ideia de identificares aquilo que queres que se situe no exterior. Não é isso que te estou a dizer. Não digas a ti próprio, “Eu quero que outra pessoa, uma mulher, me preste atenção, e se expresse de determinado modo.” Não. NÃO é isso que tu queres. Isso é um subproduto daquilo que queres, e como tal constitui uma compensação natural que resulta da habilitação ao que queres genuinamente. Mas aquilo que queres com autenticidade é expressar-te com liberdade e sem hesitação, sem limitação alguma, e expressar uma vulnerabilidade e uma abertura e uma exposição de ti próprio destituídas de medo. Porque na medida em que te permitires a liberdade de te apreciares genuinamente e desse modo te expressares com autenticidade para o exterior, também projectarás um tipo de energia bastante diferente. Deixas de gerar expectativas.


Os outros reconhecem a energia com mais rapidez do que qualquer outro tipo de comunicação. Seja o que for que possas dizer a outra pessoa, ou até mesmo o que fizeres, a tua energia há-de expressar-lhe aquilo que estiveres genuinamente a expressar. Nesse sentido, os outros reagirão à projecção de energia que projectares, tal como tu respondes à energia que eles projectam.


Bom; a diferença que por vezes se constata é que alguns, tal como tu, geram uma tal tensão em termos de energia de protecção que, quando recebes a projecção da energia da parte da outra pessoa tu, de certa forma, distorces-lhe a expressão, filtrando-a através das tuas crenças e configura-la de um modo por meio do qual crias a percepção de suspeição. Não corresponde necessariamente à expressão da energia que o outro poderá estar efectivamente a projectar-te. Mas nesse medo e depreciação pessoal, é isso o que tu estabeleces por intermédio do mecanismo da tua percepção, e aquilo que crias por intermédio da percepção reforça-te o círculo da desvalorização de ti próprio.


Ora bem; a chave reside em interromperes o círculo, e o processo através do qual poderás interromper esse círculo consiste em voltares a atenção na TUA direcção e não na do outro, e no reconhecimento de que poderás continuar a expressar temor e falta de confiança na tua capacidade de te permitires expressar mas que estás a dar passos crescentes no sentido de te pores à experiência e de te capacitares disso.


Reconheces, por assim dizer, os danos terríveis que poderás expressar a ti próprio por te permitires uma liberdade de expressão? Porque, ao te protegeres, já estás a gerar ofensa no teu íntimo.


KEITH: Certo. Parece não poder tornar-se pior do que o que já está!


ELIAS: (Ri) Poderás descobrir que essa expressão de liberdade que trazes no íntimo, é bastante jovial.

KEITH: Já tive pequenas provas disso, de tempos a tempos, sempre que mo permiti. Captei o sentido da expressão total, e isso tornou-se no meu objectivo. Já lhe experimentei o gosto.

ELIAS: Eu estou a entender.

Bom; tal como disse, a chave reside não no esperar mas duma forma activa gerar esses movimentos no momento.

KEITH: Uma área de interesse que me veio à mente tem que ver com a minha mãe. Por vezes sinto não ter vontade de me expressar por completo com ela, por sentir um sentimento de embaraço, e aí, falar com ela sobre isso torna a coisa... Quero dizer, sinto que me sobrevém uma certa raiva em relação a ela e alguma raiva em relação a mim próprio. Mas noto que com ela, isso acarreta estagnação à nossa relação.

ELIAS: Deixa que te diga, meu amigo, que para te permitires a tua liberdade, deves dar expressão à aceitação de ti próprio, porque de outro modo não te habilitarás a essa liberdade, por te bloqueares. Deverás experimentar embaraço ou protecção pessoal.

Mas através da expressão genuína da aceitação de ti próprio em reconhecimento de seres um indivíduo digno, de teres valor e de seres imensamente criativo, facultarás a ti próprio a expressão de admiração por ti próprio e poderás passar para uma expressão genuína de ausência de importância em relação ao que os outros possam perceber. Mas, de forma mais interessante, se deres expressão à aceitação da tua pessoa, provocas um reflexo disso nas interacções que tens com os outros.

KEITH: Isso soa aprazível. Contudo preciso ter cuidado, ou ainda vou alimentar esperanças em relação a isso! (Ri junto com o Elias) E isso seria péssimo!

Interrogo-me se poderia somente colocar umas quantas perguntas antes que as esqueça, posso?

ELIAS: Muito bem.

KEITH: Uma delas tem que ver com a minha mãe. Há uma roseira que está a crescer no nosso quintal, que lhe foi dada pelo irmão, e a coisa redundou num crescimento estrondoso. Está mesmo a crescer de forma desmedida. Ela sente que isso subentenda alguma forma que o irmão dela, que já faleceu, esteja a empregar em relação a ela, a título de brincadeira. Só me questiono se poderás ter alguma noção da coisa.

ELIAS: Posso-te dizer que isso é a interpretação que ela faz. De certo modo, ela permite-se aceder a uma expressão de energia procedente desse indivíduo. A forma através da qual ela traduz a coisa é pela expressão exterior da sua energia de modo a afectar essa planta em particular.

KEITH: Então é a energia dela que está a afectar a planta?

ELIAS: É. Mas em relação à tradução que faz da energia a que acede, em relação a esse outro indivíduo.

KEITH: Estou a entender. Mas nesse caso gostava de saber as coisas básicas por que as pessoas perguntam – qual será a minha orientação, e nome, etc.

ELIAS: Nome da essência, Allistar. E que impressão tens?

KEITH: Sobre o nome Allistar?

ELIAS: Quanto às tuas famílias da essência?

KEITH: Ah, bom, sabes, sinto-me um pouco ridículo só de perguntar, porque essa parte das transcrições das tuas sessões não me despertaram assim tanto interesse. Sinto que já tenho tantos problemas como aqueles que tenho vindo a dizer que me quero votar que quase se torna irrelevante em que família me insira. Não estudei realmente qual família é qual, e qual queira dizer o quê. Penso que parte do objectivo de te colocar perguntas seja somente o de ver o que dizes.

ELIAS: Muito bem. (Ri)

KEITH: Pelo que compreenderei se te negares a dizer-mo por uma razão qualquer.

ELIAS: Ah! Eu vou-te dizer. Família da essência, Sumari; alinhamento, Zui; orientação, comum.

Ora bem; deixa igualmente que te diga, tal com tenho dito a outros pertencentes à orientação comum, que isso também traduz um aspecto do desafio que enfrentas nesta altura. Porque ao teres uma orientação comum, naturalmente tendes a expressar no exterior. Projectas de forma natural a tua atenção no exterior, mas achas-te pouco familiarizado com a acção de situar a tua atenção no exterior enquanto simultaneamente continuas a prestar atenção a ti próprio. Isso pode consistir num desafio temporário, que é também uma das razões porque digo a muitos que existe um tremendo potencial de gerarem trauma em associação com esta mudança (da consciência), o facto de passardes para as acções pouco habituais que essencialmente vos facultam a expressão da vossa liberdade. Mudar para uma expressão dessas pode por vezes tornar-se num desafio desproporcionado.

KEITH: Eu estou somente aqui a mudar uma cassete. Ainda te encontras desse lado?

ELIAS: Encontro.

KEITH: Bom, agradeço essa informação. E que mais?

ELIAS: Permite que te sugira um exercício que poderás experimentar, o qual te poderá proporcionar muita informação respeitante à energia, se preferires praticá-lo.

Permite-te dedicar um dia, apenas um dia, e nesse espaço de tempo procura produzir dois movimentos com a tua atenção; um, notares toda a vez em que te desvalorizas nesse período de tempo. O outro, é notares o que estás efectivamente a fazer por meio da acção que empregas a cada instante do dia.

No presente torna-se-te completamente desprovido de importância pores-te a analisar o significado de cada uma dessas acções ou do que estejas a comunicar a ti próprio (por intermédio delas). Permite-te unicamente prestar atenção a cada acção que empregas ao longo de todo esse dia, independentemente do quão insignificante te pareça. Para cada acto que empregues existe uma crença correspondente que está a influenciá-lo. A cada instante, cada acção, cada expressão que possas gerar no período de tempo desse dia é influenciada por uma crença.

Ora bem; as crenças em si mesmas não são boas nem más; são apenas aquilo que são. Só que tornam-se igualmente significativas pelo modo como influenciam aquilo que fazes. Podes notar muitos aspectos diferentes que empregas no espaço de tempo dum dia que são influenciados pelas mesmas crenças.

Agora; o significado dum exercício desses é o de que, tal como declarei, vós criais no momento e todas as acções que empregais e que julgais ser significativas são geralmente influenciadas pelas mesmas crenças que estão a ser reforçadas por acções e reacções automáticas ao longo de cada dia dos vossos, sem que presteis atenção. Desse modo, ao produzirdes algum evento ou encontro em que passeis a desvalorizar-vos e a expressar consternação para convosco próprios por não o terdes criado do modo que pretendíeis, tal como já declarei imensas vezes, vós criais aquilo em que vos concentrais, mas a concentração não quer dizer que esteja necessariamente associada ao pensamento. Está associada às crenças que estiverdes a expressar, e que continuais repetidamente a expressar por meio de reacções automáticas e em relação às quais não tendes consciência.

Tu lavas os dentes?

KEITH: Ocasionalmente. (Elias ri) Lavo, sim.

ELIAS: Com que motivação?

KEITH: Com a motivação de pretender que subsistam por muito tempo.

ELIAS: Aha!

KEITH: Por não querer ter que recorrer ao dentista.

ELIAS: Então essa acção é motivada ou influenciada por que crença?

KEITH: Pela crença da decadência que preside ao universo, a que chamamos entropia. (1)

ELIAS: Mas igualmente devido à crença de precisares usar de protecção.

Isso constitui um exemplo de acções que empregas no movimento natural do teu dia-a-dia em relação aos quais não empregas reflexão mas que são bastante influenciadas por uma dada crença, crença essa que é reforçada a cada passo.

KEITH: Bom, é claro que não recomendarias que deixasse de escovar os dentes. Apenas realças a percepção da crença (em que assenta), não é?

ELIAS: É verdade. Só que estou a dizer para te permitires observar. Porque, conforme tenho declarado, em si mesmas as crenças não são boas nem más; não são certas nem erradas. Apenas a associação que lhes dais comporta julgamentos em relação a elas.

KEITH: Oh, isso não subentenderá uma outra crença, o facto de apresentar uma crença relativamente à crença que tinha? É por isso que a coisa se torna tão confusa.

ELIAS: Isso subentende o sistema de crenças da duplicidade, em relação ao que já vos referi, tratar-se dum sistema de crenças que difere dos restantes, por se entrelaçar e se associar a cada um dos outros.

KEITH: Estou a ver. Isso encaixa, por estar consecutivamente a fazer uma avaliação dessas: bom e mau, melhor e pior.

ELIAS: Exacto.

KEITH: Isso é interessante e suscita-me uma dúvida que tinha em relação à culpa que sinto. A mais expressiva manifestação de culpa que sinto é em relação à minha esposa a quem abandonei há vários anos. A crença que trago comigo é a de que ela ainda me ama e ainda se encontra entristecida por ter optado por a abandonar e viver sozinho por desejar criar este tipo de vida que mencionei, do amante ou do mulherengo ou assim. Sinto enormes remorsos em relação ao que lhe fiz, como se ela tivesse sido uma vítima de mim e não tivesse consciência das coisas com que tenho – com se eu fosse tão consciente ou evoluído ou algo assim. (Ri) De qualquer modo, trata-se duma área em que sinto enorme dificuldade em desembaraçar-me das crenças que abrigo, por sentir que o que fiz tenha sido errado.

ELIAS: A culpabilidade não é realmente tanto expressada em relação ao outro indivíduo, meu amigo, mas em relação a ti próprio, por constituir uma outra expressão de desvalorização pessoal.

KEITH: Pois. Só me interrogo se me poderias sugerir algo nessa área quanto ao estado em que ela se encontra, e como venha a ficar. Penso que pretenda passar a sentir-me melhor em relação a isso e queira que me digas que ela seja uma pessoa responsável por todas as acções que comete e não é uma vítima de mim.

ELIAS: Mas tens toda a razão. Posso-te dizer que com essa tremenda desvalorização pessoal também empregas a camuflagem habitual de dares expressão ao poder relativo à criação da realidade duma outra pessoa, coisa que não tens.

Nenhum outro indivíduo poderá criar nenhum aspecto da tua realidade, nem tu podes criar aspecto algum da realidade de quem quer que seja. Isso depende da sua escolha, do mesmo modo que depende da opção que tomares quanto à forma com recebes a energia. Quando qualquer de vós interage com o outro, tal como tenho dito muitas vezes, aquilo com que estais efectivamente a interagir é a energia projectada por ele. TU na realidade és quem cria a manifestação física por intermédio da projecção da percepção que tens, e todo o indivíduo emprega essa mesma acção. Por isso, o que quer que seja gerado no mundo dela, na sua realidade, é criação dela.

O que não quer dizer que não tenhais partilhado e tomado parte na vossa realidade conjunta, só que isso são tudo escolhas, meu amigo. Até mesmo as escolhas que são passíveis de gerar desconforto SÃO escolhas. Se ela não tivesse empregado a escolha de interromper a relação que tinha contigo, essa interrupção também não teria ocorrido.

KEITH: Pelo menos não no que lhe diz respeito, não?

ELIAS: Exacto.

KEITH: Isso também repercute nesta outra questão que tenho vindo a tentar desembaraçar... Como será que me recrimino por ter agido desse modo, ou em relação ao facto de existir algo porque somos escolhidos para ser indivíduos atractivos, ou a intenção que tenha abrigado antes de nascer em relação à minha vida se desenrolar do modo que se desenrola. Porque, quando as outras mulheres deixam de parecer estar atraídas por mim, sinto ter errado ao rejeitar as que se sentiam atraídas por mim, de modo a voltar a sentir-me livre.

ELIAS: Ah, então deves estar a pagar o teu carma! Não existe carma algum, meu amigo. Isso representa uma outra crença. Mas, posso-te dizer, relativamente às crenças e ao modo como elas são expressadas, que elas se tornam reais. Aquilo que te estou a dizer é que não traduzem um absoluto. Isso não quer dizer que, se estiveres a expressar a crença de deveres ou precisares pagar por uma conduta errada em relação a outros indivíduos, isso (não) seja o que passes a criar.

KEITH: Certo. Tenho a certeza de que há algo disso por aí.

ELIAS: Mas se reconheceres isso como uma crença, isso também te pode proporcionar escolha. Não é uma questão de eliminares a crença mas somente de reconheceres e expressares para contigo próprio a consciência de incorporares tal crença assim como de reconheceres que podes expressá-la ou não. Podes escolher o modo como manipular a tua energia, a forma de a projectares em relação ao que pretendes, ao invés de continuares a desvalorizar-te na tua percepção.

KEITH: Deixa-me traduzir isso nos meus termos a ver se tiro algum proveito do que acabaste de dizer. Tenho vindo a pensar que o meu objectivo seja o de ser bem sucedido com as mulheres, pelo que continuo a tentar coisas que penso me tornarão melhor sucedido com elas e como que a viver na esperança de que tais coisas funcionem. Mesmo agora, dou por mim a pensar que se fizer o que me dizes para fazer e passar a expressar-me de modo completo, passarei a obter êxito com as mulheres. O que realmente estás a dizer é que é no momento, para me centrar no presente instante, que passarei a gerar o que realmente pretendo ao invés de pensar que devo permanecer junto delas. Pode ser que a coisa nem sequer resulte desse modo, mas pelo menos produzirei algo no momento.

ELIAS: Exacto, e passarás a criar aquilo que desejas. Talvez pretendas expressar-te de um certo modo em relação àqueles do sexo feminino, mas o teu êxito nessa expressão realizar-se-á permitindo-te aceitar-te e expressar-te com liberdade, e sem reservas.

KEITH: Parece que toda esta ideia de termos um objectivo por vezes se intromete na senda da permanência no momento.

ELIAS: Eu entendo, porque muitas vezes isso também se torna num absoluto e isso nega-vos a vossa liberdade, uma vez mais. Por vos fechardes numa expressão absoluta, e gerardes uma expectativa relativamente a isso, em razão do que deixais de facultar a vós próprios a capacidade de mudança, a qual vos traduz a vossa natureza.

KEITH: Na verdade é um material verdadeiramente espantoso. Fico realmente agradecido por teres disposto do tempo – penso que não se trata de tempo, no teu caso; não estou certo do que seja, em relação a ti – para conversares comigo. Só sinto seres capaz de te focar no que ocorre e de dizer certas coisas que se prestam bastante ao esclarecimento.

ELIAS: Não tens o que agradecer, meu amigo. Posso-te sugerir que podes, se o preferires, ter uma conversa com o Michael, porque ele também proporcionou a ele próprio uma tremenda expressão de informação respeitante a este tema particular das relações.

KEITH: Ser-me-á fácil descobrir quem é o Michael através da leitura das transcrições ou...?

ELIAS: O Michael é a pessoa que promove esta troca de energias.

KEITH: Okay, já entendi. Bom, sinto que é tudo em relação ao que tinha a perguntar-te e o auxílio que estava a tentar encontrar, por isso, talvez agora seja uma boa altura para darmos a sessão por terminada.

ELIAS: Muito bem. Fico a estender-te uma energia de encorajamento, meu amigo. Estou ciente do desafio por que estás presentemente a passar. Nesse sentido, aceita a energia que te estendo como uma dádiva para te apoiar nos teus avanços, e sabe que sempre estou presente e disponível. Fico na antecipação do nosso próximo encontro.

KEITH: Obrigado, Elias.

ELIAS: Não tens de quê, meu amigo. Expresso-te um enorme afecto. Com carinho, au revoir.

KEITH: Au revoir.

Notas:

(1)              Entropia: por analogia com a segunda lei da termodinâmica, traduz a tendência de todo sistema fechado para a desorganização, em consequência da gradativa redução de sua diferenciação estrutural e especialização funcional, num processo que culmina com a uniformização das partes.

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O MATERIAL ELIAS