quinta-feira, 30 de junho de 2011

A FUNÇÃO DE ESCOLHA SER INTERIOR



SESSÃO #891
"A Função de Escolha do Eu"
"Tu ÉS o Teu Ser Interior"
Sábado, 25 de Agosto de 2001 (Privada)
(Excertos)
Tradução: Amadeu Duarte
...

DAVID: Existirá alguma coisa a que não esteja a dar atenção? Estou bastante certo de me encontrar bastante bem mas talvez o meu ser interior ou os meus seres interiores estejam a tentar manifestar-se. Não poderias ajudar-me com isso?

ELIAS: Antes de mais, expressa-me a natureza da tua preocupação.

DAVID: Talvez a ter confiança em mim.

ELIAS: Mas presentemente estás a praticar essa acção com bastante eficiência, não estás? (Ri)

DAVID: Eu queria compreender um pouco. Eu possuo cem por cento de escolha; não é o meu ser interior ou isso quem decide algo quando eu estou a decidir, pois não? Eu disponho de cem por cento de escolha.

ELIAS: Exacto.

DAVID: Oh, é bestial! É realmente qualquer coisa de intenso! (Ri)

ELIAS: Absolutamente. Não existe qualquer aspecto da realidade que se ache ocultado de ti, meu amigo. Tudo se acha disponível a ti objectivamente. Trata-se unicamente de focares a tua atenção.

DAVID: Oh, portanto dizes que se acha objectivamente disponível a mim, e que se trata exactamente do mesmo, certo? O interior e o exterior são a mesma coisa?

ELIAS: Exacto.

JENNY: Ontem à noite estávamos a conversar com o Albert e estávamos um pouco confusos com relação ao factor de diferença patente na manifestação de qualquer coisa. Sempre pensei poder tratar-se do meu pensamento, ou seja que pudesse ser aquilo que eu estava a pensar que o manifestasse mas ele disse que é a percepção. Por vezes consigo compreender isso mas de qualquer modo parece que não me recordo, e eu queria saber exactamente em que consiste a percepção.

ELIAS: A vossa percepção não é o pensamento. Deixa que te diga que o pensamento consiste num mecanismo, numa função. É real, mas foi concebido como uma função na vossa dimensão física, a fim de interpretar e traduzir comunicações.

A vossa percepção também é um mecanismo em si mesmo – um mecanismo de projecção. É um aspecto da consciência que configurastes nesta dimensão física para projectar de facto a vossa realidade. A vossa percepção é, por assim dizer, o instrumento da consciência que na realidade cria todos os aspectos da vossa realidade física. Tudo aquilo que percebeis, tudo aquilo com que interagis, tudo o que incorporais em qualquer que seja a manifestação da vossa realidade é criado por meio da projecção da vossa percepção.

Os vossos pensamentos, tal como já o referi, são uma função da vossa realidade física. Nesse sentido foram criados a fim de interpretarem e traduzirem comunicações que ofereceis a vós próprios, sempre e a cada momento do vosso foco.

Expressais uma infinidade de diferentes vias de comunicação em vós próprios. Mas, tal como já declarei anteriormente nesta conversa, não existe um único aspecto da vossa realidade física que se ache oculto de vós. Vós criastes de modo bastante eficiente, no padrão desta realidade física, imensas vias de comunicação a fim de proporcionardes a vós próprios uma inserção e uma identificação contínuas de tudo o que criais e do modo como o fazeis.

JENNY: Mas, não poderás ser mais específico acerca de como a poderemos manipular ou do que poderemos exactamente fazer a fim de subministrar a percepção de forma a poder criar aquilo que quero? Porque me parece que algo não... Por algum motivo não estou a conseguir entendê-lo. Eu sei que tive conhecimento disso, mas de algum modo parece-me que tenho que o actualizar.

ELIAS: Prestando atenção a tudo o que te diz respeito: por meio da atenção para com o teu aspecto que cria e executa, por meio da atenção para com as vias de comunicação que ofereces a ti própria, e por meio da atenção para com as interpretações e as traduções que o pensamento elabora.

Mas posso igualmente prevenir-te para que tenhas cuidado com os teus processos do pensamento, porque, posso dizer-te que nas vossas sociedades e nos movimentos ao longo da história vós alterastes as vossas definições do pensamento e tentastes reconfigurar a sua função. Mas a sua função NÃO foi reconfigurada e permanece a mesma, mas vós procurais incorporar o pensamento interiormente de um modo para cuja função ele não foi concebido. Adoptais o pensamento a fim de ignorardes as comunicações, e percebeis o pensamento como uma forma de comunicação primária, e em si mesmo, coisa que não é.

Agora; com isso confundis-vos e iludis-vos devido a que os vossos processos de pensamento interpretem. Eles foram concebidos para interpretarem e traduzirem mas consistem igualmente num condutor das associações das vossas crenças. Por isso, as vossas crenças, de certa forma, expressam-se de modo mais altissonante por meio do pensamento. E isso representa uma influência espantosa.

Agora; por definirdes incorrectamente aquilo em que o pensamento consiste e o definirdes como uma comunicação, também voltais a vossa atenção com mais vigor para esse mecanismo do pensamento e inclinais-vos a atribuir-lhe confiança em termos absolutos.

Por exemplo, acreditais que o pensamento seja aquela área em que devais concentrar-vos. Acreditais que o pensamento preceda a criação ou a manifestação de qualquer aspecto da vossa realidade. Essa vossa crença expressa-vos que pensais saber aquilo que quereis e que por isso, como a vossa concentração se resume ao pensamento, e se continuardes a concentrar-vos num processo particular de pensamento também manifestareis aquilo em que pensais – em primeiro lugar o pensamento e em seguida a manifestação. Posso dizer-vos em termos bastante definitivos que esse não é o modo através do qual criais a vossa realidade. Não é o pensamento que cria a manifestação.

DAVID: Não será aquilo em que nos concentramos que cria a nossa realidade?

ELIAS: Aquilo em que vos concentrais projecta uma espantosa influência na vossa percepção. Aquilo em que vos concentrais é aquilo que manifestais. (Inclina-se para a frente) Mas concentração não é pensamento.

JENNY: Então que é a concentração?

DAVID: Será a concentração a percepção?

ELIAS: Não. A concentração é o modo como dirigis a vossa atenção. Mas a atenção não é o pensamento. A vossa atenção é aquilo que vos dirige o movimento e foca-se naquilo que estiverdes a direccionar no vosso íntimo. Por isso ela também é dirigida em alinhamento com as vossas crenças. Vós fixais a vossa concentração nas associações das vossas crenças e é por esse motivo que as vossas crenças influenciam tanto.

Os vossos pensamentos traduzem de forma exacta aquilo com que estiverdes a associar-vos por meio da concentração das crenças. Essa é uma expressão em que continuais a incorporar a real função do pensamento. Mas, em alinhamento com as vossas crenças, também tentais criar processos de pensamento que confiais vos expressarão aquilo que desejais. Mas eles podem não obrigatoriamente ser isso, porque estais a confiar no pensamento a fim de criardes o vosso movimento e a vossa realidade mas essa não é a sua função. Isso não faz parte da sua concepção e não cria a vossa realidade. Apenas a interpreta e a identifica meramente.

Aquilo que vos cria a realidade é o movimento da vossa atenção e o vosso aspecto que escolhe.

JENNY: Que aspecto é esse?

ELIAS: Aquilo que escolhe. Deixa que te diga que todos vós criastes e incorporastes experiências nos vossos focos por meio das quais dais lugar à criação dum processo do pensamento relativo àquilo que quereis. Não importa que identificação deis a um querer particular. Podeis identificar um querer nos vossos pensamentos. Mas subsequente à vossa criação desse pensamento passais a escolher doutro modo e confundis-vos: “Porque terei escolhido esta acção? Porque terei criado este movimento? Não é isto que eu quero. Eu quero aquilo que pensei, mas não estou a criar isso.”

Esse aspecto que procede à escolha é bastante merecedor da vossa atenção, porque isso consiste no movimento condutor que vos dirige a percepção e cria. Isso é “o factor que” cria, em relação à vossa percepção.

JENNY: Como chamas esse aspecto? Assemelhar-se-á isso ao nosso ser interno?

ELIAS: Não importa. Trata-se dum mero movimento da vossa parte. Mais uma vez, não lhe associeis uma identificação que o separe, em alinhamento com as vossas crenças. Vós não separais os vossos pensamentos nem a vossa comunicação emocional de vós próprios. Eles são aspectos e funções vossas. Isso é igualmente uma outra função vossa que se alinha com precisão com qualquer direcção que estejais a explorar com cada movimento. E vós escolheis continuamente movimentos de direcção. Seja qual for a direcção do movimento que estejais a empreender num dado momento, haveis de ESCOLHER movimentos e manifestações que se alinhem com essa direcção.

Este aspecto vosso não se alinha com as crenças. Apenas escolhe. Não importa se os vossos pensamentos exprimem bom ou mau, certo ou errado, melhor ou pior, confortável ou desconfortável. Isso não tem importância alguma para essa vossa função. Ele apenas escolhe um movimento que se alinhe com a direcção que estais a tomar.

JENNY: Portanto, se conhecer conscientemente a minha direcção, isso servirá de auxílio? Ou não, não tem importância?

ELIAS: Serve, apesar de terdes concebido esta realidade física de tal modo que detendes várias vias por meio das quais podeis oferecer a vós próprios essa informação. Podeis prestar atenção àquilo que estais a escolher, e isso estender-vos-á a informação relativa à vossa direcção. Elas podem alternar-se entre si.

JENNY: Eu pensei que não tinha que prestar atenção aos meus pensamentos, e que tinha que prestar atenção ao que estivesse a criar, pelo que...

ELIAS: Exacto.

JENNY: ...É mesmo assim.

ELIAS: Exacto, e o modo através do qual te permites prestar atenção ao que estás a criar, e ao que estás a escolher, consiste em prestares atenção a ti própria, no momento.

JENNY: Não poderás indicar-me um exercício ou algo assim que me proporcione mais informação sobre isso?

DAVID: Pois, um método.

ELIAS: Ah, ah, ah, ah! Um método! (Ri)

Isso é alcançado por meio da prática, permitindo-vos praticar continuamente a atenção centrada em vós, e notardes os momentos em que estiverdes a projectar a vossa atenção para o exterior de vós, detectardes as alturas em que permitirdes que outros elementos da vossa realidade vos ditem...

JENNY: Os meus pensamentos, talvez?

ELIAS: Sim, até mesmo os vossos pensamentos.

DAVID: Ou os acontecimentos externos mais especifica...

ELIAS: Não importa. Até mesmo os eventos. Muitas vezes os objectos ditam-vos aquilo em que as vossas escolhas devem consistir. Permiti-vos observar o que criais na vossa realidade e as influencias a que vos associais nesse processo, na vossa realidade. Vós proporcionais-vos continuamente exemplos – permitis que outros vos ditem, e admitis o mesmo em relação aos objectos e às circunstâncias.

Permitis que o papel moeda vos dite em que deverão vir a consistir ou a deixar de consistir as vossas escolhas! Se não dispuserdes suficiente papel-moeda, vós limitais as vossas escolhas e deixais de as poder expressar, por não dispordes desse objecto (dinheiro). Mas não precisais de objecto nenhum.

JENNY: Trata-se unicamente da escolha.

ELIAS: Exacto. Vós possuís a liberdade de criardes seja o que for, de criardes tudo o que quiserdes. Apenas sois limitados pelas vossas crenças. É a elas que prestais atenção. Permiti-vos prestar atenção no momento a vós próprios e às vossas associações e à forma como elas vos influenciam o movimento e vos negam as vossas escolhas. Prestai atenção ao que escolheis e ao que estais de facto a FAZER.

JENNY: Deveria eu prestar atenção aos meus pensamentos? Porque, agora...

ELIAS: Ao te permitires voltar a tua atenção de forma mais objectiva para as tuas escolhas e para aquilo que fazes ao invés do que pensas em relação ao que fazes, voltarás a delegar os teus pensamentos à sua função natural. Isso não quer dizer que lhe rompas a continuidade (ao pensamento) porque não o farás. Ele consiste num mecanismo complicado na vossa realidade, destinado a desempenhar uma função específica e por essa razão está continuamente a expressar, por também estar continuamente a traduzir informação que proporcionais a vós próprios com cada uma das vossas expressões objectivas, até mesmo através dos sonhos.

JENNY: Então terei que permanecer no momento? É isso ao que se reduz, permanecer de facto no momento, e tudo aquilo que eu fizer me transmitirá algo?

ELIAS: Exacto. Isso permite-te liberdade. Também ajuda e torna-se factor de influência na descontinuidade das vossas expressões de expectativa pessoal ou em relação a qualquer aspecto que pertença à vossa realidade. Situações, outros indivíduos, não importa – as expectativas são uma expressão automática.

JENNY: Aquilo que me vem à ideia é que eu costumava pensar ter que empreender coisas a fim de obter aquilo que queria, e agora, de algum modo, estou a ver que é justamente ao contrário, sabes, que devo apenas deixar-me ficar sozinha e...

ELIAS: E permitires-te CONFIAR em ti própria e na tua capacidade, e desse modo manifestares aquilo que queres no momento – não aquilo que PENSAS querer no futuro mas o que queres no momento.

JENNY: É isso que ultimamente me tem deixado numa confusão. Tem sido do género, “Que se passa comigo - estarei a fazer o que é suposto fazer?”

ELIAS: Nesse sentido admites igualmente uma oportunidade de mostrares apreço pela tua realidade do momento, ao invés de expressares frustração em relação a essa tua realidade.

Nesse sentido poderás notar que à medida que praticas e te permites gerar esse tipo de movimento, também deverás expressar cada vez menos para contigo própria: “Estou a criar aquilo que não quero,” ou “Devo esperar por aquilo que quero.” Porque aquilo que puder ser gerado no amanhã não tem importância. Aprecia aquilo que estás a gerar hoje.

JENNY: (Para o Pavel) Não queres colocar nenhuma questão? (Para o Elias) Como sabes, toda esta coisa da responsabilidade... Bom, eu pretendo colocar uma questão acerca dele por pensar ter que o ajudar, como sempre!

ELIAS: Ah! E nisso reside a questão. Detecta neste presente momento, agora, com quanta facilidade projectaste a atenção para fora de ti e expressaste responsabilidade pessoal pelo outro. Isso é automático, além de ser bastante familiar. É um exemplo no momento daquilo que pediste e daquilo que te ofereci em resposta, prestares atenção a TI no momento. Quando projectas a tua atenção para o outro, em termos de responsabilidade pessoal, deixas de expressar responsabilidade em relação a ti.

DAVID: Será por isso que algumas pessoas perdem energia ou se tornam desgastadas quando por vezes tentam auxiliar alguém?

ELIAS: Isso também se acha associado com crenças, as quais influenciam a criação duma manifestação física. Mas posso igualmente dizer-te que em parte também consiste numa comunicação. Porque a consciência do vosso corpo físico também se comunica convosco frequentemente em termos objectivos, e por vezes pode criar uma expressão de fadiga como uma forma de comunicação.

JENNY: Ao deixar-nos perceber que não estamos a centrar a nossa atenção em nós.

ELIAS: Exacto – a vossa atenção e a vossa energia está a distanciar-se de vós.

Durante a maior parte do tempo vós criais muitas, muitas vias de comunicação e prestais-lhes muito pouca atenção, e depois concentrais demasiada atenção na expressão que não consiste numa comunicação.

JENNY: Que é o pensamento.

ELIAS: Exacto. A emoção, tal como referi previamente, não consiste na única via de comunicação. É uma via de comunicação vigorosa e intensa; mas vós ofereceis a vós próprios comunicações por meio das impressões, por meio dos impulsos, por meio do funcionamento corporal, por meio da consciência do vosso corpo físico e da direcção subjectiva dela que usais através das manifestações, por meio de todos os vossos sentidos interiores, por meio de todos os vossos sentidos exteriores...

JENNY: E por meio da nossa interacção com os outros. Queremos sempre fazer todas essas coisas a fim de obtermos mensagens, e as mensagens estão sempre lá...

ELIAS: Exacto.

JENNY:...Mas nós não as vemos, e procedemos a tudo isso a fim de escutarmos o nosso ser interior.

ELIAS: Exacto. Ofereceis continuamente comunicações a vós próprios ao interagirdes com outra pessoa qualquer. Isso é uma outra forma de comunicação, porque estais continuamente a reflectir aspectos da vossa realidade a vós próprios por meio das interacções de outros indivíduos.

JENNY: E não poderemos prestar atenção às comunicações se não permanecermos no agora, certo?

ELIAS: Exacto.

JENNY: Nós procedemos do Instituto Monroe e estávamos – como hei-de dizer isto? Estávamos a explorar outros níveis da consciência ou o que quer que lhe chamem, a sentir outra energia, a sentir-me noutras vibrações diferentes. Não sei o que chamar a isso.

ELIAS: A permitir-te explorar outras áreas da consciência. Não existem níveis.

JENNY: Porque será que lhe chamam níveis?

ELIAS: Isso são expressões das vossas crenças.

Posso dizer-te, no enquadramento das expressões associadas às crenças – de que a criação da vossa metafísica nesta altura não passa duma mera nova religião; duma nova máscara ou persona para essas crenças religiosas – que dentro dos aspectos das crenças religiosas, se refere a existência de níveis de movimento, níveis cada vez mais elevados de realização, de conquista e de movimento; a existência de hierarquias.

JENNY: E energias sublimes e energias inferiores. Que quer isso dizer?

ELIAS: Não existem energias sublimes nem energias inferiores. Vós SOIS consciência.

JENNY: Enquanto andava pelo Instituto Monroe pensava que nada disso faz sentido, mas de alguma forma tudo... É como disse, sinto rebeldia em relação a tudo. É mesmo esta parte de mim que se assemelha, isto não...

ELIAS: Permite-te reconhecer que isso consiste unicamente em expressões das crenças. Isso não quer dizer que os conceitos não sejam válidos, ou que os movimentos não sejam válidos, porque são. É-vos comunicada informação e isso não é necessariamente inválido. Toda a tua realidade se acha entrelaçada com as crenças. O movimento desta mudança consiste unicamente em RECONHECERDES essas crenças, não em eliminá-las nem em perpetuá-las por meio de expressões como boas ou más, ou certas ou erradas.

JENNY: Funcionamos ainda com base numa crença, mas está tudo bem.

ELIAS: Exacto.

JENNY: Porque eu costumava pensar: “Oh, esta crença está a programar-me; gostava de me livrar dela.”

ELIAS: Não. A questão consiste em reconhecerdes e em aceitardes que isso são expressões da vossa realidade desta dimensão física (De modo decidido) e não em permitirdes que as respostas automáticas delas vos ditem as vossas escolhas.

JENNY: Num dos exercícios deles eu usava o teu símbolo e uma das visões que recebi foi a do teu símbolo a passar-me pela garganta. O que foi isso?

ELIAS: Apenas tu a facultares-te energia que se concentra nesse centro particular de energia que expressa comunicação.

JENNY: Também tive uma experiência fora do corpo e acordei no meu sonho nesse estado e estava a chorar. Vi-me a mim mesmo no meio de tanta dor, e depois tomei consciência de me achar acordada e de querer sair dali para fora. Quando dei por mim nesse estado, eu... Foi demasiado forte para mim ver-me assim.

ELIAS: Também isso, como uma reacção, consiste numa resposta às tuas crenças. Porque se não estiveres a condenar...

JENNY: Teria permanecido ali?

ELIAS: Não tem importância. Tu estás simplesmente a deparar-te com experiências e escolhas. A condenação cria uma reacção e tu voltas imediatamente a tua atenção para os teus pensamentos os quais te expressam: “Move-te; Actua.”

JENNY: Então o facto de me ter tornado consciente de estar acordada, isso foi um pensamento?

ELIAS: Não. O pensamento sucede a isso. Por vezes nem sequer reconheces estar a usar os processos do pensamento, por eles serem TÃO familiares e automáticos e confiares tanto neles.

...

JENNY: Bom, mais uma pergunta. Tive um sonho com o meu primo, de estar a ir para o hospital. Mas foi muito real, oh meu Deus, e bastante frio. Eu estava junto dele mas ele não sabia que estava morto, e a mim cabia-me a mensagem de lhe dizer que estava morto. Aí vieram três sombras e levaram-no. Penso que eles fossem meus parentes.

ELIAS: Posso oferecer-te uma interpretação para essa imagética. Permites-te aprovar-te a ti própria ao identificares o teu movimento de assumires responsabilidade pessoal pelos demais, e com isso apresentas a ti própria outras imagens que vêm e removem esse indivíduo por estares a expressar uma comunicação a ti própria de afastares o objecto da responsabilidade pessoal de ti.

...

DAVID: Quantos guias tenho junto de mim, Elias?

ELIAS: AH, AH, AH, AH! (O grupo ri) Nem um sequer!

DAVID: Oh, não? Porque razão?

ELIAS: (A rir) Porque não existem guias, meu amigo! Ah, ah, ah! Quantas essências participam junto contigo na consciência? Um número incontável. Mas sois todos iguais.

DAVID: Então, quando pergunto sobre o meu eu interior... Quando digo “eu interior” então não existe realmente nenhum eu interior mas tão somente eu?

ELIAS: ÉS tu! Tu ÉS o teu eu interior!

DAVID: Eu, este ser físico?

ELIAS: (Com ênfase) Sim! Tu, este ser físico, és a essência toda! Apenas focas a tua atenção numa direcção que te percebe a ti, esta manifestação física singular.

Deixa-me dizer-te uma coisa, meu amigo, todos os teus demais focos consistem noutras formas de atenção. Todos se acham presentes no momento, nesta localidade física e não noutras épocas temporais. Isso não passa duma mera ilusão. Consiste na concepção da vossa dimensão física a fim de criar um tipo específico de experiência, mas eles são todos TU. Apenas constam de diferentes formas de atenção de ti próprio.

DAVID: E o que será a essência nesse caso? Existe uma essência... Não entendo muito bem. Estou confuso.

ELIAS: A essência consiste em todas as tuas atenções.

DAVID: Então nesse caso, quando peço para falar com o meu eu interior, então não existe realmente um eu interior?

ELIAS: Isso é uma concepção das vossas crenças associadas à separação. (De forma deliberada) Na realidade, não, não existe nenhum eu interior que seja distinto de ti. Não existe nenhum eu interior que constitua uma entidade separada de ti. És tu.

DAVID: Então são uma e a mesma coisa.

ELIAS: Sim. Mas na vossa realidade estais bastante familiarizados com a segmentação e a separação de cada foco como uma entidade distinta. – o vosso eu interior como uma outra entidade separada, e outros focos doutras dimensões físicas como entidades separadas.

DAVID: Oh, mas então, quer dizer, no mínimo sou eu a falar para mim próprio?

JENNY: Será uma outra forma de comunicação?

ELIAS: É.

DAVID: Então nesse caso, quando venho aqui imbuído de propósitos, não existe um indivíduo... OU será uma parte de mim num nível de focagem diferente, digamos, que não esteja na realidade física?

ELIAS: Existem aspectos teus que não se acham focados na realidade física, do mesmo modo todas as essências também os possuem.

DAVID: E que chamas tu a esses aspectos?

ELIAS: Outras formas de atenção.

DAVID: Querendo dizer o quê, outras dimensões?

ELIAS: Noutras dimensões e noutras áreas da consciência, tanto físicas como não físicas.

DAVID: Quantos aspectos desses terei?

ELIAS: Incontáveis.

DAVID: Merda, é muito profundo! (Elias ri) Penso que terei que me projectar fora do corpo para o perceber a sério, não será? (Elias ri)

JENNY: Teremos que ir além do nosso corpo? Isso facilitará?

ELIAS: Não obrigatoriamente.

DAVID: Trata-se apenas dum modo diferente; quero dizer, trata-se duma expressão diferente, não será? Uma experiência diferente.

ELIAS: Uma experiência diferente.

...

JENNY: Posso perguntar-te acerca do meu medo das baratas? Que será que elas representam quando as vejo nos meus sonhos? É óbvio que sinto pavor delas. Talvez seja por isso... Se fosse capaz de representar esse temor e expressá-lo em termos duma imagem, seria a dessa pequena criatura.

ELIAS: E que impressão tens?

JENNY: Quando estava a escrever as perguntas que te queria colocar, de modo a não as esquecer, primeiro fui acometida pela ideia de que a forma como as encaro, sendo sujas e obscenas como são, seja a forma como me encaro a mim própria. Depois, quando estava no Instituto Monroe, tomei consciência de ao não compreender a barata na sua forma de ser, me vejo assim, por ainda não compreender quem sou. Ainda não consigo compreender a minha natureza e projecto isso na barata.

ELIAS: E o medo é expressado pela falta de familiaridade.

JENNY: Representa aquilo que em mim própria me é menos familiar?

ELIAS: Sim.

PAVEL: É mais ou menos a atitude que tenho em relação aos ratos. Certa vez tive um sonho em que apareciam uns ratinhos debaixo do sofá e começaram a chocar com força contra mim. Eu estava apavorado com eles por eles serem tão sujos e isso, por terem estado naquele sofá velho.

ELIAS: E a comunicação que isso te endereçou?

PAVEL: O mesmo género de coisa que ela referiu. Por não me conhecer e por haver mais que eu preciso descobrir em relação a mim próprio, razão porque muitas vezes não me sinto confortável com a minha identidade.

ELIAS: Exacto, por não vos achardes familiarizados com todos esses aspectos de vós próprios. Parem-vos todos iguais, por assim dizer, e apresentam-se a si mesmos como algo que emerge duma área familiar, porém, essa área familiar é encarada como suspeita e inaceitável. Mas todas essas pequenas criaturas que emergem dessa área inaceitável procuram obter a vossa atenção, ao expressar-vos não serem danosas. Apenas procuram dispersar-se e expressar uma nova liberdade e emergir de onde se achavam escondidas.

...

DAVID: Querias perguntar mais alguma coisa Pavel? Amor, queres perguntar mais alguma coisa?

JENNY: Eu continuo a querer colocar-lhe uma questão. (A rir) Está-me na ideia por isso vou colocar-lha de qualquer modo...

PAVEL: Eu não quero colocá-la porque pressinto que já conheço a resposta!

JENNY: Óptimo. Está bem, então não o vou fazer por ti! (Ri) Era isso que eu queria saber.

ELIAS: Ah! Agora; prestem atenção! (Voltando-se para o David) E tu também! Porque aqui, uma vez mais, é-vos facultado um outro exemplo.

Vós assumis responsabilidade pessoal por outro indivíduo e não só expressais falta de responsabilidade por vós nesse momento como automaticamente criais a depreciação do outro. Neste momento criastes essa acção. Depreciastes a expressão do outro e o seu saber ao assumires responsabilidade pessoal em relação a ele.

DAVID: Essa é realmente notória.

JENNY: Eu sei! É preferível obter conhecimento disso através do exemplo...

ELIAS: Absolutamente!

JENNY: ...do que apenas escutá-lo.

ELIAS: Absolutamente, e é por isso que vos expresso repetidas vezes que a vossa experiência vos proporcionará muito mais informação e que facultareis a vós próprios uma maior compreensão se oferecerdes a vós próprios experiências que se relacionem com essa informação. Sem essas experiências isso não passará dum conceito.

...

DAVID: Elias, onde te achas, seja isso onde for, haverá algum tipo de realização de sentido de valor que também colhas para ti próprio?

ELIAS: Com certeza, porque toda a consciência expressa realização de sentido de valor, seja em que área for, em todas as suas expressões. Se não estiverdes a realizar sentido de valor haveis de romper a continuidade da atenção com a exploração que estiverdes a empreender.

DAVID: E depois para onde vais?

ELIAS: Não é uma questão de ir a algum lado, meu amigo. (Ri) Trata-se unicamente da acção de voltar a atenção.

JENNY: E com relação à minha avó? Temos vindo a escutar dizerem que existem níveis, o nível 21 e 22, sabes, essas coisas, para onde as pessoas vão e desconhecem estar mortas.

DAVID: Ou não querem avançar e não aceitaram a sua morte física.

JENNY: Existirão coisas assim?

ELIAS: Posso-vos dizer, antes de mais, que não existem níveis. Mas também vos posso dizer que por vezes, nos vossos termos, as pessoas podem escolher o desenlace e sucede um momento de reconhecimento e de consciência da escolha relativa a essa acção de desenlace; mas o indivíduo pode igualmente, a seguir a esse acto, criar uma realidade objectiva que espelhe esta realidade, por exemplo, com bastante precisão. Por isso e de forma objectiva, as crenças prosseguem, assim como a expressão objectiva, e continuam a criar imagens, razão porque o indivíduo não associa isso objectivamente à morte. Porque vós possuís a crença de que a morte vos projectará imediatamente para uma expressão completamente diferente, e pode acontecer não desejardes criar uma expressão tão completamente diferente.

JENNY: Mas isso não será mau, como aquilo que chamamos...

ELIAS: Não.

JENNY: Porque quando estávamos no Instituto Monroe, eles diziam que nós poderíamos saí por aí e ajudar as pessoas. Isso corresponderá às mesmas questões de responsabilidade pessoal?

ELIAS: É desnecessário.

JENNY: Certo. Então tudo isto de ajudar a minha avó quando ela parte corresponde à mesma crença que eu tinha de precisar ajudar. Sempre que penso em ajudar isso deve-se à responsabilidade que sinto em relação a outras questões?

ELIAS: Exacto.

JENNY: Sempre a mesma coisa. Já entendi!

ELIAS: Posso-te dizer, nos teus termos, que por vezes há focos individuais que entram numa acção de transição e se tornam confusos nessa acção, e há essências que dirigem a sua atenção num acto de auxílio em termos de energia. Eles não estão a salvar.

JENNY: (Ri) É mais ou menos aquilo que estás neste momento a fazer connosco?

ELIAS: De certa forma, sim, mas VÓS haveis de criar o movimento. Não sou eu que crio o vosso movimento. De modo similar, essas essências não criam o movimento na vez do indivíduo.

JENNY: É o próprio que o empreende.

ELIAS: Exacto.

PAVEL: Oh, então quando estou nas aulas, ainda que me sinta furiosa com uma pessoa ou isso, ou possa não gostar dela, se sentir que ela vai tomar uma decisão que pode tornar-se de certa forma má eu digo-lhe, “Bom isso pode acontecer” e depois não lhe digo mais nada. Deixo-a tomar a sua decisão.

ELIAS: Tu não expressas a um indivíduo, nos vossos termos, aquilo que deve fazer; apenas ofereces informação. É responsabilidade sua escolher como deve agir.

JENNY: Ou responder a isso.

ELIAS: Exacto. E isso não tem importância. Quer a avaliação que fazeis seja boa ou má, não tem importância. É escolha sua.

...

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O MATERIAL ELIAS