segunda-feira, 20 de junho de 2011

MITOLOGIA E MISTICISMO


  
SESSÃO #78
“Pinóquio”
“Mitologia e Simbolismo”
“Atitude de Diversão das Crianças e de Realismo dos Adultos”
“Relação Connosco Próprios”
“Forçar as Situações Leva a Uma Aplicação Errada da Energia”
Quinta-feira, 15 de Março de 1996
Tradução: Amadeu Duarte


Participantes: Mary, Vic, e o Ron.
Elias chega às 11:33 AM, mas um pouco mais lento do que o habitual.
Nota: Esta sessão foi iniciada pela Mary, em resposta a uma expressão extremamente emotiva que foi suscitada num sonho.

ELIAS: Bon jour! (A sorrir, e a piscar bastante os olhos)

RON: Acordámos-te? (Elias sorri)

ELIAS: Quem sabe! É interessante!  Bom, temos estado à espera e a observar, numa antecipação de contactardes uma informação que propusestes a vós próprios, (a rir) apesar de terdes “distorcido” duma forma eficaz (faz uma demonstração com as mãos) a informação que apresentastes a vós próprios, a fim de encaixardes o vosso lado intelectual, por assim dizer; permitindo desse modo que o vosso pensamento racional e a informação psicológica de que dispondes passasse a influenciar as percepções que tivestes. Por isso, vou prestar ajuda. Além disso, e para delícia do Ron, vou também propor um começo sobre a informação da vossa pirâmide.

Em primeiro lugar, vou-vos propor uma história familiar, bastante popular, que constitui um conto infantil. Esse conto é a história do Pinóquio. Vamos começar pelo Pinóquio em primeiro lugar, por ele conter muita informação. Já vos disse muitas vezes que os vossos pequenos estão muito mais ligados à essência do que vos é dado perceber, e que os contos de fantasia deles são muito mais simbólicos do que percebeis.

Vejamos então, em primeiro lugar, esse pequeno garoto de madeira. (Ri do próprio trocadilho que utiliza) A expressão inicial simboliza a vossa expressão física, tendo início num acto de criação. Essa criação tem lugar com a interacção com uma fada mágica, que simboliza o eu real ou a essência, a qual proporciona a informação destinada à criação da sua totalidade, ou seja, a tornar-se num catraio real. Uma pequena criatura é utilizada para servir de consciência ou de intuição; uma criatura bem pequenina possuidora duma minúscula voz suave. Utiliza-se um animal de grande porte, um gato esperto, em representação do intelecto, a voz que é favorecida e à qual mais prontamente é dado ouvidos. São levadas a cabo certas experiências nessa criação; criação diminuta essa que não associa qualquer noção de certo ou de errado às experiências, mas que experimenta, por meio da manifestação física, a fim de adquirir informação.

A par dessas experiências, a pequena voz intuitiva avança sugestões no sentido de prestar auxílio. O menino de madeira nem sempre dá ouvidos a essa pequena voz, pelo que gera bastante conflito na manifestação que cria; mas eventualmente, ao enfrentar e ao se envolver com esses desafios, e ao reconhecer a importância do equilíbrio que deve imperar entre o intelecto e a intuição, encontra soluções adequadas e instaura a harmonia nele próprio, acabando finalmente por dando lugar à criação dum menino real. Podemos acrescentar uma ligeira menção à vossa história da Cinderela (1), a qual também consiste numa história mágica, embora empregue elementos naturais, “normais”, “comuns” da vida de todos os dias, que transforma em elementos mágicos por meio da percepção, que no final vão influenciar a alteração da sua realidade inteira. (Para a Vicki) estás a acompanhar-me até aqui?

VICKI: Mais ou menos.

ELIAS: Essas histórias são interessantes por vos fornecerem uma percepção diferente da realidade. Proporcionam-vos uma abordagem mágica da vossa realidade, uma abordagem natural, que não se acha confinada ao tempo cultural nem às restrições impostas isoladamente pelo intelecto. Vós tendes vindo a exercitar e a tentar detectar e a empregar percepções mais naturais, mas as inclinações que tendes voltam-vos automaticamente para aquilo que é do vosso conhecimento. O que conheceis é o que vos foi ensinado, e o que os vossos sistemas de crenças reforçam. Vós esqueceis o fluir natural. As tendências que tendes tendem no sentido das explicações de cunho psicológico. Apesar de vos ter dispensado muita informação subordinada à vossa psicologia e à imprecisão que apresenta em muitas áreas, essas são crenças a que vos agarrais e a que obedeceis.

As impressões que foram reconhecidas anteriormente estão correctas, por associardes crenças às interpretações que fazeis. (Isto foi dito em resposta a uma impressão no sentido de não propor qualquer interpretação para um sonho que a Mary teve) Devo dizer que o Michael, tal como cada um de vós, está a passar por dificuldades. Nessa medida, estais a interpretar simbolismo, ou o que entendeis como simbolismo, e estais a associá-lo a influências psicológicas.

Essa questão, esse assunto, conduzir-nos-á a um início de entendimento na compreensão da vossa pirâmide. Já vos foi estendida muita informação. Mas ainda não conseguistes “montar” o puzzle. Ele situa-se diante de vós, mas não o vedes. Já vos propus informação relativa às vossas famílias da essência. Também já vos estendi informação quanto aos propósitos que tendes no âmbito do elemento da vossa mudança e da nova manifestação tanto no foco físico como não físico. Entre os elementos da vossa pirâmide, três escolheram não se manifestar de novo. Um escolhe uma manifestação nova, sendo esse igualmente representado pelo iniciador. O iniciador desempenha um papel importante nessa pirâmide devido a que esse indivíduo esteja também a prestar auxílio aos outros, no seu movimento de passagem por problemas que precisam ser atendidos antes de penetrarem no foco não físico. Isso não se deve a nenhum acidente nem coincidência! (A sorrir)

Cada um de vós alinha por diferentes cores, tons vibratórios e famílias da essência, o que dá lugar à criação duma forte base na pirâmide; os banqueiros, os espiritualistas, os que estabelecem a ligação, os iniciadores; elementos básicos necessários ao enfoque da vossa mudança, assim como necessários aos elementos do movimento que precisais empregar. Ainda não estabelecestes a ligação, no vosso pensar, com os exemplos que vos foram descaradamente sugeridos! (A sorrir) O vosso iniciador continua a iniciar. Os outros continuam a responder, e vós ainda assim não estabelecestes nenhuma associação! Percebeis o indivíduo Ron como sendo “diferente”; mais centrado, mais equilibrado, mais “estável”, segundo os termos que empregais. (A sorrir para ele próprio) Devo dizer-vos que esse indivíduo possui equilíbrio, mas não é mais “estável” do que os outros três, apesar de utilizar esta manifestação de um modo diferente; por a tarefa que lhe cabe, por assim dizer, ser diferente.

O enfoque tem estado ligado à família dos iniciadores, dos criadores, dando por isso início à ligação; produzindo elementos físicos para os outros três entrarem em contacto através da consciência. Essas são expressões concretas que são passíveis de ser percebidas em termos físicos, pelo que se tornam em expressões imbuídas de um carácter absoluto. No âmbito da consciência, os outros contactam esses elementos e manifestam os seus desafios a fim de proverem ao seu cumprimento. Também não é coincidência nenhuma que os três que optam por não se manifestar novamente incorporem ao mesmo tempo imensos desafios; cada um de acordo com a percepção que tem, mas desafios que aparentam igualmente ser desafios pessoais. Na realidade, eles estão todos ligados e constituem todos um único problema. Eles manifestam-se em áreas diferentes apenas por uma questão de diversidade; variedade. (A sorrir)

Vou-vos dizer, para voltar à questão da focalização nas questões psicológicas: No âmbito dos vossos processos do pensamento vós desviastes-vos e passastes a adoptar interpretações psicológicas relativas aos problemas e à acção; tendo sido por isso que o Michael teve esse sonho emotivo. Ter um sonho emocional desses é produtivo, por abonar a expressão duma emoção. Mas é tudo! (Faz uma pausa, a fixar o olhar na Vicki) Esse sonho não possui um significado tão extenso quanto isso, em termos simbólicos, que precise que ele passe a detectar as várias associações e o entrelaçado que ele está a tentar deduzir.

Vós criastes, cada um de vós, demasiado envolvimento com os vossos problemas! Estais a afastar-vos da atitude de ausência de esforço. Estais a forçar, no âmbito da luta, a resolução desses problemas, e a complicar mais esses problemas! Numa tentativa dessas por estabelecer contacto e por resolver problemas ligados à responsabilidade pessoal, o Michael focou-se de tal modo intenso que acabou por criar mais conflito. Isso bloqueia os movimentos. Ele está a empregar uma transferência duma filha para a outra; com as explicações de cariz psicológico que emprega para acções repetidas ligadas a problemas incómodos.

Devo dizer-vos que esses problemas estão a ser tratados dentro de cada um de vós. Os vossos problemas e desafios foram projectados na Área Regional 2. Não é necessário que vos concentreis e passeis a incorporar crenças nessas áreas. Elas estão todas, conforme digo uma vez mais, bastante ligadas; as dificuldades que a Shynla tem em estabelecer contacto consigo própria; a dificuldade que o Lawrence tem em entrar em contacto com ele próprio! Elas expressam-se todas diferentemente; uma na área da ocupação, a outra noutras dimensões, a outra no foco familiar; todas a mesma dificuldade, todas a empregar factores acessórios aos sistemas de crenças. Voltando ao nosso conto infantil, e ao modo como as crianças percebem a realidade: se uma criança vir uma situação que tenha criado, e perceber essa situação como incómoda ou indesejável, não insiste nela por muito tempo. “Esquece-a”, por assim dizer, e ocupa-se duma outra brincadeira. Não continua a ceder energia à criação dessa situação que não deseja criar. Além disso, também faz isso com total ausência de esforço. Para as crianças isso constitui um jogo. Na focalização do adulto, isso já deixa de constituir um jogo e trata-se, ao invés, duma realidade! É claro que o que as crianças experimentam não constitui uma realidade, por não passarem de crianças! (Com uma pontada de sarcasmo) A vossa realidade não é diferente da realidade da criança. Vós unicamente a percebeis como dotada duma maior “seriedade” e dum maior “realismo”!

Estendo o meu reconhecimento ao Lawrence, assim como à Elizabeth, por não se terem metido a conversar com o Michael sobre esse sonho, por a expressão da emoção se ter revelado suficiente. A razão porque o Michael passa continuamente por expressões emotivas deve-se ao facto dele se debater consigo próprio a fim de controlar o problema, e não deixar que se esvaia. Esses problemas deverão ser tratados e ultrapassados naturalmente. O Lawrence acabará por intersectar, naturalmente, focos de outras dimensões. A Shynla acabará por estabelecer contacto e passar a mover-se sem esforço no âmbito da sua própria confiança. O Michael virá a desafeiçoar-se com naturalidade. Enquanto procurardes forçar as situações e associar-lhes explicações psicológicas, estareis a direccionar mal a vossa energia; e a criar mais conflito!

Vou também sugerir uma pequena explicação para a “ideia” que formais em torno das probabilidades. Nessa medida, muitas vezes expressar os pensamentos duma forma audível, influencia mais; porque os vossos pensamentos, apesar de serem energia e constituírem uma realidade, muitas vezes ficam-se pela Área Regional 2, e por alcançarem a expressão ou por se manifestarem fisicamente na Área Regional 1, a menos que sejam validados de forma audível. Se expressardes um pronunciamento ou formulardes os pensamentos que tendes vós passais a manifestá-los em termos físicos. Expressais, externamente, a reacção química de que falamos anteriormente. Por isso, assim que os pensamentos forem convertidos numa expressão audível, eles passam a manifestar-se na Área Regional 1 e a actualizar-se. Isso não é uma regra! (A fixar directamente de novo a Vicki) Não é obrigatório que seja assim; não obstante, na percepção que tendes da realidade, percebendo que nem sempre encarais o pensamento como uma realidade actual, quando vos expressais externamente, vós criais esse pensamento, desse modo conferindo-lhe realidade.

Esses pensamentos podem não ser expressados necessariamente duma forma directa a um indivíduo que percebais esteja directamente envolvido numa questão. Isso não é importante. O próprio acto, de dar expressão física ao pensamento, cria uma realidade, a qual também capacita outros indivíduos a reagir-lhe na Área Regional 2, e a empregarem igualmente uma resposta na Área Regional 1. (Faz uma pausa, e em seguida, dirigindo-se ao Ron)

Prossegue com os teus esforços criativos, porque eles são mais úteis do que consegues perceber. O iniciador vai prosseguir, e a pirâmide deverá passar a responder. (Pausa prolongada)


VICKI: Muito bem. Eu tenho uma pergunta, só para ver se consigo entender. A reacção emocional que o Michael teve ontem, terá ela sido um sintoma? Não chego realmente a compreender.

ELIAS: Foi uma reacção ao conflito. Ele não consegue identificar isso, porque na percepção que tem, ele está a tentar entrar em contacto com uma dificuldade, um desafio, e acabar com essa dificuldade. Na realidade o que está é a bloquear essa dificuldade ao se concentrar com tal intensidade e ao empregar atitudes psicológicas em relação a essa dificuldade. Nessa medida, o corpo reagiu a esse conflito, no âmbito da expressão emocional e física. A área intuitiva respondeu, e está a expressar o seu elemento de desagrado em relação ao intelecto, ao dizer que “não vale um chavo”! (A sorrir)

VICKI: Então, muito sucintamente, quando nos esforçamos de verdade para fazer as coisas, acabamos frequentemente por bloqueá-las e por criar um conflito maior, não?

ELIAS: Nem sempre. O desejo que assiste a esta pirâmide de indivíduos é grande. O que propicia um avanço formidável. O desejo, muitas vezes, anula os elementos de bloqueio; apesar de, em certas áreas que percebais como demasiado sensíveis no contexto da manifestação disso, inconscientemente aumentardes o conflito que sentis ao vos concentrardes com intensidade, porque com isso reforçais sistemas de crenças.

Sozinha, se não empregar tal intensidade, A Shynla pode permitir-se a faculdade de aproveitar o tempo dela, e de observar a sua paisagem rural e de entrar em contacto com elementos da pirâmide dela e de focos de desenvolvimento do passado; mas ela emprega uma enorme concentração, e agrega a isso crenças relacionadas com a negatividade. Em razão do que compõem a dificuldade que tem, e bloqueia o movimento de avanço. O Michael também, no âmbito desse desafio, sozinho, está a ultrapassar os problemas com naturalidade, e a permitir que se esvaiam. Se se concentrar exageradamente ele acaba confuso; e passa a agregar a isso mais crenças e um maior conflito, e a analisar cada actividade que emprega e a decidir se será bom ou mau, sem conseguir chegar a parte alguma, com receio de poder estar a mover-se na direcção errada! Naturalmente, e a sós, ele avança sem esforço. O Lawrence, com impaciência e a exibir as mesmas dificuldades, está a forçar; também acrescenta sistemas de crenças, e por isso deixa de estabelecer pontos de conexão.

O movimento já começou a fluir, mas cada um de vós bloqueia esse movimento; sendo esta a razão porque abordamos estes temas do tempo natural e do tempo cultural, do intelecto e da intuição, do movimento natural em oposição às crenças convencionais. Não entendam mal. Não os estou a criticar, porque cada um de vós está a atravessar probabilidades, e cada um de vós está a avançar com rapidez nas vossas ligações e percepções. Por isso, não empregueis crenças que vos digam não estardes a realizar, (pausa) ou que não estais a avançar, porque estais a avançar muito bem.

VICKI: Então, a contínua criação de constipações não estará associada à mesma coisa?

ELIAS: Que interessante! A Shynla (simula uma contracção do olho) tem contracções musculares! O Lawrence (funga o nariz diversas vezes) funga! E o Michael... tem soluços! Expressões físicas e emocionais, tudo em muito bom estado de funcionamento neste foco da pirâmide, todos ligados ao mesmo desafio! (A rir) Lembrem-se do vosso menino mágico de madeira. (Pausa) Desejareis actualmente mais informação?

VICKI: Não.

ELIAS: Muito bem. Poderei contactar-vos mais tarde, num “presente futuro”. Au revoir!

Elias parte às 12:26 da tarde, e surge de novo às 12:38. O Ron fez uma declaração para o efeito de: “Eu interrogo-me porque razão nunca sou inserido nessas situações de conflito”; tudo quanto foi necessário. Tenham presente que durante as reuniões em que ele surge espontaneamente, nós sempre perdemos o diálogo inicial.

VICKI: Ele está a sentir-se excluído!

ELIAS: Ah, meu querido! Eu estava a expressar isso no começo, quando abordei a questão da nossa pirâmide, coisa a que não prestaste atenção!

RON: Bom, foi por isso que não perguntei por a questão me ter surgido no final, e por pensar que talvez já tivesses respondido à questão, pelo que...

ELIAS: Exacto; na explicação que dei quanto a seres o único que opta por se voltar a manifestar, razão porque não passas por essas dificuldades em particular, que precisam ser vividas antes de passardes para o foco não físico. Portanto, o papel do Olivia, uma vez mais, no enquadramento da pirâmide, consiste em ser o iniciador, aquele que dirige; em prestar auxílio a estes indivíduos, ao estabelecerem contacto com esses desafios, na sua passagem para o foco não físico; em relação ao que também terás a tua oportunidade de passar pelos “vossos” desafios no teu “próximo”, por assim dizer, foco de desenvolvimento. Por isso, podes esperar futuramente por tal experiência com entusiasmo! (A rir para o Ron)

VICKI: Que o Michael e eu ajudar-te-emos!

ELIAS: Absolutamente! Por isso, não tens por que sentir-te “excluído”, por te poder assegurar que hás-de receber o teu quinhão! (A rir)

RON: Está bem!

ELIAS: Além disso, vou dirigir ao Lawrence o seguinte: O intelecto não está a obter “um chavo”, mas a intuição está!

VICKI: Foi o que eu disse!

ELIAS: Não disseste nada!

VICKI: Não disse. (Suspira) Está bem. Era o que eu queria dizer!

ELIAS: A expressão obtida na focalização do sonho, foi uma expressão emotiva natural que derivou dum receio actual e bastante real; pelo que foi útil ao permitir que o Michael, num ambiente seguro, percebesse essa probabilidade, a qual “com toda a probabilidade” não se manifestará, e lhe experimentasse o efeito emocional. A dificuldade que sente em relação à sua outra filha, já recebeu a devida atenção e já passou. Na realidade, ele está a fazer retroceder e a voltar a experimentar e a recriar esse problema por lhe associar ligações psicológicas e crenças, ao invés de permitir que prossiga com naturalidade em frente.

VICKI: E isso não resultará do medo disso voltar a ocorrer?

ELIAS: Isso já foi tratado por meio dessa expressão do sonho. O bloqueio é empregue ao concentrar-se nesse sonho e ao lhe associar crenças psicológicas e ao incluir ligações onde não existe nenhuma. Um problema já foi eliminado. Por isso, não é necessário que ele esteja a suscitar continuamente esse problema, associando-lhe crenças de estar ligado à outra filha. Ele permitiu que o elemento do medo se expressasse no estado do sonho; por isso, está anulado. Já foi alcançado. (Pausa)

Estás a compreender melhor, actualmente? (Pausa) Vou ficar a “flutuar ao redor”, não vá ocorrer novamente outro erro de interpretação, ou ocorrer “sentimentos negligenciados”! (A rir) Portanto, podeis sentir-vos à vontade para me chamar para lhes prestar assistência, durante o dia de hoje.

RON: Obrigado.

ELIAS: Au revoir ... de novo!

Elias parte às 12:45 da noite.

Notas do tradutor

Dado o alto teor de importância de que este tema se reveste, de uma maneira geral no que diz respeito aos contos de fadas, e particular no que tange ao desenvolvimento duma consciencialização produtiva, resolvi incluir os excertos que se seguem.

Os contos de fadas são portadores de mensagens importantes para a psique subconsciente, por se dirigirem à parte do ego imanente e lhe encorajar o desenvolvimento ao mesmo tempo que alivia tensões inconscientes. Eles atingem a criança no seu núcleo psicológico e emocional ao focarem tensões interiores graves de um modo que a criança inconscientemente percebe, e sem menosprezar as lutas internas que o crescimento envolve proporcionam exemplos de soluções temporárias e permanentes, para as dificuldades mais prementes.

“...Na criança como no adulto, o inconsciente é um poderoso elemento determinante do comportamento. Quando o inconsciente é reprimido e ao seu conteúdo é negada a consciencialização, então o espírito consciente da pessoa acabará finalmente por ficar em parte esmagado pelos derivativos desses elementos inconscientes. Ou então, ela ver-se-á forçada a manter um controle tão rígido e compulsivo sobre os mesmos que a sua personalidade pode vir a ser gravemente afectada. Mas quando se permite que esse material inconsciente atinja em certa medida a consciência, e possa ser elaborado através da imaginação, o seu potencial para fazer o mal – a nós próprios e aos outros – torna-se muito reduzido; algumas das suas forças poderão então ser dirigidas para fins mais positivos. Contudo, a crença paternal dominante é que a criança tem de ser poupada àquilo que mais a perturba: às suas angústias destituídas de forma e de nome, às suas fantasias caóticas, enfurecidas ou mesmo violentas. Muitos pais acreditam que só a realidade consciente ou as imagens agradáveis que satisfaçam os desejos é que devem ser sugeridas à criança – que ela deve ser exposta somente ao lado belo das coisas. Porém, um tal alimento unilateral nutre o espírito apenas unilateralmente, mas, na sua globalidade, a vida real não é bela.”

Impera uma recusa generalizada em deixar de encarar o lado “sombra” da personalidade que brota do recalcamento mais ou menos exacerbado que se produz ao longo do crescimento, e que se pode revelar como origem de má formação e dos piores instintos, por se pretender valorizar os nossos filhos por uma via unilateral e optimista, idealista mesmo, e levá-los a acreditar que toda a gente seja boa por natureza; de facto são, só que paradoxalmente os pais e educadores infligem-lhes noções de tal modo contraditórias com tais esforços que acabam encorajando-lhes a negação e a violência, pelo acto de recusa por olhar à “natureza original”. Obviamente por tal natureza ser altamente negada pelos meios culturais e religiosos!

“...Os contos modernos para crianças evitam sobretudo os problemas existenciais, ainda que estes representem questões cruciais para todos nós. A criança precisa muito especialmente de sugestões, em forma simbólica, sobre como lidar com estes obstáculos para chegar sem riscos à maturidade. As histórias “inócuas” não mencionam a morte ou a velhice, nem os limites da nossa existência ou o desejo de uma vida eterna. O conto de fadas, pelo contrário, confronta-nos, sem rodeios, com as exigências básicas do homem.

É característico dos contos de fadas expor um dilema existencial, concisa e directamente. Isto permite que a criança enfrente o problema na sua forma mais essencial, ao passo que um enredo mais complexo se tornaria para ela mais confuso. O conto de fadas simplifica todas as situações. As suas personagens são definidas com clareza e os pormenores, a não ser que sejam muito importantes, são eliminados.

Contrariamente ao que acontece nos modernos contos para crianças, tanto a maldade como a virtude encontram-se omnipresentes nos contos de fadas tradicionais. Em praticamente todos eles, o bem e o mal aparecem sob a forma de personagens e acções, pois o bem e o mal são omnipresentes na vida de cada um de nós. Aliás, a propensão para ambos encontra-se em cada ser. É esta dualidade que coloca um problema moral e que exige uma luta para a resolver.

Nos contos de fadas, como na vida, o castigo (ou o medo dele) é somente uma dissuasão limitada para o crime. A convicção de que o crime não compensa é uma dissuasão muito mais eficaz, e é por isso que nos contos de fadas os maus perdem sempre. Não é o facto de a virtude ganhar no fim que promove a moralidade, mas sim o facto de que o herói é extremamente simpático para a criança, a qual se identifica com ele em todas as suas lutas. Por causa dessa identificação, a criança imagina que sofre com o herói, que vive todas as suas provações e tribulações, triunfando com ele quando a virtude triunfa também. A criança faz tais identificações por si própria, e são as lutas interiores e exteriores do herói que gravam nela a moralidade.

A criança possui necessidade de magia

Do ponto de vista dos adultos e em termos da ciência moderna, as respostas que os contos de fadas dão são mais fantásticas do que reais. De facto, estas soluções parecem tão incongruentes a alguns adultos (que se divorciaram já dos caminhos pelos quais as crianças sentem o mundo), que eles se recusam a transmitir às crianças informações tão “falsas”. Contudo, explicações “realistas” são normalmente incompreensíveis para as crianças, porque lhes falta a compreensão abstracta necessária para lhes dar um sentido.

As explicações científicas exigem um pensamento objectivo. Tanto a investigação teórica como a exploração experimental demonstraram que nenhuma criança em idade pré-escolar pode verdadeiramente aprender estes dois conceitos, sem os quais a reflexão abstracta é impossível. Muitos exemplos há em que, especialmente nos últimos tempos da adolescência, é necessário apelar para os anos de crença na magia para compensar alguém que se viu prematuramente privado dela na sua infância, depois de lhe terem imposto (em vão!) a estreita realidade. É como se estes jovens sentissem estar agora perante a última oportunidade para compensar uma grave lacuna nas suas vidas; ou que, sem terem passado por esse período de crença na magia, não se achavam aptos a enfrentar os rigores da vida adulta.

Muitos jovens que procuram hoje a evasão súbita através das visões proporcionadas por drogas, são iniciados por gurus, acreditam na astrologia, praticam “magia negra” ou, por outra qualquer forma, se escapam da realidade através de devaneios sobre experiências mágicas que melhorarão as suas vidas, foram prematuramente pressionados a encarar a realidade de uma forma adulta. A tentativa de evasão da realidade por estas vias tem as suas causas mais profundas nas primeiras experiências formativas, que os impediram de se convencer pessoalmente de que a vida pode ser dominada por meios realistas.

A importância da exteriorização

O espírito de uma criança contém uma colecção (que rapidamente se enriquece) de impressões frequentemente mal agrupadas e só parcialmente integradas: alguns aspectos correctamente apreendidos da realidade, mas muito mais elementos completamente dominados pela fantasia. Esta preenche enormes hiatos no entendimento da criança, devido à imaturidade do seu pensar e à sua falta de informações pertinentes. Outras distorções são consequência de pressões interiores que conduzem aos contra-sensos das percepções da criança.

A criança normal começa a fantasiar com um segmento da realidade mais ou menos bem observado, o que poderá evocar nela necessidades e angústias tão fortes que pode deixar-se arrastar por elas. Muitas vezes as coisas tornam-se tão confusas no seu espírito que ela não consegue apartá-las umas das outras. Mas é necessário um certo ordenamento para que a criança regresse à realidade, não enfraquecida nem vencida, mas antes fortalecida por esta excursão pelas suas fantasias.

Os contos de fadas ajudam‑na, mostrando-lhe como uma claridade superior pode emergir, e emerge mesmo, de todas as suas fantasias.

Uma criança, perante os problemas e acontecimentos que, no dia-a-dia, a deixam perplexa, é (ou deve ser) estimulada pela sua educação a compreender o como e o porquê destas situações e a procurar soluções. Contudo, uma vez que o raciocínio tem, então, um fraco controlo sobre o seu inconsciente, a imaginação da criança foge da pressão das emoções e dos conflitos não resolvidos. A habilidade do raciocínio emergente da criança é depressa subjugada por angústias, esperanças, receios, desejos, simpatias e ódios que se entrelaçam com o que quer que seja que a criança tenha começado a pensar.

A criança familiarizada com os contos de fadas compreende que eles lhe falam numa linguagem de símbolos e não na da realidade de todos os dias. O conto de fadas diz-nos, a partir do seu intróito, através do seu enredo e pelo seu desfecho, que aquilo de que nos fala não são factos tangíveis ou pessoas e lugares reais. Os acontecimentos reais só se tornam importantes para a criança através do sentido simbólico que ela lhes dá ou que ela neles encontra.

Se contarem a uma criança histórias “tão verdadeiras quanto a realidade” (o que quer dizer falsas para aspectos importantes da sua realidade interior), ela pode concluir que muito dessa realidade interior seja inaceitável para os seus pais. Assim, há muita criança que se afasta da sua vida interior, e isso depaupera-a. Consequentemente, ela pode depois, já adolescente e, fora da ascendência emocional dos seus pais, vir a detestar o mundo racional e escapar-se completamente para um mundo de fantasia, como que para se desforrar do que perdeu na infância.

Quando for mais velha, isso poderá implicar uma severa quebra com a realidade, com todas as perigosas consequências que isso acarreta  para o indivíduo e para a sociedade. Ou, menos seriamente, a pessoa poderá continuar esta clausura do seu “eu” interior toda a sua vida, e não se sentir nunca plenamente satisfeita com o mundo, porque, alienada dos processos inconscientes, ela não pode usá-los para enriquecer a sua vida pela realidade das coisas. A vida deixa então de ser “um prazer” ou “uma espécie de privilégio excêntrico”. Com tal separação, o que quer que aconteça na realidade deixa de oferecer satisfação apropriada às necessidades inconscientes. O resultado é que a pessoa sente sempre que a sua vida é incompleta.

Assim que as pressões interiores da criança vêm ao de cima – o que acontece frequentemente –, a única esperança que ela tem de ter algum controle sobre elas é exteriorizá‑las. Mas o problema é como fazê-lo sem deixar que as exteriorizações se apoderem dela. Pôr ordem nas diversas facetas da sua experiência exterior é tarefa muito difícil para uma criança; e, a não ser que consiga ajuda, torna-se impossível desde que as experiências exteriores se misturem com as suas experiências interiores e subjectivas.

Por si só, a criança ainda não é capaz de ordenar e dar sentido aos seus processos interiores. Os contos de fadas oferecem personagens nas quais ela pode exteriorizar o que se passa no seu espírito, por meios controláveis. Os contos de fadas mostram à criança como ela pode personalizar os seus desejos destrutivos numa só figura, ir buscar satisfações desejadas a outra, identificar-se com uma terceira, ter ligações com uma quarta, e assim por diante, conforme as suas necessidades de momento.

Quando todos os devaneios da criança se personalizam numa fada bondosa, todos os seus desejos destrutivos numa bruxa má, todos os seus receios num lobo voraz, todas as ciências da sua consciência num homem sábio encontrado numa aventura, toda a sua zanga ciumenta nalgum animal que dê bicadas nos olhos dos seus rivais detestados – então a criança pode finalmente começar a pôr ordem nas suas tendências contraditórias. Iniciado este facto, a criança deverá cada vez menos submergir num caos incontrolável.”

(B. Bettelheim)

 (1) – Uma outra fonte faz menção ao conto infantil da Cinderela, dizendo o seguinte:

“...De acordo com as definições traçadas previamente, este conto de fadas não passa dum mito. Por certo, parecerá que esse conto infantil pouco tenha que ver com qualquer debate sério de adultos em relação a algo tão profundo quanto a criação do mundo que é do vosso conhecimento. E certamente, segundo nos é dado parecer, nenhum dado pertinente científico relacionado com a natureza dos eventos poderá possivelmente ser percebido com base em tal fonte.

Por um lado, o conto da Cinderela tem um final feliz, é claro, pelo que se torna altamente irreal, de acordo com muitos educadores, dado que não prepara adequadamente para os desapontamentos inerentes à vida. Fadas madrinhas são absolutamente coisa da imaginação dos contadores de histórias e muitos adultos sérios e sinceros vos dirão que os devaneios e o desejo não vos conduzirão a parte nenhuma.

Contudo, no conto da Cinderela, a heroína, apesar de pobre e de pertencer a um estrato social inferior, consegue uma realização e um objectivo aparentemente impossível. O desejo que nutre por participar num baile particular e por se encontrar com o príncipe dá início a uma série de eventos mágicos, nenhum dos quais, todavia, segue os ditames da lógica. O aparecimento súbito da fada madrinha assenta no recurso aos objectos da vida do dia-a-dia de modo que se vêem subitamente transformados, e duma abóbora passamos a ter uma carruagem e outras transformações análogas.

O conto sempre atraiu as crianças, por elas reconhecerem a validade que encerra. A fada madrinha traduz a personificação criativa dos elementos da personalidade inerentes à Estrutura (ou Área Regional) 2, uma personificação, pois, do ego interior que surge em auxílio do mortal a fim de lhe conceder a realização dos desejos, mesmo quando os objectivos do eu mortal parecem não ter cabimento na moldura prática da vida normal.

Quando o ego interior responde duma forma dessas, até mesmo as circunstâncias aparentemente inócuas e corriqueiras de repente se tornam portadoras duma nova vitalidade e parecem funcionar a favor do indivíduo em questão. As crianças sabem automaticamente que exercem um enorme controlo na criação dos eventos que parecem suceder-lhes. Elas passam pela experiência disso com frequência e de forma secreta, dado que os adultos procuram ao mesmo tempo adaptá-los a uma determinada realidade concreta que já se encontra produzida em massa para elas. As crianças experimentam a criação de eventos alegres e prazenteiros e terríficos e de facto chegam a sentir fascínio pelos efeitos que os seus pensamentos, sentimentos e objectivos exercem no viver quotidiano. Trata-se dum processo de aprendizagem natural. Se conseguem produzir “papões”, são também capazes de fazer com que desapareçam. Se os pensamentos que têm são capazes de os levar a ficar doentes, então não terão qualquer razão para sentir medo da doença, por ela brotar duma criação sua. Esse processo de aprendizagem é cortado pela raiz, todavia, pois quando atingem a idade adulta, parecer-vos-á que sejais um ser subjectivo num mundo objectivo, e que estejais à mercê dos outros, investidos do mais superficial dos controles que possais exercer sobre os eventos das vossas vidas.

O conto da Cinderela torna-se numa fantasia, numa ilusão, ou mesmo numa história relativa ao despertar sexual, segundo o que foi proposto pela psicologia de Freud. Os desapontamentos que tereis defrontado de facto farão tal conto parecer uma contradição directa em relação às realidades da vida. Contudo, de uma forma ou de outra, a criança em vós recorda um certo sentido de domínio apenas obtido pela metade - e em seguida perdida para sempre, e uma dimensão da existência em que os sonhos se tornam literalmente verdadeiros. A criança dentro de vós pressente mais, é claro: pressente a sua realidade maior no domínio duma outra moldura, da qual só ultimamente terá emergido – em relação à qual todavia está intimamente ligada. Sente-se rodeada pelas realidades maiores da Estrutura 2.

A criança sabe que teve uma procedência duma outra parte qualquer – não como fruto do acaso mas da escolha. Sabe que de um ou de outro modo os seus pensamentos sonhos e gestos mais recônditos, estão tão ligados ao mundo natural quanto as folhas de relva ao solo. A criança sabe tratar-se dum evento ou dum ser original que por um lado possui o seu próprio foco, e que por outro pertence à própria época e estação em que se enquadra. Na verdade pouco há que a criança deixe escapar-lhe, pelo que uma vez mais, experimenta constantemente num esforço por descobrir não só o efeito dos seus pensamentos objectivos e desejos nos outros mas o grau em que os outros influenciam o seu próprio comportamento. Nessa medida, ela lida directamente com probabilidades de uma forma bastante estranha a uma conduta adulta.

De certo modo, deduz mais rapidamente que os adultos, e frequentemente, elabora deduções mais verdadeiras, por não se encontrarem condicionadas por um passado estruturado com base nas recordações. Em seguida, a sua experiência subjectiva põe-na em contacto mais directo com os métodos através dos quais os eventos são formados.

As crianças entendem a importância dos símbolos, e recorrem constantemente à sua utilização para se protegerem – não da sua própria realidade, mas do mundo dos adultos. Fingem constantemente mas rapidamente aprendem que o fingimento persistente numa área resultará numa versão física experiente da actividade imaginária. Também percebem não gozar duma liberdade total, porque determinadas situações da sua simulação acabarão mais tarde por resultar em versões menos exactas do que aquelas imaginadas. Outras parecerão completamente bloqueadas, e jamais materializadas.

Antes de as crianças tomarem conhecimento das ideias convencionais da culpa e do castigo aprendem ser mais fácil produzir, por meio do desejo, eventos de bom cunho, do que produzir eventos de infortúnio. A criança carrega no seio o ímpeto e a energia auxiliar que lhe assistia à nascença proveniente da Estrutura 2 e sabe intuitivamente quais os desejos que conduzem mais facilmente ao desenvolvimento da materialização. Os seus impulsos naturais naturalmente as conduzirão ao desenvolvimento do seu corpo e mente, e têm noção dum efeito de amortecimento e apoio à medida que agem de acordo com esses impulsos interiores.

A criança é intimamente honesta. Quando adoece, sabe intuitivamente porque razão isso terá sucedido, e sabe muito bem ter produzido essa maleita. Ao contrário, os pais e os médicos acreditam que a criança seja uma vítima, e se encontre sem razão pessoal aparente, mas indisposto devido à acção do ataque por parte de elementos quer externos, ou de algo que opera contra ela a partir do interior. Pode-lhe ser dito: “Contraíste uma gripe por teres molhado os pés.” Ou então, apanhaste essa constipação por O João ou Maria te ter contagiado.” Podem-lhe dizer que ele tenha contraído um vírus, pelo que poderá parecer que o seu corpo tenha sido invadido contra a sua vontade.

Ela aprende que tais crenças são admissíveis. É mais fácil prosseguir do que ser honesto, particularmente quando a honestidade frequentemente envolve um tipo de comunicação a que os seus pais possam torcer o nariz, ou a expressão de emoções completamente inaceitáveis.

Em tal caso o pequeno homenzinho ou a garotinha corajosa da mãe podem ficar em casa, por exemplo, a bater-se corajosamente contra a doença em conivência com o seu comportamento. A criança pode ter conhecimento de que a doença resulte de sentimentos que os pais considerariam como muito covardes, ou que envolvam realidades emotivas que os pais simplesmente não entenderiam. Gradualmente tornar-se-á mais fácil aceitar a avaliação que os pais fazem da situação. E pouco a pouco, esse relacionamento refinado, as ligações refinadas existente entre os sentimentos psicológicos e a realidade do corpo vão sendo erodidas.

A criança que contrai a doença juntamente com um certo número de amigos de escola, todavia, sabe ter razões privadas para se reunir a essa realidade biológica colectiva, e comummente o adulto que se torna presa de uma constipação epidémica tem pouca percepção consciente das razões pessoais que o levam a uma situação dessas. Não compreende as sugestões de massas que tal situação envolve, nem as próprias razões que abriga no sentido de as aceitar. Geralmente convence-se, em vez disso, de que o seu corpo tenha sido invadido por um vírus independentemente da sua aprovação ou desaprovação pessoal. Em razão disso torna-se numa vítima e o seu sentido de poder pessoal sofre um desgaste.

Quando uma pessoa se recupera duma provação dessas geralmente ela atribui a sua recuperação ao resultado da medicação que lhe tenha sido ministrada. Ou então talvez pense ter tido sorte, simplesmente – mas não concede a si própria nenhum poder objectivo por tal feito. A recuperação parece ter-lhe sucedido, tal como a doença terá parecido tê-la acometido. Geralmente o paciente não é capaz de perceber ter produzido a sua própria recuperação e ter sido responsável por ela, por não poder admitir que os objectivos que tinha fossem responsáveis pela sua própria doença. Não é capaz de aprender com a sua própria experiência, e cada surto de doença subsequente parecer-lhe-á amplamente incompreensível...”
(Seth)

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