quarta-feira, 29 de junho de 2011

PROPÓSITO - ESPIRITUALIDADE - CONSCIÊNCIA



SESSÃO #733
“Alinhamentos Subjacentes às Crenças”
“Propósito: Não É uma Razão de Ser”
“Espiritualidade/Consciência”
“Expectativas Pessoais”
Quinta-feira, 30 de Novembro de 2000 (Privada/Em Pessoa)
Tradução: Amadeu Duarte

Participantes:  Mary (Michael) e Jen (Margarite).

ELIAS:  Boa noite!

JEN:  Boa noite!

ELIAS:  Cá nos encontramos novamente!

JEN:  Sim. Já era altura.

ELIAS:  (A rir)  Mas, de que modo iremos prosseguir, neste dia?

JEN:  Bom, esta é uma sessão inusual para mim, por variadas razões, sabes, Elias? Não sinto estar em luta ao ponto em que me encontrava no ano passado, pelo que se torna agradável vir a uma sessão imbuída dum menor volume de perguntas. Mas é claro que tenho algumas perguntas a fazer!

ELIAS:  É claro! (Dá uma risada)

JEN:  É claro!

ELIAS:  (A rir) Ah, mas estás a proporcionar a ti própria uma maior expressão de liberdade, não estás?

JEN:  Pareço estar a estender a mim própria uma liberdade duma ordem mais vasta nesta altura! (Elias ri) Passei duma condição de restrição e de falta de liberdade para uma de liberdade a rodos, o que aparenta uma coisa magnífica, só que por vezes é um pouco assustador, devido a que seja inquietante andar ao redor à procura do que percebo seja um propósito para a minha presente vida sem ter realmente ideia do que seja esse propósito seja.

ELIAS:  Deixa que te diga, Margarite, que muitos indivíduos dão expressão a questões que me colocam de modo semelhante ao da presentes questões que me colocas, relativas ao seu propósito, e dizem-me andar em busca da identificação desse propósito, tal como tu.

Permite que te diga que o vosso propósito não é nada que deva ser procurado. Ele já está a MANIFESTAR-SE. A identificação do vosso propósito é reconhecida permitindo-vos perceber-vos pela totalidade do vosso foco.

Compreende que vós estabeleceis um propósito num foco individual a título duma direcção da exploração inerente às experiências porque passais. Consequentemente, dais início e passais a actualizar o vosso propósito desde a altura em que penetrais o campo da manifestação (nascimento). Tu já te encontras a dar corpo a esse propósito. Por isso, ele expressa-se pela inteireza do teu foco, porque se não estivesses a expressar o teu propósito, não estarias a criar realização de sentido de valor, e se não estiverdes a realizar sentido de valor vós separais-vos do físico, por deixar de continuar a existir motivação se não continuardes a dar corpo à expressão e à criação do vosso sentido de valor, e isso é conseguido por intermédio da realização do vosso propósito.

Por isso, o sentido da permissão para obterdes um vislumbre do vosso propósito num foco particular não passa por voltar a atenção para a busca do que devíeis fazer ou realizar ou do que devíeis criar, mas ao invés para o que tendes estado a criar e para aquilo que já estais a criar e continuais a criar, porque muitas das experiências que tenhais tido vos darão conta dele, por darem provas do vosso propósito.

Cada indivíduo poderá perceber o seu foco a partir da recordação das experiências que teve e dos rumos que tenha tomado, dos ímpetos que o tenham compelido, de todos os avanços que tenha conseguido enquanto bebé, enquanto criança, e por intermédio do desenvolvimento que tenha conseguido, por assim dizer, no seu foco, e no que designais por idade adulta. Trata-se dum assunto ou tema subjacente que tem prosseguimento ao longo de todo o vosso foco. Não se trata de objectivo nem de sentido nenhum. É uma direcção que a energia toma.

Muitos interpretam mal o seu propósito e identificam ou definem esse movimento para consigo próprios como um sentido e como aquele elemento deles próprios que edificam como a razão para existirem.

JEN:  Raison d’etre (Razão de ser).  Hmm.

ELIAS:  Na realidade, a razão para a vossa existência assenta naquilo que SOIS.

JEN:  O que é muito pouco romântico!

ELIAS:  Ah! Só que vós incutis sentidos e movimentos específicos, em termos de direcção, nisso que sois. Isso consiste num outro exercício de familiaridade convosco próprios.

Bom, estou ciente de que muitas vezes apenas concedo uma explicação específica e objectiva do propósito a determinado indivíduo, e de que nessas situações, lho estendo em reconhecimento do facto da sua atenção não assumir a expressão da sua própria exploração, e para que não dirija a sua atenção para uma permissão da identificação do seu propósito, devido a que a exploração dele se preste mais à frustração do que à motivação, em resultado da personalidade e das expressões que tenha escolhido no seu foco individual.

JEN:  Com certeza.

ELIAS:  Outros indivíduos, por uma questão de respeito para com as suas personalidades e também por vezes em relação à influência exercida pelas expressões familiares, podem ter mais facilidade em se moverem nesse tipo de exploração, casos esses em que me passo a dirigir ao indivíduo e proponho que possa estar a aceitar o desafio de descobrir qual seja o seu propósito.

Nesse sentido, tu já está a dar lugar a uma grande exploração no teu íntimo.

JEN:  Bom, estou. Tirei um ano inteiro, e procedi a uma mudança radical na minha vida.

ELIAS:  Estou ciente disso, e nesse sentido, achas-te bastante disposta a esse tipo de acção, e concentraste a tua energia de forma bastante intensa na familiarização pessoal contigo própria e com a tua energia e com o rumo que tomas.

Deixa que te diga estares meramente a voltar a tua atenção em direcções respeitantes ao teu propósito mas isso não responderá obrigatoriamente à tua indagação, por não estares necessariamente à procura duma orientação que consista num tema subjacente que já tenha sido expressado ao longo do teu foco, mas à procura dum rumo, duma NOVA orientação. (A rir)

JEN:  Está bem, penso que te esteja a acompanhar, até agora.

ELIAS:  E se cederes a ti própria uma identificação desse NOVO rumo...

JEN:  Pois....

ELIAS:  (A rir) ...hás-de chegar à definição de que esse seja o teu propósito, por teres descoberto a direcção que escolhes passar a assumir.

De certo modo, elas são uma só coisa, por desejares descobrir o rumo a fim de poderes descobrir o propósito, e desejares descobrir o propósito a fim de proporcionares a ti própria esse rumo!

JEN:  Bom, penso que me incline mais para a última, na verdade.

ELIAS:  Ah ah ah ah ah ah ah! Consequentemente, a questão deverá ser: “Diz-me, Elias, qual será o meu propósito, de modo a poder escolher a direcção (a rir) que devo tomar!”

JEN:  Bom, não. Eu tenho consciência de não estarmos a voltar-nos na direcção da bola de cristal!

ELIAS:  Ah ah ah ah ah!

JEN:  É mesmo uma situação bizarra de nos posicionarmos, dispor diante de mim de toda essa vastidão de opções relativas ao modo como devemos actuar. A opção de aceitar a abordagem de outro emprego tipo “nove às cinco” ou isso, e ainda precisar decidir a ver onde isso conduz, só que no meu íntimo tenho conhecimento de não ser essa realmente a via por que desejo enveredar. Por isso fico com um sentimento de restar alguma... continuo a voltar a uma via espiritual ou componente ou algo assim que queira seguir, só que ainda não sou capaz de o perceber. Ainda não é coisa que transpareça com clareza, o que por vezes se torna motivo de frustração.

ELIAS:  Continuemos com o debate subordinado ao propósito. Remove aquilo que identificas como espiritual. Permite-te auscultar o tema implícito ao teu foco.

Nesse sentido, ao longo de todo o teu foco escolheste prosseguir em várias direcções objectivas, e criaste experiências em que geraste uma percepção por meio da qual virás a conceber no teu íntimo um sentido de investigação. Ao dares lugar à criação disso, dás início a um movimento, e passas a focar a tua atenção especificamente e duma forma intensa nessa direcção, passando a configurar diante de ti, por assim dizer, um objectivo. Isso motivou-te ao longo de todo o teu foco. Independentemente da medida do objectivo, e de o identificares como diminuto ou significativo, ele engloba um tanto de orientação que percebes e vês como uma acção a realizar, e em cada um desses movimentos, por assim dizer, tu alcanças o que terás configurado diante de ti, por assim dizer, e uma vez alcançado isso, voltas a tua atenção para uma nova conquista.

A espiritualidade é essa nova conquista. Não é o propósito. Os propósitos constituem a direcção. O propósito consiste no movimento que criais e que proporcionais a vós próprios, assim como aquilo que proporcionais com a expressão da consciência inerente ao movimento desse propósito.

Por isso, nesta altura, tu apresentaste a ti própria aquilo que percebes constituir um imenso desafio. Tu alcançaste uma vez mais a “graduação” em relação ao desafio anterior, em que atingiste o teu objectivo, e actualmente apresentas a ti própria um novo desafio, uma nova direcção, um novo objectivo. Mas ESTE objectivo, na tua percepção, é muito mais vasto do que todos os objectivos anteriores, e isso envolve igualmente uma maior consciência daquilo que expressas no alinhamento por uma família (família da essência), no que expressas ao pertenceres a uma família e àquilo que expressas nesse sentido da exploração.

Nesse sentido, tu ESTÁS a permitir-te ter uma maior consciência de ti, mas estás igualmente a avançar para a identificação do familiar. Em cada das tuas conquistas anteriores, tu procedeste à identificação da singularidade duma direcção. De certo modo, simplificaste a tua atenção. Nesta escolha duma nova direcção, estás a permitir-te ver um tremendo espaço aberto, e isso cria confusão, por estares a expressar o reconhecimento para ti própria de todas as escolhas que te assistem.

O “habitual” está-te a incitar: “Escolhe uma via específica. Dinamiza a tua atenção com uma maior eficácia para uma área.” Mas a consciência que estás a sugerir a ti própria presentemente ao te familiarizares mais contigo está a dar lugar ao atrito, de certo modo, nessa sentido de familiaridade, por te encontrares igualmente num estado de assombro diante da expansão do que podes passar a explorar, e essa via singular parece-te agora uma restrição.

JEN:  E é!

ELIAS:  Consequentemente, porque não englobarás mais do que uma via?

JEN:  É uma possibilidade. A Mary e eu estivemos a conversar sobre crenças que a sociedade comporta e assim, e eu estou bastante ciente do quanto ela... do quanto permito que essas crenças exerçam peso em mim, para além da quantidade de energia, penso eu, que empregamos no que estamos exactamente a elaborar e da energia que abunda nas crenças das massas, quer digam respeito à família ou ao trabalho... parece-me bastante evidente que goze de escolha quanto ao facto de me permitir estender a mão e como que alcançar essa energia, porque essa energia... quero dizer, essa energia não nos estará constantemente a bombardear? Ou permanecerá ali a operar a seu modo até que estendamos a mão e a agarremos, por assim dizer? Porque eu realmente...

ELIAS:  Estou a compreender o simbolismo do que estás a expressar. Deixa que te diga, a energia não vos está a bombardear, e na realidade, as vossas crenças tampouco vos estão a bombardear.

JEN:  Certo. Nós entramos em contacto com elas, quase sempre.

ELIAS:  Sim, vós atraí-las a vós.

Com isso, passais a expressar – em determinadas situações – de forma bem evidente mais certas crenças do que outras.

Dir-te-ei que as vossas crenças se fazem continuamente presentes em vós, mas elas não se estão todas continuamente a expressar. Atraís criações – seja situações, circunstâncias, interacções com outros indivíduos, ou envolvimento apenas convosco próprios – que envolverão a expressão de determinadas crenças, e vós escolheis cada uma dessas acções. Escolheis, a cada instante, o que passará a ser expressado.

Eu falo em termos bastante literais quando te digo que vos manifestais nesta dimensão física a fim de explorardes a experiência que a manifestação física envolve, em termos da consciência e da energia, em cujo âmbito, as vossas crenças constituem um modo de exploração do que podeis passar a manipular na manifestação física.

Quando te falo em termos de família, estou a referir-me à pertença e ao alinhamento que tens em relação às tuas famílias da essência, e não á expressão física dos...

JEN:  Agradecida por esclareceres isso.

ELIAS: ... membros da tua família, ou agregado familiar nem às crenças respeitantes à família, porque tenho consciência de que também albergas crenças referentes ao agregado familiar e à criação de um. (A rir)

JEN:  Oh, certamente, assim como às crenças que as massas abrigam em torno disso também.

ELIAS:  Justamente.

JEN:  Pois é. É muito vigoroso. Na verdade é uma coisa desconforme.

ELIAS:  Sim, tens razão. Isso é uma expressão que é demonstrada por todo o vosso globo.

JEN:  Com certeza que sim. E é difícil. É definitivamente um aspecto que já senti constituir um desafio, mas aí tomo consciência: “Bom, estou a escolher tornar isso num desafio por o estar a aceitar... ou a deixar de aceitar. Estou a combater isso, na verdade, e ao fazer isso, questiono a razão...

ELIAS:  Tentas dar atenção.

JEN:  Pois é. Porque se estabelecer uma escolha que vá de encontro às crenças das massas, por vezes posso ser levada a sentir ter que exercer uma energia mais avultada no meu caminho, no caminho que terei escolhido, por ser contrário.

ELIAS:  Mas isso é uma expressão da crença que muitos indivíduos abrigam – a de que se vos moverdes fora do âmbito das crenças das massas, ou escolherdes manifestar no vosso foco individual diferenças em relação à realidade convencionada pela vossa sociedade, isso venha a requerer uma maior expressão de energia para travar a luta...

JEN:  Só que na realidade isso não corresponde aos factos, não é?

ELIAS:  Não.

JEN:  Porque, não será isso que estamos a fazer? Na realidade não estamos a gerar uma maior dificuldade por nós próprios ao empregarmos um maior volume de energia...

ELIAS:  É.

JEN: ...para incentivarmos essa diferença?

ELIAS:  É, e uma vez mais, isso serve de exemplo do que debatemos previamente, com a expressão da confiança e da aceitação pessoal. Porque ao vos familiarizardes convosco e vos permitirdes uma maior expressão de aceitação pessoal, também gerais uma menor comparação.

JEN:  Certo. Isso é fundamental. Essa comparação é desmesurada.

ELIAS:  E isso consta dum acto automático, por consistir num modo de avaliação de vós próprios, e um modo por intermédio do qual avaliais o vosso mérito e medis a vossa posição.

JEN:  Sim, na sociedade. Previamente estive colocada num emprego – para aqueles que nos escutam – e gozava duma posição elevada na sociedade. É por isso, penso eu, que por vezes a ansiedade me acomete, em termos de: “Oh, não gozo mais desse prestígio, pelo que não serei mais um indivíduo útil a esta sociedade.” Mas eu sei o que vais dizer a seguir! (A rir)

ELIAS:  Ah, sabes? (Ri)

Bom; analisemos essa mesma expressão e apliquemos isso à outra área do emprego da atenção – no sentido da família e da criação desse agregado inerente à vossa expressão física.

Tu já passaste para fora da tua conquista anterior. Alcançaste resultados. Estabeleceste o teu objectivo e o teu rumo em relação ao que designas por negócios, e assumes agora uma nova direcção. E nesse presente acto, no qual te percebes como estando parcialmente a patinar e a sentir dificuldades – sem  estares a conseguir mover-te no terreno que te seja familiar inerente à expressão da escolha dum modo elegante ou simplificado que possas prosseguir, mas permitindo-te igualmente aquela liberdade de não escolheres uma direcção única (1) – ao te questionares passaste a abrir a porta, o que traduz a luta com essa expressão familiar e aspecto teus, a fim de escolheres uma direcção específica.

Nesse sentido, a expressão da criação dum agregado familiar, e de te tornares mãe, torna-se numa outra via direccional. Consta da representação de outra simplificação da direcção, e tu também seguiste ao longo do teu foco uma direcção de acções em cadeia, realizações que se sucederam umas às outras, no alinhamento das crenças das massas.

JEN:  Pois.

ELIAS:  Consequentemente, seguiste uma sucessão de actos no teu foco, realizaste cada objectivo, e agora a direcção lógica que se te apresenta é a da criação do estágio seguinte, a criação da expressão da maternidade e da família. Não obrigatoriamente!

JEN:  Pois. Penso que esteja completamente certa em relação a isso. Algures no meu íntimo, obtenho uma compreensão clara disso, só que reconheço o bombardeamento – ao qual me permito sucumbir – das crenças das massas.

ELIAS:  Não é um bombardeamento ao qual estejas a sucumbir.

JEN:  Certo, certo. Eu estou a atrair.

ELIAS:  Estás a apresentar informação a ti própria. Essas experiências são dotadas dum propósito. Tu estás a escolher essas experiências a fim de atraíres à tua atenção alinhamentos implícitos que manténs em relação a essas crenças.

JEN:  E com as escolhas que também detenho.

ELIAS:  E as expectativas que depositas em ti própria ao assumires expectativas da parte dos outros – de membros da tua família.

JEN:  Oh, por certo. Ele vem esta noite. Eu tenho a certeza!

ELIAS:  Ah ah ah ah ah!

JEN:  Mas se possuir essa clareza no meu íntimo agora, aí parecer-me-á que precisarei deslocar-me a algum lado em que consiga soltar o conflito inerente às crenças das massas e o facto de poder não alinhar por elas, em que seja capaz de me afastar disso. Porque, que finalidade servirá isso...

ELIAS:  Mas tu proporcionas isso a ti própria ao te permitires implementar as próprias escolhas, sem expressares permissão para que as crenças e as vontades dos outros te ditem aquilo que hás-de escolher. Esse é o obstáculo a transpor actualmente, por meio da expressão dessa permissão a ti própria.

Mas tu estás a colocar-te um enorme desafio, não estás? Por apresentares a ti própria o teu próprio bombardeamento das associações de que isso seja egoísmo, de que seja arrogância e falta de consideração para com os demais, ou fonte de desapontamento para os outros, e de que tens a obrigação de te sujeitar às expectativas dos outros – às do teu companheiro e às dos teus pais...

JEN:  Oh, a parte que diz respeito ao companheiro é bastante fácil! (A rir) por ora, de qualquer maneira, aparenta ser bastante fácil.

ELIAS: ...e às tuas, ao te questionares no teu íntimo: “Ah, mas eu sou uma mulher. Essa é a minha função. Isso é o que se espera que criemos ou façamos. Deverei sentir pesar por causa desse tipo de escolha? Deverei sentir pesar por considerar essa escolha ou por deixar de considerar essa escolha?”

Mas olha para ti e para o modo como muitas expressões se te não apresentam pelo que identificarás como o que te definirá – não apenas os teus negócios, mas o que te define a ti enquanto pessoa, pela percepção que tens e através das tuas funções - pela função e pelo potencial papel de mãe (de que te vês investida). Isso são expectativas a que diriges a atenção, aquelas que passas a atribuir a ti própria.

Pois deixa que te diga com toda a clareza, esse outro indivíduo – o indivíduo que esperas receber esta noite – ele não alimenta essas expectativas em relação à tua pessoa. És tu própria quem as assume.

JEN:  Bom, eu não sei. Por vezes ele coloca-as em mim.

ELIAS:  Mas é escolha tua passar a assumi-las.

JEN:  Com certeza.

ELIAS:  Não importa o que o outro indivíduo expresse.

JEN:  Intelectualmente entendo isso e cada vez mais consigo senti-lo ao tornar-me capaz de me ajustar ligeiramente, de modo a que não me cause tanta ansiedade, por não desejar viver a minha vida desse modo.

ELIAS:  Estou a compreender, mas esse é o desafio que estás a apresentar a ti própria – a permissão para concederes a ti própria permissão para ensaiares os teus desejos e escolhas sem assumires as expectativas nem as escolhas dos outros duma forma determinante ou uma imposição.

JEN:  Isso conduz-me de novo a essa posição expansiva de dispor duma imensidão de escolhas diante de mim, e de sentir o desejo de querer criar, e de tentar ter consciência do quão a maior parte desse desejo tem que ver com o facto de precisar tornar-me útil para a sociedade e todo esse género de coisa, em oposição ao verdadeiro propósito e à direcção pessoal. Isto fará sentido?

ELIAS:  Faz.

JEN:  Bom, quais serão elas? Existem por aí tantas escolhas, que é justamente o que me leva a sentir que esta via espiritual de algum tipo me esteja a atrair, e penso que o que me estejas a dizer seja que não existe... não precisa de ser uma via, um caminho, mas que podia muito bem tratar-se da combinação de muitos caminhos desses, e que a minha vida não precisa necessariamente assemelhar-se à vida do meu vizinho nem à do vizinho do meu vizinho, etc.

ELIAS:  Tens razão, e na área subordinada à direcção expandida que estás a expressar como um sentido espiritual, isso compreende a escolha duma outra direcção, uma vez mais, que já terás definido. Tu já escolheste. Deixaste-te confundir por essa direcção particular se apresentar tão expansiva.

O que te estou a dizer é que já escolheste um tema particular. Escolheste o que identificas como espiritualidade e a sua exploração. A tua confusão assenta na direcção que devas passar a tornar mais eficiente ou simplificar essa expressão da espiritualidade, porque aí apresentam-se muitos, muitos modos.

Tens razão – estou-te a expressar que podes empregar mais do que uma via na exploração dessa espiritualidade. Pensa somente no alinhamento que tens.

JEN:  Está certo. Tu estavas anteriormente a começar a falar disso, desse alinhamento Milumet.

ELIAS:  Isso exerce um enorme peso...

JEN:  Oh, eu acredito que sim.

ELIAS:  No movimento que assumes nessa área. A expressão dessa família está-se a tornar numa consciencialização mais objectiva no teu caso. O conflito ou a confusão surge, por te agarrares a uma definição da espiritualidade, e essa definição se prender com especificidades.

JEN:  A definição que tenho da espiritualidade prende-se com especificidades?

ELIAS:  Prende. A expressão da espiritualidade genuína abrange tudo. Não existem limites nem divisões. Não existe expressão que NÃO seja espiritual.

JEN:  Nesse caso isso explicará a razão porque a maior parte das conversas que tenho transitem ininterruptamente para um tipo qualquer de componente metafísico, não?

ELIAS:  Ah ah ah!  Presta atenção a isso!

JEN:  Estou a notar a coisa! Não sei que faça com o que estou a notar, mas estou a notá-lo.

ELIAS:  Tu já estás a fazer.

JEN:  Bem, apresenta-se o problema da probabilidade de precisar realizar algum dinheiro num ponto qualquer do percurso.

ELIAS:  Ah.

JEN:  Infelizmente, a nossa sociedade, conforme estarás provavelmente bem ciente, ainda não atingiu esse ponto. Bem sei que virá a atingi-lo, só que não será por esta altura que o venha a experimentar, mas isso já é outro assunto!

ELIAS:  Ah ah ah ah ah ah ah!  E isso preocupa-te tremendamente, de momento! (Com ironia)

JEN:  Tremendamente?

ELIAS:  Ah ah ah ah ah!

JEN:  Não.

ELIAS:  Não.

JEN:  Podia ser o caso.

ELIAS:  A IDEIA disso preocupa-te mais do que a acção efectiva.

JEN:  Exacto. (Elias ri)  Mais uma crença da sociedade, obviamente.

ELIAS:  Precisamente, mas nisso, porque te haverás de distrair mais com a apresentação do teu outro aspecto da preocupação, se isso não te influencia dum modo genuíno, presentemente? Fixa a tua atenção no agora. Continua a permitir-te dar expressão a TI PRÓPRIA.

Tu estás, presentemente a apresentar a ti própria vários modos por que poderás dar atenção a crenças bastante reais existentes no teu íntimo, crenças que obtêm uma vigorosa expressão, e consequentemente, ao SEREM fortemente expressadas, tu também apresentas o reflexo disso a ti própria por intermédio do que os outros exprimem. (Pausa)

JEN:  Aceitando o que os outros dizem – é isso o que queres dizer? Será o que queres dizer com: “Por intermédio dos outros”? Por intermédio das crenças que expressam?

ELIAS:  Os outros apresentam-te um reflexo de ti própria. Consequentemente, permite-te ter percepção do que te diz respeito, do que te irrita, do que te aborrece na expressão dos outros – porquê? Porque todas essas expressões são um reflexo de aspectos teus.

JEN:  As coisas de que gostamos não constituirão igualmente expressões?

ELIAS:  Constituem, só que não estamos a debater esses elementos, estamos? Estamos a debater aquelas expressões em que estás a experimentar dificuldade e que estabelecem confusão em relação ao modo como poderás criar diferentes escolhas, de forma a não experimentares tal confusão. Isso representa uma outra expressão da exploração de ti.

JEN:  Então revela-me um pouco mais sobre a família Milumet. Parece-me que... Estou a reconhecer a influência que exerce em mim, e reconheço ter estado sempre presente, só que se está a tornar mais forte, principalmente por causa de eu ter removido os obstáculos inerentes ao trabalho.

ELIAS:  Está a tornar-se mais reconhecido duma forma objectiva.

JEN:  Exactamente.

ELIAS:  Não está necessariamente a expressar-se mais, só que tu estás a prestar mais atenção.

JEN:  Interrogo-me se virá  a expressar-se duma forma mais objectiva.

ELIAS:  Isso depende da tua escolha.

JEN:  Certo.

ELIAS:  Coisa que te posso dizer, poderás expressar de forma mais cabal no sentido do propósito dessa família (Milumet), em cuja expressão também te poderás permitir um maior à-vontade.

De certo modo assemelha-se à corrente dum curso de água. Podes não incorporar quaisquer represas nessa corrente e a água correr sem impedimentos e de forma livre. Mas podes igualmente dar lugar à expressão dum fluxo de água e incorporares igualmente algumas represas.

Desse modo, se preferires remover algumas dessas barreiras...

JEN:  Certo.  É mais para aí que me inclino.

ELIAS:  Precisamente... o fluxo deverá passar a correr sem obstruções. Nesse sentido, a expressão dessa família em particular assenta no reconhecimento da menor separação pelo conhecimento da interligação inerente a toda a vossa realidade.

Mas para além da declaração disso, trata-se do efectivo reconhecimento de que TUDO o que ganha expressão CONSISTE numa expressão da espiritualidade, porque a espiritualidade presta-se como um sinónimo da consciência.

Não é uma coisa a ser atingida nem o objecto duma busca, mas o reconhecimento do que já existe, e de que tudo o que existe, és tu. Cada aspecto da tua realidade – cada objecto, cada movimento, todos os indivíduos – consistem em expressões de ti. Não existe qualquer elemento que se situe realmente fora de ti, por seres isso tudo.

Essa é a direcção para a qual estás a permitir-te passar – uma exploração da vastidão que te caracteriza, enquanto essência, consciência, e de que toda a tua realidade, cada detalhe dela por mais diminuto que seja, consiste numa expressão de ti. Essa é a verdadeira expressão da espiritualidade.

JEN:  Nesse caso, terão o Sri Aurobindo e a Mãe (Apelido da seguidora do primeiro, chamada Mirra Alfassa) pertencido à família Milumet, também? (Pausa)

ELIAS: Só o personagem feminino (A Mãe).

JEN:  Bom, a literatura que difundiram ajudaram bastante, apesar de não me ter focado nela ultimamente, mas há todo um rigor que ela incutiu nas suas crenças com que não posso concordar; o que não quer dizer que considere certo ou errado, mas unicamente nos termos da minha...

ELIAS:  Mas estás a permitir-te uma maior expansividade, por te estares a abrir à periferia.

JEN:  Certo.

ELIAS:  Estás-te a permitir remover as restrições inerentes à consciência do “espiritual”, e a permitir-te perceber e abranger todas as filosofias e crenças, e a reconhecer o quão elas se influenciam mutuamente.

JEN:  Certo, completamente.

ELIAS:  Não se trata duma coisa exclusiva.

JEN:  Apoiado. Por vezes não sei mesmo o que fazer com essa sagacidade, (Elias ri) Mas tudo bem.

ELIAS:  (A rir) Tu estás a criar o teu processo, e nesse processo isso é o que exploras. Permite-te reconhecer não estares a atingir a tua meta ou “linha de chegada”.

JEN:  Eu sei. É tão... Eu sei. É uma crença intensa que devia ser...

ELIAS:  Este movimento particular que escolheste cria uma clareza no teu íntimo quanto à inexistência duma “meta”, e isto é um aspecto da falta de familiaridade em relação a ti.

JEN:  E é uma parte considerável da característica Milumet ou propósito ou seja lá o que for.

ELIAS:  É.

JEN:  Quão importante será investigar outros focos nessa exploração?

ELIAS:  Isso depende da vossa escolha. Eu encorajo as pessoas a oferecer a si mesmas alguma exploração de outros focos, apenas para oferecerdes informação a vós próprios relativa à experiência da vossa própria vastidão. Porque, vou-te dizer, vós criastes uma concepção singular em termos de percepção que vos retém de modo firme na identificação sólida que fazeis de vós.

JEN:  Com o objectivo da experiência de nos posicionarmos aqui.

ELIAS:  Exacto. Mas agora envolveis-vos igualmente nesta mudança por meio da escolha, e com esse movimento, no momento presente, estais a inserir essa mudança da consciência na vossa realidade objectiva.

Essa singularidade da atenção, essa separação, encaminha-se no sentido contrário do da acção desta mudança da consciência, e vós escolhestes a acção dessa mudança da consciência.

Por isso, ao vos permitirdes experimentar uma maior expansividade física e objectiva de vós próprios – não apenas em teoria, não apenas enquanto conceito mas em termos da experiência e dum conhecimento objectivo – isso pode tornar-se-vos útil na exploração de outros focos.

Bom; posso-te dizer que não é necessário. Não perfaz nenhum requisito para a vossa expansão da consciência, e assenta inteiramente na escolha.

Porque podeis permitir-vos uma consciência de vós próprios e da vastidão que isso subentende – e experimentá-lo de modo objectivo no vosso foco físico – sem investigardes nem terdes nenhum vislumbre dos vossos outros focos. Apesar de te poder dizer que, eventualmente, haveis de propor a vós próprios uma consciência deles, por eles serem vós!

JEN:  Certo, certo. Eu penso que os detecto bastante, só que não os investigo necessariamente em detalhe – relativamente ao ano, e se são masculinos ou femininos...

ELIAS:  Não é necessário.

JEN:  ...bom, algumas pessoas parecem ser proficientes nisso. Fico bastante impressionada.

ELIAS:  Alguns indivíduos focam a atenção de forma intensa nessa área, por isso lhes proporcionar uma validação individual das capacidades, e por poder constituir um método, por assim dizer, que lhes diz muita coisa e lhes prende a atenção de modo mais completo. Outros indivíduos não expressam aquilo que designais por interesse por esse tipo de exploração, por a sua atenção se focar noutras áreas.

JEN:  Está bem. Bem, nesse caso, permite apenas que te pergunte acerca do foco que penso ter com ( Inaudível) que eu conheci na Índia. Vejo qualquer coisa associada ao Japão, mas não tenho a certeza da época, mas creio que seja aí por volta de 1600 ou 1800. Estou como que por perto quanto a isso, não estou?

ELIAS:  Estás, no caso da primeira época que classificaste.

JEN:  Muito bem, então será 1600. Serei casada(o)? (Pausa)

ELIAS:  Não, mas envolves-te num tipo similar de relacionamento.

JEN:  Está bem, muito bem. Obrigado.

ELIAS:  Não tens de quê.

JEN:  Bom, foi bom voltar a ver-te de novo. Já fazia tempo.

ELIAS:  Não tanto quanto isso! (Dá uma gargalhada)

JEN:  Bom, é tudo relativo, é claro.

ELIAS:  (De modo cordial) Mas eu vou-te confessar igualmente ser um prazer estar a interagir com a tua presença física.

JEN:  O mesmo da minha parte.

ELIAS:  (Ri) Envio-te um enorme encorajamento, e um desafio pessoal, para que tentes ser menos intensa contigo própria na expectativa que alimentas em relação a ti. Tu usas duma grande aspereza em relação a ti própria.

JEN:  Bem sei! Que se passa com isso? (Elias dá uma risada e a Jennifer ri) Provavelmente tornaria as coisas um pouco mais fáceis e um tanto mais divertidas!

ELIAS:  Ah, para interromperes essa aspereza que usas contigo própria. (Riso suave)  Essa é a sugestão que te faço.

JEN:  Penso que sim. E penso que seja uma sugestão excelente. (Elias ri) Penso que já me tenha sido sugerida em várias ocasiões, apesar de escolher ignorá-la.

ELIAS:  Ah! (Ri) Talvez venhas a prestar atenção!

JEN:  Sim, talvez. (Ambos riem) Não seria um caso especial?

ELIAS:  (A rir) Posso-te dizer que muitos que têm esse alinhamento expressam uma aspereza muito semelhante no seu íntimo.

JEN:  Deus do céu, isso não pode fazer sentido. Com um alinhamento desses seríamos levados a pensar no contrário. Mas talvez seja exactamente por isso, porque assim que tivermos dobrado a esquina, aí a corrente passará a correr sem impedimentos.

ELIAS:  Ah, e tu já estás a começar!

JEN:  Ah, óptimo!

ELIAS:  Ah ah ah ah!

JEN:  Bom, talvez no nosso próximo encontro tenha algum progresso a reportar, apesar de estar a tomar consciência de mim, quanto ao progresso que obtive num só ano. È estupendo.

ELIAS:  Mas eu confirmo-te igualmente isso.

JEN:  Obrigado.

ELIAS:  Não tens de quê.

Expresso-te o meu enorme afecto e fico a antecipar o nosso próximo encontro... assim como as maravilhas das tuas novas conquistas!

JEN:  Obrigado.  Fico a ansiar por isso!

ELIAS:  Não tens de quê.  Para ti, Minha amiga, au revoir.

JEN:  Au revoir.


Notas da Vicki 

Esta sessão possui uma qualidade muito cálida. Pode-se escutar o trepidar do fogo no fogão de sala, e sentir o cheiro a fumo ao transcrevê-la. Transmitiu-me a sensação íntima duma conversa à lareira.

Notas do tradutor

Nesta passagem Elias alude, com a referência que faz duma multiplicidade de “caminhos” a uma atitude deveras distinta da que nos conduz para vias de exclusividade e de distanciamento – não obstante a nobreza de carácter de que se vejam investidas – distanciamento esse que delimita e se apresenta como relativo, justamente na proporção e na duração da nossa entrega à causa ou ao ideal, etc. Este é um aspecto muito importante e que é aqui magistralmente acentuado, numa passagem subsequente.

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