segunda-feira, 27 de junho de 2011

DEBATE SUBORDINADO ÀS EMOÇÕES



SESSÃO #683
“AS Emoções em Debate”
Domingo, 20 de Agosto de 2000 (Grupo/Vermont)
Tradução: Amadeu Duarte

Participantes:  Mary (Michael), Deborah (Angelica), Elaina-Joy (Soskia), Judy (Joan), Laura (Lynya), Lawrence, Mysty (Michella), Nathan (Robertt), e um novo participante, Frank.

Nota da Vicki: Elias revela-se bastante animado e resoluto ao longo desta sessão.

ELIAS:  Boa tarde! (A rir)

VOZ FEMININA:  Olá!

ELIAS:  Sejam bem vindos, uma vez mais!

VOZ FEMININA:  Obrigado! (Elias sorri)

ELIAS:  Hoje, vamos embrenhar-nos num debate conjunto. Não vou apresentar nenhuma dissertação, mas vou direccionar esta conversa e enquadrá-lo num tema.

Desse modo, vamos debater a emoção e a influência recíproca que esse elemento da vossa realidade exerce na interacção que mantendes convosco e uns com os outros, por esse elemento básico da vossa realidade apresentar um grande número de aspectos conflituosos junto de muita gente, presentemente.

Estive recentemente a debater a emoção da raiva neste fórum e a estender-vos informação relativa a esse tema particular de modo a permitir-vos perspectivar aquilo que criais no que toca a essa emoção e a permitir-vos eliminar algumas expressões de conflito que possais estar a criar em relação a outros indivíduos ou a vós próprios com a exibição dessa emoção particular.

Mas permiti igualmente que vos diga que todas as vossas emoções podem por vezes criar-vos conflito na vossa realidade. Ao vos permitirdes examinar as expressões emocionais que assumis no vosso foco físico, por vezes essas expressões podem dar lugar à criação de outras expressões conflituosas ao vosso redor, ou podem instaurar conflito em vós próprios, em relação às vossas expressões emocionais.

Muitos podem expressar a emoção da tristeza, e desenvolverem conflito com a expressão dela. Quando um indivíduo expressa tristeza, outros passam a incorporar conflito em relação à expressão que o indivíduo pode demonstrar.

Podeis mesmo sentir conflito em relação à alegria. Por vezes vós, enquanto indivíduos, podeis experimentar um sentimento de elação, de euforia. Podeis experimentar um enorme júbilo. Podeis expressar aos demais serdes bastante felizes sem que eles vos respondam da mesma forma, e manifestarem mesmo conflito em relação ao sentimento de alegria que expressais, o que poderá igualmente merecer da vossa parte uma resposta em termos de confusão e de frustração que crie um elemento de conflito em vós.

As emoções constituem uma expressão maravilhosa que concebestes nesta realidade física. Elas constituem um elemento assombroso que empregais na exploração de vós próprios, da vossa realidade e nas interacções que mantendes com os demais. Só que muitas vezes usais expressões emotivas a par com aspectos dos sistemas de crença caracterizados por uma duplicidade de bem e mal, certo e errado, os quais vos influenciam a percepção, e conforme estais cientes, a vossa percepção é o que vos cria a realidade, e nesse sentido, podeis acabar confusos.

Muitas vezes ao interagirem com as expressões da emoção as pessoas estabelecem a ideia de precisarem “fazer” algo em relação à emoção que expressam ou que seja expressada por outro, ou necessitardes participar activamente, e precisardes “agir” de alguma forma.

Se vos sentirdes felizes ou radiantes, expressai-lo e sentis necessidade de celebrar o sentimento, enquanto os outros precisam tomar parte convosco na celebração dessa alegria e partilhá-la.

Se vos sentirdes tristes, precisais “fazer” algo a fim de eliminardes essa experiência de tristeza e de a alterardes.

Se vos sentirdes irados, estabeleceis formas de juízo crítico em relação a vós próprios e aos outros, e desejareis eliminar tal expressão.

Se estiverdes a experimentar frustração, aceitai-la pelo tempo em que objectivamente identificardes como servindo o propósito da motivação. Se não tiverdes consciência objectiva dum factor de motivação a que essa frustração possa estar associada, ela ainda não passará duma emoção que precisará ser eliminada.

As emoções assumem imensas expressões. Existem muitos graus na expressividade, por assim dizer, que as vossas emoções podem alcançar. Existem tantas tonalidades na qualidade das emoções quantas as que o vosso espectro colorido comporta e TODAS as vossas expressões da emoção – sem excepção – são admissíveis. Elas são todas benéficas, são todas aceitáveis e estão todas imbuídas de propósito, até mesmo a raiva.

Ora bem; hoje vou reiterar por breves instantes aquilo que recentemente expressei em relação a essa emoção da raiva, enquadrando essa expressão no campo dos extremos. A raiva constitui um aspecto da frustração; um extremo da frustração. O que não quer dizer que seja má, só que é a forma extremada duma emoção.

Nesse sentido, o interrogatório foi colocado, relacionado com esta mudança da consciência, com respeito ao modo como haveis de lidar com essa emoção da raiva, ao passardes a passardes a incorporar esta mudança na consciência na sua inteireza na vossa realidade objectiva. Porque pela associação que actualmente estabeleceis, não julgais que a raiva possa ser expressada sem a equiparar a uma forma qualquer de juízo, e conforme estais cientes, no âmbito desta mudança vós estais a passar a aceitar mais. Estais a passar para uma posição de maior aceitação pessoal, pelo que obviamente estais a começar a aceitar as crenças, e tal aceitação passa pela identificação duma ausência de juízo crítico.

Essa é a definição da aceitação – ausência de condenação, juízo crítico ou moral, seja em termos de bom ou de mau, certo ou errado. Trata-se do emprego da neutralidade.

Se considerardes a emoção da raiva, abrigareis a ideia – tal como eu declarei – de não poder expressar raiva sem que esteja associada a algum tipo de julgamento, seja em termos de bem ou de mal. Podeis reconhecer estardes a dar corpo à expressão da raiva assim como podeis punir-vos por estardes a expressar-vos duma forma irada.

A expressão da raiva – tal como referi recentemente – sofre uma alteração através da frustração extremada, e com isso, passais a empregar a culpa, quer em relação a vós, a uma dada situação, ou em relação aos outros.

Agora; com esta mudança que a consciência acabará por implementar, a expressão extrema que actualmente identificais como raiva deverá ser neutralizada, porque a condenação será eliminada.

A emoção base, que reside na frustração, deverá ter continuidade, apesar da sua expressão poder ser exibida diferentemente nos vossos comportamentos, por vos permitirdes objectivamente – como estais actualmente a permitir-vos – uma maior compreensão dessa emoção, dos seus benefícios e do seu significado, assim como da neutralidade inata que comporta em si mesma.

As emoções, em si mesmas, uma vez expressadas na sua qualidade, assemelham-se aos pressupostos ou crenças que abrigais. Em si mesmas, elas são neutras. Não são boas nem más, certas nem erradas. Não passam duma expressão da vossa realidade física objectiva. Um elemento básico desta dimensão física. Um aspecto intrincado da sua concepção. As vossas crenças constituem, de certo modo, um elemento básico da vossa realidade. Além disso não serão eliminadas com a acção desta mudança. Apenas serão neutralizadas, por empregardes o acto da aceitação. E conforme estais cientes, a sexualidade constitui o outro elemento básico da vossa realidade.

Esses são os elementos em cuja base definis a vossa realidade. Essas são as fundações a partir das quais ergueis a vossa realidade, e o aspecto divertido do debate desses elementos básicos da vossa realidade está em terdes muito pouca compreensão objectiva de todos esses elementos básicos da vossa realidade! (A sorrir)

Possuís muito pouca compreensão e aceitação quanto às expressões e qualidades que as vossas emoções encerram. Detendes muito pouca compreensão e aceitação quanto aos pressupostos que empregais na vossa realidade.

Eu tenho vindo a falar com indivíduos neste fórum há um espaço de tempo que identificareis como sendo aproximadamente de cinco anos, e durante esse tempo todo, e até ao presente, esses indivíduos continuam a punir-se e a castigar-se por não estarem a eliminar as crenças que abrigam.

Continuam a expressar desapontamento no seu íntimo e a desvalorizar-se – e por vezes aos outros – por não terem eliminado sequer uma das crenças que carregam, mas essa não é a questão! A acção não reside em eliminardes as crenças, os pressupostos que abrigais tanto quanto não reside em vos eliminardes a vós! Não estais a usar a aceitação pessoal a fim de vos eliminardes e fazerdes “desaparecer” desta realidade física!

Estais a aceitar-vos, de modo a poderdes ampliar a consciência que tendes e a proporcionar a vós próprios uma oportunidade duma maior exploração da vossa realidade física, e de modo semelhante, estais a passar para uma mais ampla exploração das vossas crenças, de forma a não continuardes a empregar limitações na percepção que tendes, a qual se traduz pelo instrumento que vos cria a realidade.

Estais a eliminar os obstáculos que vos bloqueiam a exploração da vossa realidade física pela aceitação das vossas crenças, e com isso e através da aceitação pessoal, também podereis voltar a vossa atenção para as vossas expressões emocionais e permitir-vos igualmente aceitá-las.

Bom; no nosso debate, vamos conversar todos (a sorrir) em relação à identificação das diversas emoções que possam implicar conflito em todos vós e nas interacções que mantendes com os demais, não? E vamos tentar explorar juntos esse elemento básico da vossa realidade e das vossas expressões, e descobrir um modo pelo qual vos possais habilitar a aceitar as emoções que expressais, não é?

Então, estendo-vos a vez! (Riso) Podeis usar-me para debatermos juntos esse tema, de modo a talvez descobrirmos um modo viável para um menor conflito. (Riso forçado)

VOZ FEMININA:  E em relação à emoção do ciúme?

ELIAS:  Ah, o ciúme! (Sorri) Que emoção tão exuberante, não será? (A sorrir, seguido de riso) E quão eufórica! (A sorrir) Mas tu expressas conflito em relação a essa emoção particular?

VOZ FEMININA:  Expresso.

ELIAS:  Mas que perceberás que te crie conflito ao experimentares essa emoção do ciúme? Ou melhor, sem estarmos para aqui a atirar à sorte, como identificarás essa emoção do ciúme?

VOZ FEMININA:  Identifico-a na minha própria pessoa na ocultação de energia em mim própria, como a bloquear as emoções que me acometem junto dos outros.

ELIAS:  Mas diz-me, o que é que propiciará essa acção? Que identificarás que a estimule, por assim dizer, e te conduza na direcção da criação desse tipo de acção?

VOZ FEMININA:  Deixar de sentir o fluxo de cada um; como que sentir o fluxo como apartado de mim, e a ser expressado por outro.

ELIAS:  Então, identificas um tipo de isolamento no teu sentir.

VOZ FEMININA:  Identifico.

ELIAS:  E isso estabelece-te conflito íntimo, por desejares partilhar a tua energia junto com os outros, pelo que crias essa emoção do ciúme ao perceberes como os outros se permitem expressar com liberdade, quando tu não o consegues.

VOZ FEMININA:  Sim.

ELIAS:  Muito bem. Nesse sentido, vejamos as associações a que estarás a dar lugar no teu íntimo, e o que estarás efectivamente a criar.

Vós voltais a atenção para o exterior, na direcção dos outros, e no vosso íntimo sentis-vos atraídos por aqueles que te parecem expressar a sua energia com liberdade. Isso, no vosso íntimo, dá lugar à criação de desejo. Passais a “querer” passar a criar esse tipo de expressão de modo idêntico ao dos outros, e como estais a focar a vossa atenção no exterior e nas acções dos outros ou naquilo que eles criam, também estabeleceis automaticamente uma comparação.

Vós comparais a concepção que fazem da sua expressão de energia à vossa, e nessa comparação, como a vossa atenção se acha focada externamente nos outros, vós criais o que poderemos designar como um modelo no vosso íntimo, um ideal do que “deveríeis” expressar, em relação ao que a vossa expressão “deveria” equiparar-se na forma, segundo a avaliação que fazeis das acções e das criações dos outros.

Nesse sentido, o ciúme expresso reside na crítica que é atribuída a vós próprios, pela asserção da avaliação que fazeis de não dispordes da mesma capacidade, ou de vos sentirdes carentes naquilo que expressais, ou de não estardes a operar bem na forma de conduta que evidenciais em relação a esse tipo de acção. Por isso, instala-se igualmente uma desvalorização automática de vós próprios, além duma clara expressão de falta de aceitação do vosso fluxo natural da energia, por aquilo que expressais poder ser diferente. E devido a que a diferença, na vossa realidade física, seja inaceitável.

Podeis passar a abrigar a ideia, e identificar-vos como bastantes tolerantes e liberais nos pensamentos que abrigais e naquilo que expressais e podeis dizer para convosco e para com os demais que aceitais amplamente a diferença, que eu digo-vos neste momento, em tom definitivo, que não sois.

A diferença dá lugar à ameaça. Ela ameaça-vos enquanto indivíduos; ameaça-vos a aceitação pessoal, por vos julgardes por aquilo que percebeis fora de vós. Impondes um acto automático de comparação, e com tal comparação, deixais de possibilitar o vosso próprio fluxo natural e livre de energia, por intermédio da expressão da diferença.

Bom; já falamos muitas vezes de famílias da essência, das formas de orientação, das diferentes personalidades apresentadas na vossa dimensão física, tudo o que traduz aspectos da vossa realidade que vos influenciam na sua globalidade aquilo que expressais individualmente.

Mas cada um de vós é fundamentalmente um indivíduo único. Não existe nenhum outro indivíduo que se assemelhe a cada um de vós. Sois tão únicos quanto os desígnios do vosso corpo físico, o qual apresenta marcas de impressões digitais individuais. Mais ninguém em toda a vossa história – no passado, no futuro ou no presente – alguma vez apresentará a qualidade física e a identificação das impressões digitais que apresentais. Elas formam uma expressão física altamente singular e individual da vossa identidade.

De modo semelhante, cada um de vós escolhe uma expressão única de energia. Podeis incorporar um tipo de personalidade, só que nesse tipo de personalidade vós exibis as vossas próprias qualidades únicas. Cada um de vós expressa uma exibição única de energia que difere de toda a expressão da energia, seja de que forma for, ou área da consciência, dimensão ou época.

Vós sois fundamentalmente únicos. Por isso, como podereis comparar-vos a quem quer que seja?

Nisso, o acto da comparação desvaloriza-vos automaticamente, mesmo nos termos de comparação que encarais como bons, por decorrer daí uma acção automática de desprezo da vossa própria expressão da aceitação.

E para vos aceitardes não precisais criar essa acção de comparação. Vou-vos dizer que muitos dos conflitos que viveis em relação aos outros são expressos ao situardes a atenção no exterior.

Agora; quanto à expressão do ciúme, como poderás permitir-te dar continuidade à experiência dessa emoção sem incorporares conflito?

VOZ FEMININA:  Aceitando a emoção, mas sem comparar, e permanecendo no meu procedimento, no meu fluxo.

ELIAS:  Exacto. Porque nisso, poderás permitir-te ver as expressões dos outros e poderás dar lugar a outra expressão da emoção – a uma tonalidade emotiva de admiração pelo outro - que se expressa de modo diverso do teu, e poderás aceitar a diferença e dar continuidade à emoção do ciúme, o qual somente consta duma consciência das diferenças e da tua própria consciência, e do que em termos materiais designais duma forma popular na época actual, como o domínio da tua “energia característica”.

Isso também consiste numa identificação da emoção do ciúme. É a emoção da identificação que fazes da propriedade da tua energia característica, de a possuíres. De te pertencer. Dela SER tua, pelo que expressas a emoção do ciúme, por te pertencer.

Nesse sentido, ao voltares a tua atenção do exterior e passares a admitir essa emoção que estás a expressar, sem empregares qualquer comparação, passarás a permitir-te uma aceitação dos teus procedimentos, do teu fluxo de energia natural, o qual é passível de ser expressado de modo diferente do dos outros. Isso não quer dizer que não seja adequado ou não seja tão bom quanto o dos outros... NEM tampouco que precises criar qualquer expressão de “melhor”, por já o estares a criar!

Nesse sentido, podes eliminar a crítica e desse modo o teu conflito, mas sem alterares necessariamente a tua expressão. Aquilo que ESTARÁS a alterar é a percepção que tens – o modo como percebes o que estás a criar e o modo como percebes como os outros estejam a criar – e na total ausência de crítica poderás continuar a expressar-te, não de modo demonstrativo como certos indivíduos, nem tão óbvios como outros, mas concedendo a ti própria a expressão do teu fluxo de energia ou utilização dos recursos naturais.

Estás a compreender?

VOZ FEMININA:  Estou. Obrigado.

ELIAS:  Não tens de quê. (Volta-se para outra pessoa)  Sim?

VOZ MASCULINA:  Pois é, eu só queria colocar uma questão acerca disso. Se eliminarmos o conflito que rodeia o ciúme, isso não irá fundamentalmente eliminar a necessidade do ciúme, ou...?

ELIAS:  Não necessariamente.  Não se trata duma necessidade.  Permite que passe a esclarecer.

Vós, na vossa realidade não necessitais de “coisa” nenhuma. Isso resulta da influência das vossas crenças. Vós tendes muitos quereres, mas de facto, não existe elemento algum nem expressão de que necessiteis, porque tudo o que pode ser percebido como uma necessidade já se acha incluído no vosso íntimo - física, mental emocional, espiritualmente - o que compreende tudo! (A sorrir)

Nesse sentido, trata-se duma emoção. Por isso, tal como já declarei, porque razão havereis de eliminar a emoção? Podeis dar-lhe expressão duma forma destituída de espírito crítico.

A emoção, tal como identificamos, constitui o reconhecimento e o conhecimento do que possuís no vosso íntimo no âmbito das vossas próprias qualidades, conhecimento esse com que dais lugar a uma expressão emocional como identificação e expressão externa objectiva disso que sabeis possuir, e isso é o que designais por ciúme.

No que diz respeito aos outros, consiste na identificação do que possuis e do que confirmais intimamente, pelo que criais a associação crítica, não somente em relação aos outros mas em relação a vós próprios... e à própria emoção!

Vós rotulais essa emoção como má e inaceitável, e tal como já declarei, todas as emoções em si mesmas são inerentemente neutras. Não são boas nem más mas constituem simples expressões.

(De modo cadenciado) São expressões materiais externas de vós que reflectem qualidades vossas de uma concepção particular da expressão que tereis identificado e definido em termos de emoção. (Pausa)

Não querereis sugerir o exemplo duma outra emoção que vos gere confusão? (A sorrir)

VOZ FEMININA:  Com certeza — a raiva.

ELIAS:  E qual será a natureza da preocupação que sentes em relação à raiva? (Riso) Ela subentende um tema de vasta consideração, na verdade!

VOZ FEMININA:  Vasta! Parece-me... e aqui vem a crítica! (Elias ri)

Acho a raiva que sinto ser uma coisa pavorosa. Considero aborrecido que continue a perdurar quando descubro muito pouca razão para que permaneça como a força volátil que é, com um aspecto vulcânico que comporta como que num núcleo em fusão, sempre pronto a explodir e sempre quente. Posso defini-lo de muitos modos - como (inaudível) e ardente e segundo outras formas de interpretação mais, e existem coisas que de facto aceito, como isso fazer parte da minha constituição e de na manifestação actual parecer ser... Acho que parte dela seja aceitável. Se pudesse arranjar uma boa definição para a raiva, tanto para mim própria como para os demais, então seria a duma força verdadeiramente neutra que é passível de ser utilizada por um milhão de modos diferentes. Não precisa ser destrutiva. Não precisa ser o que designamos como negativa, e de facto não o é. É neutra. Trata-se duma energia incrível. Os vulcões criam terra nova, e haveria muito mais a adicionar à questão.

No entanto, na minha própria experiência de vida, acho-a uma espécie de... preferia não a ter como a energia motivadora. Mesmo no caso de a usar correctamente, eu preferia que não correspondesse à tonalidade do meu próprio padrão de energia. Não me agrada, e por isso é que lhe atribuo tal crítica determinante – não gosto de a sentir.

ELIAS:  Justamente! E muitos poderão expressar o mesmo que tu, e manifestarem não gostar dela! (O grupo desfaz-se a rir)

VOZ FEMININA:  Claro!  Estou completamente de acordo! (A rir)

ELIAS:  Muitos expressam para com os seus botões não gostarem dessa emoção da raiva.

Mas recordemos que a raiva não constitui uma emoção em si mesma. A raiva constitui uma extensão da emoção.

VOZ FEMININA:  Do medo?

ELIAS:  É a extensão da emoção da frustração, e nesse sentido, constitui uma expressão extremada.

A raiva, é expressada, tanto interiormente COMO exteriormente, por meio da falta de aceitação pessoal, e eu posso-vos expressar isto em termos resolutos e bastante definitivos. Não importa que quantidade de exemplos consigais sugerir-me em relação ao tipo de expressão que os outros indivíduos estabeleçam que vos deixe “enraivecidos”. Não são eles que vos põem enraivecidos!

A raiva é expressada a partir de dentro, e constitui uma expressão directa duma falta de aceitação pessoal. É criada interiormente, independentemente das circunstâncias ou das situações externas. Podeis sentir-vos irritados em meio à expressão que estiverdes a usar sem a menor interacção da parte de outros.

Já interagi com outros indivíduos que expressavam raiva em relação às situações ou aos objectos. Eles empregavam um enorme conflito e experimentavam raiva ao extremo em relação aos seus veículos!

VOZ FEMININA:  Pois é, os carros! (Riso)

ELIAS:  Experimentavam uma enorme raiva em relação à sua maquinaria nova dos vossos computadores (riso) e ao seu “mau funcionamento”, ou ao “mau funcionamento” dos vossos carros.

Bom; vou-vos dizer que isso é bastante divertido, para não dizer que borda mesmo o ridículo! (Riso) Porque, digo-vos, antes de mais, que a vossa maquinaria e as concepções que estabeleceis em relação àquilo que criais, não funciona mal – nenhuma delas. Não estão estragadas. (Faz uma pausa a fixar toda a gente) AH AH! (Riso)

VOZ FEMININA:  Ai sim?  Então porquê?

ELIAS:  (De modo enfático) Vós PERCEBEI-LOS desse modo e criais esse tipo de realidade por intermédio da percepção que tendes. VÓS estabeleceis uma avaliação, uma identificação e uma definição, por intermédio da VOSSA percepção, que de facto responde pela criação da vossa realidade!

Por isso, se perceberdes que o vosso veículo está avariado, estareis a ver aquilo que percebeis segundo a definição de “avariado”, e como tal estareis a criar isso. Só que de facto não se encontra avariado, por poderdes simplesmente alterar a percepção que tendes – num instante, num único instante, e tão rapidamente quanto o tempo que leva a desviardes o olhar – e com a alteração da percepção, o veículo DEIXARÁ de permanecer avariado, por a vossa percepção deixar de o encarar desse modo, e a vossa percepção, de facto, ser responsável por vos criar a realidade!

Nesse sentido, e tal como tantas vezes tenho dito, não existe nenhum aspecto da vossa realidade que se ache estragado. Não existe a menor necessidade de precisardes proceder a “reparos” por não existir nenhum aspecto da vossa realidade, seja físico, emocional, mental ou os objectos que criais ou o vosso próprio ser físico, emocional ou intelectual... QUALQUER que seja o aspecto que possais identificar em toda a vossa realidade, independentemente do modo como o identificardes, não existe nenhum elemento da vossa realidade que esteja avariado, por não existir nenhuma expressão da consciência que seja imperfeita.

Isso diz-vos respeito a VÓS. Isso É o que sois. Trata meramente da identificação das crenças e dos pressupostos que vos influenciam por meio da associação de serdes imperfeitos ou que qualquer elemento da vossa realidade seja imperfeito ou se ache avariado ou se revele inadequado...

VOZ FEMININA:  O que nos leva de volta à raiva.

ELIAS:  Precisamente, mas isso é criado por meio da ausência de aceitação em VÓS próprios. Por vezes é susceptível de ser criado através do extremo da frustração, com base na vossa falta de permissão para perceberdes escolhas.

VOZ FEMININA:  Para percebermos escolhas?

ELIAS:  Exacto. Vós limitais a percepção que tendes das escolhas ao vosso dispor, e com isso dais lugar à frustração, e ao continuardes a andar às voltas no circuito de frustração que instaurais, mais bloqueais a percepção das opções, e perpetuais essa acção, o que vos vai criar uma situação extremada que se manifesta no que percebeis como a raiva.

Podeis interpelar outro indivíduo e podeis manifestar fúria ao conversardes com ele em relação ao que ele esteja a criar ou a expressar, e com isso, a ausência de aceitação pode expressar-se através da incapacidade que sentis de identificar ou de expressardes controlo. Em situações em que possais não estar no “controlo” duma situação ou dum outro indivíduo, ou que não se ache sob o vosso domínio – segundo a identificação que fazeis de controlo – a situação ou as opões dos outros ou as expressões deles, vós dais lugar à criação de frustração em vós próprios, a qual se vai manifestar em extremos e se vai transformar em fúria.

VOZ MASCULINA:  Então é uma reacção.

ELIAS:  É.

VOZ FEMININA:  Só que não a eles.

ELIAS:  É uma reacção a vós próprios.

Já declarei muitas vezes que o controlo não passa duma ilusão. Não existe qualquer elemento real de controlo. Vós não controlais o vosso meio ambiente. Vós SOIS o vosso meio ambiente. Vós não controlais os outros. Vós nem sequer vos controlais a vós! Isso não passa duma concepção das crenças que abrigais, só que constitui um aspecto vigoroso dessas crenças.

Vós identificais essa expressão do controlo com bastante clareza nas definições que abrigais. Também identificais e definis a ausência de controlo. Ambos constituem uma ilusão, mas ambos são criados de forma bastante real na vossa percepção, e nesse sentido, vós passais a responder prontamente àquilo que identificais como réplicas duma mesma ilusão.

Criais a frustração, em termos externos e objectivos, em relação a elementos externos, a expressões externas, ou aos outros; ao sentirdes ausência de controlo respeitante às escolhas e às expressões dos outros. Mas simultaneamente vós criais uma ausência de aceitação íntima por não expressardes controlo pessoal!

VOZ MASCULINA:  Pela demonstração da raiva.

ELIAS:  Justamente, e por não exibirdes qualquer expressão que VENHA  a manipular a situação ou o outro indivíduo, pelo que expressais ausência de controlo em relação à habilidade que possuís.

VOZ FEMININA:  E em seguida passarmos a tentar controlar melhor!

VOZ MASCULINA:  Então, que havemos de fazer?

ELIAS:  AH AH! (Sorri, sendo seguido de riso)

Antes de mais, tratais de identificar isso e de o admitir em vós próprios – o facto de ESTARDES a permitir que os pressupostos e as suposições que abrigais vos influenciem a percepção. E de estardes a permitir que essas crenças do controlo vos coloquem uma película sobre a câmara que é a vossa percepção e vos estejam a obscurecer aquilo que percebeis.

Também podeis estar a permitir-vos – uma vez mais, de modo idêntico ao da identificação do ciúme – reconhecer estar a situar a vossa atenção no exterior; ou estardes a expressar raiva ao empregardes elementos externos – actividades, interacção – com o que a vossa atenção deixa de se situar em vós e na vossa energia.

Até mesmo nas alturas em que as pessoas voltam a fúria contra si próprias, sem estarem a interagir com mais ninguém nem necessariamente com uma situação física e possam estar somente a dar lugar à manifestação de raiva para consigo próprios, a atenção deixa de assentar em si mesmos, interiormente, para assentar na comparação e na avaliação crítica, o que se situa fora de vós.

Porque, ao voltardes a fúria para vós próprios, vós passais a condenar-vos por não produzirdes algo suficientemente bem, mas em que assentará tal avaliação? Não estardes a criar do mesmo modo que os outros.

VOZ FEMININA:  Fazemo-lo por meio da imaginação até determinado ponto, sem estarmos em relação com a pessoa nem com a circunstância. A coisa tem lugar aqui (pressupõe-se que esteja a indicar a cabeça) só que está a ser produzido tal como se estivessem a rodar um filme. Mantemos os nossos próprios diálogos e estabelecemos os nossos próprios retratos e estabelecemos as comparações ou mantemos as discussões ou damos lugar a certas circunstâncias sem que nada de facto esteja a ocorrer fora de nós.

ELIAS:  O que também não deixa de ser bastante real!

VOZ FEMININA:  Pois... então a nossa atenção não permanece realmente no nosso âmago mas assenta ainda numa realidade que resulta da criação da crença, em meio a todas as suposições e a todas as conjecturas e a tudo o mais que vem por acréscimo.

ELIAS:  Absolutamente.

VOZ FEMININA:  Então, voltar-nos para nós próprios nesse momento, digamos que tenhamos identificado que tal processo esteja a ter lugar, e reconheçamos estarmos a situar a atenção fora de nós, quer seja factual ou mentalmente. A fim de avançarmos com rapidez, é mais ao estilo de passarmos a meditar... mas supostamente deve existir um milhar de métodos diferentes de chegarmos lá.

ELIAS:  Não....

VOZ FEMININA:  Mas qual será o caminho mais rápido e fácil de regressarmos verdadeiramente a nós próprios?

ELIAS:  Bom; naquilo que estivemos a debater, vós HAVEIS de voltar a vossa atenção para vós próprios. O que estás a referir não é a questão de voltardes a atenção para vós próprios. De facto aquilo que estás a referir é: “Como hei-de eliminar a reacção emocional? De que modo poderei eliminar esta emoção da raiva?” Esse é o objectivo, só que não traduz a questão.

VOZ FEMININA:  Não creio ter perguntado isso.

ELIAS:  Ah! (Sorri e é seguido de riso) Mas com isso o que desejais é que o sentimento se dissipe.

VOZ FEMININA:  Por certo! (Breve pausa) Não. Tudo bem, já entendi. (Elias sorri) Então não tentamos fazer isso dissipar-se. De facto, tentamos abranger, adoptar isso...

ELIAS:  Isso resume a situação e a questão da percepção.

Permiti que vos diga que vós empreendeis acções, e podeis perceber essas acções de múltiplas formas, mas a forma como a perceberdes haverá de vos alterar a expressão, desse modo alterando-vos efectivamente a realidade.

Nesse sentido, podeis dar lugar à criação duma dor física que, se a perceberdes como uma coisa grave, se lhe atribuirdes juízo crítico em termos de ser inaceitável e não gostardes de a ter, haveis de gerar uma percepção e uma experiência específicas em relação a essa identificação.

Isso traduz a influência exercida pela crença sobre a percepção. Se acreditardes ser danosa, haveis de a perceber duma forma específica, que consequentemente passareis a identificar em termos de desconforto em relação ao que manifestareis desagrado, em resultado do que a reacção automática que passareis a manifestar será no sentido de a eliminardes.

Podeis produzir uma dor, que não passa da incorporação duma sensação física, que enquanto influência das vossas crenças, podeis não identificar necessariamente como negativa, com o que as crenças que suportardes haverão de vos influenciar a percepção, e haveis de passar a criar uma realidade e uma experiência completamente diferentes... com base numa ÚNICA acção.

VOZ FEMININA:  Claro. Eu conheço gente que o consegue. Estou rodeada de gente que o consegue a toda a hora.

ELIAS:  (De modo decidido) A própria dor é neutra, e consta apenas duma sensação física que é empregue por intermédio dos vossos sentidos.

Nesse sentido, o efeito físico não é necessariamente o aspecto que buscais eliminar. De facto, não estais a tentar eliminar...

VOZ FEMININA:  ...a dor.

ELIAS:  Exacto. O que estais a tentar é alterar uma forma de percepção. Mas o modo como a alterais passa pela permissão para expandirdes a consciência que tendes.

Permitindo-vos reconhecer as crenças que abrigais; que crenças vos influenciem a percepção. Permitindo-vos identificar aquilo que é produzido com base na percepção que tendes, a participação que tendes nesses actos. Porque muitas vezes, e em relação a essa emoção particular da raiva, muitos NÃO identificam a participação que têm, EXCEPTO a criação dessa emoção! Mas vós ESTAIS a tomar parte por em cheio na acção que está a decorrer.

Por isso, por meio da identificação da participação que tendes, da identificação das crenças que vos afectam ou influenciam a percepção, permitindo-vos residir no momento... isso é ponto chave! Porque, muitas vezes, ao exibirdes essa emoção da raiva, DEIXAIS de vos situar no agora, apesar de poderdes dizer estardes centrados no momento e “Se não estivesse atento ao momento, não poderia estar a tomar parte nesta emoção da raiva.”

Mas eu vou referir-vos uma vez mais que isso é ridículo! Vós estais a participar pela associação que estabeleceis em termos do passado e da antecipação do futuro: “Sinto-me irritado por isto me ter ocorrido no passado. Sinto-me zangado por antecipar que isso venha a ter continuidade no futuro.” Mas nada disso traduz o que esteja a decorrer no momento! Portanto, ponto essencial – que vos permitais manter a vossa atenção no momento.

Ao realizardes tais actos... mas deixai que vos diga a título de aparte que, apenas com a identificação dessas acções, haveis de vos distrair o suficiente nesse tipo de atenção de modo a não experimentardes a intensidade da raiva, por vos encontrardes demasiado OCUPADOS (riso) a identificar tudo aquilo em que estais a tomar parte!

Mas se empregardes essas acções, também vos permitireis direccionar a vossa atenção para vós próprios; por interromperdes o acto de a colocardes fora de vós, o qual não passa duma resposta automática que se enquadra com toda a eficiência nas expressões da duplicidade, e que vos influenciará com bastante força a continuardes a posicionar a vossa atenção fora de vós, por serdes altos adeptos do (Elias começa a apontar por todo o compartimento) apontar, apontar, apontar, apontar, acusar, acusar, acusar, acusar. “Não sou eu que estou a criar isto mas qualquer outro indivíduo e situação existente no meu planeta, no meu universo, no cosmo, e que está a forçar-me a todas estas acções e a causar a minha desgraça! Eu não passo duma pobre vítima, pelo que passo a responder de forma irritada, por não desejar tornar-me vítima.”

Porque ao adoptardes a função de vítima, vós eliminais a faculdade de opção e desvalorizais-vos, e passais a eliminar o poder que vos assiste, deixando de reconhecer a percepção de tudo o que sois. Deixais de perceber quaisquer escolha e permitis que os elementos externos vos ditem a experiência. Isso reforça-vos a ausência de confiança em vós, bem como a ausência de aceitação.

Dir-vos-ei veementemente que, com a emoção da raiva estareis a expressar uma ausência de confiança e uma ausência de aceitação na expressão externa, quer se trate duma situação, duma circunstância, dum objecto ou dum indivíduo.

VOZ FEMININA:  E acaba tornando-se numa coisa completamente diferente. A minha querida filha representa uma mestra assim para mim e faz-me parar em meio à resposta irritada que dou a algo que esteja para fazer ou a fazer, ou que nem sequer esteja a cometer, com a inquirição exacta do porquê assumir que esteja a fazer o mesmo que tenha feito anteriormente, ou que continue a fazer o que fazia? Na realidade, se uma criança...

ELIAS:  E a falta de confiança expressa-se no que designais como actos de defesa. Essa é a expressão que empregais para protecção.

VOZ FEMININA:  Claro, isso é....

ELIAS:  Isso representa o escudo ou armadura que colocais à vossa frente, por não vos estardes a aceitar nem a confiar em vós, e perceberdes que isso venha a ser descoberto. Por isso é que passais a usar o escudo de defesa, que deverá bloquear a energia proveniente dos outros.

VOZ MASCULINA:  De que constará exactamente esse escudo?

ELIAS:  Atitude defensiva. Trata-se dum escudo eficaz por não só bloquear a energia proveniente dos outros com também vos bloquear a vossa própria energia em vós próprios, e vos afastar a atenção de vós.

Já podeis ver o quão deformadas são, de facto, todas essas expressões, por vos levarem a perceber estardes justamente a fazer o contrário!

VOZ FEMININA:  Deformadas é um excelente termo!

ELIAS:  Ao exibirdes a atitude de defesa vós dizeis para convosco ESTAR  a prestar atenção a vós próprios, mas não estais. Estais a focar a vossa atenção com toda a intensidade nas acções e expressões dos outros.

Vamos fazer um intervalo e se preferirdes poderemos dar prosseguimento às vossas perguntas.

VOZ FEMININA:  Obrigado.

ELIAS:  Não tens de quê. (A sorrir)

INTERVALO

ELIAS:  Continuemos! (Riso, enquanto o Elias ri de modo forçado)

VOZ MASCULINA:  Eu quero colocar uma questão. Tenho vindo a lidar com algo que me soa um tanto estranho. A sensação de alegria e de júbilo têm muito a ver comigo, mas descubro sentir por vezes dificuldade em interagir com aqueles que não sintam isso, e noutras alturas, penso que possa parecer demasiado feliz ao comum das pessoas! (A rir)

Creio que a minha pergunta se resume ao seguinte: de que modo poderei equilibrar isso, em particular no que diz respeito aos relacionamentos, às amizades e àqueles que me são mais próximos?

ELIAS:  Vou-te dizer, uma vez mais, que isso envolve a questão das diferenças, e das dificuldades com que vos deparais ao serdes confrontados com as diferenças.

Nesse sentido, muitas vezes ao experimentardes as emoções que encarais como positivas – a alegria e o júbilo, qualquer traço que indique felicidade, por assim dizer – isso por vezes é passível de ser classificado por vós como desadequado, por estabelecerdes no vosso íntimo a associação de precisardes expressar a vossa energia em conformidade com as energias dos outros.

Por isso, podeis experimentar uma enorme alegria em meio ao que estiverdes a experimentar, e podeis interagir com os outros que podem estar a dar expressão a diferentes tipos de emoções, aquelas que percebeis ser contrárias ou opostas ao que estiverdes a produzir.

E nesse sentido, gera-se uma resposta automática – uma vez mais, relacionada com a duplicidade – por meio da qual vós e os outros estabeleceis a ideia de precisardes empregar uma expressão mais adequada àquela expressada pelos demais.

Agora; por vezes criais essa acção, por não desejardes realçar, segundo a ideia e a percepção que tendes, aquilo que o outro esteja a criar.

Empreguemos um exemplo – o de poderdes sentir-vos bastante despreocupados num dado momento e de poderdes interagir com outro indivíduo que possa estar a expressar a sua energia de modo solene, ou no âmbito da emoção da fúria ou da tristeza ou da frustração.

Não desejais perpetuar ou destacar - segundo a ideia que fazeis - a ideia a que ele esteja a dar expressão, por identificares, do mesmo modo que ele tais emoções como negativas.

Por isso desejareis partilhar essa expressão, por a encarardes como positiva, mas não pretendereis contribuir para o desespero que o outro sente, por ele não o estar a partilhar com a mesma serenidade que vós.

Por vezes, podeis mesmo empregar um certo elemento de culpa, por estardes a sentir felicidade enquanto o outro está a dar lugar a emoções que encarais com negativas.

Ora bem; uma vez mais, tal como no nosso debate do ciúme, ao reconhecerdes que aquilo a que dais expressão forma a vossa realidade e é o que estais a criar, e se revela como bastante aceitável e não precisar ser alterado, também podereis reconhecer no vosso íntimo que não criais a realidade dos outros.

Vós também influenciais os outros na medida em que vos permitem que os influenciem. Não os influenciais de forma automática, por depender da opção que tomem admitir a vossa influência.

A responsabilidade que vos cabe diz respeito a vós – ao que vós criais e à vossa realidade. Vós não sois responsáveis pelos outros.

Deixa igualmente que te diga que estou bastante ciente do modo como todos vós escutais estes termos que vos transmito, e que em diferentes alturas da vossa estrutura do tempo podeis reflectir neles e dizer para convosco: “Pois, MAS.” (A sorrir) “MAS, Elias, como poderei deixar de me preocupar com a realidade do outro e aquilo a que dê expressão e continuar a dar expressão à compaixão por esse indivíduo?” Mas o facto é que podeis.

Não estou a afirmar-vos que ao voltardes a atenção para vós automaticamente venhais a eliminar quaisquer outras emoções que possais expressar em relação aos outros, ou que não vos importeis com os outros, ou que não demonstreis compaixão por eles. Mas lembrai-vos, não existe nenhum elemento na vossa realidade que se ache em mau funcionamento.

Um indivíduo pode experimentar sensação de frustração ou de ciúme ou de tristeza ou de raiva ou de ansiedade. Pode expressar uma miríade de qualidades emocionais que julgais ser negativas ou desconfortáveis. TODAS essas emoções são produto duma opção. TODAS elas são benéficas. TODAS essas expressões se acham imbuídas dum propósito. Se não escolherdes experimentar qualquer emoção particular, não a experimentareis - é tão simples como isso!

Isso, uma vez, consiste na identificação do papel de vítima que expressais para convosco ao deixardes de escolher experimentar determinadas expressões, mas ESTAIS. Não sois vítimas.

(Com firmeza) Vós criais cada elemento, cada aspecto, cada momento da vossa realidade. Mais ninguém o cria na vossa vez.

Nesse sentido, ao reconhecerdes não poder criar a realidade de nenhum outro indivíduo, permiti-vos identificar a razão porque sentis desconforto com a felicidade que tendes. Porque razão avaliais a felicidade que possuís em relação à expressão doutro indivíduo?

Podereis identificar ser sensíveis à resposta que o outro apresente. Podeis apresentar uma conduta dum enorme júbilo ou de euforia e o outro dizer-vos ou revelar-se pelo que vos parecerá irritação. Podem sentir aborrecimento com a exibição que fizerdes dessa conduta. Isso será uma expressão que LHES dirá respeito.

Não traduz nenhuma crítica que vos assente a menos que deis oportunidade a isso. Não constitui nenhuma avaliação de vós nem do vosso mérito, nem da vossa correcção ou falta de correcção. Trata-se duma expressão SUA inerente à experiência que fazem.

Nisso, não vos cabe assumir responsabilidade pessoal pela expressão ou escolhas que o outro promova. É responsabilidade vossa direccionar a vossa atenção para vós próprios, e tratar de avaliar a razão porque estais de acordo com ele e atribuís juízo crítico a vós próprios.

Posso-vos dizer que, em relação à identificação que fazeis de poderdes sentir-vos muito felizes, eu digo-vos que as pessoas em geral, e no que diz respeito às emoções, podem não sentir-se muito felizes nem muito tristes nem muito frustradas nem muito enciumadas nem muito COISA NENHUMA. Vós apenas expressais o que expressais.

Com isso, instaurais a avaliação crítica da moderação. Qualquer expressão, qualquer elemento poderá ser expressado com moderação na vossa realidade, o que será admissível, e até mesmo o júbilo, até mesmo o prazer, a tristeza, a raiva – QUALQUER expressão, segundo a definição que lhe dais, se torna aceitável se moderada. Mas se for além da medida que identificais como da moderação, já deixa de ser aceitável, até mesmo caso se trate da alegria.

E com isso, uma vez mais, ao posicionardes a vossa atenção fora de vós e ao estabelecerdes comparações, também criais a crítica de vós próprios, de que a expressão que dais à felicidade que sentis seja excessiva e inadmissível. Pode mesmo ser criticada como causa de mágoa em relação a outros, mas o que estais a expressar pode não tornar-se fonte de mágoa para outros a menos que eles escolham dar lugar a tal situação.

Até mesmo aquelas expressões em relação às quais concordais em avaliar como negativas, e que todos aqui presentes identificaríeis como actos passíveis de causar mágoa, devem ser percebidas por aquele que as recebe como passíveis de causar mágoa, por lhe causarem mágoa. Até mesmo a intenção que tenhais de causar mágoa pode não causar tal mágoa sem uma aceitação disso da parte daquele que a receba.

Podeis ter a intenção de vos apresentardes duma forma alegre a uma determinada pessoa, e ela traduzir essa energia, ou deixar que no seu íntimo ela dê lugar à mágoa. E podeis abrigar a intenção de causar mágoa a determinada pessoa e ela receber isso duma forma divertida. Por isso, não tem importância.

Se vos interrogardes nos termos: “Que é que terá importância, Elias?” – por eu vos ter referido a todos com frequência o que não tem importância! – dir-vos-ei que o que tem importância sois vós e a percepção que tendes e a visão que tendes de vós próprios, porque desse modo, se vos permitirdes aceitar-vos e confiar em vós proporcionareis a vós próprios liberdade, e com uma expressão de liberdade afectareis TODA a consciência. (Pausa)

Por isso, meu amigo, ao dares lugar a um momento de questionamento pessoal e da expressão de felicidade, por meio do qual questiones o que expressas e o comportamento que assumes em relação aos outros, lembra-te do ciúme e de que é admissível que expresses o ciúme que sentes e o reveles no que respeita ao conhecimento de ti próprio e à aceitação daquilo que expressas. (A rir)

VOZ MASCULINA:  Obrigado.

ELIAS:  Não tens de quê.

VOZ FEMININA:  Eu queria colocar uma questão da parte da Mary.

ELIAS:  Estás à vontade.

VOZ FEMININA:  Não pensei nisso necessariamente para mim, mas vale na mesma. Trata do quão difícil se torna permanecer na presença de alguém que se encontra triste, e o quão relativamente impotentes isso nos leva a sentir e ser incrivelmente desconfortável. Tal com estava a dizer-lhe... Bom, estou a falar por mim própria, é claro. Mas gera-se uma empatia natural que se estende àquele que se sente triste, e um tentativa, apesar de felizmente poder revelar-se suave, de elevarmos a pessoa para fora dessa tristeza em que se encontra. Mas é algo de tal modo vago... Quem saberá porque razão se sentirá triste? Já nem sequer sei o que estou para aqui a perguntar. Não é uma vontade de nos afastarmos dessa pessoa por não querermos lidar com a tristeza, mas trata-se de não querermos ser arrastados para ela também.

ELIAS:  Precisamente.

VOZ FEMININA:  E, na melhor das hipóteses, traduzir uma vontade de alegrar e de erguer os ânimos.

ELIAS:  Justamente. (A sorrir) Mas como abordareis isso?

VOZ FEMININA:  Hmm!

ELIAS:  Essa é uma emoção interessante que incorporais, a da tristeza.

Agora, no tocante a essa emoção, tens razão – gera-se um elemento que muitos experimentam por intermédia da empatia. Mas muitas vezes também se faz presente uma expressão do vosso sentido empático que produz uma união entre vós e o outro indivíduo, e quando ele experimenta essa emoção da tristeza, por vezes – não sempre – podeis experimentar essa emoção junto com ele.

Mas instaurais essa acção de empatia em relação a essa emoção particular da tristeza com muito maior liberdade e com maior frequência do que em relação às outras emoções, até mesmo em relação à felicidade, e mesmo em relação à euforia. Permitis-vos usar o vosso sentido de empatia com maior liberdade em relação à tristeza do que o fareis em relação ao júbilo, porque quando vos deparais com indivíduos que manifestam júbilo, vós próprios podeis continuar a manter o que estáveis a criar na vossa expressão emocional, ainda que seja diferente.

Já ao contrário, ao interagirem com alguém que expresse uma tristeza autêntica por intermédio da emoção, muitas pessoas experimentam dificuldade em separar-se dessa emoção particular. Automaticamente usais a empatia... que não é o vosso sentido empático. É uma outra (em coro com o grupo) emoção! (A rir)

Nesse sentido, ao utilizardes a emoção da empatia, também passais a incorporar o pensamento e a recordação; recordação não expressa meramente pelo pensamento, mas empreendeis recordação pelo que poderemos designar por forma celular, porque a consciência do vosso corpo reage às lembranças das VOSSAS experiências com essa emoção da tristeza.

Com isso passam a ocorrer actos automáticos na tensão física que vos afectam automática e imediatamente o vosso sistema neurológico. A vossa respiração é afectada de imediato e automaticamente e o vosso sentido de receptividade inerente aos vossos sentidos exteriores é realçado.

Ao interagirdes com ela, a tristeza cria-vos – em termos gerais, apesar de não constituir qualquer regra – uma resposta automática que facilmente estimula o medo. (Pausa)

O medo é uma emoção que traduz uma ausência absoluta de opção, uma carência na percepção das opções, uma sensação de estática e de imobilidade, a qual muitas vezes, e no caso de muitos, se traduz na sensação de estarem bloqueados. O medo também pode ser despoletado em relação à lembrança, através do sentimento de desconforto e igualmente da vossa vontade de não utilizardes esse sentimento.

Mesmo naquelas expressões em que não utilizais esse medo particular, e apenas vos permitis abordar o outro que está a gerar tal tristeza, podeis sentir um desconforto pelo que identificaste como impotência, fraqueza.

Também identificaste o desejo de elevar a moral ou de alegrar o indivíduo, numa tentativa de não te deixares arrastar por essa tristeza; arrastar para baixo segundo o significado que atribuís à tristeza, e erguer a moral como aquilo que não tem que ver com a tristeza.

O conflito ergue-se, uma vez mais, na vossa incapacidade de perceber escolhas e com base na falta de aceitação da própria escolha, e a justificação para a ausência de aceitação assenta no facto dele se sentir numa situação desconfortável e desejar continuar nela. Por isso, desejas ser prestável e estender-lhe alguma expressão que lhe levante a moral das profundezas do desespero e da tristeza.

Ora bem; a crença que as massas sustentam é a de que a tristeza não represente uma coisa boa, e que estará na base da ocorrência de alguma ofensa que esteja a dar lugar a essa emoção de tristeza.

Portanto, ao abordardes outro indivíduo que dá expressão a essa emoção particular, e vos permitis reconhecer não se tratar duma emoção negativa – e de que não sereis arrastados para as profundezas por esse indivíduo, mesmo que empregueis o vosso sentido empático e experimenteis a tristeza a par dele – se eliminardes o aspecto crítico do mau e dais apenas permitis sentir a expressão que assume, vós neutralizareis a maior parte da afectação resultante dessa emoção particular.

Com isso, uma vez mais, achais-vos bastante condicionados – e condicionastes-vos de modo bastante eficaz – ao acto de “fazer” ou de “reparar”, por desejardes alterar a expressão, só que a expressão não necessita ser alterada e já é aceite tal qual se apresenta.

E posso-vos dizer que podeis, cada um de vós, experimentar lidar com essa emoção particular... e podeis empregar essa experimentação em relação a todas as outras emoções, mas permitir-vos-eis um maior à-vontade inicial em relação a essa emoção particular do que o que obtereis em relação às demais emoções.

Ao vos deparares com outro indivíduo que possa expressar tristeza e vos permitirdes aceitar a expressão dele simplesmente como uma expressão dele, e reconhecerdes não precisardes expressá-la, nem precisardes operar em relação a ela, não precisardes repará-la mas apenas SER, e se preferirdes, podeis empregar o vosso sentido empático e sentir-vos igualmente tristes juntamente com o indivíduo – ou não, que isso não tem importância – nesse sentido, ao não procurardes alterar a expressão mas permitir-vos unicamente experimentá-la e aceitá-la como uma experiência inerente ao momento, podereis surpreender-vos com a alteração que a vossa percepção sofrerá.

Porque se vos permitirdes meramente experimentá-la, sem condenação e sem procurar alterá-la nem à experiência, permitir-vos-eis dar lugar à percepção...

(A gravação termina abruptamente a esta altura, pelo que se perdeu o final da frase)


Notas do tradutor
Movido pelo carácter primordial do que aqui é debatido, atrever-me-ia a apresentar algumas considerações análogas e complementares que podem ajudar a um entendimento cabal desta temática. 
As emoções parecem não ter cabimento no paradigma da criação da nossa realidade pessoal, por parecerem ser-nos lançadas à guisa de desafio, e não representarem algo que nós criamos. Parecem ir e vir a seu belo prazer e gozar duma vida própria, não apresentando qualquer relação especial connosco, o que resulta da nossa indisponibilidade para assumirmos responsabilidade por aquilo que representam, pela parte que nos toca.
Em parte isso fica a dever-se ao facto de as não termos encarado com base nos pressupostos em que assentam. Tendemos a subscrever o conceito do ideal mas facilmente nos esquivamos de experimentarmos o real a cem por cento. Frequentemente não identificamos a “coisa” pelos sinais com que tendemos a concebê-la.
É uma questão de apreendermos o carácter íntegro de cada sentimento que a experiência total descerra. O contacto directo com os estados de alma, as emoções e os diferentes humores pode apresentar uma certa dificuldade inicial, por carecermos de informação respeitante à sua natureza.
A realidade consensual é a de que devemos unicamente sentir emoções positivas o tempo todo e jamais sentir as negativas. É comum medir-se a valentia do indivíduo pela destreza em seguir a via unilateral da “rectidão” e do “bem”, da “separação das águas”, etc.
As emoções positivas, todavia, são aquelas que obtêm expressão e são libertadas, e as emoções negativas são todas quantas não sejam adequadamente expressadas nem libertadas. “Adequadamente” pode querer dizer uma expressão directa – o confronto directo, e por vezes pode aplicar-se no caso da expressão indirecta, o diálogo.
O ódio que obtém expressão e é libertado constitui uma emoção bastante positiva, ao passo que a sua supressão ou sublimação se torna negativa e pode representar um grave perigo. Por outro lado, o amor que é negado e direccionado para dentro pode tornar-se deformado, destrutivo e conduzir-nos ao dano.
Outro sinal que acompanha toda a emoção traduz-se pela propriedade que revela de expansão ou de contracção – o que se inscreve naturalmente no quadro de referências orientais de Yin-Yang, ou seja, do equilíbrio pelos opostos ou caminho do meio. As emoções passíveis de conduzir a uma expansão da consciência revelam-se naturalmente positivas (amor, gentileza, confiança, gratidão, felicidade, alegria e entusiasmo) enquanto as que corroboram a contracção se revelam negativas e constritivas (raiva, mágoa, medo, solidão, desespero, desespero e vergonha). Todavia, elas não são boas nem más. Toda a emoção tem início na opção de se tornar factor de expansão ou de contracção. Contudo, ao alcançarmos o amadurecimento as emoções tendem a estabilizar.
Um segundo aspecto diz respeito à responsabilidade (que muitas vezes se acha mesclada com noções de culpa) Podemos acreditar que a causa da expressão de raiva se deva à acção de terceiros, o que corresponderá a uma verdade, mas após termos expressado a raiva ou a mágoa precisamos apurar a razão porque lhe teremos dado expressão. Porque nos permitiremos sentir isso? Que terá motivado a sua expressão? Talvez por desejarmos sentir-nos desse modo e justificarmos toda uma inclinação ou parcialidade de carácter nesse sentido (tendência para a justificação das carências de carácter) que justificamos com o mau humor ou com a mágoa.
Talvez isso nos permita ou atribua licença para não nos sentirmos responsáveis, ou para não levarmos a cabo o que começamos ou o que queremos realizar, que de outro modo não admitiríamos. Porque, se investigarmos de verdade, poderemos descobrir que o nosso desejo real seja o de não fazer isto ou aquilo ou o desejo de não completarmos uma acção particular a que tenhamos dado início, pelo que escolheremos ficar deprimidos ou de mau humor. E porque razão não o queremos completar? Podemos descobrir dever-se isso à noção de que ao assumirmos a experiência e a responsabilidade tudo procede da nossa criação.
Quando sentimos alegria ou tristeza atraímos um humor correspondente. Nesse sentido, o semelhante atrai o semelhante. Se nos sentirmos zangados e permanecermos nesse estado de espírito durante um tempo suficiente, passaremos a atrair um ambiente de raiva, e tendemos a tornar-nos indispostos por tudo e por nada.
De forma semelhante, se nos sentirmos magoados e permanecermos nesse estado de espírito por demasiado tempo passaremos a atrair uma espécie de ambiente de mágoa. E esse ambiente de mágoa irá atrair coisas suplementares que nos magoarão. Até nos sentirmos cheios e recusarmos tal condição.
Opera do mesmo modo em relação ao amor, à alegria e à felicidade. Se as sentirmos durante um certo período de tempo, acabaremos por criar um ambiente efervescente de amor e coisas adoráveis começarão a ter lugar ainda mais do que antes. Trata-se da qualidade inestimável da energia, pelo que se começarmos a sentir valor, isso passará a representar-se como que por uma neblina ao nosso redor que irá atrair coisas radiantes.
Assim, se abrigarmos um sentimento por tempo suficiente ele acabará por nos criar um ânimo. Eventualmente acabará dando lugar a um estado de alma. Mas não teremos percebido o modo como teremos dado lugar a esse estado de alma. Se o considerarmos a fundo, todavia, poderemos ver que o teremos activado e que nos teremos mantido nele sem lhe darmos qualquer uso nem lidarmos com ele de uma forma consciente. Em seguida poderemos perceber que em resultado disso, teremos atraído essa energia amorfa e desse modo teremos atraído esse ânimo em que nos encontramos.
Não nos decidimos passar a sentir isto ou aquilo mas sentimos ao invés, os componentes, os ingredientes que compõem o humor – e desse modo instaurámo-lo quer por causação directa quer por meio da permissão. Uma vez mais, a permissão é o modo através do qual criamos a nossa realidade. É desse modo que todas as coisas chegam a encaixar.
Agora; todas as ocorrências de índole negativa se acham imbuídas do propósito de nos fazer observar os conteúdos na nossa mente consciente. De certa forma os sentimentos de ódio ou de vingança constituem um agente terapêutico natural por se apresentarem como caminhos que conduzem além da limitação que impõem.
Se prosseguirmos na peugada desses sentimentos poderemos chegar a estabelecer equilíbrio emocional, mental e corporal. Tal acto tende a firmar-nos duma forma consistente na experiência do momento e abre caminho a uma solução natural terapêutica inerente à nossa criatividade porquanto a solução reside nas crenças íntimas que nos inibem. Qualquer emoção se transformará se a experimentarmos de forma genuína.
Já se procurarmos negar ou sublimar os seus conteúdos, tenderemos a separar-nos da realidade da nossa condição. Se suprimirmos as emoções de cunho negativo ou nos chocarmos com elas tenderemos a obstaculizar o fluxo espontâneo do sentir que precisa ser considerado na sua pujança do instante e é parte integrante da nossa natureza.
Uma vez percebidas e sentidas, as emoções, as sensações corporais e os pensamentos resultantes tendem a estabelecer o seu próprio estado de resolução. As suposições em que assentam recebem uma nova luz e nós começaremos a perceber estarmos a sentir-nos de determinado modo por acreditarmos no pressuposto implícito que justificará a resposta automática da rejeição dessa emoção.
Se negarmos a expressividade inerente à emoção, incorreremos no risco de nos alienarmos em relação ao corpo assim como em relação às ideias conscientes. Forçaremos tais conteúdos indesejados no subconsciente, que é a consciência do corpo, e investir-nos-emos duma “armadura”, de forma que isso nos impeça de voltarmos a sentir o efeito deles sobre o corpo.
A solução dum problema sempre reside na sua formulação e não aparte dela. O “problema” sempre encerra a solução, mas enredados no “positivismo” das correntes espiritualistas e idealistas tendemos a  buscar a “resposta feita” e o atalho ao invés de lhe seguirmos o rasto, por temor de perdermos as referências do sentido de identidade superficial que se restringem aos limites dos opostos psicológicos (bem e mal, certo e errado). E a tenacidade com que nos agarrarmos aos pensamentos “positivos” e “construtivos” produzirá uma resposta numa ordem de grandeza proporcional e contrária, que nos manterá firmemente alienados na separação; o cultivo dos pensamentos de amor e de optimismo darão naturalmente lugar à carga “negativa” com que tendemos a reprimir os seus opostos, por não os eliminarmos como habitualmente cremos, mas apenas os reforçarmos no terreno escorregadio da ocultação.
E o amor, por exemplo, parece conter tanta agressividade quanto o ódio. A distinção assenta numa distorção apenas, resultante de suposições de vária ordem. Também poderíamos afirmar não existir verdadeiro ódio, por este não passar do vazio do amor, do mesmo modo que a raiva traduz o grau extremo da frustração, ou melhor, um bloqueio na capacidade de amar.
Podemos recorrer ao diálogo íntimo ou a uma anotação sistemática dos pensamentos, que chegaremos à conclusão de que sentimos coisas distintas em alturas distintas, pelo que mais deixaremos de reforçar os pressupostos estanques em que radicam. Poderemos dar-nos conta de contradições habituais que apontem pontos de vista contrários que nos regulam as emoções, a condição corporal e a experiência física. Se examinarmos os conflitos resultantes poderemos dar-nos conta de crenças não detectadas, que não passam de crenças de que temos consciência mas preferimos ignorar, por encerrarem um carácter negativo e se apresentarem “difíceis”, e uma vez nos habituamos a olhá-los, mais facilmente se tornarão transparentes.
Axiomas dogmáticos ou ideais que nos incitem a elevar-nos acima das emoções podem desencaminhar e até mesmo tornar-se perigosos por se basearem na premissa da existência de algo essencialmente desordenado ou errado na natureza humana, quando mais consideraremos a alma permanentemente num estado de tranquilidade e de “perfeição”, passividade e duma certa insensibilidade, admitindo unicamente uma consciência mais elevada e bem-aventurada.
Contudo, a alma é, acima de tudo, uma fonte de energia, de criatividade e de acção que tende a revelar as suas características e vivacidade justamente por meio das emoções permanentemente cambiantes. Se confiarmos nelas, as emoções conduzir-nos-ão a estados de compreensão psicológica e mística, de tranquilidade e de paz. Se acompanharmos as emoções, elas poderão conduzir-nos a uma profunda compreensão; entretanto, elas formam um componente inalienável da manifestação física.
Negar a existência do ódio representa a negação do amor. Não é tanto que essas expressões constituam opostos mas aspectos diferentes que são experimentados de modo diverso. Em certa medida procuramos identificar-nos com aqueles por quem sentimos um enorme afecto. Amamos alguém porque frequentemente esse alguém faz-nos evocar o nosso “eu” ideal. Naquele a quem amamos vemos aquilo em que poderemos tornar-nos, o nosso potencial. Mas não reagimos somente àquilo que de melhor evoca em nós; também somos capazes de ver nele ou nela o seu potencial e o ser ideal em que pode tornar-se. Trata-se duma forma de percepção particular aquela que é partilhada pelos sujeitos envolvidos - seja marido ou esposa, pai ou filho. Tal percepção também leva a discernir a diferença entre o prático e o ideal pelo que, a predominância dum sentimento de amor atenua as discrepâncias existentes entre comportamento real e ideal, que deixam de ser consideradas como importantes.
Mas o próprio amor é também passível de mudança. Não existe propriamente um estado permanente de atracção profunda entre duas pessoas. Como toda a emoção, o amor revela-se volúvel e susceptível de cambiar com facilidade entre a raiva e o ódio, para terminar transformando-se em amor. No entanto, num relacionamento, o amor pode predominar, apesar de não ser estático. Desse modo, sempre se apresenta a percepção do ideal e um certo aborrecimento por causa das diferenças que naturalmente se impõem à percepção do ideal e à da realidade.
Somos condicionados a temer essa toda a expressão de ira e de ódio que sentimos, pelo que tendemos a pôr de parte essa compreensão intuitiva e a fazer vistas grossas à relação amor/ódio. Não nos foi inculcada a repressão da expressão verbal do ódio como sugerido que os pensamentos do mal são tão nefastos quanto as acções que motivam. De tal modo que chegamos a sentir-nos culpados pelo simples facto da possibilidade de odiarmos alguém, pelo que procuramos ocultar tais sentimentos dos outros, e não os deixamos aflorar à superfície, relegando-os ao subconsciente (consciência do corpo) com medo de as olharmos. Mas é também por essa via que nos chegamos a afastar da realidade do sentimento do amor. 
Permanecemos unidos no ódio, apesar de originalmente tal atitude se basear no amor. Só que não é percebida na sua inteireza e focamo-nos exageradamente no ideal, para agravo de toda a diferença manifesta, por o realçarmos com tal atitude.
Mas até mesmo as nossas fantasias de ódio podem conduzir-nos a uma reconciliação e a uma expressão de amor, se as deixarmos actuar. Se deixarmos que a imaginação activa actue, ela poderá conduzir-nos à compreensão – por não lhe reprimirmos os conteúdos! Quando odiamos um inimigo simbólico, havemos de perceber sentir uma atracção profunda por ele. Lembremo-nos de novo que os contrários se atraem, ao passo que os semelhantes se repelem. Quem não o identificará nas relações que são inicialmente marcadas por posições dum antagonismo veemente ou duma antipatia exacerbada e que no entanto encerram uma acção de afinidade mútua e de compatibilidade efectiva?
Sempre podemos, pois, utilizar em benefício próprio a energia poderosa que as emoções conotadas com um carácter negativo encerram, se não as inibirmos. O ódio, no seu estado natural encerra uma poderosa faceta motivadora que incita à acção e à mudança. Na realidade não é o ódio que incita à violência. A erupção da violência resulta, sim, dum sentido íntimo de impotência que o Elias traduz pela expressão extrema da frustração. Não resulta directamente da supressão das emoções mas do armazenamento que visa libertação da energia correspondente, como se verifica nas neuroses, que denunciam uma lenta actividade de libertação da energia pelos meridianos e pelo sistema nervoso, de modo a podermos fazer frente a esses conteúdos. Todos eles se acham armazenados nos tecidos musculares.
Muitos daqueles que de repente irrompem a cometer crimes normalmente são caracterizados como dóceis e donos de atitudes cordatas e são mesmo apontados como modelos de conduta exemplar, por chegarem a negar na sua natureza qualquer elemento natural de agressividade e considerarem maligna toda e qualquer expressão de ódio, em resultado do que também encontram uma enorme dificuldade em “recusarem” tais expressões duma forma mais sensata, e mesmo dificuldade de actuarem de forma contrária ao convencionado nos códigos de conduta e de respeito que lhes tenham sido impostos. E quanto ao desacordo, negarem todo e qualquer impulso que os leve a expressar o desacordo que sentem em relação ao semelhante. Isso leva-os a sentir-se de tal modo impotentes que psicologicamente só uma erupção irrestrita os libertará. Tal impotência só lhes agrava as dificuldades que sentem, pelo que procuram a libertação por intermédio da exibição dum poder desmedido que normalmente se expressa pela violência.
O ódio sempre implica um sentimento doloroso de separação em relação ao amor. Aquele por quem sentimos uma grande hostilidade ter-nos-á decepcionado em alguma altura, por não se revelar à altura das nossas expectativas. Quanto maiores forem essas expectativas e ideais, tanto mais significativas nos parecerão as divergências que lhe apontamos. Se odiarmos um progenitor isso ficará a dever-se ao facto de estarmos à espera desse amor. Aquele de quem nada esperamos jamais nos motiva o rancor.
O ódio é um meio de conduzir ao amor, e quando lhe permitimos que se expresse, representa uma comunicação da separação que se apresenta em relação ao esperado. O amor pode, portanto, comportar ódio; o ódio pode conter amor e ser impulsionado por ele, em particular um amor idealizado. “Odiamos” algo que nos separa do objecto amado e é precisamente por tal objecto ser amado que o incumprimento das expectativas que abrigamos em relação a ele nos decepciona. Se alguém ama os seus pais e eles parecem não lhe devolver esse amor e lhe frustram as expectativas então pode odiá-los, devido a que o amor fizesse com que esperasse mais. Desse modo o ódio torna-se numa forma de reclamar o amor. A sua finalidade consiste em conduzir-nos a uma comunicação (comunhão) em que consigamos expor os nossos sentimentos a fim de esclarecermos a natureza do objecto amado. Portanto, o ódio não representa a negação do amor mas uma tentativa de o recuperar e um reconhecimento das circunstâncias que nos separam dele. Em si mesmo, poderíamos dizer que o ódio não tem existência, mas decorre do bloqueio do livre fluxo da energia, tal como o amor não passa da restauração da harmonia. Se bloquearmos tais bloqueios do corpo físico restauraremos verdadeiramente a saúde.
Em relação ao efeito provocado pelas emoções em órgãos particulares do corpo poder-se-á adiantar, simbolicamente, que o armazenamento de tensão de energia (nervosa, como dizemos) conduz à produção de úlceras. A incapacidade de manifestar ou de receber amor tende a manifestar-se nas enfermidades ou indisposições cardíacas. As enfermidades relacionadas com a área da garganta prendem-se com o acúmulo de tensões relacionadas com a expressão. As da área abdominal, com as emoções de conotação negativa. É uma facto que os tratamentos dos meridianos corporais por meio do emprego de técnicas como a da acupunctura, a da pressão exercida pelas mãos, as massagens e do jin shin jyutsu contribuem para o reequilíbrio emocional, tais como todas as terapias que assentem na delicadeza entre o paciente e o terapeuta, que são as mais elevadas. Mas entre todas, a mais eficaz na resolução dos bloqueios emocionais resulta da recepção do Cristo no nosso íntimo, ou a consciência de fazermos parte do Todo. Essa é a razão porque o amor cura todas as coisas, como evidência das coisas invisíveis. A fé em nós próprios e na nossa habilidade natural de cura consiste no nosso maior dão e a mais elevada forma de cura.

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