segunda-feira, 27 de junho de 2011

IRRITAÇÃO E FRUSTRAÇÃO



 SESSÃO #680

“Fúria e Frustração”
“O Propósito de Elias”
Quarta-feira, 16 de Agosto de 2000 (Privada/Telefone)
Tradução: Amadeu Duarte

Participantes: Mary (Michael) e um novo participante, Gerald

(Versão abreviada)

...

ELIAS: (A rir) Sobre que vamos conversar hoje?

GERALD: Bom, vou deixar isso a teu cargo. Por aquilo que apurei na conversa que tive com a Mary tu tens toda essa ordem de trabalhos, pelo que passarei como que a deixar-me ir com a maré, a ver se desse modo encontraremos corrente favorável. Que achas?

ELIAS: (A rir) Ah, uma viagem sem rumo!

GERALD: É, mas desse modo é provável que venhamos a descobrir algo nesse curso.

ELIAS: (A rir) Muito bem. Vamos debater o movimento das pessoas em relação às emoções, e essa emoção em particular que no presente parece afectar em termos objectivos muita gente e que vós identificais como fúria, na relação que ela tem com a emoção de origem e que pode ser identificada como frustração?

GERALD: Tudo bem.

ELIAS: Muito bem.

GERALD: Nesse caso, permite-me que volte de novo à premissa. Vamos debater o movimento relacionado com a emoção específica da frustração ou fúria.

ELIAS: Exacto.

GERALD: Disseste frustração?

ELIAS; Exacto.

GERALD: Mas quando referes movimento, revela-me mais do que queres dizer com isso de movimento. De que tipo de acção se trata? Acção do pensamento? Acção física? Diz-me.

ELIAS: Ambas, porque vós criais movimento dentro da familiaridade associada a essa emoção que identificais como fúria ou irritação, certo?

GERALD: Repete lá isso.

ELIAS: Vós, em termos gerais, criais movimento relacionado com essa emoção que identificais como fúria.

GERALD: Está certo. Existe sempre algum movimento associado a cada emoção que expressamos, por certo. Correcto.

ELIAS: Nesse sentido, identificais essa emoção em particular em termos negativos e muitos criam uma enorme expressão de conflito e de confusão em relação a essa emoção em particular que desejariam poder eliminar.

GERALD: Certo, já percebi. Sim, isso é frequente nas pessoas. Eu desafio a mim próprio – e isto constitui um desafio constante – no sentido de, tão prontamente a consiga identificar, ser capaz de lhe descobrir... Estás a referir-te ao movimento por isso eu penso em termos do que estarei a deixar e fazer. Qual será a expectativa que estarei a deixar de expressar? Porque, tentar transformar isso nalguma outra coisa pode, e pode também deixar, de se tornar mais útil. Mas eu quero explorar isso por achar interessante.

ELIAS: Ou....

GERALD: Que achas do meu raciocínio?

ELIAS: Ou podes aceitar o desafio de inquirir sobre o que ESTARÁS a criar e sobre que movimento ESTARÁS a empreender, em vez de que movimento estarás a DEIXAR de empreender.

GERALD: Interessante. Movimento... Empreender ou deixar de empreender. Hmm! Fornece-me um exemplo de modo para eu poder perceber.

ELIAS: Estás a declarar que te olhas a ti próprio e te questionas com relação ao que estarás a DEIXAR de expressar em ti, que tipo de expectativa estarás a DEIXAR de reconhecer.

GERALD: Certo. É como se eu situasse o que penso fora de mim. É, e isso acontece por ciclos, por assim dizer.


ELIAS: Exacto.

GERALD: Estou a acompanhar-te.

ELIAS: Também podes aceitar o desafio de te interrogares sobre que expectativa ESTARÁS a abrigar e sobre o que ESTARÁS a realizar.

GERALD: Ah, muito bem visto! Certo, trata-se duma distinção bastante útil.

ELIAS: Porque tu ESTÁS a realizar e ESTÁS a abrigar uma expectativa na criação do movimento dessa emoção particular da fúria.

GERALD: Ah, muito bem, muito bem. Correcto.

ELIAS: Permite que te interrogue sobre o caso hipotético do indivíduo que te pode abordar sobre a questão da fúria – como haverá ele de abordar essa expressão particular da emoção de forma a eliminar a participação que tem nesse tipo de expressão se isso lhe causar conflito – em que direcção o exclarecerias? De que modo serias capaz de o instruir de modo a possibilitar-lhe livrar-se de modo eficiente da expressão da fúria?

GERALD: Certo, eu entendi. Antes de mais, estás a colocar-me uma pergunta?

ELIAS: Estou!

GERALD: Estás a interrogar-me neste momento?

ELIAS: Estou.

GERALD: Está bem. Então deparo-me com alguém nesse estado, e tu questionas-me sobre o modo de procedimento que utilizaria? Em primeiro lugar, isso vai ao encontro ao que tento fazer comigo próprio. A suposição que faço é a de que este indivíduo possua uma expectativa por cumprir e não sabe como levá-la a bom termo ou não o esteja a conseguir. Por isso, o propósito, em primeiro lugar, deve ser o de produzir algum tipo de reflexão, sobre o que seja aquilo que ele deseja; em seguida, assim que ele perceber possuir uma expectativa, que será que está a fazer ou a deixar de fazer? Tratar-se-á dum resultado adequado? O resultado pode não ser apropriado, devido a que ele não tenha efectivamente estabelecido a expectativa desde logo.

Ou, para voltarmos a algo que proferiste há pouco. Pode ser que outra coisa que ele pode fazer seja interrogar-se sobre o que terá obtido que valha a pena? E isso há-de representar a oportunidade de avançar e de reconhecer que aquilo que obteve e o que está a obter já se circunscreve no quadro do que pretende; isso pode permitir-lhe abandonar esse estado.

Bom, é isso o que eu penso. Que pensas do meu raciocínio?

ELIAS: Mas, que é que defines como comportamento impróprio?

GERALD: Oh... Não sei se disseste “impróprio” ou “apropriado”. Será... Que foi que eu disse? Hmm.

ELIAS: Ah, ah, ah, ah, ah!

GERALD: Olha, as palavras saem-me da boca muito rapidamente. Vou ter que... Podes ter que repetir. Que foi que me ouviste dizer?

ELIAS: (A rir) Identificaste a abordagem que fazes ao outro indivíduo numa tentativa de identificares uma conduta que possa ser desapropriada e que possas mudar.

GERALD: Oh, desapropriado, sim. Eu perguntei isso porque algo que frequentemente nós abrigamos são expectativas e resultados. Geralmente é o pensamento do que queremos que possa ou não ser apropriado, seja por que razão for. Nunca o sei até o escutar. O resultado que ele deseja valerá a pena? Será isso considerar a sua pessoa? Isso faz parte daquilo a que eu dou atenção e por que eu sei aquilo que sei, e até mesmo o que eu penso saber.

ELIAS: Ah, mas a identificação desses aspectos básicos são chave para aquilo que estás a expressar, no sentido da identificação do que seja apropriado.

GERALD: Certo, revela-me mais a respeito disso. Vamos explorá-lo.

ELIAS: É nessa direcção que muitos indivíduos se deslocam na associação que estabelecem com essa particular expressão da fúria – a identificação da adequação de expressões ou resultados, se quiseres. Nesse sentido observais as expressões superficiais, e procurais alterar uma expressão objectiva que se manifesta superficialmente, sem reconhecer as expressões subjacentes que decorrem e motivam essas expressões superficiais.

GERALD: Tudo bem. Agora, avancemos devagar. Vamos considerar isto por um momento. Estou a pensar que aquilo que queres dizer com emoções ou condutas externas... Na verdade estou mais interessado... Talvez exista uma distinção que estejas a propor em termos subjacentes a tudo isso, coisa que estou plenamente certo de existir, mas chegar aí pode ser coisa completamente diferente.

Aquilo que creio é que subjacente a toda a conduta, ou o que seja... aqui temos esta pessoa que se mostra irritada ou aborrecida, frustrada com qualquer coisa. Essa pessoa deseja algo. É um modo de pensar. Por isso, para mim, eu olho sempre para o tipo de pensar que ele terá, que o esteja a conduzir a tal expressão, certo?

Quando refiro a adequação da expressão ou da conduta, aquilo que quero dizer... Gostava que comentasses as suposições que apresento no que toca a estes aspectos. Estou à procura do critério que ele utiliza, os padrões que pode aplicar a si próprio ou aos outros de que possam ou não ter consciência, que conduzam ao actual estado emocional. Que pensas do que acabei de dizer?
ELIAS: Entendo aquilo estás a expressar...

GERALD: Aquilo de que estou à procura é se me acharei por fora do que estavas a referir, ou seja, o aspecto subjacente. Tu estavas a querer chegar a algum lado com isso.

ELIAS: Exacto. Não, não estás por fora, por assim dizer. Aquilo que te estou a dizer é que a conduta consiste unicamente numa escolha de expressão, e que em si mesma a conduta não é certa nem errada.

GERALD: Precisamente. Bem visto!

ELIAS: A percepção consiste no elemento de influência que manifesta...

GERALD: A percepção consiste no elemento de influência. Foi isso que acabaste de dizer? Quero ter a certeza de ter entendido bem.

ELIAS: Exacto. O que manifesta a conduta.

Nisto, a conduta não tem qualquer importância, na verdade. Por isso, procurar meramente a conduta é fútil, se assim o posso dizer.

GERALD: Pois. Estou de acordo contigo nesse aspecto!

ELIAS: Por isso, a expressão de fúria constitui um extremo nessa expressão exteriorizada da frustração.

GERALD: Certo. Tudo bem, certo.

ELIAS: A frustração consiste na expressão exteriorizada da expressão objectiva dum indivíduo na altura em que ele evidencia um estreitamento da percepção, o que lhe limita o vislumbre das escolhas disponíveis.

GERALD: Pois. Bem dito!

ELIAS: Por isso, a conduta é essencialmente destituída de importância.

GERALD: Certo, porque é o ponto de que ela emana que tem importância.

ELIAS: O indivíduo pode abordar-te, ou tu considerares a tua própria experiência nesta questão da fúria, com uma força de motivação para eliminar esse tipo de expressão que, na sua maior parte, É circunscrita por ti no quadro das expressões desconfortáveis.

GERALD: Pois, entendido. Certo.

ELIAS: Agora...

GERALD: Portanto, que é que... Bom, deixa que te dê a conhecer o que penso nessa matéria, está bem?

ELIAS: À vontade.

GERALD: Bom, aquilo que resume as minhas teorias, é claro, nos termos do que me esforço por conseguir... O que não quer dizer que sempre chegue lá, porque o desafio consiste em ter consciência quando nos achávamos lá antes! Em todo o caso...

ELIAS: Ah, ah, ah, ah!

GERALD: Porque, uma vez lá, é como peixe fora da água, sempre difícil. Para mim é um desafio se estiver a trabalhar com um cliente que se encontra neste estado... A primeira coisa é eu ter de os fazer aceitarem-se.

ELIAS: Exacto.

GERALD: Mas isso faz o género do que me é dado encontrar. É quase como um dos primeiros ou simultâneo... Porque não estou certo quanto a todas as coisas que sucedem de forma tão súbita e em simultâneo. É o primeiro passo que conduz ao: “Olha, não faz mal posicionar-se aí mas agora que me aí situo, que é que eu quero?” É essa a ideia. Que pensas do que te estou a referir?

ELIAS: Exacto. Com isso identificaste uma das linhas de base, um dos pontos de partida dessa orientação.

GERALD: Que é uma linha de base? Não tenho a menor ideia do que queiras dizer com isso.

ELIAS: É a expressão subjacente, a questão que subsiste num nível inferior.

GERALD: Então a linha de base deverá consistir na identificação daquilo que sustenta esse estado. Por exemplo, uma das coisas que é comum nas pessoas quando se acham em certos estados emocionais em que alguns são bons e outros são maus, e nos achamos num estado de desconforto e a pensar que isso seja mau ou errado ou que deixe de ser bom, mas quando procuramos sair disso aparentemente ficamos bloqueados.

ELIAS: Exacto. Agora; nisto, antes de mais, se te permitires reconhecer confirmar para ti próprio que aquilo que expressas não é errado nem mau mas consiste apenas numa escolha de expressão, nesse caso podes permitir-te...

...

Nesse sentido, quando um indivíduo manifesta uma expressão de fúria, evidencia-se a expressão dum extremo na manifestação da emoção.

...



Agora; nesta acção extremada a emoção torna-se bastante vigorosa, e muitas vezes ignora o processo do pensar porque a atenção se volta para a emoção à medida que participa não só no estado mental - no que acontece - como também participa na consciência do vosso corpo.

GERALD: Certo, entendi. Portanto nesse caso... Certo, óptimo.

ELIAS: Toda...

GERALD: Nesse caso o estado emocional, quando nos achamos num estado extremado, desliga o aspecto emocional... Portanto, tu dizes que o desliga. Deixamos de ter consciência do processo do pensar.

ELIAS: Não o desliga mas interrompe-o e pode nublar-vos bastante a clareza de entendimento...

GERALD: Então voltemos ao... Penso que terás escrito, ou declarado... desde que tu não escreves, ah, ah! (Elias ri) A mente só é capaz de processar um tanto - a mente consciente - e em seguida põe-se como que de fora, apesar de continuar ali...

ELIAS: Precisamente.

GERALD: ...Com pensamentos e tudo isso.

ELIAS: Pois.

GERALD: E possui capacidade de atenção. É quase como eu a escutar-te. Só consigo processar um tanto ao nível consciente de cada vez, mas existem outros níveis de acção contínua.

ELIAS: Absolutamente, e tu és bastante receptivo à informação dos sentidos.

GERALD: Pois.

ELIAS: Agora; nesse sentido, quando tomas parte nesta acção extremada da emoção, também lhe inseres uma espantosa quantidade de informação dos sentidos. Isso vai interromper-te o processo do pensamento, e nesse estado, por assim dizer, dás lugar à criação dum tipo de círculo através do qual continuas a perpetuar a inserção dessa informação dos sentidos e a intensidade da emoção.

GERALD: É, como que se auto-alimenta.

ELIAS: Precisamente.

GERALD: Pois. É quase como um estado de pânico e o abandono em si mesmo assemelha-se... O deixar passar ou tornar isso favorável enquanto permanecemos neste... Deixa que te dê um exemplo. Vamos ver se estou a entender isto. Quando estou... Uma das práticas que utilizo... Penso que todos na vida temos estas coisas e encontramo-nos aqui para trabalhar isso, tal como no meu caso, para não me deixar resvalar para o pânico nem para o temor. Penso que o estado de temor é bastante similar.

ELIAS: Exactamente.

GERALD: A natureza disso – passando por cima da informação dos sentidos. Certas coisas – não querer permanecer ali e em seguida tomar alguma iniciativa para sair desse estado, mas de algum tipo de estado emotivo essa iniciativa há-de ser composta. Uma das coisas que acontece comigo é eu ter que me deslocar, ao exercer, para um estado emocional diferente, mas podemos sempre voltar-nos para coisas diferentes passando pelo processo emocional no momento, e em seguida agindo a partir desse estado emocional em vez de permanecer estancados no outro estado e agir a partir dele.

ELIAS: Ah!

GERALD: Muito bem, que tal me estou a sair nisto?

ELIAS: Mas agora identificas um outro elemento, ao declarares o movimento numa direcção ao invés de permanecer estancado na posição da fúria. Isso volta-nos, uma vez mais, para a identificação de que a fúria não é má, mas se trata apenas duma forma extremada de se exprimir a emoção da frustração, o que não é mau.

GERALD: Captei a coisa. Mas tu disseste... Bom, permite que teste de novo esta suposição. Quando me encontro nesses estados emocionais, a habilidade de criar acção – em termos do que designo como acção útil como quando passo para outro estado de processamento da forma, o que obviamente se traduz por uma forma de juízo qualitativo – não se revela tão útil como quando passo a um estado de processamento da forma como aquilo irá funcionar e passo a criar a partir daí. Por isso, onde residirá a minha linha de base, tal como a designas? Onde é que estou por fora? Talvez seja a mesma coisa. Talvez seja condenação. Talvez esteja a operar algo. Ajuda-me a compreender.

ELIAS: ACHA-SE envolvido na condenação.

GERALD: Mas é claro. Tudo envolve juízo, não será?

ELIAS: Não completamente. (A rir)

...

Agora; nesse sentido, à medida que te permites reconhecer no momento que a tua expressão consiste numa simples escolha e de que isso não é errado, também passas instantaneamente a afectar a percepção, a qual (por sua vez) afecta aquilo que estiveres a criar.

...

À medida que prossegues com a identificação de certas expressões de irritação como más ou erradas, crias um movimento subjacente em termos de energia.

GERALD: Está bem, entendi. Pois. Muito bem, falemos então disso. E em relação a esse movimento subjacente?

ELIAS: Este movimento subjacente de energia perpetua a própria expressão em que não desejas permanecer.

GERALD: Entendido.

ELIAS: Porque nessa identificação tu expressas uma falta de aceitação pessoal assim como uma falta de aceitação dos outros e da situação. Crias uma condenação e nessa condenação perpetuas a intensidade da acção.

Quando, com o reconhecimento de estares unicamente a expressar a escolha duma conduta, e de que tal conduta não é errada – porquanto não passa duma expressão – tu passas a aprovar-te a ti próprio e a voltar a tua atenção para ti próprio.

Um dos elementos que mais perpetuam a fúria consiste na projecção da atenção para fora de si próprio; a projecção da atenção para a situação do outro indivíduo.


GERALD: Certo, é isso ou...?

ELIAS: Ou centrar a atenção pessoal em si próprio, permitindo-te desse modo abrir a atenção a um maior número de escolhas.

GERALD: Está bem. (Boceja) Portanto, vamos voltar atrás ao comentário que fizeste acerca do que estarei presentemente a obter. Uma das primeiras coisas que fizeste foi abrir um buraco no meu pensar em termos do modo como enquadro... Vamos ver. Eu tenho vindo a processar aqui em múltiplos níveis, e não consigo lembrar-me do que diabo falaste à pouco!

ELIAS: Ah, ah, ah, ah, ah!

GERALD: Estou certo de conhecer os termos que empregaste mas em termos do seu significado... Está bem, então...

ELIAS: Com relação ao movimento e à expectativa.

GERALD: Pois, e voltar a atenção para nós próprios. Certo, então eu volto-me de novo para esta distinção, focando-me em mim próprio. A questão reside em nos focarmos fora de nós. A irritação e a fúria estão sempre relacionadas com o exterior, e é isso que nos mantém bloqueados, em vez de nos voltarmos para dentro e de tomarmos consciência das escolhas. Óptimo, fiquemos por aí. Vamos debruçar-nos sobre a forma de pensar que nos conduz para fora dessa espiral e nos volta do exterior para o interior a fim de procedermos a escolhas. Que é que dizemos a nós próprios, ou que será que devemos dizer a fim de voltarmos a focar-nos?

ELIAS: Podeis permitir-vos, antes de mais, reconhecer que aquilo que expressais...

GERALD: ...É adequado.

ELIAS: ...É aceitável.

GERALD: Sim, entendi. O primeiro passo - o qual é sumamente importante.

ELIAS: Assim que tiverdes...

GERALD: Realmente não me parece que tenha grande problema com isso.

ELIAS: Assim que tiverdes...

GERALD: Não é problema meu. Tenho facilidade em zangar-me!

ELIAS: Ah, ah, ah, ah, ah!

GERALD: Maldição! Eu quero o que quero!

ELIAS: Ah, ah, ah, ah, ah! Assim que...

GERALD: Ena. Bom, talvez eu não... Porque, quero dizer, pressinto aí uma espécie de risco a dobrar. Porque como acontece com a minha família, quando fico zangado não sinto prazer em permanecer nesse estado emocional sabes, por não o achar justo para as pessoas! (A rir)

ELIAS: Ah, ah, ah!

GERALD: Por isso é tipo, eu sinto-me invadido pela fúria e, “maldição, estais a fazer-me isto”! De qualquer modo, pois, eu entendo o que dizes. Muito bem, podes continuar. Desculpa. Os comentários que faço ao estilo rodapé distraem-te?

ELIAS: Não. (A rir)

GERALD: Então está bem. Tu pareces lidar com isso com tremenda facilidade!

ELIAS: Assim que vos tiverdes permitido reconhecer que essa expressão é aceitável, também sereis capazes de vos permitir voltar a atenção para vós próprios, ao invés de a focardes no outro ou na situação.

Nesse sentido, quando voltais a atenção para vos próprios, também vos podeis permitir detectar aquilo que estais de facto a criar...

GERALD: Está bem, entendi isso. Agora estás a falar sobre a consciência pessoal a operar, não é?

ELIAS: Exacto.

GERALD: Está bem, entendi. Então é quase como uma luz que surge – e como nos encontramos carentes de luz – o que pressupõe uma escolha em virtude dessa perspectiva.

ELIAS: Exacto. Vós TENDES opção de escolha em meio a TODAS estas situações.

GERALD: Pois, sempre. Ter consciência é uma coisa mas penso que trazer à consciência a noção de termos escolha é aquilo sobre que estamos aqui precisamente a tratar. Sim, temos sempre, pois.

ELIAS: Tens toda a razão.

Nesse sentido, aí é que reside a questão, em vos familiarizardes convosco próprios, e reconhecerdes estar a criar uma miríade de atitudes com essa expressão da fúria.

Identificais objectivamente o facto de estardes a empreender determinada acção – encontrais-vos zangados e estais a expressar essa zanga. Podeis identificar aquilo que avaliais como causa dessa zanga, coisa que em grande parte, conquanto nem sempre, a causa é identificada como alguma acção que ocorre fora de vós. Mas ao vos familiarizardes convosco próprios e com as vossas respostas automáticas, o que não requer nenhum processo de pensamento...

GERALD: Não, não requer qualquer elaboração por parte do pensamento, pelo menos conscientemente. Para mim as respostas automáticas constituem a execução - a uma velocidade mais rápida do que podemos detectar - daquilo sobre que estamos a pensar.

ELIAS: (A rir) O que não compreende qualquer pensamento!

GERALD: Bom, nesse caso que coisa será isso?

ELIAS: (A rir) É um movimento de energia.

GERALD: Ah, muito bem! Excelente! Muito bem dito!

ELIAS: O pensamento...

GERALD: Então trata-se de movimento da energia. Uma das coisas com que constantemente tento lutar no meu trabalho é com estas distinções. Não sei se escutaste a conversa que tive com a Mary sobre aquilo que faço, mas penso que o tenhas feito. A esta altura, é claro, estou a brincar!

ELIAS: Ah, ah, ah, ah!

GERALD: É, mas tudo bem! (A rir) Não consigo evitar brincar contigo a esta altura! (Elias ri) Então eis aquilo que pretendo transmitir. A distinção assenta na energia. Vamos debater esse aspecto. Portanto, quando não estamos a pensar, assemelha-se um pouco ao hábito, certo? O hábito assemelha-se... Digamos que o hábito pode ser como irmos a conduzir o carro e sermos capazes de evitar uma situação ou de atingirmos outra viatura com mais rapidez do que podemos imaginar. É o que chamarias de movimento de energia.

ELIAS: Exacto.

GERALD: Tudo bem. Trata-se dum conceito poderoso! Como havemos de fazer com que a energia... Portanto se existir um modo vigoroso de pensar ou de ser ou de deixar de pensar... Deixar de pensar no pensar. Chamo a isso não pensar no pensar - apenas cá comigo. Portanto, como haveremos de conferir movimento à energia quando outras coisas se tornam um hábito, como algo mais útil... Está bem, aí existe condenação, não? Estavas a referir considerarmos um estado emocional – estávamos a falar da fúria – que se ache em decurso, e tomarmos consciência dela... Não tenho a certeza. Que estarei para aqui a dizer?

ELIAS: Ah, ah, ah, ah, ah!

GERALD: Está bem, vou voltar atrás. Eu estou sempre a tentar pensar... Eis onde eu quero chegar com isto, Elias. O meu foco... Como te estás a referir à minha pessoa e eu me volto para o seguinte - de que modo hei-de ajudar? As funções que desempenho consistem em prestar auxílio aos outros em situações de pânico ou de despertar ou o que quer que seja que eles fazem, auxílio a manifestarem mais aquilo que pensam fazer e aquilo que fazem de facto, e a primeira coisa que tenho que fazer é reconhecer e fazer emergir à luz, tal como tu estás a fazer comigo. Por isso, Estou só a tentar descobrir uma maneira de processar isso e de o apresentar, não só a mim próprio mas aos demais.

ELIAS: Precisamente.

GERALD: Mas eu estou aqui a operar em múltiplos níveis, contigo.

ELIAS: Pois, e aí é que reside a questão, e a razão porque estamos a ter este diálogo.

GERALD: E qual é essa questão? Diz-me de novo! (Riso)

ELIAS: A possibilidade de poderes adoptar esta informação em relação ao modo como te relacionas com os outros.

GERALD: Pois, mas será que eles notarão? O mundo ao meu redor vive na frustração, sabes, e a frustração constitui o maior obstáculo à capacidade de produzirmos as acções que dizemos querer. Que pensas sobre o que acabei de declarar?

ELIAS: A frustração pode tornar-se muito motivadora, por ser um indicador.

GERALD: Sim, é um indicador. É tudo o que ela é.

ELIAS: Ela permite-vos reconhecer que não concedeis a vós próprios acesso a uma perspectiva das vossas escolhas.

GERALD: Sim, de facto, porque se traduz por um estreitamento do foco.

ELIAS: Exacto.

GERALD: Pois, isso é óptimo. Faz-me lembrar algumas coisas.

ELIAS: Bom; O hábito consiste na manifestação duma acção familiar objectiva, o que não engloba necessariamente a expressão do pensamento. Não precisais pensar a fim de criardes movimento.

GERALD: Isso é verdade. Estou bastante consciente... Isso permanece bastante inconsciente para mim, sim! (Riso)

ELIAS: O pensamento consiste apenas numa manifestação do modo como manipulais a energia na vossa dimensão física, e é relativo a determinadas dimensões físicas, porquanto noutras expressões da consciência é completamente desnecessário.

GERALD: Bom, como no mundo dos sonhos. Não tenho muita certeza sobre se o pensamento o alcança.

ELIAS: Tens razão.

GERALD: Pois. Pois, alguma outra coisa acontece.

ELIAS: Qualquer acção em termos de energia ocorre no nível subjectivo. A recordação que tendes dos sonhos consiste numa tradução em termos objectivos.

GERALD: Pois, já entendi.

ELIAS: Por isso criais imagética, a qual consiste numa tradução em termos de pensamento, das acções que empreendeis ao nível subjectivo...

GERALD: Pois, os pensamentos representam o mesmo tipo de coisa. Consistem em palavras mas quando eu observo as palavras, elas parecem-me simples. Mas representam uma grande objectivação da energia.

ELIAS: Sim.

GERALD: Como me estou a portar ao lidar com esse conceito? Quando respondes que sim, queres dizer...?

ELIAS: Sim, estás certo.

GERALD: Óptimo. È divertido falar contigo, a propósito!

ELIAS: Ah, ah, ah, ah, ah!

GERALD: Permite que partilhe contigo alguns comentários aparte e em seguida continuamos. A Mary diz que és verdadeiramente determinado na ordem de trabalhos que estabeleces. Também parece... Mas, à giza de rodapé, qual é o teu... Aqui estás tu a operar ou a falar comigo de onde quer que tu falas, e tal como nós humanos gostamos de chamar a isso, temos uma missão na vida, e tu fazes-me sentir que tens uma missão. Em que consistirá essa missão no global? Que missão terás na vida? Ainda que tenha consciência de estar a usar isso em termos figurados...

ELIAS: Precisamente! Ah, ah, ah, ah, ah!

GERALD: (Riso) ...Virtuais — Estou a utilizar termos virtuais. Quer dizer, eu já nem sei mais onde reside a diferença!

ELIAS: Ah, ah!

GERALD: É um estranho estado para se escolher. Estou ciente de que as pessoas têm consciência da vida e do que não seja viver...

ELIAS: Mas realmente não estou a cumprir qualquer missão, nos termos que vos são usuais, mas...

GERALD: Mas abrigas uma intenção ao falares comigo, porque o facto de te dirigires a mim pressupõe isso, não?

ELIAS: A intenção que tenho é a de vos responder. (1)

GERALD: Bom, está bem. Aah, pois, mas...

ELIAS: Em termos colectivos...

GERALD: Vamos assumir uma suposição. Existe muita gente semelhante a ti; refiro-me a gente no sentido figurado! (Ri junto com Elias) mas eles não escolhem expressar-se do modo como tu respondes...

ELIAS: Exacto.

GERALD: ...Neste domínio, neste domínio físico.

ELIAS: Exacto.

GERALD: Está bem, então tu... Que será que terá servido de apelo para te levar a responder?

ELIAS: Eu sinto-me motivado a criar este tipo de troca de energias a título de exploração.

GERALD: Ah, está bem. Mas que é que estás a explorar?

ELIAS: A manipulação da energia filtrada através de distintas camadas da consciência a fim de me relacionar com uma expressão física da consciência a partir daquela (expressão de consciência) em que foco a minha atenção.

GERALD: Sim, entendo-te. Entendo-te.

ELIAS: A manipulação da energia através destas camadas da consciência representa um desafio, e isso motiva-me a atenção, em responder às vossas questões deste modo.

GERALD: Pois, está bem. Entendido. Nesse caso, aconteceu teres localizado a Mary tão prontamente quanto ela clamou pela tua vinda, por assim dizer, ou estabeleceu o contacto, e vós fizestes um pacto. É desse modo que vejo a coisa. (Elias ri)

ELIAS: Ao contrário, eu escolhi este indivíduo como elemento dinamizador da consciência por permitir uma menor interferência na exploração que faço deste modo, com a manipulação de energia, e por ter reconhecido que ele (Mary) não influenciará outras pessoas por processos objectivos de relacionamento que possam ser contrários ao movimento que expresso.

GERALD: Está bem, voltei a perder o fio à meada. Desculpa. Vamos voltar atrás.

ELIAS: Ah, ah, ah, ah, ah!

GERALD: Quando falas, sabes, tens... De qualquer modo, eu hei-de melhorar nas nossas conversas futuras. De momento estou como que a agarrar-me a cada palavra tua! (Elias ri)

ELIAS: O Michael não cria obstáculos em relação a esta troca de energias nem se relaciona com ninguém na vossa dimensão física que possa ser contra ao meu movimento de energia em relação às pessoas da vossa dimensão física.

GERALD: Certo, então isso... E a última parte foi sobre a relação do modo como escolheste a Mary, por assim dizer.

ELIAS: Exacto.

GERALD: Está bem, entendido. É fascinante! Todo este material é intrigante para mim, sabes? (Elias ri) Quando utilizo o termo intrigante aquilo que quero dizer é... Eu não me interesso mais por acreditar ou o que seja real ou deixe de o ser, sabes, mas se isso faz sentido em termos intuitivos. Que pensas deste comentário?

ELIAS: Confirmo-to em reconhecimento por ser real!

GERALD: Pois. Bem, está bem. Bem visto! (Riso)


ELIAS: Ah, ah, ah, ah, ah!

GERALD: Bom, eu não ambiciono isso nem procuro ajuizar com base nesse aspecto. É quase como se o pensamento para mim fosse, “de que modo será esta informação válida ou relevante para mim”? E eu olho para mim próprio e estabeleço a ponte (a rir) por isso...

ELIAS: Ah! No apurar da sua relevância é que reside a questão e não se é válida, porque toda a informação é válida.

GERALD: Está certo, bem visto isso da validade. Muito bem mesmo! Toda a informação é válida. Mas de que modo alcançará isso relevo? Vamos conversar mais sobre isso. Vamos avançar com isso, está bem? Falemos mais sobre como isso será relevante, a título de comentário, em contraste com a validade. Vamos considerar o contraste entre ambos os aspectos.

ELIAS: Precisamente...

GERALD: Diz-me o que pensas.

ELIAS: Com isso, a informação que vos estendo a todos é relevante, porque todos vós escolhestes participar no movimento desta mudança na consciência, o qual...

GERALD: Sim, é sobre isso que tenho andado a ler. Tu falavas sobre uma das tuas intenções, e eu comentava com os meus botões, “que andará o Elias a fazer senão a responder”, se assim posso dizer. Mas trata-se duma resposta em relação a qualquer coisa relacionada com alguma mudança na consciência que esteja a ocorrer. Fala-me mais dessa forma de pensar.

ELIAS: Este é um movimento que todos VÓS criastes na vossa dimensão física, e com essa acção, todos participais e vos achais a ampliar a vossa consciência, coisa que provais continuamente a vós próprios...

GERALD: Que estamos a criar.

ELIAS: Exacto. Nesse sentido, à medida que ampliais a consciência que tendes e vos centrais na periferia das vossas percepções na vossa dimensão física, estais igualmente a redefinir grande parte da vossa realidade.

GERALD: Óptimo. Pois; vamos falar sobre algumas das dimensões que redefinem a realidade e o que queres dizer com isso. Fornece-me alguns exemplos nesse sentido, segundo a opinião que tens.

ELIAS: Um dos conceitos que estais a redefinir na vossa realidade é o conceito que tendes de vós próprios enquanto seres multidimensionais, ao invés de entidades singulares manifestadas na dimensão física.

Estais igualmente a redefinir as associações que estabeleceis com as crenças religiosas e científicas. Elas também se deslocam na proporção em que vos redefinis a vós próprios, porque a vossa própria redefinição anterior a esta mudança na consciência foi criada em relação às vossas crenças religiosas e científicas.

GERALD: Bom, isso afecta tudo o mais. Quando nos redefinimos a nós próprios, então surgem novas possibilidades e as escolhas ampliam-se, pelo menos essa é a suposição que faço. Que tal me estou a sair?

ELIAS: Exacto.

GERALD: Está bem; entendido.

ELIAS: Nesse sentido, à medida que vos redefinis também redefinis a vossa realidade.

GERALD: Correcto, o que redefine o sentido de todas as coisas. A suposição que fazia... Vamos lidar com a suposição que estamos aqui a empregar, ou pelo menos com o que eu interpretava anteriormente - não anteriormente; apenas recentemente li algumas das transcrições das tuas sessões.

Portanto, Sucede esta mudança na consciência, não é mesmo, e a mudança que estou a introduzir concentra-se nesta redefinição do eu, e muitas vezes, quando nos redefinimos a nós próprios o mundo torna-se diferente porque de repente dispomos dum filtro e dizemos: “Oh, não!” (Riso) Uma das coisas que penso escutar, ou pelo menos é isso que consigo conciliar neste momento - ou estou para aqui a tecer - é que não desejamos que as pessoas de repente exclamem: “Hei! Puxa vida! Que se terá passado? Estou a passar-me! Estou a ser acometido por alguma experiência psicótica!”

ELIAS: Pois...

GERALD: Esse tipo de coisa, sabes?

ELIAS: VÓS não desejais participar em tal acção e por isso todos vós colectivamente possuís uma consciência que se expressa interiormente que vos diz precisardes de assistência da parte de outras essências, em termos de consciência...

GERALD: Outras partes multidimensionais de nós próprios, por assim dizer.


ELIAS: Exacto.

GERALD: Entendido.

ELIAS: E nesse sentido, permitis-vos aceder objectivamente à informação, a qual possuís mas que esquecestes...

GERALD: Pois, isso sempre se achou presente. Sim, entendo-o.

ELIAS: ...Mas, à medida que vos permitis assimilar objectivamente esta informação, também eliminais muitas expressões de trauma associadas à escolha que elegestes inserir nesta mudança na vossa realidade.

GERALD: Para mim faz sentido. Por isso, de certa forma, tu e eu achamo-nos ambos alinhados dessa forma. De certa forma eu estou a ajudar as pessoas a fazerem o mesmo. Apenas não o situo desse modo.

ELIAS: Precisamente. (A rir)

GERALD: Quer dizer, é tudo a mesma coisa, porque se formos capazes de ajudar as pessoas... Eis o que eu penso. Eu estou aqui a fim de ajudar as pessoas a questionarem as suposições que alimentam com relação a tudo o que assumem como real, não é? Agora; é claro que tudo aquilo que pensamos é real, só que esquecemos que o criamos. Portanto, se tivermos consciência de o termos criado, podemos criar algo diferente e não subsistir qualquer indício que nos diga que o fazemos, porque pensamos ser real. No entanto é. Estou ciente de teres dito que tudo é real, correcto?

ELIAS: Pois.

GERALD: Bom, e é, mas... Não existe “mas” aqui. Essa suposição, em cuja base opero, é que se fôssemos capazes de aceder a outras escolhas, podíamos criar alguma coisa diferente – outra coisa real.

ELIAS: Pois.

GERALD: Está bem, e isso deve incorporar uma maior realização, por assim dizer. Penso que, num certo sentido, aquilo que se interpõe no caminho da realização de sentido de valor, se quisermos aplicar um termo desses, se traduz por este sentimento de nos sentirmos bloqueados.

ELIAS: Sim.

GERALD: E aí passamos aos estados emocionais do temor ou da fúria ou algo que se lhe assemelhe, e então isso estreitece-nos o foco da atenção. Estarei a acompanhar?

ELIAS: Estás.

GERALD: Diz-me o que pensas do que acabei de referir.

ELIAS: Bom; à medida que prossegues e te permites expandir a tua consciência também passas a dar atenção à periferia e passas objectivamente a reconhecer que de facto tudo aquilo que estás a criar não passa duma exploração, pelo que não tem importância...

GERALD: Aquilo que exploremos.

ELIAS: ...O que quer que experimenteis, porquanto tudo se resume a um movimento de exploração.

GERALD: Muito bem dito; muito bem dito. Permite que partilhe contigo uma das coisas que comecei a dizer às pessoas quando elas me perguntam o que é que estou a fazer na vida. Eu digo ter vontade de criar. Apenas crio, e exerço a prática de dar atenção ao que acontece. É para isso que aqui me encontro.

ELIAS: Absolutamente.

GERALD: É uma prática do tipo de nos tornarmos deuses, por isso tudo bem. Óptimo. O estado de manifestação...

ELIAS: Mas dir-te-ei igualmente que entretanto, por assim dizer, as pessoas andam à procura de informação sobre como avançarem com as suas criações objectivas enquanto dão prosseguimento aos juízos de valor. Por isso...

GERALD: É um desafio! (Riso)

ELIAS: Pois. Portanto, eu abordo-vos a cada um e ofereço-vos informação de forma que possais permitir-vos redireccionar a vossa percepção e ver o que estais a criar no momento de um modo diferente, o que permitirá que abrais uma janela para uma maior realização pessoal, com o que, eventualmente, e em conjugação com o processo que concebestes...

GERALD: Processo... Quer dizer a escolha do que estamos a manifestar aqui neste mundo físico enquanto seres humanos?

ELIAS: Exacto, pois vós sentis-vos bastante enamorados pelos processos!

GERALD: Oh, absolutamente! Eu certamente sinto-me!

ELIAS: Ah, ah, ah, ah, ah!

GERALD: (Riso) “Querida, vamos criar mais processos”!

ELIAS: (A rir) E nesse processo, haveis de vos familiarizar convosco próprios e ampliar a vossa consciência e abrir-vos às vossas escolhas - processo esse em que eventualmente, haveis igualmente de reconhecer objectivamente – e não só em termos subjectivos – que não tem importância; que tudo aquilo que criais consiste numa forma de exploração, e que só a expressão das crenças vos dizem que uma direcção seja melhor que outra, ou que determinadas escolhas sejam boas enquanto que outras são danosas.

GERALD: É irrelevante, em vez disso. É tipo - o que acontece, acontece. Trata-se duma expressão de energia, ponto final.

ELIAS: Exacto.

GERALD: Pois, é um lembrete sistemático, e por vezes tenho mesmo que me recordar “pois aqui estamos” - poderemos dizer - “em virtude do processo em que nos achamos empenhados”, para te citar da melhor forma de que sou capaz, e o pensamento sucede ao mesmo tempo como um mecanismo de filtragem que ajuíza, por assim dizer. Por isso, trata-se deste equilíbrio do saber... Quer dizer, parte da minha mente diz tratar-se duma condição da mente. É algo que... Em virtude de nos concentrarmos, de mantermos um foco corporal, pronto nós condenamos e descriminamos e procedemos a distinções. Contudo trata-se do jogo. Que pensas disto?

ELIAS: Posso-te dizer que é na identificação que reside o condicionamento. Não se trata duma qualidade inata do pensamento mas que vos condicionastes à criação de juízos de valor por meio do processo do pensamento.

GERALD: Certo, está bem. Entendido. Pois. Bem dito. Tenho que me lembrar disso.

É interessante, sabes, que fales desta mudança que está a decorrer, ou que talvez já tenha ocorrido, pela forma como estamos a manifestar esta mudança, seja lá o que for. Para onde me havia de dirigir com isso? Não estou certo.

ELIAS: Ah, ah, ah!

GERALD: Tenho que te dizer que é um enorme prazer falar contigo!

ELIAS: Ah, ah, ah, ah! Mas eu posso dizer-te o mesmo, meu amigo!

GERALD: Seria interessante, sabes, ter-te a conferenciar junto comigo na universidade de Chicago. No entanto não te vou convidar por esta altura (Elias ri) apesar de poder pagar-te a cota. Mas algumas pessoas, penso eu, haviam de exclamar: “Que é ISTO?”

ELIAS: Ah, ah, ah! Posso-te dizer que és bem capaz de te surpreender objectivamente mais com o número menor de indivíduos que revelam surpresa na interacção comigo do que acreditas! Ah, ah, ah, ah!

GERALD: É interessante, sabes, porque mesmo as coisas com que confronto as pessoas em relação... Como nas aulas, em que eu falo... Tu sabes, as pessoas falam acerca da natureza do tempo enquanto tu falas do alinhamento que está a suceder, da mudança da consciência, da ciência e da religião... Porque, nós é que mudamos no nosso relacionamento e na realidade elas não mudam; penso que isso foi uma das coisas que referiste. Algumas das últimas teorias que têm aparecido dizem-nos que não existe isso do tempo e que toda a noção que temos do tempo linear... Que nos iludimos e criamos uma existência que nos ajudou a reforçar isso.

ELIAS: É uma concepção da percepção.

GERALD: Pois, é uma concepção da percepção e aquilo que me agrada nisso...

Nota bem, um dos princípios a que me tenho agarrado ou mantenho desde que era garoto de dezasseis - e actualmente já estou na casa dos quarenta - é o da inexistência de tempo e da morte, e agora sinto-me capaz de falar nisso às pessoas sem me surpreender com coisa alguma. As pessoas ficam intrigadas e ninguém diz: “Oh não! É assim!”

A razão porque estou a comentar isso é porque estás absolutamente certo em que provavelmente as pessoas não se surpreendem de todo, ou que... Trata-se mais de contacto.

ELIAS: Essa é uma outra evidência do movimento da vossa mudança.

GERALD: Pois, e eu encaro-o do mesmo modo, sabes? Por isso muitos voltam de novo e eu falo-lhes do que é real ou deixa de ser, ou como nos livros do Seth, gosto do modo como a consciência... Aquilo que percebemos como manifesto é composto de consciência permanente. O que percebemos é... Como contemplar uma mesa e ver como ela é tão estável, como ela se encontra aqui e se acha gasta, e o tempo que a afecta - ou aquilo que cremos ser o tempo a afectá-la. Eu regresso a casa depois duma viagem e não tenho a certeza se se tratará do mesmo espaço, sempre que regresso. É interessante. Bom, isso só acontece por eu ter estado fora. Portanto tu dizes... ou o Seth, em determinados livros, diz... Bom agora parece que desliguei.

ELIAS: Ah, ah, ah, ah, ah!

GERALD: Tenho a certeza que sei aquilo que quero dizer!

ELIAS: Ah, ah, ah!

GERALD: Vai de encontro à mudança na consciência.

ELIAS: Pois, mas eu compreendo o que estás a dizer. Estás a observar o movimento da percepção.

GERALD: Sim, e estou a passar um bom bocado, de formas que eu nem sequer... Se tudo muda ao meu redor neste exacto momento, diria que isso de certeza é muito interessante! Não deve constituir choque nenhum para o meu sistema. Isso fará sentido para ti?

ELIAS: Sob DETERMINADAS expressões. (A rir)

GERALD: Está bem, diz-me lá.

ELIAS: (A rir) Podem existir outras expressões passíveis de se manifestar na vossa realidade com que podes deparar-te e em relação ao que podes criar algumas expressões de conflito.

GERALD: Tenho a certeza que sim. (Elias ri) Tenho a certeza! Isso acontece-me a cada passo, com as pessoas! “Hei, não vais acreditar na minha realidade!”

ELIAS: Ah, ah, ah, ah, ah!

GERALD: Podíamos dizer que se trata da prova. Eu não diria tratar-se duma prova efectiva! (Riso) Está bem, com essa pegaste-me... Não é que me tenhas pegado... Estou só a brincar contigo!

ELIAS: Ah, ah, ah, ah, ah!

GERALD: Bom, possuis um óptimo sentido de humor! Vou-me concentrar noutra dimensão agora... Bom, vou-me focar noutro projecto. Vou ter uma chamada dum cliente daqui a uns instantes e vou apurar qual será a sua percepção e vou fazer treino, e ver de que modo me saí a afectar uma mudança distinta.

ELIAS: Ah!

GERALD: As pessoas acorrem a mim apenas para lidarem... Bom, não é que tenha que recordar sempre isso, porque além disso, eu tenciono, e vou dizer isso à Mary, mas eu pretendo vir a ter múltiplas conversas contigo nos próximos anos. Tu és intrigante e divertido, coisas assim, e são diálogos bastante significativos.

ELIAS: Ficarei na expectativa dessa excitação e diversão, meu amigo!

GERALD: Sim, é assim mesmo que o encaro – excitação e diversão!

ELIAS: Ah, ah, ah! Mas havemos de nos divertir juntos!

...

Excerto:

(1) - ELIAS: Numa atitude de resposta...



Vós, enquanto indivíduos na vossa dimensão física formulastes um pedido em termos de consciência a fim de oferecermos auxílio por meio da oferta de informação que possa reacender a fagulha da recordação em vós, à medida que avançais por esta acção de mudança na consciência. Por isso o meu propósito, por assim dizer, ou o sentido que tomo ao falar com cada um de vós, consiste unicamente em responder ao vosso pedido... E nesse sentido, podeis apresentar a direcção que assumis ou posso oferecer-vos aspectos da informação que podeis começar a examinar em vós próprios e nas próprias direcções que assumis, mas que ainda não clarificastes bem em vós.

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