sábado, 25 de junho de 2011

FÚRIA SEM CONDENAÇÃO



SESSÃO #660
“Exploração da Emoção da Cólera”
“Expressão de Cólera Isenta de Condenação”
“Desafio: Combinar a Cólera com a Diversão”
Quinta-feira, 13 de Julho de 2000 (Privada/Telefone)
Tradução: Amadeu Duarte

Participantes: Mary (Michael) e Bobbi (Jale)

...

ELIAS: Bom dia!

BOBBI: Olá Elias! Bom dia para ti! (Elias ri)

Bom, tenho vindo a ter algumas conversas com diferentes pessoas ultimamente, em relação à emoção da cólera, pelo que é mais ou menos a direcção em que gostaria de me voltar esta manhã. De facto até escrevi aqui uma pergunta, portanto se concordares passaria a lê-la e poderás passar a comentar.

ELIAS: Muito bem!

BOBBI: Não poderás falar sobre a emoção da cólera? Eu sinto um grande número de sentimentos confusos com relação à cólera. Em grande parte não me agrada. (Elias ri) Pessoalmente costumo levar tempo a encolerizar-me, e preciso sentir-me completamente danada para me expressar em termos coléricos, mas quando sou levada a esse ponto, a coisa avoluma-se e prevalece por um longo período de tempo. Sei que há pessoas que gostam disso mas no meu caso eu trato de o evitar sempre que possível. A percepção que tenho é que parece uma emoção desproporcionada e confusa capaz de causar conflito e mágoa. Também se assemelha a um avolumar da energia, das situações e dos movimentos.

Eu condeno duramente as expressões de cólera que tenho – na verdade toda e qualquer expressão de cólera – ao mesmo tempo que o justifico quer pela culpabilização da outra pessoa quer atribuindo culpa à situação. Quando me sinto zangada com outra pessoa, e como estou a criar a minha realidade na sua TOTALIDADE, nesse caso não estarei a zangar-me comigo própria?

Nesse sentido... Bom, deixa-me lá ler isto. Se me sinto zangada com outra pessoa ou mesmo com uma situação, não se tratará da percepção que tenho da outra pessoa ou da criação ou percepção que tenho da situação com que me sinto lixada, e isso não tornará a cólera numa expressão de falta de aceitação pessoal?

Se procuramos todos expressar-nos a partir da essência e nos voltamos para nós em busca da origem do conflito, poderá nesse caso subsistir alguma expressão de cólera? Porque isto soa a contradição. Se eu estivesse a praticar isso – a voltar-me para mim e a expressar-me a partir da essência – penso que com toda probabilidade a expressão da cólera devia ser diferente. Mas geralmente, a cólera traduz-se por uma erupção espontânea duma emoção tal que as expressões que ela assume se tornam bastante espontâneas e automáticas. Por isso, qual será o aspecto duma expressão da essência em termos de cólera?

Tenho um outro grupo de perguntas que o Ron e a Vicki e eu colocamos, além da Mary. Posso avançar com elas ou devo fazer uma pausa?

ELIAS: Vamos ver as questões que já estás a colocar porque até ao momento já colocaste várias.

Quanto à emoção da cólera e à identificação dessa expressão em particular, ela consiste na expressão duma emoção. Uma emoção a que atribuístes convicções bastante vigorosas em associação com ela e com essa atribuição das opiniões que associais a essa emoção em particular também alterais a sua expressão. Estás a acompanhar até aqui?

BOBBI: Estou.

ELIAS: Nesse sentido, a própria cólera não passa da expressão dum desassossego e duma forma de agressão.

Agora; nenhuma destas identificações constitui aquilo que designais como negativo ou positivo, apesar de ambas poderem ser encaradas em situações específicas como negativas ou positivas. A agressão pode ser encarada duma forma positiva, assim como de um modo que designaríeis como destrutiva, dependendo da percepção que tiverdes da própria expressão e a percepção do objectivo da expressão.

Bom, vós desenvolvestes identificações e definições e associaste-as a essa emoção em particular, devido a que ela se expresse com intensidade. Também pode ser manifestada com espontaneidade e muitas vezes é expressada em relação a um estímulo externo. Outras emoções podem ser manifestadas em conjugação com elementos externos mas muitas vezes também podem ser criadas em associação convosco, em termos singulares, por assim dizer. A cólera também pode ser expressada de forma singular mas em grande parte, a expressão de cólera que manifestais tem lugar em relação a influencias externas, por assim dizer.

Nesse sentido, em relação à associação que ela apresenta com a duplicidade, vós criastes identificações e definições vigorosas em relação a essa emoção em particular. Poucos, na vossa realidade física encaram a emoção da cólera como positiva. A maioria encara-a como prejudicial, destrutiva, negativa, danosa, e com toda a honestidade, má! (A rir) (1)

BOBBI: É!

ELIAS: Agora; deixa que te diga também, tal como já referi com relação a outros assuntos, o vigor da condenação que teceis a essa emoção em particular reverte sob a forma duma tremenda contribuição para a sua perpetuação. (2)

Nesse sentido, à medida que concentrais a vossa energia na expressão da condenação com intensidade, no mal que essa emoção particular traduz e no facto de dever ser eliminada ou ser reconfigurada a um tal extremo que deixe de ser reconhecida, vós continuais a perpetuar a expressão actual que encarais como má. Já tive ocasião de acentuar isso muitas, muitas vezes, em diferentes situações, por se tratar duma acção efectiva que empreendeis em variadíssimas questões. O próprio elemento que não desejais perpetuar ou que desejais alterar, vós PERPECTUAIS, por meio da condenação que concentrais nele, e quando vos permitis aceitá-lo, também deflectis, por assim dizer, o poder que é sustentado na preservação dessa expressão.

Quanto à tua pergunta acerca da aceitação e da tua expressão da cólera no relacionamento com outro indivíduo, e se não representará uma falta de aceitação de ti própria, tens razão, pois representa. Vós criastes uma identificação da cólera como sinónimo de condenação.

BOBBI: Pois. E não será?

ELIAS: Não. Trata-se unicamente duma emoção que é expressada com intensidade sob a forma de agressão. Vós alterastes essa expressão e reconfiguraste-a e criastes uma outra concepção que passais a identificar como cólera. Mas a própria emoção actual não é totalmente aquilo que identificais no juízo de valor que fazeis.

Deixa que te diga, para me voltar para outra das tuas questões sobre o assunto, que em conjugação com esta Mudança que a Consciência atravessa, à medida que prosseguis com a inserção desta Mudança na Consciência na vossa realidade objectiva e vos deslocais de forma crescente no sentido da aceitação, vós não estais a eliminar - tal como declarei previamente - as expressões básicas da vossa realidade.

Vós não estais a eliminar as crenças que possuís nem as emoções; não eliminais os pensamentos nem as vossas expressões sexuais. Tudo isso são elementos básicos da concepção desta dimensão física particular, que continuais a expressar. Apenas estais a alterar a sua expressão por meio da aceitação pessoal e das opiniões, e isso na verdade altera a vossa realidade e amplia-vos a consciência. Nesse sentido não estais a eliminar as expressões de qualquer das vossas emoções.

Na medida em que esta mudança se opera em cada um de vós haveis de continuar a expressar cada uma das emoções que presentemente expressais, pois isso consiste num aspecto desta dimensão física que vós criastes de forma bastante propositada, a fim de explorardes a expressão física. Mas ao removerdes a expressão ou o aspecto da condenação duma emoção em particular, a sua expressão pode aparentar ser completamente diferente daquilo que presentemente identificais como sendo essa emoção.

Também vos referi há pouco tempo, e com alguma frequência, que vos achais a redefinir a vossa realidade e nesse acto, à medida que vos permitis identificar as definições que presentemente sustentais nessa realidade, e reconheceis as formas de condenação que associais a tais definições e vos permitis voltar no sentido da aceitação, também estais a alterar a vossa realidade com esse acto de redefinição.

BOBBI: Penso que é aí que se situa a minha dificuldade, na redefinição da cólera. Na discussão que tivemos ontem à noite, sentimo-nos verdadeiramente pressionados a encontrar uma situação em que fossemos capazes de sentir a emoção da cólera – sentirmo-nos zangados – sem qualquer envolvimento de condenação que despertasse essa emoção.

ELIAS: Porque vós estais a associar essa emoção em particular, tal como declarei, à condenação como um sinónimo.

BOBBI: Estamos sim! Não me ocorre nenhuma situação em que sentisse a emoção da cólera sem que fosse despoletada por algum tipo de condenação – seja de nós próprios, ou da situação, ou do outro, ou da expressão que ele assume.

ELIAS: Agora...

BOBBI: Como será que isso… Não entendo de que forma isso opera.

ELIAS: Deixa que te diga, Jale… Isto poderá originar certos elementos de conflito (A rir) em algumas pessoas, mas vamos avançar, a despeito disso. Ah, ah, ah! Identifica para contigo própria aquilo que defines como a emoção da frustração.

BOBBI: Está bem.

ELIAS: Agora; em meio a essa frustração, serás capaz de a expressar duma forma destituída de condenação? (Pausa)

BOBBI: Sim.

ELIAS: Exacto. Pois, podes expressar frustração sem teres necessariamente que criar condenação associada a essa emoção.

Bom, vou-vos “sacudir o barco” uma vez mais e dizer-vos que procedeis, nas vossas crenças, à identificação duma distinção entre a cólera e a frustração. Encarais a cólera e a frustração como sendo expressões diferentes e distintas. Mas eu digo-te que ambas consistem em aspectos da mesma emoção.

BOBBI: Está bem, aspectos da mesma emoção; porém, não particularmente o mesmo, é?

ELIAS: CONSTITUEM a mesma emoção. Ambas são aspectos da mesma emoção, porque vós dividistes a expressão.

Vós criastes uma divisão na expressão, associastes um dos aspectos à condenação, e adoptastes esta expressão particular da emoção em associação à vossa falta de aceitação pessoal.

Agora, deixa igualmente que te diga, em termos bastante realistas, que na verdade isso é bastante benéfico, por se tratar duma expressão objectiva, exteriorizada e óbvia que serve de indicador ou um ponto focal, por assim dizer, de vós próprios.

Já vos referi a todos muitas vezes, não existirem quaisquer aspectos ocultos em relação a vós próprios, nem nenhum elemento pessoal que se vos não ache disponível em termos objectivos. Trata-se unicamente duma questão de vos permitirdes prestar atenção a vós próprios e de vos familiarizardes convosco e detectardes o que estiverdes a criar na vossa realidade.

Ao te familiarizares contigo própria também te permites identificar a forma COMO estás a definir as tuas expressões, AQUILO que expressas, e a RAZÃO porque expressas do modo que escolheste expressá-lo.

Na realidade a cólera consiste numa emoção benéfica e útil na forma como escolheste expressá-la, associada como está às tuas opiniões e ao modo como elas se acham ligadas à duplicidade. Porque, de cada vez que experimentas a definição que dás à cólera também te permites projectar uma expressão óbvia e objectiva da falta de aceitação de ti própria, o que te propõe igualmente uma oportunidade de identificares e alterares essa expressão.

Com isso permite-te reconhecer que a cólera e a frustração traduzem uma só e mesma emoção. Por isso podes expressar essa cólera sem condenação. Pode ser expressa como uma expressão emocional objectiva, o que na realidade traduz a sua concepção.

BOBBI: Eu compreendo que faça parte disso, e sou capaz de o perceber. Mas estou a pensar em situações específicas, como quando nos achamos em conflito com outro indivíduo…


ELIAS: Muito bem.

BOBBI: …E ele exprime a frustração que sente, a raiva, a cólera, seja lá o que for, e nos atira com isso de forma violenta.

ELIAS: Muito bem.

BOBBI: Geralmente, e de forma súbita, sentimos eclodir em nós uma reacção violenta.

ELIAS: Exacto.

BOBBI: Nessa altura, realmente deixo de saber onde isso me pode levar. Numa situação dessas, eu digo aquilo que me vem à mente – aquilo que me sai da boca – coisa de que rapidamente me arrependo normalmente, ou eventualmente sinto remorso, mas não exteriorizo. De facto isso vai de encontro à pergunta da Mary; ela resumiu a questão de forma excelente. Já que nenhuma dessas respostas parece ser completamente satisfatória, não existirá uma alternativa para esse tipo de energia? (Pausa)

ELIAS: Deixa que te diga, quando respondes imediatamente, que é que identificas em meio àquilo que estás a criar? Que estarás a expressar? (Pausa)

BOBBI: Bom, geralmente traduz-se por uma reacção ao facto que o outro manifesta para comigo através da cólera que exprime. Por isso eu defendo-me ou passo a descrever-lhe a razão porque estará errado.

ELIAS: Exacto. Agora; percebes o acto do outro como um ataque, não?

BOBBI: Percebo.

ELIAS: E nesse sentido reages num acto de defesa.

BOBBI: Pois.

ELIAS: Percebes a identificação de que na realidade a defesa traduz a tua imediata expressão de falta de aceitação pessoal?

BOBBI: Percebo-o, absolutamente.

ELIAS: Portanto, quando te relacionas com outra pessoa e percebes que a atitude que ela assume se assemelha a um ataque, e reages automaticamente em tua defesa, estás a expressar o reconhecimento da tua falta de aceitação pessoal.

Se traduzisses uma aceitação pessoal genuína, ele poderia projectar energia dirigida à tua pessoa de forma deliberada sob a forma DUM ataque pessoal que isso não penetraria em ti por essa mesma qualidade, porque na tua aceitação pessoal, o acto automático que criarias em lugar da defesa seria o da abertura do teu campo de energia, o qual reconfiguraria a energia que te tinha sido projectada, e que deixarias de receber sob a forma de ataque.

Com isto voltamos à questão do amortecedor. Mas para além do amortecimento está a expressão da aceitação e da abertura, as quais automaticamente criam uma reconfiguração da energia.

Agora; eu compreendo a confusão e o conflito que sentis nesse tipo de relacionamento, assim como também entendo o desejo de reparar rapidamente, por assim dizer, (A rir) o desejo de alteração imediata dessa expressão.

Mas importa que compreendam em termos objectivos aquilo que estão na realidade a criar, e com isso, torna-se sobremodo significativo que vos permitais familiarizar-vos convosco próprios.

Situações há em que podereis ser o sujeito que exprime o ataque e aquele que o projecta, ao invés daquele que inicialmente o recebia, e tal atitude também traduz um acto de falta de aceitação pessoal.

Porque, na projecção do ataque, por assim dizer, que defines como cólera, estás a tentar exprimir ao outro algo numa tentativa de o convencer em relação a algum tipo de informação que diz respeito a ti. Mas não te achas familiarizada contigo! E não convences o outro indivíduo por te achares a expressar essa tua projecção a TI PRÓPRIA.

Por isso, a tua expressão de cólera – segundo a definição que VÓS lhe emprestais – como um acto exteriorizado de expressão duma agressão condenatória – consiste, de certo modo, num tipo desesperado de tentativa de proporcionares a ti própria informação.

BOBBI: Relativa a mim própria.

ELIAS: Exacto. (Pausa)

BOBBI: Hmm. (Pausa)

ELIAS: Permite que te diga que deténs muito mais dificuldade no reconhecimento de não te estares a controlar - segundo as opiniões que sustentas - do que aquilo que exprimes, através do reconhecimento relativo ao controle dele. Vós, na realidade, já expressais de forma bastante objectiva a vós próprios, de que não podeis criar as escolhas do outro ou de que não conseguis controlá-lo.

Vocês camuflam as vossas acções por meio do pensar estardes a tentar alterar a expressão do outro mas na realidade, subjacente a isso estais a exprimir o reconhecimento que obtendes de não estardes a controlar-vos e isso é enervante, porque apesar de não conseguirdes controlar o outro, PRECISAIS expressar controlo pessoal. (Pausa)

Podeis identificar para vós próprios uma forma de reconhecimento - ao vos relacionardes com o outro - de não estardes de acordo – ou, por outras palavras, não preferirdes, ou gostares – de certas escolhas ou expressões de comportamento que esse indivíduo exprime.

Além disso, de algum modo, haveis de expressar para convosco o reconhecimento de não serdes capazes de alterar essa conduta ou escolhas, por não serem escolhas nem conduta vossas que possais alterar, e de que diz respeito ao outro indivíduo continuar a assumir ou alterar o seu comportamento da forma que escolher.

E nesse sentido, a camuflagem que usais – na relação efectiva – consiste na expressão da negação desse conhecimento em vós próprios e numa tentativa de expressar escolhas, ou ditames em relação às escolhas do outro. Isso traduz aquilo que podeis designar como uma camuflagem. Na realidade, a expressão consiste numa condenação sobre vós próprios e na falta de auto-aceitação, as quais estão a ser exteriorizadas pela rama, no âmbito desse relacionamento. (Pausa)

BOBBI: Portanto, então no caso em que… Penso que só dispomos das próprias escolhas e só lidamos com as nossas escolhas, pelo que a escolha se deverá centrar em saber como percebemos a relação do outro e na forma como recebemos essa energia.

ELIAS: Permitindo-vos ter atenção. Vamos utilizar um pequeno exemplo. Achas agradável que outro indivíduo te dite aquilo que deves pensar?

BOBBI: Não.

ELIAS: Precisamente. Por isso, se outro indivíduo te abordar e te disser: “Tu estás a pensar assim” ou “Tu estás a criar deste modo. Estás a proceder daquele modo”, qual será a resposta que hás-de apresentar ao que ele te diz?

BOBBI: Bom, ou, “Não estou nada”, ou então, “Estou sim, mas é isso que eu quero.”

ELIAS: Exacto. Agora; se a tua resposta for, “Não, não estou nada”, porque razão será assim?

BOBBI: Porque eu entraria em desacordo com a percepção dele em relação ao que eu estaria a fazer, suponho.

ELIAS: Mas porque razão hás-de discordar da percepção dele?

BOBBI: (A rir) Porque não se coaduna com a minha!

ELIAS: Precisamente! E que irás fazer com esse desacordo pela identificação da percepção dele?

BOBBI: Desculpa, podes repetir isso?

ELIAS: Que procurarás fazer?

BOBBI: Oh. Bom, vou procurar controlar os pensamentos e a percepção dele.

ELIAS: E tentar convencê-lo de outro modo.

BOBBI: Sim.

ELIAS: E procurar expressar-te, de modo a seres capaz de lhe apresentar uma comprovação referente à sua incorrecção.

BOBBI: Sim.

ELIAS: Ou de que ele estará errado enquanto que tu estarás com a razão e correcta.

BOBBI: Sim.

ELIAS: Mas que conseguireis com essa acção?

BOBBI: Bom, essa é uma boa questão. Por vezes nada. Outras vezes pode dar lugar a um maior conflito.

ELIAS: Ah, vou-te dizer que sempre se conquista qualquer coisa nessas situações! Podes obter uma validação de ti própria se perceberes ser bem sucedida na alteração da percepção do outro. Se não fores bem sucedida na alteração da percepção do outro vais depreciar-te e reforçar as perspectivas que tens com base na duplicidade, em termos de ainda não seres suficientemente boa. (Pausa)

Agora; em relação à tua questão de reparar prontamente a situação, por assim dizer – que irás fazer no momento em que expressas a cólera, no modo como a DEFINES – posso-te dizer que te podes permitir-te assumir atitudes bastante concretas. Concede-te uma paragem. Permite-te tomar folgo porque o acto de respirar, por intermédio da atenção que depositas na inspiração, dá lugar a um abrandamento da intensidade de todas as emoções que te assaltam.

Sob tensão, crias um reforço na intensidade das expressões e das emoções que sentes. E torna-se difícil permitir uma intensificação se permitires que o corpo físico relaxe. Se te permitires um livre fluxo da respiração será difícil dar lugar à tensão.

Podes conceder-te uma paragem por um instante. Volta a tua atenção para a respiração. Desvia-a daquilo que percebes que o outro indivíduo seja e reconhece que a relação que estás a ter é contigo própria, e nesse sentido, o outro ÉS TU. Sentirás vontade de continuar a projectar esse tipo de energia sob a forma de cólera dirigida a ti própria?

BOBBI: Então, na realidade é tipo aquela velha solução do “parar e contar até dez”. Parar apenas por um momento para reagrupar e logo pensar no que se passa.

ELIAS: Nesse momento permite-te reconhecer não ser necessária qualquer solução nem meta. (Pausa) Nesse instante permite-te observar aquilo em que estás a tomar parte.

Enquanto continuares a projectar a tua atenção e a tua energia sobre o exterior, hás-de criar – por meio da identificação que fazes desse aspecto da cólera – um juízo de culpa, e enquanto criares essa situação hás-de perpetuá-la. Em que consiste a culpa?

BOBBI: Em nos voltarmos para fora de nós em busca da causa do nosso conflito.

ELIAS: E na identificação directa e óbvia do certo e do errado.

A identificação da projecção da culpa dirigida a outro indivíduo consiste na expressão de que ele está errado naquilo que assume, e isso traduz uma expressão e uma projecção directa de energia no sentido de o depreciar.

Sem o elemento da duplicidade e da condenação fica-se apenas por uma projecção de energia sob a forma de agressão. E a agressão não é danosa nem negativa; apenas consiste num aumento súbito de tensão.

Com a expressão da condenação configurais essa agressão nos termos dum ataque dirigido ao outro, e vós criais esse acto como uma expressão directa da falta de aceitação pessoal. (Pausa)

BOBBI: Então nesse caso, depois da Mudança se instalar, aquilo que nesse caso definimos como sendo cólera – penso que hoje as minhas perguntas têm que ver com aquilo que definimos como cólera – deverá deixar de existir? Se todos se aceitarem, nessa altura, esses tipos de expressões deixarão de existir?

ELIAS: Não do modo que as estais a expressar no presente. Isso não quer dizer que não continueis a sentir a expressão da cólera.

BOBBI: Deverá ser uma definição diferente de cólera, não será?

ELIAS: Pode ser expressa mais à semelhança de algumas das vossas expressões actuais que identificais como frustração.

BOBBI: Então, numa situação de intensificação desse tipo de coisa, como a raiva… Não consigo imaginar a continuação disso no âmbito duma ausência de condenação.

ELIAS: Isso pode expressar-se também, só que de diferente modo.

Porque com a aceitação, se escolheres adoptar esse tipo de intensidade de expressão em relação ao outro indivíduo, ambos havereis de obter consciência da criação intencional dessa acção SEM precisardes imiscuir-vos no juízo, de modo idêntico à habilidade que tendes de jogar sem precisardes adoptar qualquer sentido de competição. Por isso, a intensidade da expressão pode ser manifestada mas não resultará qualquer inclusão de dano nem de conflito.

BOBBI: Estou a tentar imaginar como seria tal cenário, mas a esta altura, torna-se difícil visualizá-lo.

ELIAS: Estou a entender, e é por isso… Que se expressa com a intensidade das vossas crenças.

As vossas crenças ou opiniões alcançam o extremo, e com isso elas fazem sombra sobre a vossa percepção de um modo que não vos permitis perceber sob mais nenhuma forma e aí reside a questão dos nossos encontros e de eu vos estender informação, a fim de vos permitirdes ampliar a consciência que tendes e passar a aceitar, passando desse modo a alterar a vossa percepção.

BOBBI: Pois, há tanta coisa, tantas opiniões agregadas à cólera ou às ideias que fazemos dela, que se torna extremamente difícil distingui-las a todas.

Bom, para voltarmos atrás, à questão da aceitação, se alguém expressar um juízo negativo em relação a algum outro indivíduo; tipo, “Penso que és mau e terrível por teres feito aquilo, mas eu aceito-me a mim próprio e sinto-me bem em relação à expressão que assumo ao dizer-te isso porque me aceito” soará a uma aceitação genuína – a projecção disso em relação à outra pessoa?

ELIAS: Se vos aceitardes, porque havereis de projectar o juízo dirigindo-o a alguém sob uma forma má ou terrível?

Aquela será a percepção que ele tem. E a sua percepção é influenciada pelas crenças que sustenta. Mas a sua percepção é real. Por isso, aquilo que ele expressar será a percepção que faz de vós, por outras palavras, que ele concebeu na ideia que formou de vós. De que modo poderá isso resultar pela negativa ou danoso no vosso íntimo se vos aceitardes a vós próprios? Porque se vos aceitardes isso deverá ser destituído de importância.

Permite que refira isso de outro modo. Um indivíduo poderá referir-vos serdes egoístas. Bom; podeis reconhecer que a identificação que ele fará do conceito pode ser traduzido em termos negativos, segundo aquela que fazeis. Se vos aceitardes, não terá importância que ele perceba a identificação de egoísmo sob conotação negativa, porque para vós, a identificação de egoísmo pode ser bastante precisa, mas não abrigar qualquer expressão de negativo ou positivo. É o que é. Não passa duma identificação duma qualidade ou expressão que possuís.

BOBBI: Agora; se for eu que diga ao outro que ele é egoísta, que o percebo como um indivíduo egoísta, e isso implicar uma condenação, podê-lo-ei exprimir, ou isso irá… Diabo, não tenho a certeza quanto ao modo como o poderei expressar. Acabei por ficar confusa!

ELIAS: Se podes expressar isso ao outro e continuar a aceitar-te?

BOBBI: Sim, era isso que eu queria dizer. (A rir)

ELIAS: Não.

BOBBI: Está bem, era isso que eu também pensava.

ELIAS: Porque isso consiste numa projecção da condenação.

BOBBI: Certo, e toda a projecção do juízo de valor não poderá traduzir uma verdadeira aceitação.

ELIAS: Exacto, pois. E cada projecção do juízo que estendes está e pode achar-se directamente associada com a tua própria expressão de falta de aceitação de ti própria.


BOBBI: Certo, muito obrigado. Haverá mais algum pensamento que tenhas em relação a este assunto com que gostasses de contribuir?

ELIAS: Ah, ah! Também vos digo que vos permitais perceber a complexidade de condenação que depositais sobre essa matéria da cólera em particular, porque até mesmo em situações em que escolheis voltar-vos para a participação que exerceis enraivecidos, atribuís juízo às acções que podeis optar por alterar nas vossas expressões.

Já referi previamente que podeis estar envolvidos no conflito e que, se escolherdes, podereis deslocar-vos do conflito a fim de procederdes à criação do vosso cenário com base no não-conflito, mas acontece que atribuís juízo igualmente a essa acção. Não é bom afastarem-se. Deveis confrontar cada situação e vivenciar o cenário até à última, de modo a proporcionar para vós próprios uma resposta ou uma solução!

Porque a avaliação é a de que existe algum elemento da interacção que seja disfuncional ou que se ache quebrado, e nisso, precisa ser alterado, ajustado ou reparado.

BOBBI: (A rir) Pois, ultimamente temos tido imensas imagens relacionadas com isso!

ELIAS: Digo-te (A rir) que nenhuma dessas expressões vos parece aceitável!

Por isso, quando vos envolveis em conflito e experimentais a exibição da cólera, reconhecei não se tratar de nenhuma disfunção nem de nada quebrado sequer. Não necessita sofrer qualquer alteração, de ser reparado, nem tampouco ajustado. Podeis apenas reconhecer a influência das crenças que vos afectam a percepção e desse modo coloram o matiz da vossa expressão.

BOBBI: Está bem.

ELIAS: A aceitação consiste numa expressão maravilhosa! (A rir) Ah, ah!

BOBBI: Eu também imagino que sim! (A rir)

ELIAS: E vós estais todos a mover-vos rumo ao seu maravilhoso abraço! (A rir)

BOBBI: Por vezes isso torna-se bastante difícil de perspectivar! (A rir)

ELIAS: Ah, ah, ah! Digo-te uma vez mais que reconheço o grau de dificuldade que muitos de vós experimentais nos avanços em relação à questão da duplicidade que empreendeis. Isso dá lugar a espantosos desafios, mas eu entendo a confusão e o conflito que isso envolve. (A rir)

BOBBI: Parece que brota sob todos os aspectos!

ELIAS: Precisamente! E como sois todos tão eficientes a proporcionar a vós próprios uma tal diversidade de expressões a fim de examinardes essa crença ou opinião! Ah, ah.

BOBBI: (A rir) Sim!

ELIAS: Não sereis assombrosamente criativos?

BOBBI: (Parte-se de riso) Só te digo que é maravilhoso!

ELIAS: Ah, ah, ah! Posso-te também oferecer um comentário final em relação a essa expressão da raiva. Muitíssimos de vós voltais-vos na direcção da seriedade, e especialmente na área da expressão da cólera, vós direccionais a vossa atenção num tal grau de intensidade da seriedade que pode tornar-se um auxílio para vós permitir-vos um momento de atenção em relação a essa tensão.

Permiti a vós próprios reconhecer que todas essas expressões são apenas expressões destinadas à exploração, e que não são tão sérias quanto isso!

BOBBI: Encará-las como uma exploração tem sido um auxílio, quando me ocorre fazê-lo! (Elias ri) Mas por vezes auxilia, por tornar as coisas um pouco mais difusas.

ELIAS: Por isso, se encarardes de modo menos sério também permitireis a vós próprios uma menor tensão e dais lugar à diversão!

BOBBI: (A rir, junto com o Elias) Bom; diversão e cólera – essa deve ser nova!

ELIAS: Ah, ah! Mas na realidade podes – Ah, ah! – empreender tal acção! Ah, ah, ah!

Ah! Nesse caso, isso deverá representar o teu desafio!

BOBBI; Pois! (A rir)

ELIAS: Explora esse acto!

BOBBI: Está bem — humor e cólera!

ELIAS: Ah, ah!

BOBBI: Muito obrigado por tudo isto. Posso apenas colocar-te umas poucas perguntas bastante rápidas?

ELIAS: Podes.

BOBBI: Certo. Será este o foco final do meu Ken – do meu companheiro? (Pausa)

ELIAS: Não.

BOBBI: Qual será a orientação da minha filha Melissa? (Pausa)

ELIAS: Orientação, comum.

BOBBI: Está bem, eu tenho igualmente estado a tentar descobrir a orientação da Kristin/Stephonee. (Pausa)

ELIAS: Primeiro indivíduo, comum.

BOBBI: E a minha irmã Nancy, cujo nome da essência é Mae. (Pausa)

ELIAS: Orientação, suave.

BOBBI: Bom, eu consegui entender algo em tudo o que foi dito! (A rir junto com o Elias) Existirá algum relacionamento entre a mãe do Ken, Jeanne e a Lawrence/Vicky?

ELIAS: Essa é uma pergunta muito vaga! (A Bobby ri) Por isso terei que te dar uma resposta vaga: existe! (A rir)

BOBBI: O que me levou a perguntar foi... Durante o que talvez tenha sido um sonho eu percebi ambos os rostos delas em justaposição e fiquei sem saber o que pensar em relação a isso.

ELIAS: Isso são imagens que representam um reconhecimento duma partilha de focos. Não são da mesma essência, nem tampouco se fragmentaram a partir da mesma essência. Mas essas essências partilham focos, e tu apresentaste a ti própria um tipo de imagens relativas a uma interligação, se assim posso dizer, entre relacionamentos.

BOBBI: Está bem! Isso respondeu à questão! (Elias ri)

Oh, só mais uma questão, a qual hesito em colocar, mas o vou fazer de qualquer jeito. O meu foco em Roma, Catullus é o mesmo que o do poeta Catullus? (Pausa)

ELIAS: Não, mas interage num relacionamento que identificarias como um camarada chegado.

BOBBI: Está bem. Está bem, obrigado. É tudo quanto tinha para o dia de hoje.

ELIAS: Muito bem.

Expresso-te encorajamento para a tua jornada de investigação em relação e essa emoção em particular que é a cólera, (A rir) e para a exploração que empreendes das muitas facetas e aspectos que ela assume e que ainda permaneçam objectivamente desconhecidas para ti! Ah, ah, ah!

BOBBI: Oh, não!

ELIAS: Ah, ah! E à medida que amplias a perspectiva dos teus horizontes, permanecerei como uma energia ao teu lado – ah, ah! – a oferecer-te uma expressão de diversão nos teus momentos de cólera! (A rir)

BOBBI: Ah, bom! (Ambos riem)

ELIAS: Expresso-te um enorme afecto e antecipação em relação à nossa contínua relação. Para ti, neste dia, au revoir!

BOBBI: Obrigado, Elias.

...

Nota da Vicky
O Elias estava a fazer aquilo que chamo “conduzir a ele próprio” nesta sessão. A mão esquerda dele estava constantemente a mover-se em sintonia com os padrões do discurso, do mesmo modo que um condutor conduz a orquestra. Apenas observei isso umas quantas vezes, e é bastante engraçado!

Notas do tradutor

(1) Este material é de tão elevada qualidade que tenho que remeter o meu leitor para uma exploração mais alargada do mesmo, nomeada mente para a sessão #848, intitulada, “Esclarecimento Em Meio ao Conflito” a fim de prosseguir com a exploração do tema por vias diferentes.

(2) Aquilo que combatemos, pela não-aceitação, na verdade estamos unicamente a reforçar. Por um lado ao negarmos uma verdade da nossa natureza, estamos a negar a expressão fundamental de liberdade, da dignidade e da integridade humanas, sob falsas premissas.

Geralmente corremos a concordar ou a negar sem nos darmos conta de que ao faze-lo nos estamos a limitar. Limitámo-nos tanto pela concordância com as correntes de opinião como assassinamos a alma, através da exclusão. Mas precisamos viver em afirmação e não em negação; a negação jamais é absoluta. Por outro lado, se tanto a afirmação como a negação da coisa estiverem em uníssono, obteremos como que uma forma superior de afirmação.

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O MATERIAL ELIAS