quarta-feira, 22 de junho de 2011

A DOR E A MORTE



SESSÃO #484
“Regressar de Novo À Tempestade”
“Crenças: Dor e Morte”
Quinta-feira, 14 de Outubro de 1999 (Privada/Telefone)
Tradução: Amadeu Duarte

Participantes:  Mary (Michael), e Daryl (Ashrah).

ELIAS:  Boa tarde! (A sorrir)

DARYL: Olá Elias. Não estou segura de saber como abordar aquilo que hoje pretendo trazer à conversa. Parte disso tem que ver com a frustração que sinto e por estar a sentir que algo me esteja a bloquear os movimentos. Já dediquei atenção à duplicidade que abrigo e aos medos e aos relicários, e sou capaz de sentir o movimento, quase como se fosse o de um comboio, e em especial na semana passada, tenho consciência de ter estado a trabalhar com esse relicário relacionado com o modo como os outros me vêem e da forma como eu sou do lado de fora, e com a concordância que estabeleço com eles em lugar de atribuir validade a mim própria.

Também já tive períodos em que me senti verdadeiramente bloqueada. Quando me encontro a batalhar com esta entidade ou energia - que bem sei que aquilo com que estou a batalhar sou eu própria – tendo a alternar entre dois estados. Num, essa entidade é mais ou menos quem manda, e sempre sou levada a sentir uma grande dose de tensão e de pressão na cabeça, que se centra entre os olhos e o maxilar e o meu ouvido direito, e quando me sinto presa nesse estado e parece que isso exerce um efeito em mim que faz com que se torne difícil até manter a pequena porção do ser que reúno no quadro do temor. Além disso também me sinto bastante apartada em relação à essência e a mim própria, e em relação à interacção contigo.

Agora; existe um outro estado que tenho vindo a desenvolver mais nos últimos anos, que me faz sentir... O que quer que seja que eu me permito ser, tenho consciência de não fazer parte do meu eu total. E nesse sentido, consigo sentir a tensão passar para o outro lado do meu rosto. Ainda é desconfortável, só que menos, e sou capaz de sentir a energia a deslocar-se ao longo do meu corpo todo, o que não se passa nesse outro estado, e de alguma forma dou por mim... Apesar de não ser o produto acabado que acabarei por sentir ser quando finalmente me achar fora de enquadramento em relação ao medo.

Penso que o que me preocupa seja o facto de continuar a direccionar-me no sentido do estado mais desconfortável, e em seguida como que me sinto bloqueada nele, e quando recentemente dei por mim nessa situação, senti uma dor lancinante nos meus olhos que suplantou as dores oculares que normalmente sinto, e além disso durante o último ano o meu ouvido direito tem... Normalmente era acometida nesse ouvido por aquele ruído de fundo de muito baixa frequência. Não se trata de nenhum zumbido – é um ruído de fundo – mas na última semana, tal como em outras alturas, ele cresceu a ponto de me bloquear a audição, além de me distrair bastante. Penso que basicamente não compreendo porque razão eu comuto exactamente entre esses dois estados, nem como me hei-de desprender quando me sinto como que sob o aperto da entidade do medo. Entendes aquilo que estou a dizer?

ELIAS: Sim, absolutamente.

Bom; em primeiro lugar, deixa que te diga que aquilo que estás a criar constitui uma acção familiar, e é um tipo de criação que empreendes faz muito tempo.

Agora; nesse sentido, apresentas a ti próprio dois factores. Um é o da familiaridade. Moves-te nessa acção, por conheceres objectivamente essa mesma acção.

DARYL: Bom, quando referes acção, estarás a referir-te ao estado menos confortável?

ELIAS: Estou.

DARYL: Está bem.

ELIAS: Isso é-te objectivamente familiar. Por isso reconhece-lo e em certa medida compreendes a acção que estás a criar. E nessa familiaridade, tu deixas-te atrair para esse tipo de criação por essa mesma razão - devido ao facto da acção na qual estás a entrar, tanto objectiva QUANTO subjectivamente, (de dares atenção a este elemento do medo) te ser pouco familiar, e isso, no círculo das crenças e no círculo do relicário, criar a perpetuação da coisa.

Ora bem; não pretendo que te votes à ideia de te encontrares “bloqueada” nem impotente, porque na realidade, não estás a exibir nada disso. A percepção que tens, a qual te motiva o processo do pensamento, está a começar a direccionar-te no sentido do bloqueio e dum certo elemento de desamparo, mas isso consta unicamente dum aspecto da duplicidade que procura debater-se, por assim dizer, no movimento que estás a implementar.

Bom; o outro elemento que se faz presente nessa acção é o começo dum novo movimento. Eu digo-te que muitas vezes, no foco físico, as pessoas podem direccionar-se de forma empenhada para certos problemas e certas crenças que são sustentadas com bastante vigor, e ao escolherem mover-se por entre esses problemas particulares, começam é a dar lugar a uma intensidade maior do que aquela que experimentavam antes. Isso constitui um elemento do processo que se acha em conformidade com as vossas crenças colectivas.

As crenças das massas ditam-vos que deveis deixar-vos levar mais pela turbulência da tempestade e que vos permitireis um descanso temporário uma vez no centro do ciclone. Mas a seguir à permanência no centro do ciclone, haveis de voltar de novo para a turbulência da tempestade, e essa segunda passagem para a turbulência da tempestade sofrerá um incremento antes de abandonardes a tempestade.

Isso constitui uma das crenças sustentadas pelas massas que é amplamente difundida. Expressais a vós próprios, no vosso vernáculo, que os acontecimentos devem piorar antes de passarem a melhorar.

Por isso, de acordo com tal crença, no passo individual que estabeleces, ao optares por te ocupares das áreas difíceis e dos problemas fortemente enraizados, tu estabeleces uma altura a fim de te reforçares, de modo a que isso te permita que reúnas objectivamente forças, falando em termos figurados – o que poderá ser encarado como o teu olho do ciclone - subsequentemente ao que, passas a criar tensão.

Agora; lembra-te de que terás que ter passado pelo elemento inicial da tempestade a fim de alcançares o centro, mas agora deslocas-te para o elemento seguinte da tempestade antes de a abandonares. Nesse sentido, o segundo elemento, ou o elemento seguinte da tempestade é familiar, por conter as mesmas qualidades e acção do primeiro elemento da tempestade, apesar de parecer ser mais intenso.

Bom; eu digo-te que isso serve-te de indicador para o facto de estares a realizar e a criar. Estou ciente da luta e do desconforto que estás a experimentar individualmente, tanto ao nível físico como emocional.

Mas permite que te reforce o facto de estares a apresentar a ti própria tal tipo de criação – dado que te é familiar – com uma maior intensidade a fim de obteres impulso nessa tua motivação, porque te deixaste familiarizar de tal forma com certos aspectos das tuas próprias criações, em conjugação com o medo, que em parte também te tornaste complacente na área da motivação para passares por ela.

Por isso, para igualares a intensidade da motivação à tensão provocada pelo medo, tu aumentas aquilo que designas como um sintoma, e isso provoca um aumento no factor motivador que sentes a fim de prosseguires e atravessares essa dificuldade e desmantelares esse relicário.

Agora; tu não estás bloqueada, porque não estás a interromper o movimento. Não estás a criar nenhuma situação em que te aches imobilizada ou em que te aches estática. Estás a continuar a desmantelar esse relicário, mas estás a aumentar a expressão externa desse relicário, de modo que possas suprir mais a tua própria capacidade para o desmantelares.

Nesse sentido, permite igualmente que te diga para não te deixares voltar no sentido da desvalorização desse passo nem da resignação, por assim dizer, no que estás a criar, porque isso constitui o reforço da duplicidade, o qual distorce o movimento de desmantelamento desse relicário.

Além disso, tem consciência, do teu processo de pensamento que geras no avanço que estabeleces e da tua expressão emocional nas alturas em que estiveres a criar esse tipo de expressão exterior, porque quando voltas os teus pensamentos e a tua atenção para a crítica e para o que percebes como negativo, também perpetuas a própria criação que desejas deixar de criar. Essa exibição física que estabeleces sofre um aumento e prolonga-se na medida em que lhe ofereces maior energia por parte do teu pensamento e da expressão emocional que moves na aversão que sentes por isso.

Não te estou a dizer para abraçares nem para te deixares cair de amores nem para adorares a dor! NÃO te estou a dizer isso. Aquilo que te ESTOU a dizer é que com a projecção de energia negativa apenas perpetuas a criação dela.

Não é necessário que sintas gosto por uma certa criação. Tampouco é necessário que deixes de gostar duma determinada criação. Nesse sentido, qualquer dessas expressões tende a perpetuá-la.

DARYL: Pois, eu tenho sentido dificuldades em dar com esse meio termo por tender a zangar-me e a sentir-me impotente, mas eu expressei uma reacção negativa a isso.

ELIAS: Justamente, e isso perpetua a acção. Esse é um conceito cuja compreensão, estou bastante ciente de ser bastante difícil no foco físico, o de que, ao vos concentrardes de modo objectivo em qualquer elemento do vosso agrado, venhais a perpetuar aquilo de que gosteis. Só que esse movimento também tem lugar pelo inverso, ou seja, se não vos agradar um determinado aspecto do que criais e passardes a votar-lhe energia, estareis a criar a mesma acção do caso do agrado.

Trata-se dum mesmo movimento em termos de energia. Não importa que rotuleis um como positivo e o outro como negativo. Tampouco tem importância que rotuleis um como agrado e o outro como desagrado.

Ambos referem o mesmo movimento em termos de energia, e nesse sentido, aquilo que te estou a dizer é que te permitas perceber que isso não consiste nas tuas únicas escolhas. Tu dispões de outras escolhas que não são escolhas polarizadas (em termos disto ou daquilo); agrado ou desagrado, positivo ou negativo. Tu dispões de outras escolhas que se situam entre ambos esses pólos.

E nesse âmbito, à medida que te permites desviar a tua atenção da criação... Porque se te concentrares na criação disso, virás automaticamente a mover-te para o terreno do agrado e do desagrado, da avaliação e da condenação, por isso se te tornar automaticamente familiar.

Portanto, se desviares a tua atenção da criação disso e a voltares para ti, e ocupares a tua atenção com a tua aceitação, e a aceitação genuína do que quer que faças em qualquer momento sem lhe atribuíres juízo crítico, hás-de dissipar a energia que é projectada para a criação física actual. Estás a compreender?

DARYL: Estou. Apenas estou a ter uma enorme dificuldade em implementar isso. Será que se me distraísse isso se revelaria eficaz?

ELIAS: Por certo.

DARYL: Distrair-me com uma actividade qualquer ou isso, que me fizesse investir a minha atenção fora do âmbito da criação disso?

ELIAS: Correcto.

DARYL: Porque a aceitação disso parece verdadeiramente árdua quando me acho sob o efeito da sua pressão ou num estado de agonia, (suspira) e nessa altura torna-se mesmo difícil aceitá-lo.

ELIAS: Absolutamente, eu entendo a dificuldade disso.

Deixa que te diga, a dor consiste na identificação dum sentimento que é suportado em termos negativos. Podeis experimentar exactamente o mesmo sentimento e ele ser percebido em termos de prazer. É a vossa percepção que identifica a dor, e a dor consiste na expressão física da negatividade, na energia negativa. Por isso, nos vossos termos, representa um correspondente do prazer.

Agora; eu digo-te que são a mesma energia. Apenas é definido de modo diferente. São a mesma expressão de energia; o mesmo movimento de energia. A mesma intensidade de energia. É identificada e definida de forma diferente com base na percepção que tendes, e isso é o elemento que estabelece o conforto ou o desconforto.

Nesse sentido, sim, temporariamente, tens razão. Se te permitires distrair-te, isso pode revelar-se uma ajuda, porque estás tão familiarizada a identificar-te com a dor que não te concedes mais nenhuma identificação. Não te concedes nenhuma outra opção. Por isso, se desviares a tua atenção da actual criação da dor, poderás distrair a tua atenção e interromper o fluxo de energia nessa direcção em particular.

DARYL: Está bem. Poderia eu igualmente tentar experimentar isso como algo mais além da dor? Isso seria igualmente eficaz?

ELIAS: Podes, sim. Agora; pensa contigo própria: Na vossa dimensão física actual, as pessoas produzem uma dor física intensa e atroz ou identificam essa dor em associação ao acto do dar à luz. Mas nessa acção, elas podem igualmente - desprovidas de quaisquer outras substâncias externas e apenas focando a sua atenção de modo diferente - podem empreender o acto de dar à luz sem experimentarem qualquer dor.

As pessoas podem empregar os procedimentos médicos cirúrgicos sem recorrerem àquilo que designais como anestésicos, apenas voltando a sua atenção e estabelecendo uma diferença na percepção.

Nesse âmbito um elemento chave é a distracção objectiva da atenção, voltando-a objectivamente para além da criação de dor; não necessariamente afastando-a da acção física que está a ser levada a cabo, que supostamente há-de ser a origem da dor, mas apenas afastando-a do próprio elemento da dor.

Em termos bastante concretos, aqueles que se acham no foco físico são muito bem sucedidos nisso. A razão porque podeis realizar esse tipo de acção é a de que a dor não consiste em nenhuma entidade em si mesma. Não consiste em nenhuma manifestação física real, em si mesma. Consta apenas duma definição que tem fundamento na vossa percepção.

Por isso, ao olhares para um elemento de dor que estás a criar, recorda que a criação da dor consiste na criação da definição dum sentimento físico que tem assento na tua percepção, mas a tua percepção pode ser distraída e desviada, e ao ser desviada, a dor é eliminada, por não consistir em nenhum elemento físico em si mesmo.

DARYL:  Está certo. Bom, isso dá-me certas ideias sobre o modo como lidar com isso de forma diferente, porque eu consigo sentir-me a mover-me na direcção de me sentir bloqueada, e não quero voltar a esse estado. Quero ter a certeza de estar a avançar, e de continuar a faze-lo.

ELIAS:  Mas tu estás.

DARYL:  Uma coisa que tenho igualmente vindo a experimentar, especialmente tarde da noite quando estou a ir para a cama e planeio permanecer ali deitada ou então quando estou deitada  e tento comunicar comigo própria ou entretenho uma interacção qualquer contigo, é que começo a espirrar. Isso tem-me vindo a acontecer bastante. Aconteceu-me bastante na noite passada, e parece começar a interagir nesta área e a deixar a coisa mais congestionada e tensa.
Estou ciente da relação que existe entre o espirrar com o medo da vida e com o desejo de desaparecer. Terá isso alguma coisa que ver com o medo da vida que tenho vindo a reconhecer, ou fará apenas parte deste processo por que estou a passar?

ELIAS:  É um elemento desse processo que estás a empregar. A razão porque crias isso de modo tão intenso ao redor da altura em que objectivamente passas a interagir comigo deve-se a que isso represente um sinal em termos objectivos de estares a trazer à luz elementos que desejas passar a considerar, mas em relação à percepção dos quais sentes temor. Por isso, estás a alimentar de novo essa batalha.
Independentemente disso, tu avanças e podes perceber igualmente esse avanço como as imagens objectivas que empregas e reforço que dás a ti própria, por a despeito do resto passares a interagir comigo. Por isso, permites que o desejo que sentes te motive e te faça avançar, independentemente do facto da familiaridade do que crias lutar numa tentativa por manter o controlo que exerce.

DARYL:  Está certo, porque parece que interrompe a interacção, e aí essa interacção deixa de se dar, mas na realidade dá-se, não é?

ELIAS:  Dá.

DARYL:  Bem, isso é bom de saber, porque por vezes eu apenas me levanto. Quero dizer, espirro dez vezes seguidas, e isso interrompe mesmo tudo!
Outra sensação ligada a isso é a sensação de tristeza, e quando a investigo, parece estar ligada à duplicidade, como não querer incomodar mais ninguém permanecendo viva, como se precisasse mesmo desistir e aceitar o facto e permanecer morta, essencialmente. Será esta uma interpretação correcta da tristeza?

ELIAS:  É, objectivamente.
Ora bem; eu digo-te que, conforme estás ciente, isso denota uma expressão de duplicidade.
Agora; vê junto comigo, que este sistema de crença da duplicidade, conforme estás ciente, detém muitos aspectos, e todos esses aspectos são ardilosos, e na esperteza que apresentam, tornam-se bastante criativos por vários modos ligados ao passar para expressões que lhes assegurarão o reforço.
Por outras palavras, TU és muito esperta e criativa, porque na realidade, os aspectos inerentes às crenças não são entidades em si mesmos, mas elementos implícitos ao teu ser. Por isso, poderás igualmente expressar que ÉS bastante criativa na tentativa de continuares na familiaridade daquilo que crias.
Nesse sentido, deixa que te diga que tenho consciência da dificuldade que experimentas no desmantelamento desse relicário
Estou ciente da percepção que sustentas da dificuldade de desmantelares esse santuário, por a tua percepção te dar conta duma tremenda dificuldade que te provoca exaustão, exaustão essa que te leva a começar a dar expressão à vontade de interromperes (a vida) e a uma dúvida quanto ao valor dos esforços que exerces e a uma dúvida quanto à tua capacidade de realização, só que isso também te é bastante familiar. Tens vindo a criar esse tipo de movimento durante grande parte do teu foco.
Bom; olha o que te digo. Tu falas comigo e expressas-me um desejo genuíno e forte de desmontar esse santuário e de passares à criação de novas probabilidades e a um tipo diferente de exploração deste foco individual. Eu dou-te conta duma informação em conformidade com esse desejo, mas também te direi que na realidade, isso não importa.
Se realmente desejares tornar-te invisível, se genuinamente desejares deixar de continuar no foco físico, poderás escolher essa acção, que isso não terá importância. Mas não te iludas com a ideia de que o que venhas a criar subsequentemente seja incrivelmente diferente.
Essa é a razão porque continuo a encorajar-te e porque continuo a estender-te informação que te poderá ajudar no percurso, porque podes continuar no foco físico, assim como podes interrompe-lo. Em qualquer dessas escolhas, continuarás a experimentar o que estiveres presentemente a criar, por teres dado lugar à criação dessa dificuldade particular e a esse desafio particular no teu íntimo.
Escolheste proporcionar a ti própria esse desafio para o explorares. Consequentemente, terás de o explorar, independentemente da área da consciência em que escolhas proceder a essa exploração.

Estás a compreender?

DARYL:  Parte disso não consegui ouvir, mas que quererás exactamente dizer com “esse desafio”?

ELIAS:  Esse desafio traduz a passagem por esse medo, e o desafio decorrente da profundidade da afectação causado pela duplicidade.

DARYL:  Está certo. Porque tive o pressentimento de que tenha sido algo que tenha escolhido para esta vida, e penso nele em termos de – pelo menos no que toca à segunda parte – separação e reunião, e de que escolho separar-me enormemente da essência e dos outros e até mesmo de mim própria, mas aí a outra parte disso seja a de regressar, de passar por todas essas dificuldades e regressar a mim própria e à essência tanto quanto eu o permita, e aos outros. Será disso que estarás a falar?

ELIAS:  Acertaste, e isso É o que te estou a dizer.
Portanto, não importa que permaneças no foco físico ou que o interrompas. Tu darás prosseguimento a essa mesma acção. Isso é o que te estou a expressar; que a ideia da retirada não é o que poderás designar como uma consolação, porque o envolvimento que terás escolhido, o desafio  que terás escolhido, será explorado e ensaiado independentemente do foco físico ou do abandono do foco físico.
Expressaste eloquentemente o intuito que sentes no sentido de criares neste foco – que é o de explorares esse tipo de separação, esse tipo de criação, esse tipo de qualidades emocionais – e escolheste criar um movimento de harmonia; passar da desarmonia à harmonia, como quem diz, para o referir concretamente.
E nesse sentido, estendo-te esta nota declarativa unicamente para te permitir recordar-te duma forma objectiva que, apesar de poderes passar para a expressão da tristeza e de desespero, o conceito de retirada não deve ser encarado como um consolo. Estás a compreender?

DARYL:  Penso que sim. Estarás a dizer que tenha estado a considerar uma retirada desta vida?

ELIAS:  Não. Estou apenas a dar-te conta de que por vezes, tendes a entregar-te à exasperação, e que nessa exasperação também te inclinas para uma interrupção, e por momentos admites essa ideia de que se interromperes, poderás descansar.

DARYL:  Então devia abandonar essa ideia! (A rir)

ELIAS:  Ah ah ah!

DARYL:  Por experimentar isso mais como – se não passar por isto, aí deixará de haver razão para permanecer aqui, porque... não sei bem. Por não querer permanecer aqui se não conseguir passar por isso - é mais ou menos aquilo que sinto. Mas se tiver que passar por isso de qualquer modo, penso que apenas irei em frente e continuarei a faze-lo aqui.

ELIAS:  Justamente! Nesse sentido, permites-te o reconhecimento objectivo e as definições relativas ao que estarás a criar e proporcionas a ti própria objectivamente um período de menor confusão.
Consequentemente, contrariamente à crença sustentada pelas massas de que se te desprenderes da vida te tornarás omnisciente e menos confuso, eu digo-te que no acto de vos retirardes da vida podereis ocasionar uma MAIOR confusão, por passardes para áreas da consciência que complicam – por assim dizer em termos figurativos – o que estiverdes a criar em termos objectivos e físicos, por vos removerdes da estrutura linear do tempo e da lentidão da realidade física, que vos facilita mais a criação desse tipo de movimentos e de direcções.
De um modo figurado, podereis experimentar um maior à-vontade no foco físico ao dardes atenção a esses tipos de dificuldade do que o experimentareis no foco não físico.

DARYL:  Tudo bem, vou ter isso presente. (Elias ri)
Ligado à mesma coisa, eu também pensei  que a escolha que tenha feito de ser um foco final – e ter procedido a ela durante a mudança – tenha que ver com esse mesmo assunto da separação e da reunião, e que possua focos pós-mudança que se achem mais separados e outros que apresentem uma menor separação, e que eu represente um tipo de ponte entre ambos?

ELIAS:  De certo modo, está certo, e quanto diriges a atenção para um aspecto qualquer dos elementos do medo isso também cede uma espantosa energia a todos os demais focos da essência em meio ao que possam estar a criar nessa área.

DARYL:  Está certo. Outra coisa sobre a qual me interrogava é a própria criação da entidade de energia e da forma tanto objectiva quanto subjectiva com que a experimento ao mesmo tempo. Dever-se-á a forma como faço isso a uma expressão decorrente da orientação soft/suave (intermédia)?

ELIAS:  Não necessariamente, apesar da escolha quanto à orientação ceder um à-vontade no tipo de criação que terás escolhido.

DARYL:  Está certo. Igualmente com respeito à orientação soft, sinto que uma das razões porque tenha escolhido isso para este meu foco seja a da interacção que estabeleço na mudança, e a de ter noção do que se passa nela.

ELIAS:  Exacto; a de que neste foco em particular, isso te facilita mais as tuas escolhas e a tua acção.

DARYL:  Está certo. Bom, isso de certeza que me dá mais em que pensar. Penso que tenha terminado, a menos que haja alguma coisa que desejes acrescentar que me venha a auxiliar.

ELIAS:  Apenas te transmito para continuares no avanço que estás a estabelecer, e para te lembrares de que ESTÁS  a continuar no teu movimento, com o que, lembra-te também nas alturas de sofrimento, para te permitires notar a tensão física e emocional que geras, e para descontraíres física e emocionalmente essa tensão que comportas nesse instante, e subsequentemente à descontracção dessa tensão, para te permitires distrair-te. Lembra-te de que a dor não constitui uma entidade em si mesmo.
Além disso, estendo-te uma tremenda energia e afecto e continuo a encorajar-te enormemente, por ESTARES a dar passos fora das normas. estendo-te neste dia um imenso carinho e dou-te um au revoir.

DARYL:  Au revoir.



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